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História A garota do Calendário - Capítulo 11


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Notas do Autor


Olá pessoas do meu coração, como vcs estão?! Eu espero que bem...
Trouxe mais um capítulo para vocês!
Espero que gostem 😊💜

Capítulo 11 - Fevereiro.


Fanfic / Fanfiction A garota do Calendário - Capítulo 11 - Fevereiro.

Depois do café da manhã, Pedro me levou de volta para o seu local de trabalho, no andar de baixo.

— Você é dono dos dois andares? — perguntei, enquanto o seguia.

Havia apenas algumas pessoas zanzando por lá, e já eram oito da manhã.

— Sou. Aqui é o meu local de trabalho. O outro andar, como você sabe, é a minha casa. Eu gosto de trabalhar perto do lugar onde moro. Às vezes fico aqui até tarde da noite, ou então sigo madrugada adentro. Quando termino, não quero ter que dirigir pela cidade toda. Gosto de estar a um elevador de distância.

Assenti com a cabeça.

— Faz sentido. Onde estão todos? — Afundei na cadeira que ele empurrou em minha direção.

Diante de nós, havia uma área iluminada e duas telas em branco penduradas na parede. Eram basicamente do mesmo tamanho, mas estavam em orientações diferentes: uma na vertical e a outra na horizontal.

— Dia de criação. Não preciso de muita ajuda hoje. Só você, minha câmera e tinta. Exatamente o que eu tenho na minha frente.

— Legal. — Olhei em volta. — O que você quer que eu faça?

— Vamos começar tirando algumas fotos de teste. Vou precisar que você fique na frente da tela horizontal. — Ele me ajudou a ficar de pé, em seguida me carregou no colo e me levou para outra cadeira, que havia sido colocada virada para a parede. No chão, embaixo do meu tornozelo torcido, estava um travesseiro. Ele me colocou perto da cadeira, de modo que eu usasse a parte de trás para apoiar o peso do meu corpo. — O travesseiro é para o caso de você precisar pôr o pé no chão. Não quero que o coloque sobre o concreto, correndo o risco de machucá-lo. Isso deve ajudar, oui?

Abri um grande sorriso.

— Sim, obrigada, Pedro. Pode fazer o que precisa. Estou bem, perfeitamente à vontade — assegurei.

Ele se moveu pelo espaço, arrumou um tripé e ajustou as luzes.

— Certo. Tire a camiseta e fique de sutiã. Por enquanto, só preciso ver os ângulos e as formas dos seus ombros, braços, pescoço e as laterais da parte de cima do seu corpo.

Respirando fundo, puxei a camiseta e a joguei de lado.

— Tudo bem, francês. Mas isso vai te custar caro — avisei.

— Estou bem ciente da despesa — ele respondeu por trás da câmera.

No momento em que tirei a camiseta, os flashes começaram a disparar. Fiquei imóvel com meu sutiã de renda preta. Ele me cobria completamente, mas, ainda assim, eu estava nervosa. Nunca trabalhei como modelo, não achei que tivesse corpo para isso.

— Impressionnant — Pedro murmurou em francês. Aquilo soou como um elogio e eu continuei tranquila, deixando-o fazer o que precisasse. — Você está indo bem.

— Como assim? Não estou fazendo nada além de ficar aqui parada.

— Com a sua beleza, isso é o suficiente. Além do mais, isto aqui é só um teste de posicionamento, iluminação, essas coisas. — Depois de mais alguns cliques, ele se aproximou. — Está cansada de ficar em pé?

— Um pouco. — Me equilibrar em um pé só era difícil, mesmo que tivesse o apoio da cadeira.

Fizemos uma pausa e ele me trouxe um copo de água e um cobertor. Usei-o para proteger minha nudez. Em seguida, ele me colocou de costas para a câmera, mas antes me fez balançar a cabeça várias vezes para bagunçar o cabelo.

— Suas cores são perfeitas, ma jolie. — Ele foi até uma mesa e pegou um pincel e uma latinha de tinta vermelho-cereja. — Vai parecer estranho, mas vou aplicar esta tinta nos seus lábios.

— Claro, faça o que tem que fazer.

Em seguida fiz um bico enquanto ele pintava delicadamente meus lábios. Quando terminou, Pedro mexeu no meu cabelo mais algumas vezes e voltou para a câmera.

— Agora, Luna, pense em algo triste, algo que machuque o seu coração. Talvez você possa se lembrar de alguma coisa de que sente falta, oui?

Assenti com a cabeça para não estragar a pintura dos lábios.

Então olhei para longe e pensei em Matteo. O que ele estaria fazendo agora? Com quem estaria? Será que sentia minha falta? E se ele estivesse seminu na frente de outra pessoa? Esses pensamentos eram torturantes, então tentei mudar o foco. Só Deus sabe por quê, pensei em meu pai. Fazia mais de um mês que eu não o via. Ele ainda estava em coma, e sua filha não estava sentada ao seu lado. Esse pensamento me atingiu o coração.

— Luna! — Pedro disse bruscamente, me fazendo virar a cabeça tão rápido que eu pisquei. Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha. A câmera clicou. — Consegui — ele disse suavemente. Afastei as lágrimas que estavam na iminência de cair.

— Terminamos? — Minha voz falhou quando ele me entregou um pano molhado.

— Esta parte do projeto, sim, terminamos. Pode tirar a tinta e descansar. Vou pegar a sua camiseta.

— Obrigada — sussurrei, me sentindo confusa e muito emotiva.

Assim que me vesti, nos sentamos lado a lado e olhamos, através de uma das janelas, para as ruas de Seattle.

— O que é essa imagem em que nós estamos trabalhando?

— Você quer saber o nome da obra?

Anuí com a cabeça, mas permaneci em silêncio, observando a rua.

— Nada de amor para mim.

Claro. Deveria ser a trilha sonora da minha vida.

— Estou pronta para voltar ao trabalho.

Pedro me levou para a tela mais uma vez. Nenhuma palavra foi dita quando tirei a camiseta, baguncei o cabelo e me posicionei. Finalmente, resolvi quebrar o silêncio.

— O que vem depois? — perguntei.

— Encontrar o seu amor, é claro.

[...]

O terceiro dia com Pedro me trouxe de volta ao loft. Na noite anterior, chegamos tarde depois de um longo dia de sessão de fotos. Nem almoçamos. Aparentemente, quando a inspiração bate, é preciso aproveitar. Na verdade, quando uma mulher tira a parte de cima da roupa e você é um homem hétero, não é tão difícil imaginar que a inspiração vai sair de controle. Todos os homens são tarados, de um jeito ou de outro. Este aqui só estava disfarçado de artista francês gostosão. Tenho de admitir, porém, que aquilo estava funcionando totalmente comigo. Eu estava morrendo de vontade de colocar as mãos nele. Em qualquer lugar daquele corpo. Aquele físico alto e musculoso, com a cintura estreita, me deixou salivando pelo segundo dia consecutivo. Infelizmente, Pedro era um viciado em trabalho. Depois que voltamos para o seu loft, jantamos pizza e então ele retornou ao estúdio a fim de trabalhar nas fotos daquele dia. Quando fui para a cama ele ainda não tinha chegado. O fato de ele não ter tentado nada depois daquele beijo me irritou. Eu estava disposta a dar o próximo passo. Precisava parar de pensar em Matteo e no chaveiro de prancha com a chave da porta da frente e do seu coração.

[...]

Hoje, Pedro não estava me esperando na cozinha. Depois que desci as escadas, eu esperava encontrá-lo ali, preparando o café. Mas não. Só encontrei um bilhete sobre a mesa, ao lado do bule de café.

Ma jolie,
Me encontre no andar de baixo quando estiver pronta. Temos muito trabalho pela frente.


Comi uma banana, tomei café e, com minhas muletas, desci de elevador até o estúdio, que estava muito mais movimentado que no dia anterior. Mais uma vez, havia muitos homens de preto correndo para lá e para cá, tirando fotos. Era interessante ver de perto o trabalho de um artista mundialmente famoso enquanto ele aperfeiçoava sua arte e orientava os assistentes.

— Até que enfim você chegou. — Um dos homens se aproximou. Ele agarrou meu braço e tentou me puxar, muito mais rápido do que as muletas me permitiam andar.

Enquanto eu lutava para me manter em pé, a parte de baixo da muleta se enroscou em um fio estendido no chão de concreto. A muleta virou e me fez inclinar para a frente. Por pouco não coloquei todo o meu peso sobre o tornozelo machucado. Meu corpo se balançou, mas consegui me equilibrar. Chega! Completamente irritada, puxei o braço.

— Cuidado aí, cara. Você vai levar uma muleta na bunda se não parar de puxar o meu braço. Não sou um cachorro na coleira. — Apontei a muleta na direção do seu rosto — Fique longe de mim.

— Que se passe-t-il? — perguntou uma voz agitada atrás de nós. Pedro se levantou, colocou as mãos nos quadris. — O que significa isso?

— Sr. Arias, a modelo não estava sendo rápida o bastante, e o senhor está esperando por ela há uma hora — o assistente respondeu.

Uma hora? Que se dane! Se ele queria que eu me levantasse cedo, deveria ter programado um despertador. A culpa não era minha.

— Imbécile — ele murmurou, alto o suficiente para nós dois ouvirmos. — Você tem problemas de visão?

O homem franziu o nariz.

— Como assim?

— É surdo também?

Desta vez ele entendeu a afronta.

— Olha, sr. Arias, o senhor disse que as modelos deveriam seguir as regras, o que inclui chegar no horário. Ela está atrasada, muito atrasada. Uma hora de atraso. Eu só estava tentando levá-la...

— Já chega. Você é um idiota. Não está vendo que ela está machucada e não pode correr de muletas?

— Eu só estava tentando...

— Assez! Cale a boca, antes que cave um buraco tão fundo de onde nunca mais vai sair — Pedro olhou ao redor do salão e estendeu o braço, abrangendo o espaço. — Agora, para todos que estão ouvindo, esta mulher é a Luna. — Apontou para mim. — Ela é a musa de Amor a óleo. Para sua informação, ela é tão preciosa e inestimável quanto qualquer uma das minhas telas, e deve ser tratada como tal. Agora, voltem ao trabalho. — Bateu palmas duas vezes antes de vir para o meu lado. — Você está bem, ma jolie?

— Tudo bem. Ele só me irritou. Me puxou com muita força e eu quase caí. Não fez por querer.

— Um erro que ele não vai cometer de novo — Pedro resmungou. Inclinou-se para a frente e mais uma vez me carregou no colo, como uma princesa. — Dormiu bem?

Era a minha chance.

— Teria sido melhor com um corpo quente e agradável deitado comigo — falei com ousadia. Ele ficou imóvel, seu olhar no meu, os olhos castanho-dourados assumindo um tom mais escuro, as pupilas dilatadas.

— É mesmo?

— Eu nunca minto. — O que não era exatamente verdade. Eu mentia sempre que era conveniente ou quando estava em apuros.

Pedro sorriu.

— Acho difícil acreditar nisso, ma jolie. — Ele me levou para o lugar onde havíamos trabalhado no dia anterior.

Antes que me soltasse, sussurrei em seu ouvido:

— Acredite, francês. — Então beijei sua bochecha suavemente.

— Parece que vamos ter que reorganizar os nossos aposentos o mais rápido possível. Não quero que você se sinta abandonada.

— Isso seria uma tragédia. — Abri um grande sorriso.

Sua resposta foi uma piscadela antes de se virar e pegar a latinha de tinta e o pequeno pincel.

— Boca pintada de novo?

Ele veio em minha direção e ergueu o queixo, em um pedido silencioso para que eu olhasse para trás. Eu me virei de lado na cadeira. Foi quando vi. Não era eu. Eram duas de mim. Uma delas era uma imagem minha pintada em preto e branco. A segunda era uma combinação de foto na metade da tela, e a outra parte em branco. Os lábios vermelhos brilhantes eram o único ponto de cor na foto. A imagem pintada era muito realista, mais ainda que a foto da outra tela. Eu me levantei e fui pulando até a pintura. As pinceladas eram minúsculas e compunham quase uma cópia perfeita da imagem fotográfica. Era possível ver até mesmo a lágrima que escorria pelo meu rosto. A tristeza em meus olhos, a postura e os ombros caídos mostravam uma mulher torturada. Triste, mas ainda assim... bela. Um momento capturado no tempo.

— É... Eu não acredito... Como pode? — sussurrei e levantei a mão para tocar a pintura. Antes que eu conseguisse, Pedro pegou meu pulso e o puxou para trás suavemente. — Não toque. Ainda está molhado. Eu trabalhei nesta tela durante a noite.

Meus olhos se arregalaram e eu ofeguei.

— Desculpa. Eu não tinha percebido. Que idiotice. Quer dizer, eu deveria saber. Sinto muito.

Pedro estendeu a mão e acariciou uma mecha do meu cabelo, enrolando-a em um dedo, antes de me tocar na testa, na bochecha e na lateral do queixo. Arrepios eclodiram em meu braço e eu estremeci.

— Frio? — ele perguntou, com um meio sorriso. Ele sabia o que estava fazendo comigo.

— Não.

— Bem, então vamos começar. — Ele passou os dedos pelos meus cabelos, empurrando-os por cima dos ombros. Em seguida, repetiu o movimento do outro lado. — Fique sentada. Vou pintar os seus lábios.

— Você não pensa em outra coisa além de trabalho?

— Está se referindo ao fato de eu querer te beijar até roubar a sua respiração? Ou à constatação de que, se eu pudesse, rasgaria sua camiseta e chuparia seus mamilos rosados até você implorar para eu fazer amor com você?

— Fazer amor? — Eu ri, apesar de suas palavras me deixarem quente.

— Claro, chérie. Os franceses fazem amor. E existem muitas formas de fazer. Com força. Rápido. Devagar. Deliberado. Pretendo utilizar todas elas com você, por muitas, muitas horas. Mas não agora. Agora é hora de trabalhar. Mais tarde nós vamos brincar.

Assenti, incapaz de falar. Eu queria saber o que significava brincar para ele, embora tivesse uma ideia. Lentamente, Pedro pintou meus lábios com a tinta vermelho-cereja. Quando terminou, me levantou da cadeira e me carregou até a pintura em preto e branco.

— Aqui a coisa se complica. Quero que você coloque a boca sobre a da tela, exatamente onde ela está pintada. Vou orientá-la da melhor forma possível. Você vai pressionar os lábios na pintura, com cuidado, até transferir a tinta.

Ele segurou minha cabeça e eu coloquei as mãos na parede ao redor da tela.

— Cuidado para não encostar na pintura em qualquer outro lugar, senão eu vou ter que refazer tudo — avisou, me assustando um pouco.

Respirei lenta e profundamente, perto demais da tela. Quando cheguei aonde achei que fosse o local certo, ele arrumou minha posição, segurando as laterais da minha cabeça antes de me empurrar levemente para a frente. Beijei a tela e me afastei. Ele me apoiou para que eu não perdesse o equilíbrio e me levou de volta para a cadeira. A imagem pintada em preto e branco agora tinha lábios vermelhos perfeitos. Quase parecia que ele os tinha pintado, mas dava para perceber que era um beijo. Não estava perfeito, mas ficou bom.

— Exatamente como eu imaginei. Você me surpreende, Luna — Pedro disse, com admiração, enquanto olhava para sua obra-prima. — Já ouviu aquele ditado: “Uma imagem vale mais que mil palavras”? — Eu ri. — Isto aqui tem valor inestimável, e vai durar a vida inteira na casa de alguém. Será passado de geração em geração, um legado que vai durar anos.

[...]

Durante o restante do dia ele tirou fotos de mim. Dessa vez fiquei completamente nua na parte de cima, de frente para a parte em branco da tela que continha minha fotografia. Não entendo por que eu tenho que ficar nua para isso. Meus seios estavam arrepiados, e eu não achava isso legal para uma boa foto. Meu cabelo estava solto e selvagem de novo, só que dessa vez Pedro arranjara uma pessoa para bagunçá-lo profissionalmente. Isso me fez rir tanto que ele simplesmente se virou de costas e foi verificar outros detalhes do trabalho. Eu sabia que o estava irritando. Ele provavelmente não estava acostumado a ver suas musas falando ou criando problemas. Isso me fez pensar em quantas musas ele teve no passado. O pensamento de que eu era apenas mais uma me incomodou.

— Você já tinha contratado uma musa antes? — Eu não queria realmente saber a resposta, mas não pude deixar de perguntar.

A câmera clicou e ele falou em francês com um de seus assistentes. O homem ajustou as luzes grandes. Outro clique.

— Não, ma jolie. Você é a única — ele finalmente respondeu. E foi o suficiente. Eu gostava de ser a sua única musa contratada.

— O que nós estamos fazendo, afinal? — perguntei, de frente para a parte em branco da tela, sobre a imagem inacabada.

— Vou fazer você amar a sua imagem. E isso vai se traduzir para o espectador com o significado de “amar a si mesmo”.

— Como é que é?

Ele soltou um suspiro cansado.

— Ma jolie, preciso terminar estas fotos para que eu possa pintar e jantar com você, fazer amor com você e depois reproduzir a sua imagem na tela. Temos muito a fazer.

Isso não caiu bem. Não gostei da forma como ele listou as coisas a fazer, como se jantar e “fazer amor” comigo fossem as obrigações da noite.

— Não se sinta obrigado — respondi, com raiva.

— Luna, o seu humor está afetando a sua imagem. Por favor, pare de pensar em ficar frustrada comigo e mantenha o foco no trabalho.

Eu me virei, mais que aborrecida, as mãos nos quadris, esquecendo que meus seios estavam expostos.

— Não posso fazer isso. — Minha voz se elevou, chamando a atenção dos homens de preto ao redor da sala. Coloquei as mãos de volta sobre os seios. — Eu nem sei o que você quer que eu faça! — reclamei, cerrando os dentes.

Pedro se aproximou de mim e me posicionou virada para a parede. Afastou o cabelo do meu ombro e pescoço, onde esfregou o nariz.

— Ma jolie, me desculpe. Eu não queria te irritar. Estamos ficando tensos. Vamos nos concentrar agora e deixar a conversa para mais tarde. Oui? — ele falou naquele tom tranquilo que, parecia funcionar como um feitiço, me acalmando. Depois beijou meu ombro com suavidade. Parecia uma promessa. E, mais tarde, eu iria garantir que ele a cumprisse. — Agora, coloque a mão aqui. — Ele levantou meu braço direito e o encostou na parede. — A outra eu quero que fique na parte de baixo da tela, em cima do coração da imagem. — Delicadamente, coloquei a mão sobre a tela. Pedro voltou para a câmera. — Muito bem, Luna, olhe para a sua imagem. Procure se lembrar de um momento em que você se sentiu amada. Em paz consigo mesma.

Instantaneamente, fui catapultada para uma lembrança de quando era pequena. Foi antes de minha mãe nos abandonar. Nessa época nós éramos uma família feliz. Eu tinha acabado de conseguir o papel principal na peça do colégio. Minha mãe até ficou feliz por mim, e normalmente ela só se concentrava em seus próprios desejos e vitórias. Mas não naquele dia. Naquele dia ela me deu um abraço, um beijo, disse que estava orgulhosa de mim e que sempre me amaria. Então, meu pai me pegou no colo e me segurou bem perto do rosto. Sussurrou que sempre soube que eu tinha alguma coisa especial. Algo que nenhuma outra menina tinha. Naquele momento, segura nos braços de meu pai e no amor de minha mãe, eu acreditei nele. Foi o melhor dia da minha vida. A câmera clicou furiosamente. E a lembrança continuou. No dia seguinte, minha mãe foi embora e nunca mais voltou. Não cheguei a atuar naquela peça. Por muito tempo eu imaginei que a culpa por ela ter partido era minha. Pelo fato de eu ter conseguido toda a atenção do meu pai quando fiz algo bem feito. E, mesmo com dez anos de idade, eu sabia que ela desejava muito receber a mesma atenção. Agora, adulta, eu pensava diferente. Bem, na maior parte do tempo. Olhei para a imagem do rosto molhado da Luna de vinte e quatro anos e senti pena dela. Por uma fração de segundo, me permiti sentir pena pela minha criação, pelas escolhas que minha família fez e pela maneira como escolhi viver depois daquilo. Pela maneira como eu estava vivendo agora. O que eu via não era mais uma imagem bonita. Era a imagem de uma menina triste, que havia perdido algo precioso. Sem perguntar se tínhamos terminado, vesti o sutiã e a camiseta, peguei as muletas e me afastei. Meu coração estava apertado. Eu estava a ponto de desmoronar.

— Luna! — Pedro chamou, mas eu não parei. Já era tarde e o dia tinha sido longo. Ele não poderia me culpar por precisar de descanso.

Subi até o loft e fui direto para a cozinha. Encontrei uma garrafa de vinho aberta e uma taça, despejei uma dose grande do líquido vermelho e tomei um gole antes de permitir que as lágrimas caíssem. Foi quando Pedro chegou. Ele pegou uma taça para si e se serviu. Então, recostou-se contra o balcão e olhou para mim enquanto eu tentava me recompor e simplesmente fingir que não estava chorando feito um bebê.

— Por que você não se ama? — Suas palavras me atingiram, deixando um buraco gigante na minha alma.


Notas Finais


E aí o que acharam?
A Luna tá caidinha pelo Pedro kkk
Ou será que isso dela é só carência por está longe do Matteo?
P.S: Lembrando que todo esse ano vai ser muito importante para a Luna se redescobrir e saber o que ela quer de sua vida, então cada cliente vai ter a sua importância, até que a Luna possa ter o seu feliz para sempre.
Bom pessoas é isso e nos vemos no próximo capítulo. Beijos. 😊💙


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