História A exceção - Capítulo 1


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Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Kim Jun-myeon (Suho), Oh Se-hun (Sehun), Park Chan-yeol (Chanyeol)
Tags Seho
Visualizações 313
Palavras 17.695
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Fluffy, Lemon, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, seguimores!
Gente, como eu odeio bloqueio criativo... Aff! Consegui parir essa SeHo só na força do ódio, (e amor por esse couple lindíssimo. Junmyeon e Sehun almas gêmeas e quem discorda, discorde aí na sua casa. Brincadeirinha).
Boa leitura pra quem tiver coragem de ler essa coisa gigante, (que devia ter ficado maior, mas sou preguiçosa). 💛

Capítulo 1 - Único: A única exceção


Respira e inspira. Respira e inspira. Respira e...

— Inferno.

Inspira.

Junmyeon fechou o notebook com força, se arrependendo logo em seguida, pensando se havia quebrado o computador. Sua vida estava naquele aparelho velho. Seus trabalhos da faculdade, seu material de estudo, e o seu livro inacabado. Um livro que estava sendo escrito há um ano, quase mofando na área de trabalho. Se quebrasse aquele notebook... Daria adeus aos seus documentos mais importantes. Afinal, não teria dinheiro para consertá-lo, porque o salário que ganhava com o estágio, sendo um professor da educação infantil, dava apenas para pagar o aluguel do apartamento, se alimentar, e claro, não esquecer os boletos que sempre venciam sobre a mesa da cozinha. Era complicado, mas podia ser mais complicado. Poderia não fazer uma faculdade e não ter um estágio, poderia não ter nascido com o dom da escrita e suas chances de se tornar milionário e reconhecido pelo mundo seriam zero. Poderia ser muito pior. Dava para aguentar.

A cafeteria da esquina onde Junmyeon estava se encontrava lotada, o que estava irritando-o profundamente. Sexta de manhã. As pessoas deveriam estar mais calmas pelo fim da samana, quem sabe em casa, tomando café sem pressa em ir trabalhar, estudar ou fazer qualquer outra coisa que não era da conta de ninguém. Ou dormindo, de preferência. Mas, aparentemente, todos os cidadãos daquele bairro pareciam ter ido parar naquele lugar pequeno, onde o Kim tentava ao máximo terminar de escrever o seu livro.

Estava com um problemão.

Inspiração: Ok. Tempo livre: Ok. Lugar silencioso: Nada ok.

Junmyeon não tinha vizinhos civilizados. O casal do apartamento da frente discutia quase todos os dias, aos gritos. Os universitários do andar de cima tinham uma banda que ensaiava noite sim, noite não. A síndica do andar de baixo adorava arrastar móveis e fazer faxina todo o tempo.

Aquele escritor frustrado precisava de um lugar para escrever e terminar o bendito — ou maldito, dependendo do ponto de vista — livro.

Estava quase pronto, na verdade. Inacabado, sem um fim, mas ele já havia mandado a sinopse e alguns capítulos para algumas editoras, recebendo respostas negativas em troca. Com o coração na mão e a ansiedade dando as caras, Junmyeon corria para pegar o celular e checar o e-mail sempre que ouvia o barulho de alguma notificação. Com pesar e o lábio inferior sendo mordido por pura ansiedade, lia as respostas das editoras. Algumas diziam que não estavam recebendo originais no momento, outras nem sequer o respondiam. E depois disso, Junmyeon parava de escrever, até se lembrar que a sua história precisava de um desfecho.

Mas como o livro teria um fim se o coitado não tinha um lugar quietinho para escrever, onde só pudesse ser ouvido o barulho dos seus dedos batendo nas teclas do teclado e a saliva passando pela garganta quando não sabia qual palavra usar?

Foi na noite passada que Junmyeon decidiu que, na manhã seguinte, iria até a cafeteria da esquina, — aquela que ficava no fim da rua onde morava, onde só havia entrado uma única vez para comprar um cupcake que estava paquerando há dias — ele só não esperava que o lugar fosse estar tão cheio e barulhento.

Ainda assim, não desistiu. Respirou e inspirou novamente, abrindo o notebook com calma, recuperando o resto da paciência que tinha.

Os dedos dançaram levemente por cima das teclas, sem realmente tocá-las. Tentou ao máximo, por alguns segundos, se concentrar na cena onde o soldado do exército nomeado como C-61, implorava, de joelhos, por ajuda, ao soldado X-10, do grupo inimigo. 

Junmyeon digitou o começo de um diálogo dramático, gostando do que estava criando. Um sorriso brotou automaticamente nos lábios, até perceber que mil palavras já haviam saído. Depois, sentiu a boca seca. Precisava de mais um copo de café.

Era louco por café. De todos os tipos. Café com leite, Macchiato, Capuccino... O engraçado era que adorava aquela bebida preta e quente — ou gelada, às vezes — e que, mesmo assim, nunca havia entrado na cafeteria onde estava agora. Em algumas horas, ela havia se tornado um lugarzinho muito atraente aos seus olhos — se não fosse pelas vozes de inúmeras pessoas ecoando pelos seus ouvidos e bagunçando sua mente, é claro.

Os dedos doloridos foram até o rosto e esfregaram os olhos por baixo dos óculos. Estava com sono, mas precisou acordar cedo. Parecia tudo tão simples. Acordar, ir ao estabelecimento, pedir um copo grande de café e escrever. O lugar foi enchendo aos poucos e o seu plano de terminar o livro ainda naquela manhã tinha ido por água abaixo.

Derrotado — e querendo mais do que tudo tomar mais café, Junmyeon se virou na cadeira e levantou o braço. Péssima ideia. O membro esbarrou em um homem de terno marrom com uma xícara na mão, e todo o líquido preto e quente havia ido parar em cima da sua mesa.

De olhos arregalados, Junmyeon pegou o notebook e se levantou da cadeira — afinal, a última coisa que queria era se sujar. Seu dia já estava azarado o bastante para que se queimasse.

Assustado, irritado, culpado e frustrado, o rapaz levantou o rosto, abraçado com o notebook. Arrumou os óculos no rosto, que insistiam em escorregar pelo nariz de vez em quando, e encarou o homem à sua frente, mais assustado do que o próprio Junmyeon.

— Por um momento eu pude jurar que tinha destruído o que quer que você estivesse escrevendo aí.

— Bom, eu teria te matado se o café tivesse ido parar direto no meu notebook.

— Me desculpe, de verdade. Sinto muito mesmo. Foi tudo tão rápido. Você levantou o braço e eu estava distraído demais olhando o que você estava escrevendo, e...

— Como é que é? — os olhos arregalados estavam ainda maiores com o que ouviu — Você leu alguma coisa?

— Não! Bom... Algumas palavras, talvez? — riu, sem graça. A mão livre folgou o nó da gravata preta no pescoço e a outra mão, a que segurava a xícara de café vazia, colocou a porcelana com cuidado em cima da mesa suja — Sinto muito, por tudo. Posso pagar um café pra você?

Junmyeon juntou as sobrancelhas, definitivamente muito irritado. O engomadinho tinha sido desengonçado, atrapalhado a sua concentração, derramado café na sua mesa, e ainda leu o que estava escrevendo. E agora queria pagar um café para si? Tudo bem, ele não estava sendo cínico por estar sorrindo com simpatia, o problema mesmo era o universitário, frustrado o bastante com a própria vida para descontar até em uma pedrinha no meio da rua.

Ele coçou a cabeça e andou até outra mesa quando uma pessoa responsável pela faxina começou a limpar a que ocupava anteriormente. O engomadinho o seguiu, parecendo bastante preocupado.

Já sentado em uma mesa limpa, ainda com o notebook são e salvo nos próprios braços, Junmyeon se acalmou e olhou de baixo o homem parado em sua frente.

— Quer se sentar?

Mais do que rápido, o desconhecido ocupou a cadeira da frente e desatou a falar.

— Por favor, me deixe pagar um café pra você, como uma forma de você me desculpar. Atrapalhei você e, por sorte, não estraguei o seu notebook. Se isso tivesse acontecido, eu compraria outro pra você.

Junmyeon riu. Riu de verdade. E pela primeira vez no dia.

— Sinceramente, cara? Isso não teria sido ruim. Essa coisa tá tão velha que eu definitivamente preciso de um novo, mesmo que pra isso alguém tenha que derramar café nele. Ah, não. Esquece o que eu disse. Eu perderia todos os meus arquivos. Ou não. Não entendo de tecnologia. Talvez desse pra salvar. Enfim. Você não precisa me pagar café nenhum, afinal, o café derramado foi o seu.

— Tem razão. É bom encontrar uma pessoa otimista. — respondeu, depois de um tempo — Não que eu tenha sido falso com a história de pedir desculpas, mas... Pra falar a verdade, eu queria saber o que estava escrevendo.

— E por que isso te interessa tanto?

— Porque sou dono de uma editora, e sempre estou procurando novos escritores.

Junmyeon precisou de alguns segundos para digerir aquela informação.

O engomadinho era dono de uma editora. O Kim era um escritor, que estava procurando uma editora, para lançar o seu livro. O destino era mesmo hilário.

Sem parecer desesperado por uma chance, engoliu com dificuldade a saliva e colocou devagar o notebook sobre a mesa, passando a ver o desconhecido com outros olhos. Ele estava mordendo o lábio inferior, nervoso, e os fios ruivos acobreados estavam arrepiados. As bochechas estavam meio coradas do sol, pelo dia ensolarado, ainda que ele parecesse ter dinheiro suficiente ao ponto de andar de carro com um motorista particular.

— Ah... — foi só o que saiu — Uau, dono de uma editora? Isso é... Interessante.

— Parece que você esqueceu do incidente com o café. Não vejo mais um pingo de irritação no seu rosto.

Junmyeon abaixou o olhar, querendo mais do que tudo um café para que engolisse o líquido quente, queimasse a língua e ficasse de boca fechada. Se estragasse tudo e perdesse aquela oportunidade preciosa que o universo havia colocado em suas mãos não se perdoaria jamais.

— Foi mal, cara, eu... Eu tô desesperado pra publicar o meu livro. Não quero me aproveitar de você, tá? Sério. Não sou interesseiro ou algo assim. E eu ainda tô irritado, se quer saber. Você tirou a minha concentração.

— Imagino que sim.

Ficaram em silêncio.

Junmyeon estava prestes a abrir o notebook novamente para se livrar do constrangimento, até que o ruivo voltou a falar, com um sorriso de canto. Ele parecia se divertir, e o escritor não entendia o motivo do divertimento, quando seu coração estava acelerado de ansiedade e nervosismo. Nada bom.

— Vamos começar de novo, tudo bem? Meu nome é Oh Sehun. — estendeu a mão, e o rapaz, surpreso e rápido, logo a apertou, a boca se abrindo de novo.

— Kim Junmyeon.

— É um prazer. Você é escritor?

— Hm, não sei. Escrevo há algum tempo, mas dizer que sou um escritor é demais.

— Não se acha suficiente?

— O que é isso? Uma sessão de terapia?

Sehun levantou as sobrancelhas, abismado com o atrevimento, mesmo que o sorriso de canto ainda estivesse presente.

A boca de Junmyeon se abriu ainda mais e ele se encolheu, xingando baixinho. Abriu o notebook e escondeu o rosto atrás da tela. Ouviu Sehun rir.

— Você é a primeira pessoa no mundo que fala comigo dessa forma.

Aos poucos, o escritor percebeu que:

1) Sehun era um engomadinho irritante.

2) Provavelmente se achava o dono do mundo — e talvez fosse mesmo.

3) Quando ele sorria, os olhos se fechavam, e aquilo era fofo.

4) Apesar de Sehun ser irritante, ele não conseguia se irritar.

Tentou ao máximo não grunhir. E, respirando fundo, fechou novamente o notebook. Sem trocar olhares com Sehun, que o encarava curioso, Junmyeon levantou a mão, pronto para pedir outro café, mas o homem se levantou da mesa e foi até o balcão, fazendo Junmyeon desistir. Quando voltou, disse:

— Pronto, pedi dois cafés. Um pra mim, outro pra você. Pedi puro, espero que não se importe.

— Não me importo. — respondeu baixinho. Fechou os olhos e tentou agir como um adulto. Era quase um. Vinte e dois. Estava quase lá — Não me considero um escritor quando nem mesmo tenho um livro publicado.

— É, mas você escreve. Isso já o torna um escritor.

— Pode ser. — deu de ombros, não querendo discutir. Sabia que não ganharia a briga — Então... Você é dono de qual editora?

— The Oh’s Company.

Junmyeon já estava cansado de arregalar os olhos.

— The Oh’s Company? — tentou não gaguejar — Já mandei o meu original três vezes pra lá, e a única coisa que eu recebo é uma mísera resposta automática.

— Nós recebemos muitas propostas, peço desculpas por isso. Sobre o que você escreve?

— Ficção científica. Bom, esse é o meu primeiro livro. Só agora tive tempo de escrever, a faculdade não me deixou escolha.

— O que cursa?

— Letras.

— Ah, você é definitivamente um escritor.

Junmyeon se encolheu novamente, e finalmente os cafés chegaram. Ele avançou na sua xícara e tomou devagar, sentindo a língua arder.

— Gostaria mesmo de ver o que você escreve. Pode me mandar o original?

— Não tá terminado.

— Quero ver mesmo assim. Parecia tão concentrado antes do incidente. Fiquei curioso.

— Claro. — disse, tranquilo, mesmo que o coração batesse forte e as mãos estivessem geladas — Mas não vai adiantar muito, vai? Vou receber uma resposta automática e só.

— Não. Quero que mande pro meu e-mail pessoal. Vou ler o livro, avaliar, e, se for bom, a editora vai publicar.

— Por que isso?

Sehun tomou mais um gole de café, finalmente desviando os olhos. Deu de ombros.

— Não sei. Gostei de você. Acho que tem um dom e vai se dar bem com a minha editora. Juro que não é por causa da cara de intelectual.

Os dois riram, mais relaxados.

— Tudo bem, eu mando. — conseguiu sorrir, animado demais. Nem mesmo conseguia se controlar — Nossa, isso é surreal. Sem querer me gabar, mas tenho certeza que vai curtir a história.

— Tenho certeza que sim. — se levantou, entregando o celular moderno a Junmyeon — Anote o seu número e salve. Vou falar com você mandando o meu e-mail.

Com as mãos trêmulas, o escritor fez o que lhe foi pedido, e não negou a si mesmo que ficou triste quando Sehun estava mesmo prestes a ir embora. Ele era irritante, talvez meio egocêntrico, mas sabia que era errado julgar um livro pela capa — no caso, uma pessoa sem conhecê-la. Talvez o ruivo só estivesse sendo profissional.

— Vou pagar o café. Nos falamos depois, então?

Sem conseguir falar, Junmyeon assentiu com a cabeça e observou cada passo de Sehun. Ele era muito elegante. Andava com leveza, despreocupado. E saiu andando da loja, pela rua. Talvez ele não tivesse um motorista particular.

Minutos depois, a ficha de Junmyeon caiu. Ele realmente tinha conseguido uma chance de ouro de publicar o seu livro. A chance de dar certo era grande, afinal, tinha falado diretamente com o dono da editora. Seu número estava no celular dele. Não conseguia se imaginar sendo rejeitado.

 

❝❤❞

 

Sehun estava extremamente animado, e tudo por causa daquele escritor que mal conhecia.

Talvez Junmyeon fosse um garoto de ouro. Ele ainda estava na faculdade, então provavelmente ainda era um garoto. De ouro, ainda assim. Sehun jamais tiraria da mente a cena que viu quando chegou à cafeteria: Junmyeon escrevendo sem parar, nem mesmo tirando os olhos da tela para dar uma olhada nas teclas onde os dedos apertavam. Ficou tão curioso, tão interessado no que ele estava fazendo, que apressou o caixa só para ter mais tempo de falar com aquele provável escritor antes que ele desaparecesse. Deu tudo errado depois. Os dois estavam distraídos demais e o incidente com o café aconteceu. Mesmo assim, Sehun teve sorte — e até se deixou sorrir ao perceber que raramente o azar batia em sua porta — e conseguiu falar com o jovem.

Achou hilário, e até fofo o modo como ele se portava. Tinha uma língua afiada e era atrevido, mesmo que se arrependesse segundos depois. De forma alguma aquilo era ruim. Ele sabia lidar com as pessoas, mesmo quando lidar com elas não era nada fácil.

Além da animação e da extrema curiosidade, Sehun chegou ao trabalho sorrindo. Não se lembrava a última vez que um escritor o havia deixado alegre. Pior, um escritor que não conhecia. Talvez sua intuição estivesse certa novamente, talvez Junmyeon fosse mesmo um garoto prendado, preparado para fazer sucesso mundialmente.

A intuição de Sehun nunca falhava. Ele sabia quem eram os melhores escritores apenas em olhar para eles. Não era à toa que sua editora era uma das mais cobiçadas, e não só para quem quisesse publicar livros, mas para trabalhar no interior do lugar também. Quem estava ali era por mérito, nada de indicação ou nepotismo.

Byun Baekhyun, o editor-chefe, estava na The Oh’s Company desde que esta havia sido fundada. Atualmente era o melhor amigo de Sehun e, em hipótese alguma admitiria para si mesmo que era apaixonado por ele. Possuíam uma boa relação, de chefe e funcionário, e estava naquele cargo porque Sehun confiava em si, e porque conseguia ler um livro de trezentas páginas em dois dias, além de ser muito bom com as palavras, fora o carisma que exalava quando conversava com os autores. Baekhyun era realmente muito eficiente. E, por ser o amigo mais próximo de Sehun, foi para ele quem o Oh ligou assim que chegou em sua sala.

— Me chamou? — perguntou, só a cabeça aparecendo na porta. Àquela altura, o coração já estava acelerado. Trabalhava com Sehun há tanto tempo, e mesmo assim nunca se acostumaria olhar ele nos olhos e falar com ele normalmente.

— Sim! Entre, Baek, tenho uma novidade.

Educado e silencioso, Baekhyun entrou com uma prancheta e uma caneta nas mãos e sentou-se em frente ao chefe. Os cabelos platinados caiam pela lateral do rosto, e o casaco preto de gola alta o deixava charmoso. Era muito elegante — às vezes porque gostava de se sentir bonito, em outros momentos porque queria impressionar Sehun.

— Qual? — o olhou nos olhos, mais calmo. Era mais fácil falar com ele sobre trabalho do que sobre assuntos banais.

— Conheci um escritor hoje, numa cafeteria. — começou, com um sorriso enorme, contagiando Baekhyun, que abriu outro na mesma intensidade — E tenho certeza de que o garoto se encaixaria aqui.

— Garoto?

— É, acho que sim. Não pude ficar muito tempo, precisei vir trabalhar. Ele ainda está na faculdade, mas tem um livro, e eu acho que a história é cativante. Você precisava ver o jeito como ele escrevia. Tão rápido, tão apaixonado.

— Pegou o contato dele?

— Claro! Acha que eu sou bobo? Ele vai me mandar o original, pro meu e-mail pessoal, já que o e-mail da editora vive tão cheio que mal conseguimos lidar.

— Recebemos muitas propostas, você sabe.

— Eu sei disso. Não é ruim, só precisamos... Nos organizar um pouquinho.

—  Quer fazer isso agora?

Sehun sorriu, carinhoso.

— Gosto do quão eficiente você é, Baek, mas hoje não. A partir de agora quero me concentrar em Kim Junmyeon.

— Nome forte. Vou anotar.

O editor escreveu em sua prancheta as informações que lhe foram dadas, e Sehun ligou o computador.

— Posso ir ou ainda precisa de mim? Tenho que lidar com alguns autores. A Sra. Kang não está se dando muito bem com o nosso revisor.

Sehun soltou uma risadinha.

— A Sra. Kang é fofa, e muito talentosa, mas muito teimosa também. Pode ir, Baek, qualquer coisa...

— Você me chama, eu já sei.

Trocaram sorrisos, como se pudessem ler a mente um do outro — o que era quase possível, depois de tantos anos convivendo juntos.

O Byun saiu da sala feliz. Os melhores dias eram quando conseguia ter uma conversa com o chefe onde não gaguejasse. Geralmente Sehun causava aquele tipo de reação nas pessoas — até com Junmyeon, que era atrevido até com ele mesmo, na frente do espelho.

A concentração do Oh foi voltada exclusivamente ao seu celular. Não perdeu nem mais um segundo e mandou o seu endereço de e-mail para Junmyeon. Queria que ele enviasse o original o mais rápido possível.

Sendo bem sincero, quem deveria cuidar de tudo aquilo era Baekhyun. Era ele o responsável pelo contato com o autor, — além de tantas outras funções — contudo, estava interessado o bastante no rapaz e em sua futura carreira. Infelizmente, nem mesmo ele, sempre tão esperto e inteligente, conseguia entender o porquê de toda aquela euforia.

 

❝❤❞

 

Número desconhecido [9h30]

Bom dia, Junmyeon. Aqui é Oh Sehun. Espero que se lembre de quem sou eu. Caso não lembre, sou o fundador de uma das maiores editoras do país. Você deve estar grunhido nesse exato momento, sei que me acha egocêntrico, vi nos seus olhos, haha.

Espero que leve isso na esportiva.

Meu e-mail estará na próxima mensagem. Por favor, envie o seu original o mais rápido que puder.

Até breve.

 

De fato, Junmyeon estava grunhindo, quase rosnando como um cachorro irritado. Por um momento, se perguntou se era uma boa ideia tentar a sorte com Sehun. Ele era um engomadinho que se achava muita coisa — o que não era uma mentira, se parasse para pesquisar na internet e ler algumas revistas de famosos.

Sehun era mesmo muita coisa. Poderoso, influenciador, rico, educado, bonito.

Seria um idiota completo se deixasse aquela chance passar somente porque achava Sehun um metidinho.

Agora, além de irritado, ficou também ansioso. Estava no meio da aula de Literatura Estrangeira, com um professor grosso e nada fácil. Se ao menos não tivesse se atrasado para aula, podia ter tido um tempo de conversar com Chanyeol.

A manhã havia começado bem, — tirando o incidente com o café — mas, de alguma forma, Sehun com sua proposta e educação o fez se esquecer de toda aquela bagunça. O que importava agora era que publicaria o seu primeiro livro e sua carreira decolaria — estava confiante.

Para não deixar o dono da editora sem resposta, Junmyeon escondeu o celular atrás da bolsa e digitou algumas palavras, respirando fundo e se controlando para que não parecesse malcriado com, provavelmente, seu futuro chefe.

As palavras saíram sem que precisasse olhar para o teclado — tinha experiência o bastante em digitação para não precisar encarar as teclas enquanto digitava.

 

Kim Junmyeon [9h38]

Oi, Sehun. Eu lembro de você, afinal, como não lembrar? Você derramou café na minha mesa.

Envio o livro à noite, quando eu não estiver ocupado. Ou de tarde, se eu tiver um tempo livre no estágio.

E... Valeu pela oportunidade.

 

Quando a aula terminou, os alunos suspiraram aliviados e, antes que Chanyeol saísse correndo da sala para que fosse dormir a tarde toda em casa, Junmyeon o segurou pela manga da jaqueta jeans.

— Espera aí, apressadinho.

— O que foi? Tô morrendo de sono.

— Tenho que te contar uma coisa.

A mãe de Junmyeon passou uma vida aconselhando o filho para que ele mantivesse seus sonhos e desejos mais preciosos guardados a sete chaves, para que ninguém colocasse olho gordo e tudo acabasse dando errado. Aquilo só não funcionava com Park Chanyeol, melhor amigo do escritor. O rapaz sabia enaltecer o Kim. Fosse pelo talento, pela aparência... Por fim, era a pessoa que mais torcia pelo sucesso dele.

Em poucas palavras, contou ao amigo o que havia acontecido mais cedo. Quando terminou, Chanyeol estava com aquela expressão que deixava Junmyeon um pouquinho apavorado. Ele tinha um sorriso tão grande que quase todos os dentes apareciam.

— Caralho, isso é incrível!

— É, não é? — abriu um sorriso, menor, é claro, meio inseguro — Então... Eu espero que dê certo dessa vez. Não quero receber mais uma resposta negativa. É cansativo.

— Isso não vai acontecer. O cara ficou interessado em você, isso já é um grande passo. Envia o livro assim que tiver um tempo, até mesmo de dentro do ônibus, quando for trabalhar. Só faz isso logo.

— Tá, pode deixar.

— Beleza, tô indo. Bom trabalho.

— Tchau.

Pelo que parecia, o universo estava trabalhando ao seu favor. O ônibus passou rápido e ele chegou cedo na escola. Na sala de aula, alguns alunos tinham faltado. Junmyeon então decidiu passar uma simples atividade e deixou que as crianças brincassem.

Era professor de crianças, mas esse não era o seu sonho. Sua vontade mesmo era trabalhar com a sua escrita e nada mais. Enquanto não dava certo, o salário que ganhava dava para pagar o aluguel e tentar não deixar as contas passarem da validade, fora que a sua turma o adorava, principalmente Hana, uma menininha de seis anos encantada pelo professor. Achava que ele era uma das melhores pessoas no mundo, porque era carinhoso e tinha bochechas macias de apertar. Além do mais, ele era bom em contar e ler histórias. Hana, que morava com os avós, sentia como se Junmyeon fosse... Um pai.

Com as mãos trêmulas, Junmyeon ligou o notebook e verificou o arquivo do seu livro. Não estava revisado, nem mesmo estava terminado, mas havia sessenta mil palavras escritas ali, já era alguma coisa — muita coisa.

Tratou de enviar o e-mail rapidinho, não deixando de colocar em observação que o livro não estava terminado e que provavelmente haveria erros. Esperava que Sehun focasse apenas na história.

No fim do dia, as crianças foram liberadas. Junmyeon estava prestes a ir embora, depois de se despedir de cada uma, quando Hana correu até ele, com os cabelos balançando pelas costas. O professor riu e andou até ela. Hana levantou os braços pequenos e apertou as mãozinhas uma na outra, praticamente implorando que Junmyeon se ajoelhasse. E ele o fez. Era doido pela menininha.

— Tio Junmyeon! Hoje você estava tão quietinho... Estava triste?

— Claro que não, meu bem. Só... Precisei resolver algumas coisas de adulto.

— Então... Segunda você vai brincar comigo?

Junmyeon riu, se sentindo... Amado. Era estranho ser tão importante para alguém, mas era bom. Muito bom.

— Prometo de dedinho que segunda eu brinco com você e com a turma.

— Eba! — ela abriu um sorriso, alguns dentinhos faltando. Os dois entrelaçaram os dedos mindinhos e ela riu, o indicador pequeno levantando os óculos do professor, que insistiam em escorregar pelo nariz — Até segunda!

E ela se foi, deixando um Junmyeon bobo, com um sorriso enorme e de bochechas vermelhas.

De noite, quando o escritor chegou ao apartamento pequeno e bagunçado, se jogou no sofá, exausto, agradecendo mentalmente pela semana já estar no fim. 

Retirou os óculos e fechou os olhos, desejando dormir só um pouquinho até criar coragem para tomar banho, jantar, e, quem sabe, terminar o livro. Mas, segundos depois, antes que conseguisse de fato cochilar, sentiu o celular vibrar dentro da bolsa. Correu para pegá-lo e o coração parou por um momento quando viu o número desconhecido na tela, sabendo muito bem quem era. Riu ao saber que Sehun ficaria chateado por não ter salvado o seu número mais cedo.

O coração voltou a bater rápido e dolorido. Sehun o deixava nervoso. Ele era intimidador. E, pior, ainda estava avaliando o seu livro. Era impossível não se sentir nervoso com ele.

Voltando à realidade, Junmyeon percebeu que ficou tempo demais encarando o celular com a tela trincada. Havia perdido a ligação.

— Merda...

Fechou os olhos com força, irritado. Estava agindo como um idiota.

Com o sono perdido, se levantou e decidiu tomar banho, deixando o celular com o volume alto para que não perdesse mais nenhuma ligação.

Jantou, sentindo o corpo relaxado pela água quente que havia batido na pele, e o pijama confortável no corpo melhorou toda a sua situação. Era bom quando o dia era corrido e conseguia descansar quando chegava ao apartamento.

Depois da janta, ficou deitado no sofá até tarde da noite, sem coragem para terminar o livro. Ficou assistindo novela na TV até que estivesse caindo de sono.

Foi quando decidiu se levantar do sofá para ir dormir na cama de solteiro — que parecia mil vezes menos confortável do que o sofá macio — que Sehun ligou novamente. Dessa vez, Junmyeon agarrou o celular e atendeu em poucos segundos.

— Alô! — a voz estava ofegante. O sono tinha sumido.

— Oi, garoto. Aqui é o Sehun.

— Oi... Desculpa não ter atendido mais cedo. Tava ocupado. — mentiu. Como falaria que não atendeu a ligação por puro nervosismo? Sehun o acharia um bobalhão.

— Tudo bem, sem problemas.

— Leu o livro? Quer dizer, começou a ler? Já que não tem como ler sessenta mil palavras em uma tarde.

— Na verdade, conheço alguém que conseguiria fazer isso, mas não eu. Se quer saber, comecei a ler...

— E...

— Quer saber se estou gostando?

— Para de enrolar, cara. Apenas fale.

— É uma das melhores histórias que eu já li. É original. Nunca li nada igual ou parecido. Não terminei de ler ainda, mas pode se considerar um autor da The Oh’s Company.

Junmyeon ficou um bom tempo parado, em pé no meio da sala. Queria gritar de felicidade, mas a voz não saía. Estava em êxtase.

— Não desmaiou, certo? — Sehun voltou a se pronunciar — Posso falar mal do livro agora mesmo se for fazer você voltar à vida.

— E-Eu tô aqui. É só que... Nossa, eu nunca tinha escutado algo assim sobre o que eu escrevo. É difícil de acreditar.

Foi a vez de Sehun ficar em silêncio. Ele parecia sorrir quando falava. Sempre. Na verdade, Junmyeon não se lembrava de tê-lo visto sério.

Estava pensando, e Junmyeon cogitou chamá-lo, mas não sabia direito como deveria se dirigir ao outro. Só Sehun estava bom? Quem sabe Sr. Oh? Ou Sr. Sehun?

Estava realmente muito nervoso com aquele cara.

— Podemos fazer uma chamada de vídeo?

O rapaz estava cansado de sentir o coração falhar. Qualquer hora desmaiaria para valer.

— Chamada de vídeo? — não estava lá tão desarrumado. Os cabelos úmidos estavam bem ajeitados, e não era como se o Oh fosse infantil o bastante para comentar sobre o seu pijama azul com foguetes espaciais.

— Sim. Se não tiver problema pra você. Sei que já é tarde, mas quero falar sobre o livro.

O escritor se animou.

— Nenhum problema. Vou ligar o notebook e nos falamos por Skype, pode ser?

— Certo. Ligo pra você daqui a pouco.

Apesar de achar a própria aparência razoável, Junmyeon passou novamente o pente pelos fios molhados. Colocou os óculos no rosto e sentou-se sobre a cama, com o notebook em sua frente. Ainda se olhou no espelho para ver se estava agradável. Então, esperou que Sehun ligasse. Quando ele finalmente ligou, respirou fundo e aceitou a chamada.

Ficou longos segundos olhando Sehun na tela. Ele estava tão... Simples. Não usava terno e estava sorrindo de canto como sempre — como se estivesse sempre feliz. Os cabelos ruivos eram o que chamava a atenção no local escuro. Talvez ele não usasse camisa. Se o local não estivesse tão escuro, daria para ter certeza.

Tratou de fechar a boca antes que deixasse a baba cair. Sehun podia ser um engomadinho irritante, mas era bonito. Podia ver que os ombros eram largos e os bíceps malhados.

— Olá, meu escritor favorito.

Junmyeon revirou os olhos. Ordenou mentalmente para si mesmo para não abaixar o olhar, ficar envergonhado e corar. Daria adeus à sua dignidade se corasse. A luz do quarto estava acesa, então não teria como disfarçar.

— Não sou o seu escritor favorito.

— Ah, você é sim. E como é! Eu ainda estou abismado com esse livro. De onde surgiu tanta criatividade?

— Gosto de ficção científica. Assisto filmes, leio sobre o assunto. As ideias vão surgindo aos poucos e... Você sabe o resto.

— Sei.

— Você também escreve?

— Não. Quer dizer, não que eu não aprecie escrever, mas eu prefiro mergulhar na leitura.

— É bom da mesma forma.

— Concordo. Mas não mude de assunto. Ainda não terminei de ler. Passei a tarde toda lendo, revisando. Nunca me apaixonei tanto por uma história.

Tarde demais. Junmyeon abaixou o rosto, e os óculos caíram. Se deixou sorrir, leve, pequeno, mas o rosto ficou quente, de pura timidez.

— Idiota. — resmungou.

Levantou a cabeça, arrumou os óculos e decidiu agir como um adulto.

— Você não é idiota. Ou, espera... Você me chamou de idiota? — perguntou o Oh, ofendido, mesmo que o sorriso ainda estivesse lá.

— Não! Eu... Esquece. Olha, valeu. Valeu por gostar da história. É bom ouvir isso pela primeira vez.

— As outras editoras não sabem o que perderam.

— Hm... Perderam? No passado mesmo? Isso significa que... Você quer mesmo publicar o meu livro? Não é pegadinha?

— Quero você como um autor da minha editora, Junmyeon. Você aceitando ou não, essa história já é minha.

As palavras aqueceram o coração dele.

Nunca achou que aquilo fosse mesmo acontecer.

De repente, Sehun não parecia tão irritante e egocêntrico. Ele parecia... A melhor pessoa do mundo. E não só por ele estar dando uma chance para si, mas porque parecia estar sendo sincero. Sentia que Sehun estava mesmo sendo verdadeiro. Estava sendo genuíno ao dizer todas aquelas palavras, podia ter absoluta certeza. Não era uma questão de ego, por mais que soubesse que escrevia muito bem, Sehun só estava sendo... Humano, e não um robô de cabelos vermelhos usando um terno.

— É claro que eu aceito. — disse baixinho. Não encarava Sehun, nem a tela do notebook. Olhava para as próprias mãos.

— Podemos marcar uma reunião? Eu, você e a minha equipe? Quando tem um tempo livre? Ah, antes que eu me esqueça, envie no meu e-mail, por favor, algo sobre você. Idade, o que faz, o que te motiva a escrever, se já publicou algo. Normas da editora, você entende.

— Uhum! Envio. Hoje mesmo. Sobre a reunião... Quando quiser. — o olhou pela tela. Estava em um estado meio letárgico, sem saber direito como agir. Estava feliz, com esperanças. Nunca tinha sentido nada daquilo. Nunca — Amanhã, depois, qualquer dia. Estarei lá.

— Então... Segunda? — ele nunca hesitava, com nada, nenhuma palavra, nenhuma decisão — Às 10h?

— Claro, ótimo. Assim não preciso faltar o estágio à tarde.

— E eu posso buscar a minha sobrinha na escola no fim do dia. Então, perfeito. Passo o endereço por mensagem. Provavelmente vou ficar toda a madrugada terminando de ler “Ultrassecreto”. Nome forte. Ainda estou abismado com tanta criatividade.

— Você se acostuma. — disse, sorrindo. Estava bobo. Além de Chanyeol, Sehun gostava do que escrevia. Aquilo era demais para si. Bocejou depois de rir sozinho.

— Boa noite, garoto. Vejo você depois.

— Boa noite... Hm... Como eu devo te chamar? Sr. Dono do Mundo ou só Sehun?

Sehun gargalhou. A cabeça tombou para trás. A risada foi tão alta que contagiou Junmyeon e ele também riu. Por alguns segundos, os dois riram, juntos.

— É sério, cara. — disse, depois que se acalmou. A barriga estava até doendo — O pessoal da editora deve te chamar de Sr. Oh, talvez?

— Pode me chamar de Sehun.

— Beleza. Boa noite.

Junmyeon encerrou a chamada depois que Sehun sorriu de canto.

 Encarou o nada.

— Caramba... — refletiu, sozinho. Estava feliz, era uma verdade, mas assustado em como as coisas estavam acontecendo com rapidez e facilidade.

Aquele engomadinho apareceu do nada, derramou café na sua mesa, e era simplesmente o fundador da maior editora do país, que havia gostado do seu livro e aceitado publicá-lo.

Finalmente o universo estava ao seu favor.

 

❝❤❞

 

Sehun estava disposto a passar a madrugada acordado, mas não porque queria, não porque se forçaria a ficar de olhos abertos quando deveria descansar para aguentar o outro dia. Estava fazendo aquilo porque queria terminar de ler o livro de Junmyeon. Estava ansioso, animado. A última vez que se sentiu daquela forma fora quando Hana, sua sobrinha, nasceu, e ele se apaixonou pela bebê como se fosse sua própria filha. Sehun gostava de crianças. Era paciente e gostava de brincar feito um menino bobo. Hana era basicamente tudo para si, significava até mais que a sua própria editora.

Meia hora depois, recebeu o e-mail de Junmyeon. Ele tinha enviado o arquivo com suas informações há minutos, mas estava tão focado em cada palavra do livro que não checou a caixa de entrada.

Deu uma pausa na leitura e baixou o arquivo do garoto em seu notebook. Os olhos estavam ardendo e a cabeça começava a doer, mas não se importou, não quando sua editora estava prestes a ganhar um dos melhores escritores que aquele país conheceria.

Junmyeon, de fato, ainda estava na faculdade, mas se formaria no fim daquele mesmo ano. Estudava Letras. Não era um garoto novo como pensava, tinha vinte e dois anos. Ainda assim, era divertido chamá-lo de garoto, porque ele parecia um com os óculos no rosto, e o tamanho menor que o seu, principalmente porque, da última vez que tinham se encontrado, Junmyeon estava usando um casaco tão grande que o encolhia ainda mais. As mãos mal apareciam. Era tão fofo. Definitivamente era um garoto fofo.

Ele nunca havia publicado algo. Escreveu algumas teses e textos significativos na faculdade, mas nada se comparava com um livro. Estava claro que o sonho de Junmyeon era se tornar um escritor reconhecido. E Sehun não pouparia esforços para realizar aquele sonho.

Era estranho como se sentia... Feliz, com todas as letras, sempre que parava para pensar no Kim e em tudo que ele escondia. Sabia que ele era desconhecido aos olhos da sociedade, e nem mesmo Sehun o conhecia direito, mas, mesmo assim, se sentia tão... Eufórico, em começar a trabalhar com ele. Não queria que aquilo que estava sentindo sumisse, por isso, faria questão de trabalhar com aquele garoto — mesmo que aquele papel na editora não fosse seu, e sim de Baekhyun. 

 

(...)

 

Sehun chamou Baekhyun em sua sala certo da decisão que tinha tomado. Esperava que o editor-chefe não ficasse magoado.

Sentados de frente um para o outro, Baekhyun apertou o joelho dobrado com força. Era sempre assustador falar com Sehun. Nunca sabia o que esperar vindo dele. Ele era o seu chefe, poderia demiti-lo a qualquer momento, mesmo que soubesse que era o melhor funcionário dali. E, além do mais, ele também era a sua paixonite secreta. Esperava que um dia ele o chamasse para um jantar — e de forma alguma desejava um jantar de negócios.

Antes de começar a falar, Sehun tomou um gole do café gelado. Estava nervoso em contar aquilo para Baekhyun. Não sabia qual reação ele teria quando soubesse que faria o trabalho dele.

— Então, Baek, lembra do Junmyeon?

— Kim Junmyeon, certo? O escritor da cafeteria.

— Isso. — encarava o copo de café, o polegar indo e voltando pela borda — Eu... Vou cuidar do livro dele. — o olhou, no mesmo momento em que Baekhyun juntou as sobrancelhas.

— Por quê? Achei que eu faria isso. Tanto que terminei rápido o meu trabalho com os autores pendentes pra me concentrar nesse projeto.

— Não sei muito bem, o que é estranho, já que sempre sei o motivo de tomar certas decisões, mas... O livro desse garoto mexeu comigo. Quero trabalhar ele com o Junmyeon, entende?

— Claro. — forçou um sorriso, não compreendendo a decisão do chefe. Sentiu uma pontada de ciúmes, algo nunca sentido antes, já que o que importava para Sehun era unicamente sua sobrinha e o trabalho. Por um segundo se perguntou se Sehun estava interessado mesmo no livro ou no garoto — Claro, eu entendo.

— Ficou magoado? Sei que gosta de fazer o seu trabalho, mas... Eu preciso fazer isso.

— Sr. Oh, por favor. É o chefe, pode fazer o que quiser aqui. Não se preocupe. Tenho outros projetos.

— Que bom. Obrigado por entender.

E Baekhyun novamente sorriu, meio triste. Sehun não percebeu. Pegou o celular e digitou algumas palavras.

— Como eu te falei ontem, temos reunião hoje com o Junmyeon. Vou apresentar você, a equipe, a editora e, por fim, pedir pra ele assinar o contrato.

— O livro é tão bom assim?

— É incrível. — o sorriso ficou largo, e Baekhyun pôde jurar que os olhos estavam brilhando — Você precisa ler. Não tem um final ainda, mas vou fazê-lo terminar o mais rápido possível.

— Você aceitou publicar um livro sem saber o final dele? — tentou não falar alto, com deboche. Não queria ser o vilão da própria vida só porque estava com ciúmes de alguém que não retribuía seus sentimentos amorosos.

— Se você ler o que eu li, vai entender o que estou falando. Começamos a reunião daqui a meia hora, tudo bem?

— Tudo bem. — respondeu, a voz saindo baixa. Levantou-se e saiu da sala.

Sehun pegou o celular e olhou a mensagem que havia enviado para Junmyeon. Questionou a si mesmo se estava sendo intrometido perguntando onde ele estava, principalmente quando a reunião começaria ainda em meia hora. Não se importou muito, depois de refletir. Estava interessado na futura carreira do universitário e nada mais.

O tempo passou e a reunião estava prestes a começar. Na sala, Baekhyun conversava com o revisor e o designer, enquanto Sehun havia ido buscar Junmyeon na porta do prédio. Quando bateu os olhos nele, percebeu o quanto ele estava nervoso, inquieto, calado. No elevador, apertou a mão dele e não soltou, dando um sorriso reconfortante.

— Não fique nervoso, garoto, não há motivos pra isso.

— É impossível não ficar nervoso, Sehun. Me peça tudo, menos isso.

— Quando chegarmos à sala, você vai ficar tão animado que acabará esquecendo o nervosismo.

— E a timidez, e a insegurança, o medo...

O aperto da mão ficou mais forte. Sehun não deixou de olhá-lo, reparando o quanto ele era fofo envergonhado daquele jeito. Ficava corado com facilidade. Para Junmyeon podia ser algo ruim, mas para Sehun era algo muito adorável.

— Nós vamos conversar direitinho, e toda a equipe, inclusive eu, vamos te explicar como funciona a editora e todo o processo dela. Você vai ler o contrato durante o tempo que quiser, tirar suas dúvidas, e, falando sério, pode não aceitar a nossa proposta, se quiser.

Junmyeon assentiu. Olhou rápido para o Oh e tentou sorrir.

Sehun soltou as mãos e a porta do elevador se abriu. Depois, o escritor se sentiu outra pessoa.

 

❝❤❞

 

A mão de Junmyeon ainda estava formigando. Não fazia ideia de que Sehun podia ser tão gentil, e ter uma mão tão quente. Só olhando para ele, era de se esperar que o homem parecesse gelado. A pele era muito branca e ele sempre estava de terno, cobrindo os braços, como se sentisse frio a todo tempo. Mas, agora que suas mãos haviam se tocado, soube que ele era quente. Não sabia se era só a mão, talvez o corpo todo fosse quente também. Pensar naquilo deixava o Kim quente da mesma forma. Durante a reunião, se imaginou abraçando Sehun, o corpo dele, sem roupa alguma, e se sentiu errado. Ele era o seu chefe agora, além de ser mais velho e provavelmente hetero, — coisa que definitivamente Junmyeon não era — além de ser muita areia para o seu caminhãozinho. Torceu para que ninguém ali tivesse o poder da telepatia.

Quando assinou o contrato, nem parecia que era a mesma pessoa de sempre. Agora era um autor da The Oh’s Company, e teria o seu livro publicado, sem nem mesmo ter escrito um final para a história. Sehun estava sendo mesmo muito bondoso. 

O Kim se sentiu péssimo ao lembrar que chamou aquele cara de engomadinho egocêntrico.

— E então? Como está se sentindo?

— Outra pessoa. — não hesitou em responder, mais calmo, olhando nos olhos do Oh. Ele parecia tão animado. Os olhos estavam brilhando e não era um engano seu — É tudo tão surreal...

— É real, Junmyeon. O que achou da equipe? Ainda preciso apresentar a editora, cada setor. Você vai vir aqui muitas vezes, mas podemos trabalhar no seu livro onde você mora, ou no meu apartamento.

— Hã... O Baekhyun não é o editor-chefe? Ele quem vai cuidar do livro, não? E trabalhar direto comigo, com o autor. Não é assim que funciona?

Pela primeira vez, Junmyeon enxergou um Sehun tímido. Ele abaixou a cabeça e folgou o nó da gravata vermelha. Mas, sendo o homem maduro que era, logo estava olhando Junmyeon novamente.

— De fato esse é o trabalho dele, mas você precisa saber que eu me apaixonei tanto pela sua história que eu mesmo pretendo trabalhar com ela. E com você. Espero que não se importe.

Se sentindo envergonhado, Junmyeon fez uma careta, observando a sala do seu — agora — chefe. Não estava em condições de olhar aquele rosto bonito que estava começando a deixá-lo nervoso mais do que o normal.

Sorrindo bobo, Sehun perguntou:

— Quer conhecer a editora?

— Ótima ideia.

No meio de um dos setores, um dos funcionários chamou Sehun de “Sr. Oh”, quando ele havia dito para Junmyeon que poderia chamá-lo apenas de Sehun. Ficou confuso e decidiu pedir uma explicação. Chamar de Sehun era íntimo demais, e eles não eram nada íntimos.

— Por que o pessoal aqui te chama de “Sr. Oh” e eu posso chamar de Sehun? Não que eu esteja reclamando.

— Hm... Podemos dizer que você é uma exceção.

— O que quer dizer com isso?

— Que você é uma exceção, não é óbvio?

— Mas por que eu sou?

Sehun suspirou, impaciente. Colocou as mãos nos bolsos do terno preto, se virou para o Kim, e disse:

— Você faz muitas perguntas, garoto. Não pode simplesmente entender de primeira o que eu falo?

— Não. Você me deixou confuso. Se eu falasse que você é a minha exceção, esperaria uma explicação, certo?

— Não, Junmyeon. — estava sorrindo quando respondeu, observando a expressão irritada do outro. Era tão engraçado o fato de ele ter milhares de expressões. A preferida era quando ficava surpreso e os olhos se abriam com a boca — Se você me dissesse que eu sou a sua exceção, eu ficaria feliz. Isso é uma coisa boa. Significaria que eu sou único pra você. — e lá estava: A expressão de surpresa. O que a deixou mais engraçada foi o fato de Junmyeon corar e virar o rosto, voltando a observar a editora — Acho que agora você entendeu.

— Uhum...

— Tudo bem, vamos continuar.

Demorou um tempo até que Sehun apresentasse a editora para o mais novo autor daquele lugar. Junmyeon foi apresentado daquele jeitinho, como um escritor. Gostou tanto daquilo que foi impossível não sentir o rosto esquentar. No fim, não se importou. Não tinha como controlar o sangue subindo pelo pescoço até o rosto.

 Quando enfim acabaram, Sehun o convidou para tomar um café.

— Se você prometer não derramar café na minha mesa...

— Veja pelo lado bom, pelo menos agora você não está com o seu notebook. Ele está a salvo, assim como o seu livro. Aliás, quando devo começar a cobrar o fim da história?

— Cara, me dá uma folga. Acabei de assinar o contrato.

Sehun riu divertido, e Junmyeon riu junto, gostando daquela felicidade que aparecia sempre que estavam juntos.

Em pouco tempo estavam na cafeteria. Onde tudo começou. Junmyeon se sentiu nostálgico. Na fila, Sehun perguntou o motivo do silêncio repentino e do olhar cheio de atenção encarando cada detalhe do lugar.

— O que houve?

— Tô sentindo uma certa nostalgia. Foi aqui que... Tive a sorte de conhecer você. Nunca vou conseguir agradecer.

— Não precisa. Fiz o meu trabalho. Gostei do seu livro e vou publicá-lo. Sendo bem sincero, eu quem tive sorte de conhecer você. É um garoto muito talentoso.

Ele revirou os olhos, olhando o próprio all star preto.

— Posso ser talentoso, mas não sou um garoto.

— Pra mim você é. Sua vez. Peça algo pra comer também, é hora do almoço.

Junmyeon mal percebeu que sua vez havia chegado. Pediu o seu cupcake preferido e um café puro. Sehun pediu o mesmo tipo de café, mas nenhum cupcake — não era lá muito fã de comida doce.

O dia passou tão rápido que ambos precisaram trabalhar. Na calçada da cafeteria, Junmyeon sentiu uma espécie de tristeza. Se despedir de Sehun, de repente, ficou chato.

— Vejo você depois. — Sehun foi o primeiro a se despedir, pronto para atravessar a rua — Termine o livro.

— Vou terminar antes que você fale isso de novo. — disse, sentindo um sorriso bobo querendo brotar nos lábios. Não estava se reconhecendo, nem mesmo estava reconhecendo Sehun e toda aquela gentileza. Desde quando ele tinha um sorriso tão simpático? — Tchau. — acenou, não conseguindo controlar o sorriso, e saiu, não gostando da distância que deixou entre os dois.

 

(...)

 

— Tio Junmyeon, duvido você adivinhar quem vem me buscar hoje!

— Hmmm... Não sei, meu anjo. Sua avó?

— Não! Você tem outra chance.

— Seu avô?

— Errou de novo! É o meu tio! Eu adoro tanto ele! Vou dormir no apartamento que ele tem. É tão grande... Ele tem muito dinheiro, sabia? Compra tantos brinquedos pra mim.

Junmyeon soltou uma risada, realmente achando engraçada a animação da criança.

Estava ajoelhado no chão da sala. Os alunos iam embora aos poucos e, como sempre, Hana sempre se despedia do professor preferido.

— Caramba, que legal! E você vai se divertir mais com ele do que comigo? 

— Poxa... Essa é uma pergunta difícil.

— Você pode responder amanhã, então. Vou cobrar, hein?

— Está bem! — o sorriso aumentou. Ela beijou a bochecha vermelha do professor e andou até a porta, dando um gritinho alegre assim que viu o tio.

Quando Junmyeon olhou para a porta, pensou que:

1) Estava alucinando.

2) Aquele cara era o irmão gêmeo de Oh Sehun.

3) Era um idiota e precisava parar de agir como tal. Aquele era mesmo Sehun e Hana era a sua sobrinha.

— Junmyeon?

— Oi, Sehun. — tentou sorrir. Não deu certo. Sua expressão era algo como “que coincidência desagradável”. O problema era que o Kim não era lá a melhor pessoa para se expressar. Não achou desagradável encontrar Sehun, muito pelo contrário. Era bom vê-lo de novo. Só estava nervoso demais para agir normalmente.

— Você conhece o Tio Junmyeon? — perguntou Hana, abraçando a perna de Sehun, tão mais alto do que ela.

— Hã... Sim. — ele parecia não acreditar no que acontecia também — Trabalhamos juntos. Esse é o seu professor preferido, Hana?

— Sim, é ele! — ela estava tão animada.

— Agora eu entendi. — resmungou. Hana falava tanto de Junmyeon para si, de uma forma tão bonita, que Sehun não conseguia entender como alguém conseguia ser tão perfeito aos olhos de uma menina de seis anos. Agora, sabendo quem era, compreendia, porque Junmyeon era perfeito aos seus olhos também.

— Que coincidência. — disse Junmyeon, se aproximando dos dois — Hana é a menina mais adorável que já conheci. Tem sorte de tê-la como sobrinha.

— Ela é incrível. E não para de falar de você um segundo.

— Espero que ela fale apenas coisas boas, não é, Hana? — perguntou, e a menina se escondeu atrás de Sehun, envergonhada.

— Basicamente, ela coloca você em um altar, garoto.

— Aqui você não pode me chamar de garoto. Sou o professor.

— Ah, certo. — ele achou graça, e olhou Hana finalmente. Junmyeon pôde respirar melhor depois que desviaram o olhar — Vamos embora?

— O Tio Junmyeon pode ir com a gente?

— O que? — o professor se espantou — Hana... — nem ao menos sabia o que dizer. Estava sem graça, o que não era uma novidade.

— É uma boa ideia, Junmyeon. — disse Sehun, animado com a ideia — Podemos jantar e conversar sobre o livro, assim que a Hana dormir. Sei que ela não vai nos deixar quietos.

— Não quero que me convide só porque sua sobrinha quer que eu vá. Não quero atrapalhar. Sério.

— Hana só fez o que eu não tive coragem, acho. — ele estava mesmo sem jeito. Ultimamente, Sehun estava sem jeito em muitos momentos. Junmyeon quis saber o motivo daquilo mais do que nunca. Talvez perguntasse em outra ocasião — Aceita, então? Juro que sei cozinhar muito bem.

— Não posso negar um pedido dessa menininha linda.

Hana comemorou com um de seus gritos animados, mas não foi a única. Sehun prendeu um grito alegre.

 

(...)

 

O apartamento de Sehun era mesmo como Hana havia dito, ou até mesmo melhor. Era enorme, havia uma luz baixa amarela, e tinha uma vista que dava para ver um rio e algumas montanhas. Parecia o lugar de um homem solteiro, o típico homem solteiro que escolhe mulher a dedo e leva para o único quarto do cômodo. Claro que Sehun não parecia ser aquele tipo de cara, mas, de todo jeito, precisava tirar aquela dúvida. Seu coração estava agindo estranho, assim como o seu estômago e todos os seus outros órgãos. Não era bobo. Estava se sentindo atraído por aquele engomadinho. Se descobrisse em algum momento que ele sequer sentia atração pelo mesmo sexo, se sentiria tão bobo que seria capaz de ficar trancado no apartamento pequeno durante uma semana. Nunca teve muita sorte. Nunca. Não tinha uma relação agradável com a família, e começou a trabalhar antes de completar a maioridade. Quase se matou para conseguir entrar na faculdade, e mal conseguia lidar com as contas e a própria residência. Era tão jovem ainda. Não sabia administrar direito a própria vida, aprendia aos poucos. Havia também o livro, que nunca conseguiu publicar.

Tudo continuava difícil, — tirando a parte do livro, é claro — mas quando esbarrou com Sehun na cafeteria e o café foi derramado em sua mesa, algo mudou. Ele podia sentir. Não era vidente, nem nada daquilo, mas algo havia mudado. O que, ele não sabia. Sabia que Sehun estava metido no meio.

No meio do jantar, Hana estava praticamente caindo com a cara na mesa de tanto sono. Tinha brincado de boneca com Junmyeon, — enquanto Sehun realmente cozinhava — e agora a menina estava exausta.

Sehun a pegou no colo, a mimando de todo jeito possível, e a levou para o quarto, de banho tomado e dentes escovados. Quando voltou, Junmyeon sentiu o rosto ficar quente. Estava sendo encarado por um cara que tinha o deboche estampado no rosto. Talvez ele estivesse se divertindo com a sua timidez — o que não era nada legal.

Naquela noite, não parecia o dono da maior editora do país. Não usava terno e nem gravata, também não estava com sapatos caros que quase brilhavam de tão limpos. Estava só... Vestindo jeans e uma camiseta preta, descalço, muito à vontade. Ele parecia mais simpático daquele jeito — caso sumisse com o sorrisinho de canto.

— A Hana é louca por você. — disse o Kim, se levantando. Começou a tirar a mesa, e Sehun o ajudou. Por um tempo, andaram da sala até a cozinha. Pararam então para lavarem a louça suja.

— E eu sou louco por ela. É a mulher da minha vida. 

Junmyeon quase suspirou aliviado. Era bom saber que Sehun dizia que a mulher da sua vida era uma criança de seis anos. Decidiu não dar ouvidos ao seu egoísmo.

— Devo ser a única figura paterna que ela tem, apesar de ela me considerar mesmo só como um tio.

— Ela mora com os avós, não é?

— Isso. Meu irmão e a esposa não têm tanto tempo pra ficar em casa, então, como ela sempre foi apegada aos avós...

— Entendi.

Terminaram o serviço em silêncio. Os braços estavam encostados, e aos poucos Junmyeon se sentiu menos constrangido em ficar perto de Sehun em um lugar tão íntimo. Não era nem o seu chefe direito e já estava lavando a louça com ele. Definitivamente, sua vida tinha virado de cabeça para baixo.

— No que está pensando? — perguntou o mais velho, encostado na pia. Encarou Junmyeon, que o olhou de volta, de braços cruzados e na defensiva.

— Se você já terminou de ler o livro.

— Muito engraçado. Como posso terminar de lê-lo se você nem mesmo escreveu um final?

— Ainda não tive tempo.

— Precisamos conversar sério sobre isso. Quero que o livro seja lançado o mais rápido possível, então, eu imploro, termine-o. Ok?

— Beleza, chefe. Só... Me diz uma coisinha. Você quer que eu termine pra lançá-lo logo ou porque você tá curioso demais, hein?

—  Me recuso a responder isso.

Junmyeon riu alto, o seguindo até a sala.

— Olha, valeu pelo jantar. Foi ótimo, mas preciso ir. Já tá tarde.

— Sério? Já? Nem conversamos sobre o livro! — ele estava indignado.

— Hm, sim... Amanhã vou até a editora e conversamos melhor. Não tenho como fugir.

Tentando ao máximo não demonstrar a decepção com a partida do escritor, Sehun deu de ombros.

— Nos vemos amanhã, então.

Na porta do apartamento, Junmyeon apertou o botão do elevador e sentiu Sehun o encarando pelas costas. Virou-se, só para sorrir, mostrar que estava feliz, e Sehun sorriu ainda maior. Os olhos se fecharam e Junmyeon sentiu o estômago afundar.

Antes que pulasse em cima do homem e enchesse aquele rosto metido à besta e tão bonito de beijos, o Kim se enfiou no elevador, partindo.

 

❝❤❞

 

Deitado com Hana, quase entrando no mundo dos sonhos, Sehun estava sorrindo minimamente. O coração batendo mais forte, mais vivo. Se encolheu, abraçando um travesseiro, querendo estranhamente que fosse Junmyeon colado no seu corpo quente.

 

❝❤❞

 

Eles pareciam velhos amigos.

Depois do episódio do jantar, Junmyeon se sentia tão íntimo de Sehun que podia jurar que conhecia aquele cara há décadas.

Passou a madrugada escrevendo, disposto a terminar o livro, dar um final para a sua história. Não chegou aos finalmente. Ainda. Se distraiu em praticamente todos os momentos, pensando em seu novo chefe e em como ele ficava mais bonito com os olhos fechados enquanto sorria.

— Está ficando muito bom. — disse o Oh, ao lado do escritor. O notebook velho do mais baixo estava em sua frente, enquanto lia o que ele havia escrito na madrugada.

— Seja sincero, cara.

— E eu estou sendo sincero! Eu adoro o modo como você escreve. Dá vida aos personagens, como se eles fossem reais. Eu consigo me sentir dentro da vida deles. 

— Ufa. — soltou o ar, menos apreensivo. Às vezes não acreditava no próprio potencial, mas, se Sehun estava o enchendo de elogios, quem era ele para não acreditar? — Só preciso de umas oito mil palavras e... Fim.

— Vou ficar esperando por isso ansiosamente. — sorriu para ele.

Enquanto Sehun revisava o texto com calma, Junmyeon olhou através do vidro da sala de reuniões. Pôde ver Baekhyun, parado no corredor, abraçado com uma prancheta, encarando as costas do homem ao seu lado. Ele parecia decepcionado e o escritor tratou de cutucar os bíceps malhados de Sehun, pronto para enchê-lo de perguntas.

— Qual é o problema?

— O Baekhyun. — olhou novamente o vidro, mas ele já havia sumido. — Ele é sempre tão... Triste?

— Não, na verdade. Tenho quase certeza de que ele ficou magoado porque decidi trabalhar com você. Geralmente esse é o papel dele.

— E ele ficou triste, magoado, que seja... por isso?

— Bom, sim, eu acho. Esse trabalho é importante pra ele.

— Ah. — foi só o que disse, decidindo não adentrar o assunto. Não parecia tão importante.

Não percebeu quando começou a encarar os fios ruivos e arrepiados de Sehun, enquanto ele lia concentrado o texto na tela do notebook. Dava para perceber que o cabelo era pintado.

— Qual é a cor natural do seu cabelo? — perguntou, sem pensar.

O Oh respirou fundo, com pouca paciência. Estava mesmo muito concentrado em revisar o parágrafo. Junmyeon não ligou nem um pouco em incomodá-lo. Era um atrevido desde sempre.

— O que levou você a pensar que eu pinto o meu cabelo?

— Porque tem um cabelo branco bem aqui, ó.

— Como é que é? — agarrou os fios, desesperado, pronto para procurar algum espelho. Quando ouviu a risada alheia, sentou-se e acalmou-se — Que engraçado, Junmyeon. Haha.

— Relaxa, não tem nenhum fio branco. Sua raiz é escura, preta. Você pinta, não pinta?

— Parabéns, acabou de descobrir o meu maior segredo.

— Não seja irônico, cara... Vai, me fala. Por que pinta o cabelo? Não gosta da cor preta?

— Não é isso. Eu... Daqui a dois anos vou ter quarenta, e já encontrei alguns cabelos brancos. Não quero isso. Não quero o cabelo grisalho. Vou ficar velho e feio.

— Você é definitivamente um egocêntrico.

— Vai me ofender? Sério? Quando eu estou aqui, desabafando sobre o meu maior medo?

— Vou poupar você.

— Sério, Junmyeon... Quem vai me achar bonito na velhice? Tenho que pelo menos ter estilo com o cabelo, já que a pele vai ficar toda enrugada.

— Sinceramente? Acho difícil você ficar feio. É praticamente impossível. Tenho certeza de que vai se sair bem como um coroa charmoso.

Sehun agradeceu com um sorriso de canto que lhe foi direcionado. Depois, voltou sua atenção ao notebook — não por muito tempo.

Sem olhar Junmyeon, disse:

— Hana quer jantar com você de novo.

— Ah... Aquela menina. Pode marcar. Posso passar o tempo todo com ela que não vou me cansar.

— E... Se por acaso eu estiver mentindo?

— Hm? Como assim?

— Você aceitaria jantar só comigo? Ou, não sei, qualquer outro plano. Só eu e você.

Estava melhorando. O rosto não estava tão quente como esperava. Estava começando a ficar íntimo demais do seu chefe. Do seu chefe — não poderia esquecer aquilo de forma alguma.

— Gosto da sua companhia, sorte a sua. — confessou Junmyeon.

— Posso conhecer onde você mora? — o tom saía baixo, o olhar nunca abandonando as palavras à sua frente. Não estava lendo nada, se concentrava apenas em Junmyeon e na voz dele — Você já conheceu o meu apartamento.

— Não sei se é uma boa ideia. O meu não é grande, nem moderno, muito menos arrumado.

— É uma pena. Acho que seria divertido. Sei que se diverte comigo porque reparo no seu sorriso.

— Isso é algum tipo de chantagem emocional?

— Pode ter certeza que sim.

— Beleza, você me convenceu.

Finalmente, Sehun tirou os olhos do notebook e encarou um Junmyeon preocupado. Deu-lhe seu melhor sorriso simpático e seu mais carinhoso olhar.

— Vejo você hoje de noite, então. — disse, desligando o aparelho.

— O que? Hoje? Já?

— É.

Junmyeon grunhiu baixinho, pensando em alguma forma de arrumar a bagunça infinita do apartamento miúdo.

Ele suspirou, sem escolha.

— Tá, cara.

— Perfeito. Até mais tarde, garoto.

Sehun saiu radiante da sala de reuniões.

 

❝❤❞

 

Junmyeon era o escritor favorito de Sehun, mas não o seu cozinheiro favorito. Ele tinha pedido comida em um restaurante tailandês. Não era grande coisa, e nem queria que fosse, só desejava colocar um fim naquela coisa insuportável mais conhecida como “despedida”. Ficar com o mais novo era incrivelmente bom e àquela altura nem se lembrava da relação chefe e funcionário. Não parecia tão importante.

O apartamento dele não era moderno como o seu, nem enorme. Era pequeno, humilde e bagunçado.

Depois do jantar, sentados no sofá confortável, com o último capítulo de uma novela passando na TV, Sehun puxou assunto, querendo conhecer mais daquele garoto por quem estava começando a criar um sentimento forte e inexplicável.

— Como é a sua vida, Junmyeon?

Ele o olhou com uma interrogação no rosto. A novela, que parecia muito interessante para ele, foi esquecida.

— Que tipo de pergunta é essa?

— Quero conhecer você.

— Por quê?

— De novo com essas perguntas? Por que você não pode simplesmente... Seguir o meu ritmo?

— É difícil, mas vou tentar. — rendeu-se, tentado a rir. Era engraçado quando Sehun ficava irritado de verdade — O que quer saber exatamente?

— Por que decidiu publicar um livro? Somente porque gosta de escrever... De ser um escritor?

— Também. Mas... Eu sempre sonhei com uma vida melhor. Me virei sozinho desde cedo, e eu realmente não quero morar nisso aqui pra sempre. Sei que tenho potencial pra alguma coisa.

— Pra escrever.

— Talvez. Desde criança eu tenho facilidade com as palavras. Com o tempo só fui aprimorando. Bom, enfim. Eu posso ter o que eu quero, entende? E a única forma de conseguir isso é... Ganhando dinheiro. Percebi que posso ganhar dinheiro com a minha escrita. Eu só juntei o útil ao agradável.

— Já pensou em escrever poemas? Acho tão... Emocionante. Principalmente os com rimas.

— Poema não é a minha praia, e não consigo fazer rima com as palavras.

— Junmyeon... — ele foi abrindo um sorriso debochado, e logo soube que ele daria uma resposta afiada — Você escreveu um livro. Consegue fazer qualquer coisa.

— Não. — respondeu, frustrado, voltando o olhar para a TV — Não consigo escrever poemas.

— Tudo bem... Você é melhor do que eu pensava. Devo admitir que fiquei impressionado com tudo isso.

— Você sempre fica impressionado com o que eu falo ou faço.

— Que bom que você percebeu isso, vai facilitar muita coisa.

— Como assim?

As palavras mal saíram da boca de Junmyeon e Sehun já estava beijando os lábios dele. As mãos quentes apertavam as laterais do rosto e ele se inclinava em direção ao corpo alheio.

Junmyeon levou algum tempo para entender o que estava acontecendo, até perceber que aquele engomadinho metido estava beijando-lhe. Não era imaginação. E estava gostando.

Só um selinho, nada demais. Sehun se afastou, querendo mais. Teve vontade de rir com os olhos arregalados de Junmyeon por trás dos óculos, mas só sorriu cheio de paixão por achá-lo fofo.

— Por que fez isso? — perguntou ao Oh.

— Você não cansa de fazer perguntas?

Ainda estavam colados. Sehun estava quase deitado em cima daquele corpo tenso.

— Você pode relaxar um pouco? Por favor?

— Não me peça pra relaxar quando eu acabei de ser beijado pelo meu chefe.

Sehun fechou os olhos com uma certa força, como se quisesse esquecer aquele detalhe.

— Não veja as coisas assim. Somos... Adultos.

— Pensei que eu fosse um garoto.

Ele soltou um grunhido, sentando-se melhor, ainda sem se afastar de Junmyeon.

— Você deixa a minha cabeça bagunçada.

Foi Junmyeon quem o beijou novamente, não conseguindo resistir àquele tom de voz delicado e à respiração dele batendo bem na sua pele. De repente, estava tão quente que se pegou abraçando Sehun pelo pescoço, a boca colada com a dele.

As mãos quentes esqueceram o rosto macio e foram até a cintura. Apertou com força, com necessidade, afastando novamente o rosto. Juntou-os mais uma vez, sempre colando os lábios dos dois. Era tão bom beijar Junmyeon. Melhor do que qualquer sensação. Só... Ficar ali, o abraçando e colando a boca dele na sua, bastava.

Mas estava apaixonado. Estava mesmo. E beijá-lo parecia muito pouco para si.

Os narizes se roçavam enquanto seus dedos tentavam levantar o casaco de tricô careta que ele usava. A mão conseguiu adentrar e tocar nas costas geladas, sem ser impedido. Os lábios novamente o beijaram, mas não na boca. Arrastou-os pelo queixo, pela bochecha, pela orelha, fazendo Junmyeon se contorcer. A ponta das unhas arranhou a pele de leve, e depois as tirou de lá.

Junmyeon ainda estava agarrado à sua nuca, os óculos começando a embaçar.

— Posso só fazer mais uma pergunta?

Sehun assentiu, sem vontade alguma de abrir a boca para falar. Abriria para beijá-lo, e somente.

— Por que você é tão quente?

— Isso só acontece quando eu estou com você, acredite.

— Isso é algum tipo de cantada barata, não é?

— É claro que não. Não mentiria pra você.

— Isso é outra cantada?

— Garoto...

— Tá, chega de perguntas. Quero beijar você de verdade. Posso?

— Estava esperando que tomasse a iniciativa. Não queria assustá-lo.

Junmyeon negou com a cabeça, achando aquele comentário tolo. Era mais fácil Sehun sair correndo depois que descobrisse como ele conseguia ser irritante com todo o seu atrevimento e carinho excessivo — agora que tinha passe livre.

Com cuidado, Sehun tirou os óculos dele e os colocou sobre o braço do sofá. Puxou Junmyeon para mais perto, pela coxa, a mão firme o deixando desejoso por mais toques como aquele.

Então beijaram-se de verdade.

Quando as línguas se tocaram, Sehun ficou fervendo, e Junmyeon ainda mais quente.

Estavam ofegando. Era tudo tão obsceno. Os barulhos, os toques...

Sehun terminou de beijá-lo depois de chupar seu lábio inferior, mordendo logo em seguida, até que ele escapasse sozinho de seus dentes. Quando olhou para o mais baixo, ele parecia meio tonto, e muito vermelho.

— Tudo bem?

— Tudo... Só... Tô com calor.

— Quer tirar a roupa?

— Não sei se é uma boa ideia.

— Ora, por que não?

— Porque se eu tirar, você vai ter que tirar também, e vamos ficar sem roupas, e aí...

— E aí...

— E aí, eu... Vou ter que te chamar pra dormir comigo.

— Dormir? Em qual sentido?

— Em todos os sentidos possíveis.

— Não é problema pra mim.

— Tá... — a voz quase não saía. Sehun mordeu o lábio para não interrompê-lo com outro beijo de tirar o fôlego.

Ele se afastou e arrancou o casaco do corpo. Ficou envergonhado quando Sehun o encarou sem pudor.

— Sua vez.

Sehun tirou a gravata, sem desviar os olhos do escritor. Foi embora ela, o paletó e a camiseta de botões.

E lá estavam os olhos arregalados e a boquinha aberta — agora inchada.

De fato, ele tinha um corpo incrível. Como observou na chamada de vídeo há alguns dias, ele tinha os ombros largos e os bíceps malhados. O peitoral, forte, e o abdômen definido. Não impediu a ponta dos dedos de alisarem a pele.

— Porra, Sehun... Isso vai te deixar mil vezes mais egocêntrico, mas você é tão gostoso.

— Eu sei. — provocou.

— Acho melhor calar sua boca com outro beijo.

— Fique à vontade.

Beijaram-se até que Sehun sentiu a cueca ficar apertada, mais do que o normal. Decidiu se afastar de Junmyeon, que estranhou. Não estava nem um pouco a afim de ficar longe daquele cara.

— Por que se afastou? — sussurrou, rouco.

— Não vai querer saber.

— Vou sim. Por acaso ficou de pau duro?

— Hm... Sim. Como adivinhou?

— Sério?

— É. — ele parecia bastante frustrado — Você mexe comigo. No começo eu só queria ter você como meu autor, mas agora... Depois que vi você e Hana juntos...

— Não precisa continuar, sei o que quer dizer. E é recíproco. Você também mexe comigo. Demais, até.

Sehun avançou novamente nos lábios dele, de uma forma mais afoita. A mão apertou com mais força a coxa coberta pelos jeans folgados, quase subindo até a bunda que parecia muito dura e redonda.

Junmyeon o puxou pelo cabelo ruivo, enquanto sentia a língua sendo chupada. Ficou tão arrepiado e tão quente que percebeu que Sehun não era o único a estar excitado ali.

Se afastou só para que pudesse dizer:

— Acho melhor a gente ir pra minha cama.

— Certeza? —  a voz saiu fraca. A respiração não estava das melhores. Ele não estava bem. O corpo fervia, o coração batia acelerado, mais do que o normal, o pau duro estava pulsando, e a última coisa que queria era afastar o corpo do garoto.

— Vamos logo...

Entrando no quarto, deixaram as roupas no chão, e ficaram apenas com as peças íntimas. Sehun não entendeu. Talvez Junmyeon estivesse tímido demais. Aos poucos, faria ele se sentir confortável consigo.

Sehun deitou o outro na cama e ficou por cima dele. Quando as intimidades se tocaram, mesmo por cima do tecido, ambos gemeram. Estavam tão duros que a dor começava a aparecer.

Beijos e mordidas foram distribuídos pelo pescoço vermelho do Kim, enquanto ele fechava os olhos e revirava as pálpebras com o prazer que sentia. Sehun estava pegando fogo em cima de si, o que o deixava da mesma forma.

Suas mãos agarraram novamente os fios ruivos, mas desceram pelas costas, arranhando a pele com a unha, até chegarem nas nádegas, tentando tirar a boxer branca.

— Você já fez isso antes? — Sehun questionou, parando tudo o que fazia enquanto o olhava nos olhos.

Junmyeon não teve vergonha de negar. Era virgem. Nunca tinha transado. Jamais se sentiu confortável com alguém. Com Sehun pareceu certo.

— Tudo bem. Fica de costas pra mim.

Ele girou Junmyeon na cama e o fez ficar de bruços, o rosto entre os braços. Sabia que ele estava envergonhado.

Sehun se levantou e alcançou a calça social que usava. Pegou a carteira e tirou uma camisinha de lá. Voltou rápido para perto de Junmyeon. Era meio apavorante em como ele não queria de jeito nenhum ficar longe daquele garoto.

Sem muita pressa, ele deixou Junmyeon nu e não parou de sorrir safado ao ver a bunda praticamente empinada de tão grande e redonda que era. E tão branca. Sehun quis muito dar um tapa ali, mas respirou fundo e tirou a ideia da cabeça. Queria ir com calma em cada passo.

Decidiu massagear uma das nádegas, apertando a carne, separando as duas bandas. Ouviu o mais novo gemer manhoso e sorriu ainda mais maldoso.

Ficou nu a partir dali e colou o corpo com o do Kim. Afastou as duas bandas o bastante para que pudesse esfregar o pau ali no meio, sem precisar penetrá-lo.

Junmyeon se roçou no colchão, dando prazer ao próprio pau duro também. Era tão bom. Tão novo. Podia sentir aquela parte de si pulsar a todo segundo, e não só ali, mas exatamente onde Sehun deveria estar. Meio que necessitava do mais velho o fodendo, mesmo sem saber que tipo de sensação iria sentir. Mas estava necessitado. Não ligava para o incômodo, queria Sehun com a boca colada no seu ouvido e o pau entrando e saindo da sua bunda.

— Me avise se for muito desconfortável. Posso parar. — sussurrou Sehun, e Junmyeon negou com pressa, mordendo com força o próprio braço.

— Não pode não. Não quero que pare.

— Você é quem manda. — disse, o sorriso maldoso aumentando de tamanho.

Foi irônico, porque quem mandava ali era Sehun. Era o chefe, afinal. Mas, naquele momento, ele sentiu como se Junmyeon pudesse mandar em si, ordenar que ajoelhasse e ficasse aos seus pés. Estava meio louco de paixão por ele.

Já protegido com a camisinha, Sehun penetrou Junmyeon devagar, o alargando. Podia ouvir, abafado, o gemido manhoso que passou a gostar em pouco tempo.

Logo já estava dentro dele totalmente, até que se retirou por completo e afundou de novo, mais fundo. Fez aquilo algumas vezes até que percebesse que Junmyeon estava confortável.

Dali em diante, Sehun o fodeu como Junmyeon queria. Lento, indo fundo, com a barriga e todo o peitoral forte colado nas suas costas e a boca colada nele, especificamente na orelha, chupando o lóbulo e a respiração acelerada e quente perto de si. Sehun era todo quente.

Junmyeon puxou os próprios cabelos, meio desesperado com tanta novidade. O prazer que estava sentindo era melhor do que qualquer coisa. Melhor do que um beijo ou uma pegada firme.

Sehun não pareceu gostar das mãos pequenas nele. O que fez foi pegar os pulsos e prendê-los no colchão, nunca parando com as estocadas.

A boca desceu da orelha até o pescoço. Deixou um chupão forte na nuca sem pensar nas consequências.

Soltou os pulsos dele minutos depois, passando a segurá-lo pela cintura. O fez se empinar e ficar quase de quatro, só para que pudesse masturbá-lo e deixar sua situação ainda melhor.

Quando Junmyeon sentiu aquela mão grande e quente no seu pau, soltou um gemido alto demais, esquecendo-se completamente da timidez. Ela não existia mais àquela altura.

A masturbação foi o ápice para si. Gozou na mão que não parou de se mexer e teria caído na cama se Sehun ainda não o segurasse. Os joelhos estavam fracos.

Sehun o estocou só mais duas vezes, com força e indo fundo, revirando os olhos, até que alcançou seu próprio prazer. Então, os dois caíram na cama, exaustos. Mal conseguiam respirar direito. 

Junmyeon não estava com coragem de abrir os olhos, sabia sem dúvida alguma que Sehun estava o observando.

— Para de me encarar. — mandou, quase sem ar e com muito sono.

— Não.

— Beleza.

Alguns segundos se passaram até que Sehun o chamou baixinho, mas Junmyeon havia caído no sono, e Sehun não viu outra opção, a não ser dormir também.

 

❝❤❞

 

Quando os olhos de Junmyeon se abriram pela manhã, ele não viu muita coisa — não só por causa da miopia, mas porque o quarto estava muito claro. Pensou que talvez tivesse deixado a cortina da janela aberta. Não se lembrava direito o que tinha acontecido na noite passada, até que, deixando os olhos mais abertos, viu Sehun ao seu lado, dormindo feito um bebê, totalmente nu.

Assustado, o jovem se levantou da cama em um pulo e viu que também estava sem roupas. As lembranças da noite passada vieram tão rápido que ele mal teve tempo de organizá-las.

Correu para o banheiro depois de pegar os óculos na sala, sentindo vergonha da própria nudez e se trancou.

— Porra, porra, porra, porra. Junmyeon, seu imbecil! Dormiu com o seu chefe. Com... O Sehun. Puta merda, que homem... Ah, merda... Merda, merda, merda. Imbecil! Dormiu com aquele cara. Como pôde? Que vergonha, meu Deus do céu.

Mais calmo, vestiu os jeans pendurados atrás da porta e a abriu. Sehun estava sentado na cama, sorrindo debochado.

— Mais calmo? — ele perguntou.

— Você ouviu?

— Ouvi. Você não sabe falar sozinho do modo certo. Tem que sussurrar, garoto.

Grunhindo, Junmyeon deu a volta no quarto e sentou-se do outro lado da cama. Estava surtando de verdade. Aquilo não podia ter acontecido. Tudo bem que estava sentindo uma atração inexplicável por aquele engomadinho nem tão egocêntrico assim, mas beijá-lo e transar com ele foi demais.

— Fica calmo, Junmyeon. Eu te disse ontem que somos adultos. Você não é mais um garoto, falo isso porque é engraçado ver você irritado. E, bom, nós nos sentimos atraídos um pelo outro, e aí nós transamos. Não fica pensando que eu sou o seu chefe. Sou o seu amigo.

— Não é não. Você é dono daquela editora enorme que vai publicar o meu livro. E eu sou o autor de lá. Puta que pariu... Se alguém descobrir... Isso é tão errado.

Sehun soltou uma risadinha, realmente achando engraçado toda aquela preocupação.

Ele se sentou perto de Junmyeon e o abraçou pelos ombros.

— Não vou contar pra ninguém, você não vai ser acusado de favoritismo e eu não vou perder o meu emprego. Quer dizer, não tem como isso acontecer, sabe? Eu sou o fundador de tudo aquilo. Bom, eu acho.

— Vê? Você mesmo tem suas dúvidas! — soltou algo parecido com um rosnado — Melhor você ir.

Ainda que Sehun continuasse a rir, Junmyeon estava falando sério. Tinha gostado muito da noite passada, e sentiu sensações que pensou nunca sentir. E o corpo de Sehun colado no seu, a mão dele ao redor do seu pau... Caramba...

Fechou os olhos com força. Não dava para organizar os pensamentos com Sehun o beijando no pescoço naquele exato momento.

Pulou novamente para fora da cama, tomando uma decisão repentina.

— Sabe o que eu acho? Acho que o Baekhyun deve trabalhar comigo.

— Porque se trabalharmos juntos, você não vai conseguir ficar longe do meu corpo, não é?

— Eu tô falando sério, Sehun.

O sorriso dele desapareceu. Os dois ficaram sérios e de repente o ar do quarto ficou pesado.

— Ah. — disse, ficando em silêncio. Tentou compreender o garoto — Ah... Tudo... Tudo bem então, eu acho. Melhor... Não sei. — riu sem graça, sem saber o que falar. Não tinha ideia do que fazer dali em diante. Estava planejando ficar o dia todo com Junmyeon, na cama, enquanto se conheciam mais um pouco e transavam muito mais. Pelo visto, nada daquilo iria acontecer.

Junmyeon saiu correndo do quarto, e na sala, se sentou encolhido no sofá, preocupado. Preocupado com muita coisa. Havia os sentimentos que estavam todos uma bagunça. Sentia-se muito atraído pelo Oh, com certeza, e apaixonado, sem dúvidas, e nem sabia se era recíproco na mesma intensidade. Achava que não. Sabia que Sehun era muito para ele.

Quando o ruivo apareceu na sala, devidamente vestido com a roupa social de sempre, Junmyeon o olhou com medo. Talvez ele estivesse irritado por estar sendo expulso. Ele, sendo expulso de um lugar, alguém tão importante.

— Espero que isso não atrapalhe o andamento do livro. — disse, sentindo cada vez mais que se envolver tanto com ele foi um erro. Não devia ter misturado sua vida pessoal com a profissional.

— Não se preocupe. — rebateu. O tom era delicado, mas ele parecia chateado pelo vinco que tinha nas sobrancelhas — Semana que vem você começa a trabalhar com o verdadeiro editor-chefe.

Junmyeon assentiu, desviando o olhar. Não estava com coragem de se despedir. Se sentia tão idiota.

— Então... Tchau. — ele se despediu, saindo pela porta do apartamento antes que Junmyeon pudesse criar coragem para pelo menos acenar.

Passou longos dias se sentindo a pessoa mais cruel do mundo, e pior, não terminou de escrever o desfecho do seu livro.

 

(...)

 

TRÊS SEMANAS DEPOIS

 

Junmyeon não dava de cara com Sehun há quase um mês. Estava começando a ficar preocupado com ele. Não perguntou para ninguém sobre o Oh, porque pensou que as pessoas pudessem perceber algum segredo através do seu olhar amoroso. Sua única opção era Baekhyun, o mais próximo de Sehun, e o mais próximo de Junmyeon também, já que estavam trabalhando juntos há algum tempo.

Baekhyun era a pessoa mais gentil do mundo aos olhos do Kim. Além de ser eficiente ao extremo. Leu seu livro em tão pouco tempo que Junmyeon se perguntou se ele havia lido mesmo cada palavra. E, de fato, tinha lido, porque comentava sobre a história e os personagens. Era bom com as palavras também, sabia qual usar em cada frase, deixando o livro melhor do que já era. Tinha muito a agradecer ao Byun, principalmente porque ele nunca tocava no nome do chefe dos dois.

— Posso fazer uma pergunta? — questionou Baekhyun, depois que terminaram o trabalho do dia. Finalmente o livro tinha ficado pronto, graças a cobrança diária dele.

O editor-chefe fechou o notebook lentamente e encarou o garoto mais novo, meio cabisbaixo.

— Claro. — tentou sorrir. Saiu meio forçado, meio triste. As mãos esquentavam o pescoço gelado pelo ar condicionado. O moletom maior que si não estava adiantando muito. Desejou algo quente tocando em sua pele — ou alguém.

— Se não for indelicado da minha parte, é claro. Por que você e o Sr. Oh não estão trabalhando juntos? Como no começo.

— Achei melhor dar uma folga pra ele. — mentiu, na cara dura — A função dele não era aquela.

— Isso é verdade. — sorriu, sincero. Junmyeon não deixou de observá-lo todo o tempo que passaram juntos. Ele era muito elegante e educado, e bonito — Bom, você pode confiar em mim, Sr. Kim, saiba disso.

Junmyeon se sentiu tão horrível por mentir para alguém tão puro que decidiu dizer a verdade. Desabafou. Quando Baekhyun ouviu, não alterou a expressão preocupada, mesmo que o coração tivesse ficado apertado.

— E agora ele sumiu. — finalizou, depois de falar em voz alta detalhes que o deixou corado — Ele deve me odiar.

— Vou ser sincero, está bem?

— Por favor.

— O Sr. Oh nunca se considerou chefe de ninguém aqui. E... Pelo que você contou, ele gosta de você, e você gosta dele, e vocês se envolveram. — era dolorido falar tudo aquilo, mas Baekhyun continuou firme — Ele ficou magoado, é provável, e dou razão a ele. Você foi muito duro.

— Fiquei desesperado, cara. Me senti muito errado.

— Que grande besteira! E, cá entre nós, ninguém aqui precisa saber, correto?

— Errado.

Baekhyun sorriu, divertido. A mão foi até a bochecha dele e apertou. Junmyeon corou ainda mais.

— Para de bobagem. Vocês estão apaixonados. Vá atrás dele.

— Acha que eu devo?

— Acredite, eu sempre estou certo. Sobre tudo.

Era um fato. Baekhyun tinha razão em noventa e nove porcento das vezes, menos em relação a Sehun. Naquela tarde, ele percebeu que o Oh nunca corresponderia aos seus sentimentos. Não tinha muito o que fazer. Eram melhores amigos, chefe e funcionário, fundador e editor-chefe, e só.

Sorriu com sinceridade para Junmyeon e lhe desejou boa sorte.

 

❝❤❞

 

No fim do dia, Sehun ainda estava no trabalho, literalmente trancado na própria sala. Não queria ser incomodado por ninguém, nem mesmo por Baekhyun, alguém que adorava — e, de todo jeito, ele estava muito ocupado com Junmyeon.

Pensar naquilo fez com que se sentisse melancólico.

Não havia um momento do dia em que não se lembrava do mais novo, do que sentia por ele e do que tinha acontecido entre os dois. Faziam três semanas que não se encontravam, nem conversavam. 

Sehun estava envergonhado. Se perguntava a todo momento se tinha agido errado em ter beijado o outro e se envolvido com ele. O que podia fazer se estava gostando dele para valer? Se entregou, não agiu por impulso.

Se ao menos tivesse coragem de conversar com ele sobre aquilo... Afinal, ele já tinha tido o tempo dele, será que não tinha nada para falar ainda? Talvez. Primeiro, precisava parar de se esconder.

Os dias estavam passando lentamente. Na hora de ir embora, Sehun suspirava aliviado. Se sentia confortável no apartamento, onde não precisava ficar trancado para se esconder de Junmyeon.

Nem mesmo Hana estava o alegrando. Os piores momentos eram quando ela questionava com um biquinho nos lábios quando ele, ela, e o Tio Junmyeon se encontrariam todos juntos de novo. Sehun nunca sabia o que dizer, então, era sincero e falava: “Não sei”, em um tom quase depressivo.

Não sabia que era possível se envolver tanto emocionalmente e sentimentalmente com alguém até conhecer aquele escritor. E agora já era tarde, estava muito envolvido com ele, e seria doloroso e complicado voltar atrás.

Precisava conversar com Junmyeon.

Em um surto de coragem, desligou o computador de qualquer jeito e saiu da sala correndo. Antes mesmo de chegar ao elevador, encontrou um Baekhyun cabisbaixo na sua sala. Preocupado por ele ainda estar lá em um horário que não era seu, foi até ele, entrando sem bater na porta. Baekhyun se assustou, mais pelo barulho do que com a presença do homem.

— O que ainda está fazendo aqui, Baek?

Observando-o, percebeu o cansaço estampado no rosto triste.

— E por que está tão triste?

— Não estou triste.

Sehun sorriu, debochado, e cruzou os braços, sentando-se em cima da mesa dele.

— Eu conheço você mais do que você conhece a si mesmo.

Sem jeito, Baekhyun riu e abaixou o olhar.

— Já devia estar em casa. Muito trabalho?

— Não. Só... Estou pensando em algumas coisas. — riu de novo. Estava nervoso. Ficava nervoso com Sehun por perto. Sempre.

— Quer uma carona pra casa? Nós moramos perto um do outro.

— Não, melhor não. Por que não falamos sobre você e aquele garoto?

Sehun o olhou surpreso. Baekhyun não conseguiu segurar o riso.

— Você é um livro aberto mesmo. Conversei com ele, e ele me contou sobre vocês. Se quer saber, ele está se sentindo mal.

— É?

— É, Oh Sehun. O que está esperando pra ir atrás dele?

— Coragem. E eu não sei se ele quer falar comigo.

— Você está parecendo um adolescente. Por favor, Sr. Oh, pare de agir assim, estou começando a me sentir envergonhado por você.

Sorrindo, mais aliviado, Sehun andou até Baekhyun e o pegou pelas mãos. Ficaram os dois em pé. Sehun o abraçou apertado pela cintura sem pensar duas vezes. A cabeça deitou no ombro cheiroso de Baekhyun e ele se sentiu muito confortável, sabendo que poderia dormir ali.

— Baek, não sei como agradecer o que você tem feito por mim. Não só sendo o meu amigo, mas aqui na editora. Você é incrível.

Baekhyun se arrependeria da próxima decisão, mas não se importou. Não quando, antes de Sehun chegar, havia tomado outra decisão. Ficar longe do Oh faria bem para si. E ele era talentoso, encontraria outra editora para trabalhar em minutos. Não gostava de se gabar, mas era muito cobiçado.

Afastaram-se do abraço e Baekhyun, com o coração doendo de tão forte que batia, pegou nas bochechas de Sehun e o beijou. Sehun gostou do contato por pouco tempo. Os lábios dele eram macios e tinham gosto de morango. Gostou muito, até se lembrar de que era Baekhyun ali.

Segurou as mãos dele e afastou o rosto, mas antes que pudesse falar algo, o Byun foi mais rápido. Pegou sua mochila e saiu da sala.

Mais confuso do que nunca, Sehun foi embora. A mente estava em branco, mas a primeira coisa que fez assim que se deitou na cama para dormir, sem jantar, foi mandar mensagem para Junmyeon.

 

Oh Sehun [20h04]

Sinto sua falta.

 

A mensagem foi visualizada, mas não respondida. Imediatamente Sehun se sentiu pior. Ficou ansioso e não conseguiu dormir. Sonhou com Junmyeon dizendo que o amava, e acordou com dor de cabeça pela noite péssima, se sentindo um covarde. Era aquilo. Tudo estava claro. Precisava falar para Junmyeon que o amava, porque era o que sentia. Ele era muito mais importante do que pensava.

 

❝❤❞

 

— Imbecil. Isso é o que você é, Junmyeon o maior imbecil de todos os tempos. É claro que aquele egocêntrico do caralho não perderia tempo e beijaria o primeiro que visse pela frente. E o Baekhyun! Eu confiei no Baekhyun... Grrrr! Por que eu fui atrás dele, cara? Ah, mas ele vai me pagar caro. Aquela editora de merda vai ficar sem o meu livro. Oh Sehun que se ajoelhe aos meus pés e peça perdão. Não! Não vou aceitar o perdão dele. Problema resolvido.

Abriu a porta do apartamento, sem vontade alguma de ir para a faculdade. Não estava com paciência para aguentar nenhum ser humano — nem mesmo ele estava se aguentando naquela manhã.

Quando abriu a porta, Sehun estava ali, de terno amassado, uma gravata rosa e um olhar de cachorro abandonado.

— Junmyeon, eu te amo. — foi a primeira coisa que disse, começando a entrar em desespero quando o garoto continuou o olhando com tédio. Decidiu continuar — Você é muito importante pra mim e eu não quero esconder isso de ninguém. A não ser que você queira esconder. Bom, enfim. Por favor, volte a falar comigo. As últimas semanas foram terríveis.

Junmyeon controlou a raiva. Agiu com calma, ignorando aquele engomadinho em sua frente. Fechou a porta e desceu as escadas, com Sehun no seu encalço.

— Não vai falar nada?

Ele continuou em silêncio, até atravessar a rua e chegar no campus da faculdade. Pela primeira vez em anos detestou estudar tão perto de onde morava. Podia ter pegado um ônibus e ter deixado Sehun para trás. Mas não. Ele continuava atrás de si. Começou a se preocupar quando ele parecia não querer ir embora.

Parou no meio do campus, avistando Chanyeol encarando os dois, curioso.

— Tá legal, cara, chega. O que você quer?

— O que eu quero? Você.

Junmyeon estreitou os olhos com raiva.

— Não seja cínico. Você e o Baekhyun se beijaram ontem. Fui atrás de você, porque senti sua falta, e queria conversar, resolver tudo, mas você não conseguiu controlar a língua.

— Ah... Isso. — ele se achou no direito de rir — Nem mesmo eu sei o que aconteceu comigo e o Baek, estou sendo sincero. Abracei ele, agradeci por ter a amizade dele, e ele me beijou, e foi... Tão simples. Um simples beijo, que não significou nada. E eu não preciso dizer que não se comparou ao seu beijo, certo?

— Ah... — repetiu, sem jeito — Foi um mal-entendido.

— É!

— Me sinto ainda mais idiota. — resmungou a última frase.

Agora estava tão vermelho que podia sentir a quentura no rosto.

Olhou ao redor, vendo que alguns universitários olhavam a cena com curiosidade. Tratou de se afastar alguns centímetros de Sehun. Não saberia como explicar quem era o cara de terno tão perto de si, ao ponto de beijá-lo.

— Depois a gente conversa.

— Vou no seu apartamento mais tarde.

Junmyeon deu de ombros, querendo se mandar o mais rápido possível. Estava tão envergonhado, enquanto Sehun se acabava de rir.

— Você não tem noção de como fica uma graça quando cora...

Revirando os olhos, Junmyeon deu as costas e andou rápido, torcendo para Sehun não o seguir novamente.

De longe, pôde enxergar Chanyeol se aproximando de si com um sorriso maldoso. Grunhiu por saber que teria que explicar quem era Oh Sehun para o amigo, quando nem mesmo ele sabia quem era para si. Talvez fosse um cara engomadinho, egocêntrico, dono de uma editora cobiçada por muitos escritores... Mas também podia ser o homem da sua vida.

 

❝❤❞

 

Era tão bom ficar abraçado com Junmyeon, na cama de solteiro apertada que ele tinha. Assim, os dois ficavam ainda mais grudados.

Estavam ambos praticamente sem roupa alguma. Sehun havia entrado no apartamento do Kim beijando-lhe a boca sem pedir permissão. Estava com tanta saudade que não conseguiu se controlar.

E a imagem de um Sehun de terno e cabelos ruivos bagunçados, o agarrando com força não ajudou em nada. Junmyeon não se afastou. Não queria se afastar. E ali estavam os dois, grudados na cama nada confortável do garoto.

— Acho que o Baek gosta de mim.

— Você acha?

— Hm... Tenho certeza. Preciso falar com ele sobre isso.

— Cuidado pra ele não te beijar de novo, Sr. Oh.

Rindo, extremamente feliz, Sehun o abraçou mais forte pelas costas, as pernas se enrolando por baixo do cobertor.

— E eu conversei com ele sobre você... Não consigo entender.

— Me resolvo com o Baek depois. Vamos conversar sobre nós dois. Pode ser?

— Pode. — respondeu, calminho. Depois de Sehun beijá-lo tanto, era impossível continuar com raiva. Até porque, não havia motivos para ficar com raiva.

— Vai fugir de mim de novo?

— Não. — foi sincero — Desculpe por tudo aquilo. Fiquei preocupado. Com nós dois.

— Não consigo pensar em nenhum motivo pra você se preocupar com a nossa relação. Não me fale sobre relacionamentos entre chefe e funcionário. A The Oh’s Company é uma editora, eu a fundei, e só. Não mando em ninguém. Talvez um pouco. Bom, a questão é que... Nada vai impedir que eu fique com você, entende? A não ser você mesmo, Junmyeon.

Se perguntando como ainda ficava sem jeito com Sehun, — quando já estava cada vez mais acostumado com ele — se desvencilhou do abraço e encarou o teto. Claro que Sehun o observou. Mas, para a sua surpresa e alívio, não por muito tempo. Sehun subiu em cima do seu corpo e enfiou o rosto no pescoço dele, sentindo o cheiro de sabonete que já conhecia e apreciava.

Ele rebolou o quadril, e logo as mãos de Junmyeon já estavam na bagunça ruiva, puxando, leve, não querendo nunca que Sehun parasse de beijar sua pele tão sensível.

As mãos desceram pelos ombros largos, sentindo os músculos. Sehun sentiu alguns pelos eriçarem e fez uma pressão maior com o quadril em cima de Junmyeon.

— Eu amo tanto o seu corpo. — sussurrou Junmyeon, de olhos fechados, sentindo cada parte dos músculos que ele tinha, as mãos descendo pelas costas, até adentrar a boxer preta e apertar as duas bandas da bunda — Amo seu cabelo ruivo, amo a sua boca em mim. — continuou, sentindo Sehun se esfregando em si.

— O que mais?

— Amo você. — admitiu, sem se sentir sem jeito. Ficava mais fácil quando Sehun estava com a boca o chupando, e não com os olhos nos seus.

O Oh se afastou, o pau dolorido pela excitação que precisava de alívio, e se sentou na cama, com as costas coladas na madeira. Bateu em uma das coxas nuas, pedindo sem precisar falar em voz alta que Junmyeon se sentasse em seu colo. O pedido foi atendido rápido. Junmyeon queria rebolar em cima daquelas coxas e sentir as mãos quentes de Sehun em si.

Quando se sentou, com uma perna de cada lado e os braços rodeando o pescoço alheio, Sehun o tocou pelas costas e as mãos passearam pela pele já acostumada com aquele tipo de toque.

Beijaram-se devagar, até que Junmyeon sentiu a necessidade de começar a esfregar o seu pau com o dele. Rebolava mais rápido à medida que sentia o orgasmo mais perto.

Ele sentiu as mãos sempre tão firmes e quentes de Sehun afundarem dentro da boxer branca que usava, e o indicador fazendo um carinho leve na entradinha que começava a piscar. Junmyeon ofegou e parou de beijá-lo, mas Sehun não lhe deu trégua. O beijou novamente, e o fez continuar se mexendo, até que, ali mesmo, com todos aqueles carinhos, os dois chegaram ao limite. Continuaram agarrados, os narizes roçando, as mãos sempre passeando pela pele suada.

— Sabe qual é a melhor parte disso? — perguntou Sehun, quase tonto em olhar Junmyeon tão de perto. Ele era lindo, e quando não usava os óculos, a aparência de garoto desaparecia.

— Qual?

— Vou voltar a trabalhar com você.

Junmyeon soltou um riso. Sehun não compreendeu, e parou os movimentos.

— Qual é a graça, garoto?

— Eu e Baekhyun já terminamos tudo. Só falta lançar o livro, cara.

— Ah. Ah, bom, não é tão ruim... Você finalmente escreveu o fim da história, isso é o bastante pra mim.

A cabeça de Junmyeon foi para lá e cá, negando, incrédulo. Depois riu com vontade.

Sehun se perdeu naquela risada, e teve certeza de que estava agradavelmente tonto.

 

(...)

 

Era o dia do lançamento do livro e Sehun estava tão animado que parecia impossível ficar quieto.

Quando terminou de fazer o que precisava em sua sala e estava pronto para prestigiar Junmyeon no salão de lançamentos da editora, Baekhyun colocou a cabeça na brecha da porta, depois de bater.

— Baek! — cumprimentou animado, lembrando vagamente de que aquela boca vermelha havia beijado a sua há uma semana — Foi tudo tão corrido nos últimos dias que não tivemos tempo de conversar.

— Bom, é pra isso que estou aqui. Tem um tempinho?

— Pra você? Todo o tempo do mundo. Sente-se, por favor. — esperou que ele se sentisse confortável e falasse.

— Eu... Estou indo embora da editora.

— Como? — as sobrancelhas se juntaram e o corpo ficou tenso.

— Pedi demissão ao RH. Sinto muito. Trabalhar com você foi a melhor experiência da minha vida, mas... Está me fazendo mal. Não consigo olhar todo dia pra você e não poder beijá-lo. Desculpe, eu... Estou me sentindo um idiota. Não consegui evitar o que eu sinto por você, Sr. Oh.

Depois de um tempo, muito chocado e sem conseguir sorrir, Sehun disse:

— Não vou deixar você se demitir. Não quero perder você. Seu talento fez essa editora crescer, Baek. Não pode ir embora por causa disso. Não que eu não entenda o seu lado, só... Por favor... — estava desesperado.

— Não ache que vai se livrar de mim. Somos amigos. Só... Preciso ver você com menos frequência.

— Não tem nada que eu possa fazer pra que você mude de ideia?

Ele negou. Estava com um sorriso fraco e o olhar triste. Sehun achou que talvez fosse uma boa ideia mesmo. Não estava fazendo bem para Baekhyun e não queria que ele se sentisse mal.

Suspirou, a tristeza tomando conta do peito.

— Vou sentir sua falta.

— Eu também.

— Ao menos vai ao lançamento?

— Claro! Eu trabalhei no livro com aquele garoto, quero ver o sucesso dele.

— Ótimo. — sorriu aliviado, mas ainda muito triste — Vamos juntos, então.

O Byun retribuiu o sorriso, aliviado da mesma forma, e Sehun soube que ele ficaria bem.

 

❝❤❞

 

Junmyeon estava corado da cabeça aos pés. Havia tanta gente querendo comprar o seu primeiro livro que era difícil acreditar.

Não tinha problemas em ficar em um espaço rodeado de pessoas, o problema mesmo era que todo mundo ali havia se tornado seu fã. Havia a equipe da The Oh’s Company, Chanyeol, Hana, Baekhyun, autores da editora e Sehun, claro, com um sorriso enorme no rosto. Resolveu ir até ele. As bochechas estavam doendo. Estava sorrindo tanto para as pessoas que se tornou cansativo — mas não algo ruim.

— Posso ficar um pouquinho aqui com você?

— Com toda a certeza. — os braços antes cruzados agora abraçavam Junmyeon pelos ombros, quase prendendo o garoto.

— Sehun... Não fica muito colado em mim. O que as pessoas vão pensar?

— Vão pensar que somos um casal, e não vão errar o palpite.

O Kim revirou os olhos, não conseguindo controlar o sorriso de canto.

— Meu escritor favorito. — Sehun voltou a dizer.

— Para de mentir, cara...  Olha, tenho que ir. Tão me chamando. De novo.

— Boa sorte com os autógrafos.

Quando era mais novo, por volta dos onze anos, Junmyeon treinou o próprio nome em forma de autógrafo. Na época, achava uma bobagem, agora, ele agradecia a si mesmo pelo treinamento — principalmente nas aulas do professor carrasco que não suportava.

A sensação de se ter um sonho realizado era indescritível. Quase surreal. Era difícil acreditar, mesmo que estivesse vivendo aquilo naquele momento. Sua foto segurando um exemplar do livro estava estampada em um banner na entrada. Quando olhou na primeira vez sentiu que era muito para si. Minutos depois achou que já estava na hora de se sentir o máximo, principalmente porque as pessoas o olhavam com orgulho e lhe sussurravam elogios.

Alguns exemplares do seu livro estavam arrumados em uma mesa longa. Baekhyun havia cuidado de praticamente tudo. Ele e Sehun.

Houve o momento em que precisou conversar com Baekhyun. Ele que procurou Junmyeon, acanhado. Explicou-lhe a situação e pediu desculpas. Junmyeon não sentiu raiva, ou mágoa. Podia sentir como Baekhyun era puro. No fim da conversa, desejou boa sorte a ele, como ele havia feito consigo.

Em resumo, Junmyeon estava mesmo com sorte.

Esquecendo-se um pouco de todos aqueles pensamentos, sentou-se em frente à mesa longa e tirou a tampa da caneta preta. Tentou ao máximo fazer com que as mãos não tremessem, não queria que o achassem um garoto. Apenas Sehun tinha aquele direito. Ele era uma exceção. E a única. Tinha muito o que agradecer a ele.

 

SEIS MESES DEPOIS

 

Sehun estava esperando Junmyeon, balançando a perna sem parar. Queria falar algo importante com ele e, sendo sincero, não fazia ideia de qual seria sua resposta, mesmo que já o conhecesse muito bem.

A cafeteria estava lotada, o que o fez se lembrar do dia em que derramou café na mesa dele. Riu sozinho com a lembrança. Junmyeon tinha ficado tão irritado. Sehun lembrava-se de como se segurou para não cair na risada com toda a situação.

— Rindo sozinho, Sr. Oh?

Ele reconheceria aquela voz educada e melodiosa em qualquer lugar.

Levantou o rosto e encontrou um Baekhyun sorridente demais — parecia até outra pessoa. Sehun sentiu tanto alívio em vê-lo aparentemente feliz que se levantou e o puxou para um abraço, antes mesmo de cumprimentá-lo.

Não negava a si mesmo que se sentiu culpado com a demissão de Baekhyun. Não queria que as coisas tivessem acontecido daquela forma. De todo jeito, era passado, e tudo estava bem agora — pelo que parecia. O sorriso dele dizia muita coisa.

— Baek! Como é bom ver você.

— É muito bom te ver também. Não me espanta te encontrar aqui. Sempre adorou um café...

— Você me conhece bem. O que você faz aqui?

— Tomar um café e comer alguma coisa. — riu, como se sua ida até ali fosse óbvia.

— Você está radiante. O que aconteceu?

— Eu não consigo mesmo disfarçar. — desviou o olhar, abraçando os próprios braços cobertos pelo sobretudo verde — Conheci alguém.

— Sério? Isso é ótimo. Espero que não seja o seu chefe. Não quero que nenhuma editora perca a pessoa talentosa que você é, ouviu bem?

Baekhyun não conseguia parar de rir. Sehun soube que tinha acertado na mosca.

— É sério? Qual é o seu fetiche em relação a gostar amorosamente do próprio chefe? — perguntou, sério, não conseguindo controlar o riso depois.

—  A diferença é que agora ele gosta de mim. Não sei como me meto nesse tipo de situação... Talvez eu tenha uma queda por homens de terno que sejam donos de algum lugar. — soltou um riso, sem graça.

— Onde está trabalhando? Quer dizer... Com quem? Se não for intromissão da minha parte.

— Você sempre foi e ainda é o meu melhor amigo, não contar a você seria um crime.

— Então...

— Hmmm, você o conhece. Do Kyungsoo. Já participou de reuniões com ele. E eu estive presente.

— Está falando sério? Se a minha editora não existisse, a dele seria a mais cobiçada do país. E ele gosta de você também?

— Acho que sim. Ele me beijou depois que completei dois meses na editora. Posso estar enganado, mesmo que ele tenha dito que não vai deixar eu sair de perto dele.

Baekhyun estava vermelho, e Sehun, surpreso, sem conseguir fechar a boca.

Ele olhou o relógio, não só para disfarçar a timidez, mas porque não podia mesmo se atrasar para o trabalho.

— Foi muito bom ver você, Sr. Oh. — riu, de novo — Sr. Oh... Nunca vou perder o costume. E como está o garoto?

— Eu e Junmyeon estamos bem. Se eu conseguir abrir a boca e me manter são, vou chamá-lo pra morarmos juntos.

— Espero que ele aceite. É difícil saber quem tem mais sorte nessa relação.

— Gentileza sua, Baek.

— Eu sei. Tenho que ir agora. Vejo você depois. — ele o tocou no ombro e foi até a fila pedir o seu café.

O Oh pensou nas mudanças de Baekhyun. O olhar brilhante, o cabelo ainda platinado e mais curto, o sorriso que não saía da boca... Ele estava mesmo mudado. A culpa que sentia desde sempre havia sumido como em um passe de mágica. Precisava vê-lo com calma outro dia. Era o seu melhor amigo, afinal. Conviveu com ele por muitos anos e sentia falta dos conselhos inteligentes que ele sempre tinha na ponta da língua.

— Tá no mundo da lua, é?

Ele levantou a cabeça novamente, sem perceber o tempo longo que ficou refletindo. Sorriu tão grande que os olhos se fecharam ao ver Junmyeon, que revirou os olhos e se sentou de frente para si.

— Você não precisa ficar com essa cara de abobalhado toda vez que eu aparecer na sua frente.

— Sabe que é impossível.

— Qual é... Eu sou o mesmo de sempre. As mesmas roupas caretas, os mesmos óculos, o mesmo corte de cabelo. Vamos, diga logo, temos que encontrar a Hana ainda. O que tem de tão importante pra falar comigo?

— Está bem. Eu nunca pensei nisso antes. Meu trabalho, Hana... Sempre foram as coisas mais importantes pra mim, e então eu conheci você, e... Você se tornou uma exceção na minha vida.

— Que fofo. Você vai ficar vermelho de vergonha agora ou devo esperar mais alguns minutos? — o tom era irônico.

Sehun semicerrou os olhos, irritado.

— Eu já estou nervoso o bastante aqui, não piore a minha situação.

— Beleza, desculpa. Continua.

— Eu sei que você reformou o seu apartamento há uma semana, e que agora sua rotina é corrida, porque você está em turnê com o livro, e a minha atenção agora é dada aos seus fãs, mas... Eu... Queria saber se você... Não sente vontade de passar mais tempo comigo.

Foi a vez de Junmyeon estreitar os olhos.

— Claro que sinto, é por isso que sempre durmo no seu apartamento e você dorme no meu.

— É onde eu quero chegar. Seria... Interessante se... Morássemos juntos... O que acha? — falou tão baixo que torceu para Junmyeon não ouvir. Estava com medo de que ele o achasse um bobo apaixonado. Bobos apaixonados sempre se davam mal, em sua concepção.

Junmyeon ficou tão surpreso com a proposta que estava pronto para se levantar e pedir um café, só para que Sehun não o visse corando. Como sempre, deu tudo errado. O braço bateu no copo de Sehun e todo o café foi derramado na mesa. Junmyeon ficou vermelho e colocou a mão na testa, os olhos fechados.

— Desculpa. — sussurrou — Você consegue me deixar nervoso mesmo depois de todo esse tempo. Não devia falar esse tipo de coisa, você ainda é muito egocêntrico.

— E você acha que eu não sei? E é tão bom ouvir você me insultar. Gosto de tudo em você. Isso parece perigoso.

Ele o olhou, e deu de cara com um Sehun não segurando a risada. Todo o corpo balançava com ela.

— Para com isso, cara. Eu já não tô vermelho o bastante pra você?

— Ainda não, falta só uma coisinha...

— O que, Sehun? — perguntou, impaciente, nervoso e sem jeito — O que falta? 

— Falta eu dizer que você é uma graça e chamá-lo de garoto.

— Vá em frente. Acabe de me matar.

— Exagerado... — puxou a mão dele, ainda na testa. Estava fria e o contraste com o gelado e o quente foi delicioso — Você é uma graça, sabia? Meu garoto.

Junmyeon se levantou para pedir um café, mas já era tarde. Sehun já tinha visto o rostinho lindo e corado que o seu garoto tinha.


Notas Finais


Gente, valeu a quem chegou até aqui, (espero que alguém tenha conseguido encarar esse monte de palavras. Por mim, ainda teria ficado maior, mas decidi não ser tão exagerada).
O livro do Junmyeon fala sobre uma missão secreta de soldados do exército que precisam enfrentar seus próprios clones inimigos em uma missão secreta, (tá feliz, EXO?). É uma história bem ficção científica. Queria ter abordado isso melhor, mas a oneshot ficaria gigante.
E sim, o Junmyeon aceitou morar juntinho do Sehun. Ele ficou envergonhado demais pra falar isso em voz alta, o bichinho.
Agradecimentos especiais à Gabi @sf9feminist pela capa MARAVILHOSA, Gabrielle @okayasu pelo apoio que você me dá desde SEMPRE, Cami @Camis_Cunha um AMOR comigo a qualquer hora, e minha professora de inglês favorita, e Nanda @des_colonizada pela betagem e por ser uma amiga TÃO querida.
É isso, seguimores. Eu espero muito aparecer novamente por aqui. Escrever sempre foi a coisa que eu mais amo fazer na vida, mas ultimamente tá me fazendo um mal enorme. De qualquer forma, escrever ainda é tudo pra mim (e tudo que eu conquistei, incluindo minhas fanfics, meus livros publicados e meus leitores), então definitivamente eu vou tentar aparecer aqui novamente algum dia.
Até logo e um beijo em todos. Qualquer coisa tô no Twitter 24h por dia falando sobre o EXO e reclamando da vida: https://twitter.com/isthismi.
💛


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