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História A garota da casa grande; seulrene - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


ATENÇÃO, essa história é COMPLETAMENTE inspirada do livro "A Garota da Casa Grande" e todos os direitos dessa história são voltados à Amanda Marchi, autora do livro.

Boa leitura!

Capítulo 6 - Capítulo 5


O teto estava branco, a TV ligada em um canal aberto que volta e meia chiava a tela, e a tartaruga Henrique nadava pelo seu pequeno reino de vidro sem se preocupar, pois sabia que sua comida estaria ali flutuando e que logo uma nova companheira iria se juntar a ele.

Pena que ele se enganava quanto a isso. No último ano, três tartarugas fêmeas foram compradas, mas, estranhamente, todas pereceram não muitos meses depois. Quando fiquei sabendo desta história, apelidei o macho de Henrique, porque nesta velocidade ela já merecia um Tudor. O nome verdadeiro dele? Não faço a menor ideia.

A primeira demanda de minhas férias emocionadíssimas passara tão rápido quando o degelo das calotas polares. Sabíamos que estava acontecendo, mas ainda demoraria muito para ser um fato concreto.

Não tive notícias de Alice desde o dia em que ela veio aqui em casa. Não fazia tanto tempo, mas como ela era a única pessoas que conhecia nessa cidade, sua falta era sentida mais do que o normal. Talvez esse não fosse o único motivo para pensar tanto nela ultimamente, mas não vem ao caso. O fato era que nada fazia mais sentido naquele lugar, nem as pessoas e muito menos o tempo.

Não estava sozinha na casa, mas era como se estivesse. Minha tia trabalhava lá fora, minha vó descansava no quarto e Max estava por aí. Era apenas eu e Henrique na sala, assistindo a programação de segunda à tarde. Pelo menos uma brisa gostosa entrava pelas portas abertas da varanda, fazendo as cortinas dançarem. Lá fora, via a piscina da minha infância, onde aprendi a nadar, contra a minha vontade. Agora estava vazia, abandonada a muito tempo.

Isso me lembrava das grandes festas de ano novo celebradas naquela varanda. A piscina cheia de balões brancos, a música animada, os fogos estourando à meia noite e o carroceiro, que era contratado, com mais de cem picolés. Mas isso foi em outra época, quando família e compromisso ainda significavam alguma coisa.

Quando criança, meu pai vivia recitando para mim "Meus oito anos". Cresci achando que um dia recitaria para meus filhos, assim como ele, como se aquele poema tivesse sido feito para mim. Mas não há nada como crescer e perceber que aqueles não foram a aurora da minha vida, e sim a maior angústia que vivenciei. E, agora, a última coisa em que penso é em gerar herdeiros. Não gostaria de uma parte de mim crescendo em um mundo como esse. Se até lá existir tecnologia para mandar alguém para viver em Krypton, posso repensar.

Pergunto-me se seria pior vivenciar essa incerteza de si mesmo na infância, como foi o meu caso, ou se na adolescência, como Joohyun. Apesar da mente de uma criança ser desinformada e despreparada para este tipo de pressão causada por terceiros da mesma idade, justamente por este mesmo motivo.

Mexi-me no sofá, tentando arranjar uma posição mais confortável perante a TV, apesar de não estar prestando a menor atenção a ela. Minha vida nos últimos dias se baseava nisso. Fingir assistir ao que passava na televisão e simplesmente pensar. Pelo menos não era ao contrário.

Não sabia qual era feito o material do sofá, mas não gostava nem um pouco do barulho que ele fazia ao me mexer. Era alto e estranho, sem contar que fazia me sentir gorda. Foi só eu ficar confortável novamente que Max veio correndo do além; sua calda gigante e peluda balançando freneticamente enquanto ele se apoiava nas duas patas traseiras para me encarar. Olhei para o relógio e eram um pouco mais de 17h.

- Você quer passear, é? - perguntei. Não esperei resposta para levantar. - Vamos lá.

Oscar Wild era o autor do novo livro que eu lia. Com tanto tempo livre até eu me impressionava com o quanto que conseguia ler, assim compensava o pouco que lia durante as aulas. Em vez de fazer o que realmente amo, tinha que estudar as coisas mais inúteis da face da Terra para passar no vestibular. Pra quê alguém precisa saber a velocidade de propagação de uma onda? Nunca vou saber. Muito melhor ver a pureza do amor de Basil por Dorian Gray, e assistir Lorde Henry corrompê-lo.

Sentei em meu banco usual enquanto Max cheirava a grama e, posteriormente, esfregava o focinho e a cabeça toda nela. Também nunca vou entender esse cachorro. Cruzei as pernas e li por algum tempo, até que o ouvi rosnando. Fechei o livro e olhei para Max, que estava sentado perto do banco, seus dentes a mostra enquanto o rosnado arranhava sua garganta.

- Max - falei. Ele não se moveu. - Max! - Tive que quase gritar, mas ele virou-se para mim; sua língua pendia para fora de sua boca, e seus olhos já não mostravam sinais de raiva. Franzi o cenho e quando estava para voltar para minha leitura, ele voltou para sua posição inicial.

Direcionei-me para onde ele estava olhando, mas tudo o que pude ver foi a praça da igreja quase vazia, a não ser por duas pessoas sentadas em um banco mais distante, de costas para nós dois. Era um homem e uma mulher, e mesmo se eu conhecesse alguém neste lugar, não daria para reconhecê-los.

- Max, para! - ele continuou rosnando, sem que eu pudesse fazer nada para fazê-lo parar.

Mas foi apenas depois que eu realmente me assustei. Ele levantou e em instantes começou a andar em direção às duas únicas pessoas presentes naquela praça além de nós dois. Os Deuses que me perdoem, mas divido ao acontecimento repentino fui obrigada a praticamente jogar meu livro no banco e correr para segurar o cão que havia perdido a noção do sentido. Devido ao meu sedentarismo, fiquei surpresa por conseguir pará-lo antes que ele pudesse fazer algo extremamente idiota, o que foi por muito pouco.

Estávamos a dois passos do banco em que eles estavam sentados. Agachada, a respiração acelerada por causa da corrida, falei:

- Me desculpe mesmo - respirei. Max ainda rosnava para eles

- Ele nunca fez nad... - Levantei o rosto para ver com que falava. - Joohyun?

A garota estava pálida, e seu rosto mostrava um tom de surpresa, mas não do tipo que o meu mostrava, mas o do tipo que fora pega fazendo algo que não queria que ninguém soubesse.

Levantei-me, ainda lutando para conseguir manter Max parado, que tentava fazer-me soltar sua coleira.

- O que está fazendo aqui? - perguntei, colocando a guia no cão.

Quando a encontrava por aquelas bandas, era normal ela estar usando sua roupa de corrida, apesar de que isso geralmente ocorria pela manhã. Mas não pensei muito antes de falar, na verdade, ela não tinha que me dar satisfação nenhuma, é aquele tipo de coisa que você pergunta mais por educação e reflexo.

Mas não parecia que era isso para ela. A garota gaguejou, olhando para o homem ao seu lado. Olhei para ele pela primeira vez também. Seu cabelo era raspado e parecia que olheiras era as coisas mais normais no rosto dele, já que seus olhos eram salgados e ele fundava o tempo todo, como se estivesse gripado. Estaria mentindo se dissesse que não julgo pela aparência, por que, convenhamos, nos dias de hoje isso é praticamente uma das primeiras coisas que nós seres humanos somos ensinados a fazer. De qualquer forma, seria muito difícil não achar aquele cara um pouco estranho.

- Vamos, garota, tenho que ir embora. - Ele parecia nervoso, sua perna balançando freneticamente para cima e para baixo, seus olhos mexendo de um lado para outro, apenas observando o vazio ansiosamente. Seu corpo fazia uma verdadeira rosa dos ventos, se for parar para pensar.

Mas Max voltou a se agitar quando viu o homem colocar a mão no bolso de seu casaco. Ele se sobressaltou quando o cão avançou nele, apesar de que eu estava o segurando. O que quer que ele tenha pegado caiu no chão. Nós dois agachamos para pegar, mas fui mais rápida.

Agachei-me por educação e por causa do incômodo que Max estava causando a eles, mas, quando peguei o objeto e vi o que era, acredito que nunca poderia agradecer aquele não o suficiente.

Era um pacotinho transparente, contendo o que eu poderia calcular serem uns quinze gramas de cocaína.

Meus olhos saíram da droga em minhas mãos para entrarem os olhos, agora vazios, dela. O homem fez menção de tirar o pacote de mim, mas Max avançou novamente, dessa vez latindo. Ele levantou e saiu apressadamente.

- Joohyun, isso é... - Nem consegui terminar a frase. Não sabia o que falar, nunca me imaginei em uma situação dessas, muito menos com alguém que eu havia acabado de conhecer.

- Você é hipócrita mesmo! - disse, levantando-se e andando na direção em que eu estava sentada antes. - Você acha que eu não sei que você vai a festa com pessoas que fumam maconha?

É, ela não estava completamente errada.

- Você não entende, é diferente...

- Diferente? - ela estava histérica. - Como que é diferente, se a merda do propósito é o mesmo?

Aquele tom de voz, aquela pergunta. Simplesmente fizeram meu sangue ferver. Segurei a guia com tanta força que nós de meus dedos ficaram brancos.

- Tá, não é diferente! Então quantas pessoas já morreram de overdose de maconha em relação às de cocaína? Hein?

Joohyun praticamente me fulminou com os olhos e simplesmente virou e andou em direção à nossa rua.

Fiquei algum tempo parada, agarrada à guia do Max. Demorou um pouco até eu perceber que aqueles fora o argumento mais imbecil do mundo.


Notas Finais


Obrigada por ler!
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