História A filha do meu padrasto - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Drama, Lgbt, Romance
Visualizações 21
Palavras 2.159
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Mudanças part.II


Fanfic / Fanfiction A filha do meu padrasto - Capítulo 3 - Mudanças part.II

[Bianca]

Mudanças. Nós não gostamos delas. Nós a tememos. No entanto, não conseguimos evitá-las. Ou nos adaptamos às mudanças, ou somos deixados para trás. Crescer é doloroso. Qualquer um que te disser que não, está mentindo. Mas aqui vai a verdade: às vezes, quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas. E às vezes, oh, às vezes mudar é bom. Às vezes mudar é tudo.

Meu nome é Bianca Marinho, há 48 horas atrás eu era uma adolescente realizada (podemos supor). Conhece aquela frase? "precisamos perder para aprender a dar valor" Eu definitivamente acho isso uma mentira, talvez eu não tenha sido a melhor filha do mundo, mas eu fui uma filha que fez o possível.

[Flash back]

Meus pais se separaram quando eu tinha 3 anos de idade, desde então eu passei a morar com a minha mãe em Gênova, uma cidade da Itália (meus pais são italianos, porém eu nasci no Brasil e por questões de negócios, ficamos um tempo lá). Meu pai continuo a morar no Brasil e então nossa comunicação foi se acabando a cada dia que se passava. Doeu no início, mas eu me acostumei com sua ausência, me adaptei aos cuidados de apenas uma mãe. Me tornei uma pessoa forte e independente.

Ontem eu perdi a pessoa mais incrível da minha vida para um acidente de carro, minha mãe... Desde que viramos só nós (apenas eu e ela) éramos tudo uma da outra, entende? Tudo. Perder ela está sendo a coisa mais devastadora da minha vida, eu não consigo entender... Como? Como isso foi acontecer? Em um segundo ela estava aqui, estávamos bem, posso até dizer que estávamos felizes! E no outro... Ela nem se encontra mais nesse mundo. Estou em pedaços, porém eu reconheço que preciso ser forte, precisarei ir morar com o meu pai no Brasil, mas felizmente será apenas por um ano, logo ficarei independente e poderei retornar a Itália e continuar tudo que eu e a mamãe começamos.

Meu luto está estampado em minha face, entretanto hoje ficarei frente a frente com um alguém do passado que eu pensei que nunca mais veria novamente, precisarei me conter não quero que ele pense que sou fraca, talvez eu consiga convencê-lo de que ficarei bem sozinha.

Estou no apartamento em que eu e minha falecida mãe costumávamos morar, um oficial de justiça e uma psicóloga estão em minha casa também, eles me encaram e me avaliam o tempo todo, me fizeram algumas perguntas também e até explicaram como seria minha nova vida com o meu pai, é realmente um incômodo, pois tudo que eu gostaria era ficar sozinha.

Enquanto espero (Meu pai teve que ir resolver outras papeladas com o Juíz) sento em uma cadeira que está localizada na varanda do apartamento. O tempo vai passando e finalmente é hora de rever o meu passado. Confesso que estou nervosa.

Meu pai entra na sala, cumprimenta o oficial de justiça e a psicóloga.

-Olá, Boa tarde.

-Boa tarde, você deve ser o Sr.Giovanni Marinho...

-Sim, sou eu mesmo.

Eu ouço eles darem início às orientações e confirmações da minha guarda. Eles passam um bom tempo conversando e meu nervosismo só tende a aumentar.

-Bom, é isto Sr.Giovanni, espero que dê tudo certo entre vocês.

-Obrigado!

-Boa sorte, sr.Giovanni

-Obrigado, Dr.

A Doutora e o oficial se despedem de meu pai, logo eles vem até mim e se despedem também, em seguida vão embora. Meu coração começa a bater mais forte, um silêncio desagradável toma conta do apartamento inteiro, e finalmente o silêncio é quebrado:

-Olá, Bianca..

Percebo sua voz trêmula e um frio se instala em meu estômago.

-Olá, pai..

Viro em sua direção, até que resolvo sair da varanda e ficar frente a frente com ele.

-Quanto tempo, filha...

-Muito tempo

-Eu sentir tanto a sua falta, sinto muito por tudo que causei a você, eu.. eu não sei como posso me desculpar com você.

-Esta tudo bem, não se preocupe.

-Claro que não está tudo bem, olha pra você, está crescida! E eu perdi tudo... E o que aconteceu com sua M..

-Não, não precisa fazer o que está fazendo, olha... Eu posso me cuidar sozinha, ficarei de maior em breve e como você disse já estou crescida, eu posso me virar, sério! Eu vou ficar bem.

Talvez eu tenha me precipitado, mas não dá.. não consigo ficar aqui ouvindo ele tentando se desculpar depois de tanto tempo, quem dirá morar com ele.

Ele respira fundo e me encara com um olhar triste e culpado.

-Eu sinto muito, Bianca, mas infelizmente eu não posso lhe deixar aqui.

-Qual é?! nós sabemos que você pode, você já fez isso uma vez, não foi?

Ele se surpreende com as minhas palavras. Talvez eu esteja sendo dura, mas o que ele esperava? Que eu lhe abraçasse e seguíssemos em frente como uma família feliz?

Ele tenta se desculpar mas não funciona muito bem, para não dificultar mais as coisas eu decido entrar em uma falsa concordância.

Eu passo a arrumar minhas malas enquanto ele resolve às conservações dos móveis. Já está tarde... Nós resolvemos ir dormir, no entanto eu não consigo, pego o celular e começo a ver as fotografias que tenho com minha mãe, as lágrimas começam a transbordar em meus olhos e eu tento me conter para não fazer nenhum barulho, a noite se torna a mais longa da minha vida, logo eu acabo adormecendo em meio as minhas lágrimas de perda e sofrimento.

[Terça-feira]

Acordo cedo como de costume, porém dessa vez torcendo que tudo não tivesse passado de um pesadelo. Destravo o celular e ele está exatamente na fotografia em que eu estava vendo ontem, sinto um nó se formar em minha garganta, logo vem o aperto no coração e a vontade imensa de chorar. Respiro fundo, saio da galeria de fotos em que meu celular estar e bloqueio a tela novamente.

Enquanto estou sentada na cama, me recordando de cada pedaço de memória, ouço umas batidas na porta.

-Bianca? Já acordou? Precisamos sair em 30min.

-Sim, já estou indo.

Respiro fundo para conseguir controlar o tremor de minha voz.

-Tudo bem, Bianca. Ficará tudo bem!

Falo para mim mesma na tentativa de me recompor. Enquanto me arrumo, me convenço de que as coisas irão melhorar, visto-me com uma calça jeans preta, uma camisa cinza longa que me dá um estilo largado, pego um sobretudo preto azulado, e calço um sapato estilo botinha de cor marrom, solto meus cabelos e divido ele ao meio.

Saio do quarto pegando a mochila que irá comigo, trancamos tudo, junto com meu pai sigo até o táxi que já estava a nossa espera com as bagagens.

No caminho para o aeroporto decido visitar minhas redes sociais, há muitas mensagens de pêsames e coisas do tipo, vejo uma solicitação de amizade também, eu conheço ela: Heloísa Lombardi, já visitei seu perfil antes, quando soube que meu pai tinha uma nova família eu não dei muita importância, mas não hesitei em stalkear. Passo a olhar suas fotos e publicações, ela é de fato muito bonita, mas ela não deve esperar muito de mim, não é porque iremos morar juntas que seremos irmãs...

-talvez não tenha problema..

Murmuro baixinho, decidindo aceita-la. Chegamos no aeroporto, nosso vôo sai em meia hora. Enquanto esperamos, decido checar novamente a rede social, nenhuma mensagem além das que já vi.

-Eu vou comprar algum lanche, quer comer alguma coisa?

Enquanto sou interrogada pelo meu pai, meu celular notifica uma nova mensagem, por algum motivo e sensação estranha eu sorrio para a tela do smartphone.

-Bianca?

-ãn? Ah, sim!

-E então.. o que vai querer?

-Ah... Cappuccino e Cornetto.

-Certo.

Volto o olhar para o celular, É a Heloísa.

[Heloísa Lombardi]: Ciao, come stai?

Por que será que ela está falando em Italiano? Ela deveria saber que sou fluente em Português.

[Bianca Marinho]: Não precisa falar em italiano, sou fluente em português.

[Heloísa Lombardi]: Que bom, depois daqui eu não saberia como continuar.

[Bianca Marinho]: Haha, você tem humor.

[Heloísa Lombardi]: Rs, eu tento. Mas então... Como você esta?

Antes que eu possa respondê-la meu pai me interrompe para comermos.

-Estava falando com alguém?

-Não, nada importante.

-hunrum... Bianca, eu quero que saiba que estamos muito felizes em receber você, você será acolhida com muito gosto.

-Hmm, obrigada.

Ele está sempre tentando puxar algum assunto comigo, mas fica difícil manter uma conversa com alguém que me faz lembrar da minha dor. Comemos, por algumas vezes ele tenta quebrar o silêncio com algumas palavras, porém não tem tanto efeito e mesmo assim eu decido quebrar o gelo:

-Então... Você tem uma nova filha, não é?

-Bom... Seria uma honra que ela me considerasse dessa forma, mas não é bem assim, no entanto tenho muito carinho e consideração por ela.

-Hunrum... E como ela é?

-Como assim?

-Ah, a sua personalidade...

-Helô é uma garota incrível, esforçada, carismática acho que vocês irão se dar bem, não se preocupe.

-Ela namora? Tem amigos? Do que ela gosta?

Acabo me deixando levar por minhas curiosidades, quando percebo já tenho perguntado coisas sem importância.

-Você parece muito interessada nela.

-Ah, não que eu esteja, mas se vamos morar juntas é normal que eu queira saber um pouco sobre ela, não acha?

-Sim, é claro!

Acho que consegui disfarçar minha estranha empolgação por Heloísa.

    

      Seguimos caminho para o nosso avião, ao embarcar e seguir até nossos assentos percebo a presença uma passageira na poltrona do meio, ela é bonita, olhos verdes meio acinzentados, pele clara cabelo castanho médio ondulados, ela está usando um vestido preto no comprimento da coxa e um sobretudo preto. Aparenta ter a minha idade, ela sorri para mim e em sinal de educação eu sorrio de volta.

A viagem é longa, meu pai adormece na poltrona ao lado da moça, ela começa a me observar (na verdade acho que ela já estava fazendo isso há um bom tempo) e como o esperado ela puxa assunto.

-Você tá indo visitar o Brasil?

-Ah, na verdade estou indo morar lá.. e você?

-Estou indo passar as férias.

-Ah sim, que bacana!

-hunrum... Esta tudo bem?

-hmm.. sim e com você?

-Tem certeza? Você não me parece bem.

-As vezes não precisamos parecer algo para que sejamos.

-Olha só, uma filósofa! Estou realmente honrada por sua presença.

(Rimos juntas)

Ela insiste em conversarmos e eu passo a admirar essa atitude.

-Me chamo Alexia, e você?

-Bianca.

-É um prazer conhecê-la, Bianca.

-O prazer é meu, Alexia.

A formalidade entre nós é um tanto clichê, mas aprecio a ironia que ela tenta impor. Ao decorrer da viagem nós acabamos pegando uma parcela pequena de intimidade, ela tem um humor adorável, nós trocamos de telefone, compartilhei até meu luto com ela, conversamos sobre tudo... De existência humana à piolhos na infância, ela conseguiu me arrancar sorrisos coisa que não tem acontecido nas últimas 72 horas, só não tiramos fotos porquê não é permitido ligar o smartphone, mas de fato ela esta fazendo a minha viagem muito agradável, bem além de minhas expectativas.

    De repente um silêncio agradável se instala entre nós duas, nós ficamos ali se encarando e surge até um sorriso em ambas, eu diria até que senti um clima nos rondar.

-Com quantas garotas você já ficou?

   Alexia quebra o silêncio com uma pergunta que me deixa muito vermelha.

-(risos) Como assim? Eu nunca falei que já havia ficado com garotas.

-Mas, também não negou, então... Quantas?

    Abaixo a cabeça, sorrio envergonhada e completamente sem reação, volto minha atenção para Alexia e sinto aqueles olhos verdes acinzentados me encarar como se já soubesse minhas respostas, seu sorriso de canto transmitia ironia ao mesmo tempo que sentia que ela caçoava de mim. 

  

   Um novo silêncio se instala e dessa vez me sinto um pouco constrangida, mas novamente ela quebra, no entanto dessa vez com um convite um tanto incomum considerando o local que estamos.

-Você pode me acompanhar até o banheiro? Não quero ir sozinha.

-Hunrum... Tudo bem.

Nós nos levantamos e seguimos em direção ao banheiro, no caminho percebemos que basicamente todos os passageiros estão dormindo, fazemos piadas silenciosas com as caretas dos passageiros.

   O banheiro está vazio, Alexia entra e então eu dou de ombros e me viro, entretanto eu sinto sua mão puxar-me para dentro do sanitário, fico surpresa e um arrepio passa por todo o meu corpo quando ela tranca a porta e me encurrala entre os seus braços e a saída do banheiro.

Uma de suas mãos desce até minha cintura e com a outra ela segura o meu rosto enquanto me encara esperando por minha reação. Meu coração começa a bater mais forte e ao sentir a adrenalina que aquela situação está me passando, eu inclino meu rosto para o dela, fecho meus olhos lentamente enquanto a puxo para mais perto de mim na expectativa que ela continue o que começou. Logo os seus lábios encontram os meus, suas mãos começam a passear pelo meu corpo e aquele momento vai ficando cada vez mais intenso, ela retira meu sobretudo e a seguindo eu retiro o dela, nossos corpos ficam cada vez mais entrelaçados, passeio com minhas mãos pelo corpo dela, eu a desejo... Suas mãos ágeis começam a desabotoar meu jeans. Meu corpo implora para que eu me entregue ao momento, mas minha consciência me pede para ser racional e não fazer nada que eu possa me arrepender futuramente. Qual eu devo dar ouvidos? Minha consciência ou ao meu corpo? Seja qual for a resposta eu preciso me apressar...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...