História A Filha do Xerife - ROSES - Capítulo 3


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Categorias The Walking Dead
Personagens Carl Grimes, Daryl Dixon, Lori Grimes, Maggie Greene, Merle Dixon, Personagens Originais, Rick Grimes
Tags Daryl Dixon, Norman Reedus, Rick Grimes, Shelley Hennig, The Walking Dead
Visualizações 373
Palavras 4.621
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiii pessoal venho nesse domingo postar pra vc mais um cap. Boa leitura.

Capítulo 3 - Descobrindo a verdade


Fanfic / Fanfiction A Filha do Xerife - ROSES - Capítulo 3 - Descobrindo a verdade

                                                                                               

               ♡Paloma Grimes♡

    Ohio, Orrville -Novembro -2004

 

 

 

 

Eu saio sorrateira do meu quarto, já arrumada com roupas de frio, como se fosse ir a faculdade. A intenção é não encontrar com ninguém durante o meu trajeto até a porta de saída, para evitar sustos, conversas e questionários, que me dedurariam. Ainda mais, tendo Lori Grimes como mãe.

Passei pelo corredor dos quartos, com tudo quieto e desci as escadas devagarinho, evitando fazer qualquer tipo de barulho.

Chegando no térreo e no assoalho de madeira, minha missão passa a ser atravessar a cozinha e a sala de estar, que era uma de frente para outra.

Estava tudo dando muito certo pra ser verdade, sem ninguém aparentemente nos cômodos, mas mesmo assim, eu estava sendo super cautelosa. Pra que?

-Onde vai a essa hora? -Quase morro, literalmente de susto, com meu pai que estava sentado tranquilo, tomando seu café puro. 


Pude sentir o cheiro.


Me viro de frente para ele, que agia como se nada tivesse acontecido e meu quase ataque cardíaco não fosse nada.

-À faculdade... -Tenho um pouco de dificuldade na fala, mas sai sem travamentos.

-A essa hora? -Ele checa o relógio de pulso em seu braço.  -São 6h da manhã.

-É que eu tenho assuntos para resolver antes. -Digo, evitando gaguejar. Sou péssima em mentir.

-Tudo bem. Não vai tomar café? -Aponta a mesa tentadora, com bolo de abacaxi e suco da mesma fruta.

-Sem fome. -Digo e ele me chama com o dedo, sorrindo e eu vou receosa.

-Vai com cuidado por ai. -Meu pai beija meu rosto e eu me sinto mal por ter mentido para ele.

Rick Grimes é uma das melhores pessoas que eu já conheci. Super integro e bondoso. O tipo de pessoa que me inspira para o melhor. Meu adorado pai, que me criou com todo amor do mundo. Tenho certeza que ele ama a mim e a Carl, mas comigo, meu pai é diferente. Como se eu fosse sua melhor joia, ao contrario do que Lori parecia sentir.

Não que meu pai não ligasse para Carl. Ele ama o baixinho, mas eu sentia que ele me admira, como eu o admiro e isso formava uma conexão inexplicável entre nós.

Sigo para fora, agora um pouco mais tranquila, mas com a consciência pesada. Entro no meu carro quentinho. Ainda não sabia o endereço da casa da tal da Jade, mas vejo no cartão. Orrville, Ohio. Dou partida no carro e sigo até essa direção.

A estrada estava completamente nebulosa e gelada. Como já dirigia por um bom período de tempo, já estava quase na cidade.

De primeira, eu sabia que aquilo ia dar errado, mas eu resolvi parar em um bar de beira de estrada, para saciar uma sede terrível e comer alguma coisa.

A aparência daquele lugar, só pelo lado de fora, já me espantava e dizia "Não entre Paloma", mas eu precisava de água e comida, então corri o risco. Abrindo a porta da frente, só a primeira vista, eu senti foi um nojo do local e segundo, que todos ali me olharam como se eu fosse uma alienígena.

Vou caminhando lentamente até o balcão para ser atendida, completamente constrangida. A mulher que estava do outro lado parecia uma prostituta, ao invés de balconista. Só pelo seu modo de se vestir.

-Poderia me vender uma garrafa d’agua? -A mulher ergue uma sobrancelha e os homens fazem comentários, que não me interessa saber do que se trata.

-São US$0,80. -Dou o dinheiro e ela me dá a garrafa d’agua que eu pedi. -Mais alguma coisa?

-Gostaria de uma fatia de torta de morango... -Olho ao redor, vendo homens completamente nojentos observando minhas curvas ocultas pelo casaco. -...pra viagem.

A mulher assente e vai preparar o embrulho, me entregando em um minuto, como quem diz, "se manda logo, antes que as coisas piorem pro seu lado".

Sem titubear, eu saio do balcão e me direciono a saída mais próxima do local. Só tento mesmo, porque um cara com porte alto barra a minha passagem.

-Já tá indo, gracinha? -Que sujeito mais nojento, parecia que não tomava banho a um mês.

Não consigo responder, aquela situação me deu pavor. Ele tenta segurar em mim, mas eu no instinto, passo por debaixo de suas pernas grandes e saio pela porta, correndo desesperadamente.

Eu corro como se não houvesse amanhã até meu o carro, com eles no meu encalço tentando me pegar. Entro no veículo, trancando tudo e tento dar partida, mas meu carro parece ter afogado.

Entro em pânico, mas alguém parece ter acalmado os homens do lado de fora e agora batia no meu vidro, com um semblante tranquilo e um sorriso debochado.

Era um homem com aparência de meia idade, olhos azuis bonitos e chamativos, cabelos castanhos enrolados e jeito irônico de ser, falar e agir. O tipo que gosta de dar encima escrachadamente de uma mulher e que não possuía o mínimo de decência.

Abro apenas uma fresta do vidro e ele começa a falar, enquanto segurava o riso, que eu não entendia bem o porquê de estar ali.

-Não vou te machucar, garota. Me deixe ajudar! -Ele parecia convincente. Apenas abaixei mais o vidro, para conversarmos melhor.

-Como vou saber que é só isso? -Pego um canivete embaixo do banco e ponho na minha bota, caso alguma emergência.

-Eu condeno estupros, moça e pelo seu jeito de patricinha da cidade grande, não acho que vai querer algo comigo. -Diz sério, pela primeira vez, durante toda a nossa conversa.

-Não vou abrir o carro. -Digo decidida e ele sorri novamente.

-Pelo visto ainda não confia, né. Tudo bem! -Ele manda beijo debochado. -Qual o problema ai? -Ele tira os olhos de mim e passa a observar o painel, se debruçando na janela do carro.

-Acho que o carro perdeu carga. -Digo e ele observa mais o carro, com um semblante bem sério, o que eu acho raro vir de um homem como ele.

-Deixou algo ligado quando saiu?

-Não. -Digo receosa, pronta para pegar o canivete na bota direita.

-Tenta ligar novamente. -Eu faço e meu carro liga, como se não houvesse nada. -Pelo visto está tudo ótimo.

-Como? -Fico confusa, olhando todo o painel em busca de algo.

-Estava tão nervosa, que não conseguiu dar partida. -Ele ri da minha cara.

-Obrigada. -Sou educada, afinal, mesmo ele sendo um debochado, ele me ajudou.

-Não precisa agradecer e a propósito, sou Merle. -Sorrio para ele, entendendo o modo sugestivo e dou partida no carro, continuando meu caminho.


            

               ~♡~



Em uma hora, eu cheguei na cidade da Jade. Era bem bonitinha, por sinal. Bem como Cynthiana, mas o duro seria achar a casa da cartomante.

Parei o carro ao lado de um café, com médio movimento, onde um funcionário jogava o lixo fora. Ele se espantou de primeira, ao me ver ali, mas depois relaxou e voltou ao seu trabalho.

-Senhor, pode me dar uma informação? -Ele concorda e começa a prestar atenção. -Conhece essa mulher e sabe onde fica esse endereço? -Mostro o cartãozinho.

-Claro! A cartomante Jade. Ela mora naquela rua, na casa azul. -Aponta a rua, que não era longe. -Mas ela não dá mais consultas.

-Como assim? -Fico decepcionada.

-Dizem, que depois que a filha dela foi embora, ela não foi mais a mesma e até parou de dar consultas. -O rapaz sorri fraco, percebendo o meu desanimo.

-Meu deus! -Coloco a cabeça no volante, pensando na viagem perdida que eu fiz.

-Já que está aqui, se eu fosse você tentava. De repente ela abre uma exceção.

-Acha possível? -A esperança retorna com tudo.

-Acho. Vai lá! -Sorrimos um para o outro.

-Obrigada! -Dou partida no carro, em direção a rua, esperando que ela resolva parte desse meu problema.

Já de cara, eu posso ver a casa azul da cartomante, com bancos brancos na varanda. Estaciono em frente, com calma e saio do carro, pegando a minha bolsa.

Fico receosa em tocar a campainha, afinal, como eu me apresentaria? Mas eu já estava na chuva, então eu vou me molhar por completo e tirar proveito disso. Não demora muito e uma mulher me atende.

É bem bonita, com trajes ciganos, cabelos castanhos e olhos na mesma cor. Com um jeito de agir, como se já tivesse me visto algum dia.

-Eu estou procurando a Jade. -Digo e ela abre espaço para que eu entre, sem ao menos perguntar quem eu sou.

-Eu sou a Jade. -Olho para ela sorrindo e pensando como vou pedir para ela me ajudar. -É um prazer conhece-la, Paloma.

-Como sabe meu nome? -Perco o sorriso e fico assustada.

-Eu te vi no meu futuro. Não precisa se assustar. Venha comigo! -Ela me guia até um cômodo muito bem decorado da casa, com uma mesa média redonda no centro, própria para o que ela fazia. -Sente-se! -Aponta a cadeira e eu me sento. -Agora diga-me...o que lhe trouxe aqui?

A mulher se apoiou com os cotovelos na mesa, parecendo observar minha alma e minhas reações físicas. Eu me sentia intimidada, mas não ia desistir daquilo por nada.

-Uma amiga minha da faculdade, Demétria, recomendou você. Foi ela quem falou de mim, né? -Sorrio e a expressão da Jade se mantem a mesma.

-Como eu disse, quem me mostrou você foi as cartas e eu não falo há muito tempo com a minha filha. -Tomo um soco no estomago.

-Demétria é sua filha? -Jade concorda. -Sinto muito...

-Coisas de família...o pai dela ficou doente e morreu. Demétria me culpa por não ter intercedido e salvado a vida dele, mas o que ela não entende, é que não havia chance, a morte já estava no futuro dele.

-Ela é cabeça dura. -Jade sorri.

-Bom...vamos ao que interessa. O que te trouxe aqui?

-Um sonho estranho, repetindo quase todas as noites. -Tenho calafrios, só de tocar no assunto.

-O que tem nesse sonho? -Jade estava interessada no assunto, pelo incrível que pareça.

-Vejo eu e mais dois homens. Um eu sentia que amava incondicionalmente e o outro eu detestava, tinha asco, mas mesmo assim eu me sentia presa a ele. No final disso tudo, o homem que eu desprezava mata o que eu amava. -Engulo um seco terrível.

-Entendo...-Jade se ajeita na cadeira. -A minha interpretação, é que isso tem haver com seu passado. Você viu rostos?

-Não, mas como assim passado? -Estou totalmente confusa com tudo.

-Dizem que todos nós reencarnamos e eu acho que você viu a sua vida passada, de certa forma. -Não era possível. Eu sou cética o suficiente, para entender que esse tipo de coisa não existe.

-Não acredito nessas coisas. -Estou firme e Jade sorri de lado.

-Eu já esperava, mas vamos as cartas. -Ela começa a embaralhar o montinho e deixa encima da mesa, em uma pilha única entre nós duas. -Ponha a mão encima delas e depois separe em três montes. -Faço, enquanto ela me observava atenta. -Bom...cada monte representa seu passado, presente e futuro. -Ela aponta para cada montinho, enquanto fala. -Cada carta vai contar sua historia. Pode tirar a primeira. -Eu tiro e ela começa a contar. -Isso simboliza uma agonia extrema em sua alma jovem. Alguma coisa no seu passado te agoniava muito.

-Esse pesadelo me deixa agoniada, toda vez que tenho. -Digo, lembrando a sensação horrorosa.

-Você só sente o que sentia naquela época. Tire as outras! -Continuo fazendo, tirando mais cinco. -Casamento. Continuando a história. Você estava casada com o homem que você odeia no sonho e isso te causava angustia extrema. Você não queria isso de forma alguma.

-Acha que fui forçada a casar? -Faço a pergunta mais retórica desse mundo e ao mesmo tempo, me sinto estranha perguntando isso. -Quero dizer, a outra.

-É você, só que séculos atrás. E sim, é possível. Vejo século XIX e nessa época, as mulheres eram tratadas diferente. -Jade sorri. -Agora veio o amor. Essa carta representa o homem que você viu sendo morto em seu sonho. Você o amava e mesmo depois de casada, se encontrava com ele para manter o amor de vocês vivo e também por saudade. -Jade fica séria do nada, vendo as outras cartas sobrepostas na mesa.

-Algum problema? -Pergunto muito preocupada, a despertando de um transe estranho.

-Eu leio louco, filho homem e morte, finalizando o ciclo com a morte. Isso tem algum significado pra você?

-No sonho eu me matei, acho que estando grávida. -Lembro do cabo da adaga. -Por que disso, Jade?

-Você interrompeu um ciclo planejado pelo criador, inocentemente. -Começo a me espantar. -Seu marido te fez de prisioneira, num momento de loucura. Esse bebê que estavam em seu ventre, era do homem que foi morto, mas seu marido ia mata-lo quando nascesse. Você viu uma oportunidade de acabar com a sua agonia e a do seu filho, se matando, mas antes, pediu a Deus para se reencontrar com seu grande amor. Seu marido viu a cena, antes que você, ou a outra você, enfiasse a adaga no coração e morresse.

-Agora todo aquele pesadelo faz sentido. -Me levanto, segurando o choro. -Como consegue ler isso? É muito sofrimento.

-Não estou sozinha e não se culpe. Isso tudo foi no passado. -Jade toca meu ombro e agora percebo que ela está de pé.

-O que mais vem? -Pergunto, limpando um lagrima solitária que representava a dor do meu peito, por saber daquelas coisas todas e ainda ter mais para ouvir.

-Pode parar, se quiser. -Jade seca minhas outras lagrimas. -Não vou deixar você me pagar pela consulta mesmo.

-Claro que vai! -Fico ofendida, afinal ela nem me conhecia e já estava fazendo esses tipos de favores.

-Prometi que não cobraria mais por consulta, se minha filha voltasse a pelo menos conversar comigo. -Eu estava triste por ela. Não sabia os motivos de Demétria, então não podia julga-la.

-Eu vim até aqui e vou até o fim. Obrigada por tudo. -Ela sorri e voltamos aos nossos lugares.

Jade me deu um copo de água bem gelado e retirou as cartas do meu passado da mesa, restando apenas o presente e o futuro para se ler.

Ela estava de olho nas minhas reações, talvez com medo do que eu faria com isso depois. Mas eu não ia me destruir. É séc. XXI, essas coisa de casamento forçado não existem mais.

De certo modo, eu queria saber tudo e até um pouco mais sobre minha vida passada. Por mais estranho que seja, eu quero saber quem são os dois homens.

-Bom...depois de tudo que vimos, eu meio que imagino a primeira carta do seu presente. -Jade agora parecia curiosa e bem mais cautelosa comigo. -Tire filha! -Faço, com medo da minha resposta. -Como já previa...a reiteração.

-Como assim reiteração? -Olho para ela e a carta, tentando entender o que aquilo tinha a ver comigo.

-A história se repete. -Acho que meus olhos quase pulam de orbita. -Você vai encontrar os dois homens do seu sonho e se você não ficar esperta, tudo que aconteceu, vai acontecer de novo.

-Como vou saber quem são?

-Não vai saber. Vai sentir. Tire as outras! -Eu faço, com meu medo indo embora de vez. -Lendo tudo de uma vez. Você vai descobrir coisas, que era para ficar no sigilo absoluto e isso desencardirá problemas em sua vida, mas a melhor parte, vai descobrir quem está realmente do seu lado e quem é o homem misterioso dos seus sonhos.

-E o meu futuro? -Pergunto ansiosa.

-Tire! -Tiro as cartas e ela olha confusa para a mesa. -Está embaralhado.

-O quê?

-Seu futuro não está definido. Só uma mudança drástica na sua vida. Não tem mais nada pra ler de você. -Jade começa a juntar tudo, como se a sessão tivesse acabado.

-Como vou lidar com isso a parti de hoje, com tudo que eu sei? -Seguro as mão dela, que me olha complacente. -Esses sonhos vão embora?

-Vai aprender a lidar, Paloma e vai ser feliz. -Ela diz e eu sorrio. -Não terá mais esses sonhos. Agora que sabe a verdade.

-Não tenho como te agradecer. Prometo tentar abrir os olhos da Demi.

-Obrigada menina. -Nos levantamos e nos abraçamos fortemente.

Nunca me senti tão acolhida e entendida, como naquele momento e acho que Jade também sentiu isso, pelo modo que retribuiu o abraço.

Nós comemos a torta que eu trouxe, com um café e depois calmamente, Jade me leva até a porta. Conversávamos muito, como se fossemos velhas amigas. O que era meio estranho, contando que tínhamos nos conhecido a meio dia.

-Prometo voltar. -Digo, já do lado de fora da casa.

-Eu sei que vai, mas Paloma, tome cuidado. Isso só foi o começo da verdadeira historia. -Tive um calafrio quando ela disse isso, mas deixei quieto.

-Obrigada Jade. -Desço as escadas da varanda e entro no meu carro.

Antes de dar partida no veículo, eu dou uma última olhada. Me senti triste, por ter que ir embora e ao mesmo tempo confiante e realizada, por saber o que se passa comigo.

Quando o carro começou a se mover, a vejo pelo retrovisor sorrindo para mim. Dou uma buzinada e acelero mais o carro, em um ritmo, que em alguns segundo, não se via mais a casa.

Em três horas, eu parei na frente da minha casa. Eu saio do carro e o tranco. Entro em casa e vejo só minha mãe na cozinha, mexendo com comida.

-Nossa, nem te vimos sair hoje. -Minha mãe diz, de costas para mim e eu sinto um cheiro expendido saindo das panelas. -Estou fazendo o jantar.

-Meu pai já chegou? -Pergunto, enquanto me sento na bancada.

-Não senta ai, Paloma!! E seu pai ainda está no trabalho. Vai chegar tarde hoje. -Lori reclama e eu saio da bancada direto para  a geladeira. -Não vai esperar o jantar?

-Vou. Quando estiver pronto me chama. Eu vou adiantar uns exercícios da faculdade. -Ela concorda e eu subo para o meu quarto, com um copo de água na mão.

Fecho a porta atrás de mim e respiro fundo. Foi um longo dia. Deixo o copo na mesinha do lado da minha cama e entro no banheiro. Tomo um delicioso banho quente, lavando minha alma por completo. Acho que fiquei mais de meia hora colocando a cabeça no lugar, enquanto a água caia sobre minha cabeça.

Volto para o meu quarto de toalha e coloco o pijama mais confortável que eu tinha disponível. Sento na minha cama, olhando pro nada e refletindo minha vida.

O cansaço me domina bem rápido e quando vejo, já estou deitada e enrolada nas cobertas. Não demorara muito e eu perco a consciência, mergulhando em um sono gostoso.

 


             ~♡~


Kentucky

 

Acordo com uma luz baixa do sol no rosto e uma presença de alguém na minha cama, me abraçando por traz. De vagar me viro, vendo um pequeno Grimes deitado e ressonando tranquilamente.

Sorrio para mim mesma e ajeito ele melhor na cama, para que Carl fique confortável. Desço para pegar café da manhã no primeiro andar, dando de cara com o silêncio e a brisa fria, vinda da janela escondida da cozinha.

Não achei ninguém no primeiro andar da casa. Apenas peguei alguns potes com serial matinal, que eu e Carl disputávamos, e subo de volta para o quarto.

Meu irmãozinho se movia na cama e de repente abre os olhos, me vendo ali na porta de pé. Ele apenas se senta e fica me olhando dar a volta na cama.

-Já acordou tampinha? -Passo o recipiente para ele, que come calado. -O que aconteceu para você vir dormir comigo?

-Eu tive um pesadélo. -Eu abraço Carl carinhosamente e ele não reclama. -Fui pro quarto do papai e da mamãe, mas a pota tava trancada e tinha sons estranhos vindo de dento. -Sorrio, segurando a risada. Entendendo "os sons estranhos". -Acha que eles não queriam ficar comigo?

-Não foi isso, Carl. É só que eles não sabiam o que tinha acontecido, sabe. -Ele concorda e a gente se afasta. -Não tem escolinha hoje?

-Conselho de classe. -Dá de ombros, como se não importasse a escolinha. -Não tem aula.

-Entendi. -Meu celular começa a tocar alto. Um som que eu já estava enjoada de ouvir.

Atravesso a cama desanimada e pego o aparelho nas mãos, percebendo um número que eu não conhecia. Tenho um pequeno receio em atender, mas logo faço, quando Carl questiona o porquê que eu não atendia logo.


-Alô? -Sento na cama, esperando o outro lado responder.

-Bom dia! Eu sou Antony Gohan, da Universidade de Harvard e gostaria de falar, com Srtª Paloma Evelyn Grimes. –A voz masculina estava tranquila do outro lado e eu quase tive um ataque, com uma das melhores universidades dos Estados unidos me ligando.

-Sou eu. -Digo tremula e Carl fica sem entender nada, enquanto saboreia seu cereal.

-Que bom que conseguimos falar com a Senhorita. Gostaríamos de conversar sobre as possibilidades da Senhorita aderir a nossa Universidade. -Quase surto. Harvard é um sonho.

-Claro! Que horas e onde? -Faltava pouco eu soltar fogos de artificio.

-Como é uma programa patrocinado pela sua universidade, nos encontraremos nela, às 13h30. Tudo certo para a senhorita?

-Estarei lá. Grata. -Desligo celular, respirando fundo. Muito tempo de esforço valeu a pena.


-Vai sair? -Carl abre a boquinha cheia de cereal colorido.

-Sim. Quer ir comigo? -Estou tão animada e feliz, que nem me importo de leva-lo comigo.

-Quero. -Carl deixa totalmente aparente sua animação.

-Então vai acordar a mamãe, para se arrumar. -Ele corre com o pote na mão e eu corro também, para me arrumar.

Entro no banheiro, fazendo minhas higienes o mais rápido e perfeito que eu posso. No banheiro mesmo, seco meu cabelo, fazendo um babyliss e finalizo tudo com uma singela maquiagem, de batom nude e delineador.

Sigo apressada para o closet, onde tiro um simples vestido preto formal e combino com um cinto da mesma cor. Para finalizar, ponho uma bota cano curto marrom e um cardigã também preto. Antes de sair do quarto, pego minhas coisas e respiro fundo.

Desço as escadas rápido, procurando por Carl e meus pais estavam com carinhas bem felizes. Só por isso, deduzo o que houve na noite passada e o que Carl ouviu. E falando nele, ele estava conversando com nosso pai, bem feliz.

-Tá pronto tampinha? -Deixo a minha vasilha encima da mesa e toco o ombro de Carl. -Já to indo.

-To ponto sim. -Ele levanta, atropelando as palavras e ficando meu lado todo rapazinho.

-Ei! Onde vocês vão? -Meu pai me olha e segura minha mão.

-Vou na faculdade e resolvi levar o Carl para passear comigo. -Sorrio.

-Toma cuidado, querida! -Minha mãe me abraça e depois aperta Carl, me dando o casaco dele para segurar.

-Tchau gente! -Dou um beijo no rosto do meu pai e sigo caminhando com Carl até o carro.

 


              ~♡~

 


Horas dirigindo e eu chego no meu destino. O caminho inteiro foi bem animado, comigo conversando e cantando, com um garoto de quatro anos. Meu irmãozinho estava super animado, talvez por nunca ter vindo aqui.

Saímos com calma do meu carro. A todo minuto eu segurei a mão de Carl, em modo de proteção. Mesmo que a Universidade tenha seguranças por toda parte, ela ainda está sujeita a violências e raptos.

Tento evitar as meninas de todas as maneira e vou direto na secretaria. Lá, eles me mandam para uma sala, onde se encontrava um homem e uma mulher, ambos muito bem arrumados.

-Boa tarde Srtª Grimes. –A mulher aperta minha mão, parecendo lisonjeada, mas se espanta com Carl colado na minha cintura. -É um prazer tê-la aqui conosco hoje.

-O prazer é meu. -O homem se aproxima de mim.

-Olá Senhorita Grimes. Foi eu quem conversei hoje com a senhorita. -Ele aperta minha mão.

-Claro e muito obrigada. Não sei se vou ser digna dessa enorme oportunidade. -Nos direcionamos para as cadeiras e nos sentamos.

-É sobre isso. Você é uma das mais inteligentes da sua faixa etária. Muitas universidades estão interessadas em você, mas só nós tomamos a decisão de oferecer uma bolsa de estudos integral, até o doutorado. -Ele me passa uns documentos. -Harvard está interessada na senhorita e uma empresa de advocacia está querendo lhe oferecer um estagio. Tenho certeza que com o seu intelecto, pode se tornar uma grande advogada.

-Obrigada, eu irei aceitar. Harvard é um sonho para qualquer estudante. -Eles sorriem.

-Bem, Paloma. Eu sou Karoline e trouxe todos os documentos, tanto para aderir ao estagio, quanto para o curso. Pode pedir o tempo que quiser para pensar. -Antony me passa outros papeis.

-Eu aceito. -Digo com certeza.

-Só precisamos que a senhorita leve a certidão de nascimento na segunda, para finalizar a inscrição. Já temos sua ficha. -Antony diz, parecendo feliz de eu ter aceitado.

-Claro, sem problema. -Digo, juntando os documentos.

-É um lindo rapazinho. -Karoline chama minha atenção.

-É meu irmão. -Digo, percebendo a surpresa dela. Talvez ela ache que Carl é meu filho.

-Então...te vemos na segunda de manhã, na universidade. -Antony corta o assunto e aperta minha mão.

Depois disso, eu e Carl vamos embora da faculdade. Entramos no carro e eu levo o menino no parque da cidade, para tomar sorvete. Depois que compramos, sentamos para conversar em um banco de praça.

-Você vai se mudar, Paloma? -Pergunta inocente. -Papai diz, que quem vai pra faculdade, se muda.

-Vou sim, amor. Harvard fica muito longe, não dá pra ficar indo e voltando.

-Mas a gente nunca mais vai te ver? -Ele estava quase chorando e aquilo partiu meu coração.

-Claro que vão! No natal, ano novo, eu vou vir para casa. Vou manter contato. -Carl sorri e a gente se abraça.

Depois de muito conversar e se divertir, tomando quilos de sorvete, eu resolvo que já é hora de voltar para casa e adiantar minha nova vida.

Pelo caminho, lembro-me da certidão. Por algum motivo, meus pais nunca deixaram eu tocar nela. Eu também nunca me importei antes, mas agora me importo, minha estadia em Harvard depende dela.

Carl reclamava o tempo todo, que queria ir na frente. Eu ria do modo que ele se achava adulto e o corrigia, dizendo que ele é apenas uma criança.

Chegamos rápido em casa, onde não tinha ninguém em nenhum cômodo. Carl correu direto pro seu quarto, para brincar e eu fui procurar minha certidão no quarto dos meus pais. Sei que é errado mexer nas coisas dos outros, mas sei que se eu pedisse, eles iam me negar.

Dei de cara com uma gaveta trancada, mas consegui abrir com um grampo de cabelo. A gaveta de documentos estava bagunçada e com muito custo, achei uma pasta branca, com minha certidão dentro. Quando puxei o papel plastificado, caiu outro papel bem velho, que dizia "programa de adoção".

De primeira, eu pensei ser brincadeira, ou nada de importante, mas eu me espantei com o que eu li.

          

              Programa de Adoção

Secretaria de proteção ao menor e                Catedral Católica de Fort Wayne, Indiana.

 

Pedido de adoção, sobre a menor Evelyn, para Lori Eliza Martin Grimes e Rick Eliot Grimes. Sobre todos os direitos e deveres impostos pela lei. O Juiz Walter Swan, autoriza a adoção.

 

Eu fico em choque total, ao terminar de ler aquilo. Em momento nenhum pensei que fosse adotada, que não tivesse vindo das pessoas que eu chamo de pais.

Ao mesmo tempo que estou confusa, eu estou com raiva. Ninguém tinha o direito de esconder o meu passado e minha origem. Podiam ter contado que eu era adotada, eu iria entender, mas agora é tarde. 

Só isso veio na minha mente, antes que eu caísse no chão chorando. Lembranças das palavra de Jade ecoando na minha mente sem parar e só uma coisa a pensar.

-Eu sou adotada.


Notas Finais


Forte bomba. Não se preocupem, as coisas so tendem a piorar kkkk comentem até o proximo


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