História A garota da casa ao lado. - Capítulo 8


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Tags Vauseman
Visualizações 179
Palavras 3.556
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Estar completa.


Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco

 

Gabriel García Márquez, Memórias de minhas putas tristes.

 

 Agosto, 2002.

Sofia acordou com as vozes alteradas no andar debaixo e com Lena dormindo ao seu lado na pequena cama de solteiro no quarto que seu tio reservava para ela.

Como um gesto automático, passou os dedos pela bochecha rosada de sua namorada, como quem deseja decorar o rosto de alguém. Ela era tão bonita, observou. Havia paz em seu rosto. Enquanto ela dormia, o mundo era um lugar seguro. Era tão puro ama-la, não devia ser errado.

Mas a realidade era como um grande elefante branco no meio da sala. Por mais que tentasse, Sofia nunca conseguia ignora-la.

Suspirou pesadamente e se desvencilhou de Lena com cautela para não acorda-la. Sob a ponta dos pés, ela caminhou pelo quarto, sentindo todas as dores causadas pela surra serem despertadas em seu corpo. Apertou os olhos e os lábios, tentando não gemer. Fazia dias desde que sentiu todos os socos e pontapés e ainda ardia como no primeiro dia.

Parou na soleira da porta e se esgueirou, tentando ouvir as vozes alteradas do andar debaixo. Era seu tio Leon e sua tia Maria. Ele questionava todos os machucados espalhados no corpo da sobrinha e ameaçava ir a polícia ou o que fosse necessário para deixa-la longe da menina. Ela dizia que tudo o que acontecesse a Sofia não era questão dele. Um juiz havia decidido a guarda para ela e se ele não a levasse para casa, ela iria a justiça e diria que ele influenciou uma garota a ser homossexual.

A menina fechou os olhos e sua cabeça encostou na porta. Tinha tanta raiva daquela mulher. Sabia o que aconteceria se voltasse para casa. Levaria mais surras por causa de sua sexualidade e todos os insultos que ouvia diariamente seriam ainda mais constantes. Ao mesmo tempo, não queria perder seu tio. Se tia Maria pedisse para que a justiça impedisse visitas do tio, eles assim fariam, porque para aquela comunidade, ela era o modelo de mulher desejado pela sociedade. Viúva, com uma filha, cuidando de uma sobrinha órfã, participando de todos os eventos da igreja. Seu tio, por outro lado, era o que a sociedade abominava. E tudo porque ele amava outro homem.

Não suportaria perder o tio como perdeu os pais. Era mais do que seu coração conseguiria sobreviver. Ele era a única família que conhecia.

Talvez aquela fosse a pior decisão que a menina de cabelos loiros fosse tomar na vida. Mas tinha certeza do que precisava ser feito. Ela passou no espelho e tentou disfarçar as marcas arroxeadas espalhadas pelos braços e pernas com um robe escuro amarrado na cintura. Seu cabelo apático, foi preso em um coque. No rosto, não havia muito o que pudesse fazer. Mas deu alguns beliscões nas bochechas para parecer mais saudável.

Pediu desculpa a Lena em um sussurro enquanto ela dormia tranquilamente. Sabia que ela ficaria furiosa com tudo aquilo, tentaria arrumar uma solução de qualquer forma. Era assim que Lena era, sempre tentando salvar a vida de Sofia.

Desceu as escadas da casa. As duas pessoas paradas na sala rapidamente a fitaram. Seu tio caminhou até onde estava e perguntou se ela estava bem, em resposta sussurrou que estava.

A tia continuou indiferente a presença da menina.

Não queria ter que fazer aquilo, Deus sabia. Mas precisava.

 

— Vou voltar com a tia Maria – anunciou tentando manter a voz em tom casual e por um instante quase acreditou em si mesma.

 

O tio deu um passo para trás, em espanto. A outra mulher apenas riu. Ela sabia porque Sofia estava fazendo aquilo e estava adorando assisti-la humilhar ao tio e a si mesma daquela forma. Era daquilo que ela gostava, do controle, de sentir que tinha a vida de Sofia nas suas mãos.

 

— Está com medo dela? De ela me tirar de você? Eu nunca deixaria isso acontecer. Ela nunca me tiraria de você, eu conheço alguns advogados, eles podem nos ajudar, o mundo mudou desde aquela época – ele argumentava, um pouco desesperado.

 

Sofia não respondeu. Caminhou até parar na frente da tia e a fitou da forma mais fria que conseguiu. Agiria da mesma forma que ela.

 

— Em dois anos estarei na faculdade – disse, tomada por uma coragem desconhecida – e estarei emancipada de você e com todo o dinheiro que meus pais me deixaram, caso não lembre, você vai precisar me dar o dinheiro da mesma forma como eles deixaram, nem uma moeda a mais ou a menos. Além da casa que você tanto diz ser sua. Não há nada que você possa fazer quanto a isso. Não há nenhuma lei que me obrigue a te manter na minha casa ou que me faça te dar algum dinheiro. E se tivesse, eu certamente quebraria. Todo esse poder que você exerce sobre mim, terá acabado.

 

A menina deu um passo para trás e sorriu, satisfeita ao imaginar aquela situação.

 

— Eu não preciso de você, tia Maria. Você precisa de mim. Por isso quer que eu volte. Porque precisa da minha presença ou não tem acesso a nada. Já que você e sua filha usufruem do que é meu. E eu voltarei. Não por você, a quem tenho um desprezo profundo. Mas porque nunca deixaria que você me tirasse meu tio, a quem amo da forma mais pura que você jamais conseguirá conhecer, porque não há emoções dentro de você. Eu volto e você terá acesso a meu dinheiro por mais algum tempo, mas você não vai me impedir de ver meu tio ou Lena. Porque, lembre-se, você precisa de mim.

 

Maria comprimiu os lábios, seu sinal para quando estava odiando algo e não podia falar nada. Era assim quando estava na igreja e alguém sugeria que ela estava cuidando da sua tão talentosa e amada irmã. Tinha certeza que se pudesse, Maria insultaria sua irmã das formas mais mentirosas e baixas. 

 

— Você é uma cobra disfarçada nesse jeito doce de menina ingênua que faz todos gostarem de você. Mas eu conheço você, Sofia. Sei como pode ser suja – ela usou um tom de ameaça, mas Sofia não recuou.

— Então sabe que é verdade, que sua vida depende do meu jeito doce de menina ingênua que faz todos gostarem de mim.

 

A mulher soltou o ar de forma pesada.

 

— Tudo o que eu fiz foi para te educar. Para que parasse de conviver com essa aberração do seu tio ou se transformasse em uma. Mas se gosta disso, pode ser o que quiser. Sua mãe teria vergonha de você.

— Lave sua boca antes de falar de Carol – Leon interferiu – você tinha tanta inveja dela e de como o homem que você tanto amou se apaixonou por ela, que quer sujar sua imagem a qualquer custo. Mas eu não deixarei. Carol nunca teria vergonha de sua filha, ela tinha um coração puro. Custo acreditar que nós três nascemos da mesma mulher.

 

Maria não disse nada. Não havia o que falar. Ela nunca conseguiria destruir a imagem da sua irmã como tanto desejava.

 

— Arrume suas coisas e apareça em casa antes do entardecer – cuspiu as palavras em cima da menina de cabelos loiros e sumiu pela porta de entrada.

 

Sofia sabia que toda aquela cena provavelmente teria partido o coração do tio, então correu para abraça-lo e pedir desculpas. Podia ser mais simples, tudo aquilo. Seria mais confortável morar com ele, mais seguro e mais feliz. Mas a complicação era algo intrínseco a sua vida.

 

— Me desculpe – ela choramingou – eu queria poder morar com você, mas não suportaria perde-lo da forma que ela ameaçou. A justiça nessa sociedade só protege pessoas brancas e heterossexuais. Pessoas como eu e você somos tratadas como animais. Sei o que ela fez comigo, sei que pode acontecer novamente, mas aceito os riscos para manter a única família que eu tenho. Você.

 

Diferente do que esperou, ele a apertou em seus braços e alisou seus cabelos.

 

— Eu queria que morasse comigo e me dói o que você fez agora. Mas fiquei orgulhoso que você tenha tomado as rédeas da situação e não se curvado a ela. Você é muito mais forte do que imagina, minha querida. Só precisa acreditar nisso. Seu pai e sua mãe deixaram tudo aquilo para você, eles te amavam e queriam que você fosse feliz e algo os acontecesse. Diferente do que a cobra da minha irmã quis dizer, tenho certeza de que estão orgulhosos de você hoje.

 

 

 

Xxx

 

Duas horas e meia debaixo do chuveiro foi o tempo que precisou para que Júlio conseguisse tirar toda a tinta verde grudada no cabelo de Piper.

Com todo shampoo e condicionador, a tintura castanha que cobria seus fios loiros começou a desbotar, dando origem a um tom estranho que variava entre vermelho, castanho e loiro. Seus olhos encheram de lágrimas quando se confrontou com sua imagem no espelho. Compadecido da situação, Júlio foi até um supermercado e comprou uma nova tintura. Loira, daquela vez. Quando questionado se não havia castanho no lugar, ele apenas riu, enquanto pincelava suas mechas com o tom de loiro natural.

E no começo da noite, aquele era o saldo do seu dia. Estava loira e com raiva. Raiva de Alex. Da sua namorada imatura e incrivelmente bonita. Daquela estúpida noite. E, principalmente, de si mesma, por ter se permitido passar por aquela situação mais uma vez.

Como podia ser tão estúpida? Tinha jurado, tinha jurado a si mesma que nunca mais permitiria que aquela mulher machucasse seu coração novamente. Mas ali estava ela, na mesma armadilha que se enfiara anos atrás.

Mas dali em diante não seria tomada por nenhum sentimento de nostalgia. Estava decidido. Sua vida estava bem, não havia por que mudar. Voltaria para o seu noivo, seu apartamento, seus amigos e seu trabalho. Nunca mais daria brecha para que Alex voltasse a sua vida.

Enrolada em um roupão e com um pote de iogurte nas mãos, ela se sentou na pequena escrivaninha e ligou seu computador, disposta a colocar toda aquela raiva frustração em sua escrita. Mas antes que pudesse escrever qualquer coisa, seu e-mail encheu a tela do aparelho de notificações. Uma delas era da produtora executiva da série, o restante eram todos de Larry, com seus novos capítulos de romance para revisar.

Piper não conseguiu evitar o cansaço interno que sentiu ao ver todos aqueles capítulos precisando ser revisados. Provavelmente passaria a noite lutando contra o sono para deixar aquilo menos bizarro do que era. Mas precisava voltar a sua vida normal e aquela era a forma mais direta. Cuidar do livro de seu noivo.

Estava prestes a abrir o primeiro e-mail de Larry, quando seu telefone vibrou ao seu lado. Era ele. Ela respirou fundo antes de atender, tinha certeza que ele cobraria sua revisão.

 

— Olá, querido – disse tentando soar carinhosa e fazê-lo esquecer um pouco de todo o trabalho que ela faria – estava agora mesmo abrindo seus capítulos para revisar.

— Ah, não precisa – ele soou animado do outro lado – Enviei o manuscrito e Jane adorou, quer publicar logo.

 

O queixo de Piper caiu em incredulidade.

Jane era sua editora. Sabia o quanto aquela mulher era meticulosa. Ela não aceitava nada que não fosse perfeito. Talvez se Piper não fosse sobrinha de Ian, um dos seus grandes amigos de universidade, Jane nunca teria publicado seu livro. Não conseguia compreender como ela podia ter adorado um romance de um serial killer que se apaixonava pela filha da vítima. Era mórbido e de mau gosto. Além disso, estava cheios de monólogos existenciais que não faziam nenhum sentido.

Naquele momento, sentiu-se culpada. Estava duvidando do noivo e de seu trabalho. Sabia que ele era capaz, ele havia acabado de pedir demissão do New York Times quando se conheceram. Ele era um homem certamente de talento. Talvez fosse ela, talvez a sutileza daquele romance não a tivesse agradado, mas fosse agradar outros públicos.

Percebendo que deixou Larry algum tempo divagando sobre como ele havia recebido elogios de Jane e de que essa poderia ser uma obra digna de ser best-seller, Piper percebeu que precisava parabeniza-lo. Era o mínimo que podia fazer depois de pensamentos tão maldosos sobre ele.

 

— Fico feliz que ela tenha gostado, Larry – ela disse, em uma animação quase forçada – Sabe o quanto Jane é exigente, se ela gostou, é porque você é um excelente escritor.

— Disso eu posso me gabar – respondeu sem disfarçar sua presunção.

 

Depois daquilo, ele voltou a divagar e Piper quase agradeceu quando o tio bateu na porta avisando que todos estavam indo jantar e que se ela não quisesse descer, a comida ficaria guardada para esquentar mais tarde. Aquela era sua deixa.

 

— Larry – ela o interrompeu de forma suave – Meu tio e seu marido estão me chamando para jantar. Eu preciso ir, eles são bem rigorosos com essas coisas – mentiu. – mas eu fico muito feliz pelo seu livro. Estou ansiosa pela publicação.

— Pessoas de interior – ele respondeu e ela podia jurar que ele estava revirando os olhos, de alguma forma, se sentiu ofendida com aquilo – o livro estará nas bancas em um mês. Você acha que eu posso ir visitar você por esses dias nessa cidade? Será ótimo para a publicidade.

— Acho que tudo bem – ela gaguejou um pouco – mas agora preciso desligar.

 

Não esperou que ele se despedisse, desligou o telefone mais rápido que conseguiu.

Vestiu um de seus vestidos da adolescência, um branco com girassóis desenhados e desceu as escadas, prestes a abraçar seu tio, agradecendo-o por tê-la salvado das divagações de Larry e do quanto ele era um excelente escritor.

Mas para sua surpresa, ele não estava sozinho com Júlio na sala. Sentadas no sofá estava o rosto de uma mulher espanhola enrolada em um xale que amava com todo coração e ao seu lado uma mulher de cabelos negros a quem no momento queria matar e talvez aquele fosse o motivo de seu coração ter disparado ao vê-la.

Estava prestes a voltar para o quarto antes que a vissem, mas Maya logo abriu seus braços.

 

— Mi cariño – a chamou carinhosamente – como é bom vê-la novamente. Trouxe algumas coisas que vão te fazer engordar novamente. O cabelo pelo menos já voltou ao normal.

— Eu sempre apostei no loiro, por isso comprei – Júlio gritou da cozinha.

— Por mim você fica pra sempre loira – Ian concordou.

 

Piper riu, se rendendo aos carinhos de Maya. A mulher abraçou a menina com força, como se pudesse colocar todo seu amor e proteção naquele gesto.

 

— Na verdade, é temporário eu estar loira. Tudo porque tinha tinta verde no meu cabelo – olhou para Alex furiosa que riu daquilo e coçou a cabeça.

 

Queria não conhece-la tão bem.

Queria poder não entender cada um dos seus trejeitos.

Queria não ter percebido em seus olhos o quanto ela estava arrependida e não sabia como começar a pedir desculpas.

Queria não saber como ela nunca sabia como pedir desculpas.

Queria não ter a informação de como tentava evitar magoar pessoas e acabava sempre enfiando os pés pelas mãos.

Porque assim era Alex, ela fazia tudo o que podia para proteger Piper de tudo. Mesmo que fosse de uma mágoa que ela causaria.

E como previsto, saber de tudo aquilo, fez com que a raiva que estava sentindo diminuísse e até conseguisse cumprimenta-la sem querer apertar seu pescoço.

Os cinco jantaram em meio a conversas animadas sobre o passado e como Piper estava sempre fugindo de sua ia Lauren, a mulher a quem a justiça entregou sua guarda. A mulher que estava presente em todos os pesadelos da loira. Mas, por sorte, a conversa não se aprofundou nas partes sombrias, mas nas cômicas. Como quando ela e Alex encontraram Lauren em um site de relacionamentos e ela dizia de vinte e seis anos, morar na Califórnia e gostar de homens altos e bronzeados.

Talvez fosse o peso de ter seus cabelos loiros como palha novamente, mas enquanto comiam e davam risadas, ela se sentia em casa novamente.

Lembrou de como estava irritada ao ouvir Larry divagar minutos antes e como estava se divertindo, mesmo com Alex presente. Algo em sua cabeça gritava que aquilo era um sinal de que algo estava errado, mas ela decidiu ignorar.

Julio, Ian, Maya e Alex se aconchegaram na sala para assistir a série de Piper, enquanto ela pegou seu computador e se sentou na bancada da cozinha para trabalhar um pouco todos aqueles sentimentos que lhe cruzavam.

Seria o último episódio da segunda temporada de sua série e a emissora já tinha encomendado uma terceira. Na primeira, Juno, a personagem principal, uma aluna que havia entrado no principal ballet de Nova York cede a pressão dos estudos e se envolve com drogas e com outra aluna, totalmente diferente dela, Isabelle. Na segunda, o romance entra em uma fase sombria. Juno começa a depender de Isabelle, que se torna cada vez mais sufocada, mas não admite para si mesma o desgaste até descobrir que tem uma doença crônica que a impedirá de dançar pelo resto da vida. Naquele capítulo que os quatro assistiam na televisão, Isabelle estaria em cima de uma ponte prestes a pular, saturada de tudo o que guardava.

Piper sempre pensava se Alex tinha sido sua Isabelle. Sempre teve tantos problemas na infância. Lauren infernizou sua vida em todos os sentidos que conseguiu e em todos os momentos, a morena esteve ao seu lado, mesmo que fosse bolando um plano para que fugissem aos oito anos. Talvez fosse um peso que ela jamais conseguiu admitir que fosse.

Não pode evitar observar um pouco aquela mulher. Ainda era estranho vê-la ali, sentada tão perto. Ao mesmo tempo, sabia que o que sentia ao estar tão próxima não era raiva ou qualquer sentimento negativo. Só não sabia ainda o que era.

Balançou a cabeça tentando afastar seus pensamentos e se direcionou ao computador, verificando o e-mail de sua produtora que decidira ler depois dos de Larry.

 

 

 


De: [email protected]
Para: [email protected]
Assunto: Importante.

Querida Piper,
Tentei telefona-la o dia inteiro, mas não consegui. Tentei ligar para Larry, mas ele queria muito que eu lesse seu livro para ver se podia se tornar uma série futuro que sequer me ouviu. Então me desculpa por precisar dar essa notícia por e-mail.
Hoje saíram as indicações ao Emmy. A primeira temporada de Ballet House foi indicada as seguintes categorias:

Melhor atriz – Samira Woodley por Juno

Melhor atriz coadjuvante – Julianne Maxon por Isabelle

Melhor série dramática

Melhor roteiro em série dramática – Piper Chapman

Parabéns pela indicação. Sempre acreditei que sua imaginação a levaria a lugares incríveis. Nos vemos na premiação!

Com amor,
Megan.
 

 

Piper precisou conferir suas vezes se seu coração estava batendo.

Emmy de melhor roteiro. Era muito. Era grande.

Sua respiração estava acelerada. Tentou ficar em pé para que o sangue pudesse circular livremente, mas suas pernas estavam tremendo, precisou segurar na bancada para que não caísse.

Olhou para sua frente, Ian e Maya discutiam se Isabelle iria mesmo pular da ponte ou não. Maya estava furiosa, dizia que se aquilo acontecesse nunca mais assistiria, Ian dizia compreender o peso nas costas da personagem. Júlio apenas ria de como os dois estavam envolvidos e Alex pedia que fizessem silêncio.

De alguma forma estranha, vê-los assim, fez com que suas pernas parassem de tremer e seu coração acalmasse no peito. Percebeu que era exatamente naquele lugar onde queria estar ao receber aquela notícia. Sorriu sozinha, satisfeita.

 

— Você está bem, Pipes? – ouviu a voz de Alex soar ao fundo.

 

Não respondeu imediatamente, estava extasiada demais. Mas aquilo só fez com que todos se virassem para ela, preocupados.

 

— Tudo bem, vou contar. Isabelle não morre, mas só estou dizendo isso porque vocês estão perdendo o episódio enquanto prestam atenção em mim – disse finalmente em um suspiro – bom, a produtora da série me mandou e-mail hoje com as indicações para o Emmy. Meu roteiro está em uma delas. Eu estou concorrendo a uma categoria.

 

Levou um minuto quase de absoluto silêncio, até que os quatro rompessem em gritos de vitória e festejos. Pareciam estar ainda mais felizes que ela. Corriam de um lado para o outro, abraçando-se e gritando.

Ian buscou o champanhe e pediu que Júlio telefonasse para todos os amigos, fariam uma festa de comemoração. Maya a abraçou com força e Alex não conseguia esconder um sorriso de orgulho estampado em seu rosto.

Não, não havia lugar melhor para receber aquela notícia. Pensaria em Larry e na sua vida perfeita de Nova York depois. Naquele momento, estava finalmente se sentindo uma mulher completa.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado <3


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