História A filha de Severo Snape - Capítulo 132


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Categorias Harry Potter
Personagens Fred Weasley, Jorge Weasley, Personagens Originais
Tags Harry Potter
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Palavras 9.305
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu juro que eu tive que fazer um esforço tremendo pra não postar ontem! Já tava tudo pronto! Mas eu fui forte e tchã-rã! Aqui estamos com o antepenúltimo capítulo de A filha de Severo Snape!
Boa leitura, pudinzinhos!
PS: NÃO ME MATEM!
PPS: Às 14 (horário do meu celular kkkkk) sai o próximo cap.
PPPS: (existe PPPS? Sei lá, não ligo) hoje vai ter três caps, ok? Ok.

Capítulo 132 - Capítulo 132


"NÃO!", o grito agoniado de Violett cortou o silêncio que se fizera e ela desabou, sacudindo o corpo inerte de Severo. "Eu te perdôo! Fica! Por favor! Fica! Eu... Te perdôo..."

Harry tocou o ombro de Violett e ia dizer algo, até que, de súbito, uma voz aguda e fria falou tão perto que ele se pôs de pé com um salto. A voz do Lorde das Trevas ressoou nas paredes e no chão, e Violett percebeu que o bruxo estava se dirigindo a Hogwarts e a toda a área vizinha, para que os residentes de Hogsmeade e todos que ainda lutavam no castelo o ouvissem tão claramente como se estivesse ao lado deles, bafejando-lhes na nuca, à distância de um golpe mortal.

"Vocês lutaram valorosamente.", disse a voz. "Lorde Voldemort sabe valorizar a bravura. Vocês sofreram pesadas baixas. Se continuarem a resistir a mim, todos morrerão, um a um. Não quero que isto aconteça. Cada gota de sangue mágico derramado é uma perda e um desperdício. Lorde Voldemort é misericordioso. Ordeno que as minhas forças se retirem imediatamente. Vocês têm uma hora. Deem um destino digno aos seus mortos. Cuidem dos seus feridos. Eu me dirijo agora diretamente a você, Harry Potter. Você permitiu que os seus amigos morressem por você em lugar de me enfrentar pessoalmente. Esperarei uma hora na Floresta Proibida. Se ao fim desse prazo, você não tiver vindo ao meu encontro, não tiver se entregado, então a batalha recomeçará. Desta vez eu participarei da luta, Harry Potter, e o encontrarei, e castigarei até o último homem, mulher e criança que tentou escondê-lo de mim. Uma hora."

Violett sacudiu a cabeça. Voldemort podia dizer qualquer coisa, já não lhe importava mais. Ela queria poder voltar no tempo, queria poder pedir perdão a Severo antes.

"Não dê ouvidos a ele.", disse Rony a Harry.

"Tudo dará certo.", acrescentou Hermione, irrefletidamente. "Vamos voltar ao castelo, se ele foi para a Floresta precisaremos pensar em um novo plano..."

Houve um momento de silêncio então Harry tocou novamente o ombro de Violett.

"Violett, anda, temos que sair daqui!", ela balançou a cabeça. "Violett! Violett, você não pode fazer nada por ele! Vamos..."

Soluçando, ela se levantou, abraçando a própria barriga. Hermione olhou para o corpo de Severo e voltou correndo ao túnel. Rony seguiu-a. Harry recolheu a Capa da Invisibilidade e esperou que Violett fosse à sua frente antes de seguir os outros.

Eles voltaram engatinhando pelo túnel, calados. Lágrimas silenciosas rolavam pelo rosto de Violett.

Pequenos embrulhos pareciam coalhar o gramado em frente ao castelo. Devia faltar pouco mais de uma hora para amanhecer, mas estava um breu. Os quatro se apressaram em direção aos degraus de pedra da entrada. Um tamanco solitário, do tamanho de um pequeno barco, se achava abandonado ali.

O castelo estava anormalmente silencioso. Não havia clarões agora, nem estampidos, nem gritaria. As lages do deserto saguão de entrada estavam manchadas de sangue. As esmeraldas continuavam espalhadas pelo piso ao lado de pedaços de mármore e lascas de madeira. Parte do balaústre fora destruído.

"Onde estão todos?", sussurrou Hermione.

Rony saiu à frente para o Salão Principal e Violett foi um pouco atrás. A morte de Severo a atingira tão fortemente que desnorteara seus sentidos, mas agora, de volta ao castelo, o medo de que algo de ruim tivesse acontecido com mais alguém chegava nela com tudo.

As mesas das Casas tinham sido retiradas, e o salão estava lotado. Os sobreviventes formavam grupos, abraçando uns aos outros. Na plataforma, os feridos recebiam atendimento de Madame Pomfrey e seus auxiliares.

Um centauro estava entre os feridos; seu flanco sangrava e ele se agitava deitado, incapaz de se levantar. Os mortos estavam enfileirados no meio do salão. Sem dizer palavra a Harry; Rony, Hermione e Violett se afastaram.

Hermione se aproximou de Gina, cujo rosto estava inchado e borrado, e abraçou-a. Rony se juntou a Gui, Fleur e Percy, que passou o braço pelos ombros do irmão. Violett, no entanto, correu para perto de Madame Pomfrey, onde Fred tinha o braço enfaixado pela enfermeira.

"Eu poderia fechar esse corte com uma das minhas poções, querido, mas até na minha Ala Hospitalar aqueles filhos da mãe meteram a mão. Quebraram tudo!"

Fred concordou, olhando em volta, preocupado, quando Violett surgiu correndo e o abraçou.

"Ele morreu, Fred... Morreu...", com o braço livre ele acariciou a cabeça da esposa

"Harry?! Mas a voz..."

"Meu pai... Eu devia tê-lo perdoado antes! Fui burra! Idiota!"

Sem saber oque dizer, o ruivo continuou a acariciá-la, desconfortável. Era certo que ninguém no Salão Principal gostava de Severo, mas Fred não desejava a morte do sogro pois sabia que lá no fundo isso não faria bem à Violett. De repente, alguém surgiu por trás do ruivo e cutucou Violett, fazendo-a erguer a cabeça. Era Harry.

"Você tem o direito de ver também.", ele disse, balançando o pequeno frasco que tinha em mãos. "Se quiser vir..."

Violett enxugou as lágrimas com as costas da mão e concordou, levantando-se.

Fred lhe deu um beijo rápido antes de deixá-la ir e Violett forçou um sorriso.

Saindo do Salão Principal, ela notou oque, na inércia de sua chegada, não reparara: Remo e Tonks, deitados, pálidos e imóveis, a fisionomia plácida, aparentemente dormindo sob o escuro teto encantado.

Forçando-se a não olhar, a morena apertou o passo para alcançar Harry, que parecia querer fugir do salão.

Eles subiram, rápido, a escadaria de mármore, deixando para trás tantos outros mortos e feridos.

O coração de Violett estava minúsculo novamente. Sentia-se impotente, fraca.

O castelo estava completamente vazio; até os fantasmas pareciam ter se reunido ao funeral coletivo no Salão Principal. Harry correu sem parar, apertando o frasco de cristal contendo as últimas lembranças de Severo, e não desacelerou até alcançar a gárgula de pedra que guardava o gabinete do diretor. Violett, um tanto ofegante, alcançou-o quando a gárgula perguntou:

"Senha?"

"Dumbledore!", disse Harry.

Para a surpresa dos dois, a gárgula se afastou revelando a escada circular que protegia. Quando, porém, Harry e Violett irromperam pelo gabinete, encontraram-o mudado.

Os retratos pendurados a toda volta estavam vazios. Nem um único diretor ou diretora ficara para vê-los: pelo visto, todos tinham saído voando, atravessado os quadros que se alinhavam pelo castelo, para poder ter uma boa visão dos acontecimentos. Violett olhou, desesperada, para o quadro deserto de Dumbledore, diretamente atrás da cadeira do diretor, e lhe deu as costas.

A Penseira de pedra estava em um armário repleto de outros pertences de Dumbledore. Harry carregou-a para cima da escrivaninha e despejou as lembranças de Severo na grande bacia com a borda de runas. As lembranças giraram, branco-prateadas e estranhas, e, sem hesitar, como se isso pudesse aliviar a tortura do seu pesar, Violett mergulhou.

Caiu de cabeça em um lugar ensolarado e seus pés encontraram um chão morno. Quando se endireitou, viu que estava em um parquinho infantil quase deserto, o mesmo parquinho que ia quando criança. Uma enorme chaminé solitária dominava o horizonte distante. Duas meninas se balançavam para a frente e para trás, e um menino magricela as observava, de trás de uma moita de arbustos. Seus cabelos negros eram demasiado longos e suas roupas tão díspares que isso até parecia intencional: jeans excessivamente curto, um casaco enxovalhado e tão largo que poderia ter pertencido a um adulto, uma camisa estranha, com aspecto de bata.

Violett se aproximou do garoto, ansiando tocá-lo. Seu pai não parecia ter mais de nove ou dez anos, macilento, pequeno, rijo. Havia uma indisfarçável cobiça em seu rosto magro ao espiar a mais jovem das meninas que se balançava mais alto do que a irmã.

"Lílian, não faz isso!", gritava a mais velha.

A garota, porém, soltava o balanço na altura máxima do arco que descrevia e voava no ar, literalmente voava, atirava-se para o céu com uma grande gargalhada e, em vez de cair no asfalto do parquinho, pairava no ar como uma artista de trapézio, permanecendo no alto tempo demais, aterrissando leve demais.

"Mamãe disse para você não fazer!", Petúnia parou o próprio balanço arrastando os calcanhares das sandálias no chão, produzindo um forte atrito, depois saltou, com as mãos nos quadris.

"Mamãe disse que você não podia, Lílian!"

"Mas eu estou ótima!", respondeu Lílian, ainda rindo. "Túnia, dá uma olhada. Veja o que eu sei fazer."

Petúnia relanceou a sua volta. O parquinho estava deserto exceto pelas duas e, embora as garotas ignorassem, Severo.

Lílian apanhara uma flor caída na moita em que o garoto espreitava. Petúnia se aproximou, evidentemente dividida entre a curiosidade e a desaprovação. Lílian esperou a irmã chegar suficientemente perto para poder ver bem, então estendeu a palma da mão. A flor estava ali, abrindo e fechando as pétalas, como uma bizarra ostra com muitos lábios.

"Para com isso!", guinchou Petúnia.

"Não estou machucando ninguém!", respondeu Lílian, mas fechou a flor na mão e atirou-a no chão.

"Não é direito.", reclamou Petúnia, mas seus olhos tinham acompanhado o voo da flor até o chão e se detiveram nela. "Como é que você faz isso?", acrescentou, e havia um claro desejo em sua voz.

"É óbvio, não é?", Severo não conseguira mais se conter e saltara de trás da moita.

Petúnia gritou e voltou correndo para os balanços, mas Lílian, embora visivelmente assustada, não arredou pé. Severo pareceu se arrepender de ter se mostrado. Um colorido baço subiu às suas bochechas pálidas quando olhou para Lílian.

"O que é óbvio?", perguntou ela.

Severo tinha um ar de nervosa excitação. Com um olhar rápido à distante Petúnia, agora parada ao lado dos balanços, ele baixou a voz e disse:

"Sei o que você é."

"Como assim?"

"Você é... Você é uma bruxa.", sussurrou Severo. Ela se ofendeu.

"Não é bonito dizer isso a uma pessoa!"

Ela deu as costas, empinou o nariz e se afastou com firmeza em direção à irmã.

"Não!", chamou Severo.

Estava agora muito vermelho, e Violett se perguntou por que não tirava aquele casaco ridiculamente grande, a não ser que quisesse esconder a bata que usava por baixo. Ele saiu atrás das garotas abanando o casaco.

As irmãs o avaliaram, unidas em sua desaprovação, ambas se segurando na armação do balanço como se fosse um pique.

"Você é.", disse Severo a Lílian. "Você é uma bruxa. Estive observando um tempo. Mas não é uma coisa ruim. Minha mãe é, eu sou um bruxo."

A risada de Petúnia foi um balde de água fria.

"Bruxo!", guinchou ela, retomando a coragem, agora que se refizera do choque de sua inesperada aparição. "Eu sei quem você é. Você é aquele garoto Snape! Mora na rua da Fiação na beira do rio." disse Petúnia à irmã, deixando evidente, pelo seu tom, que considerava o endereço uma fraca recomendação. "Por que estava nos espionando?"

"Não estava espionando.", respondeu Snape, vermelho e constrangido, os cabelos sujos à claridade do sol. "Não espionaria você, pode ter certeza,", acrescentou vingativo. "você é uma trouxa."

Embora Petúnia não entendesse a palavra, o tom não deixava dúvida.

"Lílian, anda, vamos embora!", disse esganiçada.

Lílian obedeceu imediatamente à irmã, fazendo cara feia para Severl ao se afastar. Ele ficou parado observando-as se dirigirem ao portão do parquinho. Violett e Harry, os únicos que restaram ali, reconheceram o amargo desapontamento de Severo e compreenderam que o bruxo planejara aquele momento há muito tempo e que tudo saíra errado...

A cena se dissolveu e, antes que Violett tomasse consciência, uma nova se formara ao seu redor.

Achava-se agora em um arvoredo. Via o rio banhado de sol cintilando entre os troncos. As sombras projetadas pelas árvores produziam um círculo de sombra verde e fresca. Ela mesma já estivera naquele mesmo lugar diversas vezes, quando pequena.

Severo agora despira o casaco; sua bata esquisita causava menos estranheza à meia-luz.

"... E o Ministério pode punir você se usar magia fora da escola, você recebe cartas."

"Mas eu usei magia fora da escola!"

"Não é o nosso caso. Ainda não temos varinhas. Não castigam quando a gente é criança e não consegue se controlar. Mas quando se faz onze anos", ele acenou a cabeça com autoridade. "e começam a nos ensinar, então temos que maneirar."

Houve um breve silêncio. Lílian apanhara um gravetinho no chão e girou-o no ar, e Violett percebeu que ela estava imaginando faíscas saindo de sua ponta. Ela largou o graveto, se inclinou para o garoto e perguntou:

"Isso é verdade, não é? Não é uma brincadeira? Petúnia diz que você está mentindo. Petúnia diz que Hogwarts não existe. É verdade, não é?"

"É verdade para nós.", respondeu Severo. "Não para ela. Mas nós receberemos a carta, você e eu."

"Sério?", sussurrou Lílian. "Sem a menor dúvida."

E mesmo com os seus cabelos mal cortados e suas roupas descombinadas, ele era uma figura estranhamente impressionante, esparramado à sua frente, esbanjando confiança no próprio destino.

"E realmente vai ser entregue por uma coruja?", sussurrou Lílian.

"Normalmente é. Mas você é nascida-trouxa, então alguém da escola terá de vir explicar aos seus pais."

"Faz diferença ser nascida-trouxa?"

Severo hesitou. Seus olhos negros, ansiosos à sombra esverdeada, percorreram o rosto pálido e os cabelos acaju da garota.

"Não.", garantiu ele. "Não faz a menor diferença."

"Que bom.", disse Lílian, se descontraindo: era evidente que andara preocupada.

"Você tem muita magia. Eu vi. Todas as vezes que estive espiando você."

Sua voz foi se distanciando; ela não estava mais ouvindo, deitara-se no chão coberto de folhas e contemplava a abóbada de folhas no alto. Ele a observava tão avidamente quanto o fizera no parquinho.

"Como vão as coisas em sua casa?", perguntou Lílian.

Um pequeno vinco apareceu entre os olhos de Severo.

"Ótimas."

"Eles não estão mais brigando?"

"Ah, sim, continuam brigando.", ele apanhou um punhado de folhas e começou a rasgá-las, aparentemente sem notar o que estava fazendo. "Mas não vai demorar muito e logo terei ido embora."

"O seu pai não gosta de magia?"

"Ele não gosta muito de nada."

"Severo?"

Um pequeno sorriso curvou os cantos da boca do menino ao ouvi-la pronunciar o seu nome.

"Quê?"

"Me fale outra vez dos dementadores."

"Para que quer saber sobre eles?"

"Se eu usar magia fora da escola..."

"Não entregariam você aos dementadores só por isso! São para as pessoas que fazem coisas realmente ruins. Os dementadores guardam a prisão dos bruxos, Azkaban. Você não vai para Azkaban, você é muito..."

Ele corou novamente e rasgou mais folhas. Então, um leve farfalhar atrás de Violett a fez se virar: Petúnia, escondida atrás de uma árvore, se desequilibrara.

"Túnia!", exclamou Lílian, havia surpresa e boas-vindas em sua voz, mas Severo saltara em pé.

"Quem está espionando agora?", gritou. "Que é que você quer?"

Petúnia ficou ofegante, assustada por ter sido descoberta. Violett viu que se concentrava à procura de alguma coisa para dizer que o magoasse.

"Afinal, o que é isso que você está vestindo?", perguntou ela, apontando para o peito de Severo. "A blusa da sua mãe?"

Ouviram um estalo: caíra um galho na cabeça de Petúnia. Lílian gritou; o galho bateu no ombro da irmã, que cambaleou e caiu no choro.

"Túnia!"

Petúnia, porém, estava fugindo. Lílian virou-se para Severo.

"Você fez isso acontecer?"

"Não.", em seu rosto havia desafio e medo.

"Fez!", ela foi se afastando dele. "Fez, sim! Você a machucou!"

"Não... Não fiz!"

A mentira, no entanto, não convenceu Lílian; lançando-lhe um último olhar fulminante, ela saiu correndo do arvoredo atrás da irmã, deixando Severo com um ar infeliz e confuso...

A cena se reformulou.

Violett olhou para os lados: estava na plataforma nove e meia com Severo ao seu lado, ligeiramente curvo, ao lado de uma mulher magra de rosto pálido e azedo, se forçando um pouco (já que Violett estava em estados muito melhores do que os da mulher e não sofrera nem metade do que ela), era possível ver certa semelhança entre elas. O garoto observava uma família de quatro pessoas não muito longe. As duas garotas um pouco separadas dos pais. Lílian parecia estar justificando alguma coisa para a irmã.

"... Desculpe, Túnia, me desculpe! Escute...", ela segurou a mão da irmã e apertou-a, embora Petúnia tentasse se desvencilhar. "Talvez quando eu estiver lá... Não, escute, Túnia! Talvez quando eu estiver lá, eu possa procurar o professor Dumbledore e convencê-lo a mudar de ideia!"

"Eu não... Quero... Ir!", disse Petúnia, ela puxou com força a mão do aperto da irmã. "Você acha que eu quero ir para um castelo idiota e aprender a ser... Ser..."

O seu olhar percorreu a plataforma, passou pelos gatos que miavam no colo dos seus donos, pelas corujas que esvoaçavam piando umas para as outras nas gaiolas, pelos estudantes, alguns já usando longas vestes pretas, embarcando os malões no trem de locomotiva vermelha ou então se cumprimentando com gritos de alegria, depois de um verão separados.

"... Você acha que quero ser um... Um bicho estranho?"

Os olhos de Lílian se encheram de lágrimas quando Petúnia conseguiu largar a mão dela.

"Não sou um bicho estranho.", respondeu Lílian. "Que coisa horrível para dizer."

"É para onde você vai.", insistiu Petúnia, com gosto. "Uma escola especial para bichos estranhos. Você e aquele garoto Snape... Bizarros, é o que vocês são. É bom que sejam isolados das pessoas normais. É para a nossa segurança."

Lílian olhou em direção aos seus pais, que examinavam a plataforma com um ar de entusiástico prazer, absorvendo o cenário. Então, ela voltou o olhar para a irmã e sua voz era suave e cruel.

"Você não achou que era uma escola para anormais quando escreveu ao diretor suplicando que a aceitasse.", Petúnia ficou escarlate.

"Suplicando? Não supliquei!"

"Eu vi a resposta dele. Foi muito bondosa."

"Você não devia ter lido...", sussurrou Petúnia. "Era minha e particular... como pôde...?"

Lílian se traiu ao dar uma olhada em Severo parado ali perto. Petúnia ofegou.

"Foi aquele garoto que descobriu! Você e aquele garoto andaram espionando o meu quarto!"

"Não... Não espionando...", agora Lílian estava na defensiva. "Severo viu o envelope, e não pôde acreditar que uma trouxa tivesse escrito para Hogwarts, foi isso! Ele diz que deve haver bruxos infiltrados nos correios que se encarregam de..."

"Pelo visto, os bruxos metem o nariz em tudo!", replicou Petúnia, agora tão pálida quanto estivera corada. "Anormal!"

Ela cuspiu na irmã e voltou acintosamente para o lado dos pais... 

A cena se dissolveu mais uma vez.

Severo estava andando apressado pelo corredor do Expresso de Hogwarts enquanto o veículo sacudia pelos campos. Já trocara as vestes da escola, talvez aproveitando a primeira oportunidade para despir suas horríveis roupas de trouxa. Finalmente, parou à porta de um compartimento onde um grupo de garotos barulhentos conversava. Encolhida no canto ao lado da janela, estava sentada Lílian, o rosto colado na vidraça.

Severo abriu a porta do compartimento e se sentou em frente à garota. Ela lhe lançou um breve olhar e tornou a voltar sua atenção para a janela. Estivera chorando.

"Não quero falar com você.", disse, em tom crispado.

"Por que não?"

"Túnia me od... Odeia. Porque vimos aquela carta do Dumbledore."

"E daí?"

Ela lhe lançou um olhar de profundo desagrado.

"E daí que ela é minha irmã!"

"Ela é só uma..."

Ele se refreou depressa; Lílian, ocupada demais em secar os olhos discretamente, não o ouviu.

"Mas nós vamos!", exclamou ele, incapaz de conter a exaltação na voz. "Isso é o que conta! Estamos viajando para Hogwarts!"

Ela concordou, enxugando os olhos, e, apesar de não querer, deu um meio sorriso.

"É melhor você entrar para a Sonserina.", disse Severo, animado ao vê-la menos triste.

"Sonserina?"

Um dos garotos que dividia com eles o compartimento, e até aquele momento não mostrara o menor interesse em Lílian e Severo, olhou para o lado ao ouvir aquele nome, e Violett, cuja atenção estivera totalmente concentrada nos dois ao lado da janela, viu Harry. Ou melhor, uma versão de Harry aos onze anos, só que quase trinta anos atrás. O menino era magro, tinha cabelos negros como os de seu pai, mas com aquele ar indefinível de alguém que foi bem cuidado, até adorado, que visivelmente faltava a Severo.

"Quem quer ir para a Sonserina? Acho que eu desistiria da escola, você não?", Tiago perguntou a um garoto esparramado nos assentos defronte a ele, e, com um sobressalto, Violett percebeu que era Sirius. Sirius não riu.

"Toda a minha família foi da Sonserina."

"Caramba,", replicou Tiago. "e eu que pensei que você fosse legal!"

Sirius riu.

"Talvez eu quebre a tradição. Para qual você iria se pudesse escolher?"

Tiago ergueu uma espada invisível.

"Grifinória, a morada dos destemidos! Como o meu pai."

Severo deu um muxoxo de descaso. Tiago se virou para ele.

"Algum problema?"

"Não.", retrucou Severo, embora seu sorrisinho de deboche dissesse o contrário. "Se você prefere ter mais músculo do que cérebro..."

"E para onde está esperando ir, uma vez que não tem nenhum dos dois?", interpôs Sirius. Tiago deu gostosas gargalhadas. Lílian se empertigou, ruborizada, e olhou de Tiago para Sirius com ar de desagrado.

"Vamos, Severo, vamos procurar outro compartimento."

"Oooooo..."

Tiago e Sirius imitaram o seu tom de superioridade; Tiago tentou fazer Severo tropeçar quando ele passou.

"A gente se vê, Ranhoso!", uma voz gritou quando a porta do compartimento bateu...

Mais uma vez a cena se dissolveu...

Violett estava atrás de Severo, ambos observando as mesas iluminadas a velas, repletas de rostos extasiados. Então, a professora McGonagall chamou:

"Evans, Lílian!"

Ela observou a menina se adiantar de pernas trêmulas e se sentar no banquinho bambo. A professora deixou cair o Chapéu Seletor sobre sua cabeça, e, mal se passara um segundo após tocar seus cabelos acaju, o chapéu anunciou:

"Grifinória!"

Violett ouviu Severo soltar um pequeno gemido. Lílian tirou o chapéu, devolveu-o à professora McGonagall, e correu ao encontro dos alunos da Grifinória que a aplaudiam, mas a caminho se virou para olhar Severo, e havia um sorriso triste no rosto dela.

Sirius escorregou no banco para dar espaço a Lílian. Ela deu uma olhada e pareceu reconhecê-lo do trem, cruzou os braços e, com firmeza, virou-lhe as costas. A chamada continuou. Violett observou Lupin, Pettigrew e o pai de Harry, Tiago, se reunirem a Lílian e Sirius à mesa da Grifinória. Por fim, quando restavam apenas dez estudantes a serem selecionados, a professora McGonagall chamou Severo.

Violett acompanhou-o ao banquinho, viu-o colocar o chapéu na cabeça.

"Sonserina!", anunciou o Chapéu Seletor.

E Severo Snape andou para o lado oposto do salão, longe de Lílian, onde os alunos da Casa o aplaudiam e Lúcio Malfoy, com um crachá de monitor brilhando no peito, deu-lhe uma palmadinha nas costas quando Severo se sentou ao seu lado...

E a cena mudou...

Lílian e Severo atravessavam o pátio do castelo, discutindo abertamente. Harry e Violett se apressaram a alcançá-los e escutar. Quando chegaram perto, perceberam o quanto ambos haviam crescido: alguns anos pareciam ter transcorrido desde a seleção.

"... Pensei que fôssemos amigos?", reclamava Severo. "Grandes amigos?"

"Somos, Sev, mas não gosto de um pessoal com quem você anda! Desculpe, mas detesto Avery e Mulciber! Mulciber! O que vê nele, Sev? Me dá arrepios! Você sabe o que ele tentou fazer com a Maria Macdonald outro dia?"

Lílian chegou a uma pilastra e se encostou, com os olhos erguidos para o rosto magro e macilento.

"Aquilo não foi nada. Foi uma brincadeira, só isso..."

"Foi Magia das Trevas, e se você acha que isso é brincadeira..."

"E aquelas coisas que Potter e os amigos dele aprontam?", retrucou Severo.

Seu rosto corou ao dizer isso, aparentemente incapaz de refrear o seu rancor.

"E onde é que o Potter entra nisso?", perguntou Lílian.

"Eles saem escondidos à noite. Tem alguma coisa esquisita naquele Lupin. Aonde é que ele sempre vai?"

"Ele é doente. Dizem que é doente."

"Todo mês na lua cheia?"

"Conheço a sua teoria.", replicou Lílian, e seu tom era frio. "Afinal, por que você é tão obcecado por eles? Por que se importa com o que eles fazem à noite?"

"Só estou tentando lhe mostrar que eles não são tão maravilhosos quanto todo o mundo parece pensar."

A intensidade do seu olhar a fez corar.

"Mas eles não usam Magia das Trevas.", Lílian baixou a voz. "E você está sendo realmente ingrato. Me contaram o que aconteceu outra noite. Você estava bisbilhotando naquele túnel do Salgueiro Lutador e Tiago Potter salvou você de sei lá o que tem lá embaixo..."

O rosto de Severo se contorceu e ele engrolou:

"Salvou? Salvou? Você acha que ele estava bancando o herói? Ele estava salvando o próprio pescoço e o dos amigos também! Você não vai... Eu não vou deixar você..."

"Me deixar ? Me deixar?"

Os vivos olhos verdes de Lílian se estreitaram. Severo retrocedeu na mesma hora.

"Eu não quis dizer... Só não quero ver você fazer papel de boba... Ele gosta de você, Tiago Potter gosta de você!"

As palavras davam a impressão de serem arrancadas dele contra sua vontade.

"E ele não é... Todo o mundo acha... Grande herói de quadribol... "

A amargura e a antipatia que Severo sentia deixavam-no incoerente, e as sobrancelhas de Lílian subiam sem parar em sua testa.

"Eu sei que Tiago Potter é um biltre arrogante.", disse ela, cortando Severo. "Não preciso que você me diga. Mas a ideia que Mulciber e Avery fazem do que seja brincadeira é simplesmente maligna. Maligna, Sev. Não entendo como você pode ser amigo deles."

Violett duvidava que Severo tivesse sequer escutado as críticas de Lílian a Mulciber e Avery. No momento em que ela insultara Tiago Potter, todo o seu corpo se descontraiu, e, quando se separaram, havia uma nova leveza no andar de seu pai...

E a cena se dissolveu...

De novo, Violett observou Severo deixar o Salão Principal, após prestar o exame de Defesa Contra as Artes das Trevas para obtenção do N.O.M., sair do castelo sem destino e, distraído, parar perto da bétula onde Tiago, Sirius, Lupin e Pettigrew estavam sentados juntos. Desta vez, porém, Violett guardou distância, e percebeu que Harry fizera o mesmo, porque ambos sabiam o que tinha acontecido depois que Tiago pendurou Severo no ar para atormentá-lo; sabiam o que tinha sido feito e dito, e não lhes daria prazer algum tornar a assistir.

Violett viu quando Lílian se reuniu ao grupo e saiu em defesa de Severo. A distância, ouviu o grito de seu pai para ela em sua fúria e humilhação, a palavra imperdoável: “

"Sangue-ruim".

A cena mudou...

"Me desculpe."

"Não estou interessada."

"Me desculpe!"

"Poupe seu fôlego."

Era noite. Lílian, de robe, estava parada de braços cruzados diante do retrato da Mulher Gorda, à entrada da Torre de Grifinória.

"Eu só saí porque Maria me disse que você estava ameaçando dormir aqui."

"Estava. Teria feito isso. Nunca quis chamar você de sangue-ruim, simplesmente me..."

"Escapou?", não havia piedade na voz de Lílian. "É tarde demais. Há anos dou desculpas para o que você faz. Nenhum dos meus amigos consegue entender sequer por que falo com você. Você e seus preciosos amiguinhos Comensais da Morte: está vendo, você nem nega! Nem nega que é isso que vocês pretendem ser! Você mal pode esperar para se reunir a Você-Sabe-Quem, não é?", ele abriu a boca, mas tornou a fechá-la sem falar. "Não posso mais fingir. Você escolheu o seu caminho, eu escolhi o meu."

"Não... Escute, eu não quis..."

"... Me chamar de sangue-ruim? Mas você chama de sangue-ruim todos que nasceram como eu, Severo. Por que eu seria diferente?"

Ele se debateu, prestes a responder, mas, com um olhar de desprezo, Lílian lhe deu as costas e atravessou o buraco do retrato...

O corredor se dissolveu e a cena seguinte se passava num lugar que Violett conhecia bem, mas numa época em que ela ainda não tinha conhecimento do que se passava à sua volta.

Severo estava sentado a mesa de jantar escrevendo algo em um pergaminho velho quando ouve algumas batidas na porta. Anos haviam se passado desde a última cena. Ele teria dezoito? Dezenove anos? Severo bufou, arrastando a cadeira contra o piso, gerando um barulho irritante.

Ele caminhou até a porta e abriu-a, dando de cara com Sophia. A mulher entrou sem cerimônias na casa, carregando um embrulho nos braços.

"Oque quer?", Severo perguntou.

"Olha, vamos fazer isso sem muitas cerimônias, ok? Tome, é sua.", a mulher lhe estendeu o embrulho e Severo o olhou desconfiado.

"Oque é isso?", a mulher riu.

"Sua filha Severo, e é melhor aceitá-la, se não ela vai pra uma caçamba de lixo qualquer. Eu não quero essa peste, é suja igual o pai. "

"Eu não tenho filha...", a loira o encarava com desdém enquanto Severo tentava lembrar seu nome. "Sophia."

"Tem sim, ou não lembra daquela noite, Severo? Estava tão bêbado... Mas até que tinha uma pegada boa... Vamos Severo, pegue a menina, já disse que não a quero, e se nenhum de nós quiser... Talvez os ratos e baratas queiram...", sem hesitar, ele arrancou a garotinha dos braços de Sophia e a colocou desajeitadamente nos seus.

"Está bem, vou ficar com ela, só porque ninguém merece ter uma vadia como mãe.", Sophia riu com escárnio.

"E merece um Comensal como pai? Não me faça rir Severo! Bom, eu já vou indo, dê o nome que quiser para a criaturinha, não me importo. Ah! Ela nasceu dia 25 de agosto, se quer saber. Adeus Severo, não me procure, eu não irei assumir a menina.", Sophia saiu desfilando pela porta e desapartou dali.

Severo estava estático e tinha uma garotinha de menos de uma semana de idade adormecida em seus braços. Violett se aproximou, olhando para si mesma quando pequena.

" Oi.", falou Severo enquanto desembrulhava a menina que acabara de acordar. A Violett mais velha levou um susto, para só então lembrar-se que ele falava com seu eu do passado. "Seu nome vai ser Violet, você gosta de Violett?", a bebê sorriu, um sorrisinho inocente, oque fez Severo sorrir também.

E a cena se desfez... Enquanto o próximo cenário se fazia, Violett percebeu que aquilo tinha sido escolhido por causa dela, Severo abrira mão daquela lembrança na esperança de que Harry a mostrasse para sua filha.

Na cena seguinte Violett teve a impressão de estar sobrevoando formas e cores mutantes até que o cenário se solidificou e ela se viu parada no escuro, no cume de um morro, abandonado e frio, o vento assoviando entre os galhos de umas poucas árvores desfolhadas.

Um Severo adulto (teria Violett agora dois ou três anos?) arfava, virava-se no mesmo lugar, a mão apertando com força a varinha, esperando alguma coisa ou alguém... Seu medo contagiou Violett, embora a jovem soubesse que não podia ser atingida, e el espiou por cima do ombro, imaginando o que Severo estaria aguardando...

Então, um feixe denteado de ofuscante luz branca cortou o ar: Violett pensou em um raio, mas Severo caíra de joelhos e sua varinha voara da mão.

"Não me mate!"

"Não era a minha intenção."

Qualquer aviso da aparatação de Dumbledore fora abafado pelo ruído do vento passando pelos galhos. Ele surgiu diante de Severo com as vestes drapejando contra o corpo e o rosto iluminado de baixo para cima pela varinha.

"Então, Severo? Qual é a mensagem que Lorde Voldemort tem para mim?"

"Não... Nenhuma mensagem, estou aqui por conta própria! E preciso voltar logo...", Severo torcia as mãos: parecia meio demente, com os cabelos negros desgrenhados voando em torno da cabeça. "Eu... Eu venho com um alerta... Não, um pedido... Por favor..."

Dumbledore fez um gesto com a varinha. Embora as folhas e ramos ainda se agitassem no ar da noite ao redor, fez-se silêncio no lugar em que ele e Severo se defrontavam.

"Imagino que deva voltar logo para a companhia de seu Lorde, mas... Que pedido poderia um Comensal da Morte fazer a mim?"

"A... A profecia... O vaticínio... Trelawney..."

"Ah, sim. Quanto daquilo você relatou a Lorde Voldemort?"

"Tudo... Tudo que ouvi!", respondeu Severo. "É por isso... É por esta razão... Que ele julga que se refere a Lílian Evans!"

"A profecia não se referia a uma mulher. Mencionava um menino nascido no fim de julho..."

"O senhor sabe o que quero dizer! Ele acha que se refere ao filho dela, ele vai matá-la... Matar a todos..."

"Se ela significa tanto para você,", disse Dumbledore. "certamente Lorde Voldemort irá poupá-la, não? Você não poderia pedir a ele misericórdia para a mãe em troca do filho?"

"Pedi... Pedi a ele..."

"Você me dá nojo.", disse Dumbledore, e Violett nunca ouvira tanto desprezo em sua voz. Severo pareceu se encolher um pouco. "Você não se importa, então, com as mortes do marido e do filho dela? Eles podem morrer desde que você tenha o que quer?"

Severo não disse nada, apenas ergueu os olhos para Dumbledore.

"Esconda-os todos, então.", falou rouco. "Mantenha ela... Eles... Em segurança. Por favor."

"E o que me dará em troca, Severo?"

"Em... Troca?", Severo olhou boquiaberto para Dumbledore, e Violett esperou que ele protestasse, mas, passado um longo momento, ele respondeu:

"O que quiser."

O cume do morro desapareceu e Violett se viu parado no gabinete de Dumbledore, e alguma coisa produzia um ruído terrível como o de um animal ferido. Severo estava dobrado para frente em uma cadeira e Dumbledore contemplava-o do alto, com um ar inflexível.

Após alguns momentos, Severo ergueu o rosto, e parecia um homem que tivesse vivido cem anos de privações desde que deixara o cume do morro.

"Pensei... Que o senhor fosse... Mantê-la... Segura..."

"Ela e Tiago depositaram sua fé na pessoa errada.", disse Dumbledore. "Muito semelhante a você, Severo. Você não tinha a esperança de que Lorde Voldemort fosse poupá-la?", a respiração de Severo era ansiosa. "O filho dela sobreviveu.", ressalvou Dumbledore.

Com um brusco e quase imperceptível aceno da cabeça, Severo pareceu espantar uma mosca irritante.

"O filho sobreviveu. Tem os olhos dela, exatamente os mesmos. Você certamente se lembra da forma e da cor dos olhos de Lílian Evans, não?"

"NÃO!", berrou Severo. "Se foi... Morreu..."

"Isto é remorso, Severo?"

"Eu gostaria... Gostaria que eu é que estivesse morto..."

"E que utilidade isso teria para alguém?", perguntou Dumbledore, friamente. "Se você amou Lílian Evans, se você a amou verdadeiramente, então o seu caminho futuro é cristalino. Além do mas, você tem uma filha para cuidar. Violett só tem você."

Severo parecia espiar através de uma névoa de dor, e as palavras de Dumbledore levaram um longo tempo para alcançá-lo.

"Como... Como assim?"

"Você sabe como e por que ela morreu. Empenhe-se para que não tenha sido em vão. Ajude-me a proteger o filho de Lílian."

"Ele não precisa de proteção. O Lorde das Trevas se foi..."

"... O Lorde das Trevas retornará, e Harry correrá um perigo terrível quando isso ocorrer."

Fez-se uma longa pausa e lentamente Severo recuperou o controle, normalizou sua respiração. Por fim, disse:

"Muito bem. Muito bem. Mas jamais, jamais revele isso, Dumbledore! Isto deve ficar entre nós! Jure! Não posso suportar... Particularmente o filho de Potter... Quero sua palavra!"

"Dou a minha palavra, Severo, de que jamais revelarei o que você tem de melhor. Nem mesmo à sua filha.", Dumbledore suspirou, olhando para o rosto feroz e angustiado de Severo. "Se você insiste..."

O gabinete se dissolveu, mas reapareceu instantaneamente. Severo andava de um lado para outro diante de Dumbledore.

"... Medíocre, arrogante como o pai, deliberadamente indisciplinado, encantado com a fama, exibido e impertinente..."

"Você vê o que espera ver, Severo.", disse Dumbledore, sem erguer os olhos do exemplar de Transfiguração Hoje . "Outros professores me informam que o garoto é modesto, amável e tem algum talento. Pessoalmente, eu o acho uma criança cativante.", Dumbledore virou uma página e disse sem erguer os olhos:

"Vigie Quirrell, por favor."

Um redemoinho de cor, e em seguida tudo escureceu, e Severo e Dumbledore estavam parados a certa distância no saguão de entrada, enquanto os retardatários do baile de Natal passavam a caminho do dormitório.

"Então?", murmurou Dumbledore.

"A Marca de Karkaroff está escurecendo também. Ele está em pânico, receia uma retaliação; você sabe o quanto ele ajudou o Ministério depois da queda do Lorde das Trevas.", Severo olhou de esguelha para o perfil de nariz torto de Dumbledore. "Karkaroff pretende fugir se a Marca arder."

"É mesmo?!", exclamou Dumbledore em voz baixa, no momento em que Fleur Delacour e Rogério Davies entravam do jardim às risadinhas. "E você está tentado a se juntar a ele?"

"Não.", disse Severo seus olhos negros acompanhando os dois alunos que se retiravam. "Não sou tão covarde. E Vi..."

Ele parou no início de uma nova frase, mas Violett percebeu que ele pretendia mencioná-la.

"Não.", concordou Dumbledore, ignorando oque quer que Severo pretendia dizer. "Você é um homem bem mais corajoso do que Karkaroff. Sabe, às vezes penso que fazemos a Seleção cedo demais..."

Dumbledore se afastou, deixando Severo com um ar espantado...

E, mais uma vez, Violett se viu no gabinete do diretor. Era noite e Dumbledore estava sentado em sua cadeira-trono, à escrivaninha, com o corpo meio caído para um lado, aparentemente semiconsciente. Sua mão direita pendia do braço, escura e queimada. Severo murmurava encantamentos, apontando a varinha para o seu pulso, ao mesmo tempo em que, com a mão esquerda, inclinava uma taça cheia com uma densa poção dourada para a garganta de Dumbledore. Passados alguns momentos, as pálpebras dele mexeram e se abriram.

"Por quê?", perguntou Severo, sem preâmbulo. "Por que você pôs esse anel no dedo? Ele tem um feitiço, certamente você percebeu isso. Por que tocou nele?

Um anel produzido grosseiramente com o que aparentava ser ouro e encravado com uma pedra preta estava sobre a mesa diante de Dumbledore. Estava rachado; e, a espada de Gryffindor, ao lado da joia. Dumbledore fez uma careta.

"Fui... Um tolo. Aflitivamente tentado..."

"Tentado pelo quê?", Dumbledore não respondeu. "É um milagre que tenha conseguido voltar a Hogwarts!", havia fúria no tom de Severo. "Esse anel carregava um feitiço de extraordinário poder, paralisá-lo é o máximo que podemos ter esperança de conseguir; por ora, restringi o feitiço a uma das mãos..."

Dumbledore ergueu a mão enegrecida e inútil, examinou-a com a expressão de uma pessoa a quem mostrassem uma interessante curiosidade.

"Você cuidou muito bem de mim, Severo. Quanto tempo acha que me resta?"

O tom de Dumbledore era coloquial; poderia estar perguntando qual era a previsão da meteorologia. Severo hesitou e então respondeu:

"Não sei dizer. Talvez um ano. Não há como paralisar um feitiço desses definitivamente. No fim, ele irá se espalhar, é o tipo de feitiço que se fortalece com o tempo."

Dumbledore sorriu. A notícia de que tinha menos de um ano de vida lhe pareceu de pequena ou nenhuma consequência.

"Tenho a sorte, a extrema sorte, de contar com você, Severo."

"Se tivesse mandado me chamar um pouco mais cedo, eu talvez tivesse podido fazer mais, ganhar mais tempo para você!", disse Severo, indignado. Ele olhou para o anel partido e a espada. "Você achou que partindo o anel pudesse romper o feitiço?"

"Algo parecido... Sem dúvida eu estava delirando...", respondeu Dumbledore. Com esforço ele se aprumou na cadeira. "Bem, realmente isso torna as questões mais objetivas."

Severo pareceu extremamente espantado. Dumbledore sorriu.

"Estou me referindo ao plano que Lorde Voldemort está tecendo a meu respeito. O plano de mandar o coitado do menino Malfoy me liquidar."

Severo sentou-se na cadeira em frente à mesa de Dumbledore. Violett percebeu que ele queria acrescentar mais alguma coisa a respeito da mão amaldiçoada de Dumbledore, mas o diretor ergueu-a em uma cortês recusa de continuar a discutir o assunto. Amarrando a cara, Severo comentou:

"O Lorde das Trevas não espera que Draco seja bem-sucedido. Isto é apenas um castigo pelos recentes malogros de Lúcio. Uma tortura lenta para os pais de Draco, que o observam fracassar e pagar o preço."

"Em suma, o menino foi sentenciado à morte com tanta certeza quanto eu.", disse Dumbledore. "Agora, eu diria que o sucessor natural para esse serviço, se Draco não tiver êxito, será você, não?"

Houve uma breve pausa.

"Esse, acho, é o plano do Lorde das Trevas."

"Lorde Voldemort prevê um momento em futuro próximo em que não precisará ter um espião em Hogwarts?"

"Ele acredita que a escola logo estará nas mãos dele, sim."

"E se realmente cair nas mãos dele,", disse Dumbledore, quase como um aparte. "tenho a sua palavra de que fará tudo em seu poder para proteger os estudantes de Hogwarts?"

Severo assentiu formalmente.

"Ótimo. Agora então. Sua prioridade será descobrir o que Draco está fazendo. Um adolescente amedrontado é um perigo para os outros e para si mesmo. Ofereça-se para ajudá-lo e orientá-lo, ele deve aceitar, ele gosta de você..."

"... Menos, desde que o pai caiu em desgraça. Draco me culpa, acha que usurpei a posição de Lúcio."

"Ainda assim, tente. Estou menos preocupado comigo do que com as vítimas acidentais dos planos que possam ocorrer ao menino. Em última hipótese, é claro, há apenas uma coisa a fazer se você quiser salvá-lo da ira de Lorde Voldemort."

Severo ergueu as sobrancelhas e seu tom foi sardônico quando perguntou:

"Você está pretendendo deixar que Draco o mate?"

"Certamente que não. Você deverá me matar."

Houve um longo silêncio, quebrado apenas por estranhos cliques. A fênix de Dumbledore estava roendo um pedaço de osso de siba.

"Quer que eu faça isso agora?", perguntou Severo, a voz carregada de ironia. "Ou gostaria de ter alguns momentos para compor um epitáfio?"

"Ah, ainda não.", respondeu Dumbledore sorrindo. "Acho que a oportunidade se apresentará no devido tempo. Considerando o que aconteceu esta noite,", ele indicou a mão murcha. "podemos ter certeza de que isso ocorrerá dentro de um ano."

"Se você não se importa de morrer,", disse Severo, com aspereza. "então por que não deixa Draco fazer isso?"

"A alma daquele menino ainda não está totalmente comprometida.", contestou Dumbledore. "Eu não permitiria que se rompesse por minha causa."

"E a minha alma, Dumbledore? A minha?"

"Somente você é capaz de saber se prejudicará sua alma ajudar um velho a evitar a dor e a humilhação.", replicou Dumbledore. "Peço a você um único e grande favor, Severo, porque a morte está vindo me buscar tão certo quanto os Chudley Cannons terminarão este ano em último lugar. Confesso que prefiro uma saída rápida e indolor à opção demorada e suja que terei se, por exemplo, Greyback estiver envolvido; ouvi dizer que Voldemort o recrutou. Ou se for a cara Belatriz, que gosta de brincar com a comida antes de comê-la."

Seu tom era leve, mas seus olhos azuis perfuravam Severo como se ele pudesse ver a alma que discutiam. Por fim, o homem mais novo fez um breve aceno com a cabeça. Dumbledore pareceu satisfeito.

"Obrigado, Severo..."

O gabinete desapareceu, e agora Severo e Dumbledore estavam caminhando juntos nos jardins desertos do castelo ao crepúsculo.

"Que é que você está fazendo com Potter, todas essas noites em que se trancam no gabinete?", perguntou Severo, abruptamente.

Dumbledore tinha o ar abatido.

"Por quê? Você está tentando lhe dar mais detenções, Severo? Logo o menino passará mais tempo em detenções do que fora delas."

"Ele é o pai sem tirar nem pôr..."

"Na aparência, talvez, mas, em sua natureza profunda, ele parece muito mais com a mãe. Gasto tempo com Harry porque tenho coisas a conversar com ele, informações que preciso lhe passar antes que seja tarde demais."

"Informações.", respondeu Severo. "Você as confia a ele... Não as confia a mim."

"Não é uma questão de confiança. Tenho, como ambos sabemos, um tempo limitado. É essencial que eu dê ao menino informações suficientes para ele fazer o que precisa ser feito."

"E não posso receber as mesmas informações?"

"Prefiro não guardar todos os meus segredos em uma única cesta, particularmente uma cesta que passa tanto tempo pendurada no braço de Lorde Voldemort."

"O que faço cumprindo suas ordens!"

"E faz isso extremamente bem. Não pense que subestimo o constante perigo em que se coloca, Severo. Dar a Voldemort informações que pareçam valiosas, negando-lhe o essencial, é um serviço que eu não confiaria a ninguém exceto você."

"Contudo, você faz muito mais confidências a um garoto que é incapaz de Oclumência, cuja magia é medíocre e que tem uma ligação direta com a mente do Lorde das Trevas!"

"Voldemort teme essa ligação. Não faz muito tempo, ele provou um pouquinho do que realmente significa partilhar a mente de Harry. Foi uma dor que ele jamais experimentara na vida. Não tentará possuir Harry outra vez, tenho certeza. Não da mesma forma."

"Não estou entendendo."

"A alma de Lorde Voldemort, mutilada como está, não suporta o contato com uma mente como a de Harry. É como o contato de uma língua com o aço congelado, como a carne do corpo em chamas..."

"Almas? Estamos falando de mentes! "No caso de Harry e Lorde Voldemort, falar em uma é falar da outra."

Dumbledore olhou ao redor para se certificar de que se encontravam realmente sozinhos. Agora estavam muito próximos da Floresta Proibida, mas não havia sinal de ninguém na vizinhança.

 ‎"Depois que me matar, Severo..."

 ‎"Você se recusa a me contar tudo, no entanto espera de mim esse pequeno serviço!", rosnou Severo, e uma fúria real inflamou o seu rosto magro. "Você presume muita coisa, Dumbledore! Talvez eu tenha mudado de ideia!"

"Você me deu a sua palavra, Severo. E, já que estamos falando em serviços, você está em falta comigo, pensei que tivesse concordado em vigiar o nosso jovem amigo da Sonserina?"

Severo não escondia a raiva, a rebeldia. Dumbledore suspirou.

"Venha ao meu gabinete hoje à noite, Severo, às onze, e você não se queixará de que não tenho confiança em você."

Tinham voltado ao gabinete de Dumbledore, as janelas escuras, e a fênix do diretor estava tão silenciosa quanto Severo imóvel na cadeira, e o diretor andava em volta dele, falando.

"Harry não pode saber, não até o último momento, não até que seja necessário, do contrário como poderia ter a força para fazer o que deve ser feito?"

"Mas o que deve fazer?"

"Isto é entre mim e Harry. Agora escute bem, Severo. Virá um tempo... Depois da minha morte... Não discuta, não interrompa! Virá um tempo em que Lorde Voldemort temerá pela vida da cobra dele."

"Por Nagini?", Severo pareceu admirado.

"Exatamente. Quando chegar o momento em que Lorde Voldemort parar de mandar a cobra cumprir os seus mandados, e a mantiver segura ao seu lado, sob proteção mágica, então, acho, não haverá perigo em contar a Harry."

"Contar o quê?"

Dumbledore inspirou profundamente e fechou os olhos.

"Conte-lhe que na noite em que Lorde Voldemort tentou matá-lo, quando Lílian pôs a própria vida entre os dois como um escudo, a Maldição da Morte ricocheteou em Lorde Voldemort, e um fragmento da alma dele irrompeu do todo e se prendeu à única alma sobrevivente na casa que desabava. Parte de Lorde Voldemort vive em Harry, e é esta parte que lhe dá tanto a capacidade de falar com cobras quanto uma ligação com a mente de Lorde Voldemort que ele jamais entendeu. E enquanto esse fragmento de alma, de que Voldemort não sentiu falta, permanecer preso e protegido por Harry, Lorde Voldemort não poderá morrer."

"Então o garoto... O garoto deve morrer?", perguntou Severo, muito calmo.

"E é Voldemort quem deve matá-lo, Severo. Isto é essencial."

Seguiu-se outro longo silêncio. Então Severo falou:

"Pensei... Todos esses anos... Que nós o protegíamos por causa dela. De Lílian."

"Nós o protegíamos porque era essencial que fosse ensinado, criado e pudesse experimentar a própria força.", explicou Dumbledore, com os olhos ainda fechados. "Nesse meio-tempo, a ligação entre os dois foi crescendo, um crescimento parasitário: às vezes penso que Harry suspeita disso. Se bem o conheço, tomará providências para que, ao sair ao encontro da morte, isto represente, verdadeiramente, o fim de Voldemort."

Dumbledore reabriu os olhos. Severo estava horrorizado.

"Você o manteve vivo para que pudesse morrer na hora certa?"

"Não fique chocado, Severo. Quantos homens e mulheres você viu morrer?"

"Ultimamente apenas os que não pude salvar.", ele se levantou. "Você me usou."

"Em que sentido?"

"Espionei por você, menti por você, corri risco mortal por você. Minha filha ainda tem dúvidas sobre mim! Supostamente tudo para manter o filho de Lílian Potter vivo. Agora você me diz que o esteve criando como um porco para o abate..."

"Ora, isso é comovente, Severo!", exclamou Dumbledore, sério. "Você acabou se afeiçoando ao menino, afinal?"

"A ele?", gritou Severo. "Expecto patronum!"

Da ponta de sua varinha irrompeu uma corça prateada: ela pousou, correu pelo soalho do gabinete e saiu voando pela janela. Dumbledore observou-a se afastando pelos ares e, quando seu brilho prateado se dissipou, ele se dirigiu a Severo e seus olhos estavam cheios de lágrimas.

"Depois de todo esse tempo?"

"Sempre.", respondeu Severo.

E a cena mudou.

Agora Violett via Severo conversando com o retrato de Dumbledore atrás da escrivaninha.

"Você terá de informar a Voldemort a data certa da partida de Harry da casa dos tios.", recomendou Dumbledore. "Se não fizer isso, levantará suspeitas, uma vez que Voldemort o julga bem informado. Entretanto, você precisa plantar a ideia dos chamarizes: acho que isso deverá garantir a segurança de Harry. Tente confundir Mundungo Fletcher. E, Severo, se você for obrigado a tomar parte na perseguição, assegure-se de representar a sua parte convincentemente... Estou contando com você para continuar nas boas graças de Lorde Voldemort o maior tempo possível, ou Hogwarts ficará à mercê dos Carrow..."

Agora Severo estava face a face com Mundungo em uma taberna desconhecida, o rosto deste parecendo curiosamente inexpressivo, Severo franzindo a testa concentrado.

"Você irá sugerir à Ordem da Fênix", murmurou Severo. "que use chamarizes. Poção Polissuco. Potters idênticos. É a única coisa que poderia dar resultado. Você esquecerá que lhe sugeri isso. Apresentará a ideia como sua. Entendeu?"

"Entendi.", murmurou Mundungo, seus olhos desfocados..

Agora Violett estava voando emparelhada com a vassoura de Severo, através da noite escura e desanuviada: seu pai ia acompanhado por outros Comensais da Morte encapuzados, e à sua frente estavam Lupin, ela mesma e Harry que era na realidade Jorge...

"Cuidado!", gritou Jorge, empurrando a cabeça de Violett para baixo, impedindo-a de ser acertada pelo feitiço lançado por um dos Comensais.

A Violett que estava na vassoura sacou sua varinha e acertou o Comensal responsável pelo feitiço. Ele bambeou, meio aturdido.

Jorros de luz verde atravessavam a noite, um Comensal foi morto por engano e Violett o viu cair até virar um pontinho difícil de identificar.

"Estupefaça!", ela gritou. Por pouco não atingiu um Comensal com seu jorro de luz vermelha, porém, com o movimento brusco que ele fez ao desviar, sua máscara que já não estava tão bem pressa assim caiu, revelando Severo.

"Você?! Seu completo idiota, filho da mãe, eu não acredito que..."

"Sectumsempra!"

Foi rápido demais. A Violett de meses atrás não conseguiu dizer se Severo focara nela ou em Jorge, ou até mesmo em Lupin, que voava mais a frente, mas o feitiço provavelmente a teria atingido se, mais uma vez, Jorge não tivesse empurrado sua cabeça. Mas a Violett que assistia aquela cena de outra perspectiva sabia, Severo mirara no Comensal que estava à frente dela, voando atrás de Lupin.

"Ah!", Jorge gritou, agonizando de dor. Perdera uma das orelhas.

"Seu monstro!", gritou a Violett que lutava para manter o ruivo na vassoura.

E a cena se dissolveu mais uma vez...

No momento seguinte, Severo se achava ajoelhado em um quarto que parecia ter sido largado às traças há mais de anos, porém ainda ostentava bandeiras da Grifinória e brasões da Casa, mesmo que sujos de poeira.

As lágrimas escorriam da ponta do nariz curvo de Severo ao ler uma carta dque apanhara do chão. Estava rasgada e nela só se era possível ler:

"... pudesse ter sido amigo de Gerardo Grindelwald. Pessoalmente, acho que ela está começando a caducar!

Afetuosamente, Lílian."

Severo pegou a parte que continha a assinatura de Lílian e o seu afeto e guardou-a no bolso interno das vestes. Em seguida, rasgou ao meio a foto que segurava, para poder guardar a metade em que Lílian ria, e atirou a outra com Tiago e o pequeno Harry no chão, sob a cômoda...

E agora Severo estava mais uma vez no gabinete do diretor.

"Não há muito que se possa fazer.", disse Severo.

Ele estava sentado na cadeira que um dia pertencera a Dumbledore, no escritório do mesmo. Julie estava sentada a sua frente, nem mesmo havia desabotoado a capa, tamborilava com os dedos na mesa, pensativa.

"Quer parar com isso?", disse o homem, testa apoiada na mão, impaciente com o batuque constante de Julie.

"Não.", ela disse, sem olhar para ele. "Então Scrimgeour levou a espada daqui?"

"Sim, já te disse isso mil vezes. Mas ele levou a falsa, a verdadeira está bem ali.", Severo apontou para o retrato de Dumbledore que dormia. Ou, sabia Julie, fingia dormir. Ele fechara os olhos no instante que a garota entrara na sala para dar "privacidade" para ela e Severo.

"Ok... E oque você pretende fazer?"

"Quando a falsa for devolvida, vou entregá-la a Belatriz para que ela guarde em Gringotes e assim fazer com que o Lorde das Trevas confie mais em mim."

"Sim, mas e a verdadeira?"

"Oh, sim, chegamos no ponto que eu queria. A verdadeira deve ser entregue no momento certo a Harry Potter, por você."

"Por mim?", Julie o olhou, incrédula

"Claro. Eu vou ser oficializado como diretor em setembro, portanto vai ser mais difícil que eu saia daqui. Creio que era essa uma das intenções do Lorde das Trevas, me deixar incapacitado de sequer cogitar ajudar o outro lado, mas ele nem sonha que você está o traindo, oque te deixa livre para fazer oque quiser mas não antes que façamos oque você vem vindo fazer aqui todos esses dias."

"Ah, claro. Oclumência...", Julie jogou a cabeça para trás, bufando.

A cena mudou, mas eles ainda se encontravam no gabinete do diretor.

Fineus Nigellus voltava correndo para o seu quadro.

"Diretor! Eles estão acampando na Floresta do Deão! A sangue-ruim..."

"Não use essa palavra!"

"... Que seja, a garota Granger mencionou o lugar quando abriu a bolsa e eu a ouvi!"

"Muito bom. Ótimo!", exclamou o retrato de Dumbledore atrás da cadeira do diretor. "Agora, Severo, a espada! Não esqueça que deve ser apanhada sob condições de necessidade e coragem, e ele não pode saber quem a está entregando! Se Voldemort puder ler a mente de Harry e vir você ajudando-o..."

"Eu sei.", respondeu Severo, secamente. Aproximou-se, então, do retrato de Dumbledore e afastou-o para um lado. O quadro girou para a frente, revelando uma cavidade oculta, da qual ele tirou a espada de Gryffindor. "E você vai continuar a não explicar por que é tão importante dar a Potter a espada?", indagou ele.

"Vou, acho que vou.", respondeu o retrato de Dumbledore. "Ele saberá o que fazer com ela. E, Severo, tenha muito cuidado, os garotos podem não reagir bem à sua presença depois do acidente com Jorge Weasley..."

"Não serei eu a entregá-la à Potter, Dumbledore, não se preocupe."

Nesse momento, Julie entrou no gabinete, segurando a capa firme ao corpo.

Severo lhe entregou a espada, a qual a jovem pegou, nervosa.

"E como eu vou saber pra onde ir?"

Julie apertou o punho da espada.

"Eu tenho minhas fontes. Eles estão na Floresta do Deão. Agora cabe a você procurá-los.", falou Severo após repassar, mais uma vez, o plano.

"Ok. Estou indo..."

A jovem fechou a capa e colocou o capuz.

"Tome cuidado!"

Julie gargalhou e saiu do gabinete.

Violett ergueu a cabeça da Penseira e olhou, incrédula, para Harry, que fizera o mesmo. Ambos desabaram no chão.

Tudo naquela sala estava intocado. Era como se Julie houvesse acabado de partir e sua gargalhada ainda soasse pelo lugar.


Notas Finais


Eu juro solenemente que não vou fazer nada de bom!
Então... Contar oque ia acontecer aqui pra vocês só porque não aconteceu, ok? Percebi que precisava dos gêmeos Scamander e... Eu não podia matar a Luna. Sim, já tinha até escrito a morte dela e ia ser nesse cap, masss... Comecei a escrever o epílogo e me veio: epa! Preciso do Lorcan e do Lysander! Então Luna está viva.
Já tava me preparando pra morrer aqui hoje mas... Vish! Lembrei! Preciso do meu guarda-chuva anti-Avadas para hoje, às 14! Fui!
Malfeito feito!


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