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História A Flor da Esperança - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Pesadelo Real


Viu os amigos morrendo, um por um, mas não podia gritar e muito menos agir. Se sentia um inútil, a agonia e o aperto no coração foi aumentando até que acordou assustado. Estava aliviado por estar ali naquela barraca e não no campo, se sentia seguro de alguma forma.

_ Bom dia - Ino cumprimentou animada e o ajudou a sentar - É o momento em que me deseja bom dia também, mas tudo bem. Desde que os medicamentos chegaram parece que tem tido sonos mais pesados.

_ Eu preferia o sono leve, não tinha pesadelos.

_ Posso cortar os medicamentos, mas vai voltar a sentir dor.

_ Consigo sobreviver aos pesadelos.

_ A maioria dos soldados sofrem de pesadelos ou insônia por aqui. Não há uma cura, mas costumo dizer que não tinha como ter acontecido diferente, porque sei que se sentem culpados por tudo.

_ Nunca participou de um confronto, apenas recebe os resultados deles, não tem como saber como nos sentimos.

_ Tem razão, eu não sei como, mas sei como é perder pessoas para guerra e também sei como é sonhar com gritos de dor e homens deformados por explosões - Ela tinha os olhos marejados, tudo o que Gaara queria era pedir desculpas, mas não conseguia - Sente alguma dor?

_ Não, eu estou bem.

Olhou para a entrada da tenda e pode ver que o dia estava bonito e ensolarado.

_ Quer dar uma volta? - A mesma perguntou e Gaara a olhou confuso.

_ Posso?

_ Sim, posso levá-lo para almoçar com os outros hoje - O ruivo coçou a barba se sentindo incomodado com ela - E posso dar um jeito nisso também.

_ Não é o seu trabalho.

A mesma suspirou. Gaara parecia sempre esquivo e mal humorado nos últimos dias, se perguntava se ele era assim o tempo inteiro e o cara que achava que havia conhecido não existia.

_ Não conseguiria contar nas mãos o número de barbas que já cortei por aqui.

A mesma usou uma tesoura para cortar boa parte da barba. Tentava não corar com o fato do ruivo não desviar os olhos dela nem por um segundo.

_ Vou tirar o resto - Falou tirando uma faca do tornozelo.

_ Não sabia que andava por aí armada.

_ Mulheres correm riscos até em acampamentos aliados. Pode levantar o rosto? - Ele acatou.

_ Já precisou usá-la em alguém?

_ Não, normalmente estou segura. Meu melhor amigo me acompanhava o tempo inteiro temendo que eu não pudesse me defender, e homens temem homens. Agora estou vulnerável, mas não ando além do refeitório e da enfermaria.

_ Sinto muito. Seu amigo está bem?

_ Ele está.

_ Então hoje poderemos ir além do refeitório.

_ Uma enfermeira e um soldado ferido não deveriam andar mais que o necessário.

_ Mas homens temem homens, por isso iremos além do refeitório, se algo acontecer eu te protejo e você me protege - Sorriu ao ouvi-lo, ele parecia mais bem humorado.

_ Porque ficou tão chato esses últimos dias? - Ele hesitou um pouco antes de falar.

_ Mais tarde eu te conto, eu ficaria constrangido de falar com tanta gente aqui na barraca.

Voltaram a ficar em silêncio e pouco tempo depois o ruivo estava com a aparência que preferia, Ino tinha que admitir que ele. Ficava melhor sem a barba.

_ E sabe cortar cabelo masculino?

_ Posso tentar.

Mais tarde, a passos lentos, os dois caminhavam até o refeitório. Gaara estava satisfeito com o cabelo bem mais curto, era um pouco vaidoso, por isso, andar como um náufrago o deixava mal humorado e, além disso, não se importaria em sempre receber toda atenção que havia recebido da Yamanaka todos os dias. No refeitório comeram em silêncio até Sakura se aproximar e as duas começarem a falar sobre qualquer assunto que achassem necessário no momento, depois os dois caminharam até uma rocha alta onde se encostaram para aproveitar o sol do fim da tarde.

_ Estamos sozinhos agora - Falou aguardando Gaara contar o que havia acontecido.

_ Me interessei por você - Foi direto. Ino arregalou os olhos surpresa - Mas não se preocupe. Não costumo ficar interessado dessa forma, tenho certeza que são os hormônios de um cara que não faz sexo a bastante tempo.

_ Bem... Não devia falar sobre sexo comigo, eu ainda sou uma moça - Ela disse constrangida e o ruivo achou fofo.

_ Estamos sozinhos aqui, podemos falar sobre qualquer coisa, ninguém irá nos julgar.

_ Tentou me afastar então.

_ Eu não me esforcei muito, mas pensei que era uma boa ideia. Gosto da sua companhia, quero aproveitá-la enquanto durar.

Gaara não notou, mas Ino tinha vontade de chorar. Não era o primeiro homem que se interessava por ela dessa forma. Lembrava muito bem do francês Sai que omitia a esposa e os filhos, ficou sabendo apenas porque Shikamaru a alertou. Sentia falta do melhor amigo.

_ Eu prefiro que nossa relação seja apenas enfermeira e paciente.

Gaara a encarou estudando as feições da mesma. Normalmente a Yamanaka tinha um riso fácil e seus olhos tinham um brilho brincalhão, mas não naquele momento, ela estava completamente séria e parecia odia-lo.

_ Eu nunca a ofenderia, Ino. Estou sendo sincero porque te respeito.

_ Quer uma medalha por fazer o mínimo?

_ Não, quero que entenda que não suportaria te magoar.

Ela deixou várias lágrimas caírem e passou a soluçar, o ruivo se aproximou e a abraçou, Ino tentou empurrá-lo mas não queria se afastar de verdade.

_ O que está acontecendo, Ino?

_ Meu pai morreu e tudo dói tanto. 

Ela falou com tanta mágoa que o ruivo entendeu que havia sido recente e a envolveu de forma protetora.

_ Chore, ninguém está olhando e eu estou aqui, não vou me afastar.

_ Eu disse, Gaara... Disse que ele não podia ir a essa guerra. Não depois da morte do meu irmão - Ela continuou soluçando - E agora Shikamaru foi embora, eu acho que não posso suportar tudo isso.

Se perguntou se Shikamaru era o general com quem Ino tinha um caso, mas sabia que não era da sua conta e não pretendia falar sobre o assunto.

_ Pode suportar qualquer coisa sozinha, é uma mulher forte e não precisa que outras pessoas te digam isso.

Quando voltaram para a enfermaria estava tarde. Ino se sentia envergonhada por ter explodido na frente do ingles.

_ Se apoie em mim - Ino falou na hora de ajudá-lo a deitar na maca, o mesmo o fez. Havia notado que a loira estava pensativa.

_ O que houve, Ino?

_ Desculpa por surtar daquele jeito.

_ O que acontece na pedra fica na pedra, não é mesmo?

Sorriu pegando os remédios do ruivo.

_ É valioso para mim, Gaara - Admitiu tirando um sorriso do ingles.

Queria dizer que a única coisa que o motivava a abrir os olhos todos os dias era ela, mas preferiu ficar em silêncio e guardar o momento para si mesmo.

--

_ Pelo menos ele foi sincero - A Haruno comentou enquanto as duas dividiam o pacote de salgadinhos no fundo da tenda dos feridos.

_ Eu queria que as coisas fossem mais fáceis, queria beijá-lo e ouvi-lo dizer que sou a mulher da vida dele.

_ Ah, Ino! Pode beijá-lo se quiser, não é como se não pudesse mais casar de branco após alguns beijinhos.

_ Mas se eu beijá-lo ele vai partir meu coração. Está praticamente curado e quando não precisar mais dos meus cuidados irá imediatamente para França e eu nunca mais voltarei a vê-lo. Não quero mais chorar, muito menos por homens que nunca sofreriam o mesmo por mim.

_ Mas vai chorar de qualquer jeito - A Haruno arrancou o pacote de salgadinhos da mão da amiga - Sei que não há um dia que fica sem ir até a maca dele com a desculpa de enfermeira atenciosa.

_ Não me acuse dessa forma! É importante trocar as bandagens para que não pegue uma infecção... Ouviu isso? - Ino perguntou de repente. Sakura ficou em silêncio tentando entender o que a amiga havia escutado e em poucos segundos foi possível ouvir barulhos de tiros e explosões.

As duas se encararam em pânico sabendo que o terror iria começar.


Notas Finais


Hum, sinto momentos de tensão vindo.
Aguardando feedback, adorei os do capítulo passado!


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