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História A Fuga do Príncipe L.S - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oi genteee, tá aqui o capítulo dois e eu queria avisar que os trechos em itálico são lembranças do passado ok?? Boa leitura!!

Capítulo 2 - Acte Deux - Soulagement Après La Peur


Fanfic / Fanfiction A Fuga do Príncipe L.S - Capítulo 2 - Acte Deux - Soulagement Après La Peur

O alívio após o medo

 

Os aplausos ensurdecedores eram comuns na vida de Harry desde sua primeira apresentação oficial pela Cia.

Madame Clarisse sempre soube que ele seria um destaque, mas o tamanho da fama e apreciação que o jovem bailarino recebia, fazia cada espetáculo ser absurdamente inacreditável, tanto para ela quanto para a plateia. 

Harry brilhava, dançava divinamente qualquer reportório que lhe fosse sugerido, sempre disposto a avançar, se superar, crescer e o reconhecimento mundial que a Cia já tinha havia alcançado seu ápice porque todos os reinos comentavam sobre o jovem bailarino de passos perfeitos.

Ver Harry dançar era um presente para os olhos de qualquer um, a sutileza, leveza e habilidade dele era tão encantadora quanto seu belo sorriso de covinhas e qualquer um que lhe assistia se apaixonava de imediato, a doçura dele era transpassada em seus passos, Harry nascera para aquilo.

Porém, dentro de toda a alegria que Harry sentia por estar realizando seu sonho, havia algo que ele nunca conseguia ignorar, seu coração não lhe deixava esquecer da tortuosa saudade que sentia de casa.

Perdeu as contas do tempo que estava viajando e dançando, conheceu diversos reinos e culturas diferentes, coisas que nem sendo Príncipe tinha tido a oportunidade antes.

Seu sucesso era grande, ele era pedido para se apresentar nos lugares, para reis e condes, e, mesmo com plateias cheias para prestigiá-lo, ele só conseguia desejar sua família ali vendo-o e lhe apoiando.

Sua mãe, se estivesse viva, com certeza estaria cheia de orgulho dele e Gemma também. Talvez seu pai também sentisse orgulho se realmente visse o quanto aquilo lhe fazia bem. 

O balé não só lhe fazia se sentir vivo como também era responsável por manter sua mãe viva dentro de si, porque como ele havia dito para ela, há muitos anos, faria de tudo para seguir os passos dela, mas em seu próprio caminho.

 

Harry estava escondido e torcia muito para ninguém achá-lo, tudo o que ele não precisava era de horas sentados numa cadeira aprendendo sobre a legislação chata do reino.

Era muito, muito melhor, estar ali, escondido no estúdio de dança de sua mãe para vê-la ensaiando, nada deixava Harry mais feliz que aquilo.

No alto de seus quase oito anos, ele já tinha consciência do que gostava e do que não gostava. Balé ele amava, coisas sobre reino, não.

Assistiu em silêncio sua mãe dançar até vê-la se cansar, a esperando pacientemente recolher suas coisas e sair dali.

Quando achou seguro, saiu de seu esconderijo e foi calçar as sapatilhas que Gemma havia lhe dado, ansioso para tentar reproduzir cada passo que viu sua mãe fazendo momentos antes.

Diante do grande espelho, começou a se alongar para então dar início aos passos complexos, tentando corrigir sua postura sempre que algo saia errado, assim como via sua mãe fazer.

—Você precisa olhar para frente, filho. — Harry ouviu sua mãe falar e gelou em seu lugar, ele tinha consciência de que ela sabia que ele não deveria estar ali. — Se ficar olhando para os seus pés perderá o equilíbrio.

Pacientemente, Anne demonstrou como reproduzir o passo que Harry estava tentando fazer, o ensinando perfeitamente.

— Quando dançamos balé, cada parte do nosso corpo tem sua própria função, seus olhos devem encarar quem lhe assiste e seus pés concluem a coreografia, você precisa confiar neles para que tudo seja realizado com êxito.

Harry concordou com a cabeça antes de tentar novamente reproduzir o passo, conseguindo em sua segunda tentativa concluir as voltas em seu eixo na pontas de seu pé direito enquanto o esquerdo flexionava e se esticava em meio aos giros.

— Muito bem, meu amor! Você foi perfeito! — Anne o abraçou com doçura, encantada com o sorriso tímido, porém orgulhoso que Harry dava ao ver que conseguiu reproduzir o passo. — Você tem tanto talento, anjo, eu amo te ver dançar.

— A senhora me vê dançar? — Ele perguntou surpreso, sem se afastar do abraço aconchegante de sua mãe.

— Oh, mas é claro! Eu te espio, assim como eu sei que você me espia. — Anne acariciou o nariz fofinho de Harry antes de continuar, fazendo o pequeno rir. — E sou eu quem dou as dicas para Gemma para ela passar para você, não queria te deixar constrangido.

Harry corou e concordou com a cabeça, vendo sua mãe se sentar no chão e não perdendo tempo para se acomodar entre as pernas dela, a olhando com admiração.

— Eu quero dançar como a senhora, mamãe, eu quero ser um bailarino. — Ele revelou decidido, os olhos brilhando de ansiedade em busca da resposta que iria receber de sua mãe.

Anne sorriu com amor para ele, afagando os cachos compridos enquanto concordava com a cabeça, sentindo o coração cheio de orgulho por seu pequeno.

— Tudo bem, meu amor, se é isso que você quer eu irei te ajudar, certo? — Harry concordou rápido com a cabeça, o coração disparado por saber que finalmente iria treinar como queria, quase não acreditando. — Mas você deve me prometer que pode até seguir os meus passos, porém trilhará seu próprio caminho, tudo bem?

Harry não entendeu o que ela quis dizer, mas concordou sem pensar duas vezes, dizendo em voz alta o que acabara de prometer.

— Seguirei seus passos no meu próprio caminho, eu prometo.

— Meu doce garoto… — Anne beijou o topo da cabeça de Harry quando o abraçou com ternura, sentindo seu amor transbordando naquele abraço singelo, porém repleto de sentimentos bons.

Harry era a criança mais adorável de todo o mundo e Anne o amava perdidamente, seu filho era talentoso e carinhoso e ela o ajudaria até onde pudesse para que ele alcançasse seus objetivos.

 

Lembrar dessa passagem de sua infância era um caminho direto para lembrar-se de Louis, afinal, era ele quem lhe acobertava para dançar e isso também machucava o peito de Harry.

Era tão bom o tempo em que ele dançava tendo o melhor amigo como plateia, Louis sempre fazia questão de assistí-lo e apoiá-lo e, se não fosse pela atitude dele de burlar algumas regras para ensinar Harry sobre todas as matérias que o bailarino perdia quando escapava para ensaiar, ele provavelmente não estaria aonde estava.

Dalilah havia lhe aconselhado a escrever cartas para Louis e Harry amou a ideia, mas, apesar de colocar no papel todas as suas experiências e conquistas para o amado, ele nunca as enviou realmente.

Era arriscado alguém interceptar suas correspondências então ele torcia para que chegasse o dia em que pudesse contar tudo pessoalmente a Louis.

Seu amor por ele não havia mudado e por mais que desejasse que o futuro assessor real estivesse feliz, também desejava que os sentimentos que Louis diversas vezes declarara para si também permanecessem intactos.

A saudade sempre seria o preço mais alto e doloroso que Harry pagaria por seguir seus sonhos, mas no fundo ele sabia que valeria a pena, estava valendo a pena, o sonho estava sendo realizado, a vida estava finalmente dando certo.

***

A frustração de Louis era explícita em suas feições, sempre que ele achava que encontraria Harry, tinha suas expectativas lançadas ao chão, sempre chegava atrasado, nunca se antecipava o bastante.

— Você precisa se acalmar, Louis, nós com certeza vamos conseguir dessa vez. — Liam tentou consolá-lo enquanto seguiam novamente em busca de Harry.

Liam era a única pessoa que Louis confiava para seguir com ele naquela missão, o desespero para encontrar Harry, antes de alguma outra pessoa inconveniente, mal lhe deixava dormir.

Ele não sabia muito bem como as coisas estavam na França desde quando partira, mas pelas correspondências de Gemma, que recebeu ao longo desse um ano fora, ele sabia que nada por lá estava bem.

Desmond permanecia furioso e, na maior parte do tempo, calado e evitava a todo custo citar o nome de Harry.

Gemma, junto de Mark, estava praticamente governando no lugar do Rei e, pelo menos nesse ponto, as coisas iam bem.

Louis tinha medo do que poderia acontecer com Harry quando ele o levasse de volta para França, Desmond parecia tão rancoroso com a atitude do Príncipe que Louis realmente não queria levá-lo de volta para aquele ambiente, não sabia o que esperar do Rei.

Não permitiria que nenhum dano fosse causado a Harry, mas temia mesmo assim as consequências que viriam a ter.

— Vamos ancorar, Louis! — Liam informou com um sorriso empolgado nos lábios. — Teremos sorte dessa vez, eu sei que teremos, afinal, estamos na Terra do Sol Nascente!

Louis acenou com a cabeça e preferiu confiar no otimismo do amigo, pegando o que era importante para descer e vasculhar o novo local que chegara em busca de Harry.

A sorte era essencial, ele sabia disso, e tentava não se apavorar com o fato de que, basicamente, só dependia dela para alcançar um objetivo tão importante como aquele.

***

Harry poderia dizer com propriedade que amava o Japão. Nesse ano que completou com a Cia, viajando e dançando por todo o mundo, poucos lugares lhe pareceram tão lindos quanto aquele país tão distante de sua casa.

As pessoas eram muito simpáticas e educadas ao recebê-los, a comida era diferente de qualquer coisa que Harry já provara em sua vida e o fato de tudo ser tão distinto do que ele estava acostumado lhe encantava cada vez mais.

Foi uma surpresa quando ele foi convidado para comer com o Imperador Japonês antes da apresentação, Madame Clarisse já esperava que isso acontecesse, mas Harry nem mesmo sonhava com essa hipótese e isso lhe deixou tenso durante o tempo todo que se seguiu após a notícia.

— Vista isso, Edward e se apresse, não podemos deixar o Imperador esperando. — Clarisse ditou ao entregar roupas novas a Harry e ele nem teve tempo de responder porque logo em seguida a porta do quarto em que estava hospedado, por insistência do Imperador, foi fechada duramente pela mulher.

Andou até a cama mais baixa que já vira em sua vida antes de ajoelhar-se sobre ela, abrindo o saco que continha suas vestes novas.

A roupa era bonita e sofisticada, do tipo que ele estava acostumado a usar quando vivia como Príncipe. Sorriu com às lembranças do castelo e de como sempre dava um jeito de fugir das solenidades que seu pai fazia, era algo tão rotineiro que nem brigavam mais com suas escapadas.

Não deixou-se demorar nas recordações e logo deu continuidade em sua arrumação, tomando banho antes de vestir-se com as peças devidamente alinhadas.

Uma hora depois ele estava caminhando ao lado de Clarisse, sentindo o coração bater em seu peito de forma acelerada.

Muitas pessoas nobres pediram para lhe conhecer no decorrer de suas apresentações, mas um Imperador era completamente novo para Harry.

— Por favor, entrem, me chamo Kyoko, o Imperador já está aguardando vocês. — Uma moça bonita, vestida em um kimono vermelho de detalhes dourados os recepcionou, dando passagem para que os dois entrassem no castelo da maior autoridade do Japão.

Seguindo o costume da cultura oriental, deixaram seus sapatos próximos à entrada e seguiram Kyoko até uma bela sala de jantar, diferente das quais Harry estava acostumado, mas ainda assim linda.

A mesa que se estendia era baixa e as poucas pessoas presentes na sala estavam sentadas sobre tatames individuais que serviam como cadeiras e não demorou muito para um jovem vestido impecavelmente com trajes orientais levantar-se para ir até eles, com um sorriso animado lhe tomando a face. — Que honra recebê-los aqui, sou Katsuragi III, o Imperador do Japão. Fico muito feliz por conhecer uma pessoa tão talentosa como você.

— É um prazer conhecê-lo, muito obrigado. — Harry o cumprimentou educadamente, com uma reverência, tímido por ser elogiado pela figura mais importante daquele país.

Ele não esperava que o Imperador fosse tão jovem, mas definitivamente era inegável sua simpatia e honestidade por se ver feliz em recebê-lo.

Harry foi guiado, junto de Clarisse, até a extremidade da mesa, distante da porta de entrada e corou quando ouviu de Katsuragi que era ali que os convidados mais importantes deveriam se sentar.

Sentado sob seus calcanhares e ainda com o rosto quente por ter tanta atenção sobre si, Harry pôde olhar com mais calma para as outras pessoas presentes na refeição e sentiu um incômodo imediato quando, um rapaz ruivo chamado Afons Diederik, lhe foi apresentado como Príncipe da Holanda, sendo encarado por ele mais do que o normal.

O olhar ficcionado e nada discreto fez Harry pensar que o rapaz poderia estar incomodado com o fato de um simples bailarino ter tanta importância para um Imperador, mas, bem, Harry não poderia agradar a todos e o tal Príncipe teria que aceitar isso.

Quando a comida foi servida, todos pareciam a vontade para apreciar a refeição farta disposta à mesa, ninguém vendo problema algum de usarem hashis, os palitinhos orientais, como talher.

Harry, que compartilhava uma conversa paralela com Lita, a irmã mais nova de Katsuragi, não percebeu que todos estavam olhando para ele com certo receio.

— O que foi? Eu fiz algo errado? — Ele perguntou visivelmente amedrontado, fazendo Clarisse sorrir ao seu lado.

— Não, Edward, você não fez nada de errado. — Ela o tranquilizou, afagando docemente seu braço. 

— Eu só levantei a questão sobre se, caso você não se sentir a vontade em usar hashis, poderíamos te trazer um talher ocidental. — Katsuragi declarou, o olhando com simpatia. — Sei que os camponeses não têm muito acesso a nossa cultura e hábitos.

— Ah, isso? Está tudo bem, eu sei usar! — Harry sorriu aliviado, pegando com habilidade os dois palitos para provar seu ponto.

— Uau, eu não sabia que camponeses na França aprendiam esse tipo de coisa. — Afons disparou, com um humor rude, fazendo Harry se encolher um pouco.

Ele não gostava de como era encarado por aquele rapaz e aquele comentário serviu apenas para aumentar seu desconforto.

Percebendo que a fala inconveniente serviu apenas para alimentar a curiosidade das pessoas à mesa, Harry apenas deu de ombros timidamente antes de dar sua desculpa para a sua evidente habilidade em utilizar algo que ele, como camponês, não deveria saber, torcendo para ser o suficiente para convencer a todos. — Eu tenho um amigo que trabalha para o Príncipe e ele me ensinou algumas coisas.

Bem, aquilo não deixava de ser verdade, afinal, foi Louis quem lhe ensinou quase tudo que sabia e ele com certeza era seu amigo. A parte de que ele era o Príncipe não precisava ser citada, obviamente.

 

— Lou, essa foi uma péssima ideia, eu não consigo usar essas coisinhas! — Harry protestou emburrado, largando os hashis delicados sobre a mesa.

Louis soltou uma risada baixa e segurou com cuidado a destra de Harry, acariciando os dedos compridos dele. — Bebê, você consegue dar piruetas na ponta dos pés, o que são dois pauzinhos perto disso?

Era adorável o quanto Harry era desastrado sobre qualquer coisa que não envolvesse o balé, ele era como um bebê mesmo, o bebê de Louis independente dos recém completos dezessete anos.

Calmamente, ele voltou a colocar os aparatos entre os dedos de Harry, arrumando as frutas cortadas, que estavam usando para aquela aula, no prato com cuidado.

— Vamos lá, certo? Vamos tentar de novo. — Louis o incentivou, soltando um ofego surpreso quando Harry, após ponderar por poucos segundos, saiu de sua cadeira para se sentar no colo de Louis, acomodando-se ali como se fosse seu trono. — O que está fazendo, Harry?

O Príncipe apenas passou o nariz mansamente pela bochecha de Louis, murmurando sua resposta. — Pegando inspiração para aprender.

Rindo baixo, mas abalado com a aproximação repentina, Louis acariciou a cascata cacheada de Harry antes de lhe abraçar a cintura com a mão livre, deixando a outra junto da de Harry para auxiliá-lo com o hashi. — Seja um bom garoto para mim, hu? Envolva suavemente o morango, não precisa por força, apenas o encaixe entre os hashis e leve-o até sua boca, tudo bem?

Harry sentiu sua mão trêmula diminuir o aperto no hashi enquanto concordava com a cabeça, querendo apenas continuar no colo de Louis e ser agraciado com o carinho gostoso que recebia em sua cintura.

Decidiu que queria ser o melhor para ele e por isso seguiu suas instruções com disciplina, fazendo exatamente o que lhe foi mandado e conseguindo pegar o morango devidamente.

Mordeu o lábio empolgado, mas manteve a concentração para concluir sua tarefa. Porém, ao invés de levar o morango até seus próprios lábios, os levou até os lábios de Louis, ofegando audivelmente quando o viu morder um pedaço da fruta enquanto o encarava nos olhos.

— Perfeito, Príncipe. — Louis sussurrou após mastigar e engolir o que mordera, lambendo os lábios enquanto segurava com os dedos o restante da fruta que não havia comido. — Você é sempre muito bom, sabia?

Harry corou quando sentiu Louis esfregar a metade do morango em seus lábios entreabertos e não demorou para comer obedientemente o restante da fruta, fazendo questão de segurar a mão dele e sugar seus dedos por fim, totalmente dominado pela emoção morna e gostosa que apenas a presença dele trazia. — Obrigado, Lou.

Louis apenas suspirou e deixou um beijo demorado na têmpora de Harry, mantendo o garoto dois anos mais novo que ele num aperto seguro em seu braço. — Acho que sou eu quem devo lhe agradecer, Príncipe.

 

O restante do almoço seguiu sem mais incômodos, Harry interagiu com todos e verdadeiramente apreciou a refeição tão distinta da que estava acostumado.

Sorriu um tanto triste por pensar que queria que Louis estivesse vivendo aquele momento com ele, principalmente por saber o quanto Tomlinson gostava da cultura oriental, mas não teve muito tempo para ficar melancólico porque logo o encontro acabou e ele precisou se preparar para a apresentação que faria mais tarde.

Harry mal via a hora de subir no palco para se apresentar, era apenas dessa forma que ele realmente se sentia a vontade em estar em evidência.

***

Flores de cerejeira eram jogadas no palco quando Harry encerrou sua apresentação. Todos lhe aplaudiam intensamente por conta de sua performance perfeita.

A felicidade por mais uma plateia satisfeita causava uma excitação absurda por todo o corpo de Harry, a adrenalina lhe dominava de tal forma que ele tinha certeza que poderia dançar por mais horas e horas sem parar.

Saiu do palco e foi abraçado por seus companheiros de dança com entusiasmo, sem nunca conseguir deixar de sorrir.

A sensação pós apresentação era sempre deliciosa, Harry quando adentrou seu camarim sentia que precisaria se conter para não dar piruetas pelo local.

Mas, infelizmente, foi a presença de Afons Diederik sentado em sua cadeira e o olhando com diversão que conteve toda a sua animação.

— Bela apresentação, Príncipe. — Ele o saudou numa falsa animação, aumentando seu sorriso quando viu os olhos de Harry se arregalarem.

— Príncipe? Que elogio peculiar. — Ele tentou desconversar, buscando agir o mais naturalmente possível. — Obrigado pela honra.

O holandês gargalhou enquanto se levantava, caminhando até Harry lentamente, divertindo-se com o pavor dele. — Oh Príncipe, não tente me enganar, eu sei bem quem é você, seu pai espalhou retratos seus aos quatro ventos! O cabelo curto é um bom disfarce, mas seu rosto é marcante demais para ser confundido.

Harry se viu paralisado com as palavras de Afons, sentindo-se intimidado com a aproximação dele e percebendo não ter como escapar quando sentiu a parede contra suas costas.

Ele era encarado com diversão e maldade, algo que lhe fazia querer correr daquele homem o mais rápido que pudesse e ele estava se preparando psicologicamente para atacá-lo e escapar de suas garras antes que alguma coisa ruim acontecesse.

— Não, nem pense em fugir, eu tenho homens lá fora esperando por isso e eles não são tão bonitos quanto eu. — Afons declarou debochado, tocando o rosto de Harry e tendo sua mão categoricamente afastada.

— O que você quer de mim? — Harry conseguiu perguntar num ofego, o coração batendo tão rápido quanto quando ele estava dançando.

Diederik alargou o sorriso, como se estivesse apenas esperando aquela pergunta, segurando com força o queixo de Harry apenas para escutá-lo gemer pela intensidade do ato. — De você? Eu quero tudo, principalmente a França. — O olhar confuso em meio a angústia de estar sendo agarrado a força do bailarino fez os olhos de Diederik se iluminarem, negando lento com a cabeça em descrença. — Você não sabe, não é?

Harry usou o momento de confusão para soltar a mão do holandês de seu rosto, o encarando aflito e tentando sair de perto dele, mas sendo segurado pelos ombros.

— Do que você está falando? — Acabou perguntando exasperado, não desistindo de tentar se soltar.

— Seu pai colocou a França a venda. — Afons declarou, colando totalmente seu corpo ao de Harry para aumentar a agonia do Príncipe. — E você, Harry Edward Styles, é a moeda de troca.

Harry sentiu um peso em seu estômago ao ouvir aquelas palavras, negando rápido com a cabeça enquanto tentava afastar o homem de si, os olhos se enchendo de lágrimas. — Do que está falando? Isso é mentira! — Ele bradou, sentindo-se mil vezes pior pelo sorriso maldoso do holandês, que não o soltava de jeito algum.

— Não Príncipe, não estou mentindo. Quem te levar pra casa vai casar com você e governar a França então… — Afons envolveu uma de suas mãos no pescoço de Harry, o sufocando para tentar conter a vontade dele de se afastar. — Você vai embora comigo, futuro marido.

— Não! — Bateu no rosto de Afons quando percebeu que ele pretendia beijá-lo, lutando para afastá-lo de si enquanto as lágrimas molhavam seu rosto.

Nunca imaginou que seu pai poderia fazer algo assim com ele, aquilo era a mais pura crueldade e doía em Harry como uma agressão.

Estava praticamente lutando com Afons em meio ao caos que seus sentimentos se tornaram, as lágrimas eram tantas que ele mal conseguia enxergar o homem à sua frente.

Essa provavelmente foi a razão de Harry não perceber uma movimentação extra no camarim e, segundos depois, Diederik estava no chão após se empurrado fortemente por… — Louis!

Harry não acreditou quando viu o rapaz diante de si, lançando-se em seus braços e sentindo alívio quando foi intensamente abraçado de volta.

— Tá tudo bem Hazz, eu estou aqui, eu estou aqui. — Ele murmurou baixinho para acalmá-lo enquanto matava a saudade do cheiro de Harry, sentindo-se tão feliz por tê-lo encontrado que mal conseguia raciocinar direito.

Segurou o rosto bonito entre suas mãos e encostou suas testas enquanto sorria de alegria, não sabendo como conseguiu aguentar tanto tempo longe do seu garoto.

— Eu senti tanto sua falta, Lou… — Harry declarou choroso, esfregando seu rosto no de Tomlinson por sentir necessidade de ter a barba dele se roçando em sua pele sensível, não importando-se com mais nada ao seu redor. — Eu senti tanto medo…

Ouvir aquela afirmação tirou Louis de seu torpor e ele buscou com o olhar onde estava assediador de Harry, sorrindo quando viu que Liam havia o deixado imobilizado no chão.

— Está tudo bem, eu não vou deixar que nada de mal aconteça com você. — Louis garantiu enquanto afagava os fios curtos de Harry, sorrindo amoroso para ele. — A propósito, você está lindo de cabelo curto.

Harry corou com o elogio, mordendo o lábio inferior timidamente. — Obrigado, Lou.

O clima foi cortado quando Deiderik resolveu se manifestar enquanto tentava se livrar do aperto de Liam, indignado com aquela situação.

— Não sei o que vocês pretendem, mas ele é meu e eu vou levá-lo comigo e governarei a França!

Harry se encolheu com aquela declaração e Louis conteve sua vontade de xingar, mantendo o bailarino protegido em seus braços.

— Harry não é uma mercadoria e ele não vai a lugar algum com você, entendeu?

Antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, Madame Clarisse adentrou o camarim junto do Imperador Katsuragi, sobressaltando-se quando viu Liam prendendo o Príncipe Deiderik contra o chão.

— O que está acontecendo aqui? Esse homem é um Príncipe! — Ela apontou para o holandês, não imaginando porquê estavam agredindo o homem.

Harry arregalou o olhos, não sabendo como explicar aquela situação, quase entrando em desespero. Se Louis não estivesse lhe abraçando com tanta proteção ele provavelmente surtaria ali na frente de todos.

— Desculpem-me por isso, mas esse Príncipe aqui estava agarrando Harry a força. — Liam explicou, não dando indício algum de que iria soltar Afons.

— E quem é Harry? — Clarisse e Katsuragi pareciam confusos e chocados, esperando por uma explicação coerente após fazerem a pergunta em voz alta ao mesmo tempo.

— E-Eu sou Harry. — O bailarino se pronunciou timidamente, sentindo a atenção de todos voltarem para si.

— Como assim? Você se apresentou como Edward! — Madame Clarisse parecia decepcionada e isso fez Harry se encolher mais ainda.

— Ele é Harry Edward Styles, o Príncipe da França! —  Deiderik revelou acusatoriamente, encarando Harry sem piedade. — E ele me pertence agora!

— Você não tocará em nenhum fio de cabelo dele, entendeu? — Louis rosnou, afastando mais ainda Harry do homem imobilizado.

— Perdoe-me, Madame Clarisse, eu menti sobre quem eu sou porque só assim poderia realizar meu sonho. — Harry declarou triste, abaixando seu olhar. — E-Eu só queria dançar.

Louis o confortou carinhosamente, deixando um beijo casto no ombro de Harry.

— Independente de qualquer coisa você me pertence, Harry Styles! — Deiderik declarou enfurecido, sem sucesso em escapar do aperto de Liam. — Eu te achei, eu vou te levar para o seu pai, vou me casar com você e serei o novo rei, quer você queira ou não!

Harry escondeu seu rosto no pescoço de Louis ao ouvir aquelas palavras claramente com medo, o rosto bonito estava manchado pelas lágrimas e aquela cena era capaz de comover qualquer um.

Foi por conta disso que o Imperador se manifestou decidido, aproximando-se mais de toda aquela confusão.

— Senhor Deiderik, eu estou muito desapontado com a sua falta de honra e decência, não interessa quais eram as suas vontades, tratar dessa forma uma pessoa não é justificável em nenhuma hipótese!" Katsuragi declarou, negando lento com a cabeça. — Considere o acordo que fizemos terminado e retire-se do meu país o mais rápido possível, aqui o senhor não tem autoridade alguma!

Guardas do Imperador entraram no camarim após serem chamados e seguraram o holandês no lugar de Liam quando foi dada a ordem, causando ódio no homem inconformado com aquela atitude.

— Como ousa? Eu sou um Príncipe! Ninguém pode me tratar assim! — Ele gritou, tentando se desvencilhar das mãos que lhe prendiam. — Harry vai embora comigo!

— Esse rapaz, Príncipe ou não, está sob a minha responsabilidade e ele não irá em nenhum lugar sem ser com a Cia se é essa é a vontade dele! —  Madame Clarisse determinou, olhando Afons com o nariz empinado. — Não aceito nenhum tipo de ataque a um bailarino meu!

Deiderik foi impedido pelo Imperador de protestar e logo foi levado aos berros para fora do teatro, totalmente furioso.

Harry suspirou aliviado sem se soltar de Louis, se dependesse dele nunca mais largaria o homem.

— Bom, eu acho que vocês precisam conversar em paz então irei me retirar, mandem me chamar caso seja necessário, boa noite.

Com uma reverência o Imperador se retirou e Harry finalmente encarou Clarisse, não sabendo o que esperar da mulher.

Ela o encarou por alguns segundos em silêncio antes de fazer uma reverência, o olhando nos olhos enquanto se pronunciava por fim. — Príncipe, o Imperador está certo, precisamos conversar sobre várias coisas, mas uma delas é a mais importante.

— O que é, senhora? — Harry perguntou com medo e seus dedos tremeram quando ela retirou do bolso da capa bonita que usava por cima de seu vestido uma carta com um emblema que ele conhecia muito bem, lhe entregando lentamente a correspondência.

— O Rei nos convocou para nos apresentarmos para ele, seu talento foi espalhado pelo mundo todo e ele quer conhecer o bailarino tão falado por todos. — Ela explicou enquanto Harry lia com os olhos arregalados o texto da carta, sem conseguir raciocinar direito. — Estamos indo para a França, Príncipe.


Notas Finais


Eu espero que vocês estejam gostando gente!!! Até o próximo capítulo!!!


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