História A Garota do Uchiha - Capítulo 10


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amizade, Colegial, Romance, Sasusaku
Visualizações 543
Palavras 5.787
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 10 - Encontro.


A GAROTA DO UCHIHA

Eu estava fazendo o possível e o impossível para que eu me sentisse relaxada, mas o fato de está num encontro com o garoto mais lindo da escola não ajudava muito. Eu sentia os meus batimentos cardíacos acelerados, o friozinho no estômago que só contribuía para que as minhas mãos ficassem úmidas e geladas onde demonstrava todo o foco do meu nervosismo. A mão grande de Sasuke que envolvia a minha causava uma onda de sentimentos confusos dentro de mim, ao mesmo tempo em que eu me sentia protegida. E só nos separamos quando entramos no vagão do metrô.

Sentei-me num dos bancos vazios daquele vagão, colocando minha pequena bolsa sobre o meu colo e minhas mãos em cima dela. Mantive o meu olhar focado num ponto qualquer no chão, e mesmo tentando parecer uma pessoa relaxada, meu corpo estava duro e tenso. Sasuke sentou-se ao meu lado, seu braço roçando o meu. Sentia aquela terrível sensação incômoda quando alguém te observa, e fui covarde o suficiente para não erguer meu olhar para o lado e tirar a prova de que Sasuke olhava para mim.

- Você me parece bem tensa. Relaxe. - a voz rouca e baixa de Sasuke soou perto do meu ouvido, fazendo com que os pelinhos de minha nuca ficassem arrepiados e um calor subir para as minhas bochechas.

Desta vez não tinha como ignorar, ergui meu olhar para Sasuke de um jeito rápido e meio que destrambelhado, e fui banhada por uma onda de negretude que eram seus olhos me fitando daquele jeito que me deixava fora de foco.

- Eu e-estou bem. - odiei-me por ter gaguejado, revelando a minha hesitação. Suas sobrancelhas ergueram-se para cima. - É serio!

Eu queria me dar um tapa naquele momento, pois era óbvio que eu estava mentindo, eu mesma não acreditaria naquele meu tom de voz que denunciava tudo.

O canto esquerdo de sua boca ergueu-se lentamente para cima, soltando uma pequena risada nasal, enquanto umedecia os lábios com a ponta da língua. Gesto que só fez o frio circular o meu estômago.

- Você é uma péssima mentirosa.

Sim eu era, e só a sua afirmação do que eu já estava cansada de saber, me deixou meio que sem graça. E o fato dele está totalmente gentil e carinhoso me deixava estranha, e me sentindo a pessoa mais esquisita do mundo, pois enquanto ele fazia de tudo para ser uma pessoa comunicativa eu travava, por que Sasuke de alguma forma me fazia sair da minha zona de conforto.

- Você... você ainda não me disse para onde pretendemos ir. - tentei empurrar um assunto qualquer, para pelo menos armenizar o clima. Pelo menos para mim, que queria desesperadamente que ele parasse de me olhar daquele jeito. Mas eu havia falhado dolorosamente.

Sasuke aproximou seu rosto para mais perto do meu, fazendo-me automaticamente prender a respiração e inclinar meu corpo para o lado, me afastando. Ele abriu novamente aquele sorriso de lado, que eu havia decretado como perigoso, e logo sua voz soou calma e lenta, pronunciando cada palavra como se fosse uma melodia.

- Isso é segredo, garota curiosa.

Soltei a respiração, sentindo meu rosto ficar mais vermelho. O cheiro de seu perfume amadeirado fazia meu coração acelerar mais. Mordi o canto de minha boca e desviei meu olhar para frente, incapacitada de ficar segurando seu olhar intenso por muito tempo.

Cinco minutos depois, Sasuke se levantou, atraíndo a minha atenção, conforme o metrô começava a parar, chegando a estação de Hinjuku.

- Vamos.

Levantei-me também, ajeitando a bolsa no meu ombro, e quando as portas se abriram, saimos do vagão. A mão de Sasuke logo capturou a minha, estava um pouco mais gelada que o normal. Ele me guiou para fora da plataforma e logo estavamos andando pelas calçadas movimentadas.

Hinjuku era um dos bairros ricos e movimentados de Tóquio. Prédios altos espelhados, lojas de grife, restaurantes, cafeterias e entre outras coisas podiam ser vistos por onde eu olhava. Eram pouquissímas às vezes que vim a esse bairro, e todas às vezes que vim aqui, meu pai estava junto. E sem esquecer do detalhe que foi nesse bairro que ele havia morrido. Apesar de sentir uma certa angustia por esse pequeno e miserável detalhe, eu tentei ocultar, e mascará-lo com uma expressão de indiferença. Sasuke não precisava ficar ciente de que sua boa vontade havia me feito ter lembranças ruins. Eu não queria que ele se sentisse culpado. Ninguém tinha culpa, a não ser os fatos terríveis que acontece na vida de um ser humano.

Espantei esses pensamentos ruins para o lado e deixei ser guiada por Sasuke enquanto eu me esforçava para que o assunto banal que ele dizia sobre o lugar não morresse. Eu havia colocado em minha cabeça que faria de tudo para que esse encontro saisse bem.

Paramos ao lado de um semáfaro que estava verde, esperamos que o sinal fechasse para que assim pudessemos atravessar. Do outro lado havia um shopping e não precisei pensar muito e deduzir que ali era o nosso destino.

O sinal logo fechou, fazendo com que os carros parassem, e nós - assim como algumas pessoas perto da gente - atravessamos a rua até o outro lado. Entramos no shopping, e o ar gelado do local fez com que a minha pele arrepiasse, mas isso era só detalhes.

- Pensei em começarmos com um cinema, o que acha? - a voz de Sasuke fez com que eu desviasse os meus olhos das vitrines das lojas para ele.

- Ah... legal. - assenti com a cabeça, observando aquele pequeno sorriso de lado surgir no canto de sua boca mais uma vez.

Desviei meu olhar do dele e novamente me deixei ser guiada em direção as escadas rolantes. Minha atenção era toda voltada para as lojas que haviam ali. Eram rarissímas as vezes que eu ia ao shopping, geralmente era minha mãe que me arrastava para lojas que haviam em Suna ou em Konoha para comprarmos algo que ficaria bem em mim.

Quando chegamos ao terceiro piso, percebi que não estava tão cheio quanto os outros.

- Você quer escolher o filme? - Sasuke perguntou, totalmente gentil.

- Eu?

Ele tirou sua atenção dos posteres dos filmes que estão em cartazes pregados na parede para mim.

- Sim.

- Não acho que isso seja uma boa ideia. - minha voz soou baixa.

- Por que não? - ele quis saber, me fitando daquele jeito que fazia seu cabelo descobrir a parte de seu olho direito, que eu achava extremamente fofo.

Mordi o canto de minha boca, e desviei meu olhar para o lado.

- Por que eu acho que nós não devemos ter os mesmos gostos. - era meio que óbvio, garotos gostam de filme de ação. E pelo o que eu via nos filmes clichês que eu assistia, garotos ficavam entediados com filmes românticos.

- Tenta. - ele disse, virando agora seu corpo todo para mim, me fazendo olhá-lo novamente. - Fazemos assim, você escolhe o filme de hoje e quando vinhemos ao cinema novamente eu escolho, que tal?

Não pude deixar de ficar surpresa, não por ele está sendo legal por deixar eu escolher o filme, mas sim, o fato de ele ter mencionado o nosso próximo encontro. Realmente eu não sabia o que sentir, não sabia se ficava grata por ele ser uma pessoa extremamente educada e fora dos padrões de garotos imaturos que existiam, ou se eu dava mais atenção para a minha pequena onda de tímidez que começava a tomar conta de mim.

Desviei minha atenção para os cartazes, tentava ocultar o fato de que fiquei mexida com sua declaração.

Mordi o lábio, prestando mais atenção em qual filme iria escolher. Fiquei tentada em escolher A Cabana, eu havia lido o livro ano passado e gostei da história, mas eu tinha conciência - e por experiência própria - de que filmes baseados em livros era uma droga. Nunca saía do jeito de como livro relata, e eu sempre ficava desapontada no final. Havia Piratas do Caribe, odiava aquela saga com todas as minhas forças. Desviei meus olhos para outros filmes que estavam em alta, até focar em um...

- Ahn... Velozes e Furiosos? - minha voz soou aleatoriamente, eu gostava da saga, era um dos poucos filmes de ação que havia prendido a minha atenção.

- Isso é sério? - o tom de voz surpreso de Sasuke, me fez olhá-lo alarmada. Suas sobrancelhas erguidas.

Acho que havia dito bobagem. Pensei comigo mesma enquanto pensava num jeito de não me desesperar.

- Err... se você não gosta tudo bem... olha, eu disse que eu não era boa para escolher filmes e tudo bem se você escolher outro...

- Sakura - Sasuke interrompeu o meu pequeno surto, colocando suas mãos em meus ombros. -, não precisa ficar nervosa. Eu gosto da saga, só estou surpreso por você ter escolhido. - seus olhos fitavam os meus. - Você gosta?

Novamente me senti uma idiota, havia pirado por uma coisa boba. Senti meu corpo relaxar aos poucos, e suspirei disfarçadamente.

- Eu gosto. - respondi, tentando parecer uma pessoa normal.

Ele sorriu, tirando suas mãos de meus ombros, dando um passo para atrás.

- Viu só como temos gostos parecidos? - concluiu. - Vou comprar os ingressos.

Eu fiquei esperando enquanto Sasuke ia até um dos guichês e comprava os ingressos. Cruzei meus braços e fitei o chão, eu queria que tudo desse certo, mas parecia que eu estava começando a estragar tudo com os meus ataques de bizarrisses.

Suspirei mais uma vez, fechando os olhos com força.

- Pare de agir como um ser alienígena, Sakura Haruno. - murmurei para mim mesmo, e abri os olhos em seguida.

Não demorou para que Sasuke voltasse com os bilhetes na mão.

- O filme começa daqui a quarenta minutos. - ele disse, com uma leve careta no rosto. - Quer andar por aí e fazer hora?

- Tudo bem... - não consegui terminar a frase, pois eu fui totalmente interrompida quando meu estômago teve a infelicidade de roncar alto, como se eu fosse uma pessoa que passasse fome. Mas o fato era que naquele momento eu havia me lembrado de que não havia comido nada.

- Uau. - Sasuke riu levemente, me deixando extremamente constrangida.

Abaixei a cabeça, tentando ocultar o meu rosto vermelho.

- Desculpa. - pedi, eu queria que o chão se abrisse nos meus pés naquele momento.

- Relaxa - ele levou a mão em meu queixo e o ergueu para cima, me fazendo fitá-lo. -, agora temos um lugar para irmos até dar a hora do filme. - ele sorriu. - Também estou faminto.

Meu coração novamente batia forte, e não tive forças para respondê-lo. Sasuke segurou a minha mão novamente, guardando os ingressos no bolso de sua calça e me puxou para uma praça de alimentação que ficava no segundo piso.

Entramos no MC Donald's, e fizemos o nosso pedido, e depois de discutirmos por quase cinco minutos pelo fato de eu querer pagar o meu lanche, Sasuke saiu vencedor daquela batalha. Eu não achava legal ele querer pagar tudo. Direitos iguais.

Sentamos numa daquelas mesas redondas e começamos a comer. Eu estava irritada e não conseguia evirar em não demonstrar aquilo para ele.

- Sabia que fica linda com essa cara irritada? - ele disse, me pegando desprevinida e me desconcertando, acabando com o meu planinho de tentar ignorá-lo, pelo menos um pouquinho, até que aquela irritação passasse.

- Eu só não acho justo você querer pagar tudo.

Suas sobrancelhas ergueram-se para cima, seus lábios numa linha reta.

- Não é justo eu deixar você pagar algo sendo que fui eu que a convidei.

Apertei meus olhos, e processei seus argumentos e ataquei:

- Então caso eu te convidasse para sair, ficaria ok o fato de eu pagar algo?

- Você está me convidando para sair? - ele respondeu a minha pergunta com outra pergunta, enquanto um sorriso animado se abria em seu rosto.

Meus olhos arregalaram por um segundo e logo tratei de reverter aquilo.

- V-você não respondeu a minha pergunta. - não era para eu ter gaguejado, odiei isso.

Ele ficou uns segundos me fitando daquele jeito que me fazia ficar nervosa e sair da minha linha de conforto. Mas dessa vez eu não fugi de seu olhar, continuei firme, esperando sua resposta, mesmo sentindo meu rosto quente.

- Ainda não deixaria você pagar. Agora responde a minha pergunta.

- Não estou te convidando para sair.

Seus olhos se abriram um pouco, parando o sanduiche a pouco centímetros de sua boca, mas logo soltou um sorriso antes de mordê-lo.

Ficamos uns dois minutos em silêncio, apenas apreciando o nosso lanche, até a voz de Sasuke soar aleatoriamente:

- Então gosta de filmes de ação.

Terminei de engolir um pedaço do sanduiche e dei um gole da minha Coca Cola antes de respondê-lo:

- Não gosto muito, só essa saga.

- Ah é?

- Vamos dizer que por influência de meu pai, ele era fã, e eu meio que fui forçada a gostar. - sorri, lembrando-me de papai e eu sentados no sofá da sala assistindo os filmes da franquia em volume alto. - Principalmente quando faziamos sessões de filmes nos finais de semana, cada quatro filmes que alugávamos na locadora, um era da saga Velozes e Furiosos.

- Pelo que você fala do seu pai, vocês dois eram bem próximos, não é?

Assenti com a cabeça enquanto as lembranças invadiam a minha mente, lembranças boas que fazia meu coração ficar apertado e uma angustia começar a surgir. A dor da perda ainda era viva.

- Ele era o melhor pai do mundo - minha voz saiu baixinha. -, só teve a infeliz má sorte de está no lugar errado e na hora errada.

- Me desculpe, fazer você...

- Tudo bem. - o interrompi, sorrindo comprimido, agora o fitando. A expressão de seu rosto era de uma compaixão sincera. - Eu só tento manter as lembranças boas, elas fazem a saudade diminuir um pouco.

Sasuke sorriu cansado, e seus ombros relaxaram.

- Gostei de seu modo de pensar, soa bem bonito. Não sei como você deve está se sentindo, pois nunca passei por uma perda na minha vida, mas posso entendê-la. A ausência é quase a mesma coisa do que a perda.

- Mas ao contrário de mim, você ainda tem seus pais vivos, e mesmo com a falta que você sente deles, você sabe que ainda pode os ver, e isso é o que importa.

Sasuke suspirou, concordando com a cabeça.

- Você tem razão, mas... tem momentos na vida que precisamos da presença de nossos pais para nos dar um pouco de conforto.

Naquele momento eu havia percebido que Sasuke sofria com a ausência dos pais, a máscara que ele usava havia caído ali. Ele era carente de amor, e não era amor de uma garota e sim uma carência que só os pais poderiam acabar.

Eu tive vontade de abraçá-lo naquele momento, de dizer para ele que poderia contar comigo. Naquele momento eu queria cuidá-lo, mimá-lo e acima de tudo, amá-lo.

Mas como uma boa covarde que eu era, eu contive aqueles sentimentos para dentro de mim, e não disse qualquer palavra de conforto a não ser um simples...

- Entendo.

Silêncio.

- Esse assunto é bem deprimente. - ele sorriu cansado, me contagiando com aquele sorriso. Ele estava novamente vestindo a máscara de um cara descontraído com uma vida perfeita. - Agora me fala mais sobre você?! - ele quis saber.

- Não tenho tantas coisas de interessante para contar. - ele ergueu as sobrancelhas, esperando. Apenas suspirei e comecei a relatar um pouco da minha vida medíocre: - Quando não estou trabalhando eu fico mais em casa, estudando, as vezes eu vejo filmes na TV ou lendo meus livros... Nada com que você possa invejar.

Ele soltou uma risada nasal, balançando a cabeça para os lados.

- Por que você sempre se diminui, como se tudo que você fizesse fosse insignificante? - agora o sorriso sumia no rosto, tomando uma expressão séria.

- Por que diante do que as outras pessoas fazem, o que eu faço não é grande coisa.

Seu cenho franziu.

- Pois eu não acho. O que eu vejo a minha frente é uma garota que não consegue enchergar o quanto é incrível.

- Você só está sendo gentil. - disse, tentando não ficar abalada com suas palavras.

- Não estou falando isso para te agradar, Sakura, estou falando isso por que é verdade.

- Por que não fala de você? - perguntei, tentando desesperadamente fugir do rumo daquela conversa que estava seguindo.

A verdade doía, eu sei que doía, e doía mais quando alguém tentava me dizer algo que eu sei que não era. Eu não sou nem um terço do que Sasuke estava falando para mim. Eu já estou conformada com o fato de ser uma pessoa estranha e esquisita. Eu não ligava para o que os outros pensavam de mim, pois eu estava conformada de quem eu era de verdade. E quando alguém diz algo que eu sei que não sou, era doloroso, pois isso fazia eu ter conflitos internos de que eu podia ser melhor, para depois descobrir que era tudo ilusão. Por isso que eu evitava falar sobre mim e da minha vida monotona e chata.

Sasuke ficou um tempinho me fitando, atentamente. Ele havia percebido minha agitação por querer fugir do assunto, eu sempre fugia.

- Também não tenho tantas coisas interessantes para falar. - ele sorriu debochado. - Passo o dia todo dormindo, ou nas redes sociais. Eu só saio quando Naruto ou o Sai ficam enchendo meu saco, aí gastamos o tempo jogando video game. Se você acha sua vida chata, a minha é mais chata ainda.

- Sem noites badaladas? - comentei totalmente curiosa, Sasuke não parecia que levava uma vida sem nenhuma agitação.

- Eu tenho cara de passar noites na farra? - ele perguntou, havia humor em sua voz.

Mordi o canto de minha boca, inclinando a cabeça para o lado e apertava os olhos enquanto o avaliava.

- Eu acho que sim.

O som de sua risada soou alta e relevada, quebrando qualquer tipo de clima chato que havia pairado entre a gente. E consegui me conter ser contagiada com a sua risada cativante.

- Minha vida não tem nada de interessante também, Sakura. - ele disse, se recompondo, ainda dando leves risadas. - Sou extremamente caseiro. Meus amigos dizem que eu tenho uma alma de velho num corpo de jovem. Não curto noites badaladas.

- Hum... - estava surpresa por saber coisas de sua vida, ele era uma pessoa simples. - Acho que o termo de que as aparências enganam deve ser verdade.

- Concordo plenamente, e você é uma delas.

- Eu?

Ele assentiu com a cabeça, sorrindo de canto.

- Você, uma garota simples, discreta e tímida, pensei que só curtia filmes românticos, mas gosta de filmes de ação.

- Para o seu governo, eu gosto de filmes românticos, e o único filme de ação que vejo é só Velozes e Furiosos.

- Já eu, gosto de filmes de ação e o único filme romântico que eu vejo é Crepúsculo.

Meus olhos arregalaram e não pude evitar de ficar surpresa.

- O quê? Isso é sério?

Ele balançou a cabeça para cima e para baixo, afirmando.

- Tirando a parte ridícula de que vampiro brilha, até que a história é legal. - ele apontou o dedo para mim. -Mas só não saia espalhando isso por aí, é o meu segredo mais obscuro.

Apesar de está compartilhando um segredo com Sasuke, e descobria a cada minuto o quanto ele era maravilindo, ainda estava processando o fato dele ser fã da saga Crepúsculo. Eu também gostava, mas só dos livros.

- Aquele filme é uma droga.

Sua sobrancelha esquerda abaixou na propabilidade que seu olho esquerdo apertava.

- Não é tão ruim assim.

- Vai por mim, o livro é mil vezes melhor do que o filme. - eu disse, colocando muita certeza no eu dizia.

Seu rosto se contorceu em uma careta.

- Não gosto de livros.

Outro fato que me deixou surpresa.

- Você não sabe o que está dizendo. Os livros é uma das cinco maravilhas do mundo, só perdendo para o chocolate.

Ele sorriu, totalmente desafiador.

- Eu sei muito bem o que estou falando. Livros são chatos. Prefiros os filmes, que são uma das cinco maravilhas do mundo, só perdendo para o sexo e tomate. Mas mesmo assim prefiro ler os mangás.

- Mangá é um meio de leitura, caso você não saiba. - rebati, ignorando o termo sexo como a maravilha do mundo dele.

Sasuke inclinou seu corpo para frente da mesa, ficando com o rosto um pouco próximo do meu.

- Mas acontece, sabichona, que mangás contém figuras, e isso ameniza a tortura de ler.

Prendi a respiração por um segundo, pelo fato dele está no limite do meu espaço pessoal, e reprimi a vontade enorme de rir.

- Isso é tão...

- Idiota? - ele completou, com humor na voz.

- Eu ia dizer diferente.

Ele sorriu, voltando seu corpo para trás.

- Viu só como temos gostos parecidos.

- Quase parecidos. - corrigi.

❊ ❊ ❊

Depois quando terminamos os nossos lanches, fomos direto para a sala do cinema. O tempo havia passado rápido, ele sempre passava rápido quando eu estava na presença de Sasuke.

O filme foi bom, apesar de ter sentido falta do Paul Walker, até que a história se desenvolveu bem, para o fim da saga sem a sua presença.

Quando saimos da sala do cinema, eu me sentia mais relaxada e menos tensa com Sasuke como me sentia no começo. Acho que pelo fato de termos tido uma converça legal no MC Donald's, ou por estarmos comentando os fatos sobre o filme que acabamos de assistir.

Assim quando saimos do shopping percebi o clima um pouco mais frio, as nuvens começavam a surgir no céu, fechando o dia que havia nascido bonito e aberto. Caminhamos pela calçada enquanto conversávamos sobre comida.

Havia descoberto que Sasuke não era fã de doces e sim amante de tomates. Tinha um gosto músical bem diferente do meu. E havia notado que quando ficava sem graça, ele colocava a mão atrás da nuca, num ato que deveria passar despercebido por ele, pois fazia isso naturalmente. Pelo menos umas duas vezes enquanto caminhavamos em direção ao parque Shinjuku.

Não podia deixar de me sentir deslumbrada com aquele lugar. O parque Shinjuku era um dos lugares mais lindos do bairro de Hinjuku e uma das atrações turísticas de Tóquio.

- Esse lugar é lindo. - minha voz havia saido maravilhada enquanto observava às copas das árvores vermelho amarelado dos dois lados que fechavam aquela rua asfaltada, formando uma espécie de túnel.

- Sim, apesar de ser mais bonito na primavera, no outono também tem suas vantagens. - respondeu Sasuke, andando ao meu lado.

Tinha que concordar, na primavera as árvores eram verdes e haviam mais flores. Já no outono, o fundo degradê era incrível de cores vivas, havia jardins diferentes em alguns lados, arbustos redondinhos, e um lago no centro com carpas.

A briza suave daquela tarde faziam as folhas largas e laranjas caírem das árvores, formando uma camada de manta no chão onde passavamos.

- Eu já vim nesse lugar com os meus pais anos atrás, mas foi na primavera. - comentei. - Mas é a primeira vez que venho aqui, no outono.

- Também é a minha primeira vez aqui no outono.

Ergui meu olhar para cima e o fitei, mas logo minha atenção focou no lago que havia do seu lado.

Sasuke me puxou para aquela direção, saindo da rua asfaltada cheias de folhas para o gramado com arbustos redondos. Sentamos num dos vários bancos largos de ferro pintados de branco que haviam espalhados, que dava de frente para o lago. Haviam pessoas passando ao nosso redor, outras fazendo um piquinique em família do outro lado do lago, e um casal de amantes em cima de uma ponte que atravessava o lago.

- Eu pensei em vários lugares e achei esse o mais cabível para o que pretendo fazer. - a voz de Sasuke soou, fazendo eu tirar a minha atenção ao meu redor para ele, sentado ao meu lado, me fitando. - Tenho um motivo por traz do passeio que estamos dando aqui.

Meu coração falhou uma batida, e prendi minha respiração. Aquelas palavras tomava um sentido que me deixou terrivelmente em alerta.

- Motivo? - perguntei, sentindo minha boca ficar seca.

Sasuke virou seu corpo para que ficasse de frente para mim, e olhou no fundo dos meus olhos e começou:

- Nos conhecemos a pouco tempo, mas eu me sindo tão bem com você como nunca senti antes. E você pode pensar que estou forçando a barra, mas o fato é que eu não consigo ficar longe, Sakura. - ele colocou uma mão em meu ombro, seus olhos ficou mais negros. - Eu gosto de você, de verdade... e queria que você fosse a minha namorada.

Eu podia sentir todo o meu corpo petrificado, qualquer tipo de pensamento ruim que eu estava nutrindo havia se dissipado. Meu coração falhou nas batidas e conforme a ficha de seu pedido de namoro caía, ele começava a disparar, forte e quase sonoro. Eu estava incrédula, paralisada, Sasuke estava me pedindo em namoro. Ele me quer como a sua namorada! Eu, Sakura Haruno, a garota estranha e idiota estava recebendo um pedido de namoro do garoto mais lindo que eu já vi na vida.

Ele gostava de mim.

- Na-na-morar? - custou para aquela palavra sair, havia soado estranha quando a pronunciei em voz alta.

Sasuke sorriu, e um leve rubor coloria suas bochechas.

- Sim. - ele chegou mais perto, o que me deixou mais nervosa. - Você quer namorar comigo?

Ele repetiu a tão sonhada frase que toda garota da minha idade gosta de ouvir, e eu estava agindo como uma alienígena. Qual era o meu problema afinal? Por que era tão difícil de responder aquela pergunta? A resposta era simples, eu estava quase num estado de choque.

- Sakura!? - a voz de Sasuke me fez voltar em órbita, e perceber que agora me fitava preoculpado.

- Ah, oi... eu... - a palavra estava entalada em minha garganta, não iria sair e eu via o conflito interno que Sasuke deveria está tendo.

Mordi o lábio com certa força e assenti com a cabeça, positivamente.

- Isso é um sim? - Sasuke queria a confirmação, seu rosto agora mais sereno enquanto levava suas mãos ao meu rosto e se aproximava mais de mim.

Fechei meus olhos com força, e respondi, a voz saindo num miado:

- Sim.

Os lábios macios de Sasuke pressionou os meus de uma vez, e as borboletas do meu estômago ficaram agitadas com isso. Não era a primeira vez que Sasuke me beijava, mas eu não conseguia não me sentir intimidada com aquele gesto íntimo. Aos poucos e delicadamente Sasuke abria meus lábios com os dele, abrindo passagem para um beijo mais profundo. Estremeci quando senti sua língua travando uma batalha contra a minha, e automaticamente levei minhas mãos ao seu pescoço, sentindo os fios de seu cabelo entre meus dedos.

Tudo ao nosso redor parecia ter sumido, só existindo eu e ele num mundinho particulamente só nosso. Sasuke me fazia esquecer de tudo, só pensar no agora e no momento.

Minha respiração estava falhando e sentia a falta do ar, e fui a primeira a dar por encerrado aquele beijo. Mais outro beijo estralado e senti nossas testas colarem uma na outra. Demorei uns três segundos com a respiração descompassada, e lentamente abri meus olhos encontrando os negros de Sasuke me fitando, e os lábios num sorriso satisfatório.

Não era preciso dizer que meu rosto estava vermelho, e estava com calor. Era uma coisa nova, uma sensação nova que descobria a cada minuto com ele, e tinha que adimitir, eu estava gostando.

Sasuke me beijou mais uma vez, e outra, e outra... perdi a conta no terceiro.

- Agora para selar o nosso compromisso. - ele se afastou depois que nos separamos, seus lábios pouco inchados. Ele enfiou a mão no bolso detrás de sua calça e em seguida agarrou a minha mão direita.

- O que...

Assustei-me quando percebi que ele colocava um anel preto no meu dedo.

- Eu ganhei de uma senhora que passava na minha rua, vinha com uns bolinhos, que meu irmão comeu todos. - ele me fitou, seus olhos brilhavam, e sorriu de lado. - É de plástico, não tem tanta serventia, mas não tinha nada a não ser isso para selarmos o nosso compromisso.

Abri minha boca, realmente emocionada e fitei o anel de plástico no meu dedo.

- Nossa... - eu estava sem reação, podia ser um anel plástico e sem nenhuma serventia, mas tinha um valor sentimental enorme e que eu iria guardar para sempre. Ergui meu olhar e o fitei, sentindo uma lágrima escorrer pelo canto do meu olho direito. - É perfeito.

Sasuke pareceu animado, e estenteu o outro anel para mim.

- Quer ter essa honra?

Não pensei duas vezes em pegar o anel e colocar em seu dedo, oficializando de vez o nosso acordo.

Nos beijamos novamente, e em seguida nos abraçamos. Afundei o meu rosto em seu ombro, sentindo o cheiro bom de seu perfume, seus cabelos roçando o meu rosto. Sasuke me apertava contra o seu corpo, e eu gostei daquela sensação de paz e conforto que sentia.

Quando nos separamos ele ficou de pé e puxou as minhas mãos para que eu ficasse também.

- Agora vamos explorar o parque.

- Tá. - assenti com a cabeça.

Ele sorriu de lado, e apertou mais a minha mão, entrelaçando os nossos dedos.

Caminhamos por todo o parque, observando a paisagem magnífica que possuía. Sasuke resolveu tirar umas fotos da gente. No começo eu não queria, não ficava bem em fotos, por isso eu evitava em tirá-las, mas acabei cedendo, quando ele ameçou me beijar na frente das pessoas que davam atenções para as nossas briguinhas estúpidas.

E sim, nós éramos um casal.

E sim, eu me sentia incrívelmente feliz, mesmo com pequenos atos que me deixava envergonda.

Posso dizer foi divertido o meu dia, fui surprendida em várias maneiras diferente, Sasuke conseguia ultrapassar a linha de fofura e cavalheirismo. Ele era simplesmente perfeito, meu dia estava sendo perfeito. Tão perfeito que eu tinha medo de que tudo fosse apenas um sonho, e que quando acordasse, estaria no meu mundinho sem graça e monotono.

O dia estava indo embora, fazendo com que o frio caisse e deixasse a minha pele arrepiada.

- Você está com frio. - disse Sasuke soltando a minha mão, enquanto caminhávamos em direção a estação do metrô.

- Não, eu estou bem. - respondi vendo-o tirar o seu casaco flanelado de xadrez que ele usava. - Sasuke não precisa.

Juro que tentei impedi-lo de tirar seu casaco, mas num piscar de olhos ele colocava o casaco por cima dos meus ombros.

- Não estou com frio, coloque-o. - ele ordenou.

Aceitei o seu gesto gentil, coloquei meus braços nas mangas do casaco e me aconcheguei naquele tecido que emanava o cheiro dele, me fazendo sair por um segundo de órbita.

- Obrigada.

Ele apenas sorriu, agarrando novamente a minha mão e me puxando para mais perto dele.

Quando chegamos a minha rua, a noite já havia caído, o vento gelado batia em meu rosto. As nuvens que haviam no céu escuro impediam com que as estrelas dessem seu show às noites, não demoraria muito para chover.

- Está entregue. - ele disse quando paramos de frente a minha casa.

Ergui o meu olhar para ele.

- Obrigada pelo dia de hoje, eu me diverti muito, juro.

Seu dedo polegar fez um carinho em cima da minha mão.

- Eu que agradeço por ter passado esse dia comigo.

Ficamos em silêncio, acho que nós dois estavamos sem jeito em como iriamos nos despedir.

Sasuke se aproximou de mim, seus olhos sempre nos meus, suas mãos subindo em meus braços até segurar o meu rosto. Não demorou para que ele selasse nosso lábios, num beijo calmo e lento. Pousei minhas mãos em seu peito, sentindo as sensações gostosas quando nos beijavamos.

- Nos vemos segunda? - ele perguntou quando nos separamos, a respiração entrecortada.

Abri meus olhos e o fitei.

- Acho melhor você ir, ahn, daqui a pouco vai cair um temporal.

Ele sorriu, passando a ponta da língua nos lábios.

- Você que manda.

- Ah, o casaco. - eu dei um passo para trás, começando a tirar o casaco, mas senti as mãos dele sobre as minhas, me impedindo.

- Pode ficar com ele.

- Mas...

Ele me calou com um beijo longo e estalado, me tirando todo o fôlego.

- Nos vemos na segunda? - ele repetiu a frase, agora me olhando.

- Sim.

Ele sorriu, me dando um selinho rápido e depois se afasar.

- Então no vemos segunda, namorada. - ele piscou para mim, antes de ir embora.

Respirei fundo umas duas vezes, tentando me recompor e entrei em casa sentindo o local mais quente e aconchegante.

- Mãe, já cheguei!

Não obtive sua resposta, apenas fui para o meu quarto, e ignorei a bagunça horrorosa que havia nele. Me joguei na cama, de barriga para baixo, deixando a bolsa num lado.

Apertei os meus olhos com força, lembrando as cenas do meu primeiro encontro. Meu coração ainda estava acelerado, e ainda sentia os braços de Sasuke me rodeando, e a sua boca macia colada na minha. Um calor subia em minha bochechas, e virei meu corpo para cima, abrindo os olhos e fitando o teto.

A minha vida estava mudando drásticamente. Dias atrás eu era apenas uma garota apagada e invisível, de uma hora para outra eu ganhei amigos, minha vida ficou mais agitada, e tudo por causa dele.

Ainda me questionava internamente do fato de Sasuke ter encontrado algo interessante em mim. Ele era uma pessoa milagrosa só pelo fato de ter me enxergado, de ter me notado.

Ele gostava de mim, e eu não conseguia ignorar a minha onda de felicidade. Talvez esteja mais do que na hora de eu dar um passo para fora da minha bolha de proteção. Estava na hora de viver a minha vida e ser a protagonista dela.

O distino sempre nos trazendo surpresas, tanto boas quanto ruins. E posso dizer que a minha surpresa era boa.

Pois agora, eu tinha um namorado.



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