História A filha da herdeira - Capítulo 6


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Categorias Originais
Tags Amor, Anjos, Bad, Drogas, Guerra, Mentira, Mistério, Sexo, Traição
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Palavras 2.434
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Policial, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Salve quem te ama.

Capítulo 6 - Vida perdida


Fanfic / Fanfiction A filha da herdeira - Capítulo 6 - Vida perdida

Pensar no que havia acabado de acontecer era como se lembrar de um pesadelo. Se não fosse pelo sangue, a sujeira no vestido e a dor que percorria o meu corpo, eu poderia dizer que foi tudo imaginado e jamais seria real.

Simon me sentou no banco traseiro e depois colocou Nick deitada no meu colo. Ele tirou a camisa social a rasgando em um pedaço longo e me entregou. Eu amarrei na perna onde o meu outro ferimento latejava. Eu sou a única que me machuco? Então notei um corte na parte de baixo das costas de Simon, não era nada profundo, mas também precisava de cuidados.

- Temos que ir para um hospital. – Falei para ele e depois olhei para o rosto sereno da minha amiga. – Precisamos de ajuda.

- Vamos esperar os nossos pais. – Simon disse enquanto andava de um lado para o outro.

De modo repentino, meu irmão parou e me encarou. Sua boca abria e fechava por falta de palavras e seu rosto parecia ter aceitado todas as emoções de uma vez só.

Ficamos nos olhando por segundos sem dizer nada. Por fim, falei.  

- Isso tudo está acontecendo mesmo? – Perguntei para o mais velho.

- Não sei mais o que pensar. – Ele respondeu. – Eu pensei que nossa família era...- Ele respirou fundo. – normal. – Completou.

- Eu também, irmão. Eu também.

Encostei a minha cabeça no banco e fiquei tentando imaginar o que estaria acontecendo lá em cima. Será que meus pais e Danielle estão bem?

Nick se mexeu no meu colo abrindo os olhos, toquei seu rosto e sua pele estava gelada. Mesmo sabendo que ela não era humana, que havia mentido para mim, eu ainda a amava e a considerava a minha melhor amiga. Eu não podia dar as costas para isso.

- Você está bem? – Perguntei para ela com preocupação.

- Parece que um trator passou por cima de mim. – Ela se sentou com cuidado no banco de trás e colocou a mão na cabeça. – Tudo está doendo.

- Eu entendo, me sinto assim também.

- Mas o que...? – Ela olhou para a atadura improvisada na minha panturrilha. – O que aconteceu?

- Um anjo. – Contei tudo para Nick e tive que segura-la diversas vezes, pois seu impulso dizia para ela subir de volta para a luta.

- Eles estão demorando demais. -  Simon se aproximou de nós. – Acho que vou voltar.

- Não! – Monique praticamente gritou. – Não vá, anjos são fortes demais e você não sabe lutar. Eu que deveria ir.

- Você bateu a cabeça e desmaiou, acha mesmo que consegue lutar? – Perguntei para a minha amiga.

- Meus pais estão lá dentro, temos que fazer alguma coisa. – Simon falou indignado.

- Eles vão voltar... – Nick falou baixo. – Eu tenho certeza. – Seus olhos fecharam e ela abaixou a cabeça negando-a desacreditada.

- Ele pode ser forte, mas não vai sobreviver. Vocês viram o jeito que nossos pais lutavam? – Falei. – Menos você, já que estava desmaiada. – Sorri sem graça para Nick.

- Espero que sim, irmã. – Simon disse. – Espero que esteja certa.

 

Dez minutos já haviam se passado e nada dos meus pais aparecerem. Meu peito estava apertado, doía conforme eu respirava. Eu tinha medo de ser fraca demais para suportar a morte dos meus pais. Não podia pensar no pior, mas eu já estava tempo suficiente aqui sem fazer ideia do que estava acontecendo na cobertura. Meu corpo parecia consumido por tensão e a qualquer momento eu poderia explodir de agonia.

- Vamos subir. – Nick disse impaciente. – Cansei de esperar.

- Está maluca? – Ergui uma sobrancelha e a observei se esticando no banco do carro. – Quer morrer? Você definitivamente quer morrer. Deixa que nossos pais dão conta. – Eu mesma já não tinha mais certeza de que eles davam conta.

- Chega, vou ligar para a polícia. – Simon disse pegando o celular do bolso. – Droga. – Ele nos mostrou a tela escura e rachada. – Deve ter quebrado quando cai no chão. – Meu irmão lançou o objeto pelo ar até vermos ele se chocar contra o chão e quebrar ainda mais.

Nós duas estávamos sentadas no banco de trás e ele andava impaciente do lado de fora, as vezes batia com a mão na porta traseira que estava aberta e as vezes chutava a porta da frente do carro. Meu irmão abria e fechava as mãos nervosamente e eu sabia que todos nós estávamos passando pela mesma situação e emoção.

- Mas você falaria o que? Que um anjo está tentando matar os seus pais? – Nick ergueu uma das sobrancelhas. – Não seja tolo, Simon. Ninguém irá acreditar em nós, nem vocês acreditaram no início.

- Não aguento ficar aqui sem fazer nada. – Meu irmão soltou o ar do peito e Nick concordou.

- Temos que ajudar, mas eu confesso que minha cabeça está doendo muito e que se você me acompanhar, talvez morrêssemos. Não dá para... – Nick começou, mas seus olhos pousaram em alguma coisa a fazendo perder o raciocínio.

Então meu pai apareceu saindo do elevador e segurando a minha mãe nos braços. Ele mancava e tanto seu rosto quanto suas vestimentas estavam sujas de sangue. Minha mãe estava com os olhos fechados e coberta por ferimentos de diversos tipos.

- Ligue o carro! – Meu pai gritou para Simon durante o caminho. – Vai, vai, vai!

Simon entrou no carro e enfiou a chave na ignição rapidamente, Nick se pôs para o banco da frente e eu me ajeitei no banco de trás dando espaço para os meus pais.

- Onde está a minha mãe? – Nick perguntou assim que meu pai entrou no carro ajeitando a minha mãe sobre ele.

O ar ficou carregado do odor de algo ferroso e suor. O sangue de ambos mancha tudo que encostavam. Meu pai parecia sem consciência do que falava ou fazia, sua cabeça estava cortada na testa e os fios de cabelo sujos de vermelho.

- Simon, dirija para qualquer lugar! – Meu pai mandou e Simon começou a acelerar na tentativa de sair do estacionamento o mais rápido possível.

Suas mãos cortadas passaram sobre o rosto da minha mãe e ele batia com frequência em suas bochechas para tentar acorda-la. Mas só teve como resposta o fracasso. Vi meu pai demonstrar pânico nos olhos e senti exatamente a mesma coisa. Simon olhava a cada segundo pelo espelho retrovisor esperando alguém aparecer, mais especificamente, um ser celestial.

- Ela está bem, pai? – Meu irmão perguntou. – Ela parece... – Morta. – mal.

- Ela bateu com a cabeça, mas está viva, ficará bem. – Ele jogou as pernas da minha mãe no meu colo e eu tirei seus sapatos afim de deixa-la confortável. Mãe, acorde. Por favor, mãe.

- E a minha mãe, Lorenzo? – Monique perguntou novamente. – Iremos deixa-la aqui? Onde ela está?

- Ela... – Meu pai abaixou o olhar e eu soube naquele instante que algo ruim tinha acontecido. – Não irá voltar.

- Não... – Nick disse em sussurro e meu coração se contraiu. – O que houve? Minha mãe? Ela...morreu? – Seu rosto empalideceu de uma forma assustadora. – Como? Como ela morreu? Não pode ter morrido.

- Ela morreu como uma guerreira, Monique. – Meu pai concluiu e foi como um tapa na minha cara. Mais um corpo. Mais uma vida tirada por causa dos Sinclair.

Minha amiga ficou quieta por uns segundos e depois gritou de modo perturbador. Suas mãos foram do rosto para o peito e do peito para os cabelos. As lagrimas escorriam pelas bochechas e ela gritava o nome da mãe esperando que ela escutasse. Meus olhos marejavam por ver a minha melhor amiga daquele jeito. Eu não podia fazer nada para melhorar a situação e mais uma vez me vi inútil. Não salvei a Maureen e não consigo acudir a Nick nesse momento de dor. Sou um lixo, um nada.

- Pare o carro! – Ela gritou para Simon que não a obedeceu.

- Você ficou louca? – Simon disse olhando para frente. – Estamos correndo perigo, lembra?

- Simon, você vai parar esse carro. – Ela olhou para o meu irmão e vi que seu rosto não demonstrava mais tristeza e sim raiva, ódio. – Para! – Ela gritou e quando não teve o esperado, abriu a porta do carro e pulou do veículo em movimento. Ela rolou pelo asfalto várias vezes antes de parar perto da calçada da entrada do prédio.

Eu gritei seu nome, mas já era tarde demais. Simon freou e ficamos parados esperando o corpo caído de Monique reagir, então ela se levantou.

- Nick! Ei! Volte para o carro! – Simon gritou e a chamou pela porta aberta. – Volte!

Eu abaixei o vidro da porta ao meu lado e coloquei a cabeça do lado de fora para gritar o nome da minha amiga mais uma vez. Vi os joelhos dela assim como os braços, totalmente ralados e a blusa tinha rasgado.

Eu fiquei esperado ela voltar, mas eu a conhecia o suficiente para saber que ela não iria fazer isso. Minha melhor amiga olhou para nós, depois focou seus olhos em mim e correu de volta para o prédio. Eu senti como se estivesse acabado de vê-la morrer. Parecia que esse tinha sido o último momento em que eu a veria viva. Soltei o ar pesado pela boca e me concentrei em não sair correndo atrás dela, minha família também precisava de mim. Mesmo sentindo que nada que eu pudesse falar ou fazer, faria com que ela desistisse de ver o corpo da mãe.

- Não podemos deixa-la ir. Ela ficará arrasada quando ver os corpos. – Simon disse para o meu pai. Os corpos. Ela iria ver não só a mãe como o anjo, totalmente mortos.

- Não estou em condições de impedi-la, Simon. – Ele respondeu e eu percebi que meu pai estava pior do que demonstrava.

- Pai, não podemos simplesmente deixa-la ir! – Falei descrente.

- O anjo está morto por enquanto, mas não para sempre. – Ele disse. – Se vocês voltarem atrás dela, estarão correndo perigo.

- Mas Monique, ela... – Eu disse, mas Simon me interrompeu.

- Morto por enquanto?

- Anjos não morrem com armas mundanas, só armas especiais e muito raras. – Ele respirou com dificuldade e então começou a falar. – Danielle salvou as nossas vidas. Sua mãe tinha sido massacrada, levado muitos socos, estava desacordada e eu... – Ele levantou a camisa e mostrou um corte fundo no meio do peito que estava em carne viva. – A mãe de Monique acertou a espada no centro da cabeça do anjo no mesmo instante que a mão dele afundou em seu tórax. Ela morreu e ele irá voltar a vida logo. Anjos tem poder de cura, podem se curar e... – Meu pai tossiu e seus lábios mancharam de um liquido vermelho escuro. – curar outras pessoas.

- Temos que ir para um hospital. – Simon disse enquanto dirigia. – Todos estão feridos.

- E se o anjo acordar? Monique estará lá. – Me desesperei. – Ela vai morrer? Ai não, pai... Ela é como uma irmã. Minha melhor amiga. – Eu queria muito que essa sensação de que essa seria a última vez que eu veria, sumisse.

- Eu sinto muito, filha. – Meu pai falou para mim e de repente parecia que ele tinha ficado extremamente doente e cansado. - Não vá para o hospital... Simon... – Meu pai começou a falar, mas em seguida seu rosto pesou para baixo.

- Pai? – Cutuquei o ombro dele e não obtive resposta. – Simon, o que houve?

- Vamos pro hospital, agora! – Simon correu com o carro sem pudor ou controle nenhum.

- Nick... – Sussurrei o nome da minha melhor amiga enquanto observei o prédio onde eu morava sumir de vista. Eu sentia pena da minha amiga, queria traze-la de volta mais que tudo, porém, não tinha nada que eu pudesse fazer agora.

Olhei os dois desacordados ao meu lado e senti como se minha vida estivesse prestes a perder o sentido. Precisamos ser fortes.

- Jony pode ajudar, ela é enfermeira. – Simon disse para mim se referindo a namorada. – Ela está de plantão hoje.

- Mas não conte sobre o que aconteceu, diga que sofremos um acidente de carro. – Falei para o meu irmão. – Ela não irá acreditar em nós, ninguém vai.

- Eu nunca menti pra ela, Kassy. – Já estávamos na rua do hospital.

- Simon...Faça isso por nós. – Eu sabia que meu irmão era certinho demais e tinha um relacionamento 100% saudável, contudo, isso ia além de que qualquer coisa, estávamos correndo risco de vida e nossos pais estavam praticamente mortos por causa de um anjo.

- Tudo bem. – Ele bufou e parou o carro de qualquer jeito na entrada do lugar.

Simon saiu do carro gritando por ajuda e logo macas, enfermeiros e doutores apareceram. Um homem forte vestindo jaleco branco segurou o meu pai e o colocou sobre a maca, em seguida fez o mesmo com a minha mãe.

Meu coração doía tanto, olha-los completamente feridos e com o rosto tão pálido e imóvel, me causava uma aflição fora do normal. Eles são a minha família. Cuidaram de mim desde o meu nascimento até aqui e agora. Me tiraram de um lar adotivo, me deram um irmão. Não podem morrer, não podem me deixar.

Me arrastei para fora do carro e me apoiei no mesmo para não cair devido a perna machucada.

- Vai ficar tudo bem. – Simon envolveu um dos braços no meu ombro e me puxou para perto. – Eles vão sobreviver.

- Eu sei... – Menti. Como eu poderia saber?

- Simon? – Jony apareceu ao nosso lado. – O que aconteceu com seus pais? Eu os vi indo para sala de cirurgia. Você está bem? Por que está sem blusa?

- Eu...Eles... – Simon estava suando frio e as mãos tremiam.

- Batemos com o carro. – Respondi por ele. – E eles estavam no banco da frente. Sem cinto de segurança. – Ela olhou para o carro atrás de nós e franziu a sobrancelha confusa. – Foi outro carro. – Incrementei a mentira.

- Ai meu Deus. – A namorada do meu irmão arregalou os olhos e colocou as mãos sobre a boca.

Seus cabelos longos e escuros estavam presos em um rabo de cavalo e seus olhos azuis brilhavam em lágrimas. Ela começou a chorar e Simon se afastou de mim para abraça-la. Muito sensível...Revirei os olhos.

- Você está bem? – Um homem vestindo um uniforme azul sem graça do hospital, me perguntou. – Está sangrando, venha, vamos cuidar disso.

- Eu estou bem... – Respondi mais uma vez mentindo. Meu antebraço e minha panturrilha gritavam a cada respiração que eu dava.

- Será rápido, eu prometo. – Ele sorriu de um jeito gentil e percebi que ele era muito bonito para ser um mero enfermeiro de hospital.

- Tudo bem. – Concordei com um sorriso forçado.



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