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História A Garota - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Como não odiar um Hatake - Sakura.


Fanfic / Fanfiction A Garota - Capítulo 9 - Como não odiar um Hatake - Sakura.

 

O queixo cai, coração pára, os olhos travam
Eu devo estar sonhando, não desligue o despertador
Sob as luzes, ganhando vida, ela é a emoção da noite

Big Time Rush – Love me Love me

 

 

Fazia tanto tempo que eu não tinha mais aquela sensação de estar morrendo, com uma pressão no peito que parecia que eu estava tendo um infarto, junto do coração acelerado enquanto tentava puxar mais ar do que cabia em meus pulmões.

Não tinha a mínima noção do que tinha desencadeado aquilo, minha mente não conseguia processar nada naquele instante, eu apenas lutava para continuar respirando.

O rapaz parado em minha frente tentando me acalmar, falava de forma bem tranquila enquanto limpava as lágrimas de meu rosto com seus polegares. Eu mal conseguia me lembrar o nome dele, não conseguia focar naquele mero detalhe. Tudo o que eu queria era que aquela sensação ruim passasse logo de uma vez.

Foi quando vi os lábios dele se moverem, como se me sussurrasse o que parecia um pedido de desculpas. Arqueei as sobrancelhas em confusão, até ter a pressão dos lábios dele contra os meus.

Espalmei minhas mãos tremulas contra o peito dele para afasta-lo de mim, mas o mesmo me apertou mais ainda, me forçando a ceder passagem pro beijo. Eu ainda estava com os olhos vidrados em sua expressão serena, enquanto ele insistia em me fazer corresponder. Levei um tempo para que meus lábios finalmente dessem passagem pra sua língua, que invadiu minha boca num beijo quente, senti o gosto de menta em seus lábios com uma mistura de nicotina que eu conhecia bem.

Ah, a abstinência.

Não consegui mais resistir, quando notei por mim, minhas mãos já tinham traçado um caminho até sua nuca, se enroscando nos cabelos dele preso no rabo de cavalo acima de sua cabeça. Minha língua se enroscava na sua, como quem estava traçando uma batalha intensa.

Ele também parecia ter se permitido ceder por completo, já que suas mãos que seguravam meu rosto, desceram para minha cintura e o mesmo se colocou de joelhos entre as minhas pernas. Arranhei sua nuca e seus dedos pressionaram meu quadril com força, me fazendo gemer contra seus lábios.

Oh droga, estava perdendo o controle.

Necessitei de ar naquele instante e o empurrei gentilmente pra longe de mim. Desta vez ele obedeceu e se afastou, com o peito subindo e descendo tão rápido quanto o meu, conforme nossos olhos se encontravam mais uma vez.

Meu coração ainda estava acelerado, mas a sensação de pânico já tinha passado. Meu corpo estava pegando fogo no momento, meu rosto deveria estar tão vermelho quanto os lábios dele devido a pressão do nosso beijo.

- O que...? – Eu mal conseguia processar o questionamento naquele instante.

- Eu precisava fazer você prender a respiração para desligar sua mente do pânico por alguns segundos, essa foi a forma mais eficaz que encontrei, do que parecer um psicopata tentando te matar asfixiada. – Comentou de forma óbvia, enquanto se levantava.

Sua postura mudou rapidamente, como se nada daquilo tivesse acontecido e eu permaneci sentada no chão, como uma completa desorientada.

- Obrigada. – Sussurrei.

- Se sente melhor? – Apenas balancei a cabeça concordando. – Vá lavar seu rosto, eu te espero aqui para acompanha-la até o refeitório, precisa comer alguma coisa.

Eu mal me reconhecia naquele instante, apenas me levantei e o obedeci sem dizer nenhuma palavra, passando por ele e empurrando a porta do banheiro feminino. Praticamente me arrastei até a pia e encarei meu reflexo no espelho, meus cabelos longos estavam um pouco bagunçados, tive de passar os dedos nele para desfazer os nós. Por fim, me curvei sobre a mesma e abri a torneira enchendo minhas mãos com um pouco da agua corrente e jogando contra meu rosto, para afastar os vestígios de que eu andará chorando há poucos minutos.

Ainda sentia os tremores por meu corpo, mas não sabia se era vestígios do ataque de pânico, pelo beijo, ou se pela abstinência que desde que eu chegará naquele lugar, tinha cismado em me perseguir. Pra piorar, o beijo com aquele rapaz tinha me deixado com certa ansiedade, graças ao leve gosto da nicotina em seus lábios.

Dra. Shizune vai realmente me matar.

Peguei umas toalhas de papel e sequei meu rosto rapidamente, encarando minha fisionomia no espelho mais uma vez antes de sair do banheiro. O rapaz, ao qual eu realmente não conseguia me recordar o nome, estava escorado na parede, com uma perna apoiada na mesma e as mãos nos bolsos de sua calça. Ele tinha um estilo tão despojado, que aquele uniforme social não parecia combinar nem um pouco com ele.

- Podemos ir. – Garanti, passando as mãos pela minha saia, só para saber se estava tudo no lugar.

- Tem certeza de que não precisa ir na enfermaria? – Seus olhos escuros me sondaram de cima abaixo, de uma forma que me deixou vagamente sem jeito.

- Não, eu estou bem. – Garanti, já seguindo trajeto para sair do corredor.

O rapaz veio logo em meu encalço e eu me senti constrangida em perguntar seu nome, sabendo que ele tinha dito há pouco tempo. Só que eu não tinha culpa de não estar conseguindo prestar atenção, sem contar que também estava bem envergonhada do meu surto. Tanto tempo sem sentir aquilo, foi acontecer justo agora, justo aqui, longe de todas as pessoas que eu conheço?

Eu precisava encontrar um tempo para ligar pra minha psiquiatra e também tomar os remédios que ela me dera. Lembro que os deixei jogado no fundo de uma das gavetas da cômoda, esperançosa de que não precisaria deles nunca mais.

Doce engano meu.

Assim que chegamos ao refeitório, vários olhares vieram direto na minha direção, talvez fosse pela presença ao meu lado. Ele tinha cara de ser bem popular ali. O mesmo praticamente me escoltou até onde estava a pequena pilha de bandejas, peguei a minha e ele a dele, montando rapidamente com um prato de sopa, pão e uma garrafa de água. Já eu resolvi pegar um prato com peixe grelhado, uma maça e uma caixinha de suco.

Me virei para seguir em direção a mesa aonde estavam as garotas, mas o mesmo me indicou que o seguisse, tomando um caminho contrário e seguindo até a mesa aonde havia o garoto loiro que havia trombado em mim no dia seguinte. Naruto era o seu nome, se eu não estava enganada. Karin que estava sentada logo ao lado dele com uma expressão de paisagem e havia um ruivo do outro lado, bem alto, do tipo que se encaixaria bem num time de basquete.

Me sentei de frente para Naruto que no instante em que me viu, abriu um largo sorriso, o que me fez corar com a forma como seus olhos azuis tão intensos me observavam, e o rapaz que estava comigo, se sentou logo ao meu lado, ficando entre mim e o ruivo.

- Companhia nova, Shikamaru? – O tom do loiro pareceu um pouco evasivo, enquanto ele mal desviava os olhos de mim.

- Eu encontrei com ela no caminho. – O moreno apenas deu de ombros enquanto pegava o pão para começar a comer.

- Quanta falta de educação, Shikamaru. – Karin o repreendeu, me lançando um sorriso amigável. Agradeci a ela mentalmente por finalmente me fazer recordar do nome do meu salvador. – Qualquer pessoa com uma boa educação, apresenta os integrantes da mesa.

- Mas vocês já não se conhecem?

- Não quer dizer que você não tenha que apresentar de maneira formal. – A ruiva retrucou enquanto gesticulava. – Não ligue pra ele, as vezes é bem sonso. Bom, você e eu já nos conhecemos. Mas outros aqui não, esse babaca aqui do meu ado é meu primo Naruto. – Ela apontou pro loiro que tinha um enorme sorriso estampado nos lábios. Ele realmente era bonito, eu não tinha enxergado mal. – E esse caladão aqui é o Juugo, não liga pra cara de mal humorado dele, é um manteiga derretida. – Apontou para o ruivo a sua frente.

- Tão audaciosa, Karin. – O mesmo retrucou pra ela com um olhar tão intenso que eu teria ficado tensa, mas Karin apenas deu de ombros sem se importar.

Abaixei os olhos pra encarar meu prato, mas meu estomago parecia embrulhar com o cheiro daquela comida. Por isso, optei apenas por tomar o suco. Mas ao erguer a caixinha até minha boca, reparei nos olhos azuis do loiro a minha frente, tão fixos em mim, de uma forma tão intensa que meu corpo inteiro pareceu se aquecer.

Sensível.

Aquele beijo tinha me deixado sensível, eu estava reagindo tão fácil a certas coisas.

Bebi um pouco do suco gelado, esperando que o mesmo fizesse efeito em meu corpo, mas foi um pouco difícil. Me remexi incomodada na cadeira, acabando por roçar minha perna contra a de Shikamaru. O mesmo nem me encarou, como se não tivesse sentido, mas eu senti um leve calafrio com o calor do corpo dele tão próximo ao meu.

Kami, não. Não aqui. Eu estava tão bem antes.

- Então, Sakura. Qual curso você está fazendo? – Naruto me questionou com um enorme sorriso no rosto.

Ótimo, pelo menos assim eu poderia me distrair com uma conversa, do que ficar apenas na troca de olhares.

- Medicina.

- Uau, isso parece ser bem complicado.

- Eu gosto, então pra mim é bem simples. – Balancei os ombros levemente.

- Você está no curso avançado do Kakashi-sensei? – Foi Karin quem tomou lugar na conversa. E eu apenas balancei a cabeça concordando – Céus, ele é incrivelmente bonito, mas é um dos professores mais carrasco dessa universidade. Em segundo lugar fica o Shikaku-sensei. – A mesma frisou seus lábios com certa expressão de medo.

Shikamaru lançou um olhar rápido para a mesma assim como Juugo fizera antes, e ela novamente pareceu não se importar.

Shikaku? Por que Shikamaru pareceu tão incomodado ao ouvir o nome do mesmo?

- Shikaku é pai do Shikamaru e é nosso professor no curso de contabilidade. – Naruto sussurrou pra mim, mas todos podiam ouvir com o tom rouco que ele usava. – Eu pensei que ninguém pudesse supera-lo no nível carrasco, mas muitos alunos que abandonaram o curso de medicina do Kakashi-sensei, dizem que ele é pior.

- Meu pai só é um carrasco porque você não gosta de estudar. – Shikamaru rebateu com certo humor.

- E você é um grande nerd. – O loiro rebateu com o mesmo humor, levando os braços cruzados atrás de sua cabeça. – Ei Sakura, o que acha de sair com a gente hoje a noite? – O loiro me encarou mais uma vez, agora com um sorriso de lado, que parecia esconder algum segredo.

- Sair? – Arqueei a sobrancelha em confusão. – Eu pensei que não pudéssemos sair dos perímetros da universidade. – Comentei enquanto tentava me lembrar do manual que me enviaram antes que eu viesse pra cá. Os alunos não poderiam sair sem a permissão dos pais.

- Se você já tiver 21 anos, pode ir aonde quiser. Mas antes disso realmente precisa de permissão dos responsáveis para sair. – Shikamaru explicou sem me encarar, concentrado em terminar sua sopa.

- Alias, nós só vamos nos encontrar embaixo da arquibancada lá no campo de futebol. É algo que fazemos algumas noites para relaxar um pouco dos estudos, uma bebidas contrabandeadas, nada muito ilícito. – Naruto continuou.

- Eu vou tentar aparecer. – Garanti com um leve sorriso.

A conversa continuou com Karin e Naruto combinando de chamar outras pessoas para o encontro, a ruiva sugeriu de chamar Sasuke, o que me deixou levemente tensa, a ultima coisa que eu queria era encara-lo. Ele deveria estar querendo me matar depois do ocorrido, mas Shikamaru, como se lê-se meus pensamentos, disse que não queria o Uchiha em uma reunião que era tão intima para o grupo. A Uzumaki ficou chateada, mas Naruto garantiu que levaria outros amigos, o que pareceu alegrar um pouco a prima.

Juugo foi o único que realmente não abriu a boca, apenas balançava a cabeça concordando com tudo o que diziam, quase como um robô. E Shikamaru ao meu lado, nem me encarava, enquanto que Naruto não desviava os olhos de mim, nem mesmo para responder os outros.

O horário do almoço terminou e eu me retirei primeiro, precisava encontrar o laboratório, aonde teria algumas aulas de anatomia.

Não tive tanta dificuldade assim em encontrar, mas a minha infelicidade veio ao entrar na sala ainda vazia, o primeiro olhar que recebi, foram dos olhos escuros do platinado antipático de mais cedo.

- Olha só, achei que estava com tanta raiva que não apareceria aqui. – Seu tom foi de provocação.

Se não fosse tão gostoso, eu juro por Kami que eu já teria xingado.

Mas a minha raiva não estava tão grande, pelo contrário, meu corpo estava num misto de sentir ódio e calor.

Ah, Shikamaru. O que você fez comigo? Agora eu vou demorar pra me sentir normal novamente.

- Estou dez minutos adiantada. – Comentei ao olhar para o relógio digital gigante acima do quadro branco atrás dele.

- Touché. – Kakashi-senpai estalou a língua no céu da boca. – Depois eu gostaria de conversar com a senhorita a sós sobre seu trabalho de mais cedo. – Ele me encarou de soslaio, conforme eu me sentava em uma das enormes mesas que haviam ali, cheias de tubos de ensaio, bandejas e bisturis.

- Fui tão mal assim? – Torci a boca levemente com certo nervoso. Odiava quando me saia mal em algum trabalho.

- A sós conversamos. – Ele completou, se sentando na cadeira atrás da mesa dele e puxando o mesmo livro de mais cedo debaixo da pilha de livros grossos que haviam ali.

Tentei fazer com que ele falasse, já que realmente estávamos sozinhos ali, mas ele me ignorou totalmente, se mantendo bem concentrado em sua leitura, o que me deixou extremamente raivosa.

Uma enxurrada de sentimentos em um único dia. Só poderiam estar tentando me deixar louca.

Logo as alunas começaram a entrar na sala, Ino e Tenten fizeram grupo comigo durante a aula, aonde Kakashi-senpai nos passou alguns princípios cirúrgicos. Aquela equipe estava extremamente avançada, dois anos de avanço e eu tinha sido jogada ali. O pior foi que o Hatake nem se quer se incomodou se eu poderia estar entendendo aquilo ou não, ele apenas deu suas aplicações e nos passou um novo trabalho. O pior era que as outras duas da minha equipe, não sabiam muita coisa, apesar de estarem naquele curso, estavam por obrigação, o que me fez ter de ralar praticamente sozinha com o trabalho, já que por elas entregariam de qualquer forma. Mas eu me recuso a entregar um trabalho de qualquer forma, ainda mais que não sabia como havia ido no de mais cedo. Precisava caprichar naquele para recuperar algum ponto que tivesse perdido.

Medicina realmente era a minha paixão e eu queria me formar naquilo mais que qualquer coisa em toda a minha vida.

Algo que eu também não pude deixar de reparar, era que noventa por  cento das alunas daquela matéria, davam encima do professor da forma mais descarada possível, desde a tocarem seu braço enquanto ele explicava algo para uma delas, ou praticamente se atirarem encima dele. O mesmo parecia não reparar ou simplesmente as ignorava, o que não impedia que elas continuassem com o show de insinuação que chegava a me dar uma vergonha alheia descarada.

As únicas que não se jogavam encima do Hatake eram Ino e Tenten, que já tinham namorados e em nenhum momento perdiam tempo encarando o professor.

Olha, os namorados dela deveriam ser muita coisa, porque não tinha como não tirar uma casquinha do platinado, nem que fosse só com os olhos.

E por mais que eu também quisesse ficar babando naquele deus grego, precisava terminar o trabalho. Pelo menos Tenten se ofereceu para escrever um pouco, conforme eu ditava e Ino fez a capa, terminamos quando faltava pouco tempo para acabar a aula e eu fui pessoalmente entregar a o Kakashi-senpai que estava em sua mesa mais uma vez, com o livro cobrindo seu rosto.

“Jardim dos amassos”

Foi o que pude ler na capa, o que indicava que aquele livro não era do tipo educativo, pelo menos não no sentido profissional.

Coloquei meu trabalho sobre sua mesa e ele abaixou o livro vagamente para me encarar, apenas isso, não disse uma palavra se quer e eu lhe dei as costas para voltar pra minha mesa.

- Nossa, parece que ele não gosta de você. – Ino constatou assim que me sentei ao seu lado.

- Você acha? – Ironizei, o fato era que ele parecia achar divertido me tirar do sério sem nem esconder dos outros. – Eu acho que meus anos aqui vão ser um inferno. – Choraminguei, cruzando os braços sobre a mesa e apoiando a cabeça.

- Eu queria te dizer que não, mas você está certa. – Ouvi Tenten concordar. – Eu nunca vi ele implicar assim com alguém antes. O que você fez pra ele, Sakura?

Ergui a cabeça para encara-la, desviando os olhos rapidamente para o platinado sentado em sua mesa.

- Eu não sei. – Sussurrei. – Ele me trata assim desde hoje cedo, desde o momento em que pisei na sala dele.

- Bom, talvez ele só não tenha ido com a sua cara mesmo. Acontece. – A loira deu de ombros.

Ótimo, a ultima coisa que eu precisava na minha vida, era um professor de implicância comigo. Sei que ele faria da minha vida um inferno, me ferrando em todos os trabalhos e provas. Era sempre assim, eu sempre irritava alguém sem ao menos ter feito nada.

Também tive problemas parecidos ainda na adolescência, quando estudava em Tokyo.

E pensar que aqueles problemas me renderam muitas horas de terapia durante dois anos.

Só de lembrar eu já sentia os leves tremores de uma crise de pânico que incitava a querer começar. Fechei os olhos e respirei bem fundo, tentando me manter tranquila, não teria Shikamaru ali para me dar outro beijo e eu também não estava afim de ir para a enfermaria.

- Bom, a aula acabou. – Abri os olhos ao ouvir a voz de Kakashi-senpai, o mesmo estava parado logo a frente da sala com uma expressão séria, não que ele realmente tivesse outra desde que o conheci. – Estão todas dispensadas. Menos você, Sakura, você ficará mais um pouco. – E me lançou um olhar estreito, antes de se aproximar de sua mesa novamente.

Tenten e Ino me lançaram um olhar de pena, antes de se retirarem, afirmando que me veriam mais tarde. Outras garotas da sala, passaram pela minha mesa me lançando olhares mortais.

Era só o que me faltava.

Não tenho culpa delas não terem capacidade suficiente para fazer o professor odiar elas.

Essa capacidade era para poucos.

Assim que todas saíram, me levantei e caminhei sem pressa alguma para perto da mesa do Hatake. Seus olhos se mantiveram fixos em cada movimento meu, o que me deixou extremamente desconfortável. Podia até sentir meu rosto esquentar.

Desgraçado.

- Qual o problema? – Questionei parando um pouco distante dele, tentando afastar alguns pensamentos impuros que se formavam em minha mente, juntando o fato de ambos estarmos perto de uma mesa bastante espaçosa.

Eu tinha uma tara por mesas que era bem fora do comum. Sempre me imaginava transando encima de uma.

Kakashi-senpai puxou uma folha do meio da pilha de livros, de longe pude reconhecer minha letra nela. Era o meu trabalho de mais cedo, o que por um breve segundo fez afastar o principio de um tesão para me deixar tensa.

- Eu queria apenas saber, de onde você tirou isso tudo? – Questionou enquanto encarava o meu trabalho, seu olhar era indecifrável naquele instante, o que me deixava mais tensa ainda.

- Qual o problema com meu trabalho? – Encolhi meus ombros, sentindo uma certa tensão no ar com a autoridade em que ele falava e me encarava as vezes.

- Apenas responda a minha pergunta, Sakura. – Seu olhar foi de superioridade, o que me deixou mais acuada ainda, mas mesmo assim, pude sentir uma certa pontada em meu ventre.

Ai, eu não aguentava mais senpai’s na minha vida.

- Eu tirei do pouco de conhecimento que tenho de medicina. – Sussurrei.

- Pouco? – Ele arqueou as sobrancelhas. – Seu conhecimento está um pouco avançado demais para uma novata.

Avançado?

Ele por acaso estava brincando comigo?

Agora quem arqueou as sobrancelhas fui eu.

- Quer dizer que eu fui bem?

- Eu poderia dizer que você poderia ter colado se não estivesse ficado diante de meus olhos a aula inteira. E eu espero de verdade que aquele seu papo de neurocirurgiã seja verdade, porque se realmente for, você tem um grande potencial, Sakura. – E por fim ele sorriu.

Aquele filho da puta gostoso, sorriu pra mim de uma forma tão meiga que eu me derreti inteirinha.

Desgraça.

Preferia quando parecia estar me odiando, era bem mais fácil lidar com a raiva dele, do que com meu corpo reagindo intensamente com suas expressões gentis.

O mesmo me entregou meu trabalho e eu pude observar o enorme "A" circulado no topo da página, o que me fez sorrir também. – Isso significava que eu não teria problemas com aquele professor no meu curso preferido.

- Obrigada, Kakashi-senpai. – Sorri de volta pra ele, tão animada que tive de resistir a vontade de me jogar em seus braços e poder sentir seu perfume, com certeza deveria ser tão bom quanto o corpo forte e sobre medida abaixo daquelas roupas sociais.

Ele apenas assentiu e me deu espaço para passar. Abracei o papel contra meu peito e segui em direção a saída da sala. Finalmente alguma coisa boa tinha acontecido naquele segundo dia tão turbulento quanto o primeiro.

Assim que coloquei meus pés pra fora da sala, senti meu corpo se chocar contra algo. Bom, não definitivamente algo, mas alguém.

Acabei me voltando para trás rapidamente, um tanto atordoada com o choque, senti o peso de mãos grandes contra meus braços, como se me puxassem pra cima para me manter em pé. A primeira coisa que reparei foi um perfume gostoso, amadeirado com hortelã, depois um calor intensamente agradável próximo de mim. Balancei a cabeça atordoada e ergui a cabeça, encontrando um par de olhos escuros, muito parecidos com os de Sasuke, mas não eram os dele.

Pisquei algumas vezes até enxergar direito um rosto um pouco mais velho, mas ainda parecia bem jovial, cabelos negros e ondulados moldavam a cabeça dele e tinha um pequeno sorriso que o fazia ter uma expressão extremamente fofa.

Será que ele sabia que era fofo?

- Cuidado, desculpe por isso, não te vi.

Abri a boca para falar, mas no momento não saia nada, desviei os olhos por um instante dele e encontrei outro par de olhos escuros na minha direção, muito parecidos com os do homem que ainda me segurava, a diferença era que ele tinha cabelos longos que estavam presos num rabo de cavalo baixo e havia algumas marcas de expressão em seu rosto que o fazia parecer mais velho, mas ainda era tão atraente quanto o outro.

Estou começando achar que eu fiz um strip-tease na santa ceia, não tem condição alguma eu viver esbarrando em homens tão lindos assim.

- Ta... Tudo bem. – Assenti, sentindo as mãos dele afrouxarem de meus braços até me soltar completamente.

O mesmo levou uma mão até a nuca, abrindo um largo sorriso e fechando os olhos no processo, o que o deixou mais fofo ainda.

- Eu nunca presto muita atenção por onde ando e apesar de conhecer esse lugar como a palma da minha mão, sempre me perco um pouco. – Se explicou rapidamente, novamente me encarando com aquelas íris escuras e me estendendo a mão em um cumprimento. – A propósito, meu nome é Obito Uchiha e esse aqui é meu primo Itachi. – Apontou para o rapaz do lado que também me cumprimentou com um aperto de mão, logo depois de eu retribuir o de Obito.

- Sakura Haruno. – Assenti vagamente, tentando me recompor.

- Você deve ser nova aqui, nunca te vi em nenhuma das minhas visitas.

- Sim, eu cheguei ontem.

- Seja bem vinda a universidade de Konoha, então. – Foi Itachi quem falou desta vez, me deixando bem balançada com aquela voz rouca dele.

Que homem.

E eles tinham dito que eram Uchiha’s. Então deveriam ser parentes do Sasuke.

Ah não. Será que o Sasuke contou pra alguém da família que uma garota tinha batido nele e agora eu seria julgada pelos diretores? Seria tão vergonhoso meus pais terem de voltar de Tokyo vinte e quatro horas depois de partirem, só porque a filha deles se meteu em briga no segundo dia.

Eu estava tão encrencada.

- Sei que você é novata, mas será que você não viu o Kakashi por ai? Ele é um dos professores, alto e de cabelos platinados...

Obito começou a descrever o meu professor, quando senti uma presença em minhas costas, um calor tão intenso quanto o do Uchiha que antes estava próximo de mim. Cheguei a prender minha respiração com receio de olhar para trás, me contive também para não mover minhas mãos e elas acabarem tocando o que não devia.

- Obito, Itachi. O que fazem aqui?

Aquela voz grossa, nem precisava olhar para trás para saber quem era.

Kami, não faz isso comigo, por favor. Tenha piedade desse pobre corpo que no momento parece tão quente quanto uma sauna. Meu rosto deveria estar denotando alguns tons de vermelho e eu sentia que todos os olhos, até mesmo os do platinado atrás de mim, estavam me encarando.

- Eu estava te procurando e aproveitei para arrastar o Itachi até aqui, mas acabei me esbarrando com a Sakura. Já conheceu a aluna nova, não é mesmo? – Obito comentava de forma animada, não tirando seus olhos de mim em nenhum momento.

Agora eu entendo aquele ditado de “olhar de matar”. Porque o dele está quase me fazendo ter um troço.

- Claro, ela é uma de minhas alunas. – Kakashi-senpai confirmou.

Por que eu não consigo me mexer e sair de perto dele?

- Não a assuste, Kakashi. – Obito sugeriu, com um sorriso travesso que o deixou mais sexy ainda.

Minha mente parecia rodar naquele instante, talvez pelo fato de eu não ter almoçado, ou talvez por realmente estar cercada de homens tão lindos e extremamente atraentes e que um deles parecia me comer com os olhos sem nem disfarçar.

Tentando me afastar disso e evitar que eu acabasse cometendo um grande erro, me esforcei para fazer minha mente pensar em outra coisa e eu só conseguia pensar no nome “Uchiha”, eram parentes do Sasuke. O mesmo Sasuke que mais cedo havia me convidado/subornado para ir em um jantar em família.

Qual a probabilidade desses dois estarem lá?

Até que não seria tão  desperdício assim eu me permitir ir em um jantar na casa dos Uchiha, ainda mais com aquele DNA maravilhoso.

Onde eu conseguiria uma oportunidade tão boa quanto aquela?

- Vocês são parentes do Sasuke, não é mesmo? – Questionei, fazendo com que a conversa desviasse um pouco o foco.

- Ele é meu irmão caçula. – Itachi respondeu com um leve sorriso no rosto, poderia jurar que era de orgulho.

- E vocês vão estar no jantar? – Puta merda, já foi, não tinha mais volta. Eu realmente deveria parar de ser tão cara de pau assim.

Mas não conseguia me controlar, meu professor gostoso estava praticamente me encochando naquele momento, enquanto tinha dois homens gostosos me encarando.

A vergonha foi pro ralo.

- Como sabe sobre o jantar? – Obito questionou com certa surpresa.

- Você é a garota que ele vai levar? – Itachi questionou logo em seguida, fazendo com que o primo o encarasse buscando por uma resposta. Não sabia dizer se realmente era eu, mas considerando que ele tinha me chamado mais cedo e que depois do soco que eu dei na cara dele, não deu mais as caras, provavelmente ainda deveria ser eu. Então, única coisa que eu consegui fazer foi assentir rapidamente, tão nervosa que nem conseguia mais falar. Acho que tinha feito merda. – Fico feliz que ele esteja finalmente se socializando e fazendo amigos, ficaremos muito felizes em recebe-la em nossa casa, Sakura.

Tão gentil e educado, nem parecia ser irmão do babaca do Sasuke.

Notei que os olhares de Obito se voltaram pra mim e ao olhar para trás, também pude encontrar as íris do  Hatake sobre mim, com uma expressão que eu não sabia decifrar o que era.

- Bom.... Eu acho melhor eu ir, até mais Kakashi-senpai, Itachi e Obito. – Acenei para todos rapidamente e desatei a andar o mais rápido que eu podia, sem transparecer que eu estava querendo sair correndo naquele instante.

A única coisa que se passava na minha mente naquele momento, era que eu teria de engolir todo o meu orgulho e ir pedir desculpas ao Sasuke para que ele ainda me aceite como sua companhia para o jantar.



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