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História A Fight For Us - Capítulo 26


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 26 - In Case You Don't Live Forever


Fanfic / Fanfiction A Fight For Us - Capítulo 26 - In Case You Don't Live Forever

Zatanna prendeu suas lágrimas e foi obrigada a quebrar o abraço entre ela e sua irmã, a feiticeira segurou o rosto da CEO e mesmo sem ter construído uma história com aquela garota, ela sentiu que ali era parte de sua família, a única que havia restado e não havia nada além de um novo propósito envolvido por amor que não sabia ter guardado.

— Não tema - pediu finalmente podendo sentir as emoções da única que foi capaz de enganar a magia de Zatanna - Finalmente nos reencontramos, não há o que temer.

— Eu não sei o que dizer - respondeu parecendo uma criança envergonhada, as lágrimas presentes em seus olhos, mas não eram de tristeza.

— Eu estava esperando algo como “Wow, minha irmã é incrível” - Zatanna conseguiu tirar um sorriso da irmã, ela sentiu o aperto em seu peito ao notar algo absurdo, Lena tinha o mesmo sorriso de Zatara - Acho que temos muito o que conversar.

— Hey, babaca! - a implicância de Nora fez Zatanna girar os olhos, a bruxa se aproximou das duas feiticeiras e empurrou a conhecida - Você me jogou no lago! - em meio ao abraço Zatanna fez um sutil feitiço para a colega - Eu sinto muito pelo destino ter dado Zatanna como sua irmã.

— E quem é você? - questionou Lena arqueando uma sobrancelha para a estranha, uma boa intimidação.

— Apenas uma idiota que não deveria estar aqui - explicou Zatanna antes que Nora pudesse responder.

— Nora Darhk - Nora estendeu sua mão molhada e Lena aceitou - A idiota que salvou a vida da sua irmã ingrata - a resposta de Nora fez Lena olhar para a irmã, a feiticeira deu de ombros não se importando - Podemos entrar? Eu estou congelando aqui.

Lena concordou e as três caminharam para casa no meio daquele nevoeiro. Nora foi a única que notou aquela situação desconfortável, enquanto Zatanna analisava a humilde casa, Lena estava apreensiva sem saber exatamente o que dizer ou o que fazer, a CEO observava Zatanna como se ela fosse alguém a se admirar. 

No primeiro encontro entre as irmãs Lena estava vulnerável, havia perdido Kara, e suas armas estavam todas apontadas para o primeiro que se aproximasse, Zatanna se aproximou e recebeu uma péssima impressão de Lena, mas agora… Agora era diferente, um laço muito mais forte ligava as duas, e Lena já não conseguia evitar a alegria por ter sua irmã ali.

— Você mora nesse lugar? - Zatanna se sentiu mal pela a vida da irmã.

— Morei até meus quatro anos, hoje eu moro em National City - explicou um pouco desconfortável, Zatanna se aproximou da parede e tocou no quadro, uma velha imagem de Tess abraçada a Lena - Tess, nossa mãe - Zatanna tocou na imagem e sorriu fraco.

O silêncio voltou a deixar as almas desconfortáveis.

— Zatanna? - chamou Nora, a mulher virou-se para encarar a outra - Você se importa? - pediu apontando para suas roupas encharcadas, em um simples movimento de mão Zatanna conseguiu secar as roupas alheias causando surpresa em Lena.

— Você sabe o que nos espera? - Zatanna voltou a se aproximar de Lena e a CEO concordou - Ótimo, eu ensinarei a você tudo o que precisa saber sobre o que somos e o que podemos alcançar, vou ensinar cada mágica, cada encantamento que sei. Quando tudo isso acabar poderemos respirar aliviadas e então finalmente ser uma família, mas primeiro precisamos acabar com quem tanto nos ameaça - Lena concordou, ela sabia que era preciso - Não precisa temer, eu sou sua irmã mais velha e não vou deixar ninguém mexer com minha irmã caçula - Nora sorriu com a cena, era a primeira vez que via algo carinhoso vindo de Zatanna.

— Você pode… - a incerteza de Lena era uma vulnerabilidade - Você pode me contar sobre Zatara? Sobre vocês?

— Você me permite? - pediu tocando o rosto da irmã - Se me permitir podemos compartilhar memórias, você verá meus momentos mais importantes e assim eu verei os seus, homi-magis têm a habilidade de partilhar memórias entre si.

Lena permitiu.

Suas testas se tocaram, Lena ouviu o encanto de Zatanna e mesmo com palavras ao contrário, Lena entendeu como se fosse algo óbvio de compreender. De repente elas já não estavam mais ali, e em uma correria de lembranças elas viram o que mais importavam uma para outra. Lena viu a infância, os momentos felizes com Zatara, os treinamentos do homem, viu Zatanna segurar o corpo do mágico, viu a irmã lutar contra poderosos magos, a viu perder, chorar, sangrar… Lena viu Zatanna presa em uma espécie de inferno e naquela lembrança também viu Nora deixar a irmã, os flashes mudavam cada vez mais rápido e Lena compreendia cada um como se estivessem em câmera lenta, até que tudo se apagou. 

Zatanna foi jogada contra a parede, ela logo se ergueu e as lágrimas violentas se libertaram pela primeira vez, a mística não conseguia parar o choro, as gotas que deslizavam por seu rosto. Ela viu sua irmã presenciar a morte de Tess, viu cada sofrimento com os Luthor, as barbaridades de Lex e Lillian, a dor e angústia que pareciam melhores amigas de sua irmã, viu ela perder o grande amor de sua vida em uma Crise, viu tudo o que Lena passou sozinha e em um desespero interno, porém também viu algo fundamental.

— Ela está viva… - Tess, a lembrança de Lena vendo o holograma da mãe - Ela está com Darkseid? - a CEO concordou - Você quer salvá-la?

— Eu sei que vou - Lena não iria deixar ninguém impedi-la disso - Não tente me impedir.

Zatanna sorriu.

— Eu irei ajudar.

Nora olhou para o teto e resmungou algo.

— Uma de vocês não deveria ser sensata? Gemêos não é sobre balancear as coisas, o universo? - Nora esperava encontrar alguém que colocasse algum juízo em Zatanna, mas havia encontrando alguém pior do que a feiticeira.

Zatanna ainda conseguia sentir a angústia de toda a vida de sua irmã, era nauseante e intenso. Lena era mais forte do que Zatanna imaginava.

— Mas me conta - Zatanna tentou amenizar a situação pesada, as lembranças cruéis que compartilharam - Você costuma gastar milhões em uma empresa só para agradar uma amiga? - era uma lembrança que Zatanna não poderia ignorar, Lena corou com o comentário, ela se perguntou o que mais sua irmã havia assimilado. 

Kara sorriu para a bartender em forma de agradecimento, a loira olhou ao redor e viu as mesas ocupadas no restaurante do hotel, era um lugar elegante e Kara sorriu ao imaginar que era totalmente algo de acordo com Andrea, ali escondida no bar um pouco mais distante dos diversos encontros em forma de jantar, Kara se fez invisível aos olhos curiosos, não havia sido difícil encontrar Andrea, com uma ligação para a CatCo a loira conseguiu a localização de sua chefe.

“Como está sua noite?”

Kara ouviu a voz que parecia sua consciência com a voz de Alex, o dispositivo de comunicação estava ativado para aquela missão discreta.

— Você vai me contar o motivo para eu estar vigiando minha chefe? - Kara sussurrou para não parecer uma louca falando sozinha, a loira usou o canudo para sugar o drink vermelho e discretamente deixou o líquido descer novamente ao sentir o gosto horrível tocar sua língua - Oh Rao, como Lena consegue beber isso? - se perguntou ao fazer uma expressão de desgosto e negar com a cabeça.

Kara, foco! Pelo menos por uma missão esqueça sua namorada, que a propósito, obrigada por jogar essa bomba sem me contar os detalhes”

Alex fugiu da pergunta da irmã e esperava que ela não notasse, ela não poderia dizer tudo o que estava acontecendo pois não sabia qual seria a reação de Kara, ela só precisava ter os olhos em Andrea até ela voltar à cidade.

— Eu contaria agora, mas você me disse para esquecer minha namorada, então - Kara deu de ombros mesmo sem sua irmã poder ver a cena.

O silêncio se fez em sua orelha, mas ela sabia que Alex continuava ali. Kara observou sua chefe de longe, sentada em uma mesa solitária, olhando para o assento vazio diante de si, por um momento Kara quis se juntar a mulher, apenas por um momento…

— Eu estou entediada… Andrea só está tendo um jantar solitário, Alex.

“Kara, por favor…”

— Ok - a loira girou os olhos e continuou sua missão - Então… O que está fazendo? Você sabe que detesto missões desse tipo, por isso que geralmente você manda alguém para me fazer companhia, então seja essa pessoa e me faça companhia.

“Eu esqueci que você não consegue manter o silêncio por muito tempo”

— Eu sou uma repórter, gosto de conversas. Me fala, o que está fazendo?

Kara ouviu um longo suspiro e com isso percebeu que talvez sua insistência havia sido uma péssima ideia.

“Eu estou sozinha no meu apartamento com uma linda e cara lingerie, estou aproveitando um jantar romântico sozinha porque minha namorada me deu um bolo.”

— Oh de chocolate? Oh Rao, que seja de chocolate, você pode guardar um pedaço pra mim?! - ela estava animada, sua boca salivava com a ânsia pelo doce.

“Você está brincando, certo?”

Kara não respondeu.

“Ela cancelou o jantar, Kara. Kelly não veio e não me trouxe nenhum bolo!”

A leve irritação de Alex fez Kara se resguardar mais uma vez, sua irmã estava em um péssimo humor.

“Sabe… Eu sinto como se eu estivesse perdendo tudo… Perdendo minha habilidade de solucionar casos, perdendo a oportunidade de uma família, perdendo a mulher que eu amo…”

— Alex, você não está perdendo nada disso.

“É, ok… É fácil falar isso quando você está no paraíso. Não me leve a mal, eu estou feliz por você, Kara. Mas as situações são diferentes e não acho que você pode afirmar algo desse tipo”

— Eu posso porque você é minha irmã e eu a conheço melhor do que ninguém - Kara percebeu que a bartender a observava, porém agora olhava para a repórter como se ela fosse um alien, foi quando a loira notou que estava falando sozinha, mas não ligou - Escuta, J’onn também teve seus piores dias no DEO, mas mesmo assim não perdeu tudo. E você não está perdendo Kelly porque eu sei o quanto ela ama você. Nã - Kara esqueceu completamente o que iria falar ao ver o que havia acontecido, a mulher viu a nova companhia de sua chefe e isso a deixou um tanto quanto surpresa - Oh Rao…

“O que foi?! Kara, o que aconteceu?”

— Andrea…

“Sim? Kara!”

— Ela… Ela está em um encontro? - ela ainda não sabia - Alex! - a bronca de Kara veio como se ela entendesse todo o motivo da missão - Você me mandou vigiar Andrea só porque ela está em um encontro com a Sam?! Eu pensei que você já tinha super-

“Sam!? Andrea está com a Sam!? Kara, tire Sam daí o mais rápido possível!”

— Alex, eu vou desligar ok? Não há nada o que vigiar aqui, as duas estão… - Kara viu um sorriso em Andrea e por um momento se perguntou se era realmente sua chefe - Eu não sabia que Andrea era capaz de sorrir.

“Kara, fique de olho na Andrea, eu estou falando sério. Andrea é A-

Kara desligou o comunicador e respirou aliviada.

— Aqui, acho que esse faz mais seu tipo - a bartender entregou um novo drink para Kara, a cor viva chamou a atenção da repórter - É um coquetel de frutas vermelhas.

— Obrigada, esse aqui é - Kara negou com a cabeça e afastou uma das escolhas preferidas de sua namorada.

— É feito para pessoas que já desistiram da vida - a mulher se aproximou como se fosse contar algum segredo - Para aquelas que já foram ao inferno - Kara arregalou os olhos e a bartender gargalhou ao assustar a garota - Então, você vai vigiar aquela gostosa a noite inteira daqui ou vai fazer alguma coisa? - Kara corou com o linguajar alheio - Qual é, Sininho. Você está aqui há quase uma hora e não para de olhar para aquela mulher, estou começando a achar que tenho que chamar os seguranças.

— Oh não, não. Não há necessidade - Kara tocou no óculos em sua mania nervosa - Ela é minha chefe e eu, eu… - a mulher arqueou uma sobrancelha e foi a primeira vez que Kara notou a falha proposital na sobrancelha alheia - Eu juro que não vou causar problemas, por favor, não chame os seguranças.

A mulher tomou o drink que Kara recusou e limpou o canto da boca, Kara se perguntou se era permitido àquela profissional fazer aquilo.

— Você está certa, você não é do tipo que causa problemas, então vou deixar você ficar, afinal, quero saber se você finalmente vai fazer alguma coisa sobre aquela deusa, porque se não fizer eu irei - Kara corou novamente causando uma gargalhada fraca na bartender, ela estendeu sua mão em cumprimento, ela não era do tipo amigável, mas aquela garota havia chamado sua atenção - Mazikeen, mas você pode me chamar de Maze.

— Kara, Kara Danvers - a repórter aceitou o cumprimento e soltou a mão da mulher quando o chamado por uma bebida veio do outro canto do bar.

Nia entregou o pote de sorvete à sua nova companheira de sofá, não era como se elas fossem melhores amigas, mas com certeza havia uma amizade e Nia não iria negar um ombro amigo naquele momento. Brainy saiu do quarto e ao ver a nova companhia na casa não soube se deveria voltar para o quarto ou seguir para o centro do encontro, então congelou no meio do caminho.

— Kelly? - Nia tocou na perna da psicóloga que cravou a colher no sorvete por nenhuma razão aparente - Eu estou começando a me preocupar.

— Ela está me usando - as palavras quebradas veio com os olhos cheios de lágrimas - Alex… Ela está me usando.

Ao ouvir aquilo Brainy voltou a se esconder nas sombras ao dar um passo para trás e entrar no quarto.

— O quê?! Alex é louca por você, Kelly. Ela não faria isso.

— Uma espécie de vírus atingiu nosso sistema na Obsidian North, ao rever as câmeras de segurança conseguiram captar Alex, e por mais discreta que ela achou que poderia ser, a tecnologia que usamos é muito mais precisa do que ela imagina. E como se isso não bastasse, eu acabei de descobrir que isso - Kelly mostrou o anel em seu dedo, o mesmo que Alex havia a prometido - Eu pedi para um dos cientistas da Obsidian analisar e adivinha, é uma espécie de gravador - Kelly enxugou as lágrimas que deslizavam por seu rosto, os olhos já avermelhados fizeram Nia se sentir mal por ver aquele sofrimento - Eu costumava ser essencial na vida de Alex, mas agora eu sou apenas uma conveniência. 

— Eu sei que não devo me intrometer em sua vida, e que é um saco ouvir conselhos quando a pessoa que fala não está na sua pele, mas… - Nia sorriu, um sorriso que tentava acalentar o coração da outra - Alex ama você, você já a viu na noite de jogos?! Ela odeia qualquer pessoa que ganha dela, menos você e de acordo com Kara isso é algo estranho - Nia conseguiu tirar um sorriso da outra mesmo com as lágrimas ainda ali - Se Alex realmente fez tudo isso que você disse, ela com certeza teve um motivo e aposto que esse motivo era para mantê-la segura.

— Ela está diferente…

— Muita coisa aconteceu… Acho que no fundo todos nós mudamos, diferente também pode ser algo bom se soubermos entender o motivo de cada um - Nia voltou a segurar o pote de sorvete e tirar uma colherada de dentro - Eu não posso ver minhas mães separadas, então promete que vai falar com ela sobre isso sem criar casos incertos na cabeça? - pediu oferecendo a colher de sorvete.

Kelly enxugou as lágrimas e respirou fundo, a mulher aceitou a colher e Nia pôde sorrir mais uma vez.

— Quando você se tornou a psicóloga do grupo?

— Você já viu o meu grupo de amigos?! Eu preciso fazer esse papel - Nia piscou para a amiga.

Kelly voltou a olhar para o presente de Alex em seu dedo, a psicóloga não entendia seus próprios pensamentos ou sentimentos, ela ainda amava Alex e isso era incontestável, porém a estranha angústia tentava puxá-la para longe da namorada mesmo sem saber o motivo, era quase como um alerta para evitar algo.

— Kelly? - chamou Nia. A mulher voltou para sua confidente e não foi preciso a sonhadora perguntar, a tristeza ainda estava ali.

— Não tema! - Brainy finalmente saiu das sombras e se aproximou das mulheres - Eu sei exatamente o melhor remédio para a tristeza - Nia forçou o sorriso sabendo o que viria a seguir - Maratona dos melhores filmes do Sr. Reeves - Brainy foi até a TV - E quando digo melhores filmes me refiro a

— Todos - completou Nia. Brainy virou-se para que a namorada pudesse ver o sorriso do garoto ao ouvir a jornalista completar sua frase.

— Fico feliz por compartilharmos essa mesma admiração por Keanu - Brainy voltou para a TV animado com o que conseguira.

Nia olhou para sua convidada e soltou um silencioso “eu sinto muito”, aquela cena foi o que fez Kelly esboçar um tímido sorriso.

— Por que não mata essa velha? - perguntou Maze dando total atenção para sua cliente, a bartender tinha seus cotovelos presos no balcão enquanto ignorava os outros chamados, ela estava interessada na história da loira - Não deve ser difícil, empurra ela na frente de um ônibus e pronto, seus problemas vão acabar - explicou dando de ombros.

A repórter olhava assustada para a bartender, Maze não parecia nem um pouco culpada por dar aquela saída e Kara estava começando a se assustar.

Kara havia confidenciado seu dilema, porém de uma outra forma, contando uma história para disfarçar a real ameaça.

— É uma ideia cruel - Kara se afastou um pouco - Mas e se não funcionar? Ela vai voltar a me atormentar.

— Você é a primeira pessoa que conheço que tem medo de uma velhinha, você é estranha, Sininho - Maze se afastou do balcão e pôs o pano sobre o ombro - Se quer um conselho de uma mulher que já viveu muito e já viu diversas coisas, ouça com atenção... Esqueça qualquer lado que não seja o da única pessoa na qual você é fiel - Kara não sabia se Maze havia comprado aquela historinha, mas ela iria aceitar o conselho - Eu tenho essa pessoa, acho que posso chamá-lo de amigo, ele é o único em quem eu confio e apesar da nossa relação complexa, ele seria o único no qual eu voltaria ao inferno se significasse salvá-lo, e tenho certeza de que ele faria o mesmo por mim. Então se for para escolher lados, escolha o daquela pessoa que você confia, porque se tudo der errado, pelo menos você esteve ao lado dela em todos os momentos.

Kara não esperava receber aquele conselho que se encaixava perfeitamente em suas últimas decisões, ela estava escolhendo lados com base em seu medo, e isso a enfraquecia de uma forma perigosa.

— Ei, parece que você deu sorte - Maze apontou para a mesa que Kara passou a noite observando - A companhia da sua paixão secreta está indo embora.

Kara viu Andrea e Sam se despedirem com um abraço, mesmo com a distância ela pôde notar o sorriso no rosto de ambas, ela conhecia Sam e sabia que aquele cumprimento era sincero. Kara abaixou a cabeça quando Sam caminhou para fora do restaurante do hotel, Maze checou a CFO dos pés a cabeça e um sorriso malicioso apareceu em seu rosto.

— Estou começando a gostar dessa cidade - comentou voltando para a loira.

Kara respirou aliviada quando a amiga foi embora, a loira levou a bebida à boca.

— Danvers, me acompanhe! - a voz de Andrea fez Kara cuspir o líquido de volta para o copo.

Andrea não esperou por Kara, deu seu recado ao passar pela a garota e continuou sua caminhada. Maze abriu a boca com a beleza da mulher que passara por dois segundos e seguiu seu caminho.

— Você é uma vadia de sorte, Sininho! - Maze deu um soco no ombro da repórter como se tivesse intimidade para isso, a bartender balançou sua mão ao sentir a dor - Do que você é feita? De aço?! - Maze viu o leve vermelhidão em seu punho e olhou horrorizada para Kara.

— Hum… Obrigada pela bebida e pelo conselho - Kara deixou algumas notas no balcão e correu para alcançar Andrea.

Kara correu, mas ficou um passo atrás da CEO, era claro seu nervosismo, ela não esperava que Andrea percebesse sua presença e agora ela tentava buscar a desculpa mais fácil para dar. A CEO entrou no elevador e Kara parou na entrada, Andrea arqueou uma sobrancelha como uma ordem e a repórter entrou no espaço de metal.

— Você se recusou a ir para Maine, mas Central City pareceu uma boa opção. Por que isso é interessante? - perguntou ao tocar no número que a levaria para seu andar.

Kara balbuciou algo, mas era incompreensível.

— Eu- Eu vim, assim, eu a

— Você estava me vigiando.

— N

— Não foi uma pergunta - Andrea apertou um dos botões e fez o elevador parar, Kara engoliu a seco quando sua chefe assumiu um papel ainda mais intimidador - Eu já disse, eu não sou Cat ou Lena, eu não caio em suas desculpas, Danvers. Então desembucha, o que estava fazendo me vigiando?! - Andrea temia, ela temia que Granny tivesse enviado Kara para acabar com ela.

— Honestamente?

— De preferência - retrucou.

— Eu não sei… - Kara deu um passo para trás e acabou colidindo suas costas com a parede metálica.

— Quer dizer que você apenas gosta de observar sua chefe?

Kara levou uma mão a gola da camisa tentando afrouxá-la, era quase como se estivesse sufocada naquele lugar. Andrea notou o desconforto da garota e voltou a apertar o botão fazendo-o funcionar novamente, a repórter respirou fundo se acalmando.

— Andrea? - não Srta. Rojas. Andrea não voltou a olhar para Kara, a loira continuava um passo atrás de sua chefe - Você está em algum tipo de perigo? - Andrea ainda era um mistério, e havia se tornado ainda mais indecifrável nos últimos dias.

— Me diga você - seu rosto virou para o lado, mas não o bastante para conseguir ver a repórter.

— Eu? Por que está dizendo isso?

Andrea saiu do elevador quando chegou ao seu andar, a mulher foi em direção ao quarto e abriu a porta com o cartão em sua mão, não foi preciso um convite para Kara entrar.

Andrea tirou seu casaco e jogou contra a cama, suas mãos repousaram na cintura, mas não de forma intimidadora, seus olhos mostravam uma outra pose.

— Eu sei quem você é - a simples frase fez Kara se perder em novas desculpas que nunca foram ditas - Estamos na reta final e já não há motivos para esconder, até porque eu não acho que minha história terá mais capítulos - era clara a emoção nos olhos de Andrea, mas ela se recusava a libertar tudo o que sentia - Você é Kara Danvers, a super criança que cresceu com humanos e acabou se tornando Supergirl - a respiração de Kara acelerou sem sua permissão - Sua irmã é diretora de um importante departamento, DEO - a distância entre as duas era quase como uma forma de proteção - Eu venho observando você desde seu primeiro dia de faculdade - Andrea sorriu ao lembrar da garota desastrada no meio do corredor - Eu sei tudo sobre você, Kara. Eu venho tentando proteger você como uma sombra, mas eu falhei, sinto muito.

— Quem é você? - os punhos estavam cerrados, o maxilar preso deixando-o em evidência, a linha reta como uma faca afiada.

— Você veio para me matar? - perguntou não com medo, mas com tristeza por ter falhado, por ter deixado Granny arruinar mais uma alma inocente.

— Se você me conhecesse deveria saber que eu não faria isso.

Andrea segurou o medalhão ainda preso em seu pescoço, a mulher deixou seu indicador tocar o objeto por três batucadas então a mágica aconteceu, uma espécie de fumaça negra tomou conta de Andrea e quando foi embora deu lugar para Acrata.

— Você…

Kara usou sua super velocidade e com os punhos cerrados ela fez movimento para acertar Acrata, mas parou nos últimos segundos, ela estava próxima demais da mulher, seu ataque parado perto do rosto alheio e Andrea não se movia, ela não buscava por uma briga. Kara desistiu do ataque, como em um passe de mágica Andrea se livrou de Acrata, a loira viu as lágrimas presas naqueles olhos e isso a fez ter a certeza de que não deveria atacar.

— Acrata e Leviatã?

— Minhas opções não eram exatamente as melhores - Andrea sentou na ponta da cama, seu coração ainda acelerado ao imaginar que seria atingida pela garota de aço.

— Quando você pediu para que eu fosse à Maine… Nesse mesmo dia Leviatã apareceu…

— Eu tentei mandar você para longe, mas eu já deveria saber que com Granny você pode apenas adiar algo, porém nunca evitar - a certeza de Andrea fez o estômago de Kara revirar ao imaginar o pior - Granny vem recrutando grandes potências, e acabando com suas maiores ameaças. Ela acabou com todos do CHECKMATE, O Tribunal de Corujas, CADMUS, ela tentou apagar todos do DEO, mas eu cheguei a tempo para impedir, porém é questão de tempo até ela conseguir acabar com cada um que faz parte daquele departamento - Andrea já não tinha o que esconder, não quando sabia que seria o próximo alvo - A Liga dos Assassinos é a única organização que se mantém leal à Leviatã, e será a única a ganhar algo no final de tudo. Nem mesmo A.R.G.U.S ficará de pé, Amanda é ambiciosa demais e em breve Granny também vai acabar com ela - Kara sentou ao lado de Andrea ao ouvir toda confissão, a latina olhou para a garota inocente - Você não tem ideia do quão poderoso eles são, do quão cruel Granny Goodness é.

— Por que aceitou?

— Porque ela me salvou - Andrea sabia que sua melhor opção era ter morrido junto com sua família - Eu deveria ter morrido, eu tinha uma faca cravada em meu peito, até que essa falsa salvadora apareceu e quando menos esperei eu já fazia parte de sua família, de Leviatã. Ela me ofereceu vingança contra os assassinos de meus pais, e eu tola caí. Quando percebi os reais motivos de Leviatã, já era tarde demais, então minha única opção era continuar e com isso tentar salvar aqueles que eu poderia. Tentei com Eve, mas falhei, tentei com você e aparentemente também não obtive sucesso - Kara acreditava nas palavras da mulher porque não havia motivo para uma mentira - Depois de minha traição ao salvar DEO, Granny não terá piedade.

— William…

— Seu sangue também está em minhas mãos, mas eu não me arrependo por isso - Andrea não se arrependia, não quando conhecia o histórico do homem - William não era um príncipe encantado, Kara.

— Mas ele merecia morrer?

— Ele iria expor a identidade de Supergirl para o mundo inteiro, isso iria atrair perigo não só para você, mas para todos aqueles que você ama e conhece. Os dias de William já estavam contados, eu só adiantei o inevitável.

Kara não sabia como se sentia em relação àquela confissão, Andrea não parecia ter remorsos por aquela morte.

— Imagina todos os inimigos de Supergirl indo em direção à Alex, à Lena… - Andrea viu a expressão da loira mudar - Não acho que você iria querer isso.

— Por que não contou antes? Por que não veio até mim antes disso tudo chegar ao seu limite?

— Porque meu plano era manter você o mais longe possível de tudo isso, eu achei que poderia ser mais esperta que Leviatã, mas admito que fui uma tola ao pensar isso.

Kara lembrou de algo e era mais uma afirmação sobre quem realmente era Andrea Rojas.

— Lois… Ela se recusou a falar a identidade de Acrata.

Andrea sorriu, lembrar daquela petulante jornalista a fez sorrir.

— Eu ajudei Superman em uma de suas missões, de acordo com aquela infame jornalista ela teria perdido seu irritante herói se não fosse por minha causa. Então como forma de pagamento ela prometeu preservar minha identidade.

Kara levantou da cama, era muito para assimilar, mas não tinha muito tempo para tomar decisões baseadas em uma análise de caráter.

— Leviatã quer tornar a mulher que eu amo em uma arma, porque aparentemente o outro lado da história quer matá-la, por isso fui obrigada a aceitar seu lado.

— Eu sei… - Andrea não sabia se deveria dizer que era inevitável, que Lena morreria apesar de todo esforço.

— Mas se juntarmos nossas forças poderemos ser maiores do que Leviatã e Darkseid - a gargalhada da latina veio e Kara se incomodou com aquilo - Andrea, você está com eles desde o começo, temos essa vantagem de saber tudo o que Leviatã esconde. Podemos usar isso e montar uma estratégia.

— Você sabe o motivo de Leviatã ser tão poderoso? - Andrea levantou e ficou diante de Kara - Porque ele sabe exatamente onde atacar. Você jamais se aliaria a essa organização, mas fez isso por Lena. A manipulação é perfeita. Se você tentar se rebelar contra Leviatã haverá consequências e acredite, Kara, elas serão dolorosas. Você tem muito o que perder para arriscar.

— Você disse que queria me proteger, agora estou oferecendo uma nova saída para você fazer isso. Nós podemos nos ajudar, Andrea. Pelo que entendi você está presa à Leviatã como uma maldição.

— E ela irá quebrar, eu só estou esperando esse momento - Andrea aceitava seu destino, ela tentava seguir sua vida como se não aceitasse, mas era uma ilusão. Por isso já havia deixado todos os papéis prontos para quando o pior cenário acontecer, CatCo ter uma nova dona… - Volte para Lena, e faça seu trabalho.

Kara segurou o braço de Andrea impedindo uma despedida forçada.

— Eu estou aqui, não vou deixar Leviatã acabar com Acrata porque sei que ela ainda tem muito a contribuir, e logo agora que eu estava me acostumando com a nova direção, não posso perder minha chefe menos favorita - a implicância de Kara fez Andrea esconder o sorriso, mas falhou miseravelmente.

De repente Kara perdeu toda implicância que ainda estava por vir, a mulher se concentrou e sua atenção foi para o lado como se buscasse um melhor acesso para ouvir algo, a loira arregalou os olhos e voltou a olhar para Andrea, mas a CEO já parecia ter entendido.

— Kara, você precisa ir agora - sussurrou sabendo o que aconteceria nos próximos segundos.

— Eu não vou deixar você.

Kara viu o exato momento em que a flecha passou entre ela e Andrea, a loira segurou a arma e ao fazer isso a mesma explodiu em sua mão jogando as mulheres para longe.

— ANDREA! - gritou Kara para o outro lado, a loira arregalou os olhos quando viu o que já estava ali, um exército de ninjas, todos com espadas afiadas e no meio deles a líder.

Kara levantou-se e se aproximou de Andrea, não era Supergirl e Acrata contra os inimigos, e sim Kara e Andrea.

— Eu achei que esse dia nunca chegaria - Talia abaixou o capuz e tirou a máscara que cobria sua boca, jogou seu arco-flecha no chão e atrás de si tirou duas espadas.

— Talia, você não precisa fazer isso, pense em D

— Não se atreva! - ordenou antes que Andrea pudesse pronunciar o nome - É exatamente por esse motivo que meu destino é com Leviatã.

Andrea olhou para Kara, a loira afirmou em seu olhar que já não iria fugir. A CEO deixou um sorriso vitorioso aparecer e olhou para sua maior inimiga no momento.

— Ao menos será divertido.

Andrea correu em direção a Talia, pegou impulso na cadeira do quarto e pulou contra um dos ninjas chutando seu rosto e ao pousar no chão aproveitou para dar uma rasteira em outro. 

— Wow - exclamou Kara.

A loira se deu conta do que estava acontecendo e ajudou a nova aliada, Kara abriu espaço para Andrea e usou seu raio lazer para afastar os ninjas. A CEO roubou a espada de um guerreiro caído e tentou atacar Talia, mas a líder bloqueou o ataque com a lâmina afiada.

— Você acha mesmo que vai sair vitoriosa? - Talia segurava firme suas espadas para que Andrea não a partisse no meio.

— Com essa ajuda? - Andrea pressionava a espada contra o “x” de lâminas de Talia, a CEO viu o poder de Kara fazer um buraco na parede e sorriu - Eu tenho certeza - Andrea chutou o abdômen de Talia a empurrando para trás.

A CEO logo foi jogada no chão com o ataque de um dos ninjas, o homem cravou a espada contra a cabeça da mulher, mas ela rolou pelo chão para se proteger. Kara a tirou do chão e voou quando um ataque quase atingiu a cabeça da latina.

Elas logo voltaram ao piso firme, Andrea já ofegava e Kara observava os ninjas voltarem a formação ao lado de Talia.

— Eu cuido dos ninjas, você fica com a louca das espadas - sugeriu Kara.

— Me parece justo - concordou Andrea - Me jogue contra ela, não se preocupe, eu sei o que faço - Kara obedeceu, segurou sua chefe pela cintura e a jogou em direção à Talia.

Andrea tocou em seu medalhão, Talia a observou no ar e a viu desaparecer em uma sombra, a mulher olhou ao redor procurando por sua rival, Andrea reapareceu atrás de Talia, chutou as costas de seus joelhos fazendo a assassina cair no chão, a CEO aproveitou para desarmar o oponente.

— ABAIXA! - gritou Kara, Andrea obedeceu.

Kara jogou um dos ninjas contra o que estava atrás de Andrea prestes a atacá-la, a CEO tirou o foco de sua maior inimiga, pegou a espada ao chão e cravou nas costas do ninja caído sobre o outro.

O barulho naquele quarto causava espanto em quem não sabia o que acontecia ali dentro. 

— Eu vou tirá-los daqui - Kara voou com dois em seus braços deixando Andrea sozinha com a turma.

Andrea se afastou, havia quatro ninjas e Talia, era uma luta injusta, mas ela iria encarar. A assassina jogou a espada no chão e fechou seus punhos. 

A luta voltou a ser palco para o ego entre as duas mulheres, os socos de Andrea eram precisos, mas Talia aguentava cada golpe, ela foi ensinada melhor do que aquilo. A traiçoeira pulou e chutou as costas de Andrea entregando a mulher para os quatro ninjas, eles seguraram Andrea, mas a CEO não se rendeu, Talia pegou a espada novamente e a aponta afiada pressionou a bochecha da CEO causando um fio de sangue escorrer pela pele perfeita.

Kara retornou e seu soco atingiu o lugar exato para quebrar as costelas de um dos ninjas que seguravam Andrea, a garota de aço cuidou dos outros três, mas Andrea continuou de joelhos como se tivesse presa.

Talia viu a facilidade da garota em acabar com seus guerreiros, quando voltou a olhar para Andrea a mulher estava de pé, a espada encostada no pescoço de Talia.

— Você pode ter sido treinada por Ra’s Al Ghul, mas eu fui treinada por Granny Goodness, e acredite Talia, não há um inferno pior do que esse - Andrea colocou um pouco mais de força em sua mão.

— Andrea, não! - pediu Kara, a loira já havia acabado com os ninjas e Talia já não parecia uma ameaça - Você não precisa fazer isso. A luta acabou.

Talia sorriu.

— Não, ela só está começando - Talia aproveitou a distração e abaixou-se escapando da espada. Talia agarrou a cintura de Andrea, correu em direção a única saída e pulou a janela.

Kara sentiu um frio na barriga com a cena e imediatamente correu e pulou do prédio, ela viu o corpo caindo, mas era o de Andrea, Talia havia sumido como em um passe de mágica. Kara intensificou sua velocidade e antes que Andrea pudesse colidir com o chão, a garota de aço segurou o corpo da CEO, a repórter imediatamente voltou para o quarto pelo mesmo local que saiu e já não havia nenhum ninja ali.

Andrea ainda estava abraçada à Kara como um guardião, a loira colocou a mulher no chão e Andrea sentiu suas pernas tremerem com a adrenalina.

— Ela está certa - o rastro de sangue ainda estava no rosto de Andrea - A luta só está começando.

— Então lutaremos, mas não separadas - pediu. Kara sabia que com todo o conhecimento de Andrea sobre Leviatã elas teriam uma chance. A repórter olhou ao redor e viu o estado deplorável do quarto de hotel - Oh Rao, sorte a nossa que você é rica, eu não tenho ideia de como eu pagaria esse estrago.

Andrea não conseguiu sorrir.

— Kara, Talia contará à Granny que você lutou ao meu lado.

— Ótimo - Kara pôs as mãos na cintura, a pose confiante de Supergirl, mas que dessa vez vinha exclusivamente de Kara - Porque agora eu sei o que devo fazer, meu erro foi escolher lutar ao lado de Leviatã quando o único lado que eu deveria estar era o de Lena. Sem mais Leviatã ou Darkseid, eu irei lutar por ela, ao seu lado e de mais ninguém.

— É perigoso - alertou.

— Mas irá valer a pena - um certo alívio tomou conta de Kara, escolher Leviatã havia sido seu maior erro pois deu lugar ao medo - E quanto a você - Kara teve uma brilhante ideia - Você não pode voltar para National City agora, Talia provavelmente pensa que você morreu com a queda, então vamos manter você longe dos holofotes.

— Kara, eu já disse que não precisa se preocupar comigo.

— Eu tenho alguns amigos que podem ajudar, eu sei que eles podem manter você segura por um tempo, pelo menos até tivermos um bom plano.

— Amigos?

Talia entrou sem permissão, era notável sua raiva naquela expressão de poucos amigos. Granny levantou da cadeira e viu o sangue ainda manchado no pescoço de Talia.

— Você poderia ter me avisado que eu enfrentaria uma kryptoniana, eu teria levado minhas flechas de kryptonita - Talia levou uma mão ao pescoço ainda sentindo o incômodo do contra-ataque de Andrea.

— Kara Danvers… - era uma afirmação. Granny fechou seu punho e bateu contra a mesa de vidro, o lugar quebrou no mesmo instante - Parece que eu não me fiz clara no último encontro - Granny passou por Talia e a guerreira segurou seu braço mesmo sabendo que poderia perder a própria mão com aquela atitude - Suas armas não funcionam com Andrea, ela já não tem ninguém a perder, e lhe dar uma morte rápida seria fazer um favor. Aposto que aquela garota a salvou.

— Eu cuidarei de Kara Danvers - Granny tirou a mão de Talia de si.

— Não adianta atacar Lena, já tentamos, não lembra?

— Eu não sou uma tola, eu sei de inúmeras maneiras de atormentar uma alma e se Kara Danvers pensa que pode passar a perna em Leviatã, ela sentirá na pele que é impossível.

Lena caminhava pela trilha da floresta, ela ainda podia sentir os pingos da chuva, que estavam presos nas folhas, caírem sobre sua roupa, a gota fria que despertava seu corpo. A CEO sempre fugia para aquele lugar, não por rebeldia, mas porque gostava do silêncio e da calmaria quando criança.

As mãos estavam guardadas no sobretudo e seus passos eram lentos, dentro de si ainda havia uma euforia por tudo o que aconteceu, ela não esperava por Zatanna, mas tê-la ali era como se tivesse sido seu maior desejo de anos, mesmo não fazendo ideia de que precisava dele. Zatanna trazia uma nova paz que era completamente diferente da que sentia com Kara, era algo familiar, novo, uma sensação que por anos tentou ter com os Luthor, mas que veio naturalmente quando finalmente encontrou sua família, ou parte dela.

— É perigoso - Lena se assustou com a interrupção de seus pensamentos, a CEO olhou para a mulher encostada em uma das árvores - Agora que você e Zatanna se reencontraram o alvo ficou mais fácil - Nora se aproximou de Lena e as duas caminharam lado a lado - Todo cuidado é pouco, você não pode sair por aí sem um companheiro de viagem.

— Eu sei me cuidar sozinha.

— Teimosia é mesmo um dos componentes no sangue dos Zatara - Nora percebeu um sorriso fraco no rosto da garota ao seu lado, ela parecia orgulhosa - Mas estou falando sério, agora o tempo voltou a correr e Darkseid poderá atacar a qualquer momento. Quando o inevitável vier a acontecer vocês precisam estar juntas.

Lena olhou para a preocupação no rosto da acompanhante de sua irmã, a mesma preocupação que ela encontrava nos olhos de Kara.

— Quando eu e Zatanna compartilhamos nossas lembranças eu vi algo - elas não pareciam desconfortáveis uma com a outra, pelo contrário, era como se já se conhecessem - Você a deixou em uma espécie de inferno? Por que fez isso? 

Nora respirou fundo, o ar que soltou veio com a pequena névoa saindo de seus lábios.

— Antes de morrer Zatara me contou tudo, ele sabia o quanto Zatanna significava para mim então me deu essa missão.

— Protegê-la? - perguntou curiosa, Nora concordou com um balançar de cabeça.

— Darkseid encontrou Zatanna, a única forma que eu vi de livrá-la de uma morte seria prendê-la em um inferno místico onde Darkseid jamais a alcançaria, então eu a deixei… Foi a escolha mais dolorosa que fiz, porém a mais correta.

— E ela odeia você por isso… - Nora não respondeu. Quando as irmãs compartilharam memórias, Lena pôde sentir as emoções de cada uma e uma das mais dolorosas vinha com Nora - Ela ainda sente algo por você.

— É, eu sei. Só estou em dúvida se é ódio ou decepção - Nora chutou uma pequena pedra em insatisfação, antes que pudesse continuar a caminhada, Lena segurou seu braço - O que foi? - Nora girou os olhos entendendo o que poderia vir em seguida - Não tente usar o discurso sobre amor, não me leve a mal, mas eu conheço sua irmã melhor do que você e sei que quando você sai da vida de Zatanna, você não tem o direito de retornar e eu já aceitei isso.

— Obrigada - agradeceu quebrando todo o discurso de Nora - Se você não tivesse feito esse sacrifício na relação de vocês, eu provavelmente teria perdido minha irmã, você me deu uma chance com ela.

— Não se anime, por mim eu nunca teria deixado esse encontro acontecer porque ele é perigoso para vocês duas - novamente a preocupação abalou a bruxa - Eu não quero perder Zatanna, mesmo ela me odiando eu ainda preciso que ela permaneça viva, porque só assim eu posso manter o pouco de esperança que ainda resta em mim.

— Você a ama.

— Isso já não importa - Nora voltou a andar e Lena a acompanhou - Se ganharmos essa guerra eu manterei minha distância de Zatanna.

— E se perdermos? - a pergunta irritante de Lena causou calafrios em Nora.

— Então eu não descansarei até acabar com Darkseid, eu já não terei nada a perder.

A resposta de Nora fez Lena pensar em sua namorada, ela sabia que Kara tomaria a mesma medida e isso era algo que a CEO não queria, na pior das hipóteses ela queria que a loira seguisse sua vida e não a perdesse em uma vingança inútil.

LENA!

Nora e Lena se assustaram com o grito que chegou até elas, a CEO conhecia aquela voz e o desespero na mesma.

Kara aterrissou, depois de uma longa noite ela estava feliz por voltar para sua paz necessária, ela mal podia esperar para reencontrar Lena, beijá-la e dizer que estaria do seu lado em qualquer decisão que viesse a tomar. Kara estava decidida a arriscar tudo e fazer isso do lado certo da história, o de Lena.

A repórter viu a porta encostada e entrou na casa, fechou a segurança atrás de si e subiu as escadas.

— Amor? Voltei - elas haviam combinado de se encontrar naquela manhã - Lena? - a loira andou pelo corredor e viu a porta do quarto fechada, sem fazer nenhum barulho Kara abriu a porta e logo um sorriso apareceu ao ver sua namorada dormindo.

Kara imaginou que sua namorada deveria ter passado por uma noite difícil já que ainda estava dormindo, a loira tirou seus sapatos e nas pontas dos pés deu a volta na cama, se aconchegou na pequena cama e passou seu braço pela cintura nua da namorada, colando seus corpos no perfeito encaixe.

O perfume de Lena havia mudado, mas isso não fez Kara se importar, o sorriso veio quando a outra segurou a mão da loira naquele bom aconchego.

— Senti sua falta - sussurrou Kara depositando um beijo no ombro da namorada e afastando os cabelos negros para guardar um beijo na curva do pescoço.

Zatanna abriu os olhos mecanicamente, o susto veio com o combo ao sentir o beijo em seu pescoço e perceber os corpos colados. A feiticeira arregalou os olhos e virou-se, a mulher estava preparada para lançar algum feitiço quando viu um par de belos e inocentes olhos a encarando, a beleza da confusa companheira era um bom encantamento. Kara sorriu ao ver o espanto no rosto alheio.

— O que foi? - perguntou em meio ao sorriso.

As duas estavam bem próximas e Kara não se conteve, a repórter beijou aquela cópia de Lena e Zatanna não recusou o beijo, apesar de não ter ideia do que estava acontecendo ela embarcou naquele presente de bom dia, até que Kara se separou, os olhos esbugalhados enquanto o sorriso malicioso da outra estava grudado em seu rosto, Kara se afastou e caiu no chão, a mulher se distanciou como se Zatanna fosse uma espécie de doença contagiosa.

Zatanna continuava a analisar àquela bela figura espantada.

— Oh Rao… Você não é minha Lena - Kara ainda estava no chão, mas em uma boa distância da mulher - Ond o… onde Lena es- onde ela - os olhos de Kara desceram para o corpo que já não estava coberto pelo lençol e sim nu a sua vista, a repórter fechou os olhos com a traição - LENA!

Zatanna gargalhou com o grito escandaloso, a mística levantou da cama e com um giro de mão trouxe as roupas de volta para seu corpo.

— Posso dizer que não acordava tão bem assim há um tempo.

Kara abriu os olhos e viu a mulher já vestida, a loira levantou, mas manteve sua distância.

— Onde Lena está? O que você fez com minha namorada?! - Kara viu o sorriso malicioso se formar na mulher que tanto parecia com seu amor.

— Kara?! - Lena entrou no quarto acompanhada por Nora.

A loira piscou algumas vezes ao ver as duas figuras parecidas, balançou a cabeça com medo de está alucinando. Lena se aproximou da namorada sabendo que ela estava entrando em alguma espiral de dúvidas, quando a CEO ficou próxima demais, Kara a puxou pela cintura e beijou sua namorada. Assim como soube que não se tratava de sua namorada quando beijou Zatanna, ela também teve a certeza de que agora sim, estava beijando a pessoa certa. 

— É você - respondeu ao deixar os lábios de Lena - É você.

— Claro meu amor, quem mais poderia ser? - questionou Lena com um sorriso bobo ao ver o par de mar parecendo culpado.

Zatanna se aproximou da irmã e sorriu para Kara, a loira deu um passo para trás ainda assustada.

— Kara, essa é Zatanna - apresentou Lena, Kara lembrava daquele nome e seu estômago revirou com a ideia de ter beijado a garota - Minha irmã.

— Nós já nos apresentamos - implicou Zatanna, Lena franziu o cenho com a confusão - Sua namorada me beijou.

— O quê?! - Lena olhou para Kara, ela não estava chateada, mas queria ver o desespero da garota.

— Eu- Eu não sabia, ela estava dormindo então tem sua cara, achei que era você porque ela tem sua cara e seu corpo, mas eu percebi, Lena eu juro que percebi que não era você quando 

— Quando ela sentiu minha língua - concluiu Zatanna apenas para sacanear a garota que mal conhecia.

— Lena, sua irmã é uma idiota, se acostume - Nora entrou na conversa e deu uma tapa na cabeça da feiticeira.

— É, eu estou começando a perceber isso - Lena semicerrou os olhos para a irmã e Zatanna gargalhou.

— Relaxa, irmãzinha. Ela não faz meu tipo - Zatanna piscou para Lena, voltou sua atenção para Kara e estendeu sua mão - Eu sou Zatanna Zatara, a irmã perdida de Lena - Kara aceitou o cumprimento e de repente uma energia passou de Zatanna e cobriu a mão de Kara - Cuidado, kryptonianos são vulneráveis a magia, se você magoar Lena eu acabo com você - Zatanna conseguiu ver as lembranças de Lena e por isso lembrava daquele rosto a sua frente.

— Será que algum dia eu vou conhecer algum irmão seu que não queira me matar? - a pergunta boba de Kara deixou uma curva de sorriso em Lena, a loira suspirou e voltou para Zatanna - Kara Danvers - apresentou-se apertando a mão de Zatanna fazendo a mulher sentir um pouco de sua força.

— Então você é a famosa garota de aço que fez o sacrifício final - o sacrifício na crise ainda era lembrado por certos heróis - Acho que nosso pai teria aprovado esse relacionamento - Zatanna olhou para sua irmã e Lena corou com o comentário - Uma pergunta, como você escapou da morte, kryptoniana?

— É uma longa história.

— Você é uma jornalista, faça um resumo - pediu. A interação das duas fez Lena sorrir.

Kara virou-se para sua namorada sem saber exatamente como dizer tais palavras, então simplesmente as deixou sair.

— Eu não sei se gosto dela - sussurrou ignorando Zatanna.

— Você precisa admitir que ela é melhor do que Lex.

— Oh, eu já estava me esquecendo desse babaca - Lena e Zatanna tinham suas lembranças mais marcantes compartilhadas, e a mística viu a dor que aquele homem causou em sua irmã - Quando tudo isso terminar eu vou encontrá-lo e ele vai pagar por tudo o que fez a você, Lena.

— Eu definitivamente gosto da sua nova irmã - afirmou Kara mudando de opinião.

Zatanna que nunca se importou com alguém além de duas pessoas, agora estava abrindo espaço para mais uma, encontrar Lena havia sido algo mágico - literalmente -, era como se suas almas já se conhecessem, como se nunca tivessem sido separadas, Zatanna já nutria um cuidado e amor por sua irmã mais nova como se elas tivessem compartilhado cada momento juntas, as dores eram suas, suas conquistas eram celebradas, ela odiava quem havia chegado a magoar sua irmã, e abria uma exceção para aqueles que Lena amava. Zatanna se viu na obrigação de continuar o trabalho de seus pais, proteger sua irmãzinha.

— Odeio ser aquela estraga prazeres, mas - Nora olhou para as três ali, ela poderia imaginar o quão poderosas elas poderiam ser se juntassem seus poderes - O que faremos agora? Ainda temos uma profecia nas costas.

Zatanna olhou para sua irmã e buscou a mão da CEO.

— Primeiro vamos trazer nossa mãe de volta - disse fazendo sua promessa olhando nos olhos de Lena.

A CEO desviou sua atenção por um segundo e olhou para Kara, ela sabia que devia uma resposta para a garota de aço, mas antes que ela viesse Kara deixou sua mão cair sobre as da Luthor-Zatara como se apoiasse as duas.

— Sem Leviatã ou Darkseid - afirmou - O único lado que estou é do seu, Lena. Agora e sempre - Kara beijou a testa da namorada e sorriu, ela não percebeu, mas a CEO sentiu um alívio ao ouvir aquilo.

Zatanna olhou para Nora, apesar de tudo, ela reconhecia que os poderes da outra eram necessários.

— É melhor você ter um plano, Zatanna. E espero que esse plano não seja um suicida - Nora juntou sua mão com as das três garotas.

— Zatara e Tess nos separaram para nos salvar, mas agora que estamos juntas voltaremos a reunir o que restou de nossa família. Uma coisa que você precisa saber sobre mim, irmãzinha, é que eu sempre cumpro minhas promessas.

Kara viu a sinceridade no olhar de Zatanna, a mulher realmente se importava com Lena, e a felicidade na CEO era por aquela reunião, sua namorada finalmente estava caminhando para uma vida dos sonhos.

... 

Kelly desligou a ligação e continuou olhando para o celular em sua mão, o elevador estava levando-a para seu andar ou para qualquer outro, ela não lembrava de ter apertado algum botão, a mulher estava tentando falar com a namorada, elas precisavam se ver, conversar, tentar se entender de uma vez por todas, mas Alex não estava atendendo e Kelly que odiava recados, acabou deixando um incerto na caixa de mensagens da mulher.

— Perdoe a intromissão, mas você está bem, querida? - a adorável senhora perguntou para a companhia no elevador.

Kelly tirou sua atenção do celular e sorriu para a gentil senhora.

— Estou - afirmou incerta. Kelly olhou para o painel dos andares e viu que estava indo para o último andar, e isso a deixou confusa - A senhora está indo visitar os Mills? - perguntou sabendo quem morava no último andar do prédio.

— São velhos amigos  - Granny voltou a sorrir. O elevador parou e a senhora ficou no meio das portas - Tenha um bom dia, querida - Granny saiu e Kelly perdeu o sorriso, as palavras da mulher causaram um frio em seu estômago, um de arrepiar sua pele.

Kelly viu o exato momento em que as portas se fecharam e quando isso aconteceu o elevador despencou com ela dentro, Kelly não conseguiu assimilar o que havia acontecido, pois apagou com o primeiro impacto.

Alex nunca saia de casa antes do primeiro café, era o que lhe despertava e enchia sua energia para um novo dia, mas sua manhã havia começado errada, o pesadelo distante fez a diretora despertar com a dor cruel em sua cabeça, mesmo parecendo algo bobo ela precisava de uma certeza. Então saiu de casa apenas com o banho tomado, o celular havia ficado jogado na cama com a notificação de uma mensagem de voz que a ruiva não chegou a ouvir. Sua única direção era ir até Kelly, era abraçá-la e se livrar do pesadelo que a assombrava.

Alex desceu da moto, o óculos escuro e a expressão séria era um aviso para ninguém dar um bom dia, ela caminhou até o prédio de sua namorada e estranhou o grupo de pessoas ali fora.

Hey… Sou eu… Eu não sei exatamente o porquê dessa mensagem já que combinamos de nos encontrar mais tarde, é só que…

Os passos de Alex começaram a parecer incertos, perdendo a velocidade enquanto seguia para a entrada do local.

Eu sei que não estamos no melhor momento, e que isso está nos afastando, mas… 

Bom, acho que o que estou querendo dizer é que eu entendo, eu entendo tudo o que fez por mim, você sabe que é o meu herói favorito e sei que parte de você se ver na obrigação de me proteger, então eu entendo, agora eu entendo...

Alex freou os pés quando viu a ambulância parar de repente na entrada do prédio.

— Não…

A diretora tirou o óculos e o objeto deslizou de sua mão caindo ao chão, a ruiva correu em direção a aglomeração, a sensação era quase que irreal como se cada parte de si estivesse sangrando, como se cada corte invisível fosse uma nova dor, Alex empurrou um dos curiosos que formava uma barreira na entrada do hotel.

Parece que não dizemos isso há uma eternidade, mas eu espero que não tenha esquecido, eu amo você Alex Danvers, não importa o que aconteça, eu sempre irei amá-la.

Alex tentou ir até o corpo naquela maca de pronto socorro, mas foi segurada por um dos socorristas, a Diretora gritava pois choro já não era o bastante, era Kelly… Seu pesadelo agora atormentava sua realidade, chegava ao seu fim.

 


Notas Finais


Eu não esqueci da Lillian e da outra Kara...
Spoilers dos próximos capítulos:
Próximo será focado na Alex, "Alex in Wonderland", depois desse capítulo teremos a divisão de quem vai tá do lado de quem, e o esperado (ou não) Leviatã vs Darkseid.


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