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História A Força Que Nos Atrai - Capítulo 18


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Notas do Autor


E aí pessoas? Quero começar agradecendo a todos que comentaram no capítulo anterior. E dizer que estamos chegando no clímax da história. Ela não será muito grande o que infelizmente me faz ter que dizer que estamos se aproximando do final.
Espero que gostem desse capítulo e até o próximo.

Capítulo 18 - Regina


— Preciso fazer uma parada para comprar fraldas. Espero que não tenha problema — disse Emma, estacionando o carro em frente a um mercado vinte e quatro horas.

— Está bem.

Ela entrou apressada. Depois de alguns minutos, saiu do mercado, colocou as sacolas no porta-malas e voltou para o carro.

— Muito bem — disse, engatando a marcha. — Qual é o caminho até a cabana?

— O quê?

— Perguntei o caminho. Para visitar a árvore da sua mãe.

Senti um aperto no peito. Olhei para Emma, paralisada, as palavras ecoando em minha mente.

— O quê? De jeito nenhum, Emma. Você já está atrasada com o livro, e não consigo nem imaginar você dirigindo para tão longe só para...

— Regina Hope Mills.

— Sim, Emma Norah Swan?

— Você nunca passou um feriado sem visitar a sua mãe, certo?

— Certo.

— Então... Qual é o caminho?

Fechei os olhos e senti meu coração acelerar ao me dar conta de que Emma não ia desistir tão fácil. Eu não tinha dito uma palavra sequer sobre o quanto lamentava não ver minha mãe naquele dia. Não tinha dito nada sobre o quanto havia sido difícil presenciar o amor que Susie e Karla sentiam por Mary. Uma lágrima rolou por meu rosto, e um sorriso se formou em meus lábios.

— Pode pegar a rodovia 43 na direção norte por duas horas.

— Perfeito — disse ela, saindo do estacionamento. Quando abri os olhos, olhei de relance para Talon, que dormia no banco de trás, e levei as mãos ao pingente em forma de coração.

Quando chegamos, tudo estava um completo breu, até eu ligar a extensão na tomada que havia do lado de fora da cabana. A árvore se iluminou com as pequenas lâmpadas brancas que Zelena e eu havíamos pendurado nela em dezembro, quando a visitamos no Natal. Fui até ela e parei, observando as luzes piscarem. Eu me sentei no chão e entrelacei as mãos. Observar aqueles belos galhos me trazia um misto de tristeza e felicidade. Tristeza porque cada dia que ela crescia representava um dia sem a minha mãe, e isso era muito doloroso. E felicidade porque eu adorava vê-la na primavera, quando estava começando a florescer.

— Ela é linda — elogiou Emma, aproximando-se com Talon aconchegada em seu colo.

— Não é?

— A filha tem a quem puxar.

— A neta também.

Ela tirou um pacote de balas de alcaçuz de dentro do bolso do casaco, fazendo meu coração quase parar de bater.

— Você comprou isso quando foi ao mercado? — perguntei.

— Só queria que o dia de hoje fosse bom para você.

— Está sendo — respondi, emocionada com a gentileza dela. — Está sendo um ótimo dia.

Ficamos ali por alguns minutos, observando, respirando, existindo. Até que Emma pegou o celular e colocou “Rise Up”, de Andra Day, para tocar.

— Você disse que ela ia gostar.

Mais uma vez, comecei a chorar.

Foi maravilhoso.

— Somos amigas, Regina? — perguntou Emma.

Eu me virei para ela, o coração acelerado.

— Sim.

— Então posso contar um segredo?

— Sim, é claro. Qualquer coisa.

— Depois que eu contar isso a você, preciso que finja que eu nunca disse nada, está bem? Se eu não falar agora, tenho medo de que o sentimento cresça e me deixe ainda mais confusa do que estou. Então, depois que eu contar meu segredo, preciso que você volte a ser minha amiga, porque essa amizade me torna uma pessoa melhor. Você faz de mim um ser humano melhor.

— Emma...

Ela se virou e colocou Talon para dormir no bebê conforto.

— Só me diga uma coisa. Você sente algo? Você sente algo mais do que amizade quando eu faço isso?

Ela segurou minha mão.

Nervosismo.

Emma chegou mais perto, e nossos corpos ficaram mais próximos do que nunca.

— Você sente algo quando eu faço isso? — sussurrou ela, acariciando meu rosto com as costas da mão. Fechei os olhos.

Arrepios.

As breves expirações de Emma pairavam sobre os meus lábios, misturando-se ao ar que eu inspirava. Eu não podia abrir os olhos, porque, se fizesse isso, veria seus lábios e, então, desejaria ficar ainda mais perto dela.

Eu não podia abrir os olhos, porque eu mal conseguiria respirar.

— Sente alguma coisa quando estamos assim, tão perto uma do outra? — perguntou ela com suavidade.

Excitação.

Abri os olhos e pisquei uma vez.

— Sim, sinto.

Uma onda de alívio percorreu o corpo dela, que tirou dois pedaços de papel do bolso de trás da calça.

— Fiz duas listas ontem. Fiquei sentada o dia todo, enumerando todas as razões pelas quais eu não deveria me sentir dessa forma com relação a você, e essa lista é longa. Coloquei nela todos os detalhes, todos os motivos pelos quais esse sentimento, qualquer que seja ele, é uma má ideia.

— Entendo, Emma. Você não precisa se explicar. Sei que não podemos...

— Não, espere. Ainda tem a outra lista. É menor, muito menor, mas nela tentei não ser tão racional. Tentei ser como você.

— Como eu? O que isso quer dizer?

— Tentei sentir. Imaginei como seria ser feliz, e acho que você é a definição de felicidade. — Os olhos claros dela encontraram os meus, e Emma pigarreou duas vezes. — Tentei listar as coisas boas da minha vida, além da Talon, é claro. É uma lista pequena, de verdade, só tem dois itens até agora e, estranhamente, começa e termina com você.

Meu coração estava disparado, minha cabeça girava mais rápido a cada segundo.

— Eu e eu? — perguntei, sentindo o calor do corpo dela. Senti as palavras dela acariciando a minha pele e se entranhando profundamente em minha alma.

Os dedos de Emma percorreram meu pescoço.

— Você e você.

— Mas... — Lily pensei. — Não podemos.

— Eu sei. É por isso que, depois que eu te contar essa última coisa, preciso que você finja que somos apenas amigas. Preciso que esqueça tudo o que eu disse essa noite. Mas primeiro preciso te contar isso.

— O que é, Emma?

Ela se afastou lentamente de mim e encarou as luzes que piscavam na árvore. Eu a observei enquanto ela movia os lábios bem devagar.

— Estar perto de você provoca algo estranho em mim, algo que não acontecia havia muito tempo.

— O que é?

Emma segurou a minha mão e a levou ao seu peito, e as palavras seguintes foram proferidas num sussurro.

— Meu coração começa a bater de novo.


                         *********


— Está tudo bem entre nós? — perguntou Emma alguns dias depois da Páscoa, quando eu a levava ao aeroporto.

 O editor precisava que ela fosse a Nova York para conceder algumas entrevistas e fazer sessões de autógrafos. Ela vinha adiando essas viagens desde o nascimento de Talon, mas agora estava sendo compelida a comparecer a alguns eventos. Era a primeira vez que passaria o fim de semana longe da filha, e eu sabia que ela estava nervosa por causa da separação.

 — Quero dizer, depois da nossa conversa na outra noite?

Sorri e fiz que sim com a cabeça.

— Está tudo bem, de verdade.

Era mentira.

Desde que ela revelou os sentimentos que habitavam seu coração, eu não conseguia parar de pensar nisso. Mas como ela tinha sido corajosa o suficiente para ser um pouco como eu, permitindo que suas emoções viessem à tona naquela noite, eu estava me forçando a ser mais como Emma, tentando manter as minhas sob controle. Eu me perguntava se ela tinha sido assim a vida toda, se havia lidado com seus sentimentos sempre às escondidas.

— Tudo bem.

Quando chegamos ao aeroporto, saí do carro para ajudá-la com as malas. Tirei Talon do bebê conforto, e Emma a abraçou bem apertado. Os olhos dela ficaram marejados.

— São só três dias — eu disse a ela.

— Sim, eu sei, é que... — Sua voz falhou, e ela beijou a testa de Talon. — Ela é tudo para mim.

Ah, Emma Bell.

Era muito difícil não se apaixonar por ela.

— Se você precisar de qualquer coisa, de dia ou de noite, me ligue. Quero dizer, vou ligar sempre entre um compromisso e outro. — Ela fez uma pausa. — Você acha que eu deveria cancelar e ficar em casa? Ela teve febre essa manhã.

Eu ri.

— Emma, você não pode cancelar seus compromissos. Vá trabalhar e depois volte para nós. — Fiquei em silêncio por um instante ao perceber o que tinha dito e dei um meio-sorriso. — Volte para sua filha.

Ela assentiu e beijou a testa dela mais uma vez.

— Obrigada, Regina, por tudo. Não confio em muitas pessoas, mas confio em você para cuidar do meu mundo. — Ela tocou de leve o meu braço antes de me entregar Talon e partir.

No instante em que a coloquei no bebê conforto, ela começou a gritar, e fiz de tudo para acalmá-la.

— Eu sei, mocinha. — Afivelei o cinto de Talon e beijei sua testa. — Vou sentir falta dela também.


                             *********


No dia seguinte, Zel me convidou para dar uma volta de bicicleta, mas, como eu estava com Talon, fizemos apenas uma caminhada com ela no carrinho.

— Ela é simplesmente linda — disse minha irmã, sorrindo para a sobrinha.

— Tem os olhos da nossa mãe, assim como a Lily, não é?

— Ah, sim, e a insolência da nossa mãe também. — Eu ri enquanto seguíamos para o começo da pista de caminhada. — Estou contente por finalmente passarmos um tempo juntas, Zel. Parece que, apesar de morarmos no mesmo apartamento, mal consigo te ver. Nem cheguei a perguntar como foi o encontro com Sarah.

— Eu não a vi — disse ela de repente, fazendo-me parar.

— O quê?

— Ela não estava na cidade — confessou, nervosa, sem conseguir me encarar.

— Como assim, Zelena? Você esteve fora todo o fim de semana. Onde estava?

— Com Robin — respondeu ela de forma casual, como se suas palavras não tivessem a capacidade de lhe fazer mal.

— Desculpe, como é?

— Já tem algum tempo, ele foi à Monet de novo quando você não estava, e eu concordei em vê-lo. Temos nos falado há alguns meses.

Meses?

— Você está zangada.

— Você mentiu para mim. Desde quando mentimos uma para a outra?

— Eu sabia que você não aprovaria, mas ele queria conversar comigo.

— Conversar? — repeti, a raiva crescendo dentro de mim. — O que ele teria para conversar com você? — Zelena baixou a cabeça e começou a fazer desenhos no chão com o tênis. — Fala sério, ele quer voltar para você, não é?

— É complicado.

— Como assim? Ele abandonou você durante o pior momento da sua vida, e agora, quando você está no seu melhor, ele quer voltar?

— Ele é meu marido.

— Ex-marido.

Ela hesitou por um instante.

— Nunca assinei os papéis.

Meu coração se estilhaçou.

— Você me disse...

— Eu sei! — gritou ela, passando as mãos pelo cabelo e andando de um lado para o outro. — Sei que eu disse que tinha acabado, e acabou. Na minha cabeça, eu tinha colocado um ponto final no casamento, mas... nunca assinei os papéis.

— Você só pode estar brincando, Zelena. Ele te abandonou quando você estava com câncer.

— Mesmo assim...

— Não. Sem “mesmo assim”. Ele não merece mais uma chance, e você mentiu para mim sobre estar divorciada! Para mim! Você deveria ser minha amiga, Florzinha. Deveríamos ser capazes de contar tudo uma para a outra, mas esse tempo todo a gente tem vivido uma mentira. Sabe o que a nossa mãe sempre disse sobre mentir? Se você precisa mentir sobre algo é porque provavelmente não deveria estar fazendo isso.

— Por favor, não cite a nossa mãe agora, Gina.

— Você tem que deixá-lo, Zel. Fisicamente, emocionalmente e mentalmente. Ele faz mal a você. Nada de bom virá disso.

— Você não faz ideia de como é estar casada com alguém! — disse ela, elevando o tom de voz. Zel nunca levantava a voz.

— Mas eu faço ideia de como é ser respeitada! Céus, não acredito que você mentiu esse tempo todo.

— Sinto muito por ter mentido, mas, se é para sermos sinceras, você não tem sido a pessoa mais honesta do mundo ultimamente.

— O quê?

— Eu me refiro a isso — disse ela, gesticulando em direção a Talon. — Toda essa história com a Emma é esquisita. Por que você está cuidando da filha dela? É óbvio que ela já está grande o suficiente para que ela cuide dela sozinha ou sei lá, contrate uma babá. Diga a verdade: por que você ainda está lá?

Senti um frio na barriga.

— Zel, isso não é a mesma coisa...

— É exatamente a mesma coisa! Você diz que estou em um casamento sem amor porque sou fraca e que está furiosa comigo porque menti, mas você tem mentido não só para mim, mas também para si mesma. Você continua a ajudá-la porque está apaixonada por ela.

— Pare com isso.

— Você está apaixonada por ela.

Fiquei de queixo caído.

— Zel... nesse momento, não estamos falando de mim ou da Emma ou de qualquer outra coisa. Estamos falando de você. Você está cometendo um grande erro. Não é saudável e...

— Vou voltar para minha casa.

— O quê? — indaguei, chocada. — Aquela não é a sua casa. Eu sou a sua casa. Nós somos a nossa casa.

— Robin acha que reconstruir o nosso casamento será bom para nós.

Que casamento?

— Zelena, ele procurou você depois de você estar em remissão por dois anos. Ele ficou esperando para ver se o câncer voltaria. Ele é uma cobra.

— Pare! — gritou ela, sacudindo as mãos em sinal de irritação. — Apenas pare. Ele é meu marido, Regina, e vou voltar a morar com ele. — A voz de Zel ficou embargada. — Não quero terminar como ela.

— Ela quem?

— Nossa mãe. Ela morreu sozinha porque nunca deixou que nenhum homem se aproximasse o suficiente para amá-la. Não quero morrer sem ser amada.

— Ele não te ama, Florzinha...

— Mas pode amar. Acho que se eu mudar um pouquinho, se me tornar uma esposa melhor...

— Você foi a melhor esposa que podia, Zel Você fez tudo por ele.

As lágrimas rolavam pelo rosto dela.

— Então por que eu não fui o suficiente naquela época? Robin está me dando outra chance, e posso fazer melhor dessa vez.

A rapidez com que minha raiva se transformou em pura tristeza por minha irmã foi surpreendente.

— Zel... — eu disse com suavidade.

— Maktub. — Ela olhou para a tatuagem no pulso.

— Não faça isso. — Balancei a cabeça, mais magoada do que ela poderia imaginar. — Não deturpe a nossa palavra.

— Isso quer dizer que tudo está escrito, Regina. Que tudo o que acontece tinha que acontecer, não somente o que é da sua vontade. Você não pode aceitar somente as coisas boas na vida. Você deve aceitar tudo.

— Não, isso não é verdade. Se uma bala de revólver está vindo na sua direção e você tem tempo suficiente para se desviar dela, não deve ficar simplesmente parada esperando que ela te atinja. Você sai do caminho, Zelena.

— Meu casamento não é uma bala. Não é a minha morte. É a minha vida.

— Você está cometendo um grande erro — sussurrei, arrasada.

— Talvez, mas é o meu erro, assim como o seu com Emma. — Ela cruzou os braços e estremeceu, como se uma brisa fria tivesse passado por ela. — Eu não queria ter que contar isso desse jeito, mas... estou contente que saiba. Meu contrato de aluguel vai vencer em breve, então você terá que procurar um lugar para morar. Olha... nós ainda podemos fazer nossa caminhada se você quiser, para esfriar a cabeça.

— Quer saber, Zelena? Prefiro não fazer.

A coisa mais difícil da vida era assistir a um ente querido caminhando diretamente para as chamas e não poder fazer nada além de se sentar e vê-lo se queimar.


                            *********


— Você vai ficar com a gente — sugeriu Emma pelo Facetime no hotel, em Nova York.

— Não, não seja boba. Vou começar a procurar um lugar assim que você voltar, em dois dias. Vou encontrar algo.

— Então, até lá, você fica com a gente, sem desculpas. Está tudo bem. Minha casa é bem grande. Mas eu sinto muito pela Zelena.

Estremeci ao pensar em tudo aquilo, na ideia de vê-la voltando para o Robin.

— Não entendo. Como ela pôde perdoá-lo?

— A solidão é mentirosa. — Emma se sentou na beirada da cama. — É tóxica e fatal na maior parte do tempo. Faz as pessoas acreditarem que estão melhores na companhia do diabo do que sozinhas, porque, de alguma forma, estar sozinho é um fracasso, é não ser bom o suficiente para os outros. Então, o veneno da solidão se infiltra, e as pessoas começam a pensar que qualquer tipo de atenção deve ser amor. O falso amor que é construído com base na solidão não tem como crescer. Eu mesmo deveria saber disso. Estive sozinha durante toda a minha vida.

— Odeio isso. — Suspirei. — Odeio que você tenha transformado a raiva que estou sentindo pela minha irmã em vontade de abraçá-la.

Ela riu.

— Desculpe. Eu posso xingá-la se você qui... — Ela estreitou os olhos por um instante. Notei o pânico em seu rosto instantaneamente. — Regina recebi uma mensagem, vou ter que ligar depois.

— Está tudo bem?

Ela desligou antes que eu recebesse uma resposta.



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