História À espera de Kathleen - Capítulo 17


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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags Angelique Boyer, Drama, Harry Styles, Romance
Visualizações 784
Palavras 8.004
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ME PERDOEM a demora infinita, não há desculpas, mas espero que o conteúdo e o tamanho do capítulo possa compensar!
Terminei o capítulo quase agora e não deu tempo de revisar, então qualquer erro ajeito depois!
Boa leitura <3

💠💠Título do capítulo: Tudo isso é uma mentira...?💠💠

Capítulo 17 - Is this all a lie...?


Fanfic / Fanfiction À espera de Kathleen - Capítulo 17 - Is this all a lie...?

 

Pretty, pretty, por favor

Nunca, nunca se sinta

Como se fosse menos do que perfeita para mim...

Pretty, pretty, por favor

Se em algum momento você se sentir

Como se fosse nada

Saiba que você é perfeita pra caramba para mim

Harry

 

 

- Sabe que eu acho que prefiro ficar assim com você…?

- Assim como…? — Acariciei seu rosto, olhando em seus olhos.

- Apenas trocando carinhos, sem discussões bestas ou (des)esperados beijos impossíveis de acontecerem —  Eu fui obrigada a rir disso.

- Acho que também concordo… — Seu braço esquerdo me envolvia e sua mão direita me fazia um cafuné calmo.

- Pelo menos tenho os seus carinhos… — Balbuciou enquanto eu também acariciava seu cabelo, por entre suas mechas.

Senti sua respiração se tornar mais pesada, como se tivesse a cair num sono profundo em meio as minhas carícias.

- Com sono agora…? — Perguntei mesmo sabendo a resposta.

- Posso dormir a qualquer minuto… — Coçou um dos olhos enquanto bocejava, tornando a fechá-los. — E você…? — Murmurou sonolento.

- Velarei o seu sono... — Soprei-lhe baixinho.

Arrancando-o um vagaroso e apaixonado sorriso.

 


 

Kathleen

 

Pela milionésima vez desde que acordei, dei uma olhada na direção de Harry que ainda dormia profundamente ao meu lado.

Ele é tão bonito que minha garganta se fecha sempre que ponho os meus olhos sobre ele...

Meu coração continuava acelerado… nos últimos anos, ele só disparou assim por dois homens.

O primeiro me largou.

E este certamente me ignora emocionalmente.

Era um sentimento bobo, e mesmo não acreditando que depois de tudo que passei por causa do amor, e ainda por cima, ligada a alguém nas condições que estamos, eu estava mesmo apaixonada por ele.

Por mais uma vez olhei para o seu rosto e calmamente toquei sua bochecha com algumas carícias…

Seus olhos foram abrindo lentamente e ele me encarou desalinhado, como se tentasse descobrir o que eu estava fazendo ali.

Já falei como ele é lindo?

- O que…está fazendo aqui...? — Senti um nó se formar no meu estômago.

- Eu dormi aqui...

Ele me olhou desconfiado por dois segundos, mas logo tornou-se composto.

- ...topa tomar café da manhã comigo...? — Sua pergunta me fez corar. Logo seus lábios se curvaram num leve sorriso e meu coração deu mais um pulo violento. — Seu rosto corado já me deu a resposta... — Mencionou, ainda grogue de sono.

- Deve ser o calor do tempo… — Tentei disfarçar o óbvio. Mas tive a sorte de realmente estar uma manhã quente.

- Então não aceita...? — Provocou-me, como ele tanto amava fazer.

- Eu aceito. — Assenti simplesmente, deixando-o bobo de ver como foi fácil conseguir um sim.

- Está falando sério...? — Me olhou como se não pudesse acreditar no que eu estava dizendo. — Você vai tomar café comigo, sabia? Eu, a pessoa que você mais odeia e… — Prontamente estalei um beijo em sua bochecha, pegando-o de surpresa.

Ele subitamente calou-se e seus olhos tornaram-se brilhantes. E quando ele tentou dizer alguma coisa, eu grudei nossos lábios em um casto selinho.

Não era um selinho como os outros... era como se estivéssemos selando uma promessa...

Ele me abraçou com firmeza e soltou uma das mãos para segurar minha nuca gentilmente.

Abraçada pela cintura, senti ele encaixar o rosto na curva do meu pescoço e inspirar meu cheiro, me causando arrepios pelo corpo.

- Já quis voltar no tempo só para sentir de novo aquela sensação gostosa de estar apaixonado por alguém… — Senti meu coração disparando com as suas palavras. — Nunca deixarei de ser quem eu sou, mas a minha melhor versão é ao seu lado...

Um sorriso bobo brotou morosamente nos meus lábios e assim encostei nossas testas só para que pudesse me perder naquela imensidão cristalina.

Ele sorriu para mim de forma meiga, voltando a abraçar-me pela cintura.

Até parecia karma, ou até mesmo brincadeira, ele dizer tudo o que eu sempre quis ouvir a minha vida inteira…

Só que eu não podia esquecer que a probabilidade do que começa errado dar certo é mínima.

Delicadamente minha mão acariciava sua nuca, era incrível como em determinados momentos a ausência de palavras pode ser descomplicadamente romântica...

Senti as mãos dele soltarem a minha cintura e assim ele se afastou do abraço.

- Desculpe, não percebi o tempo passar — Murmurou-me e eu corei ao notar o brilho no seu olhar.

- Tudo bem… — Eu ficaria ali para sempre.

- Acha que ele acordará se levantarmos...? — Perguntou com o olhar em Andy, que ainda dormia tranquilamente.

Ergui levemente os ombros.

- Podemos tentar, mas com cuidado... — Ele assentiu com a cabeça, sem dizer nada.

Ele soltou o ar pesadamente e o vi unir forças suficientes para levantar com cautela, vendo seu corpo tombando para frente com a dor que o acercou.

- Você está bem…? — Lancei-lhe um olhar preocupado.

- Vo...u ficar — Gemeu, enquanto abria a porta do quarto para sair.

Logo ele voltou os olhos para mim.

- Te espero em dez minutos lá embaixo… está bem...? — Era claro que ele estava com dores e exausto demais, mas acabei concordando.

- Sim, okay — Assenti.

Ele piscou para mim sorrindo antes de sair totalmente do quarto.

Com o coração subitamente aos pulos, virei-me de lado ficando face a face com Andy e comecei a acariciar seu cabelinho.

- Durma o quanto quiser, doce anjinho… — E inclinei-me beijando sua testinha macia.

Ele ressonava serenamente, e eu me perdi naquela visão reparando em cada traço seu herdado do pai.

Eu não queria acordá-lo, e muito menos assustá-lo, caso ele acordasse abruptamente, então levantei cuidadosamente da cama e saí calmamente do quarto.  

Entrei no quarto de hóspedes e peguei uma das toalhas limpas que havia na cômoda. Me despi no banheiro e liguei a ducha, ficando sob a água morna por alguns instantes.

Me sequei quando saí e novamente vesti a mesma roupa, tinha sorte de não estar tão suja.

Abri a porta do quarto e estiquei minhas orelhas, Harry estava falando com alguém e parecia agitado e com pressa.

Segui silenciosamente pelo corredor e o encontrei no andar de baixo, de costas, encostado na mesa da sala.

- Hey

Ele se virou assustado e mordeu os lábios parecendo engolir um nó enorme pela garganta.

- O que aconteceu...? — Seu semblante estava apreensivamente pensativo. Ele me olhava com olhos nervosos.

Cocei a nuca, obviamente em dúvida.

- ...então…?

Ele fez uma breve pausa e então respirou fundo:

- Precisamos nos casar hoje.

Senti o pânico se formar em meu peito como uma nebulosa gigante.

Minha boca abriu-se em choque, a última coisa que eu esperava era algo como aquela notícia.

- Me escute — Ele tentou me tranquilizar.

Só fechei a boca e assenti.

- Eu recebi agora uma ligação do meu advogado e ele disse que temos que nos casar no civil para reunir toda a papelada necessária e anexá-la ao processo da guarda do Andy.

- Mas como assim hoje…? — Murmurei tentando parecer calma.

- Já é domingo, eu não sabia que tínhamos que casar antes da igreja — Disse ele, me fazendo soltar um risinho curto e cobrir o rosto com as mãos, ainda perplexa.

- Como podemos casar assim tão em cima da hora...? — Senti o pânico começar a invadir minha cabeça.

- Eu sei, eu não tinha previsto isso… organizar toda a cerimônia e a festa assim tão de repente nos fez deixar a parte burocrática para a última hora. Mas eu já falei com a minha mãe e ela ficou de arrumar duas testemunhas, você pode convidar o seu pai se quiser e a nossa ida ao cartório está marcada para o final da tarde. — Demorei alguns segundos para fitá-lo, mas quando virei o rosto em sua direção, vi que ele estava sentindo a mesma bagunça que eu. — Em menos de oito horas, você deixará de ser uma mera senhorita, para ser minha esposa.





 

Harry
 

Ela ficou palpavelmente sem palavras.

Seus lábios se moviam, mas por eles não saía nada. Então ela fez a coisa mais inusitada que poderia haver.

Ela riu.

Gargalhou solta e de forma chamativa.

Ainda pôs a mão sobre a boca, mas não conseguia conter sua crise de riso.

Era um som que eu nunca tinha ouvido vir dela e tinha que admitir que sua risada era altamente viciante.

Claramente confuso, endireitei-me, cruzando os braços.

- O que há de engraçado nisso?

Pensei que parecer bravo faria sua histeria acabar, mas o único efeito que causou nela foi o de rir ainda mais.

Bati a mão na mesa.

- Kathleen!

Ela olhou para mim e começou tudo de novo.

Saí de onde estava e manquejei até ela, sem saber exatamente o que iria fazer quando a alcançasse. Iria chacoalhá-la? Abraçá-la para contê-la?

Então segurei-me em seus braços e sem pensar grudei meus lábios nos dela, silenciando-a subitamente.

Um calor estranho desceu por minha espinha e aquele frio gostoso alojou-se em meu estômago conforme a apertei contra o meu corpo tentando aprofundar o beijo, mas só até ouvir o meu celular tocando no bolso.

Com um gemido a afastei, com o meu peito arfando.

- ALÔ! — Atendi com ela me olhando de sobressalto.

- Filho? Por que está gritando...?

- Por nada, mãe. — Soei rabugento. — Deu tudo certo?

- Deu. Só liguei para te confirmar isso e que o horário no cartório será às seis e meia de fato.

- Okay, obrigado, mas quem a senhora convidou como nossas testemunhas?

- Bom... — Meu celular descarregou bem na hora.

- Oh, merda — Resmunguei baixo.

- O que aconteceu...?

Só neguei de leve com a cabeça e a encarei com o olhar ponderoso.

- Pode me explicar o que foi esse colapso ridículo de agora a pouco? — Ela deu de ombros.

- A espontaneidade me faz bem… — Zombou-me e eu revirei os olhos.

- Chame do que quiser. — Rebati, mas ela definitivamente tinha razão. — Vamos, precisamos comprar um outro vestido de noiva e que este sirva de primeira.

Ela hesitou com os olhos arregalados.

- Ahn?

- Pegue algumas frutas na geladeira, estamos indo para a cidade agora — Eu disse de forma objetiva.

- Oh, eu, ahn…

Levei a mão à nuca e esfreguei minha cabeça com frustração.

- Só pegue alguma coisa para comer e vamos. Nosso café juntos foi arruinado. Não teremos tempo para isso, precisamos encontrar um segundo vestido de casamento

- Ma-ma-ma-mas... — Falou gaguejando, ainda sem conseguir formular sensatamente as palavras.

Franzi o cenho, olhando-a. Ela estava pálida e ao mesmo tempo vermelha, e não era aquele rubor natural causado pelo calor.

- O que está acontecendo com você? — Sua expressão tornou-se hesitante. — Está nervosa, inquieta, distraída — Ela abriu um sorriso sarcástico em seguida.

- Iremos nos casar hoje, Harry. — Apertei a quina da mesa, sentindo todo o meu corpo começar a vibrar internamente. — Como pode estar tão calmo…?

- Eu simplesmente sabia que esse dia chegaria.

- E está preparado...? — Foi a minha vez de ficar corado.

- Es...tou! — Tentei parecer consistente, mas por dentro estava pirando e ao mesmo tempo ansioso para me unir a ela. Me sentir assim era assustador.

Ficamos ali parados nos olhando, em uma batalha facilmente perdida por mim, que logo me aproximei e levei uma mão ao seu rosto tentando alcançar seus lábios.

- Daddy, cadê o senhor...?

- Estou aqui embaixo, amor

Acariciei o rosto dela e olhei em seus olhos:

- Desculpa...

Ela apenas sorriu acariciando sutilmente a minha mandíbula.

- Você quer descer, filho...? — Perguntei-o calmamente.

- Quero. Eu posso...?

- Vou aí lhe buscar

E mesmo com todas as dores que ainda sentia, caminhei até a escada e fui buscar meu filhote.

- Bom dia, meu amor — Disse parando em sua frente.

Ele me respondeu com um sorriso e um abraço bem apertado.

Andy é uma criança extremamente afetuosa, que adora sentar no colo de qualquer pessoa para ouvir histórias ou correr para se agarrar às pernas de quem o trata bem. Me causa muita mágoa, e raiva, Alyssa não valorizar o filho que tem.

- Está com fome...? — Perguntei-lhe, ao descermos a escada com cautela.

- Muuita! — Ri de sua afobação.

- Logo irá comer

Ele assentiu sem tirar sua atenção dos degraus que descíamos.

- Kath! — Seus olhos brilharam ao vê-la.

Ela sorriu carinhosamente para ele e o pegou imediatamente no colo enquanto ele saltitava para estar logo em seus braços.

Eu apenas continuei encantado observando-os, e estaria mentindo se dissesse que meu coração não se transforma em gelatina toda vez que os vejo juntos. Eu amo o meu filho acima de tudo, e vê-lo todo alegre e sendo amado verdadeiramente por outra pessoa me deixa deverasmente mexido.

Ela o beijava amorosamente como se ele fosse seu, e ele a abraçava como se fosse genuinamente dela. Eu só sorria abobalhado, totalmente apaixonado e envolvido com a cena.

- Você passou bem a noite, pequeno Dy…? — Perguntou ela, ganhando um aceno positivo. — Tem certeza...? — Ele assentiu tímido. — Fico feliz

Ele sorriu de volta e ela inclinou-se dando um beijo em sua bochecha.

- Que tal comermos todos juntos...? — Não quis desperdiçar aquele momento em família. Teríamos o dia todo para procurar um vestido. Já outro momento leve como aquele, quem sabe quando teríamos...?

Kathleen girou a cabeça e me olhou surpresa.

- Não estávamos em cima da hora...? — Mordi o lábio, me sentindo encurralado com a sua pergunta.

- Nós teremos temos, teremos tempo — Me enrolei com as palavras.

Ela expandiu um sorriso e eu corei inevitavelmente.

- Está bem — Assentiu ao dizer.

- Viva o nosso café da manhã juntos! — Vibrou Andy, e eu apenas sorri apertando suas bochechas.

Eu poderia contar nos dedos as vezes que ele, Alyssa e eu tomamos café da manhã, almoçamos, ou até mesmo jantamos juntos. Não foram mais que seis, não poderia culpá-lo de estar tão feliz.

Me sentei na cabeceira da mesa, colocando chá na minha xícara.

Enquanto comia, notei que Andy revezava olhares entre mim e Kathleen. Ele estava com os cotovelos apoiados na mesa enquanto o seu queixo estava apoiado em suas mãozinhas.

Sorri levemente para ele, franzindo a testa:

- O que foi, amor…? — Em seguida desviei meu olhar para Kathleen e seu rosto estava lindamente corado.

- É só que estou feliz, papai... — Dessa vez eu sorri amplamente. — Eu tenho os meus amigos, o senhor, o T-rex, a Nana, e agora a Kath que vai ser minha nova mamãe... — Eu sabia que estava encrencado quando o meu olhar cruzou com o dela. Seus olhos estavam vermelhos e marejados de lágrimas. — Eu só estou feliz porque agora finalmente nós somos uma família de verdade… — Senti uma pontada de tristeza em seu tom de voz e aquilo cortou totalmente o meu coração.

- Ei, amor... nós sempre — Tentei falar que nós dois fomos sempre uma família, independente de qualquer coisa, mas ele fungou para conter o choro e assim saiu da mesa.

Mordi o lábio tentando controlar as lágrimas que se formaram em meus olhos. Desviei o olhar para Kathleen, que estava com a cabeça abaixada e parecia estar chorando calada.

Soltei o ar pesadamente e passei as mãos pelos olhos enquanto tentava acalmar meu coração. Vê-la daquele jeito o fazia se quebrar em vários pedaços, eu faria tudo para não vê-la chorar nunca mais.

- E-eu… eu volto logo… não saia daqui, por favor — Pedi atordoado, me levantando e indo atrás de Andy.

Apressei os passos até o quartinho do desenho, nos fundos, era lá onde ele ficava quando queria ficar sozinho. Mesmo com dores não parei, só quando estivesse com Andy.

Me aproximei da porta batendo na mesma, e esperei uma resposta, mas nada. Então bati de novo e de novo, sem êxito nenhum.

- Filho?

- Eu tô bem, daddy — Se ele estava ali trancado, chorando, algo estava muito errado.

- Me deixa entrar então…?

- Não...

- Por favor, Andy… — Supliquei calmamente.

Então ouvi barulhos na fechadura e suspirei ao me deparar com o seu rosto molhado de lágrimas.

- Amor... — Abracei-o sucessivamente e olhei fixamente em seus olhos. — O que aconteceu, me conta...

Não é todos os dias que você vê o motivo do seu sorriso chorando. E essa é a pior sensação do mundo. É uma dor que obstrui a garganta, é uma dor que dilacera seu peito.

- A Kath me ama mais que a mamãe, papai… — Ele deixou mais lágrimas caírem enquanto falava.

Congelei no mesmo instante, me segurando para não chorar com ele.

- As duas te amam, filho… te amam muito... — Ele negou com a cabeça e encolheu os ombrinhos.

- A mamãe não… — Choramingou-me e eu me apertei mais forte a ele.

- Ela te ama sim…

Desejei saber o que fazer para acalmá-lo, mas a única coisa que eu realmente poderia fazer no momento era provar isso. 

- Quer ouvir isso diretamente dela…? — Afaguei seu cabelo e passei a mão por seu rosto ao limpar suas lágrimas, vendo-o parar de chorar pausadamente.

- Quero… — Fungou baixinho.

- Então vamos ligar agora… — Ele tentou sorrir, mas não foi bem sucedido. — Só espera eu pegar meu outro celular no escritório — Ele assentiu, não querendo falar muito no momento.

Sorte que o escritório ficava na parede ao lado. Assim que peguei o celular na gaveta já fui discando o número de Alyssa, e era bom que ela dissesse que o amava muito! Eu nem sei o que faria com ela se a mesma dissesse algo menos que isso!

 

Eu não vou me descontrolar com ela na frente de Andy. Não vou me descontrolar na frente dele.

 

Repetia continuamente em pensamento enquanto voltava. Não sabia se isso me ajudaria, mas eu esperava que surtisse efeito.

Ela finalmente atendeu no terceiro toque.

- Harry?

- Seu filho quer te fazer uma pergunta. — Fui frio, e bem mais educado do que ela merecia. — ...é ela... — Pus no viva-voz antes de entregar o aparelho a ele.

- Mamãe…? — Ele atendeu almejante.

- Oi, Andy... — Ela parecia curiosa, mas carinhosa. Do jeito dela. — Você está bem? O que quer me perguntar?

- A senhora me ama mesmo...? — Sentia uma forte ardência se formar em meu peito sempre que o via ter dúvidas disso. O amor de mãe não deveria ser incondicional e inquestionável? Não devia ser entrega, conforto, sacrifício e ter gestos de Amor? Eu sei que ninguém é perfeito, mas é culpa dela ele não sentir nada disso!

- É claro que te amo — Ele sorriu sem mostrar os dentinhos, mas parecia estar aliviado. — Você é meu filho. O que está acontecendo…? Seu pai por acaso disse alguma coisa que o fizesse duvidar disso...? — Como ela OUSAVA insinuar tal coisa?! — Andy?

- O papai não disse nada… eu que quis saber...

- E por que isso agora?

- A senhora tem vergonha de mim…? Por eu ser como eu… sou…? — Fechei os meus olhos, engolindo o choro rapidamente. Mas não sabia se conseguiria me manter aquela parede intacta por muito tempo.

- É claro que não, Andy… eu não tenho vergonha de você. Nunca foi a minha intenção fazer com que você se sentisse assim… eu te amo, querido. Onde está seu pai? Eu preciso falar com ele…!

- Ela quer falar com o senhor…

Recebi o celular de sua mão e pedi que ele fosse fazer companhia para a Kathleen.

- Alô.

-  Eu quero saber o que está acontecendo, Harry!

- Me escuta bem, Alyssa Teresa Wallis... — O único sentimento presente em meu coração referente a ela era ódio. Rancor. — Você não vai ficar com ele! Me ouviu?! Você não vai ficar com o meu filho! — Proferi com ira, antes de encerrar de súbito a ligação.

Inspirei fundo para impedir a porcaria do choro. Alyssa não ia continuar me magoando, e muito menos a pessoa que eu mais amo!

Movi meus passos para a sala e Kathleen ainda estava sentada na mesma cadeira, da mesma maneira que estava antes.

Ela ficou desconcertada com a minha presença, não sabia o que fazer e tão pouco eu.

Um constrangedor silêncio se instalou entre a gente e eu engoli seco antes de perguntar:

- Andy estava aqui com você…? — Ela balançou a cabeça positivamente, seus olhos estavam marejados.  

- Ele veio, me deu um beijo, um abraço e depois subiu com a Anastacia…

Me aproximei dela com cuidado.

Ela ficou me olhando por um tempo, depois afundou a cabeça na minha barriga e eu a abracei sentindo um nó enorme na garganta.

- Eu não posso fazer isso…

Meu estômago despencou ao vê-la chorar de novo.

- Eu preciso que você não surte agora, por favor… — Eu disse baixinho.

- Mas como não...? Nós estamos enganando uma criança! Brincando com os sentimentos dela! Eu não posso fazer isso… não consigo… — Ela nunca parecera tão frágil como agora, tão necessitada de apoio.

- Não fale assim… — Eu subia e descia as mãos por suas costas, fazendo um carinho que pretendia acalmá-la, mas só parecia aumentar sua angústia. — Quando eu, você e Andy estamos juntos, nós finalmente somos uma família de verdade... — Ela pareceu sorrir contra a minha pele. — Não chora… — Ela ergueu a cabeça e eu aproveitei para limpar suas lágrimas. — Você não faz ideia do quanto é importante pra gente… o Andy te adora…

- Mas e quando ele descobrir que tudo foi uma mentira…? — Atormentou-se com a probabilidade.

- Mas não precisa ser…

Ela me olhou confusa.

- Pra ser sincero, eu não quero que seja… — Eu abri meu coração e ela só sacudiu negativamente a cabeça, pegando seu copo sobre a mesa.

- Você só está confuso… — Ela secou as lágrimas.

Não, eu não estava. E tudo aquilo se resolveria se pudéssemos ser um casal de verdade.

- Eu posso te fazer uma pergunta...? — Ela me olhou incerta, mas assentiu.

Então soltei um pesado suspiro.

- Você estava/ou está ficando com alguém?

Ela quase cuspiu o suco que estava tomando.

- O que…? — Arregalou os olhos para mim.

- Você me ouviu — Ela desviou o olhar para a janela, o que me fez observá-la melhor. — Quero saber se existia alguém na sua vida antes. Quem sabe pudéssemos… — Parecendo incomodada, ela me cortou.

- Antes de quê…?

- Do nosso acordo

- Como assim alguém...? — Ela só desviava das minhas perguntas!

- Será que pode me responder de uma vez por todas e pronto? — Pedi-a com firmeza.

- Não fico — Disse rapidamente.

Lancei-lhe um olhar descrente.

- Então você espera que eu acredite que você, sendo jovem, linda e interessante, não desperta o interesse de ninguém? — Ela teria corado se não estivesse com tanta raiva.

- E por que eu iria mentir sobre isso? — Perguntou-me em tom agressivo.

- Para não perder créditos comigo… já que demorou para conquistá-los. — Ela soltou um grunhido de irritação.

- Você não cansa de ser sempre um presunçoso estúpido...? — Lancei-lhe um sorrisinho metido, mas logo voltei a ficar sério. — Você não é o centro do mundo, Styles! — Cerrei os dentes, engolindo a seco sua provocação.

- Você fica com outras pessoas ou não? — Questionei-lhe firme, levemente irritado.

- Já disse que não. — Ela se levantou bufando.

Eu não pude não me surpreender com sua resposta.

- Isso é sério mesmo...? — Eu estava incrédulo.

Ela lançou-me um olhar ríspido e assim ergui o queixo olhando-a de volta.

- O último homem com quem estive foi há um ano e quando pensei que poderia superar minha deficiência e transar com ele descobri que ainda pensava em Rob.

- Informação demais! — Retruquei totalmente enciumado. Mas que raios, Boyer!

- Foi você que perguntou.

- Não mesmo! — Sua boca curvou-se num sorriso de satisfação. — Agora vamos logo! — Tendo seu silêncio como resposta, eu apenas me virei, enfurecido.

Ela virou-se em seguida, mas seu corpo cambaleou para frente e ela acabou caindo por cima de mim. Trinquei os dentes com a dor agonizante que me atingiu segundos depois.

- Você se machucou?? — Perguntamos ao mesmo tempo, ao apoiarmos um no outro.

- Não... — Tremíamos por estarmos tão próximos.

- Deus, eu te machuquei sim… — Sussurrou ela.

Sua mão acariciou meu rosto e eu me senti extremamente feliz...

Suspirei fechando os olhos, apreciando o carinho que ela fazia em minha bochecha...

Um sorriso involuntário foi se abrindo em meus lábios, eu sentia que podia derreter em seus braços inteiramente…

E quando os meus olhos se abriram, eu vi um brilho em seu olhar que nunca havia percebido antes.

Um rubor atingiu fortemente suas bochechas, eu amo a rapidez com que ela vai de irritada e insubmissa à tímida e inocente.

- Não pode ficar assim sempre… — Avisei com um sorriso. — Principalmente na frente de todos — Suas sobrancelhas se uniram de forma confusa.

- Assim como...?

- Da cor de um tomate toda vez que eu te olho…

A tensão instantânea nos seus ombros me fez ver o quanto eu estava certo.

- Nem ficar toda arrepiada quando eu tocar em você… — Sussurrei-lhe passando as mãos na curva de sua cintura, acariciando-a suavemente.

Vi seu olhar recair sobre mim e eu desci minha atenção para os seus lábios.

- Precisamos ir… — Ela tentou fugir da minha sedução.

- Você não me conhece…? Sou cheio de mãos

- Bom, você pode guardar as suas mãos para si mesmo — Disse tirando minhas mãos da sua cintura. — Agora vamos?

Ri aproximando meu rosto do seu, roubando-lhe um selinho.

- Vamos agora mesmo, irritadinha — Disse com um novo sorriso.

Ela bufou.

- Adoro essas bufadas que você dá — Confessei sem perceber.

- E eu odeio tudo em você!

Deitei a cabeça de lado, prendendo um sorriso. Estava me divertindo horrores em deixá-la desconfortável.

- Besteira. Você me adora.

- Dá para parar? — Resmungou ela, sem jeito, e meu cérebro gritou: NÃO!

- Só se me der um beijo. — Lhe dei uma boa opção.

Ela riu de nervoso e eu sorri.

- Só pra constar, falo sério.

Ela sorriu subitamente e mordeu meu queixo enquanto segurava meu rosto com as duas mãos.

Como resposta me arrepiei todo e segurei seu rosto, trazendo-o para cima e a beijando...

Instantaneamente pus minha língua dentro de sua boca e nem assim pudemos iniciar um beijo decente, pois o toque súbito do telefone foi um choque tão grande, que ambos nos assustamos.

Desgrudei dela e ergui a cabeça praguejando.

- Atende, pode ser importante... — Ela sorriu acariciando minha nuca.

Assenti, acariciando o rosto dela.

Era a minha mãe.

Perguntando porquê não estávamos na cidade atrás do importante vestido de noiva.

 

                                                                     ...

                                                       

Aquela manhã de domingo estava movimentada na rodovia. Precisei tomar cuidado porque haviam muitos carros e motos transitando pela estrada.

- Precisamos passar na sua casa para pegar os documentos necessários para o casamento.

- Como quiser

- Aliás, convidei seu pai para almoçar conosco.

Ela virou a cabeça, surpresa.

- É mesmo? — Assenti. — Porquê?

- Ele é seu pai. Apesar de estar muito ocupado na oficina, ele disse que iria.

- Okay — Foi a curta resposta dela.

Quando paramos na sua casa, ela passou alguns minutos vasculhando as gavetas em busca dos papéis e depois de muito procurar os encontrou. Foi uma viagem demorada e quando chegamos à cidade tivemos que ser rápidos.

- Por onde quer começar? — Ela pareceu pensar por alguns segundos.

- Que tal pela boutique onde compramos o primeiro vestido de noiva?

- Então vamos — De forma espontânea peguei a sua mão e assim entrelaçamos os nossos dedos.

Eu nunca irei esquecer do toque leve e macio de sua mão… era o suficiente para deixar meu coração absurdamente acelerado. 

Dando sucintos passos, caminhamos por um longo caminho até a loja, parando algumas vezes devido as dores em meu quadril.

- Oh meu Deus, Kathleen! — Disseram as vendedoras, ao correrem para abraçá-la.

Sorri minimamente para elas e me aproximei do sofá, precisava sentar por alguns minutos.

- Preciso de um outro vestido, meninas — Todas entreolharam-se confusas. — Este é para o meu casamento civil, só precisa ser simples — Simples?

Ela ainda não entendeu que irá se casar com um bilionário e que esse evento irá aparecer em todos os jornais.

- Só nos restaram esses — Informou uma das vendedoras ao mostrar os vestidos nos cabides.

Haviam curtos, longos, simplórios, exagerados e hiper mega extravagantes. Havia vestidos para todos os gostos e estilos.

Kathleen passou o olhar por eles, um a um, aprovando suas escolhas, pensando no que gostaria de vestir.

- Que tal este? — Mostrou-me e eu bufei inconformadamente.

Parecia uma batina de padre. Inteiramente coberto, sem muitos detalhes.

- Horrível. Veja outro

- Que tal esse?

Era outro vestido que a esconderia inteira e não a valorizaria em nada!

- Kat… tesouro, por favor — Ela me olhou em dúvida. — Há tantos vestidos bonitos à sua frente — Proferi polidamente. — Escolha melhor

- Você sabe que eu não posso. — Soltou de modo incomodado.

A tal maldita cicatriz...

Soltei um suspiro profundo e levantei indo até ela. As vendedoras se afastaram nos deixando sozinhos.

- Você sabe que eu não me importo com a sua deficiência… — Sussurrei perto do seu rosto, ela nem me olhava direito. — Você não sabe o quanto é linda...? — Busquei seu olhar e ela finalmente me olhou nos olhos. — Eu só quero que fique maravilhosa. Você já é perfeita para mim...

Seus braços circularam meu pescoço abraçando-me e eu prontamente correspondi.

Eu podia sentir sua respiração calma batendo no meu pescoço, arrepiando levemente o local...

Era tão bom... só fechei os olhos e fiquei abraçando-a…

- ...precisamos continuar… — Ouvi-a sussurrar.

Gentilmente beijei seu pescoço e fiz carinho em suas costas antes de senti-la me soltar.  

- Bom, vamos voltar — Ela disse ao por uma mecha de cabelo atrás da orelha e retomou sua busca.

Passei os olhos por todos aqueles vestidos e um em especial me chamou a atenção.

- Gosto desse. — Sorri ao segurar o cabide. Ela ficou uns seis segundos de boca aberta, olhando para o vestido. — Ficaria linda nele — Seus olhos brilharam, mas ela permaneceu muda.

- É um dos modelos favoritos e mais procurados — Disse uma das vendedoras. — A saia é levemente mullet e é ideal para quem gosta de ficar entre o curto e o comprido — Olhei para Kathleen de modo persuasivo, ela parecia insegura, mas mexida com o modelo.

- Não quer tentar...? — Sugeri-a de forma indireta.

Ela assentiu parecendo distraída.

- Tem certeza...? Não quero que se sinta forçada a nada — Exprimi com sinceridade. Apesar de querer vê-la vestida como uma princesa, queria que ela se sentisse confortável com o que fosse vestir.

- Não. Eu quero tentar sim — Decidindo que estava segura ela se entusiasmou. — Vai ser a primeira vez em três anos que tentarei algo assim... — Ela tinha uma expressão esperançosa no rosto.

Sorri o mais largo que consegui e a abracei beijando seu rosto com carinho.

- Boa sorte com ele — Ela acariciou minha bochecha, sorrindo.

- Obrigada — Ela pegou o vestido com cuidado e foi até o provador.

Suspirei várias e várias vezes antes de estalar a língua no céu da boca ao cair em mim.

- Tem como parar de ser tão idiota, Styles...? — Perguntei a mim mesmo. — Isso é só um acordo. Um contrato, um negócio, não é real.

Eu me sentia como uma flor que acabara de florescer e murchou...

Me joguei de costas no sofá de espera e fechei os olhos respirando fundo, tendo de controlar meus sentimentos.

A minha vida tinha dado uma completa reviravolta…

Eu não podia começar a me apaixonar por ela…

- Pronto. — Abri os olhos ao ouvir sua voz. — Só precisa de alguns ajustes

- Ela tem uma cintura tão fininha — Mencionou a vendedora, sorrindo.

- Ajustes...? — Minhas sobrancelhas ergueram de susto. — Mas precisamos desse vestido para hoje a noite — Disse em tom apreensivo.

- Não se preocupe, a costureira dará prioridade a ele e resolverá isso durante a manhã — Assegurou-me uma das vendedoras.

Suspirei aliviado, sentindo minhas costas relaxarem novamente.

- O que acha de almoçarmos enquanto isso? — Sugeriu Kathleen.

- A essa hora...? — Questionei em voz baixa.

- Meu pai almoça cedo por causa da oficina. Ele não pode se ausentar por longos períodos

- Está bem, vamos — Desencostei do sofá e levantei recebendo a ajuda dela.

Enrijeci um pouco diante da nossa aproximação, mas passei meu braço por sua cintura, me segurando.

- Obrigado — Me apoiei em seu corpo e assim fomos manquejando para fora da loja.

- Sorte que é a noiva que vai até o altar — Ela disse me fazendo rir.

- Eu agradeço por isso — Murmurei sentindo as dores voltarem.

- Tem certeza que está apto para amanhã…? — Assenti em silêncio. — Podemos adiar e…

- Você adoraria isso, não? — Deixei a raiva subir à cabeça.

Ela virou os olhos.

- Você é mesmo um grosso. — Lançou-me um olhar crítico. — Eu só estou preocupada com você — E então eu me senti profundamente culpado.

- Desculpa... — Ela foi tomada pela surpresa, mas logo assentiu, me deixando aliviado.

Ela escolheu um restaurante comum, onde o seu pai comia todos os dias. Estivemos lá uma vez e a comida era boa, apesar da simplicidade.

Soltando-a, sentei-me na cadeira e ligamos para o pai dela.

Pedimos duas águas e ficamos em silêncio enquanto o esperávamos. Aproveitei o silêncio para pensar no que iria fazer, uma dúvida estranha estava me cercando.

O episódio com Andy mexera tanto comigo, que pela primeira vez pensei em desistir de tudo e tentaria lutar por ele sozinho. Não era só a vida dele que estava envolvida e poderia ser destruída no fim do acordo. A dela também e inclusive a minha. Eu já estava apegado a ela de uma maneira que não deveria… de uma maneira que não tinha como evitar…

Ficamos naquele silêncio desconfortável por um tempo, até que decidi quebrá-lo.

- Me perdoa por estar te forçando a fazer isso.

Ela apertou os lábios, olhando para mim.

- Me apeguei muito ao Andy, já não importa, faço isso por ele... — Senti meu coração inflando.

- Sacrificaria a sua vida pelo filho de outra pessoa…? — Ela levantou a cabeça.

- Ele não é o filho de qualquer pessoa... ele é o seu filho… — Fechei os olhos ao ouvir aquilo, deixando que duas lágrimas escorressem. — Você está… — Aproximei-me dela e passei os braços ao redor do seu corpo, me aconchegando em seu peito. — Você está chorando…? — Neguei com a cabeça, e eu realmente não estava.

- Nunca ninguém fez tanto por mim… — Ela acariciava as minhas costas devagar. — Eu só... — Eu só conseguia sentir. Eu só conseguia saber. E como eu queria que ela também soubesse!

- ...tem algo que você queira me contar…? — Ela perguntou passando os dedos por minha nuca.

- Eu sei que você já sabe... — Sussurrei em seu ombro. — Ainda preciso dizer?

Ela riu baixinho, segurando meu rosto com tranquilidade.

- É bom ouvir, sabia…? — Um sorriso surgiu em meus lábios.

Meu coração estava disparado no peito.

- Eu...

- Me desculpem a demora! — Ouvimos o pai dela sentar repentinamente à mesa.

Nos afastamos rapidamente, quase como se estivéssemos cometendo algum crime.

- Como vai, Patrick? — Virei meu rosto para ele.

- Bem — Ele assentiu e então olhou para a filha. — Tudo bem, filha?

- Estou bem... — Só então vi o quanto o rosto dela estava corado.

- Podem me dizer o porquê dessa reunião...? — Ele parecia curioso.

Tomei a liberdade de responder.

- Iremos nos casar hoje — Ele arregalou os olhos e falou em voz alta: Quê? — Será no cartório central, às 6 da noite e acho justo que compareça

- Sim, sim, eu irei — Assentiu ao dizer.

Ele olhou para as nossas mãos juntas e só ali me dei conta de que Kathleen e eu estávamos de mãos dadas.

- Fico feliz que tenham se entendido e sejam realmente um casal — Saudou-nos com um sorriso simpático.

- O que?? — Soltamos subitamente a mão do outro.

- Vocês estavam de mão dadas e só estamos nós três aqui

- Não somos um casal, pai.

- Tem certeza? — Eu apenas balançava a cabeça negando. — Não parecem ser só amigos. — Me sentia caindo cada vez mais em um abismo, e esse abismo era ela. — Eu sei que estão apaixonados, está óbvio isso.

Esbugalhei os olhos ao pensar na possibilidade.

- Não! Por Deus, pai, nós não estamos apaixonados! — Engoli seco para disfarçar a pontada que senti no peito. Estranhamente desejei que ela não tivesse dito aquilo com tanta convicção.

- Ora, por favor, minha filha — Resmungou ele. Ela me olhou esperando que eu finalmente me manifestasse.

Olhei para o teto buscando coragem para falar.

- Ela está certa, Patrick. Nós não estamos… apaixonados. — Sussurrei a última palavra.

- Sei. — Ele continuou sem acreditar.

- Podemos pedir o almoço, por favor? — Ela soou ríspida, dando o assunto por encerrado.

- Por mim tudo bem... — Assumi um ar pensativo e assim o silêncio instalou-se à mesa até o fim do almoço.

Não sabia o que era pior, saber que estou me envolvendo com alguém impossível de me envolver, ou ouvir que isso estava óbvio para todo mundo.

- Até mais tarde, filha — Patrick disse dando um beijo em sua testa.

- Até mais tarde, pai… — Ela ainda parecia chateada com ele.

- Até mais tarde, Harry

- Até, Patrick — Assenti cordialmente.

Kathleen e eu pegamos o vestido na loja e ficamos em silêncio o caminho inteiro para casa. Sobrecarregados, cansados. Confusos.

Ao passar pela porta de entrada, joguei-me contra o sofá tentando descansar e recuperar as forças. Não sabia que aquilo iria ser tão cansativo. Como as mulheres aguentam fazer compras o dia inteiro...?

Soltei um suspiro profundo e fui adormecendo aos poucos conforme os minutos iam passando.

Quando dei por mim, já estava acordando, sem acreditar que quase havia perdido a hora.

Saí o mais rápido possível para o banheiro, tropeçando em alguns degraus. Analisei meu rosto no espelho, minha mão estava tremendo muito para conseguir passar a lâmina no meu queixo. Acho que pela primeira vez na vida eu estava encurralado, totalmente em pânico.

Eu só tinha duas opções.

Não ignorar o acontecido com Andy, e também todas as suas cruéis consequências, ou continuar o acordo com Kathleen e seguir em frente.

Eu não tinha dúvidas de que queria ter Andy comigo, mas para isso eu estava disposto a tudo...?

Mordi a parte interna da bochecha, como sempre fazia quando estava nervoso.

A única coisa que eu fiz foi tomar um banho rápido, dar um jeito no cabelo e me vestir devidamente como um noivo.

 

Céus, eu preciso beber…

 

Me pus a manquejar pela sala e parei diante do minibar que havia próximo à varanda.

 

2 litros, talvez

 

Pensei já abrindo a miniporta e pegando uma garrafa de uísque, enchendo o copo em seguida.

Impaciente, tamborilava os dedos no balcão de madeira. Estava ansioso e não sabia exatamente o motivo… era difícil determinar qual.

Escutei o barulho de passos na escada e quando virei a cabeça, o copo que eu estava prestes a beber congelou no meio do caminho até minha boca.

Ela me fez perder o fôlego...

O foco.

Todos os movimentos.

Medi-a da cabeça aos pés, reparando em cada detalhe que a deixava ainda mais linda.

Seu cabelo descia belamente pelos ombros, como estonteantes raios de sol e o vestido que eu havia escolhido para ela cobria seu corpo como se o acariciasse suavemente…

Estremeci diante de tanta beleza e ela apenas permanecera calada, sentindo-se pouco à vontade, ciente da minha total admiração por sua aparência exuberante.

- Co-como você está… — Engoli o resto da frase com força, naquele instante as palavras seriam estúpidas, tão pouco adequadas! Porque eu não sabia como falar sobre perfeição.

- ...obrigada… — Disse corada. — Você também está… — Senti meu rosto corar de vergonha e meu coração acelerou contra a minha vontade.

Ela me olhou curiosa, enquanto eu a venerava, sentindo aquele misto de sentimentos que apenas ela me causava.

- Eu realmente não sabia se você viria… — Admiti em voz baixa.

- Por que eu não viria...?

- Ah, sei lá — Dei de ombros. — ...porquê vamos nos casar agora e você simplesmente me odeia…? — Insinuei em tom cínico e provocador.

Ela não pôde deixar de sorrir.

- Vamos agora, Styles? — Ela fez menção de ir, mas parou quando meus dedos seguraram seu braço.

- Espere

Ela olhou-me de frente.

- O que...?

Seus lábios nunca me pareceram tão vistosos e convidativos.

-  Já que te chamo carinhosamente de tesouro, é justo que me chame de algo especial também, principalmente na frente de todos.

Ela coçou sua orelha, obviamente em dúvida.

- É?

- Sim.

- Isso é mesmo necessário…?

- É claro. Tudo faz parte da imagem. Estamos nos vendendo como um casal apaixonado, os detalhes são importantes. — Ela revirou os olhos.

- Tudo bem… o que acha de Harold...?

Balancei a cabeça negativamente.

- Não.

- Por que não? É um apelido para o seu nome. — Lancei-lhe um olhar duro. Tinha certeza que ela sabia que não era apropriado me chamar de tal forma e só estava tentando me provocar.

- Não. Escolha outro.

- Preciso pensar

- Faça isso. Mas Harold está fora de questão.

Seus lábios se apertaram, como se prendesse um sorriso.

- Vamos indo? — Tentei disfarçar minha inquietude e ânsia.

- Precisa chamar Andy... — Ela disse sorrindo.

- Oh, sim, é claro — Eu ainda estava abobalhado por ela. — Andy! Meu amor! — O chamei da escada.

- Já estou indooooo…!

- Calma, calma, não precisa pressa — Tentei contê-lo com a ajuda de Anastacia.

- Pra onde estamos indo, daddy…? — Ele estendeu os braços, me pedindo colo.

- Ao casamento da Kath e do papai. — Dei um beijo estalado em seu rosto ao pegá-lo.

- Mas não era amanhã de amanhã? — Eu tive que rir daquela pergunta.

- Isso foi ontem, amor

- Então agora ela vai ser finalmente a minha mamãe?? — Ele apertou o meu rosto, entusiasmado.

- Sim — Ele deu pulinhos em meus braços. — Agora você vai ter duas mamães — Ele sorriu tão emocionado quanto Kathleen.

- Então vamos logo, papai, vamos logo! — Ele sacudiu as perninhas, indicando que queria descer, e saiu correndo para o carro.

Olhei para ela posteriormente.

- Ainda acha que não somos uma família…?

Ela pareceu esperançosa e sorriu abertamente me fazendo sorrir também.

Com um suspiro lhe ofereci meu braço e ela aceitou deixando-me guiá-la até o carro.

Fiquei sorrindo o caminho todo até a cidade. Eu estava comemorando por dentro.

Sei que não devia estar assim já que o casamento certamente limitaria a minha liberdade, mas ao mesmo tempo, eu não poderia estar preocupado, já que a única mulher que eu desejava ter, era com quem eu estava me casando.     

- Já chegamos, daddy? — Era a milésima vez que ele perguntava.

- Agora sim, filho

- Vivaa! — Sorri para ele.

Anastacia o ajudou a sair do carro e o levou na frente, eufórico, para a sala onde estavam os convidados.

Kathleen mantinha-se imóvel ao meu lado e eu a olhei profundamente me sentindo perturbado pelo brilho de seus olhos.

- Você está pronta...?

Uma parte de mim estava em desespero e só queria correr para o mais longe dali, mas a outra parte queria sorrir e entrar de cabeça naquela loucura.

- Estou... — Ela disse com a voz trêmula.

Assenti descendo do carro e fui ajudá-la com o vestido.

Ela buscou a minha mão, me fazendo sorrir com a sensação. Era bom demais ter seus dedos nos meus… era como tirar os meus pés do chão…

Caminhamos pelo piso de mármore através dos canteiros de flores que cercavam todo o cartório. A porta de entrada dava para um hall amplo, que por sua vez dava acesso a uma sala espaçosa e iluminada.

- Minha mãe pensou mesmo em tudo… — Falei quando nos aproximamos.

A sala estava decorada em tons de branco e lavanda, o que dava um aspecto acolhedor ao lugar. Haviam laços e flores pendurados em toda parte.

- Eles chegaram! — Minha mãe anunciou e todos vieram nos cumprimentar calorosamente.

Fui abraçado por ela, por meus tios, por Andy, até por Liam que também estava ali.

Patrick já estava ali também e seus olhos brilharam quando ele olhou para Kathleen.

- Filha... — Ele parecia estar sem palavras. — Não lembro de ter visto você usando algo assim antes... você ficou muito linda…! — Assenti com um olhar convencido.

- Obrigada, pai — Ela sorriu mais segura.

- E aí, cara, pronto para se prender para sempre? — Liam chegou me puxando para longe e me abraçando.

Assenti com a cabeça, olhando para ela. Que sorria conversando com a minha mãe.

- Parabéns, Hazza, ela é linda. Só ouvi coisas boas sobre ela — Franzi levemente a testa.

- Como assim?

- Sua mãe, o pai dela. Eles se rasgaram em elogios antes de vocês chegarem — Contive um sorriso. — E também pelo pouco que a conheci na fazenda quando vi a preocupação dela com você e com Andy, pude ver o quanto ela é maravilhosa — Assenti com a cabeça, isso eu nunca poderia negar. — Você finalmente encontrou uma pessoa boa, irmão. Não a deixe escapar!

Abri um sorriso completamente sincero, mas um tanto tristonho. O que tínhamos não era real. Talvez nunca fosse… e era isso que estava corroendo o meu coração.

De repente senti uma falta absurda dela, sem que ela ao menos tivesse partido para longe!

- Preciso ir. — Eu disse de repente.

- Ei, aonde vai?? — Disse Liam, ao me ver afastar.

- Ficar com a minha garota...! — Sorri ao lhe contar.

E fui o mais rápido que consegui até ela, mesmo que as minhas pernas doessem a cada passada rápida que eu dava.

Consegui parar na sua frente, ofegante, ela me encarava com confusão e horror.

- Me abraça...? — Pedi com a voz falhando, havia um nó gigantesco na minha garganta. — Me abraça de verdade?

- Hey… — Ela passou a mão pelo meu rosto, passando uma mecha atrás da minha orelha. — Por que isso agora…?

- Só faz isso, por favor… — Eu praticamente implorei. — Eu preciso sentir que você está comigo. Que ao menos isso é de verdade — Senti seus braços passando ao redor da minha cintura e me apertarem contra ela como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo. E foi assim que eu me senti.

Por um momento me permiti sentir cada parte dela junto a mim. Eu só queria fingir que poderíamos ficar ali para sempre, que nada poderia nos separar.

Abri um sorriso enquanto fechava os olhos… sabe como é… você só é atingido por aquilo que é de verdade...

- ...o que acha de meu amor…? — Ela disse perto do meu ouvido, fazendo com que eu me arrepiasse.

- Como? — Não quis acreditar no que entendi.

- O seu apelido carinhoso… — Então suspirei internamente. — Eu pensei muito... e achei que esse servia… — Senti meu coração derreter completamente.

Inteiramente.

Totalmente.

Todo.

Ela segurou meu rosto entre suas mãos e nos olhamos nos olhos.

- E então…?  — Meu coração acelerou de forma boba.

- Eu gostei… — Sorri docemente. — Eu gostei muito… — Ergui minha mão direita e toquei seu rosto.

Ela me encheu de pequenos selinhos, me fazendo abraçá-la pela cintura, sentindo um frio gostoso na barriga.

- Boa noite, senhores. — Era o juiz de paz. — Já estão todos aqui?

Aqui…? Eu estava nas nuvens! Costumo perder o chão quando ela me beija...

- Estão aqui os noivos, convidados e testemunhas...? — Ele perguntou novamente.

Mas o silêncio foi rompido pela porta da sala abrindo velozmente.

Virei o rosto, e… o que o Malik estava fazendo ali...?

Passei a mão pelo cabelo nervosamente e Kathleen me encarou com temor, certamente a minha irritação estava visível.

- Me desculpem o atraso. — Disse ele, enquanto entrava em passos apressados.

Ele me encarou fixamente, e sacudiu a cabeça como se me cumprimentasse.

Fechei os olhos contando mentalmente até dez, buscando uma calma que eu sabia que não existia mais.

- O que ele está fazendo aqui...? — Grunhi, espumando de tanta raiva.

- Anne disse que ele será uma das testemunhas… acalme-se... — Sentia que todos os meus nervos estremeciam, mas estava incapaz de conter tal situação.

Já estávamos todos ali e mais do que nunca eu queria aquele casamento.

Não porque estou gostando da Kathleen agora, e sim porque me vejo amando-a no futuro.

 


Notas Finais


Hey!
Vocês gostaram…?
Desculparam a minha demora…?

→ Me contem tudo o que acharam desse capítulo ❤️

→ Vestido do casamento civil: https://www.flickr.com/photos/[email protected]/43063785375/in/dateposted-public/


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