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História A Filha Dele... - Capítulo 18


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Notas do Autor


Minnaaaaaa que saudades! Desculpe por ter sumido, mas a faculdade e outros afazeres está me consumindo bastante.
Espero que estejam todos bem! Se previnam do Corona vírus e pensem nas pessoas ao seu redor, você pode não ser afetado severamente mas pode transmitir para outro que sim.

Boa leitura!

Capítulo 18 - Parte 2 - Capítulo I


Fanfic / Fanfiction A Filha Dele... - Capítulo 18 - Parte 2 - Capítulo I

POV ANNE

Já não sabia quanto tempo havia se passado desde que aquele inferno começou, parei de contar após 17 semanas. Estava em mais segurança agora do que antes, ao menos por hora.

Perdi as contas de quantas vezes tentei escapar, quantas vezes falhei, quantas vezes fui punida por tal ato. Mas não tinha como evitar, cada dia que se passava mais aumentava minha vontade de partir.

Quantas vezes tentei me matar? Quantas cicatrizes já não tinha adquirido por conta disso e dos castigos que recebia diariamente? Perdi a conta de quantas marcas adquiri.

Odiava a todos eles, todos eles que me tocaram, também perdi a conta de quantos matei, de quantos ainda estão na minha lista para tal ato.

Eu não me conhecia mais, em partes ainda era eu, em algum lugar pelo menos, mas agora, nesse momento, eu era uma estranha pra mim mesma, meus cabelos já passavam da bunda, meu corpo ficou mais fraco e magro, vivia suja, minha barriga vivia inchada e tinha certeza que a última hemorragia interna causada pelos guardas haviam piorado a situação. Mais uma conta que perdi, quantas hemorragias internas tive e foi reparada de forma monstruosa? Eu era um trapo, nem ao menos tinha mais força para tentar fugir, ou ao menos esperança de que viesse me resgatar. Lembrava perfeitamente como havia parado ali, como minha vida tinha acabado, como e quando perdi tudo e todos.

Eu estava na beirada da ilha mas via o olhar do meu pai sobre mim por baixo daquela máscara, ele estava muito irritado e desapontado comigo, comprovar aqueles sentimentos pelo olhar que ele lançava me causou um aperto no coração. Estava focada nisso, tanto que só senti meu corpo tomar um empurram, minha boca expeliu um líquido quente e espesso, sangue, meu sangue, com força e rudemente meu corpo caiu com força para trás. Olhei uma última vez para meu pai, talvez ele pudesse me dizer o que havia acontecido, pois eu não entendia, mas aqueles olhos que tanto amei não expressavam sabedoria e amor como todas as vezes em que os olhava, desta vez eles estavam arregalados e opacos, era a primeira vez que os via assim, nunca senti tanto medo como senti ao vê-los e então tudo sumiu dando lugar as trevas.

O impacto na água gelada me acordou imediatamente, eu não deveria estar ali, a ilha era cercada por pedras antes da água rodeá-la, mas de algum jeito eu cai na água. Olhei desesperada para os lados, mas só havia pedra e água ao meu redor. Então era isso, cai entre as pedras, a sorte não podia estar mais ao meu favor ou ao menos foi o que pensei até ser acertada na cabeça e apagar novamente.

Acordei com mais água gelada em contato comigo, mas dessa vez eu estava em algum tipo de masmorra e amarrada. Olhei para cima e lá estava ele, nunca havia o visto antes mas sua descrição ainda pairava em minha mente havia tempo. Era bem cuidado para um coroa, mas sabia que não podia subestimar ele, afinal, ele era o líder da Liga dos Assassinos, Hasalgum.

Fui tirado dos meus devaneios ao ouvir gritos, ruídos e sons ensurdecedores, vinham de longe, já fazia tempo que não ouvia tantos sons, talvez enfim estivesse ficando louca. Fechei meus olhos e fiquei apreciando aqueles sons, talvez pudesse morrer ouvindo aquilo ao invés dos murmúrios dos capangas.

A porta foi aberta com brusquidão, mas não olhei, estava fraca demais até mesmo para abrir os olhos, apenas fiquei parada esperando que a morte viesse, torcia para que fosse um assassino e não mais um capanga para me mover novamente.

??: Anne? Anne Wayne? – Uma voz que eu não conhecia perguntou, não tinha forças para falar, finalmente me forcei a abrir os olhos e encarei a mulher em minha frente, mas não conseguia ver nada além de sua silhueta pela escuridão, não foi preciso que eu falasse nada, ela sorriu triunfante e se virou para o corredor da onde provavelmente tinha surgido – ELA ESTA AQUI! – seu grito perfurou meus tímpanos ou o que sobrou deles – Vai ficar tudo bem, vamos tirar você daqui.

Ela continuo com palavras positivas e incentivos, voltei a fechar os olhos e ignorei suas palavras, eu já estava a beira da morte não tinha porque me importar com mais nada.

??: Anne – aquela voz que havia a muito tempo se perdido em minhas memórias me chamou mais uma vez, aquela era minha hora – Abra seus olhos – senti uma mão em meu rosto, aquilo não era um sonho, abrir meus olhos com dificuldade e vi os olhos que tanto amava e sentia falta, mas desta vez eles não estavam opacos e arregalados, eles estavam marejados por baixo da máscara.

Anne: P-pai – minha voz saiu falha, baixa e sufocada, mais uma conta que perdi para a lista, quanto tempo não falava?

Bruce: Sim minha querida, acabou – ele falava rápido, me abraçou com força mas não pude retribuir – Não chore meu amor, vamos pra casa.

Não percebi que estava chorando até que ele dissesse, aos poucos minha consciência foi sumindo, mas antes que tudo ficasse escuro vislumbrei uma figura toda encapuzada na porta, por alguma razão me pareceu familiar. Depois de tanto tempo, eu poderia finalmente fechar os olhos, deixar a escuridão entrar, pois eu estava indo pra casa.

*------*

Não sabia se tinha voltado a Sonhar ou se realmente havia acordado, pois cada vez era um “sonho" diferente, minha mente queria seguir a lógica e acreditar que cada frase solta e vislumbre dos relances que tinha, eram das vezes que meus olhos se abriam quando acordava, mas por algum motivo eu sempre voltava a dormir rapidamente. Demorou muito até que eu pudesse enfim abrir os olhos e me deparar com uma luz, para mim era forte mas não parecia incomodar quem quer que estivesse sentado naquela cadeira ao meu lado, não conseguia focar meus olhos mesmo que os abrisse devagar.

??: Perdão, não pensei que a luz da lua fosse forte para você.

Uma voz rouca se fez presente e logo o lugar volta a ficar escuro, abri os olhos com cuidado e dessa vez eles se acostumaram bem com a escuridão. Olhei para a figura ao meu lado, não reconhecia, mas sua voz e sua presença me acalmava.

??: Não precisa se preocupar, seu pai te trouxe para casa, está em seu quarto, faz 4 dias – um suspiro fundo e então uma mão grande cobre a minha – 4 dias que você dorme e apaga, provavelmente pela dor que seu corpo está sofrendo enquanto era tratado, mas você não soltou um único som.

Não sabia se aquilo que ele dizia era pra me alegrar ou não, então continuei calada, o observei melhor. Mas não conseguia encaixar ele e a sensação que ele me causa no meu novo eu, parece errado. Ele parecia bonito, seu rosto estava tampado, mas seus olhos azuis eram visíveis, tão bonitos, como o mar. Então uma luz se fez na minha cabeça, momentos em que eu era feliz, dias antes do que havia acontecido.

Anne: Ca – forçava minha voz a sair – Capi... Tano.

Capitano: Sim my lady, você se lembra – ele encostou sua testa na minha e então, como se fosse nosso maior segredo escondido de todos, nos choramos baixinho, juntos, de um jeito que somente nos ouvíamos.

Não sei quanto tempo havia se passado naquele momento, mas assim que as lágrimas cessaram, ele tirou o lenço que lhe cobria o rosto. Um rosto másculo se fez a minha frente, a barba por fazer o deixava mais velho, mas não deixava de ser bonito, ele nunca havia sido feio, agora ele era talvez mais bonito de quando nos conhecemos, passei a não lentamente por seu rosto e seus olhos que antes me fitavam agora se fecharam.

Capitano: Não posso demorar muito, seu pai e Alfred fazem vigia aqui, eles não sabem que estou aqui.

Anne: Como – respirei fundo mais um pouco, falar doía minha garganta pela falta de falar por todo o tempo que fiquei presa – Como eles estão? – minha voz saiu mais baixa e rouca do que normalmente seria.

Capitano: Você ficou 3 anos e pouco sumida, mas eles nunca duvidaram que você estava viva e nunca deixaram de te procurar, assim como eu.

A informação me pegou desprevenida, sabia que havia se passado muito tempo, mas 3 anos era muito mais do que pensei. Não conseguia imaginar o quanto meu pai e Alfred deviam ter sofrido. Eles não pararam de me procurar, eles continuavam me buscando.

Capitano: Não quero nem pensar no quanto sofreu – sua voz saia ríspida, mas sabia que não era para mim aquele tom – Demorei tempo demais para te achar, sinto tanto mais tanto por isso – agora sua voz estava mais branda e seus olhos agora me encaravam – Senti tanto sua falta, my lady.

Ele beijou minha bochecha e quando tentou selar nossos lábios, o afastei, não foi por querer, não foi por ser ele, mas foi pela atitude. Aquilo me assustava, tive medo de que ele se zangasse e me fizesse algo. Abri os olhos para lhe encarar e em sua face não havia raiva, apenas dor.

Capitano: Vou matar cada um que lhe fez mal – seu maxilar estava trincado, sua mão apertou mais ainda a minha, ouvimos um barulho no corredor e ele se levantou – Voltarei o mais breve possível – ele se preparou para sair mas antes se abaixou – Precisa saber que muita coisa mudou desde que você sumiu, provavelmente será pega de surpresa em muitas das novidades e em outras nem tanto – ele beijou minha testa e colocou o lenço novamente e então sussurrou em meu ouvido – Estarei aqui sempre, vou cuidar de você, nem que pra isso tenha que enfrentar seu pai, minha dama da água.

Ele beijou minha bochecha mais uma vez com delicadeza, e então sumiu pela janela. Ele ainda era o mesmo que me socorreu quando precisei fugir do meu pai, que ajudou a equipe na luta, o mesmo que me ensinou a velejar, que me cortejava como a sociedade que vivíamos pedia, que me apresentou o maravilhoso rum, me ensinou a amar o mar tanto quanto a terra e que me ensinou os prazeres de ser amada e tocada, ele ainda era o meu Capitano. Fiquei deitada pensando nisso, e no quanto eu o queria, o quanto ainda o desejava, por inteiro. Mas eu não era mais a mesma Anne Wayne, eu era alguém diferente agora, alguém que vivia com medo, alguém que se sentia suja e violada. Eu não o merecia, não podia mais ser dele, pois ele não foi o único que me teve, fui violada de todas as maneiras possíveis, não era mais digna de alguém como ele, ele merecia mais e agora, eu não era mais do que uma garota medrosa e violada. O choro me fazia soluçar, meu corpo se retraia cada vez mais, estava em casa mas talvez devia ter sido melhor ter morrido.

POV BRUCE WAYNE

Conversar no porto com o jovem Capitano, como se apresentou, foi uma sensação que havia a muito esquecido que podia sentir. Esperança.

Esperança é e sempre foi uma coisa perigosa demais, pouca esperança e você não viverá, muita e pode ser algo perigosa.

Mas aquele jovem havia me trazido esperança, não pensei nem por um minuto se quer que pudesse ser mentira, mesmo que corresse o risco de que ele soubesse quem é o Batman, não me importaria desde que minha filha estivesse de novo comigo. A informação não poderia ser falsa, vi o desespero em seu olhar quando me virei para ir embora.

A muito tempo não sentia ciúmes também, ciúmes que algum rapaz se aproximasse da minha pequena. Ele a amava. E isso foi nítido no momento em que disse que sabia onde ela estava, ele assim como Alfred e eu, não havia desistido de buscar por ela. Ele a amava de verdade, aquele tipo de amor que parece de livro, o mesmo tipo de amor que pensei nunca encontrar.

Contei apenas a Equipe que agora estava com uma quantidade enorme de pessoas, não seria um número grande o suficiente para chamar a atenção e nem muito pequeno para que perdêssemos. Os preparativos foram feitos o mais rápido possível, Capitano nos encontrou como combinado e com vários homens a disposição.

Ele havia dito que todos lutariam, mas para infiltrar e abrir os portões eles não seriam úteis. Tive minha dúvidas se eles realmente ajudariam ou somente atrapalhariam, mas assim que a verdadeira luta começou, eles foram úteis, me mostrando que eu ainda julgava sem conhecer.

Barbara, a Batwoman, jovem que comecei a treinar para ajudar Gotham enquanto procurava por minha filha, foi quem a achou.

Não reconheceria minha filha se seus olhos esverdeados não tivessem me encarado. Aquela figura magra, quase esquelética, com a barriga inchada, cabelos desgrenhados e abaixo da sua bunda, pálida e totalmente desistente da vida como se já tivesse aceitado a morte, não poderia ser minha Anne, sempre cheia de vida. Não aguentei as lágrimas que vieram quando ela apagou em meus braços.

Fomos para o ponto de encontro onde a Liga nos transportaria para a Torre de Vigilância, somente ali minha filha poderia ser tratada, antes que fosse para casa. Não havia ninguém além de Bárbara e John que soubessem a real missão daquilo. Para os jovens da Equipe foi dito apenas que seria uma batida no Coringa e na Arlequina que planejavam algo contra Gotham.

Fui na frente com minha filha no colo, Bárbara ficou com o resto da equipe para que não soubessem de nada. Ouvi Capitano gritar algo para alguém e logo ele estava ao meu lado. O encarei de soslaio, não foi preciso mais do que isso para que ele se explicasse.

Capitano: Não vou sair do lado dela, não enquanto ela não me pedir.

Foi tudo o que ele disse, não contrariei, o deixei vir. Ele merecia isso, pois se minha filha estava agora em meus braços foi graças a ele. O tempo que ela ficou na Torre em cuidados do John foi de 2 dias, Capitano só saiu do lado dela para fazer sua higiene e comer, não tirava seu chapéu e muito menos seu lenço que cobria o rosto. Eu teria que investigar mais tarde quem ele era, os olhos me eram familiares, mas só e não me lembrava da onde os tinha visto.

No terceiro dia, ela recebeu alta, a levei pra casa e dessa vez impedi que Capitano viesse junto. Disse para que fosse descansar e que agora, ela precisava da família, ele relutou, mas enfim se foi.

Alfred chorava compulsivamente, abraçou o corpo inerte de minha filha, ele a amava tanto quanto eu, ele também era família. Diana também estava igual, avisou a sua mãe, a Rainha de Themyscira, que nutria um grande carinho por Anne, a mesma iria vim o mais rápido possível.

Respirei fundo e fui até a porta do quarto da minha filha, onde uma figura menor se encontrava encarando a tudo aquilo. Ele sabia quem ela era, sabia o que tinha acontecido, e nos últimos meses viu e viveu o que Alfred, Diana e eu passávamos. Segurei em seu ombro e o guiei até o lado da cama, onde minha pequena ainda dormia, agora um pouco melhor.

Bruce: Damian, essa é sua irmã mais velha, Anne Wayne.



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