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História A fênix de jade. - Capítulo 20


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Notas do Autor


Olá, e eu trago a guerra! Espero que gostem bastante de todos esses personagens e suas lutas pessoais. Boa leitura.

Capítulo 20 - Tributo segunda parte.


Fanfic / Fanfiction A fênix de jade. - Capítulo 20 - Tributo segunda parte.

O conselho se reuniu a noite, junto as estrelas e discutiu, Fugaku convocou todos os seus soldados, o treinamento acabou, as tropas iriam se reunir na ilha um e partir em três dias para a cidade vermelha, ele não desejava sangue e dor em suas ilhas, entre seu povo inocente, as feras que iriam combater se preparavam reunindo suas mentes, praticamente todo o exército ficaria alojado na primeira ilha, preparando os navios para a longa viagem em um mar que podia ser temperamental quando queria, os anciões oravam e as feiticeiras partiram naquela mesma noite, precisavam se dispersar entre as quatro ilhas e renovar as barreiras que ergueram com sua magia ancestral, entre eles Hinata que ainda não tinha visto seu irmão, mas havia deixado para ele uma carta e alguns pertences importantes, entre eles uma caixinha pequena com um poderoso remédio de cura que podia curar mesmo ossos quebrados.

Obito e Hanabi ainda estavam esperando uma balsa, o mar a noite era agitado e não seria prudente sair, eles apenas dormiam na tenda dos medicamentos e curandeiros, era seguro e calmo, toda a ilha estava calma.

Minato não despertou para a reunião, seu corpo sentia ainda as dores de tantos anos de maus tratos, ele apenas descansava imerso em sonhos sem formas que o remédio lhe proporcionava e talvez por isso não percebeu quando uma suave fumaça negra emergiu de seu peito saindo direto de seu coração, a magia negra que lhe foi imposta estava destruída uma vez que seu criador perdeu o poder de seus escravos na dimensão limitada, todo seu poder drenado para sua última viagem, nem mesmo um servo estava no quarto e Fugaku não conseguia dormir após voltar da reunião do conselho de guerra, estava andando pelo pátio interno olhando o céu noturno estrelado e sentindo o vento frio que vinha do mar, a fumaça que saiu silenciosa do peito do homem loiro sumiu sem deixar rastros e sua energia de morte e dor desapareceu com ela.

Naruto e Sasuke decidiram descansar após a reunião e aproveitar algumas horas antes que todos os procedimentos necessários os separassem por alguns dias, mesmo sendo fera e humano eles não ficariam longe um do outro em campo de batalha, estariam próximos, era uma promessa sagrada, o tempo para o amor não era esse, ainda não e por isso eles apenas dormiam abraçados, enredados um no outro, aproveitando o calor de seus corpos e a calma de suas almas antes da tempestade que sabiam que se formava.

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Do outro lado o rei vermelho acordava suando, ele podia sentir que algo conspirava contra ele, sentia e sentia e se enfurecia...A magia dos demônios no fim.

No meio da noite ainda foi até sua sala, abriu o portal e conjurou seus escravos para uma última conversa antes da guerra final, ele estava decidido a invadir o palácio de além mar, sua obsessão se tornava cada dia maior e mais intensa, era como estar louco por alguém de um modo impossível, ele não respirava mais sem Minato, não vivia, ele o queria mesmo que para isso morresse tentando e sabia que seu poder sobre ele estava acabado, o poder que usou por tantos anos, ele o sentiu dispersar e sair por entre seus dedos, o cristal ferúlico estava morto, nenhum brilho mais vinha de seus complexos nuances e sem o poder negro dentro de suas veias ele se sentia vazio e triste e infinitamente cansado como se cada maldade cometida o derrubasse em um poço profundo, um abismo sem saída, mesmo que não pudesse ainda admitir nem mesmo em pensamento ele se arrependia de algum modo pelo que fez ao antigo rei Minato.

Do chiado da porta aberta veio Um, cansado, ferido e abatido, ele estava morrendo como os outros que sobraram, tudo que tinha era um sopro de vida ou do que ele chamava de vida mas que era a mais cruel das existências em uma raça fadada ao fim.

-Meus irmãos morreram...A ilusão está quebrando, nós estamos morrendo, o que mais pode desejar de mim? De nós? Já teve sua vingança criança, todo mal que eu, meu pai e senhor e os meus irmãos lhe fizemos já foi pago, não restou nada mais para roubar, você tomou nossa força e nossa maldade e a usou.

Madara suspirou.

-Se eu liberta-los podem romper novamente a barreira da ilha? Ainda podem conjurar magia e fazer isso?

Um sorriu mostrando os dentes amarelados.

-Sabe que mesmo fraco tudo que desejo é matar você, para isso ainda tenho forças em meu corpo.

Madara concordou.

-Mas não pode me matar ainda, o sangue de seu mestre está dentro do meu peito no local onde meu segundo coração habitava, mas pode ser livres uma última vez antes do fim, antes que Vida e Morte possam ceifar você e os seus para sempre, depois de romperem a barreira podem tentar me matar, até lá o sangue de seu mestre já estará seco dentro de mim, uma camada de pó sem energia, sem magia e sem finalidade, mas eu posso garantir que não serei morto tão facilmente, ainda que eu tenha me vingado de vocês não creio que foi o suficiente, eu era apenas um bebê quando minha asa foi quebrada pelas mãos do seu senhor e pai, eu rastejei e chorei e implorei e mesmo assim tudo que tive de vocês foi dor e sofrimento, acha mesmo que serei morto por vocês? Eu aprendi com o que vivi...

-Então parou de mentir para si mesmo e se lembrou?

Madara o encarou de modo firme e resoluto, seus olhos tornando a forma dos olhos de uma fera por alguns breves segundos para se esconder novamente em sua face humana, em sua ilusão.

-Eu nunca me esqueci, apenas escolhi criar outra verdade um pouco mais agradável para mim mesmo, mas isso não importa, deseja ser livre uma última vez? Se não quiser isso eu vou selar a entrada da dimensão limitada para sempre e seus ossos vão apodrecer no solo lodoso deste mundo por toda a eternidade ou podem voar pelos céus mais uma vez fazendo o que sempre gostaram de fazer, matar e consumir, o que me diz?

Um recebeu essa oferta com satisfação, ele odiava a dimensão limitada ainda mais que o próprio rei vermelho, todo seu poder lá era nada, sempre fracos e a mercê do tempo e do medo, eles eram escória naquele mundo deserto e devastado tão sem vida como eles mesmos.

-Liberte-nos e romperemos a barreira criada pelas feiticeiras na ilha e depois você pode morrer tentando pegar seu escravo ou morrer por minhas mãos, seus inimigos são muitos rei vermelho, todo esse reino está despertando, eles o odeiam profundamente, assim como nós seu tempo está no fim, nada pode salva-lo disso, eu sei.

Madara jogou os braceletes dentro da dimensão, o sangue em seu peito era uma garantia, mas não era a única, feitiços bem elaborados o protegeriam dos demônios um pouco mais, o suficiente para que ele pudesse estar frente a frente com o homem que deixou escapar, com quem tinha uma afinidade enlouquecedora, ele poderia mata-lo então e acabar com todos esses sentimentos controversos dentro do peito.

Além disso ele sabia que Um não poderia mata-lo, não mais...Vida e Morte os esperavam, cada um deles, dessa raça antiga como o mundo, eles tiveram seu tempo e agora pereceriam como tudo mais, tudo nasce e morre, é inevitável, mas mesmo a morte não é o fim, ele sabia que Vida tinha planos que nenhum mortal podia entender, ele certamente não se importava com isso.

O fio de magia que restava se apagou quando os demônios saíram da dimensão limitada, sua energia deixou de alimentar o coração do rei vermelho que pulsava vivo na praça central e a cor escura que tingia o músculo pulsante foi desaparecendo aos poucos, o grito agourento do último demônio despertou todos.

A cidade tremeu quando a magia desmoronou finalmente, pais reconheciam filhos, servos corriam para ver seus senhores, todos se lembravam de quem verdadeiramente eram, aqueles que puniram a quem amaram há muito tempo choravam, perdidos na mágoa de ter maltratado seus entes queridos a mando do rei vermelho, a névoa foi retirada de seus olhos e somente a dor restou e todo mal criado pelos demônios se dissolveu no ar como fumaça, como a farsa e a ilusão que no fundo eram.

Soldados abandonavam seus postos, a maioria não queria seguir o líder sanguinário, mas os que ficaram eram fieis, cruéis e a seu modo pretendiam ainda vencer e ter nas mãos mais inocentes para corromper e atormentar, essa era sua natureza no final de contas, Vida estava tirando os demônios do mundo, mas alguns humanos eram como demônios, tão maus como eles, perversos e insanos, loucos por poder ou dominação e isso os reunia e os guiava, o cabo de guerra entre o bem e o mal se manteria.

Os barcos já prontos se encheram de soldados, as provisões já estavam a bordo, tudo já estava pronto e magia negra moveu as enormes embarcações do reino de areia e pedras pelos ares até o porto e o mar, foi a última magia do rei vermelho antes que o portal da dimensão limitada se fechasse para sempre, o resto da magia dos demônios foi suficiente para criar essa última façanha e o cristal ferúlico já sem cor se tornou pó e este pó subiu no ar e se dispersou no nada absoluto, depois disso os demônios voaram pelos céus gritando em suas formas escuras como fumaça negra, livres uma última vez, no caminho se jogavam sobre os cidadãos despertos que por azar estivessem nas ruas e devoravam sua carne e sua força para se manterem vivos por mais algum tempo em sua agonia prolongada, essa que chamavam de existência.

No centro da cidade já quase toda abandonada e saqueada o rei vermelho caminhava sozinho até uma estátua erguida sobre os escombros da estátua original do rei Minato e sua rainha, ali entre metal, pedras e encantamentos antigos ele abriu o peito morto da figura alta feita a sua imagem e semelhança, uma imagem que ele criou e que não era sua de verdade e arrancou de dentro um coração pulsante, vivo e inteiro coberto por magia residual e o abraçou finalmente o devolvendo a sua carne e sangue, a magia negra que sempre o acompanhou chiou e suas garras negras lutaram, mas no final o coração penetrou lentamente a carne da fera e se uniu a ele, este coração seria um sacrifício final e levaria as embarcações tão rapidamente pelos mares como o vento sul no começo do inverno, depois disso...Depois disso viria a guerra e a morte e o caos, mas não antes, nunca antes.

Manter sua forma física era pura agonia agora, mas ele ainda manteria por mais algum tempo, saltou e correu até o último dos barcos que voava nos céus e permaneceu calado segurando toda dor até avistar o mar, ele era forte, aprendeu ainda muito pequeno que a dor era sua companhia mais presente, sua vida toda foi permeada pela dor e ele a acolheu neste momento como uma amiga há muito tempo presente, somente quando a embarcação já navegava ele se recolheu aos seus aposentos para tomar alguma poção e dormir até o momento de lutar, o momento de estar de novo frente a frente com Minato, ele precisava entender porque o queria tanto, porque seus corações sangravam tanto por ele, a magia os levaria as ilha em poucas horas em vez de dias, eles voavam sobre as ondas, cintilando de poder e fúria e nem mesmo o mar tão agitado era para eles um empecilho, nada naquele momento podia realmente parar esses barcos.

Todo esse horror não passou despercebido, aqueles que sobreviveram contaram a outros e tribo após tribo despertava da ilusão do rei vermelho, livres após tantos anos esses povos tentavam avisar outros, passando a mensagem que a cidade vermelha desmoronou, que o rei vermelho enlouqueceu e partiu em navios de guerra para além mar, feras de vários tipos corriam contando as novidades e em poucas horas tudo se espalhava, correndo mais rápido que o vento em todas as direções.

Na terceira ilha ainda era noite, o vento gelado vindo do mar parecia avisar que algo estava muito errado, as feiticeiras que se revezavam fortalecendo as ilhas viram antes dos outros o fogo que rugia em pleno mar, vindo tão rápido como uma fera marinha, mas não poderiam avisar as outras ilhas a tempo, as embarcações rumavam a toda velocidade para as praias calmas e limpas da ilha que abrigava o palácio, antes delas um grupo ruidoso de seres vermelhos irrompeu os céus e se jogou contra a barreira causando um impacto tão grande que o mar se elevou no mesmo instante e a magia o deteve mas isso foi suficiente para que os demônios agindo em conjunto conseguissem a muito custo e esforço romper um pequeno espaço na barreira que ficava a poucos metros da encosta que dava diretamente no pátio interno de meditação do imperador Fugaku e os canhões do primeiro navio lançaram dezenas de ataques no mesmo ponto e embora não pudessem aumentar seu tamanho podiam segurar a magia e os soldados poderiam passar pela entrada, espremidos, mas livres para atacar e matar.

Fugaku que havia se recolhido após permanecer muito tempo olhando o mar descansava com Minato agora e acordou com o primeiro impacto, o da onda nas rochas e pedras, depois sentiu o tremor do segundo e ouviu os gritos dos demônios, as bombas vieram quase que imediatamente e ele percebeu que estavam sendo invadidos.

-O que é isso? Gritou Minato tapando os ouvidos ao acordar com o susto dos sons altos.

Fugaku já vestia sua armadura e pegava sua espada, desta vez banhada em material celeste como a lança de Minato, ele o ajudou a se vestir rapidamente, soldados já entravam no cômodo para protege-lo.

-Vão e protejam meu filho!! Corram, avisem a todos, estamos sendo atacados!! Ordenem que os servos fujam para o templo da deusa Vida e fechem suas portas, ninguém pode romper aqueles portões, corram!

Um dos soldados muito jovem estava apavorado, ele encarou seu senhor.

-Meu senhor, os soldados foram enviados aos navios, nossa ilha está praticamente desprotegida! Até os nossos generais estão ausentes, não localizei nem mesmo o comandante dos guardas imperiais, o senhor Hanabi, o que devo fazer?

Fugaku sabia que esse soldado morreria se enfrentasse um inimigo tão terrível sendo tão jovem ainda, ele provavelmente nem havia terminado seu treinamento.

-Hanabi não pode voltar da ilha de treinos, ele está na companhia do general Obito, pegue sua espada e corra para os fundos, ajude a levar as crianças dos servos para o templo, avise todos que puder e corra o mais rápido que conseguir, entendeu? Nosso soldados vão chegar, as ilhas não são tão distantes assim, nossas feiticeiras vão conseguir avisar a todos, enquanto isso apenas faça o que eu mando.

O jovem concordou e correu o mais rápido que suas pernas trêmulas permitiam, passando por corredores que agora pareciam não ter fim, seu único pensamento era cumprir as ordens do seu imperador, ele nem mesmo pensou que essas ordens o tiravam da batalha e o colocavam em proteção no templo.

-Fugaku, são os soldados do rei vermelho não são?

Eles podiam ouvir os sons que vinham de fora guiados pelo vento frio que entrava de sua sacada, gritos e desespero.

-Sim, o que significa que infelizmente subestimei meu inimigo, ele está aqui, atacando a ilha que eu desejava proteger, ele trouxe a guerra até nós e nossos soldados estão longe, temos que nos manter vivos até que eles cheguem, mas não sei ainda como faremos isso.

Minato segurou na mão do seu companheiro, embora ainda não fossem fisicamente um do outro eles tinham uma ligação mais profunda que a carnal, mais intensa que o que ele jamais sentiu, ele encarou o homem que decidiu amar e lhe sorriu.

-Lutaremos juntos até que seus soldados cheguem, pegue sua espada! Vamos tentar ajudar os servos e os nobres que estão aqui dentro, depois recuamos para o templo e esperamos.

Fugaku concordou, ele prometeu proteger seu povo, os servos do palácio e os nobres eram seu povo, ele os manteria a salvo, não existia vergonha em manter todos a salvo de um inimigo tão feroz, mas como ficariam as vilas dos artesãos e dos comerciantes? Os cultivadores? Sua gente.

-As vilas abaixo do palácio vão ser alvos fáceis...Por Vida o que eu farei?

-Não pode salvar todos neste momento, mas pode salvar muitos, oremos que Vida seja bondosa hoje e nos ajude, nossas intenções são puras, seremos ouvidos.

Eles saíram do quarto e correram avisando a todos no caminho para fugir para o templo, pretendiam chegar ao quarto de Naruto e Sasuke, mas o caminho estava atulhado de pessoas gritando, desesperadas e alguns poucos soldados do rei vermelho invadiam os quartos entrando pelas janelas, rompendo portas, antes do primeiro pavilhão eles já enfrentavam soldados, o imperador era forte como um touro e Minato era ágil, estes homens crúeis e brutos não eram realmente nenhum problema para os dois, como a passagem era estreita esses soldados tinham que passar um a um e isso dificultava a invasão, mas para o cidadão comum era impossível escapar, se fossem pegos eram mortos ou feridos.

Do último navio Madara ergueu seus olhos ao palácio e sentiu Minato, ele o sentiu e sentiu muitas feras, seus corações batiam quase morrendo, exauridos após usar tudo que tinham para criar a magia que impulsionou os navios, mas ainda pulsavam, ele usou tudo que ainda sobrava, incluindo o sangue negro que ainda estava dentro de seu peito e agora só lhe restava o que aprendeu com os demônios, usar as forças elementais da natureza, que não eram boas e nem más e manipular como desejava, formou uma outra barreira envolvendo a ilha, era densa como uma névoa escura e serpenteou toda a costa, fechando a ilha sobre si mesmo, nenhum reforço viria até que essa barreira fosse rompida, não era tão forte assim e duraria apenas algumas horas, mas ele não precisava de muito tempo, seus soldados movidos pela fúria atacariam por terra, seus navios lançariam bombas ainda no mar e isso impediria que as outras ilhas viessem rapidamente em seu socorro, um grande estrago seria feito até que tudo fosse terminado, ele não esperava vencer, apenas desejava tempo para chegar até seu objetivo, até Minato.

-Que a guerra comece!!! Gritou erguendo sua espada.

Soldados se jogavam sobre as águas rasas e invadiam a ilha, as garras das feras brilharam no céu noturno e o som das asas dos demônios também se ouviu, era uma luta intensa na escuridão e aproveitando disso o rei vermelho saltou, atravessou as ondas pequenas e saiu na areia fofa, avistou as luzes do palácio e se guiou desviando de soldados de além mar e de demônios facilmente porque agora sem a magia negra e o sangue do demônio dentro de seu peito ele não podia mais manter sua aparência arrogante, o rei vermelho sumiu...Em seu lugar surgiu um homem belo, cabelos longos soltos ao vento, roupas largas e pele clara, ele era aos olhos dos outros um morador de além mar perdido em uma batalha sangrenta, ninguém notou a espada em sua mão, nem o sorriso louco em seus lábios e nem o sangue que empapava suas vestes na altura do peito onde o coração adentrou e se fixou novamente, mas se olhassem atentamente poderiam ver algo nele que lembrava a beleza de Izuna e a determinação do próprio imperador, ele passou por todos e alcançou a fenda no muro e entrou, guiou-se pelas pedras e subiu sem grandes dificuldades, ele saiu no pátio interno do quarto do imperador, saltou para dentro e o encontrou vazio, mas então sentiu o aroma que sempre amou, que sempre o enlouqueceu, ele sentiu o aroma do seu escravo, seu cheiro suave, adocicado e único, algo que suspeitava vir de sua pele pálida, entranhado em sua bondade e sua resiliência.

Ele sentiu e se arrepiou ao sentir também um cheiro mais másculo, forte e intenso, o aroma de um homem muito forte, só podia ser o próprio imperador, ele rosnou ao pensar nisso e piorou ainda mais quando ele viu a cama e as roupas esparramadas, vestes de duas pessoas largadas ao acaso, jogadas pela pressa em se vestir, ele avançou e pegou a peça menor, era feita de seda branca, limpa, suave e perfumada, rosas brancas...Suspirou e a soltou. Correu pelo corredor seguindo em frente, vez ou outra um soldado do reino vermelho vinha em sua direção e ele o cortava, não usava sua força toda, ele não pretendia matar, precisava se poupar, mas não queria ser detido, evitava os gritos, pois podiam ser os demônios, ele não pretendia lutar com nenhum demônio neste corpo mais fraco, nem pretendia morrer ainda.

Na ala sul do palácio Naruto lutava contra um demônio, era Um, não que esse demônio quisesse realmente isso, ele apenas procurava Madara quando encontrou o loiro, a luta entre eles era inevitável.

-Príncipe fugitivo, posso mata-lo mas eu quero mesmo é seu pai...O rei vermelho!

Naruto reconheceu a forma horrenda da única vez que o viu quando atacava um vilarejo no deserto, assim como reconheceu seu cheiro de morte e podridão.

-Madara não é meu pai! Nem mesmo o reconheço como um rei, se não deseja morrer apenas fuja!

O demônio queria mesmo fugir, mas não podia, sua natureza era arrogante e mesmo ainda no fim era assim.

Um rosnado se ouviu na sala e o ser avançou sedento de sangue e fúria, a espada refeita em material celeste assim como todas as armas do reino se abateu contra ele, sangue negro espirrou de um corte no braço e ele recuou gritando, o loiro saltou para longe do sangue e Sasuke veio dos fundos do aposento voando baixo, suas unhas banhadas no mesmo material da espada perfuraram o peito do ser tão rápido que ele nem mesmo viu o que o atingiu, ele caiu no chão e rolou angustiado, sua força estava no fim e ele não queria desperdiçar com esses dois, ele fugiu procurando o único homem que desejava matar de verdade, nem mesmo sua arrogância lhe serviria de nada se morresse ali.

-Não deixe o sangue negro tocar em suas penas! Tome cuidado e me encontre no templo da deusa Vida, sei que é para lá que nossos pais vão seguir.

Sasuke olhou para Naruto e concordou antes de voar pela janela em direção a praia, Naruto se voltou a porta no instante em que soldados do rei vermelho entravam, ele os conhecia e conhecia sua luta e isso era ainda pior, lutou muitas vezes ao seu lado, sabia de sua crueldade, ele mesmo a presenciou mais de uma vez e não fez nada para impedir isso.

-Comandante? Como está arrumado? Até sua pele parece nova! Está sendo muito bem tratado aqui? Anda aproveitando o escravo favorito do rei vermelho?

Um dos homens sorriu com seus dentes feios e seu semblante marcado por cicatrizes, ele era especialmente mal, adorava atormentar cativos, escravos e servos sempre que tinha oportunidade.

-Como era mesmo o nome da puta do rei?? Minato! Sim, o favorito do rei era o escravo Minato, eu tentei bater nele no acampamento, mas fui impedido e logo depois soubemos de sua fuga, o que ouve? Resolveu roubar a puta do rei, do seu próprio pai??

Naruto se enfureceu ao ouvir esses absurdos de seu pai e atacou seus antigos soldados com raiva renovada, três contra um, não era nada mal, mas não o suficiente.

-Madara não é meu pai!! Golpeou a mão do homem e sua espada afiada cortou seu pulso, a mão rolou para longe e o homem gritou caindo no chão, seu olhar em fúria cega.

-Não ouse falar de Minato com essa boca suja!! Gritou acertando o segundo, desta vez sua espada o feriu no peito e no abdômen, o homem caiu gritando, mas não morto, pelo menos não ainda, seu sangue molhando o chão.

-E nunca chamem meu verdadeiro pai de puta seus infelizes!!!

Desta vez ele golpeou o mais forte deles e sua espada bateu contra a outra, seus corpos lutando para se manter firmes, seus rostos muito próximos, força bruta contra contra força bruta, um único deslize e o homem carrancudo e com barba por fazer caiu contra a parede e a espada com o brilho azul se enterrou em sua perna na altura da coxa direita, depois Naruto a ergueu e golpeou a perna esquerda, incapacitando o terceiro e último soldado assim como os outros, depois saiu do quarto sentindo-se sujo somente por estar na presença deles e correu pelo longo corredor a procura do pai e do imperador.

E no final desta ala dentro de um dos aposentos Minato lutava lado a lado com Fugaku e muitos soldados do rei vermelho, eles atacavam e recuavam dando espaço para avançar mais uma vez, tentando poupar os servos que se encolhiam nos cantos pegos no meio da luta.

-Precisamos tira-los daqui! Gritou Fugaku e Minato lançou-se no ar derrubando vários soldados e correndo a seguir pelo corredor para tirar todos dali, o imperador o seguiu acertando os que se levantavam, o caos reinava por todo canto, soldados lutavam, servos fugiam e morriam pelas mãos dos invasores sanguinários, feras irrompiam das janelas e puxavam soldados inimigos os jogando nas pedras lá embaixo, mas outros entravam a seguir, em um instante Fugaku se enredou em uma luta férrea com quatro soldados e perdeu de visão seu companheiro, ele sabia que Minato podia se defender, mas se preocupava em quanto tempo ele aguentaria isso, derrubou dois e recuou, procurando com os olhos seu companheiro quando viu um homem entrando, ele parecia conhecido e ao mesmo tempo totalmente estranho, um arrepio o percorreu inteiro e ele queria muito correr até o desconhecido, mas os soldados o atacavam.

Minato estava protegendo um pequeno grupo de crianças que encontrou em um dos aposentos após conseguir guiar os servos para longe dos soldados inimigos e em direção ao templo, alguns guardas imperiais que conseguiram escapar os ajudaria a chegar a salvo, as crianças pequenas se perderam dos pais no caos, ele os guiava para a cozinha, pretendia esconde-las em uma das despensas com suas portas grandes quando foi surpreendido por um homem que não parecia ser um soldado de nenhum dos lados, suas vestes embora vermelhas eram comuns e seus cabelos longos, ele sorria e parecia inofensivo.

-Senhor? Por aqui! Venha, eu vou leva-lo a um lugar seguro, me siga!!

O homem escondeu a espada nas vestes e sorriu inocente para o loiro que parecia mais lindo que nunca aos seus olhos, corado e mais forte, a pele mais luminosa e mesmo assustado parecia ter se renovado completamente.

Enquanto corriam pelos corredores Minato tentava se lembrar do homem, não era um nobre, por suas vestes simples podia ser um servo muito bem educado de algum senhor rico, ou talvez um homem da vila que estivesse pernoitando ali.

-Está ajudando essas crianças?

Minato concordou correndo com o grupo de crianças pelos corredores em meio ao caos da luta, eram ao todo cinco crianças pequenas, por volta de seus seis a oito anos, filhos dos servos da cozinha e dos pátios, apavorados e tremendo de medo.

-Cuidado! Gritou Minato aparando o golpe de um demônio ferido que vinha em sua direção, Madara não o viu, estava tão absorto a analisar tudo que nem mesmo notou o demônio e foi salvo naquele momento pelo homem que veio matar.

Minato deteve o avanço do demônio e o empurrou para longe das crianças, o homem desconhecido no entanto ergueu sua espada e a enterrou no peito do ser que gritava, sangrando, a espada azulada e enegrecida atravessou pele, carne podre e ossos calcinados e o ser caiu no chão frio de olhos ainda abertos, um odor muito forte invadiu o ambiente como covas de dezenas de corpos apodrecidos fossem abertos uma a uma, eles só podiam fugir do local, sendo assim a passagem da cozinha não era mais uma opção, eles recuaram para os corredores laterais.

-Obrigado.

Madara apenas seguiu o loiro pelos corredores do palácio vendo como as crianças se grudavam a ele assustadas, mas ele no entanto pensava no demônio morto a poucos segundos, ele não pretendia enfrentar um deles tão cedo, foi uma fatalidade, sua energia estava a beira do caos e ele sentia seu corpo enfraquecendo a cada passo e existia um outro problema, os demônios partilhavam a mente, por isso Madara soube que Um viu e sentiu o que ouve e agora conhecia sua aparência, seria mais fácil acha-lo, ainda que nem tanto já que o palácio era enorme.

Minato estava impressionado com a fúria com que o homem golpeou e matou o demônio, mas não iria se queixar, as crianças estavam chorando coladas em suas pernas, tremendo de medo e se não fosse a ajuda deste estranho ele teria que enfrentar esse ser maligno sozinho.

-Não sei como conseguiu matar o demônio tão rápido, mas fico feliz que o tenha feito.

Madara sorriu quando Minato pegou uma criança menor nos braços e correu, as outras o seguiram e ele mesmo se viu pegando a menor das crianças que não pesava nada para ele e correu lado a lado com o loiro, essa sensação era nova e os corações de fera que nunca tinham sentido compaixão ou mesmo empatia podiam sentir a novidade, sedentos por mais disso, deste desconhecido combustível que ao invés de lhes sugar as últimas batidas lhe devolvia algum alimento.

Um quebrou o pescoço de um soldado magro e jovem e tomou sua energia de vida absorvendo a luz azulada que emanava de seu corpo, depois o largou como uma boneca de pano e parou, ele sentiu quando um dos seus irmãos morreu, ouviu dentro de sua cabeça a palavra Madara e seguiu o último instante de vida do mesmo, viu o semblante suave de um homem alto e belo, mas muito mais frágil que o rei vermelho aparecer em sua mente.

-Maldito, eu me lembro de seu rosto...Disse para si mesmo, ele se lembrava do garoto assustado que dormia numa gaiola no canto da caverna fria que era seu lar há muito tempo, o garoto que arrastava uma asa quebrada e suja pelo chão e comia restos de carne de animais da floresta, mas que um dia subitamente conjurou uma magia negra usando os elementos que estavam a sua disposição e matou o líder deles, o pai da maioria e consumiu seu sangue, depois disso todos foram dominados, obrigados a seguir o sangue ancestral vivo dentro do peito da fera jovem, de corpo tão magro e maltratado que parecia apenas um saco de ossos, olhos injetados e fundos, presos a um rosto que nada mais tinha de humano.

Ele e os outros foram vencidos por um menino, um garotinho ferido, uma fera que nem podia voar e isso era sua maior vergonha e o motivo de ainda estar vivo ali, ele precisava matar essa fera, era tudo que pensava neste momento...


Notas Finais


Espero que tenham gostado, essa batalha está somente começando, alguns outros personagens serão incluídos nessa guerra lenta e gradual que terá um final em breve e que pode mostrar mais dos nossos personagens e suas complexas vidas. Beijos de Akira.


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