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História A Fúria do Mestre dos Mares - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Transformações


Depois daquele sexo insano, demorou um tempo para que Yuri recuperasse o fôlego e Viktor se recuperasse do susto. Tempo o bastante para que o efeito da magia que havia transformado o tritão em humano tivesse chegado ao fim.

- Ah, essa não... – disse ele.

Vagarosamente, as pernas de Yuri voltaram a sua cor natural, àquele azul turquesa fluorescente que se destacava na escuridão da floresta aquela noite. Sua pele substituiu a maciez pela aspereza de suas escamas que cresciam desde sua cintura até a ponta dos seus pés. No entanto, a pele que envolvia a parte medial de seus membros pareceu derreter e, assim, tal parte amolecida de um lado se unia a do outro, se endurecendo logo em seguida já no seu habitual formato de cauda. As barbatanas nos seus braços e orelhas retornaram, assim como seus dentes pontiagudos e assustadores a Viktor.

O pirata o observava com os olhos arregalados, encarando àquela visão grotesca da sua transformação. Dessa forma, sua tentativa de se acalmar retornou a estaca zero. Muitas das capacidades de Yuri ainda lhe soavam aterrorizantes, como se fossem uma das práticas clandestinas de bruxaria no seu reino. Mas passou pela sua cabeça de que depois daquela transa e das consequências a natureza que ela causara, nada mais o surpreenderia.

- Viktor?

Respondendo seu chamado, o humano o olhou. A chuva forte que caía sobre eles, também resultado do forte orgasmo de Yuri, dificultava sua visão e audição. Percebendo isso, o tritão mirou o céu, mentalizou que parasse de chover, e assim as nuvens fizeram quase que imediatamente.

- Viktor, preciso de um favor. Você precisa me levar até a praia.

- O que? Por que? Você é praticamente um Deus nesse lugar. Não consegue ir sozinho? – os poucos dias que Viktor morava naquela ilha já foram suficientes para perceber que Yuri se apegou intensamente a ele. E dá-lo muita liberdade o faria ficar grudento demais, segundo o pirata.

- O que sugere? Que eu vá rastejando até lá? Não sei se percebeu, mas minhas pernas se foram. Vamos, Viktor. Por favorzinho...

O homem revirou os olhos, principalmente quando o peixe lançou um olhar carinhoso e benevolente. Não viu saídas além de conceder seu pedido. Não era como se tivesse algo melhor para fazer perdido e solitário naquela ilha mágica e bizarra.

Viktor então, levantou-se da terra úmida, tentando afastar o barro que se colou em suas pernas. Recolocou suas roupas, mesmo que molhadas, e posicionou a espada enferrujada que achara logo antes em sua cinta.

- Vem, Yuri.

O tritão ergueu seus braços, assemelhando-se a um bebê humano pedindo por colo. Viktor se agachou, posicionando um de seus braços sob as costas de Yuri e o outro sob sua cauda forte e robusta. Enquanto o carregado envolvia seus braços ao redor do pescoço do pirata, este se levantava, passando a caminhar entre aquelas grandes folhagens e árvores com formatos estranhos. Estava escuro, mas o caminho se iluminava pelo brilho da cauda de Yuri.

O problema nem foi atravessar aquela natureza, pisando descalço naquela lama nojenta e levando folhagem na cara a cada passo que dava. O mais irritante foi sentir a cabeça de Yuri se afundando em seu pescoço, suspirando de paixão cada vez que inspirava o perfume natural e exótico de sua pele de humano. Mas que pé no saco! Que peixinho mais azucrinante! Viktor não estava acostumado com tanto carinho. E quis entender por que teve que se submeter a essa tortura.

- Por que quis voltar a sua forma de tritão? – ele perguntou um tanto ríspido. Se tivesse permanecido com suas pernas, voltaria a pé ao mar e Viktor não precisaria ter que aturá-lo agindo como se fosse uma namorada pegajosa.

- Eu comi um fruto para que pudesse ser humano por um tempo. O efeito dele simplesmente passou.

- Por que não comeu outra dessa fruta, então? Assim teria suas pernas por mais tempo.

- Porque queria que você me carregasse.

Suas palavras soaram tímidas e meigas, enquanto seu abraço se apertava ao redor da nuca no pirata. Viktor detestava essa intimidade. Não era o tipo de humano feito para esse tipo de coisa, tampouco para ser cavalheiro. Mas era um mal necessário. O capitão lhe recompensaria por tamanha valentia em se envolver com aquela criatura mística e supostamente perigosa. Mentalmente, tentou se convencer de que essa agonia seria temporária e que iludir o tritão talvez fosse o melhor caminho por enquanto. Reuniu suas forças para dar um pequeno sorriso a Yuri, que o admirava com olhos brilhantes cheios de ingenuidade e euforia.

À medida que caminhava, ambos se aproximavam cada vez mais da praia. As folhas densas das árvores e dos arbustos vagarosamente davam lugar a um vasto campo de areia fofa e gelada. Quando a água gélida do mar alcançou os joelhos do pirata, ele se agachou mais uma vez, soltando Yuri com cuidado dentro da água.

- Obrigado – disse Yuri. Assim que o humano o deixou dentro do mar, deu meia volta para retornar à praia, sendo rapidamente repreendido – Viktor! Aonde você vai?

- Tentar fazer uma fogueira para me aquecer. Ou quem sabe fazer uma rede de folha de bananeiras para dormir.

- Não quer receber sua surpresa? – Viktor arqueou uma das sobrancelhas, parecendo confuso – Quando pedi para que fizesse sexo humano comigo, disse que lhe mostraria algo legal em troca. Não quer descobrir o que é?

Os olhos gananciosos de Viktor brilharam, curiosos para o que seria.

- É claro! Por que não?

O sorriso afiado de Yuri se abriu.

- Então, espere ai – Yuri torceu seu corpo e mergulhou mais afundo na água. Sem querer, a barbatana de sua cauda espirrou aquele líquido salgado no rosto do Viktor ao pegar impulso, deixando o pirata mais irritado do que já estava. E mais uma vez, mentalizou o fim de toda essa jornada mística para que se acalmasse.

Enquanto isso, Yuri procurava aquelas amoras subaquáticas que, embora azedas e suculentas, eram conhecidas por suas propriedades. Nadou fundo dentro da água, até encontrar o chão do mar. Possuía areia e algumas plantinhas baixas que pareciam formar um grande gramado. Anêmonas que se fixavam nas rochas eram a casa de muitos peixes que adormeciam naquele momento. Estrelas do mar e algas vermelhas proporcionavam um colorido àquela imensidão, assim como alguns peixinhos rebeldes que circulavam por ali. E no meio daquelas foliáceas, Yuri encontrou o que procurava. Fincada entre pequenas pedras, estava a planta que procurava, cujos finos galhos davam suporte as flores, que se pareciam com as de cerejeira do mundo terrestre, e seus pequenos frutos avermelhados e grumosos.

Com seus dentes, Yuri arrancou um galho e já se pôs a nadar de volta a beira da praia. No caminho, deparou-se com Moly, seu cavalo marinho mais fiel.

- Zu za, Moly (Olá, Moly)

- Mi, mi mi?! – ela parecia nervosa pelo sumiço do mestre.

- Vet dayu? Viktor da yah. Belieck bayu ni?! (Onde eu estava? Com Viktor. Acredita que eu e ele nos unimos?)

- MI!!! – gritou assustada.

- Se nach! Nawa prest vet itch (Pois é! Agora vou presenteá-lo com isso) – Yuri a mostrou o galho florido e cheio de frutos ao peixe, que entendeu imediatamente o que aquilo significava.

- Mi, mi.

- Pri miest not shalow, dak vet cerk el (Sei que não acha uma boa ideia, mas farei mesmo assim).

- Mi...

- “Dak” gendo, Moly. Aul terat adju, aul. Vet nou terat   yu na (“Mas” nada, Moly. Vá fazer suas coisas, vá! Eu sei o que estou fazendo).

Já fazia um tempo que Yuri estava irritado com Moly. Ela não gostava de Viktor, e quando Yuri a questionava seus motivos, ela apenas respondia que era sua intuição. Os animais tinham um sexto sentido afinal, e aquela sensação estranha no pequenino peito do cavalo marinho a deixava angustiada. Mas isso não era argumento suficiente para Yuri. Viktor era um humano incrível, diferente de outros da sua espécie. E não tinha por que temer. A solidão era seu único medo, seu único pavor que atormentava seus sonhos quando adormecia. Os peixes, os animais da terra, os pássaros, aquela natureza e tudo ao seu redor eram ótimas companhias, mas não a que Yuri precisava.

O tritão deixou sua fiel súdita para trás, nadando novamente até a areia rasa da praia. Quando colocou sua cabeça para fora da água, viu Viktor a sua espera dentro do mar. Aproximou-se dele, lhe entregando os galhos da planta.

- Ahn... – Viktor questionava um tanto confuso – Era essa a surpresa?

- Coma essas amoras! Elas podem te transformar em um tritão. Você não quer conhecer o meu mundo? Quer descobrir os segredos do fundo do mar?

Viktor quase não acreditou no que havia ouvido. Como não havia pensado que se há uma fruta que transforma seres marinhos em humanos, deveria, portanto, haver uma que fizesse o contrário? O pirata ficou entusiasmado! Contudo, ao se lembrar daquela gosma que se formou entre as pernas de Yuri para que posteriormente se transformassem numa cauda, hesitou.

- É tentador, Yuri. Mas... Eu não sei.

- Hm... Alguém está com medo.

- E-e-eu não estou com medo! – gaguejou.

- Então prove. Não era você o pirata rebelde e valentão?

Provocativo, Yuri mordeu o lábio inferior. Insistiu para que Viktor se alimentasse daquele fruto. Queria mostrar a Viktor suas origens, sua história, os seres com os quais convive. Queria, de certa forma, conquistar o pirata. Quem sabe o humano não gosta do que vê e decide ficar com ele para sempre?! Ao pensar nessa possibilidade, Yuri tentava conter uma euforia que crescia no peito. E por isso, faria de tudo para que Viktor ousasse e experimentasse aquelas amoras. Falaria o que ele quisesse ouvir para que atendesse ao seu pedido.

- Yuri, não acho uma boa ideia. E se eu me afogar? Eu nem sei nadar... – Viktor dava mil e um motivos para não aderir a ideia.

- Poxa, que pena. Eu tinha certeza que você adoraria ver todo o ouro que tem lá embaixo.

Foi quando o olhar de Viktor mudou. Sua ganância estava estampada em seu rosto, mas só Yuri parecia não reparar de tamanha ilusão perante aquele humano.

- Ouro?! Oras, por que não me disse antes, Yuri?

Viktor rapidamente tirou as roupas, a arremessando em direção a terra firme. Agachou-se até que todo seu corpo estivesse sob água. Aproximou os galhos de sua boca, mordiscando as amoras. Era tão azedas que fizeram o rosto do pirata se contrair ao tentar suportar aquele intenso sabor. E depois de alguns segundos, a transformação passou a ocorrer.

- Yuri... Eu estou me sentindo estranho.

Como esperado, parte da pele das pernas de Viktor derreteu, unindo-se uma a outra e formando uma robusta cauda. Guelras surgiram em seu pescoço e uma grande barbatana cresceu em suas costas. Pôde sentir algumas regiões de seu corpo se endurecerem e formarem suas firmes escamas. Seu corpo como um todo se fortaleceu, lhe dando a sensualidade característica de um tritão. Diferente de Yuri, a cor que sua genética lhe deu para suas partes de peixe eram um maravilhoso cor-de-rosa, fazendo Yuri palpitar de tanta beleza perante ele. E um efeito colateral incomum daquele fruto também aconteceu, deixando o veterano tritão curioso. Os cabelos de Viktor cresceram. Suas madeixas grisalhas eram tão longas ao ponto de recaírem sobre seus ombros e seus peitorais.

- Uau! – disse Yuri, aproximando-se de Viktor e tocando seus cabelos – Eu não sabia que isso ia acontecer.

- Vou ter cabelo longo para sempre?

- Não sei. Talvez eles caiam quando voltar a ser uma pessoa normal.

- Vou ficar careca?!

- Há, há, há! Espero que não – Yuri riu da reação do amado, mirando-o com o olhar mais apaixonado de sua existência. Era indescritível observá-lo estando na forma semelhante a ele. Não sentia como se fossem de espécies e mundos diferentes. Sentiu como se fossem iguais. E isso o consolava – E olhe só seus dentes, Viktor, como ficaram pontiagudos. Você está tão lindo...

Enquanto Yuri o admirava, agora ambos na forma de tritão, Viktor se ofegava. Suas mãos tremiam, principalmente ao tocar seu cabelo longo que crescera muitos centímetros em meros segundos. Era estranho não sentir suas pernas, mas sim uma grande cauda, cuja barbatana rosa brincava a beira da água. Incrédulo pela transformação, observava atentamente a palma das mãos, e em seguida seu dorso, em que em sua pele havia escamas e suas unhas estavam afiadas. Levou seus dedos até suas orelhas, que no lugar agora havia longas barbatanas. Sentia-se poderoso naquele corpo forte, já que seus músculos levemente se incharam para serem compatíveis com a força de sua cauda. Além disso, como aquilo era possível? Era inacreditável! Que mundo mágico era aquele que de repente se envolvera? E será que o fundo do mar era tão cheio de riquezas como Yuri havia afirmado?

- Então, vamos nessa? Me mostre todos os segredos do seu mundo, Yuri. Quero saber tudo sobre ele, e também sobre você.

Com tal frase galanteadora do pirata, as bochechas de Yuri coraram enquanto ele sorria. Ambos deram as mãos e Yuri o arrastou em direção ao mar.

- Venha. É por aqui.

Yuri mergulhou, afundando-se na água. Viktor tentou copiar seus movimentos e, dessa forma, adentrou no mundo que tanto cobiçava. 



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