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História A feiticeira e a loba - Capítulo 3


Escrita por: Alex-Mills

Capítulo 3 - Beleza traiçoeira


Emeril não contou a Julian sobre Selen, esperando que Ilis descobrisse alguma coisa sobre a mulher antes de fazer seu pai se alarmar e querer se mudar, sem que tivessem provas de que corriam perigo. Quando encontrou com a loba dias depois, ela entregou mais um pergaminho, e dessa vez Emeril também deu uma folha com suas próprias perguntas.

—Ela continua na floresta então?

A loba assentiu, usando as patas para esticar a página de perguntas da garota. “Finalmente perguntas que posso pensar a respeito.”

—Vamos continuar de olho. Vou tomar mais cuidado quando voltar para a aldeia.

Quando voltou, no entanto, encontrou todos os moradores da aldeia reunidos no centro, onde Selen estava sentada no chão, com sua mochila no colo. Não acreditou no que viu, e quis correr para a clareira quando a mulher percebeu sua presença, mas preferiu não demonstrar que a conhecia.

—Não acredito que vão aceitar essa mulher aqui. — Reclamou com Julian, que somente observava o interrogatório.

—Você a conhece?

—Não diria isso. Nos esbarramos na floresta. Não confiei nela.

Julian a olhou por um instante antes de puxá-la para longe dos ouvidos das pessoas, certificando-se de que ninguém notou a sua ausência antes de se voltar a filha.

—Por que não me contou nada?

—Não achei que ela fosse encontrar a vila. Olhe para ela, pai, não parece um elfo?

—Pode ser de sua espécie também.

—Ela reconheceu minhas ervas. Sendo elfo ou mago, não pode significar boa coisa.

—Talvez, mas não temos como ter certeza. Ninguém sabia da sua existência.

—Mas sabiam quem você era. Agora ela já deve saber, ou não vai demorar a descobrir, que sou sua filha.

—Ou pode ser uma pessoa comum. Não podemos agir sem ter certeza.

—Devíamos ir embora. Não terminei de estudar o livro da minha mãe. Se ela ficar, vai me atrapalhar.

—Eu vou mantê-la ocupada, não se preocupe.

—Não confio nela.

—Confia em alguém na aldeia?

Emeril estreitou os olhos, olhando para os demais, que já estavam convencidos em deixar Selen a ficar. Suspirou, voltando a olhar para Julian, limpando o próprio suor na barra da sua camisa.

—Não, não confio.

—Nem no seu namorado? — Duvidou, erguendo a sobrancelha na sua direção.

—Henri é uma boa pessoa. — Limitou-se, cruzando os braços.

—Sua mãe iria querer que você tivesse uma vida sossegada, em algum lugar seguro. Não tem que fugir para sempre.

—Eu sei. Até eu ter certeza que aprendi tudo aqui. De qualquer forma, Henri é apenas uma pessoa comum, me faz bem, mas ele não pode saber tudo de mim. Você sabe disso.

—Então por que está com ele?

—Porque... Eu não sei. É estranho falar disso com você. Nunca se interessou pelos meus namoros.

—Porque ele foi o único que veio assumir o que vocês têm. É alguma coisa. Para você não?

      Emeril desviou o olhar, sem saber o que responder para Julian, pois sabia que ele jamais entenderia o conflito dos seus sentimentos quando se tratava de relacionamentos.

—Eu vou para casa. Tem algumas coisas que preciso fazer.

—Se essa é sua desculpa para fugir da resposta, tudo bem. Sabe onde estarei se precisar de algo.

Emeril somente seguiu pela passagem na árvore e entrou em casa sem dificuldades. Foi para seu quarto, respirando fundo quando se viu sozinha.

Seu quarto não era grande, era simples como o resto da casa, possuía somente sua cama, prateleiras com suas poucas roupas, e outras com seus livros, ainda que vários estivessem espalhados no chão.

Sentou no colchão, rente ao chão, pressionando os dedos na pele onde tinha guardado o livro de sua mãe e o pergaminho com as perguntas de Ilis, sentindo um leve formigamento enquanto os fazia crescer em seu tamanho natural.

—Vamos ver o que aquela loba preparou para hoje.

Abriu o pergaminho, estendendo sobre a capa do livro e prendendo com um grampo para impedir que se dobrasse.

—Como era sua mãe? Oh... Ela se interessou por isso. Henri nunca perguntou sequer o nome.

Pegou a caneta tinteiro ao lado da cama, molhando na tinta e usando outra folha para responder à questão. Falou o quanto a mulher era linda e admirada por todos, onde quer que fossem enquanto fugiam, mas sobretudo, falou o quanto sentia falta de seus ensinamentos e de ter alguém para conversar.

—Quem diria que eu estaria trocando correspondência com um lobo.

Continuou respondendo às perguntas com ímpeto, gostando de saber quais eram as curiosidades de Ilis sobre si, mas também despejando sobre uma nova folha tudo que conseguia pensar sobre o que queria saber.

—Parece mesmo entretida.

Emeril se assustou, notando Selen encostada no batente da porta, um pequeno sorriso nos lábios. Fechou o pergaminho e se levantou, avançando contra a mulher e evocando uma lâmina nas costas, mas tão logo tentou imobilizá-la, Selen recuou um passo e girou o corpo, segurando o pulso com a adaga nas costas de Emeril e prendendo seu corpo contra a madeira da parede, sua outra mão sendo presa ao lado do rosto.

—É assim que recebe todos seus visitantes? — Perguntou perto do seu ouvido, ainda com um pequeno sorriso nos lábios.

—Eu não te convidei.

—Não, realmente. Mas seria bom se fosse uma boa anfitriã ainda assim. Se quisesse te atacar teria feito enquanto você estava distraída.

—E por que não atacou?

—Não sou sua inimiga, garota.

—O que você faz aqui então? Se esgueirando em minha casa como uma cobra.

—Eu vou te soltar, então podemos conversar.

Emeril bufou em resposta, praguejando por não saber muita coisa sobre luta física. “E não posso usar meus feitiços em desconhecidos”, relembrou, “não posso chamar a atenção.” Selen soltou seus pulsos, lentamente seu corpo se afastando da pressão que fazia contra o de Emeril. A garota moveu os pulsos para alongá-los, virando-se para encarar a mulher enquanto ela fechava a porta.

—Seu pai está dormindo, não quero acordá-lo.

—O que veio fazer aqui?

—Tentar mostrar que não quero problemas tanto quanto você.

—Bem, não está fazendo um bom trabalho assim sendo.

—Vamos começar do começo, tudo bem? Sou Selen, não sou humana, assim como sei que você não é.

—E o que acha que sou?

—Eu diria que é feiticeira, mas se é mesmo filha do humano no outro quarto, então somente metade de você tem características de mago. Então... estou certa?

Emeril fechou os olhos por um instante, desistindo de manter seu disfarce. Deixou a lâmina por cima da cama e se sentou numa pilha de livros, encarando a mulher uma segunda vez. “Ela parece mais nova agora que está limpa”, pensou, tentando chegar a uma conclusão sobre sua idade.

—Chegou a essa conclusão só por causa das ervas?

—Por isso, e porque enviou aquele lobo atrás de mim.

—Você viu Ilis? — Seus olhos estreitaram. — Eu nunca a vejo de forma simples na floresta.

—Vi, mas foi por causa dos reflexos nos espelhos que deixei pelo caminho. Eu sabia que estava sendo seguida, só não sabia por quem. Falava sério sobre surgir lobos. Me assustou como um inferno.

—Não foi a intenção, mas você ficou aqui ainda assim. — Ela suprimiu um riso, imaginando a cena. — Tem outros pela mata, eu não te aconselho a ficar à noite na floresta, ainda menos na lua cheia, elfo.

—Elfo? — Selen ergueu as mãos, rendendo-se. — Não diga que minha altura te intimidou desse jeito para afirmar que sou um elfo.

—Vai negar? Você parece lutar bem. Você tem a beleza traiçoeira igual de um elfo. E se eu vasculhar sua bolsa, aposto que vou encontrar armas.

—Beleza traiçoeira? — Ela riu, mas se aproximou um passo. — Está encantada, querida?

—O que? Por você? Por que estaria? Você é mulher.

—Ah, por favor. Não seja inocente. Isso nunca impediu ninguém. — Sorriu, tocando o queixo da garota antes de voltar a se afastar, explorando o quarto. — Mas você tem razão, sou uma elfa.

—Está fugindo da sua espécie? — Perguntou devagar, ainda abalada com a aproximação repentina. — Para fugir tão longe.

—Você está fugindo dos magos?

—O que?

—Não me faça as perguntas que você não me responderia, que tal? Direitos iguais.

—Tudo bem. Parece justo. Selen, elfo de lugar nenhum.

—Muito engraçado. Você sabe mais que eu. Sequer me disse seu nome.

—Sou Emeril.

—Emeril, bastarda de magos de lugar nenhum. — Sorriu, voltando a se aproximar, estendendo a mão. — Trégua?

—Trégua. — Concordou, apertando a mão da elfa.

—Então aproveitando que não vai tentar me matar e falhar, por que não me mostra a vila e o melhor da floresta?

Selen gemeu ao sentir sua mão esquentar, afastando para olhar o resquício de luz escura que saiu de suas mãos. Um símbolo que desconhecia agora marcava sua palma.

—Eu levo minha palavra a sério. Isso vai garantir que nosso acordo esteja devidamente selado. — Emeril explicou, cruzando os braços.

—O que acontece se eu te atacar?

—A luz vai acender para alertar. O mesmo se eu tentar.

—Vocês magos são desconfiados por natureza ou isso é característica sua?

—Não convivi com outros magos, então... Quer o tour agora?

—Uma hora dessa? Você não dorme não?

—Durmo. Mas costumo estar ocupada durante o dia.

—Com seu lobo.

—Às vezes sim.

—Vamos então. Estou curiosa.

Emeril gesticulou a porta, seguindo-a logo em seguida para fora da casa. Andou sem pressa pela ponte, mãos nos bolsos, imaginando se tinha feito a escolha certa em dar voto de confiança para um elfo. “Não podem ser todos iguais”, tentou se justificar.

—Então... Você tinha um namorado.

—O que? — Emeril estreitou os olhos. — Do que está falando?

—Do garoto que estava escutando sua conversa com seu pai. Do jeito que ele foi embora, acho que agora é seu ex.

—Embora? Henri foi embora?

—Com uma mochila grande nas costas antes de eu entrar na sua casa.

—Droga. Ele não devia ter escutado.

Parou no meio da ponte, bufando, inclinando-se para se apoiar nas cordas. Selen fez uma careta e se sentou na corda, equilibrando-se.

—Gostava dele? — Resolveu perguntar, depois de um longo minuto de silêncio desconfortável.

—Eu... não sei.

—Então não vai fazer falta.

—Não é bem assim. Ele não devia ter escutado aquela conversa. Eu sabia que ia acabar, mas não queria que fosse desse jeito.

—Você gostava de algum dos seus namorados?

—Não sei. Você já? Digo... Meu pai foi capaz de tanto por minha mãe. Não sei como isso pode existir.

—Ah, entendi. Não se preocupe com isso. Quando você tiver que amar alguém, vai saber exatamente como é a sensação.

Emeril se virou para ela, erguendo uma sobrancelha.

—Você já...?

—Você vai descobrir. Talvez esteja descobrindo agora, sabe? Você vai acabar se apaixonando pela minha beleza traiçoeira.

—Nunca!

Emeril a empurrou pelo ombro, mas teve seu braço segurado pela elfa, que tentou evitar a própria queda.

—Sua idiota! — Selen a xingou. — A luz não acendeu!

—Eu não estava querendo te matar. Desculpa.

—Vamos sair daqui antes que você consiga me matar acidentalmente.

Emeril revirou os olhos, mas acabou se afastando, voltando ao tour pela aldeia, apresentando a casa de cada família. Mostrou onde costumavam colher as frutas e o caminho para a pequena plantação, mas foi na cachoeira que a elfa se empolgou mais.

—É lindo aqui.

—E a água está sempre fresca.

—Bom saber.

Ela tirou os sapatos e puxou a camisa pela cabeça, surpreendendo Emeril ao visualizar as cicatrizes em sua pele. Selen tomou distância e correu pelas pedras, pulando em direção a água.

—Duvido que faça melhor que isso, bastarda.

Selen jogou água na direção de Emeril, que somente recuou um passo, pensando se Ilis estaria na caverna aquela noite, seus olhos atraídos pela passagem nas pedras.

—O que? A princesa está com medo de se molhar? — Selen provocou. — Eu prometo que não vou olhar.

Emeril gesticulou para que ela se virasse, e mesmo revirando os olhos, ela se virou, dando o tempo de a garota tirar suas roupas e então fazer a mesma corrida para mergulhar. Ao contrário do mergulho de Selen, Emeril girou o corpo e o manteve firme, entrando no lago sem gerar todo o barulho que a elfa fez. Ela nadou por baixo da água, voltando a superfície em frente da mulher, que lhe sorriu.

—Pelada? Onde está seu juízo, garota?

—Quem está cheia de pudores agora? — Emeril jogou água em seu rosto. — Só estou me lavando.

—Quer ajuda com isso?

—Muito engraçado. Mantenha suas mãos para si.

Nadou para longe, sem se importar com o olhar de Selen em si.

—Por que? Achei que estivesse solteira.

Parou embaixo da quebra d’água, virando-se para a elfa e balançando a cabeça, aproveitando a sensação relaxante que era a água escorrer em seu corpo. Selen somente continuou a olhá-la, admirando o contorno dos seus seios e do seu pescoço, desejando poder tocá-la. Quando Emeril abriu os olhos, não viu somente a cobiça de Selen, mas também a admiração de Ilis, que estava parada no meio de um passo, saindo das árvores. Sentiu vergonha, suas bochechas ficando quentes, perdendo a concentração e deixando-se submergir pelo impacto da quebra da cachoeira. Selen estranhou sua reação, virando-se e flagrando Ilis ali.

—Mas o que... Você não é o lobo que estava me seguindo?

Ilis a encarou, franzindo o cenho. A elfa saiu do lago, tirando as mechas do rosto, aproximando-se da loba com cautela, parando quando ela lhe mostrou os dentes em alerta, rosnando.

—O que está fazendo aqui? Para de me seguir, cachorro grande.

Ilis se inclinou, seu ronco se tornando mais feroz, fazendo a mulher recuar um passo, preparando-se para se defender da investida.

—Você não é só um lobo. — Constatou, estreitando os olhos. — Eu já vi outros iguais a você. Por que não volta a forma humana para me enfrentar?

Emeril saiu da água, empurrando Selen de volta para o lago e se abaixando em frente a Ilis, abraçando sua cabeça junto ao corpo para tentar acalmá-la.

—Não vai sujar seus dentes agora, vai? Relaxa, ela não vai fazer nada. — Falou perto do seu ouvido, acariciando seu pescoço.

—Bastava tirar a roupa para te deixar calma? — Selen perguntou, nadando até a beirada.

—Cala a boca, Selen. Não se importe com ela, Ilis.

A loba parou de rosnar, sentindo as gotículas da água caírem do cabelo de Emeril, a nudez dos seus seios pressionados em seu corpo fazendo seu coração disparar mais que o necessário. Deitou no chão, sem oferecer resistência às caricias que ela lhe dava.

—Vê? Pare de provocá-la ou deixarei que arranque sua cabeça. — Emeril falou, olhando para Selen, que se sentou na beira do lago.

—Você sabe que ela também é humana, certo?

—Não, não é. — Suspirou, olhando para Ilis, que retribuiu a atenção. — Não até que ela me diga que é.

—Claro, enquanto isso você pode se esfregar nela, ignorando que ela está adorando. Se divirtam. Eu vou voltar para a aldeia.

Ilis somente a olhou se levantar, mas virou a cabeça quando ouviu os uivos de sua alcateia alertando de sua proximidade. Levantou-se, cobrindo o corpo de Emeril do olhar de Selen quando se virou. Farejou o ar, mirando diretamente o lugar onde estavam, ouvindo que um deles seguia em sua direção. Olhou para Emeril, gesticulando o lago, bastando a preocupação em seus olhos para alertá-la. A garota entrou na água e encarou Selen, esperando que fizesse o mesmo, e ainda que contrariada, ela entrou, mergulhando abaixo da superfície para não ser vista.

Nadou para perto de Emeril, que usou uma mão para cobrir sua boca, pressionando-a contra a rocha da margem. Ainda assim sorriu, achando graça. Notou a cicatriz no braço dela, e o pegou, observando as marcas. Abriu a boca, mas outra vez, a mão da garota a tapou, impedindo que entrasse água.

—Fiquei preocupada, Ilis. Você demorou para voltar.

A loba suspirou, mantendo o corpo perto da margem, impedindo que fosse vista qualquer bolha que Emeril soltasse.

—Ande, volte. Estamos sozinhas. Ainda temos que ir ao sul. Dispensei os outros, então não se preocupe.

“Se não fizer isso, ela vai desconfiar.” Com esse pensamento, Ilis deixou o corpo relaxar, seus ossos diminuindo até terem o tamanho e formato humano. Suspirou, tirando o elástico do pulso e o usando para prender os longos cabelos ruivos num rabo. Olhou para Beah, piscando para se acostumar com o ambiente naquele corpo.

—Nada mal. Fazia tempo que não te via assim. Devia voltar mais vezes.

—Você fala demais, Beah. — Reclamou grosseiramente, tendo que pigarrear para limpar a garganta.

—Impressionante. Você volta a forma humana e continua parecendo um animal selvagem. Quanto tempo faz que não volta?

—Cinco anos, talvez.

“Ela não precisa saber que escrevo as cartas para Emeril”, pensou, só então lembrando que ela estava no lago ainda. Virou-se, olhando para o fundo do lago, procurando por ela, encontrando somente uma bolha de oxigênio. Abriu um pequeno sorriso, aliviada, estendendo a mão até a superfície, esperando, até que Emeril ergueu a própria mão, envolvendo os dedos nos dela, oferecendo uma caricia de reconhecimento. O símbolo que marcavam ambas emitiu uma suave luz, e a garota sorriu, admirando o rosto humano de Ilis, hipnotizada nos seus olhos alaranjados.

—Vamos, Ilis. Prometo que logo vai estar de volta às quatro patas.

Ilis acariciou a mão de Emeril uma vez antes de soltá-la, virando-se para Beah e se levantando. Quando a mulher caminhou em direção a floresta, Ilis pegou a camisa de Emeril e vestiu, cobrindo sua nudez, mas também inundando suas narinas com o cheiro dela. Colocou o resto de suas roupas perto da margem, e então seguiu Beah, a mulher que competia a liderança dos demais lobos.

Selen foi a primeira a sair da água, desesperada pela falta de ar. Respirou rápido, tentando recuperar o fôlego, olhando ao redor para ter certeza de que tinham ido embora.

—Agora você acredita em mim?

Emeril revirou os olhos e saiu devagar, agradecendo pelas roupas estarem ali, cansada de estar nua em frente a elfa. Mas logo estranhou a ausência da camisa, e institivamente olhou ao redor, mas não encontrou nada, acabou sorrindo, constatando que Ilis tinha levado. “Ao menos tenho o sutiã.”

—Eu acredito em Ilis. Ela escolheu me mostrar sua outra parte. Não precisava de você para dizer nada.

—Porque você a conhece tão bem.

—Melhor que você.

—Será? Você entendeu alguma coisa do que elas falaram?

—Algumas coisas. Ilis me ensinou algumas coisas da língua dela. Estou aprendendo ainda.

—E como ela é, afinal? Você não tirou a mão da minha cara o tempo todo.

—Se ela quisesse que você visse, não teria procurado a mim na água. Mas vou te dar um aviso.

Levantou-se, colocando os sapatos, e só então parou em frente a elfa, que mantinha a atenção toda em si.

—Nunca mais desafie Ilis. Ou vai ver essa luz acender tarde demais.

—Ela significa tanto assim para você para estar me ameaçando?

—Fale com ela daquele jeito de novo, e você vai descobrir.

Afastou-se, seguindo para a floresta, sendo seguida por Selen. O caminho de volta para a aldeia foi mais silencioso do que a trilha para a cachoeira. Emeril só parou quando ficou diante da árvore que levava a sua casa, quando a elfa se colocou a sua frente.

—Desculpa. — Pediu, erguendo as mãos. — Eu não vou mais mexer com o seu lobo. Só se me garantir que isso no seu braço não foi ela.

—Claro que não foi ela. Foi ela quem me salvou de perder o pescoço.

—Certo. Isso me tranquiliza.

—Você já tem uma casa?

—Não. Mas vou montar acampamento aqui perto.

—Você vai congelar até de manhã. Anda, suba. Meu pai não vai reclamar se passar a noite em casa.

—Dormindo você não vai ver a luz se acender.

—Você vai descobrir certa dificuldade em me matar em minha própria casa.

—Não pareceu isso mais cedo.

—Eu não tinha certeza que você era um elfo. Agora não preciso me conter. Suba. Quero dormir antes que meu pai acorde.

Selen riu e subiu pela passagem na árvore, seguida por Emeril. A garota não fez cerimônias ao arrumar espaço no chão do seu quarto, montando uma cama improvisada ao lado da sua. Deitou no seu colchão, sinalizando para que a elfa deitasse.

—Boa noite, e mantenha as mãos para si.

—Direta, como sempre. Mas não se preocupe, estou cansada o suficiente para deixar você me matar enquanto durmo.

Selen deitou, deixando as roupas molhadas ao lado. Não falou mais nada, fechou os olhos, acostumando-se ao silêncio antes de se deixar dormir.

Emeril foi a primeira a acordar, tendo seu tempo para relembrar a noite anterior. Fechou os olhos, lembrando do reflexo do rosto de Ilis no lago, da sensação quente de sua mão junto da sua. “Ela é linda”, pensou, sorrindo. “Será que agora ela vai voltar a forma humana para falar comigo?”

—Você está sorrindo há tempo demais. — Selen falou, assustando-a. — Está pensando nela, não está?

Emeril a olhou, revirando os olhos e sentando no colchão, alongando o corpo.

—Tinha esquecido que você estava aqui.

—Bem, eu não esqueci que você estava. Você fala demais até dormindo. Estou começando a ficar admirada com a quantidade de línguas que você fala.

—Eu estava falando dormindo?

—Sim. Mas ao menos sei que não é a língua do seu lobo. O som era diferente.

—Ah, devia ser a língua da minha mãe. Meu pai falou que quando nos mudamos era toda noite. Achei que tinha parado.

—Você dorme sozinha, como iria saber?

—Bem, um dia eu descubro o que significa. Você devia parar de ficar prestando atenção nas pessoas dormindo, pervertida.

—Eu queria ter certeza que não estava lançando uma maldição.

—Bruxas fazem maldições. Eu lanço feitiços. E não faço isso dormindo, por enquanto.

—Por enquanto? Eu nunca mais vou dormir perto de você.

—Claro que vai. Sua casa não vai ficar pronta da noite para o dia. Então a menos que seja sociável com os outros moradores...

—Não tenho pretensão de ficar muito tempo aqui. Vou aceitar sua gentileza, bastarda dos magos.

—Ótimo. Então vou te dizer as regras.

—Sabia que haveria regras.

—Primeira. Não mexa nas minhas coisas, ou não me responsabilizo pelas consequências. Segundo. Não me siga. Terceiro...

—Não falar com seu lobo.

—Eu não tinha pensado nisso. Você pode falar, se não for para provocar.

—Isso se o caminho dela cruzar com o meu. Ela só vai à sua procura, até onde percebi.

—Você chegou aqui ontem. Não banque a observadora.

—É uma regra?

—Claro que não.

—Então não prometo nada.

—Última regra. Mantenha suas

mãos-

—Para mim. Eu sei.

—Então teremos uma boa convivência.

—Então também tenho uma regra de convivência.

—Claro, diga.

—Não volte a me provocar.

—Não alucine. Eu nunca fiz isso.

—Não, claro que não. Você não mergulhou sem roupas ontem, que imaginação a minha.

—Não fiz isso para te provocar. Mas não se preocupe, manterei meu corpo longe dos seus olhos com prazer.

Ela levantou, pulando o corpo de Selen e pegando uma camisa limpa no meio das outras. Virou a cabeça por cima do ombro, olhando para a elfa.

—Você tem roupas naquela sua bagagem?

—Algumas.

—Limpas?

—Você tinha roupas limpas quando chegou aqui?

—Justo. Pegue o que te servir. Eu vou falar com meu pai antes que ele te descubra aqui.

Saiu do quarto e fechou a porta, respirando fundo e pensando no discurso que daria a Julian sobre Selen. Foi até a cozinha, pegando uma banana, mas antes que pudesse dar a primeira mordida, seu pai a virou pelo ombro, os olhos estreitos deixando claro as acusações implícitas que faria.

—O que essa mulher está fazendo no seu quarto, Emeril Arin?

—Que isso, Julian? Quer me matar?

—Como você me diz que desconfia dela num dia, e a noite está compartilhando a cama com ela?

—O problema é ela ter dormido comigo ou você achar que confio nela? — Seu cenho franziu, confusa.

—Ambos? Como você dorme com quem não confia?

—Ah, por favor, eu sei me defender. Acha que compartilharia o teto com ela sem minhas precauções?

—Não foi o que me pareceu.

—Claro que não. Eu estava dormindo, não significa que estava desprotegida.

—Isso não responde à pergunta inicial.

—De que adianta você me dar o livro e me dizer que sou adulta se continua não confiando nas minhas escolhas?

—Eu só não entendo sua escolha de abrigar essa mulher aqui.

—Ela ainda não tem casa. Podia ter me matado, mas não matou. Sim, ela é elfo. Ainda não confio nela. Mas tomei minhas providências se ela tentar alguma coisa. — Suspirou, usando a mão livre para arrumar os cabelos para trás. — É melhor tê-la por perto, assim sei se tem comunicação com outros elfos. Nem todos recebem ordens dos magos, e já faz mais de cinco anos. Não sabemos como ficaram as coisas lá. Se ainda procuram por nós.

—E como pretende descobrir isso? Esperando que ela tente te matar?

—Eu não vou fazer isso. — Selen resolveu se pronunciar, cruzando os braços, incomodada. — Desculpe, casa pequena, vocês não falam baixo.

—Acha que acredito na sua palavra, elfo? — Julian se colocou em frente a filha, encarando irritado a mulher.

—Não me importo se acredita ou não. Emeril, você deve saber centenas de feitiços, por que não usa um deles para saber se estou falando a verdade ou não?

—Existe algo para não te deixar mentir, mas ele causa alguns efeitos negativos. — Emeril explicou, soltando um suspiro ao fim. — Eu não aconselho que faça isso.

—Se for para você deixar de desconfiar de mim, que seja. Eu não conhecia nenhum de vocês até chegar aqui. Não faço ideia do motivo de estarem fugindo, e não quero saber.

—Ótimo. Faça, Emeril. — Julian incentivou, virando-se na sua direção.

—O que? Não, claro que não. — Ela se afastou de ambos, largando a banana na mesa, seu estômago embrulhando com a ideia. — Isso não significa que confio plenamente nela, mas não vou causar sofrimento nela por causa disso.

—Prefere acordar com uma faca no pescoço?

—Eu prefiro seguir o que minha mãe acreditava. — Levou a mão na maçaneta, franzindo o cenho em desgosto. — Ela nunca acusaria alguém sem provas. Nunca machucaria alguém.

—Você está enganada sobre sua mãe, Emeril. Você não sabe o que tivemos que fazer para te manter segura.

—Não, você está errado. Eu lembro de tudo que minha mãe me ensinou. Não vou deixar você estragar isso.

—Emeril-

—Chega.

A garota saiu, usando a passagem na árvore para chegar ao chão. Sentia-se enojada em usar um encantamento em alguém apenas por causa da espécie. “Os elfos não são ruins”, pensou, seus pés guiando a trilha inexistente que conhecia tão bem. “Não todos, não porque ele acredita assim”, afirmou, incapaz de acreditar o contrário. “Selen é uma idiota, mas não merece ser questionada.”

Em alguns minutos estava na cachoeira, no topo da pedra que dava visão a toda floresta, além de permitir que visse toda a quebra d’água.

—Por que você me deixou mãe? — Perguntou, olhando para o céu, observando as nuvens escuras se movendo sobre as árvores. — Eu tenho mais de você do que dele.

—Ei, você. — Selen se aproximou, erguendo as mãos e mostrando uma banana. — Vim te dar isso, porque você deixou a outra e eu comi enquanto seguia seus passos.

—É um longo caminho se não conhece aqui.

—Tinha fogo nos seus pés. Foi fácil achar as pegadas.

Emeril balançou a cabeça, incapaz de sorrir com a provocação. A elfa sentou ao seu lado, não encontrando recusa da outra, então ofereceu a banana, enquanto comia uma maçã. Olhou a paisagem, admirada, mas bastou olhar para as lágrimas de Emeril para constatar que ela não estava em harmonia com o ambiente.

—Sente falta dela?

—O tempo todo. Principalmente quando meu pai é um idiota.

—Qual o nome dela?

—Liora.

—Minha mãe se chama Miritz. Nunca conheci meu pai. Ela me ensinou tudo que sei. Lutar, me defender, acampar, caçar. Sobre amantes. — Ela sorriu melancólica, tocando o ombro no de Emeril. — Isso não impede que tenhamos várias diferenças e várias discussões.

—Meu pai não é assim. Ele nunca está interessado no que aprendo naqueles livros. Ele sempre quer me dar ordens, e a cada ano que passa ele fala menos de minha mãe. É como se eu tivesse culpa pelo que aconteceu.

—Você já tentou saber o motivo?

—Sim, mas ele sempre muda o foco e acabamos discutindo.

—Vocês magos tem tudo cabeça quente.

—E vocês elfos são tão pacíficos.

Selen sorriu com a brincadeira, jogando o resto da maçã em direção às árvores. Deitou as costas na pedra, deixando as pernas penduradas no abismo abaixo.

—Talvez você deva dar um tempo sozinha. Longe dele. Ter seu próprio espaço. É só uma sugestão. Mas talvez te deixe mais calma.

—É o que está fazendo?

—Acho que sim. Acrescentando alguns detalhes de perseguição e todo esse drama.

Emeril sorriu, também deitando ao lado da elfa, prendendo os dedos atrás da cabeça.

—Meus pais eram perseguidos por elfos, a mando dos magos, com essa coisa de pureza e tal.

—Bem, você está por fora das novidades, bastarda. Todo mundo sabe essa história.

—O que?

—A tenda principal dos magos tentou abafar essa notícia, já que sua mãe era tida como a futura rainha, por assim dizer. Mas depois de sua suposta morte, todas as espécies que se submetiam aos magos se rebelaram. Minha mãe foi uma das líderes dos elfos. Acho que conhecia sua mãe. Nunca pensei sobre isso.

Emeril a olhou, perplexa, mas Selen apenas sorriu, piscando-lhe o olho.

—Seria uma guerra civil, mas os magos estavam em minoria, porque não eram todos que queriam lutar.

—Então... Os magos foram detidos?

—Tem alguma resistência. Seu avô manteve minha mãe refém, mas está morto agora. Minha mãe não me disse quem foi, mas sei que foi outro mago.

—Por que outro mago o mataria? Minha mãe dizia que ele guiava todos.

—Por isso mesmo. Que forma melhor de acabar com o princípio da guerra que não seja matando o líder?

—Espere. — Emeril estreitou os olhos, pensando. — Está sugerindo que minha mãe mataria o próprio pai?

—Se ela não tivesse morrido, sim. Afinal, o corpo dela nunca foi realmente encontrado.

—Porque ela explodiu o armazém para nos dar tempo de fugir dos elfos. Varreu quilômetros ao redor. Não restaria nada dela.

—A menos que ela tenha conseguido um feitiço que a fizesse sair de lá a tempo.

A garota respirou fundo, voltando a olhar para o céu. Se isso fosse verdade, por que sua mãe não apareceu para mostrar que estava viva?

—É apenas uma teoria. Ela pode estar morta. Outro mago pode ter matado seu avô.

—Eu não fazia ideia que nossa história estava tão conhecida desse jeito. — Suspirou, virando o corpo de lado e apoiando a cabeça na mão. — Então os elfos pararam de seguir as ordens do meu avô?

—Sim. Ninguém sabe que você existe, para falar a verdade. Eu só soube quem você é quando vi seu pai, ontem. Não foi difícil ligar os fatos até você.

—Por isso veio atrás de mim a noite.

—Fiquei curiosa.

—Bem, obrigada. — Sorriu, tocando o ombro dela. — Não precisava me dizer nada disso, mas fico feliz que tenha dito. Eu poderia ter passado a vida sem saber.

—Eu não acho que você faça o tipo donzela, que passaria a vida condenada num lugar só. Acabaria descobrindo de qualquer maneira.

—Eu quero te agradecer ainda assim. Você não faz o tipo modesta. Então basta me dizer, o que posso fazer para te agradecer?

—Eu não estava esperando recompensa quando te contei. Mas se faz questão, bastarda, tudo bem.

—Apenas peça, elfa.

Selen sorriu, erguendo a mão e tocando o rosto dela, acariciando. Emeril sorriu, aproveitando o contato, tocando com sua mão a pele que lhe acariciava. Envolveu seus dedos, retirando do seu rosto e beijando seus dedos.

—Não precisa significar nada. — Selen falou, ainda esperando. — Não precisa acontecer de novo.

—Eu só... nunca beijei uma garota.

—Eu sei. Não tem curiosidade?

—Eu sempre estive com garotos, mas...

—Vê? Se tem o “mas”, sinal que faltava algo.

—Sim. Faltava.

—Então?

Emeril olhou para os lábios dela, mordendo os seus próprios. Fez o contorno dos lábios dela com a ponta do dedo, explorando com curiosidade a recente umidade. Selen sorriu, gostando da sensação, deixando que a garota tivesse seu tempo para se decidir. Emeril ainda explorou o queixo e o seu maxilar, sorrindo quando notou as bochechas da elfa se tornarem vermelhas.

—Você gosta de brincar com suas presas. — Provocou, sua outra mão segurando com delicadeza uma mecha do cabelo da outra. — Ser sádica é coisa de mago?

—Não sei. Não conheci outros magos. Você já esteve com outras?

—Outras o que? Feiticeiras ou garotas?

—Por que acho que é um sim para ambas as opções?

—Não. Digo... Sim, já estive com outras garotas. É algo simples. Com pessoas da sua raça? Não. Como eu disse, magos sempre comandaram as outras raças. A guerra não mudou a cabeça da maioria sobre isso.

—Bem, como você disse, eu sou uma bastarda. Nesse mundo, eu nunca seria superior a você.

—Sim, mas não por isso. Você é diferente dos outros magos.

—Porque cresci longe deles.

—Talvez. Qualquer outro teria usado o feitiço para eu falar a verdade.

—Você falou, de qualquer forma.

Emeril se inclinou, apoiando-se no antebraço enquanto continuava a acariciar o rosto de Selen, que fez o mesmo percurso até o rosto dela, seus dedos longos fazendo círculos no couro cabeludo. Lentamente, Emeril colou seus lábios aos de Selen, que se inclinou ao contato, afundando os dedos nas madeixas que ela possuía. Emeril avançou sem pressa, explorando a maciez que os lábios da elfa ofereciam, sugando-os e deslizando a língua para abrir passagem, encontrando a língua dela a esperá-la. Selen aproveitou, sem apressar o momento, movendo a outra mão pelas costas da garota para acariciá-la, atraindo seu corpo para perto de si. Emeril continuou a mover a língua, explorando todo o interior enquanto a língua da elfa a instigava a prosseguir. Só parou alguns instantes depois, precisando de recuperar o fôlego, mas o fez enquanto sorria, voltando a deitar ao lado, de olhos fechados.

—Isso foi realmente diferente. — Falou, atraindo os olhos da elfa.

—Está me elogiando ou me criticando?

—O que você acha?

Emeril a olhou, um sorriso no canto dos lábios.

—É um elogio, com certeza. Deve ter sido minha beleza traiçoeira.

—Eu sou a feiticeira aqui.

Voltou a tocar o rosto de Selen, acariciando seu queixo, dessa vez a elfa se virou, tocando a cintura dela.

—Bem, estou encantada, assim sendo.

—Também estou.

A elfa sorriu, voltando a juntar seus lábios. Ficaram ali por mais um tempo, até decidirem caçar algo para comer. Continuaram pela floresta até anoitecer, quando decidiram voltar para casa. Emeril sabia que não podia alongar mais a conversa com o pai. Assim que chegaram, Selen ficou do lado de fora, deixando a garota sozinha com Julian.

—Você demorou. — Foi a primeira coisa que ele falou, sentado no sofá.

—Estava pensando. Vim comunicar minha decisão.

—Decisão? Sobre o que Emeril? Sobre sua nova amiga?

—Selen vai continuar sobre minha proteção. Mas não aqui, já que você deixou claro que não vai aceitar que ela permaneça.

—Onde está querendo chegar?

—Eu vou morar em outro lugar, pai.

—Que lugar? Eu não te mandei embora.

—Eu sei. Mas essas horas fora me ajudaram a ver que ficar sempre discutindo com você não vai me tornar mais responsável e menos infantil. Você me confiou o último livro de minha mãe e me disse que sou adulta. Então a partir de agora vou tomar minhas próprias decisões, e não pode ser na casa que fui criança por tanto tempo.

—Emeril... — Ele se levantou, ficando em frente a sua filha, tocando seu ombro. — Você não tem que ir embora.

—Vou ter minha própria casa, pai. Só assim vai me enxergar como adulta. Mas não se preocupe. Vou continuar morando na floresta, até terminar o estudo do livro de minha mãe.

Julian respirou fundo, incapaz de argumentar diante da determinação que encontrou nos olhos dela.

—Se você quer ser tratada como adulta, e acha que saindo de casa vai conseguir isso... Então só me resta acatar a sua decisão.

—Eu agradeço, pai. Essa é minha decisão final. Eu só vim pegar algumas coisas.

—Não te expulsei, Emeril. Não precisa sair daqui no meio da noite.

—Selen não tem onde ficar. Não vou te obrigar a dormir sobre o mesmo teto que ela. É sua casa. — Ofereceu um pequeno sorriso. — Está tudo bem. Estarei segura.

—Tudo bem. Se precisar de algo sabe onde me encontrar.

—Claro. Se cuida, pai.

—Você também.

Emeril o abraçou em despedida, passando no seu quarto para pegar as poucas roupas que tinha, e os livros que não queria abrir mão. Então desceu pela passagem na árvore, e seguiu com Selen para o destino que queria criar.


Notas Finais


Bah! Consegui postar os três num dia só!

Desculpem o delay para postar, eu posto em 3 sites e cada um é diferente o processo, e a cabeça de vento aqui esqueceu de corrigir o 3o capítulo ahahaha

Mas enfim, é com muita felicidade que começo essa nova jornada aqui no Lettera com "A feiticeira e a loba". Eu tenho vários capítulos adiante, continuarei meu hábito de postar dois por semana, então toda sexta e segunda eu postarei um capítulo. Estou quase terminando a história, então não se preocupem com hiatus.

Quem quiser me seguir nas redes sociais para acompanhar o progresso das histórias, procurem por @alexmills_literales no instagram, ou AlexMills.LitLes no face.

Espero que gostem da história, primeiras impressões?

Até o próximo!


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