História A Escolha - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Tags Bruxa, Elfo, Fauno, Magia, Medieval, Princesa, Romance
Visualizações 50
Palavras 3.380
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oieee!!
Olha eu depois de um tempinho, hehehe!
Mas alegro em dizer que eu ando presente na escrita e por aqui, então fiquem tranquilos que vocês vão ver muita coisa da Moni aqui!
Eu tinha que postar minha favorita! O capítulo já estava pronto há algum tempo, mas eu decidi que eu tinha um dever moral de postar "Meu Chefe é um monstro" antes, senão eu seria assassinada...
Então, tá ai o capítulo, com direito a uma foto que proxíma ao que eu imagino o Victarion; cabelos negros e olhos azuis claros.

Boa leitura!

Capítulo 16 - Médico real e o coração do príncipe


Fanfic / Fanfiction A Escolha - Capítulo 16 - Médico real e o coração do príncipe

            Olhei para trás para ver Milla dando uma piscadela, me desejando sorte. Milla ainda não tinha conhecimento da minha confusão com Zuko e por isso ainda torcia para que eu me entendesse com Victarion.

            Zuko. Era melhor afastar ele de minha mente, pelo menos naquele momento.

            Olhei para Victarion e vi que ele me observava enquanto caminhávamos pelos corredores.

            - Uma moeda de ouro por seus pensamentos. – Ele disse.

            - Ahm, nada demais. Estou pensando se eu não deveria ter escolhido o tecido xadrez ao invés do florido para as mesas de jantar. – Menti e Victarion sorriu, acreditando. Eu já estava me tornando uma ótima mentirosa; mentia para Milla, mentia para Victarion, mentia para minha mãe. Eu já estava começando mentir até mesmo para mim.

            Agarrava-me a doces mentiras para não ter de encarar a dura realidade: Eu estava com o coração prometido à dois homens, e justamente o que estava começando a se destacar, seria o que eu não iria me casar.

            - Não se preocupe com isso. Tenho certeza que tudo estará perfeito independentemente do tecido por você escolhido. – Ele acenou para um guarda que passava por nós, que rapidamente acenou de volta. Eu não sabia se o castelo era sempre movimentado daquela forma ou se era por causa da festa. – Além do mais, eu duvido que alguém prestará atenção na decoração quando você aparecer. A noiva mais bela da história de Cyrídia.

            - Não diga isso. – Eu falei, extremamente rubra.

            - Digo sim. Todos os lordes que vão vir para o casamento estão ansiosos para te conhecer, exceto, claro, os que virão das suas terras e já te conhecem.

            - Céus, que responsabilidade! – Coloquei uma mão na testa, já me arrependendo genuinamente por não ter tido tanto interesse em arrumar a festa mais cedo. – Virão lordes do norte, oeste e sul para o casamento?

            - Do Sul não. Acredito que eles ficaram um pouco ofendidos por não sobrar nenhum sangue real para seus regentes, mas não se preocupe. Se o rei sulista está aqui para nos prestigiar, isso significa que, por mais que ele quisesse você para o filho dele, ele apoia nossa união. Acredito que não teremos problemas com o Sul no futuro. – Victarion deu ombros, aparentando estar despreocupado. - Além disso, as filhas de condes e duques do Sul devem estar extasiadas com a ideia de se tornar uma princesa. – Seus lábios se curvaram em um breve sorriso, imaginando quem seria a garota que se alegraria em casar-se com Aidan. Em uma outra realidade, onde não existem Victarions ou Zukos, eu seria essa garota.

            - Oh, fico aliviada. – Claro que eu nem estava pensando nisso. Mais uma vez percebi o quanto o fardo de Victarion era maior do que o meu: ele se preocupava se o laço com um reino não traria discórdia com o outro, pensando nas diversas vidas inocentes que poderiam ser perdidas em meio a uma guerra sem sentido.

            E eu só estava preocupada com meu coração idiota.

            - Onde quer ir primeiro? – Ele me perguntou.

            - Ora, você é o meu guia. Mostre-me seu castelo.

            - Nosso castelo. – Ele me corrigiu e eu acabei sorrindo. – Pedra-de-vulcão também é seu agora.

            Pedra-de-vulcão era o nome criativo que os nortenhos deram para seu castelo, por causa da matéria-prima predominante usada na construção; o basalto. O basalto é uma pedra vulcânica escura que consegue aquecer mais do que outras pedras, e por isso foi a favorita do construtor do castelo. Os nortenhos acreditavam que a pedra possuía em seu âmago o calor de um vulcão e que assim seria capaz de aquecer o castelo. Tal crença fez com que o rei da época mandasse trazer a pedra de longe, o que fez com que o castelo só ficasse pronto após vinte anos. O rei dormiu uma noite em sua tão sonhada morada, para morrer no dia seguinte por conta de um ataque cardíaco.

            Continuamos nossa caminhada em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro, até que Victarion me levou para a sala de música. Era um amplo salão com a decoração predominante verde-musgo e dourado. Como não era diferente do restante do castelo, havia várias imagens decorando as paredes e todas na temática musical. Havia vários instrumentos de corda, mas o que mais me chamou atenção foi o imenso piano de calda marrom ao canto do salão. Próximo a ele, havia um divã negro elegante e eu me soltei do príncipe para me sentar lá.

            - Já está cansada? – Victarion sorriu ao me ver deitar no divã.

            - Não, mas quero estar confortável para ouvi-lo tocar para mim.

            - Ahm. – Ele acabou corando e eu nunca havia visto isso no príncipe. Victarion só havia me mostrado o lado sério dele e eu estava feliz por descobrir que ele também poderia ficar tímido, afinal ele ficava ainda mais lindo com as bochechas rubras. Bom, ele também ficara tímido na lagoa quente e, ao me lembrar que quase nos beijamos, eu acabei corando meu rosto. – Não sei se dou conta.

            - Como assim? Você me disse que tocava bem. – E ele tocava muito bem, eu sabia. Eu o vira tocar quando ele declarou o seu amor por Rosalie, mas eu não poderia entregar ou ele saberia que eu o estivera espionando. – Eu gostaria muito de ouvir você tocar, Victarion. Por favor.

            - É que eu nunca toquei para você.

            - Acha que eu não iria gostar?

            - Bem, acho que sim.

            - Ok. – Eu disse me levantando. Fui até o banco do piano e sentei de forma teatral. – Eu toco para você! – Eu pisquei para o príncipe, estralando os dedos. Ele acabou sorrindo.

            - E você sabe tocar? – Agora foi Victarion quem se sentou no divã.

            - Ora, mas é claro! É mais um dos meus grandes talentos.

            É obvio que eu não sabia nada de piano e nem de nenhum outro instrumento. Durante minha vida eu aprendi coisas inúteis como tricotar, dançar, etiquetas e outras coisas que meu pai acreditava que me deixaria irresistivelmente feminina para Victarion. Claro, Victarion certamente cairia aos meus pés se visse o meu ponto-cruz perfeito. Rosalie tocava violino divinamente, mas o que é uma peça bem tocada ao lado de um enxoval bonito? Nada, obviamente – pelo menos para o meu pai.

            E eu ainda imaginava o porquê de Victarion preferir Rosalie a mim...

            Bati meus dedos de qualquer forma pelo o piano, mas mantinha minha face orgulhosa, como se eu estivesse tocando uma obra-prima. Eu devia estar parecendo uma tremenda idiota, mas Victarion estava soltando uma sonora risada, completamente descontraído. Era maravilhoso vê-lo assim, leve.

            Ele limpou as lágrimas dos olhos, sentou no banco ao meu lado e eu parei de tocar para olhar para ele. Victarion nem mesmo olhou para mim e começou a pressionar as teclas, criando uma canção simples, sem muitos acordes detalhados, mas muito bela – e triste, de certa forma, mas talvez era isso que fazia da música tão bela. Ela era como Victarion, triste e maravilhosa, mas eu desejava que ela nunca acabasse, que Victarion nunca mais parasse de tocar. Seria esse o efeito que o príncipe também tinha sobre mim? Me acalentava com a beleza de suas dores?

            Fiquei olhando a concentração dele com o piano, vendo a forma que ele sentia a música; hora fechando os olhos, hora pressionando os lábios. Ele e o piano estavam conectados, sincronizados, e eu invejei o instrumento por isso. Eu desejava que Victarion um dia pudesse se entregar para mim como ele se entregava ao piano.  

            Victarion levantou as mãos, encerrando a música, e por mais que eu estivesse abalada com a bela composição, eu bati palminhas.

            - Viu? Não foi muito difícil. Você tocou para mim e eu amei.

            - Desculpe-me, Elisa, por não ter conseguido chegar aos pés de sua elaborada música. – Eu sorri e ele me acompanhou. – Obrigado. Acho que é mais fácil me abrir com você do que eu imaginava.

            Peguei em sua mão, fazendo com que ele olhasse para mim.

            - Você pode e deve se abrir comigo.

            - Tudo ao seu tempo, doce princesa. – Ele deu um tímido sorriso e se levantou, estendendo a mão para me ajudar a levantar. – Vamos continuar nosso passeio?

            Depois que ele me mostrou a sala de música, fomos a biblioteca. O lugar era imenso, com dois andares de prateleiras cheias de volumes. Havia algumas escadas acopladas as estantes onde era possível desliza-las até chegar ao volume desejado. Havia corredores e mais corredores de livros, os quais eu nem conseguia ver o fim, me fazendo lembrar de que meu pai havia dito que Pedra-de-Vulcão era o castelo mais antigo de Cyrídia. Quantos volumes não teriam ali? Qual seria a quantidade de conhecimentos escritos em papeis antigos?

            Na frente dos corredores de livros, havia algumas poltronas, mesas e cadeiras. Tinha também uma grande mesa sem cadeiras próximas, com o mapa de Cyrídia cuidadosamente pintado. Era uma mesa linda e lá eu podia ver a distância de Pedra-de-Vulcão para o Ninho da Lua, meu antigo castelo. Toquei no desenho de minha antiga morada e sorri. Victarion se aproximou e me analisou atentamente.

            - Já sente saudades? – Ele perguntou, passando o dedo no riacho que seguia até o lago Harless. O riacho que nos beijamos pela primeira vez.

            O riacho que eu conheci Zuko...

            - Não deu tempo ainda de sentir saudade, Victarion. – Falei uma meia verdade, já que eu sentia saudades de Lucile.

            - Então você se arrepende de ter que se mudar para cá?

            Olhei para o semblante atento de Victarion. Semblante esse que parecia temer minha resposta. Suspirei.

            - Por que temos que ter tanto medo do que o outro está sentindo, Victarion? Quando éramos crianças, nós tínhamos mais certeza. Eu sabia o que eu sentia... Eu sabia o que você sentia. Agora é tudo tão confuso... Nós estávamos mais conectados, alinhados.

            Victarion virou-se e sentou na mesa, que era forte o suficiente para aguentar o peso de dez Victarions, e olhou para o candelabro grande que estava a cima de nós dois.

            - Realmente eu pensei que minha vida estava escrita, que eu deveria apenas seguir os ensinamentos e acordos do meu pai. Tudo era tão fácil; eu adorava estudar política, era o melhor na academia militar e as aulas de piano com a minha mãe sempre me acalmava. Caso eu estivesse triste ou temeroso, alguns minutos de piano e eu estava novo, pronto para encarar qualquer coisa. E você... – Victarion me encarou e eu sustentei seu olhar -  Quando eu a conheci, eu tive certeza que meu futuro seria incrível, que eu tinha tudo que precisava, me sentia completo. Mas então...

            Victarion parou de me olhar para fitar suas botas negras, bem lustradas.

            - “Mas então”... – Eu tentei incentivá-lo a falar.

            - ... meu pai morreu. Meu pai morreu e deixou um fardo mais pesado que um garoto como eu poderia suportar. Até mesmo hoje, eu sinto que não sou capaz.

            - Acho que você está errado, Victarion. Você é um homem forte, sábio, amado por seus súditos. Acredito que carregue bem esse fardo.

            - Talvez...

            - Se ainda tem dúvidas, me diga como eu posso lhe ajudar, por favor, Victarion.

            Victarion voltou a me olhar, cheio de dor em seu olhar. Eu não entendia como poderia haver tanto sofrimento em um príncipe tão bonito, futuro rei de um reino próspero e pacífico. Qual era a dor de Victarion? Qual seria o fardo que o pai deixara a ele?

            - Eu não a mereço. – Meu peito doeu com a fala dele. Que feito heroico eu havia feito para não merecer tal homem honrado? Parecia que ele estava próximo a desistir do nosso casamento, do acordo de nossos pais. Isso me assustou mais do que eu achava ser possível.

            - Por que diz isso, Victarion?

            - Olhe para você, Elisa. – Victarion se aproximou, ficando a minha frente. Colocou as mãos em me rosto, acariciando minhas bochechas. – Você é a mulher mais linda de toda Cyrídia. – Ele trocava o olhar entre minha boca e meus olhos, me fazendo querer seu beijo desesperadamente. – Você é justa, sábia. Você parece minha mãe; leva luz para onde vai. – Victarion limpou uma lágrima que ameaçou cair dos meus olhos e fechou os olhos, sofridos. Voltou a abri-los depois de breves segundos. – Você era a pessoa mais alegre que havia pisado neste mundo até eu a tirar de seu castelo. Até eu chegar com minhas sombras e medos.

            - Não é isso Victarion!

            - Eu não a mereço. Você tem luz demais para se aproximar de um buraco negro como eu.

            Victarion ameaçou tirar as mãos do meu rosto, mas eu o segurei.

            - Não diga isso, Victarion. Você também tem sua luz, mas insiste em escondê-la de mim, por algum motivo. Sou eu que não sou digna de sua mão, afinal eu nem mesmo consigo fazê-lo sorrir, mas se você pudesse me dar uma chance... Deixe-me tentar, Victarion! Eu sei que posso fazê-lo feliz, farei de você o homem mais feliz de Cyrídia. Eu sempre o amei tanto...

            Ao mesmo tempo que minhas palavras saíram, eu me arrependi. Victarion se afastou de mim, como se eu o tivesse ofendido com meu amor. Ele olhava para mim assustado, com a respiração pesada. Seus olhos, assim como os meus, estavam brilhantes, porém minhas lágrimas caiam, enquanto Victarion conseguia contê-las.

            - Eu não...

            - Victarion. – Estendi minha mão para ele, o que fez o homem recuar ainda mais.

            - Eu não... Eu não sou digno. – Ele repetiu a frase algumas vezes para si mesmo, como se fosse um mantra sagrado. Um mantra que me soava vazio; uma desculpa esfarrapada. Limpei minhas lágrimas e mudei minha postura.

            - Desculpe-me, alteza. – Ele saiu do transe e voltou a olhar para mim, não gostando por eu tê-lo chamado por seu título. – Eu não deveria ter sido tão invasiva.

            - Elisa... – Só então ele tentou vencer a distância entre nós, mas foi minha vez de recuar.

            - Agradeço pelo passeio agradável, meu lorde.

            - Espere, Elisa.

            Ignorei Victarion e continuei a caminhar para a saída da biblioteca, porém as portas foram abertas e eu tive de parar. Um senhor com uma túnica roxa, quase marrom, entrou com pomposidade na biblioteca, como se tudo aquilo o pertencesse. Ele tinha a barba grisalha, que lhe descia até a barriga, tendo os cabelos igualmente longos e da mesma coloração. Os olhos sérios, cheios de rugas, analisaram-me da cabeça aos pés. Recuei com tamanha seriedade e altivez do homem.

            Após me constranger com seu olhar analítico, ele olhou para Victarion, que estava atrás de mim.

            - Alteza. – A voz rouca cumprimentou o príncipe, seguida de uma reverência calculada.

            - Thyessen. – Victarion respondeu, sem humor algum. Nem precisei olhar para trás para saber que Victarion estava imediatamente atrás de mim. Ele devia ter se aproximado sem que eu percebesse, enquanto eu olhava para o senhor a minha frente.

            - Seria essa a princesa Saens? – Thyessen perguntou com desdenho.

            Antes que eu pudesse responder, Victarion enlaçou meu braço no seu e eu teria tirado se não tivesse visto o semblante preocupado dele.

            - Sim, essa é minha noiva, princesa Elisa Saens. – Victarion foi extremamente grosso, me fazendo estranhar seus modos. - Se nos dá licença, Thyessen, nós estamos ocupados. Vamos, minha senhora.

            Victarion se moveu para passar por Thyessen, mas ele se colocou a frente do príncipe, quase se chocando com o monarca. Fitei confusa para o velho, que parecia ser audacioso o suficiente para enfrentar o futuro rei. Victarion não gostou nem um pouco, já que apertou os olhos em irritação.

            Thyessen sorriu um sorriso amarelo, tentando não parecer rude.

            - Vossa alteza, sei que tem planos de extrema importância com sua noiva, realmente perambular pelo castelo me parece um encontro perfeito, mas Vossa Graça sabe que eu preciso examiná-la o mais rápido possível, afinal qualquer problema que eu possivelmente encontrar durante o exame será escandaloso se próximo ao casamento.

            Victarion se colocou a minha frente, como se Thyessen fosse um ladrão perigoso, um estuprador. Eu não entendi que exame poderia ser, mas se Victarion não gostava da ideia, eu também decidi não gostar. Que tipo de exame seria aquele? Que escândalos ele poderia gerar?

            - Não há nada mais escandaloso que esse procedimento, Thyessen. Eu não quero que minha noiva se submeta a isso.

            Arrepiei. Realmente o tal exame não me soava boa coisa.

            - Vossa Majestade, sua mãe, se submeteu ao exame. Não vejo por qual motivo seria diferente com sua noiva. – Ele frisou “sua noiva”, demonstrando que não tinha mais respeito por mim que teria com um verme.

            - Minha mãe se casou com o meu pai e eu não sou permissivo como ele. Elisa se casará comigo e eu não admito que você a toque. Agora, saia imediatamente de minha frente.

            - Vossa alteza me ofende. Eu não faria nada para ferir sua noiva, nem ao seu corpo e nem a sua honra. Apenas sigo tradições.

            - E eu posso quebrar tradições, caso seja de meu desejo e critério.

            - Tenho certeza que Vossa Graça possa fazer tudo de seu desejo, mas é preciso se atentar aos riscos que isso pode acarretar ao reino. Se a garota não for virgem, se não for fértil, qual será o futuro do norte?

            A vergonha que me acometeu parecia não ser desse mundo. Agora eu sabia que tipo de exame esse homem queria me submeter e eu não queria me expor a ele de maneira alguma. Victarion ficou ainda mais irritado do que antes.

            - Meça suas palavras, Thyessen. – Victarion falou pausadamente, entredentes, e suas fala seria capaz de congelar lava. -  O senhor está falando com a sua futura rainha e qualquer acusação que fizer a minha futura esposa não será interpretada com leviandade! Eu garantirei pessoalmente que qualquer um que ofenda minha noiva seja punido sem nenhum tipo de brandura!

            - Eu busco a segurança do reino, alteza, não busco ofender a ninguém.

            - Deixe a segurança do reino sob a minha responsabilidade, Thyessen. Agora saia da minha frente, e não me faça repetir.

            - Como desejar, alteza.

            Thyessen novamente reverenciou ao Victarion, saindo da frente. Assim que passamos por ele, ele me olhou com chacota e deu um sorriso sarcástico, certo que Victarion estaria furioso demais para olhar para trás. De fato, tudo que Victarion queria era me tirar de perto do maldito homem, e eu era grata por isso.

            Victarion continuou com passos firmes e rápidos, segurando-me firmemente pelo braço. Quando pensei em protestar, ele parou e, após me soltar, deu um soco em um vaso de planta que estava suspenso por uma estrutura de ferro. A porcelana não se partiu e mesmo assim foi capaz de machucar o punho do príncipe, embora ele não reclamasse de dor. A planta se balançou de um lado para o outro até se desprender do suporte e cair no chão, mas eu não me importei com ela, já que havia a minha frente um homem furioso.

            - Victarion...

            - Como aquele verme ousou falar daquela forma sobre você? Pior! Como meu pai foi capaz de deixá-lo tocar em minha mãe?!

            - Acalme-se, alguém pode ouvir suas palavras transtornadas.

            - Que ouçam! Eu odeio essas regras e etiquetas estúpidas! Tive de andar o dia inteiro com donos de terras pressunçosos, famintos por favores reais! E agora isto? Eu nunca, nunca, Elisa, deixaria que aquele velho maldito tocasse em um fio de cabelo seu! Nunca!

            Tentei acalmá-lo, segurando carinhosamente os seus ombros.

            - E eu lhe agradeço por isso, Victarion.

            Ele fechou os olhos e parou de se debater.

            - Você não deveria ter de passar por nenhuma aflição apenas para que eu possa colocar uma coroa na cabeça.

            Aquilo doeu. Era como se Victarion estivesse acabado de declarar que estava apenas se casando comigo para se tornar rei. Eu não deveria ter me importado tanto, já que eu sabia que o amor de Victarion era Rosalie, mas mesmo assim doeu tanto que eu não sabia como estava conseguindo conter as lágrimas. Soltei seus ombros, olhando para ele com horror, mas eu ainda tinha um pouco de honra e orgulho, o suficientes para não dizer a ele tudo o que ele merecia ouvir naquele momento. Virei-me e fui até o meu quarto.

            Victarion ficou onde estava enquanto eu me afastava, calado.


Notas Finais


O que dizer desse capítulo? Bom, eu nada direi, deixarei para a interpretação de vocês, hehehehe

A música que eu imagino Victarion tocando é essa:
https://www.youtube.com/watch?v=sEFph9Bqz4E

Agradeço a todos vocês que me apoiam aqui! É muito importante para mim!
Até breve, queridos! ;**


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