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História A Escritora Solitária e O Amante de Animais - Capítulo 27


Escrita por: HiroNekochan18

Capítulo 27 - O X da Questão


O centre shopping de Jump City era um grande ponto de encontro para os jovens da cidade. Seis andares com todo o tipo de lojas cheias com coisas lindas e caras. Seus corredores de pisos limpos e brilhantes se estendiam longamente pontuados por pequenas árvores ornamentais e bancos de madeira com lixeiras para descansar os pés da caminhada. Escadas rolantes levavam aos outros andares juntamente de elevadores tão envidraçados que mais pareciam aquários luxuosos.

E é claro que com lojas que vendiam de tudo desde produtos de decoração para casa e eletrodomésticos modernos até roupas de grife e produtos de papelaria sempre haveria um mundo de gente querendo comprar de tudo um pouco. Ainda havia um supermercado no térreo do shopping próximo ao estacionamento e também uma praça de alimentação para todos os gostos culinários – fast-food americano, cafeterias, comida japonesa, comida coreana, comida chinesa, comida mexicana e não podia faltar os restaurantes e lanchonetes para veganos.

Quando Estelar e Estrela Negra ouviram de Ravena um convite para ir ao shopping elas acreditaram que estavam dentro de um sonho compartilhado por um momento. Decididamente, Ravena nunca gostou de shoppings. As únicas coisas que a interessavam num shopping eram as livrarias, lojas esotéricas, cafés e talvez alguma loja que venda canecas e chás. Se o shopping em questão não tivesse nada disso, ela passava longe.

Por sorte, o shopping de Jump City tinha tudo isso, mesmo Ravena não frequentando tantas vezes. Eram suas amigas que a arrastavam para lá na maioria das vezes. Pois bem, lá estavam as três garotas desfilando por aqueles corredores repletos de vitrines chamativas e sedutoras com todas aquelas pessoas indo e vindo sem parar. Estelar e Estrela Negra não calavam a boca um segundo, elas já tinham feito algumas pequenas compras como alguns perfumes caros, novas luvas de lã, batons e esmaltes variados. Por outro lado, Ravena estava um tanto calada apenas observando a situação.

Em sua crítica filosofia, os shoppings eram como máquinas gigantes de lavagem cerebral para consumismo desenfreado. Ravena observava como as pessoas chegavam dispostas à gastar mais do que podiam. É como se tivessem ido até lá apenas por passeio até que uma loja chama-lhe a atenção. Ao entrar, mercadorias deliciosas e maravilhosas. O consumidor determina que só vai levar uma única coisa, entretanto vê seu produto elegido ao lado de outro produto ainda mais interessante que combina muito com o anterior feito pão tostado com queijo derretido – e tudo desmorona no momento em que surgem as ofertas, promoções e os vendedores com sorrisos atenciosos e calorosos que na realidade são apenas vampiros de cartões de crédito que precisam colocar comida na sua mesa.

Ravena não gostava de pisar em shoppings. Sua mente viajava em um milhão de críticas e filosofias sobre a sociedade consumista e a garota não voltava mais.

-Irmã, o que acha de comida japonesa para o almoço?-sugeriu Estelar enquanto caminhava de braços dados com Estrela Negra.

-De novo comida japonesa?-questionou Estrela Negra.-Bom, eu estou com vontade de um ramen coreano. Viu aquele vídeo do garoto coreano que fez um ramen com molho de leite apimentado? Estava bem cremoso e ele ainda colocou queijo e cebolinha por cima.

-Ai, que delícia!-Estelar sorriu lindamente.-Então, já sei! Hoje eu vou de tamagoyaki e ramen coreano!

-Estelar, você anda comendo demais.-retrucou Estrela Negra.-O que o Robin vai achar disso quando te ver crescendo para os lados?

-Dick gosta de mim do jeito que eu sou.-rebateu Estelar, virando o rosto toda esnobe.-Não importa se eu esteja mais magra do que o Buda, ou pesando mais do que uma canequinha cheia de pasta nuclear.

-Hmm, Dick?-Estrela Negra abriu um sorriso malicioso.-Então, ele já tem até apelido carinhoso?

-Não é isso...-Estelar começou a ruborizar.-É que o Dick e eu passamos muito tempo conversando na Internet. Eu já até saí com ele umas duas vezes...

-E você não me contou nada?!-Estrela Negra esbravejou, revoltada.

-Ah, não enche o saco!-rosnou Estelar.-Por quê não vai atrás do Cyborg? Aposto que ele não deve estar saindo com ninguém agora.

-Bom...-Estrela Negra abriu um sorriso malicioso de novo.-Se ele estiver afim de fazer café com leite...

Estelar olhou para sua irmã com a cara mais vermelha que um tomate gigante e Estrela Negra só riu da cara de sua irmãzinha.

-Ah, Ravena?-Estrela Negra olhou para o lado.-Fala pra essa tonta que até os príncipes encantados e as lindas princesas também vão para a... Ravena? Cadê ela?

As duas irmãs pararam na hora e começaram a olhar ao redor. Ravena havia desaparecido. Havia um mundo de gente vindo de todas as direções e não havia nenhuma garota com os cabelos violetas bem chamativos em nenhum lugar.

-Pra onde ela foi...?-ecoou Estelar olhando ao redor.

-Eu sabia que ela não estava no normal dela!-Estrela Negra bateu o pé no chão.-Onde que Ravena Roth ia nos convidar para ir ao shopping?! Logo ela que morre de medo de gente! Ela só pode estar drogada, ou está tendo algum surto psicótico!

-Mas como assim?!-Estelar já estava entrando em pânico.-Ela estava tão calma!

-Pois fique sabendo, Estelar, que pessoas que estão prestes à pular de um prédio estão assustadoramente calmas porque já decidiram o que vão fazer!-Estrela Negra agarra a mão de Estelar e começa a arrastá-la pelo shopping.-Anda logo! Temos que subir até o terraço desse prédio antes que a Ravena pense que virou um corvo de verdade e voe!

-Komand’r! Sossega!-gritou Estelar puxando a mão e freando os passos da irmã.-Ela está bem ali! Olha!

Com uma expressão débil, Estrela Negra olhou para a direita e lá estava Ravena inocentemente parada ao lado das araras de uma loja de roupas não muito longe dali. As duas irmãs viram Ravena pegar uma blusa comprida de cor verde musgo com estampa de urso panda comendo bambus e colocar por cima dela para ver se cabia bem em seu corpo.

-Uma blusa verde com um panda na frente...-murmurou Estrela Negra antes de gritar:-ELA ESTÁ DELIRANDO!

Prontamente, Estrela Negra arremessou todas as suas sacolas de compras para o alto e saiu correndo atrás de Ravena. Estelar entrou em pânico e saiu agarrando como pôde as sacolas voadoras antes de sair correndo atrás da irmã desenfreada.

Ravena estava toda tranquila olhando aquela linda blusa verde sobre seu corpo, imaginando se devia ter um número menor quando Estrela Negra surge do nada e a agarra num abraço tão poderoso que só faltava transformar seus ossos em farinha de cálcio.

-VOCÊ PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO?!-Ravena gritou no mesmo instante e começou a se debater.

-Ravena! Ravena! Eu sei que a sua vida é muito triste e vazia, mas, por favor, não se joga do alto de um prédio!-choramingava Estrela Negra.

-Estrela Negra, deixa de ser louca!-Estelar chegou logo depois segurando um monte de sacolas nos braços.-Ela está com cara de que vai se jogar de um prédio?!

Sua irmã parou, olhou para Ravena, que devolveu seu olhar idiota com uma cara super raivosa, e logo a soltou lentamente.

-Ah, desculpe...-Estrela Negra sorriu debilmente.-Instintos maternos.

-Como é que é...?-Estelar ecoou confusamente.

-Se está pensando em se tornar minha fada madrinha, ou qualquer coisa do tipo, esqueça.-rebateu Ravena rispidamente.-Minha mãe já é suficiente pra me ajudar e me aconselhar.

-Relaxa, irmã.-Estelar sorriu.-Ravena está excelente.

-E já que vocês vieram até aqui...-Ravena virou-se para as duas amigas e colocou a blusa do panda sobre si de novo.-O que acham disso?

Estelar e Estrela Negra encararam a alegada blusa do panda.

-Ah, eu amei!-Estelar sorriu lindamente.-Pandas são muito fofos! Tão fofos quanto gatinhos, cachorrinhos, coelhinhos, passarinhos...

-Você não disse que odiava verde?-Estrela Negra interrompeu sua irmã.

Ravena desviou o olhar e ruborizou ligeiramente – ela não estava preparada para confessar.

-Então...-ecoou ela lentamente.-Não vamos... entrar em detalhes sobre o verde e eu... vou levar essa.

Suas amigas se entreolharam chocadas e gritaram juntas:

-O QUÊ?!

Ravena já estava procurando outras roupas na mesma arara em que pegou a blusa do panda.

-Eu estava pensando.-disse Ravena e pegou mais algumas blusas mais coloridas.-Verde combina bastante com violeta. Minha mãe gosta de pintar coisas com essas cores. O que vocês acham de... ei? O que deu em vocês?

Ravena estava segurando uma porção de blusas que tinham várias cores mais vivas do que o azul e preto que ela sempre usava. Enquanto isso, Estelar e Estrela Negra encaravam sua amiga como se ela tivesse enlouquecido.

-Estelar...-sussurrou Estrela Negra para a irmã.-Vamos concordar com tudo. Pode ser perigoso contrariar.

-Ahhh, sim...-assentiu Estelar.

Ravena fechou o semblante com raiva.

:

A atual tarefa de Mutano na loja de animais era reabastecer algumas prateleiras nas gôndolas de alguns corredores, ele foi andando com um pequeno carrinho plástico com puxador que estava cheio com os produtos que faltavam – uma porção de coleiras para gatos e cachorros, escovas, alguns perfumes, sacos de areia higiênica, duas camas para gatos e sete ossinhos de brinquedo para cachorros.

Enquanto vagueava pelos corredores da loja de animais trajado com o avental preto de patinhas de animais coloridas que era parte do seu uniforme, Mutano sentia que não estava naquele lugar neste momento. Sentia que estava longe agora. Perto de uma garota de cabelos violetas, cujos olhos chegavam à ser ainda mais violetas, exuberantes e brilhantes como orbes de ametistas.

Ele estava pensando em Ravena. Lembrava dos doces momentos daquela manhã que compartilhou com ela e uma vez mais se vangloriava todo bobo por ter tido aquela idéia brilhante de dar à ela uma cesta de café da manhã vegano completo. Era uma idéia genial e Mutano sabia que Ravena gostou do lindo presente.

Nessas de pensar na escritora solitária ao ponto de quase trocar os produtos de lugar nas gôndolas, o amante de animais mal viu seus dois amigos entrando pelas portas da loja de animais e procurando por ele.

Não foi difícil para Robin e Cyborg acharam o alegado garoto de olhos, cabelos e pele tão verdes quanto os campos da Irlanda – ele estava lá reabastecendo as prateleiras dos sacos de areia higiênica.

-E aí, verdinho?-Cyborg se aproximou com Robin ao lado, ambos bebendo de copos de cappuccino para viagem.-Reabastecendo as prateleiras?

Mutano olhou para os dois, mas é como se nem tivesse os olhado e, de repente, começou a sorrir feito um idiota. Robin, que era mais inteligente entre os três, logo percebeu alguma coisa.

-Está pensando em quê, Garfield?-indagou Robin curiosamente.

Por sua vez, Mutano finalmente pareceu enxergar seus amigos e logo fechou o semblante.

-Robin, não me chame de Garfield.-rebateu ele.-Você não é digno de me chamar assim.

-E existe alguém digno pra te chamar assim?-questionou Cyborg e começou a sorrir presunçosamente.

-Ah...-Mutano começou a ruborizar e virou o rosto.-Talvez.

-Ah, sim, talvez.-assentiu Robin, pegando o celular do bolso e destravando a tela.-Pode me dizer o que é isso?

Seu amigo mascarado lhe mostrou a foto que Ravena havia postado no Instagram da cesta de café da manhã já aberta em sua mesa coberta pelas guloseimas veganas deliciosas e com sua gatinha Morgana dentro da cesta já vazia.

Mutano ficou todo vermelho e, num ímpeto de loucura, deu meia-volta e saiu marchando rapidinho pelos corredores da loja junto com o carrinho se arrastando atrás dele. Robin e Cyborg se entreolharam na hora.

-Aí tem coisa.-falou Cyborg antes de sair correndo atrás de Mutano com Robin à tiracolo.

Eles encontraram Mutano na seção de coleiras pendurando todas que estavam no carrinho nos ganchos de metal – e o garoto verde estava todo vermelho e tinha a maior cara de quem está escondendo alguma coisa.

-Mutano, desembucha!-ordenou Cyborg com um sorriso provocante.-Você e a sua Rae tem se encontrado, não é? Porque pra chegar ao nível de dar uma cesta de café da manhã vegano de presente pra ela, é bem provável que a garota já provou da sua comida sem carne.

-Carne é assassinato, Cyb.-rebateu Mutano enquanto colocava as coleiras penduradas nos ganchos.

-Relaxa, Mutano, não estamos brigando com você, muito menos impedindo seu namoro.-está dizendo Robin num sorriso divertido.

Mutano parou e olhou para aqueles dois parados do seu lado sorrindo feito dois safados.

-Que história é essa de namoro?-questionou ele.-A Rae e eu apenas... simpatizamos.

Os olhos de Robin e Cyborg mais pareceram dois discos voadores. Logo mais, eles se chegaram mais perto como se fossem duas mulheres alcoviteiras falando da vida dos outros no meio da rua.

-Me diga, verdinho?-quis saber Cyborg, todo curioso.-Essa história de simpatizar por acaso não estaria rolando desde aquela noite na pizzaria quando largamos vocês dois sozinhos na rua?

-Mas se for assim, isso já faz uns dias!-exclamou Robin, estupefato.-O mesmo tempo que tenho conversado com a Estelar! Oh, Mutano! Como ousa esconder toda essa história de simpatizar dos seus amigos esses dias todos?!

Mutano pegou o puxador do seu carrinho e olhou para seus amigos.

-Sabe quando um gatinho fofo vê um inseto andando no chão e ele fica fascinado com aquele inseto, e começa a brincar com o bicho, mesmo suas patinhas sendo muito maiores e perigosas para o pequeno artrópode?-indagou o garoto verde com toda a calmaria do mundo.

Robin e Cyborg ficaram em silêncio por um momento:

-Sim...-responderam lentamente.

-Pois bem.-sorriu Mutano.-Vocês tem a mesma curiosidade imparável desse gatinho.

E ele saiu andando, largando seus dois amigos sem entender bulhufas de nada.

:

Estava muito difícil para Estelar e Estrela Negra comerem sem deixar de perceber a porção quase infindável de sacolas de compras que rodeavam os pés de Ravena sob a mesa em que estavam sentadas na praça de alimentação.

Apenas uma pequena revisão dos fatos: Ravena dera a louca de comprar uma porção de roupas muito mais coloridas do que suas costumeiras roupas em cores de preto e azul, ela havia comprado roupas para o frio e para o calor de vários estilos, sejam elas casacos de inverno, roupas íntimas, meias, calças, blusas, botas e até alguns chapéus e cachecóis. E a paleta de cores que estava sempre presa ao preto e azul acabou expandindo para violeta, roxo, vermelho, branco, amarelo, lilás – até mesmo um pouco de rosa – marrom, bege e, para a grande surpresa de Estelar e Estrela Negra, o verde que Ravena jurara de pés juntos que odiava profundamente.

Ravena mal saiu do provador para que suas amigas pudessem vê-la nas novas roupas, o que deixou as garotas quase passando mal de tanta curiosidade. Agora, além de todas aquelas roupas novas e mais coloridas, a única coisa que chamou a atenção das duas irmãs foi o fato curioso de sua amiga olhar a composição de cada peça de roupa nas etiquetas. Sempre que Ravena encontrava uma roupa feita com lã, seda, couro ou até mesmo cashmere por mais linda que fosse, ela recusava.

Por fim, após tantas compras, lá estava Ravena sentada à uma das mesas da vasta praça de alimentação saboreando uma fatia de torta de framboesa com mascarpone e um chocolate quente com chantilly enquanto todas aquelas sacolas de compras lotadas das roupas novas rodeavam-na em volta de seus pés. Estrela Negra, que saboreava seu ramen coreano de leite apimentado com queijo e cebolinha, e Estelar que devorava quase que uma comida de cada restaurante e lanchonete, estavam igualmente perplexas.

Por outro lado, Ravena agia como se nada estivesse acontecendo – ela comia sua torta tranquilamente com um olhar distante como se estivesse pensando em alguma coisa interessante. Estelar e Estrela Negra trocaram olhares e assentiram como se tivessem concordado com a mesma idéia.

-Ravena?-Estrela Negra foi a primeira à falar.-Aconteceu alguma coisa dentro de você? Alguma crise existencial? Ou... alguma crise de loucura mesmo...?

Ravena parou de olhar para o nada e olhou para suas amigas.

-Não.-respondeu simplesmente.

Estrela Negra piscou os olhos violetas inocentemente e Estelar riu:

-Ah, Ravena, o que a minha irmãzona quer dizer é que foi uma grande surpresa você fazer compras assim.-está dizendo Estelar.-Você só faz compras assim em livrarias. Sempre que eu te chamo para fazer compras comigo no shopping, ou você recusa friamente, ou sai do shopping só com mais uma caneca nova.

-Adoro canecas novas...-ecoou Ravena, bebendo do seu chocolate quente e encarando o nada.

-Ela está se fazendo de misteriosa de novo...-sussurrou Estrela Negra e logo meteu uma porção de macarrão na boca com seus hashi.

-Tudo bem.-Estelar terminou de banhar suas batatas fritas com queijo e bacon com bastante mostarda e ketchup, e começou a devorá-las.-Não vamos falar do seu novo guarda-roupa. Vamos falar sobre aquela cesta de café da manhã misteriosa, cuja foto você postou hoje de manhã no Instagram.

-E que era totalmente vegana.-acrescentou Estrela Negra de boca cheia.

-Isso. Totalmente vegana, assim como aqueles hambúrgueres veganos dentro daquele bentou fofo.-assentiu Estelar e começou a sorrir toda curiosa.-Vai, Ravena... diz para as suas miguchas, diz... você e o Mutano tem se encontrado, não tem?

-Por quê acha isso?-questionou Ravena, parecendo calma demais.

-Bom.-Estelar enfiou um monte de batatas fritas na boca.-Pra começar, nós e os amigos dele largamos vocês dois sozinhos na rua naquela noite na pizzaria. Você não quer contar o que aconteceu e pelo que a Estrela Negra e eu soubemos é que Robin e Cyborg também não conseguiram arrancar nenhuma informação do Mutano. Só dizem que ele está... diferente.

-Diferente?-Ravena se endireitou na cadeira subitamente e começou a prestar atenção.

-É. Diferente.-assentiu Estrela Negra.-Pelo que o Cyborg e Robin disseram é que Mutano está com um brilho tão radiante nos olhos como se tivesse visto a gata mais linda do mundo. Só não sei se eles falaram isso num sentido alegórico, ou literal.

Ravena começou a ruborizar lentamente.

-E houveram outras coisas estranhas também.-prosseguiu Estelar, enchendo sua boca com batata frita.-A senhora sua mãe chegou à nos enviar ontem dois prints que mostravam que você e o Mutano estavam seguindo um ao outro no Instagram. Você começou a ficar meio sumida da Internet como se estivesse ocupada com alguma coisa além do seu romance, algo semelhante que também foi percebido no Mutano pelos amigos dele. Também teve aquela história em que você disse que voltou para casa numa lambreta e eu só conheço uma pessoa nessa cidade que tem uma lambreta. E pra completar, aquela cesta de café da manhã vegano e os dois hambúrgueres veganos que você postou hoje como se nada fosse.

-Hmm.-fez Ravena, fingindo inocência.-E daí?

-Daí, sua falsa!-esbravejou Estrela Negra raivosa.-Que não tem outro motivo pra pensarmos que você e o Mutano estão saindo juntos, ou o que quer que seja! Pra começar, você odiava ele e agora está seguindo o verdinho no Instagram. Em segundo lugar, onde você ia conseguir aquela quantidade de comida vegana sendo que você é super leiga nisso e nem sabe onde conseguir esse tipo de comida?! E mesmo que você conseguisse, quem é a pessoa que vai se dar uma cesta de café da manhã de presente? Pensa que eu não vi aquele cartãozinho perto da cesta na sua mesa?! Eu vi sim! Foi o Mutano que te deu aquela comida toda de presente porque à essa altura já deve te conhecer tanto ao ponto de saber que você é um completo desastre na cozinha e vive pedindo comida delivery o dia todo pra sobreviver!

-OLHA AQUI!-Ravena berrou, pulando de sua cadeira.-Eu não admito que vocês duas fiquem investigando a minha vida e cada passo que eu dou como se eu estivesse cometendo algum crime hediondo! Vocês são minhas amigas! Deviam me apoiar! E não fazer essas palhaçadas sem graça! E mesmo que eu estivesse saindo com o Gar, o que não estou, eu jamais...

-EU SABIA!-Estrela Negra pulou da cadeira na hora.-Aí está a prova irrefutável!

Ravena parou no meio de sua gritaria raivosa e ficou com uma carinha inocente.

-Você chamou o Mutano de Gar pela segunda vez...-falou Estrela Negra num sorriso louco, mostrando dois dedos na mão.-Agora me diga, Senhorita Roth? Por quê você chamaria de Gar uma pessoa que você tanto odeia, cujo nome verdadeiro é Garfield? É um diminutivo fofo para o nome dele e até onde eu sei usamos nomes muito piores para quem odiamos tão profundamente.

Ravena voltou à ficar incrivelmente vermelha.

-Gar... significa... garoto verde...-ecoou ela debilmente.-Em sânscrito...

-Jura?-questionou Estelar com um sorriso provocante.-Gar significa verde em sumério antigo e em sânscrito? Duas línguas totalmente diferentes?

-É que os grupos étnicos das...-Ravena começou, mas foi interrompida.

-Corta essa, cara!-rebateu Estrela Negra.-Você está saindo com o Gar sim! Nós já sabemos de tudo! Está na sua cara!

Pois bem, num ataque de pânico, Ravena devorou o resto de sua fatia de torta e entornou todo o seu chocolate quente rapidamente antes de simplesmente pegar todas as suas sacolas de compras no chão e saiu correndo loucamente para longe da praça de alimentação.

Estelar e Estrela Negra se olharam.

-Parece que encontramos o X da questão, irmãzinha...-falou a mais velha.

-De fato, irmãzona...-sorriu a mais nova.



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