História A Essência do Olimpo - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias As Provações de Apolo (The Trials of Apollo), Bangtan Boys (BTS), Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Artemis, Hades, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Nico di Angelo, Park Jimin (Jimin), Quíron
Tags Aventura, Bts, Drama, Jikook, Namjin, Romance, V-hope
Visualizações 14
Palavras 2.590
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, me atrasei um pouco pra voltar com o segundo capítulo, foi mal.
A história se desenvolve rápido, não sou muito de enrolar entre os capítulos, então não se assustem com a rapidez.
Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo II


Eu quase sigo tocando as paredes do lugar para tentar encontrar um interruptor para iluminar o ambiente, mas a textura de fumaça e a leve sensação de que tudo vai se desfazer em segundo me impede de fazer isso. É um sonho, lembro a mim mesmo. O cheiro forte de carne podre está por todo o ambiente, não mudou nada desde a última vez que estive aqui. Na verdade, não sei se aqui seria a palavra correta, já que este lugar não existe realmente.

— Jimin — A voz grave ecoa pelo meu cérebro. — Fazia algum tempo que eu não conseguia me conectar a você, estive com saudades.

— Eu não converso com você. — Minha boca está fechada, mas as palavras ainda chegam até ele. — Não enquanto sua identidade for desconhecida e você não me contar qual o propósito desses desmaios aleatórios.

Por algum motivo, eu quero chorar. É como se todo o ambiente me trouxesse uma lembrança desconfortável, algo de ruim aconteceu nesse lugar e me afetou de uma maneira destrutiva. Entretanto, essa lembrança ainda não aconteceu. Me sinto preso em certo pedaço do tempo que me proporciona a sensação de saudade por coisas que ainda podem ser mutáveis.

— Lamento, mas ainda não chegou o momento de revelar para você minhas intenções. Logo você saberá. — Ele usa um tom divertido. — Agora, terá novas companhias, que talvez não sejam as melhores para você, mas que vão nos ajudar no nosso trabalho.

As palavras parecem viajar pelo ar saídas de um sorriso, então imagino uma boca desenhada perfeitamente, com sangue escorrendo pelos lábios e o sabor da morte sendo aproveitado a cada instante.

— Você sabe sua habilidade, não? — Ele solta uma gargalhada. — Espero que consiga usá-la de maneira eficiente, sempre cuidando para não magoar ninguém, não é? Sua criação foi exatamente essa e você não gostaria de decepcionar sua mãe.

A ânsia de gritar enche meus pulmões, mas nenhuma palavra sai da minha boca.

É como todas as outras vezes, como todos os outros sonhos e encontros. Uma cena que se repete em looping e que só reforça minha inutilidade nessa realidade.

— Está na hora de acordar, seus novos amigos lhe esperam, alguns terei que usar para lhe apresentar o tamanho do meu poder, infelizmente. Mas, — ele solta um suspiro — observe minha bondade, isso vai te ajudar a entender mais suas habilidades. Aproveite suas semanas com eles, já que nem todos estarão vivos quando tudo acabar.

 

Meu primeiro pensamento ao abrir os olhos é de que não acordei ainda, pois a sala está totalmente escura e gelada. Um pequeno lençol foi colocado sobre mim, mas não o reconheço como algum de minha casa. Jimin, parabéns, você conseguiu ser sequestrado quando foi comprar legumes, penso.

Levo a mão até minha bermuda, mas não sinto meu celular. Não entre em pânico. Então, levanto devagar da cama em que me colocaram, o quarto é pequeno e de madeira, tem uma pequena pia em um canto e uma mesinha em outro, a janela está fechada com uma tranca que eu, com certeza, não tenho forças para retirar. Torço para que a porta esteja destrancada a cada passo que dou, respirando fundo ao tocar na maçaneta e suspirando aliviado quando ela se abre.

— Ele desmaiou sem mais nem menos?

Um senhor está em uma cadeira de rodas conversando com o garoto que ficou me observando vomitar, ele tem os cabelos castanhos, mesmo que seu rosto denuncie a idade já avançada, e os olhos quase cinzentos. Eles estão em um escritório, sentados ao redor de uma pequena mesa de centro, onde há uma pequena refratária contendo pedaços de salsicha.

— Sim, fiquei até assustado. — Jungkook está sem seu boné, então consigo ver claramente o reflexo azul que aparece em seus olhos escuros conforme a luz bate em seu rosto. — Ele vomitou também, antes de tentar correr da Quimera.

— E você não fez nada?

— Você me disse para proteger ele do animal, não para cuidar dos problemas de estômago dele. — Ele sorri e inclina a cabeça. — Foi mal.

— Tudo bem. — O homem se inclina e pega um pedaço de carne, então joga para trás, sobre sua cabeça. Ouço um animal rosnando baixinho enquanto mastiga. — Você chegou a explicar para ele toda a situação? E o porquê de ter ido buscá-lo?

Jungkook começa a rir.

— Não, nem deu tempo. — Ele levanta. — Jimin não queria nem mesmo conversar, imagina se eu disse para ele que é um semideus. — Seus olhos se demoram onde estou, mas tenho certeza que não me vê, já que o quarto está escuro e só abri uma pequena fresta da porta. — Vou checar se ele ainda está dormindo.

Corro para a cama, sem esperar seus passos começarem. Me cubro com o lençol e fecho os olhos. Seu perfume é forte quando ele entra e uma carga de eletricidade parece deixar meu cabelo arrepiado quando ele se aproxima.

— Annabeth me disse que o namorado dela babava quando ela viu ele dormindo, você parecia que ia me dar um soco quando te vi antes.

Meu pulso acelera, provavelmente nervosismo por ele ter me relacionado com um namorado. Quero rir, mas preciso mover o mínimo possível do meu corpo, respirando até mesmo devagar.

— Agora você parece prestes a gargalhar enquanto finge dormir. — Jungkook começa a rir. — Olha esse maxilar contraído, a respiração que diminuiu do nada e suas pálpebras tremendo.

Abro meu olho direito devagar, vejo-o me encarando e sorrindo.

— Eu estava dormindo antes de você me acordar. — Levanto meu corpo e me apoio nos cotovelos. — Sabe, você não pode me trazer para esse chalé aqui sem permissão. É sequestro.

— Acho que você deveria agradecer por não ter te deixado desmaiado no meio da rua. — Reviro os olhos, ele nota e se afasta, indo até a porta. — Vem cá, temos comida. Você deve estar com fome, com sede e curioso para saber onde se meteu. Estamos esperando.

Ele segue até o escritório novamente. Espero por um tempo antes de me convencer de que ninguém virá até o quarto, não antes que eu vá até eles. Olho para a cama antes de sair, não há mancha alguma de vômito ou sujeira, provavelmente limparam meus tênis ao me deitarem ali. Não é algo que minha mãe faria, mãe essa que, aliás, deve estar morrendo de preocupação por eu não ter chegado em casa com o último ônibus do dia.

— Primeiro de tudo — digo, entrando no escritório —: alguém avisou para minha mãe que eu chegaria atrasado em casa?

— Bom dia, Park Jimin. Meu nome é Quíron, fico feliz que esteja melhor. — O homem me estende a mão, sua expressão é preocupada, mas ele tem um sorriso no rosto. Eu aperto sua mão. — Sua mãe já foi informada de tudo que é necessário, então você não precisa afligir-se de nada. Suponho que tenha fome.

Ele faz um movimento com a mão para uma cadeira ao seu lado e pega uma pequena jarra cheia de um líquido amarelado, que eu não havia notado na primeira observação. Sento na cadeira e cuido o líquido descer como mel até o copo. É estranho a harmonia que o suco parece ter com o ambiente, onde tudo parece ser feito da melhor madeira encontrada em florestas e selvas. A cor da madeira das paredes é quase negra, então as lâmpadas do teto precisam ficar ligadas, mesmo que lá fora pareça ser logo de manhã.

De manhã?

— Que horas são? — Pergunto.

Jungkook me olha e então puxa a manga da blusa branca que usa, ele se demora no relógio, com a mão conta alguma coisa.

— Meu relógio está atrasado alguns minutos, mas deve ser por volta das oito horas. — Ele olha para Quíron. — As oito e quinze nós temos reunião, não?

— Sim, sim. — Ele me alcança o copo cheio e um pequeno prato com biscoitos, que em uma primeira impressão parecem feitos de manteiga, mas com uma primeira mordida parecem feitos de qualquer planta silvestre. — Aliás, Jimin, você vai participar da reunião conosco. Precisamos lhe apresentar para os líderes de cada Chalé, então você não se sentirá deslocado quando seu pai, ou sua mãe, te reclamar.

— Espera aí. — Eu levanto a voz por um instante, mas algo no olhar que Quíron me lança diz para ser educado. — Primeiro: onde estou? Segundo: por que eu estou aqui? E terceiro: que história é essa de pai e mãe? Eu já tenho uma mãe.

Eles se olham, Jungkook levanta e caminha até a porta.

— Vou esperar você ali fora, quando terminar, vem que eu vou te apresentar o Acampamento.

— Então, — Quíron começa — você está no Acampamento Meio-Sangue, um local onde abrigamos e treinamos semideuses. — Ele pega um pedaço de salsicha e joga para trás, acompanho a carne voadora e dou um pequeno pulo para o lado quando noto a cabeça de leopardo na parede. Os olhos do animal estão em mim quando ele abocanha a salsicha. — Você é um semideus, filho de algum deus, ou deusa, e precisa ficar aqui para aprender a se defender.

— É tipo a escola para mutantes do Professor Xavier? — Pergunto.

Ele me olha como se quisesse me dar um tapa na cabeça e me repreender, mas, por fim, sorri.

— É quase isso, aqui você vai aprender a controlar suas habilidades e os poderes que ainda vai receber e perceber que consegue utilizar. — Quíron se afasta com a cadeira até a mesa de escrivaninha na frente da janela, ele procura algo em meio a papeis e volta com uma pequena pasta em mãos. — Aqui eu tenho todos os registros de cada semideus que passou pelo Acampamento, você pode encontrar uma foto de cada um, seus respectivos parentescos divinos e as missões que realizaram. Pode notar que alguns tem deusas no parentesco divino e em seu laço sanguíneo humano, então, respondendo a sua pergunta, você pode ter outra mãe. O amor é capaz de gerar uma criança, quando falamos de deuses.

Pego a pasta e a abro, várias fichas estão dispostas em ordem alfabética; logo no início consigo reconhecer o nome que Jungkook mencionou anteriormente, a caligrafia de Annabeth é quase torta na assinatura, como se escrita com pressa. Sua mãe, dita abaixo do nome, é Atena. Hum, a deusa da sabedoria? Espero ter prestado atenção suficiente na aula de história. Ela tem os cabelos loiros e olhos cinzentos, mesmo que pareça feliz com um sorriso, posso sentir cada pedaço da vida dela que foi arrancado com o passar dos anos.

Procuro pelo nome de Jungkook, o garoto parece mais novo na foto de destaque, sua assinatura é desajeitada, mas bonita. Como ele, penso, mas balanço a cabeça para espantar o pensamento. Diz em sua ficha que é filho de Zeus, o deus dos deuses e algumas de suas informações estão circuladas e marcadas com uma caneta diferente. Não pergunto nada a Quíron.

Noto algumas marcações feitas na lateral de algumas fichas, destacando certos adolescentes. Quase no final do livro, encontro um garoto de olhos azuis, ou talvez verdes, que assina com uma letra quase ilegível. Abaixo do seu nome há duas datas, assumo que a segunda seja a data em que deixou o Acampamento. Percy Jackson, você é tão bonito que eu consideraria ficar no Acampamento se você ainda estivesse aqui. Na ficha, seu nome está sublinhado de azul e o nome de Poseidon está escrito em “parentesco”. Deus dos mares.

— Percy Jackson, por que ele tem o nome marcado?

— Ele foi um semideus muito importante, como todos nessa lista, mas merece seu destaque por ter lutado grandes batalhas. — Quíron parece saudoso ao falar do garoto. — Conseguiu salvar nosso mundo da destruição, conseguiu novos direitos para vocês, semideuses, e ainda visitou o Olimpo diversas vezes.

Eu começo a rir, ele me encara com dúvida.

— Sabe, vocês estão interpretando muito mal. Nem esse leopardo parece muito real, suas mecânicas já tão velhas, ele fica rosnando o tempo todo, deve ter algum fio solto dentro dele. — Eu levanto e largo a pasta sobre a cadeira. — Você poderia me entregar meu celular? Preciso ligar para minha mãe vir me buscar.

Quíron balança a cabeça, ele parece decepcionado com os olhos baixos e com os ombros caídos. Ele começa a levantar da cadeira de rodas, meu primeiro impulso é de correr para segurá-lo, mas quando o pequeno cobertor que cobria suas pernas cai, percebo que ele não é um simples senhor sem o movimento das pernas. Sua pele se estica e seus ossos começam a se mover, sua estatura aumenta e seu tronco se ergue sobre um corpo de cavalo.

Sem pânico, Jimin. Isso é um sonho.

Me afasto devagar, com os passos contados, até trombar em um dos armários que há ao lado do escritório. Sem tirar os olhos dele, levo minha mão até a parede, tentando sentir a textura de fumaça e a sensação de estar flutuando em algo irreal. Mas sinto madeira. Sinto o cheiro de pelo de cavalo.

— O que é você? — Minha voz está tremula e desafinada. — Que merda é essa?

Quíron assente com a cabeça.

— Eu sou um centauro, essa merda é o diretor do Acampamento, a quem você deve respeito. — Sua expressão, agora, não é mais de cansaço, mas de irritado. — Entenda, sua situação não vai mudar, você está aqui por tempo indeterminado e precisa se acostumar com isso. Agora sua família é esse Acampamento.

— Ah, conta outra. — Começo a me afastar em direção à porta, dando passos cuidados para não esbarrar em nada. — Eu vou dar uma saída e volto logo, O.K.?

Ele pisca algumas vezes, na última trocando a cor dos próprios olhos, que agora brilham em um tom vermelho escuro. Seus novos amigos lhe esperam, alguns terei que usar para lhe apresentar o tamanho do meu poder. As palavras que ouvi em meu sonho caem como uma luva, são limitadas demais para não se referirem a essa situação.

O centauro se move novamente, desta vez pisando com mais força e deixando uma marca no assoalho, de uma maneira violenta. Sua boca se abre, mas não saem palavras, apenas um som vazio de algo sendo quebrado. Então, uma gota de sangue escorre pelo seu lábio.

— Jungkook? — Viro levemente a cabeça para o lado e chamo pelo filho de Zeus. — Jungkook?

Ele não me responde. Preciso me defender, penso. Não consigo enxergar nada perto o suficiente quando Quíron se move, só que, agora, para me atacar.

— Você precisa aprender, — sua voz é grave, mas sua boca não se mexe — meio-sangue.

Eu fecho os olhos, sinto o chão tremer a cada passo que ele dá e só consigo pensar em maneiras de proteção. Minhas mãos formigam, escuto algo como o som do óleo fervendo dentro de uma panela de ferro, e sei que é meu sangue. Pequenos fatos passam na minha mente, como quando consegui movimentar a terra com minha mão, sem realmente tocar a pele no chão. O chão indo devagar até a perna do garoto que me segurava pelo pescoço contra a parede da escola, meu medo sendo transformado em raiva por causa do olhar de nojo que ele me lançava.

Levanto os braços para me proteger. Meu sangue corre com força pelas minhas veias e ouço vozes subindo pela terra.

Você é meu filho?

Uma voz rouca se sobressai e abafa todos os gritos por socorro.

Eu nem lembrava da sua existência, mas vou te livrar dessa, pela última vez.

O chão estremece, não com os passos do centauro, com a força dos esqueletos que irrompem de debaixo do assoalho pouco mais claro de madeira. Suas mãos rasgam a madeira, suas espadas surgem das sombras por entre seus dedos.

Servimos a você, filho das sombras.


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Comentários com críticas construtivas e considerações pertinentes sobre a história são sempre bem vindos.

Obrigado pela atenção!
Até a próxima. ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...