História A Era de Caelash - Livro 1 - O Usurpador de Tronos - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Bruxas, Fantasia, Guerra, Livro, Magia, Reinos, Romance
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, LGBT, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 3 - Maxuel


O barulho da atingiu Maxuel com a familiar comodidade que tanto gostava em lugares daquele tipo. A atmosfera festiva e transgressora da taberna sempre havia despertado nele um lado despreocupado e juvenil. Ali, onde os olhares não se demoravam nele, não precisava se preocupar tanto com a pose cordial e madura que precisava manter. Com o julgamento daqueles que o preparavam para assumir o lugar ao lado de Abby e governar o Véu Negro.

Ali, naquele pedaço da Periferia, distante das tramas nobres da cidade, ninguém se importava com o fato de Max ter sido escolhido como o sucessor de Abel, melhor amigo do seu pai. Talvez, nem mesmo conhecessem o seu rosto. Ele gostava disso.

Haviam poucas mesas no lugar, mas isso não impedia de estar sempre cheio. Maxuel se esgueirou por entre os corpos que bloqueavam a entrada, homens corpulentos e que não cheiravam tão bem. Sentia-se culpado por ter despistado Phynn. Mas a mensagem de vento que recebera de Mancey era clara. Ele não poderia levar o amigo. Mesmo que fosse o dia da formação. Mesmo que Max e Phynn tivessem combinado de comemorar juntos. Mesmo que fizessem qualquer coisa juntos. Não deveria levá-lo.

Mancey não gostava de incluir o outro garoto. Fosse em uma saída à noite, ou uma simples conversa, como esperava ter agora. Max não conseguia entender o motivo, mas tinha certeza de que Phynn também não gostava do homem, embora todo o resto do clã o admirasse.

Na parte mais interna da taberna, o ambiente parecia sujo. Havia fumaça de cigarro embaçando o ar, mal cheirosa, misturando-se com o odor de cerveja barata, derramada por toda parte, e ervas de um guisado ainda no fogo.

Max passou direto pela velha gorda atrás do balcão. Ela tinha um lenço amarelado prendendo os cabelos brancos, um avental manchado e um facão de cozinha na mão. Agitava o utensílio no ar como uma pequena espada, daquelas que os meninos aprendiam a usar na Academia, e se inclinava sobre o balcão de madeira escura, gritando para um tal de Jake parar de fazer sabe-se lá o que, ou ela mesmo o arrastaria para fora e cortaria as entranhas dele para usar no guisado.

Max vasculhou o espaço com o olhar, buscando os rostos conhecidos. Não encontrou, mas teve a atenção presa por um homem robusto, com uma perna sobre a mesa. Ela segurava uma gaiola em frente ao rosto e explicava algo a outro homem. Atrás das grades de metal, um fragmento lutava com todas as suas forças por liberdade. Havia tomado a forma de uma coruja avermelhada e uma aura de luz aquecida fluía em suas penas. Distraído, Max se chocou contra alguém.

Pediu perdão ao rapaz. Parecia ter a sua idade, vestido em farrapos sujos e cheirando a porco morto. Era magro, seus membros dançavam livremente dentro dos tecidos gastos. Além de ter perdido alguns dentes da frente. Max só sabia disso porque o rapaz rosnava para ele, irritado. Tentou ignorar e dar meia volta, mas o rapaz o interveio, empurrando seu ombro e fazendo Maxuel se encher de raiva.

Olhou mais uma vez para o rapaz. Provavelmente um batedor de carteiras. Não estava procurando confusão, mas ninguém se importaria se ele desse uma surra naquele insolente, bem ali. Sentiu os punhos se fecharem e o corpo retesar de expectativa. Não usaria magia para castigar o rapaz, queria fazer isso da forma convencional. Batendo.

Antes que pudesse dar início a briga, uma mão forte pousou em seu ombro, de forma apaguizadora. O toque trouxe Max de volta a si, fez os seus músculos voltarem a relaxar, a mandíbula, que nem notara estar travada, se soltar. O fez esquecer o batedor de carteiras insolente.

— Por aqui — Disse Mancey, virando Maxuel facilmente na direção que queria e o arrastando para um canto da taberna. — Não acredito que sujaria suas mãos com um mendigo daqueles — Repreendeu o mais velho, fazendo Max se sentar numa cadeira bamba, com os pregos frouxos.

— Já disse para não chamar muita atenção. Imagine se descobrem que o futuro rei do Véu Negro frequenta lugares como este e sai na pancadaria com qualquer rato.

— Não foi minha culpa! — Max tentou se defender, procurando uma postura confortável no assento duro. — Aquele patife miserável estava bagunçando as coisas — Completou. Mas já era tarde, Mancey não estava mais se importando, de qualquer maneira.

Eles não estavam sozinhos. Isaac observava Max com um olhar questionador. Haviam duas canecas vazias em frente ao garoto, impedindo que parte do seu rosto fosse vista. Max o encarou de volta, imitando a sua expressão.

— Por acaso os seus tios sabem onde você está? — Indagou. Isaac deu de ombros.

— Não. E não vão.

— É claro que não — Concordou Mancey, sinalizando para um servo, que limpava a mesa ao lado. — Mas agora deixem isso de lado. Estamos aqui para comemorar — Continuou ele.

Mancey sorriu e linhas de expressão se formaram na sua bochecha, sob a barba recém feita, e no canto dos olhos. Nada muito proeminente. Ele devia estar no auge da casa dos trinta. Era um homem grande e sadio, forte. Além do princípio de calvície, das falhas no cabelo, junto a testa, não aparentava sinais de idade.

— Comemorar o que, exatamente? — Perguntou Max.

— A sua formação, é óbvio! — Exclamou o homem em resposta. — O que mais poderia ser?

Max abriu a boca, mas hesitou, não sabia o que responder. Nesse momento, o servo retornou com mais três canecas cheias de cerveja, tirando assim a necessidade de falar alguma coisa.

Esperaram que o servo recolhesse as canecas vazias e se afastasse, antes de continuar. Max se perguntava o porquê de não poder trazer Phynn. Já que o propósito do encontro era tão simples.

Mancey ergueu a sua caneca, propondo um brinde.

— A Maxuel Castlewhite — disse ele. Em voz baixar, para que ninguém ao redor ouvisse. — Agora é um homem. E logo, vai entrar para a história.

Max se deixou levar pelo entusiasmo de Mancey. Abandonou a questão sobre o amigo de lado e ergueu a caneca, assim como Isaac. A madeira se chocou e cerveja espalhou-se pelo seu pulso. Em seguida, deu um gole farto, sentindo o líquido arder ao descer pela garganta, devido ao álcool.

A Formação tinha alto valor na sociedade dos bruxos do Véu Negro. Além de representar a educação básica completa, marcava a passagem para a idade adulta. A partir de agora, podiam escolher ao que iriam dedicar a vida no clã. Os rapazes tinham voz no Grande Conselho. As moças estavam prontas para casar, se assim suas famílias decidissem. Ou poderiam escolher o sacerdócio.

Contudo, Maxuel não se sentia eufórico com o que viria pela frente. Tudo já havia sido decidido por ele. Sua opinião não teria importância na época em que os fatos foram determinados. E agora, era tarde demais para questionar.

— Você tem muita sorte — disse Isaac, com um bigode de espuma sobre o lábio.

Max estreitou os olhos e fitou o garoto. Não conseguia enxergar onde ele tivera sorte. Teria um bom casamento, é claro. Estaria na mais alta posição do clã. Mas era isso mesmo que queria?

— Sua vez também vai chegar Isaac — respondeu Mancey. — Se for um bom garoto e seguir os meus conselhos, vai poder se casar com qualquer moça bruxa que deseje.

Max não sabia como Mancey poderia ajudar o garoto nessa questão. Mesmo ele sendo um Agelroy, parente próximo da rainha Honora, e vivendo debaixo do mesmo teto que os Silverwind, ainda não era garantia de que poderia escolher entre uma grande quantidade de bruxas para desposar. Casamentos no clã eram feitos com um viés econômico e todos sabiam que a fortuna dos Agelroy era singela.

— Deveria concentrar seus esforços nos planejamentos do próprio casório, Mancey. Afinal de contas, trinta e tantos não é uma boa idade para se continuar solteiro — Falou Max.

— Essa é uma questão que compete apenas a mim — respondeu o outro, levando a caneca a boca.

Apesar das palavras, o tom permaneceu descontraído. Max imitou o gesto e também tomou da sua bebida. O gosto não era dos melhores, mas ele não se incomodava. Estava acostumado a beber cervejas de baixa qualidade por aí.

Uma garrafa quebrou em alguma parte do bar. O som chegou a Max de forma abafada, seguido pelos grunhidos dos homens que o ocupavam. Eram em sua maioria Normandis, trabalhadores das fábricas de Crossland, ele então percebeu.

Uma briga parecia ter começado. Max teve um vislumbre de pessoas investindo uma contra a outra, mas logo a mulher que estivera atrás do balcão tratou de reestabelecer a ordem, apontando sua faca para todos os lados e xingando a esmo. Se é que podia se chamar aquilo de ordem.

Houveram risadas altas quando ela empurrou alguém para fora do bar e voltou com o rosto vermelho de raiva. Parecia que finalmente havia cumprido a sua promessa.

— Precisa ficar atento, ainda mais agora, que é um homem feito — disse Mancey, chamando a sua atenção.

Max não entendeu do que ele falava. "Ficar atento com o que?" Sua expressão confusa indagava.

— Abel está doente. Pior, quero dizer — explicou Mancey. — A Deusa sabe o quando aquele homem é fraco e enfermo — emendou.

Havia um toque de rancor por baixo daquela voz, Maxuel achava ter notado. Ou talvez, fosse coisa da sua cabeça. Mancey era o braço direito do Rei há anos, desde que ele havia reconquistado o direito ao trono e enviado a irmã usurpadora ao exílio. Não havia motivos para rancor ali.

— Eu não sabia — respondeu Max. Ainda não entendendo com exatidão o que Mancey queria dizer, mas sentindo um frio na barriga ao supor o que era. Se o rei morrer...

— Se Abel morrer, antes que você seja legitimamente o seu sucessor, teremos sérios problemas. Diversos bruxos cobiçam essa coroa, Maxuel. Bruxos grandes, de renome, que vão se aproveitar da menor das brechas da Lei para tomar o trono. E então, sabemos o que vem daí.

Mancey fez uma pausa, inclinando-se para frente, na direção de Max. Isaac parecia completamente imerso na conversa, como se o trio fizesse parte de uma realidade diferente, com toda aquela atmosfera tensa que se formava ao som das palavras do bruxo. Ao redor deles, as pessoas continuavam nas suas atividades despreocupadas, até mesmo transgressoras.

— O clã não pode passar por mais uma guerra civil. Ainda nem sequer nos recuperamos dos danos da última. Além disso, o povo Normandi e o seu ódio por nós só aumenta. Eles não hesitariam em patrocinar os partidos dentro no nosso clã, vê-lo se alto destruir e se apossar dos nossos bens. Tudo isso dentro das regras do Caelash.

O olhar de Mancey era intenso, fixado em Max de tal maneira que não havia como não encará-lo. O senso de responsabilidade que ele transmitia contagiava o garoto, um senso que ele mesmo deveria ter, mas no fundo, não queria.

— Não podem haver dúvidas de quem ascende em caso de Abel cair — continuou Mancey. — Entende o que quero dizer?

Max engoliu em seco. Pelo canto do olho, viu a sobrancelha de Isaac se erguer, diante a sua hesitação em dar uma resposta. Max teve vontade de enxotá-lo para fora, assim como a velha fizera com aquele bêbado, momentos atrás.

Ele fez que sim com a cabeça, apenas uma vez. Max sabia o que era necessário para ser legitimado como sucessor de Abel. Tinha a palavra do Rei, antes mesmo que soubesse o que ela significava. Porém, a Lei do clã exigia mais.

Precisava ser membro da família real. Ser parte dos Silverwind. E para isso, deveria concretizar o que havia sido planejado por Abel e Skyler. Precisava casar com Abgail, tornando-se assim, herdeiro do trono. Enquanto ela, seria sua rainha.

— O casamento — Max verbalizou.

— Você precisa apressá-lo, fazer acontecer o mais rápido possível. Já que tanto você como Abgail estão preparados — falou Mancey, terminando a sua caneca de cerveja de uma vez.

— Mas se Abel está mesmo doente e se há esse risco de conspirações, ele mesmo cuidará disso. Não há muita coisa que eu possa fazer. Afinal, ele ainda é o Rei, ele é quem decide — Max se defendeu da responsabilidade.

Mancey o cortou com um som reprovador.

— Ingenuidade não combina mais com você, Maxuel. O que Abel tem de impotente, tem de cabeça dura. Pensa como uma mulher.

Max ficou espantado com aquelas ofensas, mas não deixou transparecer. O outro bruxo continuou:

— Ele não quer assumir para si mesmo que está nas últimas. Vai tratar disso com descaso, como faz com a maioria das questões que temos no governo. É você quem precisa tomar a frente, proteger o seu futuro reinado e a todos nós.

Maxuel começava a se sentir enjoado. O monstro que assombrava devorá-lo desde a infância, mostrava os dentes diante o seu rosto. Passou a mão pelo cabelo escuro, tentando se concentrar. Havia sido educado a vida toda para assumir o controle do Véu Negro. Tido aulas de política, geografia, táticas de guerra, economia, negociações... tudo com os melhores mestres e sacerdotes. Conhecia os melhores feitiços. Mas ainda assim, não se sentia preparado para ser Rei. Na verdade, não queria ser.

— Como posso fazer isso, afinal? — Questionou ele, elevando a voz, despropositalmente.

Mancey fez um sinal para que baixasse o tom. Não deveriam chamar muita atenção.

— Devo falar com Abel? Acha que ele me ouviria? — Continuou.

— Não, não acho — Mancey respondeu. — Mas ele ouviria Abgail. As filhas têm forte influência sobre ele. Fale com ela, a convença de que está apaixonado e não aguenta mais esperar, que quer desposá-la e tê-la o mais rápido possível. Ela vai cair e fazer o resto do trabalho — completou o bruxo. Em seguida, fez mais um gesto para o servo, para que trouxesse mais cerveja.

Vendo isso, Isaac finalizou a sua caneca. Seu corpo recém-saído da infância não era forte para bebidas e ele já começava a mostrar sinais de embriagues. Max o assistiu, enquanto os pensamentos o atormentavam.

Teria que mentir para Abby daquela maneira? Ele gostava dela, a considerava atraente e é claro que a desejava, qualquer homem desejaria. Mas desposá-la era algo muito grande. Precisaria reinar e assumir todas as responsabilidades do Clã.

"Agora você é um homem feito."

As palavras de Mancey ecoaram como fantasmas no ouvido de Max. Ele precisava ser corajoso agora. Não havia espaço para covardia. Pegou a sua caneca, ainda continha mais da metade do líquido, e fez descer a cerveja pela garganta abaixo. Buscando no álcool forças para assumir o seu fardo, para enfrentar os seus medos. Algo que fazia com certa frequência, para alguém tão jovem.


Notas Finais


Capítulo de hoje, mores. Comentem pra eu saber o que tão achando, é super importante. E recomenda a história para os coleguinhas tbm, custa nada :)

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