História A garota do apartamento 302 - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 10
Palavras 1.559
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


~ressurgindo das profundezas do vale dos estudantes universitários~
Oi! Aqui estou eu atualizando a história às onze da noite como se amanhã não fosse ter prova na faculdade kakakakak
Enfim, boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo 2 (2.0)


Acordei na manhã seguinte com a sensação de ter sido esmagado por um trator. Ou pisoteado por uma manada de rinocerontes, ainda não decidi qual é o pior.

O fato é que acordei contra a minha vontade, com o corpo todo dolorido pela noite mal dormida, e com aquele gosto horrível na boca de saliva matinal. Ainda demorei alguns segundos deitado e olhando para o teto branco, agora com alguns filetes meio amarelados pelo sol da manhã que entrava pela varanda, dando pelo menos um pouco de alegria para aquele apartamento tão sem graça. Mas isso eu só percebi mais tarde – naquele momento de recém-desperto, os raios do sol refletindo no meu teto não me causavam nenhum efeito positivo, graças ao péssimo humor que insistia em franzir minhas sobrancelhas logo nos primeiros minutos do meu dia.

Isso era bem comum, na verdade; na minha família, todos sabiam que não deviam trocar uma palavra comigo antes de eu tomar minha primeira xícara de café, se não quisessem levar um fora bem mal-educado logo de manhã cedo. Não é algo que tenha motivos, nem que eu possa evitar – simplesmente acontece. Mas agora, deitado no edredom duro da sala, encarando o teto como se ele fosse o culpado de todas as mazelas do mundo, eu finalmente tinha todos os motivos de acordar puto da vida: além de mal ter conseguido dormir à noite e estar com a coluna destruída pelo contato indireto com o chão, tinha sido uma péssima ideia dormir de camisa sem um ventilador. O tecido grudava em mim de tanto suor, e algumas gotinhas ainda escorriam na minha testa ao som de alguma música pop muito alta – música que, aliás, tinha sido o motivo do meu despertar brusco. Dei uma rápida olhada no celular ao meu lado, vendo um 8:30 brilhando na tela de bloqueio, e voltei a deitá-lo ao meu lado. Continuei olhando para o teto enquanto todo o chão vibrava no ritmo e as janelas crepitavam. Crescia dentro de mim aquele ódio tão amargo que tira a reação de qualquer ser humano.

Finalmente me sentei no edredom e passei uma mão pesadamente pelo rosto, suspirando ao mesmo tempo. Não acreditava que logo no meu primeiro dia já ia ter problemas com os vizinhos, ainda mais quando os donos da casa disseram que não moravam muitos jovens por aqui. Tentei imaginar uma senhorinha se acabando de dançar ao som daquela música, balançando a bengala no ar e dando gritinhos de fangirl... é, não combinava muito. A não ser que...

Argh... aquela garota ruiva!

Ergui-me de uma vez só, bufando de impaciência, e já ia alcançar a maçaneta quando lembrei daquela maldita camisa grudenta, o que me fez voltar e vestir outra um pouco menos ridícula. Não ia passar água no rosto ou qualquer outra coisa que melhorasse minha aparência cansada, queria que aquela folgada visse que aquele som tinha me acordado, e que possivelmente estava incomodando outros moradores.

Saí de casa do mesmo jeito que estava e parei em frente à porta do 302, encarando por um segundo o tapete meio áspero de “bem-vindo” estirado sob meus pés. Dei algumas batidas na porta, da maneira mais educada que consegui. Como não fui atendido de imediato, voltei a bater dessa vez com certa violência.

— já vai! – uma voz feminina gritou lá de dentro.

No instante seguinte a porta foi aberta, revelando a figura ruiva e sorridente daquela garota que batera na minha porta na noite anterior. Seus cachos rebelavam-se em sua cabeça de modo selvagem, o que contrastava com o sorriso cheio de doçura que aumentou ao me ver.

— ah, bom dia, vizinho! – gritou, através da música ensurdecedora que se tornara ainda mais alta com a porta aberta.

— bom dia?! – eu gritei de volta, irritado. – você sabe que horas são?

— deixa eu ver! – voltou-se para dentro e inclinou-se toda, voltando-se para mim em seguida – quinze para as nove! Seu relógio deu problema?!

— o quê?!

— seu relógio deu problema?!! – repetiu.

— muito engraçado! – gritei de volta ironicamente, e ela me olhou sem entender. – essa música está alta demais!

— eu sou alta demais?! – ergueu uma sobrancelha, confusa – mas eu não cheguei nem a um metro e sessenta!

— a música!!

— Lúcia?!

— música!!

— mas quem é Lúcia?!

Eu soltei um murmúrio furioso e sem pensar a afastei para o lado, praticamente invadindo a casa, e marchei em direção a um mini System que quase pulava de tanta vibração em cima do móvel da televisão, procurando desesperadamente o botão de desligar. Droga, eu não sabia mexer nessas coisas. Derrotado, segui o fio da tomada e a retirei da parede, cessando a música na mesma hora. O doce som do silêncio pareceu fazer carinho nos meus ouvidos, embora eu tivesse a certeza de que estava um pouco surdo.

— ei! – ouvi uma voz protestar, atrás de mim. Voltando-me, vi a mesma idosa da noite anterior me encarar com decepção do corredor dos quartos, parecendo que havia acabado de parar de dançar.

— me perdoe a invasão, senhora – me desculpei, amansando os ânimos. – acontece que esse som estava alto demais, e acabou me acordando. Tenho certeza que os outros moradores também estavam incomodados com uma música tão alta antes das dez da manhã.

— eu quero que os outros moradores se danem! – ela virou as costas e saiu arrastando as chinelinhas para o quarto, chateada.

Eu fiquei com o fio do aparelho na mão, a observando se afastar com bastante surpresa. Quando me voltei para a direção da porta, a cacheada se aproximava de mim com os braços cruzados sobre o peito e um sorrisinho em tom de desafio.

— nossa, que direto! – disse – se queria tanto assim entrar, era só pedir que eu deixava.

Não consegui identificar se estava sendo sarcástica, mas tal comentário acabou me deixando sem graça. De fato, eu acabara de invadir o apartamento de duas mulheres desconhecidas, só de pijamas, e estava segurando com força o fio de um mini System que, se tivesse quebrado um tiquinho de nada, eu iria precisar vender um rim para conseguir pagar o conserto. Tais pensamentos acabaram extinguindo minha raiva e dando lugar a uma vergonha terrível, o que me fez soltar o cabo todo sem jeito e dar um ou dois passos para trás, encarando o carpete bege entre o sofá e o móvel da TV. Voltei a erguer o rosto no instante seguinte, com uma risadinha doce da moça à minha frente.

— já te falaram que você fica muito bonitinho todo tímido assim? – perguntou, parecendo se divertir com a cena. É claro que esse comentário só fez o ardor das minhas orelhas aumentarem. – ah, não faça essa cara, eu gosto de elogiar as pessoas. Mesmo que elas tenham invadido a minha casa só de pijamas para desligar o meu som.

— eu não teria precisado fazer isso se você tivesse o mínimo de noção. – rebati, recuperando a confiança com a vantagem de estar com a razão. – Ainda tem gente dormindo essa hora, principalmente num condomínio onde a maioria dos moradores são idosos.

— justamente por isso que a maioria deles estão acordados desde as cinco da manhã! – argumentou, com um inclinar inocente de cabeça enquanto sorria vitoriosa. Eu meneei a cabeça, incrédulo. – ta legal, ta legal, talvez eu esteja mesmo um pouquinho errada nesse caso... mas você não pode me culpar por estar tendo uma manhã maravilhosa! – exclamou, animada. – primeiro dia na capital, dá pra imaginar? Tanta coisa para fazer, tanta gente para ver, tanto lugar para visitar!

— ah, sim, muito empolgante. – emendei secamente, prevendo que, se dependesse dela, aquela conversa não iria acabar nem tão cedo. – agora se me der licença, vou voltar para o meu apartamento. E por favor não ligue a música tão alto novamente, ou vou chamar a polícia.

A ruiva caiu na risada, enquanto eu continuava sério.

— espera aí, é sério? – ela arregalou os olhos para mim.

Eu respondi erguendo as sobrancelhas como quem diz “o que você acha?” e me dirigi para a porta, fechando-a atrás de mim assim que ganhei o corredor dos apartamentos. Já ia me dirigir para o 301 quando me deparei com uma senhora de não mais que quarenta anos segurando algumas sacolas nas mãos, aparentando ter acabado de sair das escadas, e com os olhinhos arregalados bem fixos em mim. Quando eu já ia me questionar o porquê daquele espanto todo, percebi que ainda estava parado na porta das vizinhas, e que provavelmente ela tinha me visto sair de lá com aquela cara de quem tinha acabado de acordar.

— ahn, oi... bom dia. – eu abri um sorriso todo sem graça, tentando parecer o mais inocente possível. – olha, eu sei o que parece, mas...

— ah, não, não! – ela sacudiu as mãos gorduchinhas veementemente, fazendo as sacolas balançarem em seus pulsos. – tudo bem, eu soube que a neta da dona Odete veio passar algum tempo aí, naturalmente vocês dois são jovens, os hormônios estão bem aflorados...

— ai, minha nossa, não é nada disso!

— eu juro que não falo nada pra avó dela, ta bom? – disse um tanto nervosa, recuando em direção à porta do 300 e girando a chave na porta. – cada um com sua vida.

— senhora, eu...

— usem camisinha! – gritou por fim, fechando a porta atrás de si com toda força ao entrar em casa.

É... existem meios melhores de causar uma boa primeira impressão, mas pelo visto esse foi o jeito que eu arrumei de começar o meu dia.


Notas Finais


Se gostou não esqueça de dar o ar da sua graça nos comentários, hein? (campanha faça uma escritora feliz auhahuahuha vai que cola)
até o próximo capítulo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...