História A Estrela Perdida - Capítulo 24


Escrita por:

Postado
Categorias Star vs. as Forças do Mal
Personagens Afonso, Angie Diaz, Cabeça Pônei, Ferguson, Glossaryck, Hekapoo, Jackie Lynn Tomas, Janna Ordonia, Lua Butterfly, Marco Diaz, Mina Loveberry, Personagens Originais, Rafael Diaz, River Butterfly, Star Borboleta, Thomas "Tom" Lucitor, Toffee
Tags Disney, Drama, Jarco, Romance, Star Butterfly, Star Vs As Forças Do Mal, Starco, Toffee
Visualizações 24
Palavras 4.690
Terminada Não
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Devem ter reparado que eu mudei o nome dos capítulos de "A Arena" para "Sossego", bem... mudei porque não faziam parte do arco da A Arena e ficou tão longo que deu para cria um próprio arco. Assim como vocês, por incrivel que pareça, eu também me supreendo com a história. As vezes tomo rumo que não esperava e nem sequer imaginava que iria acontecer.

Chega de enrolação... Tenham uma boa leitura.

Capítulo 24 - Sossego: Tempestade


     Janna voltou a ter aquele sorriso malicioso que sempre teve, logo após receber o que tanto almejou nos últimos dias, que era ter a atenção de Nash voltada para si. Durante o beijo ela pôde sentir uma onda de emoções se aflorando, criando um sentimento caloroso que aqueceu seu corpo de uma forma recompensadora. Esse não foi o primeiro beijo dela, mas foi o primeiro beijo que a fez sentir algo além de um simples toque entre bocas, um derivado de prazer conhecido como paixão.

                A diferença entre amor e paixão não são muito claras por conta das semelhanças entre os sentimentos, porém é possível explicar e entender. A paixão em si, é um sentimento forte e curto, que pode facilmente ser saciada quando o alvo deste sentimento lhe traz prazer, basicamente você enxerga a pessoa como você quer que ela seja, um “objeto” para saciar seus instintos. Amor é um derivado da paixão, ele aparece quando a paixão dura mais do que deveria e acaba evoluído para o que é, ele quebra a ilusão do prazer e faz o hospedeiro deste sentimento enxergar e aceitar a pessoa amada do jeito que ela é e foi, mas não como será.

                Janna se apaixonou por Nash quando viu a beleza na inocência dele, e Nash se apaixonou por Janna quando sentiu a rebeldia dela enquanto se divertiam pelos corredores da WallMagic. Depois que a garota rebelde passou pelo portal ligado ao seu quarto, olhou bem para os lados antes de dar um pulo se jogando na cama abraçada ao livro. Janna mentiu dizendo que precisava voltar para casa ou seus pais ligariam para a polícia por causa do seu desaparecimento repentino, quando na verdade o verdadeiro motivo era para esconder a alegria dominante em sua cara. Ainda na cama ela puxou um dos seus travesseiros para abraça-lo imaginando ser Nash até que, por fim, adormeceu.

                Na casa dos Diaz, Nash entrou limpando os pés no tapete de “bem-vindo” esperando seus amigos falarem algo a respeito do beijo, o que estranhamente não aconteceu. Star, Marco e Jackie estavam sentados no sofá assobiando, fingindo não terem visto nada do lado de fora da casa.

                — Podem falar, eu sei que vocês estão loucos pra falar alguma coisa. — Nash comentou esperando ser caçoado pelos seus amigos, por causa do beijo.

                — Falar do que?! — Star disse em tom irônico. — Vocês sabem do que ele está falando? — Perguntou a Jackie e ao Marco. Os dois deram os ombros fingindo não entender do que se tratava. — Se quiser que a gente entenda do que está falando Nash, vai ter que ser mais específico.

                — Do beijo entre mim e a Janna. — A vergonha de falar isso abertamente com seus amigos foi tão constante, que Nash falhou em tentar esconder o vermelhidão em seu rosto.

                — Ah. Vocês se beijaram... legal. — Star continuava sendo irônica, brincando com a sanidade do seu amigo.

                — Ah, Qualé pessoal, vão fica ignorando o elefante na sala?

                Jackie, Marco e Star se olharam antes de caírem em risos enérgicos, constrangendo Nash ainda mais e fazendo-o avermelhar-se com a vergonha.

                — Desculpa Nash, é que a gente não queria ver você irritado de novo. — Jackie explicou o motivo do fingimento. — Mando bem cara! Mal posso esperar pra ver a cara de Janna amanhã no colégio.

                Rosto de Marco tomou uma expressão alegre. — E eu mal posso esperar pra ver o que isso vai fazer com ela. Olha, não vou mentir, mas nunca na minha vida imaginei que Janna poderia gostar de alguém, isso é muito bizarro.

                — Marco... — Jackie queixou-se. — Janna é uma ótima amiga, só tem um gosto mais... macabro, embora Nash seja o oposto disso. — Levou sua mão até o próprio queixo, imaginando o mesmo que Marco, ficando em dúvida.

                Nash sorria vendo Marco e Jackie brincando, mas o que lhe chamou atenção, foi o silêncio incomum de sua irmã. — E você Star? — Perguntou a surpreendendo.

                — O que tem eu? — Olhou para os lados um pouco assustada com algo. — Ata. Janna falou muito bem de você, não é Jackie?

                — Sim, ela disse que te acha um fofo, que você é bonito, que você tem lindo olhos violásseis... E você?! gosta de alguma coisa nela? — Jackie olhou para Nash totalmente corado com o assunto.

                — Eu não sei, acho que do jeito estranho dela. — Respondeu sentando-se entre Marco e Star. — Ela tem um jeito bem diferente de ser. Hoje eu pude ver isso bem de perto.

                Passar o dia com Janna lhe rendeu ótimas perspectivas de quem ela era, principalmente quando estavam se divertindo na WallMagic, foi lá que Nash pensou várias vezes o quanto Janna era legal e até mesmo se apaixonando por ela. Ele não contou essa parte, mas quando estava na companhia dela se sentia descontraído esquecendo dos problemas, e no momento que ela caiu em cima dele, sabia exatamente o que estava fazendo ao tentar beija-la.

                Star abraçou Nash comemorando a confissão dele. — Hoje?! Ah, safadinho... Já faz algum tempo que você estava de olho nela, não é?

                Jackie e Marco surpreenderam-se com a descoberta de Star ficando boquiabertos. Era fato que Nash tinha olhado para Janna de um jeito diferente depois de um tempo desde que chegou na terra, e a parte engraçada disso tudo, é que nem ele tinha percebido isto. Como ele disse, Janna tem um jeito estranho e ao mesmo tempo chamativo de ser.

                Com um dos braços de Star envolto em seu pescoço, Nash sentia aquela sensação torturante de contar tudo para ela, querer matar toda a saudade acumulada. — Agora chega de falar sobre isso. — Retirou o braço de Star do seu pescoço. — Por que não pedimos algo pra aquele cara de armadura que traz comida?

                — Cara de armadura? — Jackie ficou sem entender a que Nash se referia.

                — É um motoboy! Nash chama ele de “cara de armadura” porque veste uma roupa de couro e tem um capacete. — Marco explicou indo até a cozinha pegar o número da lanchonete. — Jackie você tinha que ter visto ele quando viu um motoboy pela primeira vez, achou que era um cavaleiro em busca de honra, ou algo assim. Ele pegou o ferro da lareira e botou o motoqueiro pra correr. Eu e Star nunca rimos tanto.

                — Eu já pedi desculpas pra lanchonete e você concordou que não ia mais falar sobre esse incidente. — Enquanto isso Star e Jackie riam à beça dele. — Eu sou novo aqui, tem muita coisa aqui que eu nunca vi antes. Já é bem difícil andar na rua sem um carro tentar te atropelar!

                Star encostou seu rosto em Nash. — É difícil porque a rua é pra carros Nash, seu lugar é na calçada, burrinho.

                — Do que você está falando Star?! — Marco voltou da cozinha com o telefone e número da lanchonete em mãos. — Quando você chegou aqui fez o mesmo com o carteiro, atacou ele com a varinha achando que ele estava sabotando a caixa de correios! Por causa disso ficamos sem receber entregas por um mês.

                — Eu já pedi desculpas pra empresa e você concordou que não ia mais falar sobre esse incidente. — Star olhou para Nash e Jackie rindo da cara dela. — Olha, assim como Nash eu era nova aqui e tinha muita coisa que eu não fazia ideia do que era. — Cruzou os braços virando a cara. — E Nash nem pense em me chamar de burrinha.

                Contrariando Star, aproximou-se dela sussurrando em seu ouvido. — Burrinha...

                Ser chamada de burrinha foi o suficiente para atacar seu amigo. — Como você ousa falar assim com uma princesa delicada como eu?! — No mesmo instante pulou em cima dele, o jogando no chão e torcendo um dos braços dele enquanto o prendia com suas pernas. — Peça desculpas. — Apontou a varinha ameaçando soltar um feitiço. — Peça desculpas ou vai se arrepender de me chamar de burra!

                — Eu prefiro morrer do me desculpar com você. — Nash resistia tendo um de seus braços sendo torcido em suas costas. — Eu já senti dores piores que essa Star, vai ter que se esforçar mais que isso. — Disse soltando lagrimas de dor e agonia.

                — Meu deus... Star para. Ta machucando ele. — Jackie apartou a brincadeira dolorosa sentindo pena de Nash. — Vocês são assim todo dia?

                Marco entrou na conversa com o celular colado em sua orelha. — Só quando Nash provoca Star...  O que vocês vão querer da lanchonete?

                — O de sempre... — Nash levantou alongando seu braço. [...] — O mesmo que Nash, só com mais molho. — Star levantou fazendo cara fechada para ele. [...] — Comi bastante no parque, mas vou querer o especial da casa. — Jackie completou os pedidos.

                Passou um tempo e de dentro da casa pôde se ouvir um som fraco de chuva batendo nas telhas, despejando água por toda a cidade. O cheiro de terra molhada ficou mais intenso junto com o frio e os sons de trovejo, os raios estouravam dentro das nuvens fazendo um barulho estrondoso ecoar sobre a cidade. Nash estava se sentindo tão bem com o barulho dos trovões, que acabou cochilando no sofá antes mesmo dos lanches chegarem.

                Aproveitando o frio, Star criou com a varinha, um cobertor enorme o suficiente para os quatro se acomodarem no sofá enquanto assistam filmes gravados. Com a chuva castigando a cidade sem piedade, a lanchonete ligou dizendo que não poderia entregar os lanches, pois não podiam pôr a vida do “cara de armadura” em risco. A tempestade não iria cessar por um bom tempo, até os pais do Marco ligaram avisando que não voltariam para a cidade devido ao perigo de viajar em tais condições, e ainda sim não falaram o que foram fazer na cidade vizinha.

                — Quem era? — Jackie perguntou mergulhada no calor do cobertor.

                — A lanchonete... Tiveram que cancelar os pedidos de hoje por causa da tempestade. — Marco pegou sua tesoura dimensional indo pessoalmente pegar os lanches. — Espera aqui, eu já volto.

                — Nem pensar, eu vou com você! — Jackie calçou seu tênis apressada.

                — Vai estar bem frio lá fora. — Marco tirou seu moletom e o entregou para Jackie vesti-lo. O tecido quente do agasalho serviu muito bem no corpo da sua namorada, que se animava com o ato generoso do seu namorado. — Já voltamos Star. — Se despediu entrando no portal juntamente a Jackie.

                Na sala ficaram apenas Nash com seu agradável sono e Star com seu medo interminável de trovões. Para uma princesa rebelde que monta em unicórnios selvagens e luta contra monstros, ter medo de trovões é um pouco ilógico, mas isso surgiu quando as memórias envolvidas com Nash foram removidas. Normalmente em noites de tempestades Nash lia para Star ficando perto dela, por isso ele considera as tempestades confortáveis e por falta dessas lembranças, Star sentia medo dos trovões.

                O filme estava pausado esperando Marco e Jackie voltarem da lanchonete, quando um estrondo de um trovão estremeceu a terra de forma tão violenta, que Star grunhiu se encolhendo no sofá enquanto tremia.

                — Não sabia que você tem medo de trovões! — Nash afirmou despertando lentamente com a voz sonolenta e um olhar inocente, exatamente como Janna descreveu.

                — Não é medo, é só receio de um raio cair na minha cabeça. — Puxou o cobertor ainda encolhida no canto do sofá. Por um momento Star olhou timidamente para Nash, querendo lhe pedir um favor. — Se importa se eu te abraçar um pouco? — Star poderia estar tímida demais para dizer isto, mas o “receio” estava falando mais alto.

                — Melhor não Star. — Negou bocejando.

                — Desculpa, você está ficando com a Janna agora, e isso deve ser bem estranho.

                Nash suspirou olhando para Star ao seu lado. — Não é por causa disso, é que você me lembra muito a minha irmã. Sempre que você me abraça eu sinto saudades dela e fico com vontade de voltar pra casa.

                — Ah! Tudo bem! — Star se cobriu até o pescoço com a coberta, escondendo o tremor de suas mãos. — Sei que não gosta de perguntas sobre seu passado, mas como era a sua irmã?

                Os dentes de Nash apareceram com um sorriso direcionado a Star. — Hum... — Fixou seu olhar em sua irmã, recordando certos momentos. — Ela tinha seis anos quando minha mãe... bem, você sabe! Ela estava sempre animada, sorrindo, correndo e brincando... A brincadeira favorita dela era me perturbar o dia todo, todos os dias. Só me deixava em paz quando eu ficava na biblioteca. Acho que ela entendia que eu gostava do silêncio do lugar, por isso nunca aparecia por lá... Ela passava o dia todo esperando eu sair pra poder falar comigo. Era a única vez em que ela sossegava.

                Fez-se uma pausa entre os dois, deixando apenas o chiado abafado da chuva se espalhar pelo lugar. Star continuou calada, imaginando em silêncio a irmã de Nash, quando o mesmo ao seu lado voltou a falar.

                — Era engraçado quando ela sorria, porque faltava alguns dentes da frente na boca dela e eu vivia falando “Insetos vão entrar na sua boca quando você for dormir”... Até que um dia ela pegou uma clava de ferro e fez isso. — Com o dedo indicador, puxou a bochecha mostrando um dente faltando na parte superior do lado direito da boca. — Ela chorou bastante quando viu sangue saindo da minha boca. Achou que eu ia ficar com raiva e nunca mais iria querer brincar com ela, dá pena só de lembrar do rosto triste dela, mas foi culpa minha.

                A história contada por Nash estava tão agradável aos ouvidos de Star, que ela se acalmou ao esquecer dos trovões por um instante. Neste momento um raio caiu próximo a casa provocando dois estrondos tão fortes, que até mesmo Nash se assustou. Com o som de doer os tímpanos, Star gritou lançando-se sobre Nash, o abraçando a altura do busto.

                Ao sentir os braços de sua irmã tremerem descontroladamente em seu peito, Nash finalmente percebeu o quanto Star estava assustada com a tempestade. Ela apertava seus pulmões com tamanha força que lhe tirava o ar. — S-Star... — Chamou por ela tentando respirar.

                — Ah!! Desculpa. — O soltou voltando para o canto no sofá. — Nada de abraços. — Do canto do sofá olhava para Nash, sem saber no que ele estava pensando. — Foi mal, acabei me assustando por causa do barulho. — A mesma deixou uma lágrima escorrer sobre seu rosto, mas a limpou logo em seguida com a palma da mão antes do seu amigo ver.

                Pensando no medo de Star, voltou atrás ignorando sua saudade para dar segurança a sua irmã. — Não, está tudo bem, se vai te fazer sentir melhor, pode... me abraçar. — Disse com uma voz timidamente retraída.

                — Não precisa, foi só um susto idiota! — Star recusou não querendo causar problemas para Nash, porém a tempestade continuava a amedronta-la fazendo-a mudar de ideia aos poucos.

                — Tem certeza? — Ergueu seu braço direito dando espaço para um abraço. — Eu não vou morrer se minha melhor amiga me abraçar e além do mais, eu sei que você quer! — Com um movimento delicado, Nash a puxou para seu lado, deixando ela lhe abraçar.

                Star não resistiu quando foi puxada pelo seu amigo, apenas deixou ser guiada pelo garoto ao seu lado, que a trouxe perto o suficiente para sentir o forte calor emanar por todo o corpo dele. A cabeça dela repousou-se no ombro amigo, enquanto um dos braços dele a contornava por traz, abraçando-a pelos ombros e a impedindo de escapar do conforto emitido por ele. Nash já não era “O garoto estranho” como antes, agora ele era um amigo valioso, no qual, Star começava cria um afeto de irmandade semelhante ao que ele tinha por ela.

                — Você é bem quente! — Star o elogiou sentindo o calor vindo do corpo dele quando se aproximou. — Aproveitando que você está bem diferente hoje... Pode me contar uma história? — Nash virou seu rosto a olhando de um jeito estranho, em seguida ela se afastou do ombro dele tagarelando rapidamente, dando desculpas pelo pedido. — Eu sei, é infantil demais, mas é só pra me ajudar com a tempestade, não que eu esteja dando uma de criança. O que é totalmente o contrário disso, porque eu só quero ver o tempo passar até Marco e Jackie chegarem com nossos lanches e ae a gente vai pode comer e assistir filme e... Quer saber?! Esquece! — Repousou sua cabeça novamente no ombro de Nash de um jeito meio agressivo.

                O silêncio predominou antes de Nash começar a falar. — Lembra do Pantror? — Star acenou a cabeça respondendo “sim”. — Um dia eu tive que fazer uma demonstração pro meu professor o que eu aprendi nas aulas de montaria, só que eu não podia usar Pantror por que ele ainda era muito selvagem, então peguei outro unicórnio pra isso! A demonstração estava indo bem até Pantror aparecer totalmente enciumado. Ele atacou a mim e o outro unicórnio causando uma confusão enorme, o unicórnio fugiu com medo, e eu fiquei no chão com medo de Pantror me atacar, mas... ele não fez isso, ele mordeu minha roupa e me jogou em cima dele. Desde esse dia eu não conseguir montar em outro unicórnio por que Pantror sempre aparecia com raiva e o pior disso tudo, ele nem sempre deixava eu montar nele. Ficava fazendo birra, virando o rosto, fazia de tudo pra me atrapalhar e me irritar. — Nash estava se sentindo em casa com Star o escutando. — Pantror pode ser muito orgulhoso, idiota as vezes e acima de tudo desobediente, mas ele é meu melhor amigo...  Bom, ele e o Marco.

                Star permaneceu calada quando Nash parou de falar, incomodando o mesmo com tal sossego. Provavelmente ela estaria pensando em algo para falar, só não sabia o que exatamente. Nash pensou que ela teria caído no sono ou, quase isso, como sempre fez quando ele contava histórias, mas desta vez ela adormeceu mais rápido que o de costume, ele pensou.

                Com um ligeiro movimento no ombro, sacudiu a cabeça dela na tentativa de desperta-la. — Star?! Não vai me dizer que já dormiu?

                Star suspirou um pouco antes de falar. — Você tem algum lugar para ir quando as aulas acabarem? — Perguntou curiosa com a resposta.

                — O que quer dizer com isso?

                Star se afastou um pouco de Nash olhando bem no fundo dos olhos dele. — Quero dizer que se você não tiver um lugar para ir, pode comprar uma casa em Mewni e morar por lá. Você disse que tinha bastante dinheiro e eu posso mexer uns pauzinhos pra arranjar uma ótima casa por lá. Tem unicórnios, estábulos pro Pantror e você luta bem! Poderia entrar no torneio de escudeiros, e quem sabe você não se torna um cavaleiro real. O que acha?

                Star pôde sentir Nash se incomodar conforme ela falava, o que a estava desmotivando com sua proposta de arrastar um de seus amigos para Mewni, evitando ficar longe da vida divertida que teve na terra. Nash era o amigo perfeito para ficar com ela, ele não tinha por onde ir, á não ser que ele voltasse para sua dimensão, seja lá qual for.

                — Eu acho que é uma ótima ideia. — Aliviou Star criando um sorriso nela. — Mas não daria certo. Eu vou embora antes do ano novo, provavelmente antes de dezembro.

                — Você vai voltar pra casa? Sua casa?


                — Não... Não tem lugar pra mim lá. E não faz sentindo eu querer voltar. — Nash falava de um jeito tranquilo, dando esperanças a Star de convence-lo a ficar. — Eu voltaria por causa da minha irmã, mas da última vez que a vi, ela estava bem e segura.

                — Tá mais... por que ir?


                — Não quero mais falar sobre isso! — Virou o rosto para frente evitando olhar para Star, sabendo que ela não ia deixa-lo partir tão facilmente. Nash não estava triste com a decisão tomada de última hora, nem parecia que iria se arrepender, ele nem sequer hesitou quando disse que partiria.

                Star ergueu sua mão fazendo um sinal de promessa inventado por eles. — Me promete que você não vai embora.

                — Não Star. — Afastou a mão da mesma. — Eu não faço promessas que não posso cumprir.

                Tomando uma expressão enraivecida, Star força Nash não partir, usando as próprias palavras dele contra ele mesmo. — Eu salvei sua vida! E você disse que se tivesse algo pra retribuir, que não era pra eu hesitar em pedir. Já pensei no que eu quero, e eu quero que você prometa, que só vai embora quando eu disse que pode ir. Você me deu sua palavra, agora cumpra. — A voz ia estremecendo cada vez mais a cada palavra proferida, até que na última, desabou-se em medo. — Por favor.

                Nash não entendeu o porquê de Star agir estranhamente do nada, obviamente tinha um motivo por trás. Mas qual? Parando um pouco para pensar, ele e Star nunca chegaram a terminar a conversa no parque, por causa do estado febril em que se encontrava e, talvez, este seria o momento perfeito para terminar o assunto. Desde que Nash apareceu na vida de Star pela segunda vez, sem querer mudou o rumo das coisas, e os sentimentos que ela tinha por ele quando criança, estavam lá, a forçando a confiar nele o suficiente para desabafar sem qualquer razão aparente.

                 Nash se via totalmente perdido no assunto, por não saber o que causou a raiva da garota a sua frente. — Star?! O que deu em você?

                — Eu não quero perder ninguém! Meus amigos, um a um, vão tomar seus lugares na vida e eu vou ficar igual a minha mãe, tão ocupada com o reino que mal tem tempo pra ela mesma. — Abaixou sua mão lentamente, desfazendo o gesto de promessa. — Eu quero ser uma rainha exemplar, mas não quero deixar de ser eu mesma. Minha mãe vivi falando. — Imitando uma pose da Moon, ergueu o dedo imaginando dar uma bronca a si mesma. — “Star quando você for rainha, vai tomar jeito e mudar de comportamento.” — Voltou a sua postura entristecida. — Só que é isso que eu não quero... Mudar, e se tem uma coisa que me assusta mais que trovões é passar grande parte da minha vida cuidando da vida dos outros e esquecendo da minha. — Escorregou-se no sofá desistindo de pensar sobre o assunto.

                — Cuidar de um reino não é como você pensa que é. — Nash acertou um peteleco na cabeça de Star, despertando-a das ilusões. — Vai por mim, eu sei do que eu estou falando! Parece ser assustador no início, mas depois você vê que nem é tão complicado assim. Claro, você vai perder bastante tempo, mas sempre sobra tempo pra quem precisa de você.

                O garoto ao seu lado tratou do assunto complexo de um jeito tão simples, como se ele já tivesse passado por algo similar. — Você já cuidou de um reino antes?

                — Hmm... — Hesitou em responder por um tempo pensando nos três dias, os quais, ficou responsável por Mewni, como rei temporário. — Não.

                — Então você não sabe do que está falando! —
Star ficou olhando para o chão pensando como será seu reinado em Mewni.

                — Quando cheguei aqui na terra pensei que as coisas seriam horríveis, mas graças á você, Marco, Jackie e... Janna, as coisas foram incríveis, então... — Fez o gesto de promessa para ela. — Eu prometo ir para Mewni quando tudo acabar, mas só se você prometer nunca falar de mim pra ninguém, independente do quanto você confie nesta pessoa, até mesmo sendo seu pai ou... Sua mãe.

                — Você ainda tem medo de sua mãe vir atrás de você, não é?! — Star fez o gesto selando a promessa. — Eu prometo! — Disse ela olhando para seu amigo.

                — Eu prometo! — Disse Nash olhando e sentindo a delicada mão de Star tocar a sua. — Se tiver mais alguma coisa que eu possa fazer, é só pedir!

                — Na verdade... Tem sim! — Star empurrou Nash para o encosto do sofá, em seguida escorou-se nele. — Ta fazendo muito frio e você está bem quente, se puder ficar quieto eu gostaria de cochilar um pouco. — Apoiou sua cabeça no ombro dele.

                Levou algum tempo até Marco e Jackie voltarem da lanchonete com os lanches ainda quentes em mãos, Marco foi para a cozinha pegar pratos e Jackie, por sua vez, foi para o sofá se aquecer no cobertor, onde se deparou com Star e Nash cochilando escorados um no outro. A cena estava encantadora demais para ela atrapalhar, então preferiu não interromper o sono de ambos, a mesma se aconchegou do outro lado do sofá já sentindo seu corpo sugar o calor acumulado de baixo do cobertor, mas o frio lá fora foi tão intenso, que seus pés e mãos precisavam de mais calor, foi ae que ela teve uma ideia tão maligna que nem os piores dos demônios pensariam algo semelhante. Nash estava quente e com calor de sobra emanando do corpo, ainda mais com Star grudada nele.

                — Nash... — Sacudiu ele algumas vezes com seu pé. — Nash acorda, o cara de armadura chegou com sua comida. — Riu da própria piada. — Ok! Se você não que acordar por bem, vai acordar por mal e eu ainda saio no lucro.

                Jackie usou os pés para levanta cautelosamente o moletom de Nash para não o acordar, e o tocou com os mesmos pés gélidos aproveitando o calor do corpo dele para se aquecer. Não demorou e Nash sentiu um frio cortante perfurar sua pele a altura do rim esquerdo, e com a terrível sensação, despertou se entortando para o lado de Jackie.

                — Ahh, mas que diabos é isso?! — Puxou os pés da Jackie para cima, derrubando-a no sofá. — Jackie... Você colocou seus pés gelados em mim?

                — Põem de volta, põem de volta, põem de volta. — Sacodia seus pés, os desprendendo de Nash. — Qualé Nash, estava tão gostoso!

                — Não! — Gritou com medo do frio impregnado nos pés de Jackie.

                A agitação e gritaria dos dois acabou acordando Star subitamente. — O que está acontecendo aqui? — Perguntou se inclinando para frente, a fim de ver os dois.

                — Jackie colocou os pés gelados em mim! — Nash respondeu apertando o moletom para não ocorrer outro ato de maldade. — Doeu tanto que até minha alma saiu do corpo.

                — Ae?! — Star olhou para Jackie e depois puxou os braços de Nash, impedindo-o de se defender. — Rápido Jackie, coloca de novo!

                 — Com prazer! — Jackie não perdeu tempo e novamente colocou os pés no abdômen de Nash, fazendo-o gritar de agonia. — Aguenta Nash, já vai passar.

                — Vocês têm ideia do quanto isso é horrível?! Parem por favor. — Como irmão de Star, Nash conhecia os pontos fracos dela.

                Star prendeu os braços do seu amigo, mas acabou deixando as mãos dele livres o suficiente para ele conseguir fazer cocegas em sua barriga. A princesa não resistiu por muito tempo e o soltou para cobrir sua barriga com seus braços. Nash jogou a cobertor por cima da Jackie e a prendeu com ele no sofá, ficando livre da maldade das meninas.

                — O que pegando aqui? — Marco perguntou com os lanches em uma bandeja.

                — Jackie e Star estavam tentando me matar da pior maneira possível. — Nash argumentou fazendo um drama exagerado da sua parte.

                — Marco, rápido, coloca suas mãos nas costas de Nash. — Jackie gritou. — Ele tá bem quente e a sensação e como se tivesse tocando um anjo.

                — Ew! — Nash soltou Jackie se arrepiando por completo. — Por favor não fala de anjo perto de mim.

                — O que você tem contra anjos? — Jackie perguntou olhando para ele.

                — Uma maluca da minha dimensão me arrastava pra dimensão dela e fazia umas coisas comigo. — O cheiro da comida quente espalhou pela casa até entrar no nariz de Nash, aumentando sua fome. — Por que não deixamos isso de lado agora, pra poder comer, estou morrendo de fome.

                — Vamos comer sim! — Marco afirmou fazendo uma cara maligna. — Mas antes... Segurem ele meninas.

                Jackie e Star prenderam Nash no sofá, para Marco colocar as mãos geladas dele nas costas do seu amigo, aproveitando que ele estava totalmente diferente do que costumava a ficar. A impressão que se tinha era, que os quatros se conheciam a anos.

                — Eu odeio vocês. — Nash disse brincando logo após ser torturado com frio pelos seus amigos.

              Os quatro voltaram para o sofá enquanto comiam os lanches e assistiam filmes, marcando o final do dia cheio que tiveram, cada com histórias para contar. A Zeus, espada lendária e de um poder cuja a origem é misteriosa, vibrava sobre a cômoda causando toda essa tempestade com o poder que lhe restava.


Notas Finais


Já ia me esquecendo, minha mesa digitalizadora está vindo e eu vou poder trasformar essa fanfic em uma comic, vai demorar, mas não vou desistir. A comic vai ter mudanças, mas o final e os pontos principais vão ser os mesmo.
Provavelmente vou posta-la lá pro final do ano, se possivel antes da série voltar.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...