História A garota do calendário - CAMREN - Capítulo 37


Escrita por: ~

Postado
Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony, Harry Styles, Louis Tomlinson
Personagens Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui
Visualizações 198
Palavras 3.637
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi babys nem demorei tanto dessa vez. rs 🌚

Capítulo 37 - Capítulo 37


— Ah, meu Deus. — Olhei ao redor, entrando em pânico. Avistei minha bolsa na cômoda, peguei-a e comecei a descer as escadas para sair do prédio.

— Ele está bem? O que aconteceu?

— Ele está com algumas contusões e hematomas, e está sendo tratado de uma concussão. Se envolveu em um acidente de carro com outros dois jogadores, que também estão sendo atendidos. Você tem como vir até aqui? Ele também deu o nome de uma pessoa chamada Normani Kordei mas ela não está atendendo.

— Vou encontrá-la. Ele está bem mesmo?

— Sim, senhora. Ele deve ter alta hoje à noite. Está sendo atendido agora. O médico provavelmente vai liberá-lo em poucas horas. Seria bom ter alguém aqui para levá-lo embora.

— Claro, claro. Vou ligar para a família dele também, só para eles ficarem cientes.

— Boa ideia, senhora. Até breve.

Desliguei e fiquei parada na rua, em frente ao prédio de Charlie, sem saber por onde começar. Não tinha o contato do pai dele, e Normani não estava atendendo minhas chamadas. Então, lembrei que seu irmão trabalhava no Black Rose. No mínimo, alguém de lá me daria informações sobre ele.

Liguei para o serviço de informações e me transferiram para o bar.

— Pub Black Rose, Brayden falando — o irmão de Charlie atendeu e eu senti os joelhos fraquejarem.

Sentei na escada diante do prédio e me recompus.

— Brayden, é a Camila. O seu irmão sofreu um acidente e está no Hospital Geral de Massachusetts.

— O quê? O Charlie está bem?

— Sim. Ele sofreu uma concussão e teve algumas contusões e hematomas. Estou indo para lá agora, mas preciso encontrar a Normani, a namorada dele — falei, instantaneamente esquecendo meu papel.

— Achei que você fosse a namorada dele — ele falou, em um tom de voz que eu nunca tinha ouvido antes.

Suspirando, me levantei e ergui o braço para chamar um táxi.

— Não, era tudo armação. A Normani é a verdadeira namorada dele. Só que ela está com raiva de nós dois, achando que o Charlie a traiu comigo, e não atende as nossas ligações. Ele está machucado e quer a mulher que ama ao seu lado. Eu preciso encontrá-la.

Então Brayden fez algo que eu não esperava, considerando as circunstâncias. Ele riu. Muito.

— Você não me escutou?

— Camila... Camila... Aquela morena bonita que está sempre do lado dele? Sempre de roupa social?

Finalmente um táxi me viu e parou. Entrei, preparada para pedir que fosse para o hospital, quando Brayden riu e respondeu:

— Ela está aqui no bar. Enchendo a cara. Quer que eu a interrompa?

Parece que o universo estava conspirando a meu favor. Deveria ser lua cheia ou algo assim. Essas porcarias nunca acontecem comigo.

— Sim, coloque água na bebida dela. Vou estar aí em quinze minutos. — Desliguei.

~~

Abri a porta do bar e comecei a olhar para os clientes.

Normani estava debruçada sobre o balcão. O cabelo, uma bagunça selvagem se soltando do coque complicado, com mechas caindo por todos os lados. Estava afogando as mágoas.

— Graças a Deus! — gritei e segui em sua direção.

Ela fez uma careta. Até mesmo com o rosto contorcido em uma carranca, ela era incrivelmente bonita. Uma daquelas mulheres que você veria no mercado ou em pé na fila dos correios e pensaria: Cara, eu queria ser tão classuda e elegante quanto ela.

— Mani, graças a Deus encontrei você. — Sentei no banco ao lado dela.

— Eu não posso dizer que estou feliz por te encontrar, sua ladra de namorado! — Ela estreitou aqueles olhos, me olhando feio. Eu odiava que ela me olhasse assim.

— Mani... — tentei novamente.

Ela me cortou.

— Você não fica com homens suficientes no seu trabalho? Quer dizer, olhe só para você. — Seus olhos pareceram me analisar da cabeça aos pés. — Você é perfeita. — ela apontou um dedo para mim —, estou feliz que isso tenha acontecido. Pelo menos agora eu sei com certeza que nunca poderia ficar com um homem como ele. Tipos volúveis como ele nunca seriam felizes comigo. Não quando podem ter alguém exótico como você.

Gemi e segurei seu ombro. Ela mordeu o lábio e finalmente parou de falar.

— Me ouça. — Eu a chacoalhei. — O Charlie ama você. Você! — Seus olhos se arregalaram e ela começou a se desintegrar diante de mim. Seus lábios franziram e os olhos se encheram de lágrimas que não caíram. Ela balançou a cabeça, sem querer acreditar.

— Sim! Ele te ama. E, se você escutá-lo por cinco segundos, vai saber! Você por acaso já ouviu algum dos nossos recados na caixa postal?

Ela começou a tremer e a balançar a cabeça, as lágrimas escorrendo pelas bochechas.

— Meu Deus. Para uma mulher inteligente, você sabe ser bem lenta! — acusei. Seus ombros caíram e ela cruzou os braços sobre o peito, acovardando-se.

— Vá embora.

— Não posso! — rugi e perdi a calma. Podia sentir o calor explodindo de todos os poros quando gritei na cara dela. — O Charlie está no hospital e está chamando pela namorada. A verdadeira namorada.

— Vou vomitar. — O rosto de Normani empalideceu e ela colocou a mão sobre a boca.

No mesmo instante, um balde apareceu à sua frente, e ela pôs para fora toda a bebida que havia consumido naquela noite. Esfreguei suas costas e olhei para Brayden. Seu rosto dizia tudo. Tristeza e preocupação.

Quando ela terminou de vomitar, Brayden pegou o balde e saiu do bar, levando-o para a sala dos fundos. Levei uma Normani trôpega para o banheiro feminino. Ela lavou a boca e eu lhe dei um chiclete para mascarar o gosto e o cheiro. Dei a ela um lenço para assoar o nariz.

— O que aconteceu com o Charlie? — Suas palavras soaram vacilantes quando ela começou a voltar a ser a Normani que eu considerava minha amiga.

— Sofreu um acidente de carro com outros jogadores. Teve uma concussão e deve ter alta em poucas horas. Eu ainda não o vi. Ele queria você, então eu precisei te encontrar.

Ela sufocou um soluço.

— Ele me queria?

Assenti e coloquei a mão em seu ombro.

— Normani, eu te juro, não aconteceu nada. Nós estávamos bêbados. Muito bêbados. Passamos do limite, a ponto de cuspir fogo. Juro por Deus, eu não tinha ideia de que não estava na minha cama. Simplesmente caí na cama dele e dormi. Foi isso. Nada mais.

Ela fechou os olhos e baixou o queixo.

— Eu acredito em você.

Tomei um grande e refrescante fôlego, deixando escapar a tensão dos dias de angústia e culpa.

— Graças a Deus. O Charlie está tão perdido sem você. Ele achou que nunca te teria de volta.

— Isso não significa que nós estamos destinados a ficar juntos, Camila. Como eu disse, ver o Charlie com você me abriu os olhos. Ele não é o cara certo para uma executiva. Ele tem que ficar com uma mulher divertida e amorosa, que possa ir aos jogos, voar com ele pelo país e ficar ao seu lado. Eu não vou poder fazer muito isso.

— Você não pode estar falando sério. E todos aqueles trabalhos? Você atua na empresa de relações-públicas que cuida dele. É você quem resolve tudo para ele com os patrocinadores e tudo o mais. Ele precisa que você esteja mais perto que longe.

Ela inclinou a cabeça para o lado.

— Isso é verdade...

Os pelos em minha nuca se eriçaram. Eu estava conseguindo persuadi-la.

— E quem é que vai impedir o Charlie de bancar o idiota nas reuniões? Você viu como é. Ele é tão imaturo que chega a ser ridículo. Eles tirariam proveito dele em segundos se você não estivesse lá. A única razão pela qual ele está indo bem é você. Agora que os negócios estão se encaminhando, e vão continuar aparecendo outras oportunidades, ele vai precisar de um assessor que trabalhe só para ele. Tenho certeza disso. Essa pessoa é você. Ele só confia em você.

Ela afastou o cabelo dos olhos e endireitou os ombros.

— Você está certa. Ele teria sido passado para trás. O Charlie é muito mão-aberta e despreocupado. Mesmo que não esteja nisso só pelo dinheiro, já que eu sei que ele ama o esporte, eles estavam tentando levar vantagem.

— Exatamente. E você sabia disso. Você, Normani. — Apontei para seu peito. — Você é a única para ele.

Seus olhos brilhavam com o que só podia ser descrito como um renovado senso de autoestima.

— Temos que ir vê-lo! — ela disse.

Corremos para fora do bar.

— Brayden, te ligo quando descobrir o que está acontecendo. — Ele fez um movimento com o queixo que silenciosamente dizia “com certeza” ou algo igualmente másculo. — Os drinques são por conta do Charlie!

— Já coloquei na conta dele. — Ele sorriu. — Inclusive esta aqui. — Ele levantou uma cerveja e a levou aos lábios, tomando um longo gole. Balancei a cabeça e saí pela porta.

~~

O hospital parecia um hospício quando chegamos. Aparentemente, um grande caminhão havia tombado na estrada e causado um engavetamento de catorze carros. Havia pessoas por todos os lados com ataduras na cabeça, braços e pernas. Eu me encolhi e fui até o balcão de informações.

— Meu nome é Camila Cabello. Nós estamos aqui para ver Charlie Puth.

A mulher procurou o nome dele no computador.

— Ele foi transferido para um quarto temporário. Segundo andar, quarto 130.

— Obrigada. — Normani e eu apertamos o botão do elevador e esperamos, e esperamos. — Merda — falei e segui para as escadas. Subimos dois lances e estávamos no segundo andar, procurando o quarto.

Quando achamos, diminuímos o ritmo. Segurei a mão de Normani e, por um momento, nos conectamos como irmãs ou melhores amigas fazem. Compartilhando conforto e pensamentos positivos. Depois de respirarmos lentamente, nos viramos e abrimos a porta. Entrei primeiro, arrastando Normani atrás de mim.

Charlie estava na cama, com os olhos fechados. As luzes estavam baixas, e seu pai estava sentado numa cadeira no canto.

— Camila, meu anjo, finalmente fizeram contato com você — Mick falou e me abraçou.

Mantive os braços ao redor de seus ombros enquanto Normani parou perto da cama de Charlie.

Os olhos dele se abriram e ele lambeu o lábio cortado. Havia uma fileira de pontos, não mais que cinco ou seis, que se estendiam pela testa. Ele tinha uma série de cortes e arranhões pelos braços, mas, aparentemente, era só isso.

— Normani... — Ele estendeu a mão e ela a segurou. As lágrimas que ela havia controlado no carro retornaram e deslizaram pelo seu rosto, pingando na mão de Charlie enquanto ela a segurava perto do rosto. — Baby, eu estou bem. Você... Estou preocupado com você...

— Hum, acho que perdi alguma Coisa. — Mick limpou a garganta e me abraçou mais forte, como se estivesse me protegendo. Como um bom homem. Preocupado com seu filho e a namorada de mentira.

Abracei-o e balancei a cabeça.

— Está tudo bem — sussurrei.

Normani olhou para Mick, a expressão assustada como a de um ratinho. Charlie tentou dissuadi-la.

— Ei, moça bonita. Olha pra mim. Me desculpa. Não aconteceu nada. Eu juro. — Suas palavras eram bem parecidas com as que eu havia dito mais cedo. — Nunca poderia acontecer. Eu só quero você. Você é a única pra mim.

— Não fale. Você precisa descansar. — Sua voz estava rouca, como se ela tivesse fumado um maço de Camel sem filtro.

Ele balançou a cabeça e piscou. Ela aproximou a mão e acariciou o lado sem machucados. Pelo que pude ver, a cabeça dele devia ter batido na janela, que provavelmente se espatifou. O vidro devia ser o motivo pelo qual ele estava cheio de pequenos cortes e arranhões.

— Não preciso descansar. Preciso que a mulher que eu amo me ouça! — ele rosnou, e seu pai e eu ficamos muito quietos e imóveis, ouvindo a coisa se desenrolar. Para mim, era lindo. Para seu pai, confuso.

— Charlie... — Ela perdeu a capacidade de falar.

Ele puxou a mão dela, levando seu corpo para mais perto.

— É isso mesmo. Eu te amo. Desde aquela primeira noite. Eu nunca, nunca faria uma coisa dessas. Não da maneira como você pensa. O que aconteceu comigo e com a Camila foi totalmente inocente! — ele elevou a voz e ela colocou dois dedos sobre seus lábios.

— A Camila já me contou. E eu acredito em vocês. Me desculpe. Eu jamais deveria ter duvidado.

— Você teve as suas razões. Mas, baby, depois do acidente de hoje, poderia ter sido muito pior. E não ter você do meu lado agora... não posso nem pensar nisso... — Sua voz estava repleta de emoção. — Eu preciso de você. Sempre. Do meu lado.

Os grandes olhos de Normani estavam brilhantes e suaves, focando apenas no homem diante dela.

— É onde eu vou estar. O que você precisar. Porque eu também te amo.

Eu queria gritar aos quatro ventos e pular de alegria, mas tive que me contentar com um grande sorriso.

— Filho... — Mick disse, se aproximando do outro lado da cama. — Você tem algumas explicações para dar — ele falou, tentando ser jovial.

— Pai, esta é a Normani. Ela vai ser a minha assessora em tempo integral, se aceitar o emprego. — Ela assentiu com a cabeça e abriu um grande sorriso. — Além disso, ela é minha namorada. Minha verdadeira namorada.

Ela sorriu tão brilhantemente que acendeu o quarto, exatamente como fez no momento em que a conheci.

— Oi, sr. Puth. Sou Normani Kordei e estou apaixonada pelo seu filho.

Mick olhou para Normani e Charlie, e depois para mim. Então balançou o polegar em minha direção.

— E ela?

— É uma acompanhante — Charlie respondeu simplesmente.

Eu queria bater a cabeça na parede. Os olhos de seu pai se arregalaram tanto que quase dava para ver o cérebro dele.

— Ah, não, não. Não desse tipo! — Normani tentou explicar.

— Pai, não. Nós contratamos a Camila para ajudar a melhorar a minha imagem. Eu precisava de uma namorada, e, naquele momento, a Normani e eu ainda não estávamos juntos. Foi a Camila quem nos deu força, pra ser sincero.

— Desculpe por não ter contado toda a verdade, Mick, mas era parte do papel. Você pode me desculpar? — Pisquei de um jeito que imaginei inspirar piedade.

Mick resmungou e bateu a mão no ombro do filho. Apoiando. Sempre solidário.

— Filho, se essa moça bonita é sua garota e você a ama como diz, então eu tenho certeza de que vou amá-la também. Mas, se você mentir para mim de novo, vou marcar a sua pele ainda mais do que o acidente fez. Entendeu?

Normani e eu rimos. Charlie fez uma careta.

— Sim, pai. Entendi, sim.

~~

Era bem cedo. O sol ainda não tinha surgido no horizonte quando fechei o zíper da mala e, silenciosamente, desci com ela pelas escadas. Charlie e Normani estavam dormindo no quarto principal.

Depois que os médicos o avaliaram, voltamos para casa e seu pai fez uma sopa. Afirmou que era o necessário para curar um resfriado. Claro que Charlie não estava resfriado; ele havia sofrido um acidente de carro. Mas nenhum de nós achou prudente apontar a distinção.

Tive a sensação de que seu pai só precisava fazer algo para ajudar, provavelmente para ter certeza de que o filho estava bem.

Quando o jantar ficou pronto, os irmãos de Charlie apareceram.

Eu tinha a sensação de que aqueles dois viveriam felizes para sempre e esperava que, mesmo com todos os acontecimentos que marcaram o fim da minha estadia, eles estivessem dispostos a manter contato comigo.

Andei pela casa escura, fiz um pouco de café e tomei um gole enquanto olhava pela janela, conhecer Charlie tinha sido interessante, para dizer o mínimo. Tive momentos maravilhosos assistindo a seus jogos na arquibancada e no centro de treinamento, vendo os jogadores, conhecendo a vida das EENs... Mais que isso, entendi como era o dia a dia do time. Homens que se apoiavam acima de tudo e que jogavam beisebol como quem toca um instrumento afinado: nenhum jogador era melhor que o outro, e o conjunto era absolutamente belo. Fiquei ainda mais apaixonada pela equipe do Red Sox do que era antes de chegar a Boston — e eu já era uma torcedora incondicional.

Eu sentiria falta das namoradas e esposas que conheci. Elas tinham sua panelinha, e eu curti muito fazer parte do clube por um mês. Sarah, Morgan e, é claro, a pequena Kris não seriam facilmente esquecidas. Eram mulheres bacanas, que apoiavam seus companheiros em tudo.

Silenciosamente, mandei boas vibrações e amor para elas.

Acima de tudo, vi um casal se apaixonar. Duas pessoas que não acreditavam que tinham sido feitas uma para a outra e descobriram que a única coisa que não estava certa era ficarem separadas. No fim das contas, Normani e Charlie se completavam. Eu não poderia estar mais feliz por Charlie ter perdido aquele seu jeito babaca. Na verdade, acho que ele havia erguido uma barreira. Uma barreira que afastava as mulheres legais, talvez porque ele não se sentisse digno ou bom o suficiente para uma garota que valesse a pena. Depois que ele mudou de vida, começou a viver mais para si mesmo, descobrindo seu lugar no mundo. Foi mais fácil perceber que não era preciso erguer uma barreira. Ele podia ser ele mesmo e, quando se deu conta disso, viu se abrir um mundo inteiro de felicidade, materializado na forma daquela mulher doce que ficaria a seu lado, preparada para cuidar dele em todos os sentidos: profissional, física, mental e emocionalmente.

Quanto a Normani, acho que ela precisou quase perder Charlie para perceber que era boa o suficiente para ele. Mais que suficiente. A mulher que ela mostrava ao mundo era exatamente a mesma por quem Charlie se apaixonara, e eu tinha certeza de que ele a levaria até o altar um dia. Assim que terminei o café, peguei meu bloco de anotações.


Charlie,

Uma coisa que você não sabe sobre mim é que eu não gosto de despedidas. Elas são confusas e desconfortáveis, e é por isso que estou indo embora enquanto você está dormindo nos braços da mulher que ama. A mulher que você nasceu para amar. Fiquei honrada por você ter me escolhido para ser sua namorada de mentira. Este mês foi o mais divertido que eu tive em anos. E aprendi algumas coisas. Vou levar comigo a lição de que devo sempre dar o melhor de mim e estar aberta às oportunidades que surgirem à minha frente. Ter uma chance de encontrar a felicidade é importante, e é comum as pessoas ficarem presas em sua rotina diária, ou pensarem que a vida simplesmente não pode ficar melhor, mesmo quando sabem que não são felizes. Você escolheu a felicidade e ela veio na forma de uma morena doce e linda. Cuide bem dela. Ela está assumindo um risco ao se entregar a você completamente. 

Normani cuide dele. Ele precisa de uma mulher forte, que saiba se impor. Eu sei que você é essa mulher. Vou sentir muito a falta de vocês dois e pensar sempre em ambos. Obrigada por me mostrarem que a vida pode ser melhor se eu escolher ser feliz. Um dia, tenho certeza de que vou encontrar o que está destinado a mim, e, quando isso acontecer, se for o momento certo, não vou deixar escapar. Nunca se deixem escapar.

Com todo o meu amor, Camila.


Deixei o bilhete no balcão da cozinha, puxei a mala e desci as escadas. Lá embaixo, o táxi já me aguardava.

— Aeroporto Internacional Logan, por favor.

A cidade passou voando enquanto o sol começava a subir no horizonte, iluminando o céu em tons suaves de dourado e azul. Tinha sido um bom mês. Entre jogos de beisebol e sair com Charlie, e Normani e o resto da equipe, foi demais. Também tive a oportunidade de planejar um evento de caridade. Que foi mais que bem-sucedido e ajudaria muitas mulheres a conseguirem tratamento para o câncer de mama. No geral, eu classificaria este mês como um dos muitos que eu nunca esqueceria.

O táxi me deixou no aeroporto, fiz o check-in, passei pela segurança e encontrei um Starbucks para me sentar, tomar mais um café e comer uma fatia de bolo de limão. Algo me incomodava. Quanto mais eu tentava afastá-los, mais os pensamentos irritantes me cutucavam.

Peguei o telefone e meu coração balançou com o impasse. Uma mensagem de Lauren. Não tínhamos nos falado desde que desliguei na cara dela, duas semanas antes.


"Ainda amigas?"


Por um longo momento, pensei nessas palavras. Ainda amigas. Lauren e eu eramos amigas? Amantes, sim. Amigas... Antes de descobrir que ela estava transando com Alexa, eu teria dito que sim. Amigas coloridas, com certeza.

Pensei em Dinah e no que nos fazia amigas. Confiança. História. Afinidades. Então, pensei no que seria da minha vida se Dinah não estivesse nela. E a resposta era horrível. Eu me sentiria perdida sem sua amizade. Será que eu tinha a mesma coisa com Lauren?

A resposta inequívoca era sim. Sim, eu tinha. Eu sabia que, se ligasse agora e dissesse que precisava dela, Lauren largaria tudo, pegaria um avião e estaria comigo. Assim como Louis e Harry, ou até mesmo Alec. Charlie, definitivamente. Porque eles eram meus amigos. Pessoas que compartilharam uma parte da minha vida e deixaram uma marca em minha alma. Eles agora eram uma pegada no caminho da minha vida.

Com dedos rápidos, digitei a resposta:


"Sim. Nós sempre vamos ser amigas. Não posso imaginar a minha vida sem você."


Andei pelo aeroporto, escolhi uma revista e esperei em meu portão de embarque antes que o celular apitasse com uma mensagem.


"Eu sinto a mesma coisa. Ainda existe espaço para mais, ou eu perdi você?"


"Você nunca poderia me perder. Por enquanto, vamos seguir nosso próprio caminho. Manter o combinado?"


"Sim. Quando posso te ver de novo?"


"Quando tiver que ser."


Com essa última mensagem, desliguei o telefone e embarquei para Las Vegas. Dois rápidos dias com minha irmã e minha melhor amiga era exatamente o que eu precisava para me preparar para um mês no Havaí. Eu mal podia esperar. Sol, surfe e bronzeador.

Que venha o calor.



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