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História A face da dor - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Alimentada pelo ódio


Keiko acordou algumas horas depois e a primeira coisa que fez foi olhar o relógio do celular, já era onze da manhã, se levantou sem a mínima vontade e ligou a TV vendo a entrevista de Endeavor falando sobre a captura do Stain e sobre três alunos da U.A. feridos.

No mesmo instante ela se lembrou de Shoto e correu pro banheiro, tomou um banho rápido, vestiu uma calça jeans clara e uma camisa branca larga com decote redondo, deixava um pouco amostra sua barriga, amarrou o cabelo em um rabo de cavalo e calçou um tênis branco, aplicou um perfume doce e pegou sua bolsa no caminho da porta.

Nem se deu o trabalho de desligar o eletrodomésticos. Quando estava na entrada do hotel, pegou o primeiro táxi que apareceu e pediu ao motorista para levá-la ao hospital rápido.

Depois de alguns minutos que para ela pareceram horas, finalmente havia chegado ao seu destino, pagou o moço e entrou na recepção questionando onde estava Todoroki Shoto.

Após a informação dada, ela seguiu a passos apressados pelos corredores procurando o leito que o rapaz dividirá com mais dois garotos, Keiko respirou fundo e abriu a porta a qual pode ver Midoriya, Iida e Todoroki.

- Keiko-chan? – Izuku foi o primeiro a nota-la, a morena foi até o bicolor que a olhava surpreso ainda sentado na cama e o abraçou pelo pescoço.

- Ainda bem! – a garota tentava segurar suas lágrimas – Baka! Me deixou preocupada! – Shoto se surpreenderá com a atitude repentina da menor mas a abraçou. Assim que se afastou olhou os demais – Vocês três tem o que na cabeça? Podiam ter se ferido gravemente!

- Ela está certa! – olharam para a entrada vendo Gran Torino de cara fechada e logo atrás um homem enorme com cara de cachorro e ao lado um rapaz de altura média – Esse é o Chefe da polícia de Hosu, Tsuragamae Kenji!

Os três ficaram de pé e quando o esverdeado ia se levantar o mais velho interviu.

- Pode ficar sentado, au! – ele diz e Midoriya ficou sentado na beira da cama – Quem é você mocinha, au?

- Nossa amiga, aluna da U.A. e também faz estágio com Todoroki-kun! – Iida respondeu por ela.

- Já sei que não foi o Endeavor que capturou o Assassino de heróis! – confessou preocupada com o estado que seus amigos se encontravam.

- Você não agiu com imprudência também né, au? – Kenji a questionou.

- Fiquei ajudando a retirar os feridos como Endeavor havia pedido!

- Pelo menos um que não desobedeceu as regras, au! – Kenji começou a conversar e explicar a situação para os adolescentes e depois se retirou junto com os outros responsáveis de Midoriya e Iida.

- Endeavor ainda está na entrevista? – Shoto a questionou, a mesma estava sentada ao lado do bicolor na beira da cama quando recebeu uma notificação no celular.

- Não! – diz sentindo uma gota se formar na sua cabeça – Ele já tá no hotel! – havia se esquecido da TV.

- Por que parece que viu um fantasma? – olhou para Shoto.

- Esqueci a TV ligada, pelo menos sei que vocês estão bem! Vocês não podem me deixar preocupada! Não tenho coração de aço pra suportar perder alguém! Vocês se colocam demais em perigo! – se levantou – E você, Shoto-kun, quando sair do hospital teremos um treino intensivo com as chamas! Sei que suas intensões foram boas e estou orgulhosa mas você se colocou em risco! – caminhou até a porta – Melhoras meninos! – se retirou do hospital mais relaxada, os três ficariam bem e era só isso que importava.

No quarto, Iida e Midoriya encaravam o bicolor que agora tinha uma feição triste no rosto.

- Algum problema Todoroki-kun? – Izuku o questionou – Aconteceu algo entre você e a Keiko-chan? – Shoto o olhou surpreso.

- Como sabe?

- Desde que ela entrou na escola, é a única que consegui fazer você perder a cabeça! – Iida respondeu – Podemos ajudar em algo?

- A não ser que um de vocês consiga ler a mente dela, não podem! – respondeu seco.

- Não sabemos, mas tem alguém que sim! – Izuku diz.

- Foi força de expressão Midoriya! – Shoto respondeu desanimado mas o esverdeado continuava firme.

- A Ashido-chan pode falar com ela!

- Não! Ela não! – diz se lembrando da conversa das duas.

- Vai contar ou precisamos trazer o Kirishima-kun aqui para ser seu terapeuta? – Iida questionou – O bem estar de vocês é importante pra mim!

- A Keiko disse que gosta de uma pessoa! – Shoto encarava suas mãos fechadas – E que essa pessoa gosta de outra garota! – finalizou.

- E de quem você acha que ela estava falando? – Izuku já deduzia que era do mesmo.

- Daquele idiota que me atacou quando eu joguei rámem na cabeça dela! – confessou para decepção dos amigos.

- Hamura Kenay do segundo ano? – Iida o olhou – Chamam ele de Anjo de Papel! É um dos melhores alunos do segundo ano, entrou na escola por recomendação e ano passado tirou o primeiro lugar no Festival! – concluiu e percebeu que havia falando demais ao notar o semblante apagado do amigo.

- Por que acha que é ele? – Izuku questionou.

- São amigos desde a infância! Ele sempre tenta proteger ela e.... Eu já vi como ela fica quando ta perto dele! Mau sabe completar uma frase! – Shoto se sentia mais irritado cada vez que falava.

- Eu não acho que seja dele que ela goste! – Iida diz.

- Hamura-kun não é o único que fala com a Keiko-chan! – Izuku tentou abrir os olhos do amigo.

- Bakugou? – tal nome fez Iida e Midoriya se sentirem derrotados e sorriram sem graça, Shoto não podia dizer algum nome que fosse mais fácil de lidar?

- Por que acha que seria o Kacchan?

- Já vi os dois conversando é só com ela que ele não “explode”! – explicou – Bakugou cuida dela!

Aquilo havia sido um choque para os dois telespectadores, Bakugou e cuida na mesma frase? Aquilo era impossível! Os dois olhavam o bicolor que ainda estava incomodado, não queria simplesmente dizer que era dele quem a Yagi gostava ainda mais sem ter como provar visto que os dois tiveram pouco convívio.

Porém Midoriya já havia analisado as atitudes da morena, por causa de Shoto, ela assumiu a responsabilidade do “Colégio de gelo”, pediu para receber a suspensão no lugar do rapaz quando ele jogou comida na mesma e ainda brigou com o amigo da garota, ajudou ele com o treino das chamas e era a única que desde o início não teve medo de tentar se aproximar dele.

Mas quem era ele para explicar tudo aquilo, apenas tentou dar uma ideia.

- Por que não tenta conhecer ela melhor? – sugeriu. Shoto olhou o esverdeado e apenas balançou a cabeça em concordância.

。。。。

Dois dias haviam se passado e Iida já havia recebido alta, Shoto se arrumava enquanto Izuku permanecia sentado na cama, quando ia abrir a boca para lembrar o bicolor do que falará antes, escutaram batidas na porta e logo viram a jovem Yagi usando um vestido branco de renda com decote ombro a ombro, com sapatilhas da mesma cor e o cabelo longo solto.

- Ohayo! – sorriu para os dois – Seu pai pediu para eu vir buscar você!

- Eu machuquei meu braço, não quer dizer que estou deficiente! – Shoto diz seco e recebeu um olhar sério do esverdeado e então olharam Keiko que teve o semblante triste por um momento e então forçou um sorriso.

- É só por precaução, além do mais eu estava aqui por perto! – mentiu e apenas Izuku percebeu isso – Quando você poderá sair Izuku-kun? – direcionou o olhar para o outro amigo.

- Em dois dias! – respondeu.

- O Gran-occhan ainda ta irritado? – Keiko conhecia o velho mestre de seu pai, Midoriya sorriu preocupado, como ela conseguia ter tanta serenidade ao falar do ancião.

- Você não tem medo dele?

- Até meus sete anos eu pensava que ele era um gnomo de jardim que queria matar o papai com os treinos mas aí ele disse que era porque ele precisava aprender a agir com prudência, desde então não tenho medo dele! – respondeu com calma surpreendendo o bicolor.

Um gnomo de jardim? – Shoto indagou mentalmente e não conteve um sorriso, admirava a imaginação da menina.

- Por que você tá sorrindo? – Keiko o tirou dos pensamentos.

- Nada! – colocou a mochila na costa – Vamos?

- Até segunda Izuku-kun! – acenou e os dois saíram do hospital caminhando lado a lado.

- O que o Endeavor disse? – Shoto a olhou de canto.

- Nada demais! – diz com as mãos atrás da costa – Mas ele parecia orgulhoso! – respondeu ao lembrar da reação do segundo herói ao saber o motivo do filho ter agido daquele jeito.

- Humm.... – Shoto não queria tocar no nome do pai então voltaram a andar em silêncio.

“Por que não tenta conhecer ela melhor?” – a sugestão de Izuku veio sua mente e olhou a menina ao seu lado que parecia triste.

- Como acha que esta indo os estágios dos nossos amigos? – Keiko ainda continuava de cabeça baixa.

- Não parei pra pensar nisso! – tal fala fez a menina levar a cabeça para poder olha-lo.

- Sério? Eu não parei de pensar se eles estão bem ou não! – diz imaginando como estariam os colegas.

- Se preocupa demais por pouca coisa! – Shoto comentou fazendo a mesma o olhar chateada.

- Por que você é tão insensível as vezes? – perguntou fazendo o mesmo parar mas ela continuou a andar.

Shoto ao perceber correu para alcança-la até que acabou por esbarrar em algo, ou melhor alguém.

- Oe, olhe por onde anda tampinha! – levantou a cabeça e encarou o cara maior que ele, usava um uniforme que ele conhecia bem Shiketsu High.

- Tsc.... – se ajeitou e viu que Keiko estava pálida de repente – Yagi-san? – balançou a mão na frente do rosto mas ela ainda estava estática.

- Você também por aqui desertora! – o maior cruzou os braços e se abaixou ficando quase da altura da menina – Você acabou mau no Festival! Achei que tinha morrido! – deu um peteleco na testa da menina fazendo-a sair do transe e massagear o local atingido – Seria o mínimo por ter desonrado a Shiketsu High!

Shoto trincou os dentes e fechou as mãos, como ele ousou tocar nela? Estava querendo morrer?

- Claro, claro, quem sabe um dia! – Keiko soou sarcástica e Shoto a encarou – Faz um favor e me deixa em paz! – passou pelo mesmo puxando Shoto antes que o mesmo avançasse pra cima do grandão.

- Quem era ele? – não aguentou a curiosidade.

- Não importa! Não vale a pena saber! – respondeu e continuou a andar sem notar que ainda segurava a mão do bicolor que em momento algum tentou se soltar da mesma e seguiram o caminho até o hotel.

。。。。

Três semanas depois

Todos já se encontravam na sala conversando com Aizawa sobre o teste final antes das férias e sobre o acampamento. Os três dias de provas já haviam acabado e agora vinha o mais difícil, o teste prático onde não sabiam o que tinham que fazer.

Keiko estava tão avoada em seus pensamentos que não percebeu o sinal do intervalo tocando e só “acordou” ao ver Shoto em sua frente.

- Não vai pro almoço? – perguntou e a menina deu-se conta que estavam apenas os dois na sala e se levantou.

- Sim, eu vou! – seguiram andando até o refeitório mas foram impedidos de entrar.

- Vamos! – Mina e Kirishima empurravam os dois pra fora da escola e logo viram toda a turma reunida – Hoje vamos almoçar no dormitório! – Mina avisou.

- Já conversei com Aizawa-sensei e ele nos deu mais vinte minutos além do intervalo! – Momo diz – Também falou algo em “terei mais tempo pra relaxar”, agora vamos! – seguiram para o prédio dormitório da turma é assim que entraram, puderam sentir o cheio da entrada que vinha da cozinha.

- Uau Sato-kun, o cheio está maravilhoso! – as meninas disseram e se sentaram na mesa, Shoto caminhou até um lugar vazio mas logo fora ocupado por um ruivo.

- Já to aqui! – diz então o bicolor seguiu para outro mas fora ocupado por Denki.

- Senta ali! – apontou para uma cadeira vazia perto de Keiko que conversava abertamente com Mina mas o mesmo sentou-se em uma cadeira perto da vice-presidente da sala, Momo.

Denki, Mina, Eijiro e Izuku ficaram um tanto quanto confusos mas Keiko não pareceu notar aquilo.

- Aqui está! – Sato serviu os amigos que logo começaram a comer quando o celular de Keiko começou a vibrar sem parar e a mesma se retirou da mesa deixando a amiga confusa.

A Yagi subiu as escadas até seu quarto para atender a ligação.

- Oi vovó, você sabe que.... – se interrompeu ao escutar o choro da anciã – O que foi?

- Keiko.... Seu avô.... Ele.... – a senhora de idade soluçava sem conseguir completar a frase mas Keiko já havia entendido e caíu com tudo no chão, seu avô havia falecido.

- Deixa eu falar com ela mamãe! – escutou a voz de seu tio caçula – Keiko, o seu avô foi assassinado! – os olhos da menina arregalaram e o ódio tomou conta de seu coração.

- Quem? – a voz chorosa ainda sim saíu firme mas coberta de ódio.

- Sua prima.... Mikoto! – as palavras do tio fizeram a minha se levantar e desligar o celular desabando em choro, pegou a foto que tinha no porta-retrato com uma loira um pouco mas velha que ela e jogou contra a parede quebrando em pedaços e caindo de joelhos no chão, escorando-se contra a cama, abraçou suas pernas e baixou a cabeça.

No andar de baixo, os amigos pararam de falar ao escutar o barulho, a amiga ficava no andar logo acima então não era difícil de escutar os sons. Mina se levantou sabendo que havia algo de errado.

- O que será que foi dessa vez? – perguntou angustiada e subiu junto com Ochako e Tsuyu até o quarto da menina porém estava trancada e se preocupou mais ainda. Logo a turma estava no corredor procurando explicações.

- Ta trancado! – Ochako diz e Iida como representante bateu na porta.

- Yagi-san, tudo bem? – perguntou.

- ME DEIXA EM PAZ! – a voz da menina soou atrás da porta, Mina sabia que se a morena gritou e não pediu desculpas, era porque tinha algo de errado.

- Vou ligar pro pai dela! – diz discando o número mas parou ao escutar outro som de estrondo dentro do quarto e desligou o celular – Keiko abre essa porta ou eu jogo ácido nela!

- O PROBLEMA É SEU! NÃO SOU EU QUEM VOU PAGAR E MUITO MENOS SER SUSPENSA! – gritou novamente, Mina sabia que a amiga estava chorando e não queria deixá-la sozinha – Mentirosa! – escutou um murmuro, de quem Keiko falava?

- Deixa eu tentar! – Momo se aproximou da porta mas antes de bater recebeu um alerta.

- Se quer continuar viva afastasse da porta! – a voz de Keiko agora transmitia ódio e isso deixou todos surpresos.

- Ainda estão aqui? – todos se assustaram ao ver Aizawa com a áurea negra perto deles mas então suspirou cansado – All Might já me pediu a liberação dela por hoje! – escutaram mais barulhos de coisas quebrando e olharam o sensei – Vamos, melhor deixar ela sozinha! – ninguém móvel um dedo que fosse.

- O que ela tem? – Mina sabia que era arriscado, mas pela melhor amiga enfrentava até o demônio se fosse preciso.

- O avô dela faleceu! – Aizawa não queria dizer o real motivo mas Qseus alunos ficaram mais aflitos até que percebeu a falta de um.

- VAI EMBORA! – olharam pra porta achando que alguém havia tentado novamente mas não.

- Vamos! – Aizawa envolveu os alunos em suas faixas e os puxou pra fora do prédio para verem então a enorme cascata de gelo na varanda da garota – Se fosse em outra situação eu não permitiria.... – sussurrou para si mas viu que os alunos começaram a andar por vontade própria.

Dentro do quarto Keiko tentava jogar o jovem Todoroki pela janela mas o mesmo desviava de seus golpes para então envolve-la em um abraço reconfortante.

- Eu to aqui! – Shoto diz a abraçando mesmo que a garota tentasse o empurrar, por fim ela se rendeu ao abraço do moreno e chorou em seus braços. Shoto encarava o quarto um pouco assustado, o que teria desencadeado tanto ódio? Aizawa havia dito que o avô tinha falecido, mas seria essa a verdade?

Todoroki Shoto POV

Quando o sensei disse aquilo, eu sai em silêncio do prédio e entrei no quarto dela pela varanda quase sento jogado pra fora por ela mas consegui acalma-la, olhar o quarto destruído me fez repensar se o que Aizawa disse foi verdade, afastei algumas coisas para nos sentarmos no chão perto da cama e passei meu braço esquerdo por trás do pescoço dela enquanto chorava sobre meu blazer da escola.

Ela não queria perguntas e eu sabia, apenas fiquei ali sendo seu ombro amigo, só eu havia visto ela daquele jeito e sabia que era melhor deixá-la desabar em lágrimas do que extravasar em alguém e talvez fosse em mim mas eu tinha que me arriscar, não sei quanto tempo se passou mas quando seu corpo moveu-se um pouco a segurei reparando em seus olhos fechados e o rosto manchado pelas lágrimas secas.

Coloquei ela sobre a cama e olhei em volta procurando por algo incomum e eu pisei praticamente no que procurava, estava perto do celular dela, um porta-retrato quebrado em pedacinhos e uma foto rasgada ao meio, era dela e uma loira que devia ser no mínimo três anos mais velha que ela, virei a foto e juntei as duas metas.

“Primas pra sempre”

Era o que estava escrito mas duvido que isso seja verdade tendo em vista que a Keiko rasgou aquilo com raiva, destranquei a porta e vindo no corredor avistei All Might.

- Como minha filhinha está? – não falei nada, apenas abri espaço para que ele visse o que tinha dentro do quarto – Kazashi não devia ter falado tudo pra ela! – resmungou e o encarei.

- Tem algo haver com isso? – mostrei a foto rasgada e ele pareceu tremer um pouco.

- Mikoto.... Nunca imaginei que uma delas rasgaria essa foto! – ele tinha uma expressão séria no rosto.

- O Aizawa-sensei disse que o avô dela faleceu!

- É.... Na verdade ele foi assassinado! Acabei de vir da clínica que ele estava! – quando ele disse isso me lembrei do dia em que estava indo ao estágio depois de ver minha mãe, Keiko também estava lá e me falou do avô – Imaginar que ele não vai estar lá pra ver a netinha preferida se formando ou se casando! – sua última palavra me incomodou um pouco.

- Foi essa garota quem matou ele? – perguntei.

- Sim! Acho que nunca vi tanto ódio na Keiko quanto estou vendo agora! – All Might analisava o quarto – Pode ficar com ela, preciso resolver alguns assuntos sobre o enterro e.... – ele me mostrou três envelopes – E entregue pra ela quando acordar! – concordei e ele saíu correndo pelo corredor. Coloquei os três envelopes sobre a mesa de estudos e comecei a limpar aquela bagunça.

Demorei duas horas pra catar todos os cacos de vidro no chão, pelo menos ela não acordo no meio do processo. Depois de limpar tudo encarei os três envelopes e os peguei, no verso do enorme envelope número um laranja dizia.

“Há uma suposta chance de você estar certa, mas o desenho não está errado”.

Era isso que dizia, encarei os outros envelopes e também tinham coisas escritas. Peguei o segundo que era mais pesado.

“Acho que chegou a hora de você controlar seu poder tanto quanto sua mãe e eu”.

O que ele quis dizer com "controlar"? A Keiko não controlava antes?

Peguei o último e me deixou intrigado.

“Não cometa o mesmo erro que sua mãe!”

Eu sei que é errado mas eu queria abrir aquele terceiro envelope, qual seria o erro? E como a Keiko cometeria o mesmo erro?

Eu queria mas me contive ao escutar múrmuros e me levantei colocando os envelopes de volta no lugar. Me sentei na beira da cama e esperei que ela acordasse.

- Ei esquentadinha, acorda! – ela se virou pra mim ainda sonolenta.

- Shoto-kun? – ela se sentou na cama e olhou em volta – Me diz que foi um pesadelo! – neguei com a cabeça, não ia mentir pra ela se sentir bem.

- Ele foi mesmo assassinado! – peguei os envelopes – Seu pai trouxe a algumas horas isso! – entreguei pra ela e recebi um olhar duvidoso – Eu só limpei o que era necessário, não sou o Mineta! – digo ao perceber que ela pensaria errado mas então ela riu.

- Eu sei que você não é o Mineta, você é alto e bonito! – diz e encarou os envelopes – Arigatou! – ela deu um leve sorriso e eu sorri também, gostava de ver o verdadeiro sorriso no rosto dela, era bonito.

- Quer que eu saia pra você poder ler? – pergunto já me levantando quando ela segurou meu pulso.

- Pode ficar comigo agora? Eu.... Eu não quero ficar sozinha! – a olhei vendo pela primeira vez uma garota indefesa, me sentei ao seu lado e ela abriu o segundo envelope falando sobre sua individualidade.

- Yagi-san, você não sabe controlar sua individualidade? – não me segurei e ela me olhou intrigada.

- Você leu? – ela começou a ficar vermelha.

- Não! – respondi – Você ta vermelha, está com febre? – toquei sua testa e ela parecia estar fervendo.

- Eu to bem Shoto-kun! – ela afastou minha mão e abriu e envelope que falava sobre sua individualidade.

“Minha querida netinha, eu sei que é difícil mas eu preciso que aceite logo, não estarei para sempre ao seu lado!

Dentro desse envelope você encontrará um manual explicando melhor sobre o Element e sobre o Fênix, até hoje não acredito que você conseguiu despertar tamanho ser. A única vez que o vi foi com meu bisavô antes dele morrer!

O Fênix é um ser muito inteligente mas imprudente então creio que será fácil pra você controlar ele!

Minha sugestão é que não force nada! Ganhe a confiança dele e ele será eternamente fiel a você!

Ass: Nanomaru Kenichi”

Keiko colocou a carta sobre a minha perna e tirou de dentro do envelope, um livro grosso e logo na capa estava escrito “Element e Fênix”.

Já to vendo que ela vai se concentrar muito nisso enquanto estivermos no acampamento.

- Sua família sabe muito sobre isso né? – questionei e ela me olhou e depois olhou a capa.

- Sim, Fênix é o protetor de todos os portadores do Element, por isso que apenas um herda tal poder! – me explicou. Ela pegou outro envelope e dessa vez era sobre os desenhos mas ela apenas encarou o envelope, não abriu – Será que ele já sabia o que ia acontecer com ele? – passei meu braço por trás de seu pescoço e a puxei pra perto apoiando minha cabeça sobre a dela.

- Não pensa nisso! Só se sentirá pior e.... Você não disse que uma Fênix protege os portadores? – ela me olhou ainda estávamos com os rostos próximos – Fênix renascem das cinzas!

- O que quer dizer? – eu sou péssimo nisso.

- Apenas pense que ele está em paz agora e que mesmo assim ainda vai estar te ajudando! – digo e ela encarou o envelope, se aninhou apoiada sobre meu peito e abriu o papel.

Tirando primeiro um pequeno bilhete.

“Os desenhos nunca mentem!”

Ela pegou algo de dentro e era uma carta bem longa visto que tinha seis folhas.

- O vovô exagerou um pouco! – permaneci calado apenas lendo em silêncio junto com ela. Depois de alguns minutos ela bufou cansada – Mesmo com tantas teorias, ainda sim não acho que o desenho esteja certo! – só pela sua insistência eu via que ela confiava cegamente em mim e eu me desprezava por dentro, mas e se o desenho estiver certo?

Eu vou matá-la em algum momento? Por que? Não vejo sentido em matar alguém que eu gosto!

- O que você acha? – pergunto a ela – Se pra você tá errado, o que deveria ser?

Keiko me olhou surpresa mas permaneceu calada pensando.

- Eu não sei! A única coisa que sei é que você não seria capaz de machucar um aliado!

Será? As vezes penso nas atitudes do meu pai, e se em algum momento eu acabar por agir como ele? E se ela tentar me impedir e eu não deixar? Eu a mataria por isso? Prefiro acreditar que não!

- Você tá certa! – respondi e ela me olhou com os olhos estreitos.

- Sabe Shoto-kun.... – a olhei mas diferente de mim, ela encarava o terceiro envelope – Eu me sinto bem com você por perto! É como se nada pudesse me atingir! – acariciei seus cabelos castanhos. Eu sempre vou estar lá quando ela precisar de ajuda! Sempre vou protegê-la!

- Você já leu muito Yagi-san, melhor você descansar um pouco! – peguei os envelopes e coloquei dentro da primeira gaveta da escrivaninha enquanto ela se ajeitava para dormir novamente – Mais tarde eu chamo você pra jantar! – ela concordou e fechou os olhos.

Encarei a gaveta por alguns segundos e então saí do quarto fechando a porta, fiquei na sala onde seria mais seguro, se eu fosse pro meu quarto a turma arrombaria a porta assim que chegassem ou pior, iriam interrogar a Keiko e no estado que ela está, isso não é o mais indicado.

As horas se passaram e escutei os passos apressados para em segundos estar cercado por toda a turma.

- Como ela ta? – Ashido me puxou pela gola da camisa mas não conseguiu me levantar do sofá.

- Responde Todoroki-kun! – Ochako me olhava apreensiva.

- Deixem ela dormir por enquanto! Realmente o sensei não falou a verdade! – no momento que falei isso senti um leve impacto contra o encosto do sofá.

- Do que está falando? – Mina tinha as mãos cobertas por ácido e suspirei.

- Hoje realmente não é o melhor dia dela então sejam pelo menos uma vez compreensivos e deixem ela quieta! – digo mas então percebi que faltava alguém na sala – Onde está o Bakugou?

- Bem aqui! – Eijiro diz só para então perceber que o amigo não estava mais lá. 

- Deve ter ido pro quarto! Sabem que ele não liga pra nada disso! – Kaminari diz mas suspeitei, não confio naquele “explosivo”.

- Vou preparar algo para ela! – Sato diz indo para a cozinha e algumas das meninas o seguiram.

Depois dos meninos subirem para os quartos, eu fui dar uma olhada na Keiko mas então vi Bakugou sentado no chão perto da cama dela.

- Já sabe quem foi? – ele perguntou e então notei que ela estava sentada ao lado dele.

- Minha prima.... – sua voz ainda estava rouca.

- Quando eu acha-la, vou espancar ela até implorar pra morrer! – Bakugou fechou a mão em um punho e vi que ela ficou assustada.

- Eu não quero que ela morra! – me surpreendo com sua fala – Eu quero descobrir o porquê de matar o vovô! Desde pequenas ele era nosso herói! Sempre cuidou de nós duas! – eu não estava gostando daquela aproximação dos dois, de novo um sentimento estranho brotou em meu peito.  

- No fim da semana, ajudo você a encontrar ela! – ele bagunçou os cabelos dela e senti meu sangue ferver.

- Você realmente tem várias personalidades Katsuki-kun! – ela sorriu e beijou a bochecha dela – É um grande amigo! – aquilo por algum motivo me deixou aliviado.

Pensei em sair dali mas meu corpo se negou a sair do lugar, bati na porta aberta e chamei a atenção dos dois.

- O que você quer meio-a-meio de merda? – franzi o cenho assim como ele.

- Vim falar com ela e não com você Bakugou! – respondi indiferente.

- Por que não podem se dar bem? – Keiko se levantou frustrada – Com licença! – ela passou por mim irritada mas de repente ficou igual uma estátua.

- Yagi-san? – toquei seu ombro mas no mesmo segundo ela entortou minha mão e depois pegou meu braço me jogando no chão em seguida colocando seu joelho sobre meu rosto mantendo meus braços cruzados atrás da costa.

- Você me atrapalha sempre! – olhei em seus olhos e vi eles em um tom vermelho-alaranjado, foi igual quando a Chieko atacou mas por que agora de novo?

- Yagi-san.... – ela forçou o joelho no meu rosto e não consegui falar.

- Entenda uma coisa Todoroki.... – ela se aproximou do meu rosto e um sorriso sádico brotou em seus lábios – Eu sei muito bem sobre seus sentimentos pela Yagi mas vou deixar uma coisa clara! – senti uma dor maior em meus braços – Sua família só causa dor de cabeça, fique longe dela e deixe eu fazer o que mais gosto!

- Do que.... Esta falando? – forcei minhas palavras a saírem.

- Eu gosto de quando ela senti ódio e nesse momento, ela está sendo alimentada pelo ódio! – me soltou de repente e vi a mesma sendo segurada por Bakugou.

- O que deu em você? – no mesmo instante ele foi jogado contra a parede.

- Não se meta! – ela passou por mim ignorando-nos e tentei me levantar mas senti meu pé preso por gelo e suspirei. Usei meu lado esquerdo e quebrei o gelo. Bakugou me olhou irritado e alongando o ombro direito.

- Vai me dizer ou vou ter que perguntar seu meio-a-meio de merda!? – revirei os olhos como a arrogância dele.

- Ela ta com ódio e precisa ser parada antes que mate a própria prima! – corremos na direção da sala e a turma também parecia preocupada.

- O que fizeram? – Mina nos olhava irritada pela primeira vez ela realmente estava querendo acabar com a gente – Vocês conseguiram ativar o Fênix! O que vocês tem na cabeça?

- O que podemos fazer?

- Eu vou ligar pra única pessoa que vai saber me dizer pra onde ela vai! – liguei pro meu pai e ele deu as coordenadas de uma pequena casa nos limites da cidade – Ashido, você, Bakugou e eu vamos procurar ela, o resto tenta atrasar o sensei! – assim saímos da escola procurando por ela.

- É longe? – Bakugou perguntou e neguei.

- Vamos! – corremos mais rápido e avistei o uniforme da U.A. e criei uma parede de gelo para impedir ela de continuar – Para Keiko! – ordenei.

- Patético! – ela de repente ficou coberta por chamas e destruiu a parede começando a andar novamente.

- Atacamos? – Ashido me olhou angustiada e tive que concordar.

- Com tudo! – digo e avançamos, congelei o chão abaixo dos pés dela e Bakugou atingiu ela com uma pequena explosão e Ashido pulou em cima da mesma jogando-a no chão.

- Seria capaz de machuca-la Todoroki? – os olhos dela ainda não estavam azuis.

- Se for necessário feri-la pra salvar, sim! Eu machuco ela! – aquilo ia me ferir por dentro e me atormentar pra sempre mas eu não tinha escolha, Ashido me deu o sinal e dei um soco em sua cabeça fazendo-a ficar inconsciente.

- Acho que só isso já está bom! – Ashido saíu de cima dela e no mesmo instante fomos arremessados para lados opostos.

- Farei questão de que ela tenha essa memória gravada pela eternidade! – a voz ainda não era a dela – Relaxa bicolor! Só vou fazer algumas perguntas pra aquela megera!

- E se não gostar das respostas? – tentava me levantar depois do impacto.

- Deixarei Keiko decidir, por mim mataria aquela loira carbonizada mas.... Tenho minhas dívidas! – em um piscar ela sumiu. Olhei Bakugou e Ashido que já estavam de pé.

Corremos para a tal casa e uma explosão de luz surgiu de dentro da casa e uma mulher saíu voando deixando um rastro pelo chão.

- Keiko.... Me escuta! – a loira parecia assustada.

- Mikoto, não compreende? Seu tempo acabou! – Keiko criou uma enorme bola de chamas com apenas uma mão e lançou na direção da prima mas meu gelo bloqueou o golpe – Você e seu pai sempre foram uma pedra no meu sapato!

- Não vou deixar você fazer da Keiko uma vilã! – atingi ela com espinhos de gelo e a prendi contra a parede da casa – Você vai deixar ela em paz por bem ou pro mal! – ameacei ativando meu lado esquerdo.

- Enquanto ela tiver uma fagulha de ódio, sempre estarei lá pra fazer com que ela exploda todo o poder verdadeiro! – e ela simplesmente apagou, foi quando vi o sangue escorrer de sua testa.

Tirei ela do gelo e a carreguei no colo. Como eu vou explicar isso pra ela?

- Arigatou! Eu não sei o que deu nela pra...

- Sua loira de merda! Você matou o avô dela e agora se faz de inocente? – Bakugou estava sendo segurado pela Ashido.

- Não diga que nos viu aqui e muito menos comente sobre a Keiko! – ordenei – Você não vai querer me ver irritado! – alertei e nos afastamos.

- Ei! Eu disse que ia...

- Você sabe que não é isso que ela quer! Agora vamos voltar pra escola! – digo e seguimos caminhando até o colégio mas o maior problema foi perceber de longe Aizawa nos esperando. 

- O que a gente faz? – Ashido perguntou e olhei em volta.

- Vamos até ele! – Bakugou passou na nossa frente e fomos até o sensei.

- Onde estavam e.... – Aizawa perdeu as palavras e olhou nossos uniformes – Deixe-me adivinhar, ela perdeu o controle e vocês tentaram para antes que o pior acontecesse?

- Ela queria matar a própria prima e conseguiria se não tivéssemos lá! – explico.

- Entrem logo! Por que eu tinha que ficar com essa turma? – reclamou enquanto entravamos – Iida, você e a Yaoyorozu, cuidem da Yagi, vocês três vem comigo!

Iida pegou a Keiko dos meus braços e subiu com ela acompanhado da Momo. Enquanto nós três seguimos o sensei até o escritório dele, será uma longa noite...



Notas Finais


Espero que tenham gostado, até a próxima 😘


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