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História A Escritora Solitária e O Amante de Animais - Capítulo 24


Escrita por: HiroNekochan18

Capítulo 24 - Informação Vazada


Fanfic / Fanfiction A Escritora Solitária e O Amante de Animais - Capítulo 24 - Informação Vazada

Quando já estava ficando bem tarde, Ravena decidiu ir embora e Mutano teve toda a gentileza de levá-la para casa em sua lambreta. Morgana se despedira de seus novos amigos de múltiplas raças e logo entrou para sua mochilinha azul de transporte.

Na rua, Ravena teve mais uma vez o prazer de viajar velozmente na lambreta de Mutano como se estivesse voando sobre asas grandiosas direto para casa – ela tentou não se agarrar muito nele, mas a vontade foi mas forte. É como se abraçasse toda a sua segurança, sua proteção e seu aconchego para não deixar escapar pelos dedos. Ele, é claro, sorria todo bobo e alegre enquanto mirava seus olhos verdes.

E a lambreta voou livremente pelas ruas já não tão cheias naquela hora da noite. Ravena ficou olhando as luzes dos postes pelas calçadas, todos passando tão rápido junto às árvores vermelhas e amarelas enquanto o perfume de Mutano era soprado contra seu rosto pelo vento. Era um perfume saboroso de hidratante de morango com chocolate branco que a fez se arrepiar e se inebriar de prazer olfativo.

Para Ravena a viagem parecia ter durado mil anos, mas durou pouco tendo em vista que ela morava bem perto de Mutano. Por fim, ele estacionou a lambreta no meio-fio em frente ao prédio dela, que logo desceu e tirou o capacete da cabeça. Os dois se olharam e por um momento não quiseram se despedir.

-E aí...?-Mutano abriu um sorriso meio tímido.-Nos vemos amanhã?

-Claro.-Ravena sorriu, ruborizando levemente.-Será um prazer.

-Bom saber.-riu Mutano.-Se quiser, posso te apresentar mais receitinhas veganas gostosas.

-Hmm, bom saber.-Ravena brincou, rindo.-E se quiser, eu posso te apresentar umas bebidas quentes pra você fazer sua própria versão vegana. E eu vou querer provar.

Os dois sorriram meio tímidos, ambos querendo estender sua breve conversa só para ficarem mais tempo juntos antes de se despedirem essa noite.

-Amei sua ilustre visita hoje, Rae.-falou Mutano, sorrindo terno.-E amei ainda mais cozinhar pra você.

-Também amei tudo. Você cozinha maravilhosamente.-elogiou Ravena, o sorriso igualmente terno.-Mas deixe a janela aberta.

-Por quê?-Mutano a encarou com um olhar curioso.

-Ah.-fez Ravena e abriu um sorrisinho todo misterioso.-Talvez em alguma dessas noites de Lua cheia eu possa entrar voando pela sua janela...

Mutano arregalou os olhos verdes que brilharam genuinamente:

-Sério?!

Ravena nada disse. Ela riu e se despediu dele com um sutil aceno de seus dedos. Mutano sorriu e fez o mesmo aceno com os dedos.

Como um perfeito cavalheiro, o amante de animais assistiu a escritora solitária andar até a entrada de seu prédio e sumir lá dentro com sua gatinha negra lhe assistindo ainda sentado em sua lambreta na rua pela pequena janela redonda da mochila de transporte.

Quando Ravena já estava em total segurança em sua casa, Mutano deu partida na sua lambreta e foi-se embora para sua própria casa.

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Morgana pulou pra fora da mochila de transporte quando percebeu que já estava em casa, a gatinha negra saiu andando pela sala de estar e foi logo subindo no sofá negro, onde ela se camuflava perfeitamente até desaparecer nele. Por sua vez, Ravena deixou a mochila de transporte num canto da sala de estar e largou sua bolsa tiracolo na poltrona ao lado junto ao capacete.

Ela estava se sentindo muito leve agora, tão leve que talvez seus pés pudessem perder contato com o chão. Despiu-se do seu casacão negro, tirou cachecol, botas até estar só com blusa e calça andando pelo seu apartamento. Foi até a cozinha e abriu a porta da geladeira. Percebeu que as sobras das últimas comidas delivery que havia pedido pelo celular já estavam se acabando. Talvez fosse hora de pedir mais, mas por ora ela ia se contentar com o último scone que sua mãe fez com um pouco de geléia e algumas uvas.

Ravena preparou um chá de jasmim e sentou-se à mesa para comer. Viu Morgana chegar e olhar para sua comida com aquela carinha gulosa. Ravena sorriu e se levantou com a caneca de chá quente na mão.

-Com fome também, não é?-disse ela, sorrindo.-Vamos te servir, peludinha...

Abriu o armário e pegou uma lata de ração cremosa de salmão. Abriu-a e colocou no chão para Morgana. A gatinha logo avançou sobre sua última refeição daquele dia e Ravena voltou à se sentar à mesa para enfim comer.

Tudo era silêncio em seu apartamento. Os poucos sons que surgiam de vez em quando quebrando este silêncio era da rua lá fora, onde algum carro, ou motocicleta passava correndo. Nada mais.

A escritora solitária logo percebeu que o apartamento do amante de animais era muito diferente do seu. Pra começar, não era um jardim botânico, mas faltava sons, faltava vida, faltava energia. O apartamento de Mutano estava sempre cheio de vida. Animais por toda parte, plantas e flores aqui e ali, e ele sempre estava a rir e conversar com seus bichos como se fossem pessoas de verdade.

Mutano sabia como dar vida às coisas, como dar energia e uma vontade louca de rir e se agitar – o que fez Ravena pensar que ela era exatamente o oposto disso. Se ele era a vida, ela era a morte? Quem iria se interessar por uma garota assim? Esses pensamentos negativistas não duraram muito, pois logo ela ouviu seu celular tocando dentro de sua bolsa tiracolo lá na sala de estar. Ela terminou de comer, bebeu um pouco mais do seu chá e levantou-se.

A garota de cabelos violetas caminhou até a sala e pegou seu celular dentro da bolsa. Como ela já imaginava, era Estelar querendo fazer uma chamada de vídeo. Suspirando, Ravena atendeu-a. Rapidamente, Estelar aparece na tela de seu celular toda enrolada em um cobertor todo rosa com corações vermelhos logo ao lado de sua irmã mais velha que estava sentada ao seu lado no sofá enrolada em um cobertor roxo com estrelas douradas e as duas pareciam estar assistindo TV à essa hora.

-Ravena.-disse Estelar tentando parecer séria quando na verdade parecia estar a ponto de explodir.-Me conte tudo agora e nem pense em esconder nada de mim.

-Do que está falando, sua biruta?-ecoou Ravena secamente ao sentar-se na cadeira da mesa.

-Ora pois!-exclamou Estelar.-Eu soube por fontes muito seguras que você e o Mutano estão seguindo um ao outro no Instagram. Anda logo. Me conta que história é essa antes que eu morra de curiosidade!

Ravena emudeceu e começou a ficar muito vermelha.

-Ah...-fez ela sem saber o que dizer.-Eu não... não sei do que está falando e... que fontes seguras são essas?

-Ela está se fazendo de difícil, irmã.-falou Estelar para Estrela Negra.

-Amo quando elas se fazem de difícil.-Estrela Negra sorriu divertidamente.

-O que quer dizer com isso, sua indecente?-Estelar ruborizou com um olhar confuso.

-Ravena, minha querida amiga.-Estrela Negra interveio.-Devo lhe dizer que descobrimos essa informação super quente graças à sua mãezinha querida que descobriu tudo isso sem querer e logo nos enviou assim que descobriu.

-Minha mãe?!-Ravena praticamente gritou.

-Sim!-Estrela Negra gritou aos risos.-Sua mãe!

-Mas será possível que eu não posso mais confiar em ninguém?!-exigiu saber Ravena.

-Bom, pode confiar no Mutano.-Estelar sorriu.-Afinal, você segue ele no Instagram, não?

-Não envolva Gar nessa história.-rebateu Ravena.-Ele não tem nada a ver com vocês, xeretas, e minha mãe super xereta na minha vida pessoal!

-Gar?-Estelar ecoou confusa.-Quem é...

-Espera...-Estrela Negra pareceu raciocinar.-Gar é... os amigos do Mutano não disseram que o nome real dele é Garfield?

-Eu acho que sim...-respondeu Estelar curiosamente.-Então, Gar é...

Nesse momento, Ravena sentiu seu coração cair no estômago.

-EU NÃO ACREDITO!!!-Estelar gritou loucamente.-Você chama o Mutano de Gar, Ravena?! É o seu apelido carinhoso para ele?!

-Na verdade...-Ravena começou a caçar alguma boa desculpa.-Gar significa... garoto verde em... sumério antigo...

-Não vem com essa, Ravena!-rebateu Estrela Negra num sorriso provocante.-Eu estou sacando qual é a sua.

-Qual é a minha, sua grande depravada...?-sussurrou Ravena, fechando o semblante.

-Bom, da sua parte pode ser que os grandes “finalmentes” cheguem daqui há uns mil anos.-está dizendo Estrela Negra descaradamente.-Mas do jeito que você se reprime tanto com todos esses livros e todos esses chás é bem capaz de você ter se tornado um vulcão cheio de fogo prestes à explodir e...

-Fale mais um pouco e juro que corto sua língua, seus olhos e seus cabelos quando estiver dormindo!-esbravejou Ravena furiosamente, o rosto vermelho e quente.

-Estrela Negra, pare com as safadezas.-retrucou Estelar.-O que importa aqui é que a Ravena agora está chamando o Mutano pelo apelido carinhoso de Gar. Não é lindo? Muito melhor do que todos aqueles xingamentos que ele dava para o pobrezinho.

-De fato.-assentiu Estrela Negra com aquele sorriso perigoso dela.-Mas diga, Ra-ve-na... você andou se encontrando com o Gar hoje? Você está com uma cara de garotinha apaixonada que voltou para casa numa nuvem.

-Deixa de ser idiota!-resmungou Ravena, zombeteira.-Eu voltei pra casa numa lambreta!

E para quê? As duas irmãs na tela de seu celular se entreolharam e simplesmente começaram a gritar feito as duas garotas malucas que eram. E Ravena, num lampejo de desespero, foi logo encerrando a chamada de vídeo e largando seu celular na mesa.

Seu rosto estava vermelho ao ponto de queimar ao toque. Como pôde deixar tanta informação assim escapar? E logo pra suas amigas que vivem torcendo pra ela encontrar o terrível amor de novo. Ravena não queria encontrar o amor de novo. E, sobretudo, o amor não estava em Mutano. Ele era apenas um amigo. Um amigo vegano, amante de animais, excelente cozinheiro e um perfeito gatão verdejante com olhinhos de esmeraldas que a deixava toda...

-Argh!-Ravena rosnou com seus próprios pensamentos.

Onde ela estava com a cabeça?

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De volta ao seu apartamento, Mutano saboreava a última refeição de sua noite. Optou por um mingau de aveia vegano com leite de amendoim, creme de chocolate sem leite e pedaços de morangos com mirtilos por cima – ele bebia de uma caneca de chocolate quente de leite de soja enquanto observava Castanhola dando banho em Labareda com sua linguinha no chão da cozinha. A gatinha himalaia havia se enrolado junto à cadela Golden Retriever e as duas agora brincavam entre si como amiguinhas fofas com grande diferença de tamanho.

Mutano sorriu para sua gata e sua cadela, admirando sua doce amizade. Logo ele se lembrou de uma certa gatinha negra que andava pelo seu apartamento, fazendo amizade com todos os seus animais até um tempo atrás. E não demorou para que ele se lembrasse de Ravena. Sentia que havia dado um grande golpe de sorte por tê-la achado andando meio perdida pelas ruas da cidade. Provavelmente, ela estava vindo atrás dele. Só pode. Mas o melhor de tudo foi tê-la trazido para sua casa e cozinhado para ela.

Decididamente, isso não tinha preço para o amante de animais. Ele sonhava em cozinhar para alguma garota, mas não esperava que fosse ser a escritora solitária que já havia lhe xingado de tudo quanto é nome e lhe dado uns belos tapas. Hoje Mutano sentia vontade de rir disso.

Quando terminou de comer, o garoto verde largou toda a louça suja de molho na pia e foi direto para a sala de estar se jogar em seu sofá. Largou-se sobre o móvel estofado macio e aconchegou-se bem entre as almofadas. Agora ele estava vestindo só uma calça de moletom preta com meias verdes – e todos os seus animais lhe faziam companhia pelos cantos da sala de estar. Mutano pegou o controle da TV na mesa de centro e ligou para procurar algum filme. Nos primeiros três minutos, ele já havia achado alguns filmes interessantes na grade de programação até que o seu celular começou a tocar loucamente com uma chamada de vídeo de Robin sobre a mesa de centro.

Suspirando dramaticamente, Mutano largou o controle remoto no lugar de antes e pegou seu celular, atendendo a chamada de vídeo. Em instantes, Robin surge sentado à mesa da cozinha bebendo de uma caneca de chocolate quente nada vegano com Cyborg logo atrás fritando algum tipo de carne no fogão.

-E aí, Mu-ta-no...-falou Robin num sorriso todo bobo.-Quer nos contar alguma coisa?

-Você ligou pra mim pra saber se eu quero contar alguma coisa pra vocês...?-Mutano arqueou a sobrancelha confusamente.

-Ele está se fazendo de desentendido.-falou Cyborg, lançando um sorriso igualmente bobo por cima do ombro.-Vai fundo, Robin!

-Do que vocês, idiotas, estão falando?!-exigiu saber Mutano.

-Bom.-Robin bebeu do seu chocolate quente de forma tão elegante que levantou o dedo mindinho.-Eu estava bisbilhotando o Instagram da maravilhosa Estelar hoje e, de repente, deu vontade de ver as últimas publicações da amiguinha dela, a Rae, que você deve conhecer muito bem.

Mutano começou a ruborizar.

-Pois bem, uma coisa que eu tinha percebido há um tempo é que a sua Rae não é de seguir um monte de gente na Internet.-está dizendo Robin.-Então, eu logo estranhei ao ver que ela estava seguindo uma pessoa a mais. Minha curiosidade falou mais alto e, quando dei por mim, vi que ela estava seguindo você!

-A-ah...-Mutano deixou no ar, ficando vermelho até as orelhas pontudas.

-E eu fiz a segunda parte da descoberta!-exclamou Cyborg virando-se com uma frigideira quente na mão que quase acertou Robin.-Fiquei cismado com isso e fui dar uma averiguada no seu Instagram, verdinho, e descobri que você está seguindo a sua Rae!

-Vem cá...?-Mutano mordiscou o lábio nervosamente.-Por quê estão se referindo à Rae como minha?

-Anda logo, Mutano.-riu Robin.-Que história é essa? Conta pra gente. Você e a sua Rae andam se entendendo muito bem, não é?

-Mas vocês são uns pervertidos de marca maior!-rebateu Mutano, enraivecido.-Será que vocês só pensam naquilo?!

-Mutano, não banque o moralista puritano.-provocou Cyborg enquanto devorava uma tira de bacon provavelmente mal passada.-Quando conhecemos você aos 16 anos, você parecia um gato no cio e agora com 25 anos você deve estar subindo pelas paredes e pegando fogo!

-Engano seu porque sou uma pessoa muito equilibrada e de hormônios muito controlados.-rosnou Mutano rispidamente.-E não tem essa de eu e a Rae estarmos nos entendendo bem. Ela é uma dama! E não se faz essas safadezas com damas do nível dela. Ela merece muito mais do que ir pra cama como se não fosse nada sem nenhum respeito, valeu?!

Robin e Cyborg emudeceram na tela do celular de Mutano – eles se entreolharam e logo Cyborg esfregou os dedos no queixo com um sorriso provocante.

-É...-disse ele.-Parece que essa história é mais séria do que pensávamos...

-Ah, vão se lascar!-berrou Mutano e encerrou a chamada de vídeo.

Ele largou seu celular na mesa de centro e ficou todo emburrado e vermelho encarando a grade de programação na tela de sua televisão.

-Gatona! Gatona! Gatona!-Gritalhão começou a gritar no poleirinho.

-Cala a boca, Gritalhão!-esbravejou Mutano.



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