História A Garota do Uchiha - Capítulo 11


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amizade, Colegial, Romance, Sasusaku
Visualizações 1.578
Palavras 10.024
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 11 - A Garota do Uchiha.


A GAROTA DO UCHIHA

Eu não conseguia realmente distinguir o que eu sentia de verdade, acho que confusão se encaixava melhor naqueles sentimentos novos e diferentes. Não conseguia ignorar o quanto meu coração batia com mais força quando eu pensava nele, do frio que circulava o meu estômago quando lembrava dos nossos beijos trocados, e daquela sensação gostosa quando concluía que eu tinha de alguma forma um pouco de sorte.

Sasuke era uma pessoa maravilhosa, isso era fato, e ele estava fazendo parte dessa minha nova fase de vida, uma fase diferente e boa. E isso fazia eu me pegar por várias vezes sorrindo como uma idiota quando toda vez meus olhos pousavam no anel de plástico que havia no meu dedo. Aquilo havia sido uma demonstração romântica e que me fazia sentir como se eu fosse a protagonista de um livro de romance clichê.

E claro que esse meu estado sonhador aéreo apaixonado não havia passado despercebido por mamãe. A sua atenção aguçada e seus olhos avaliadores captou de longe que algo havia acontecido comigo, pois mesmo que tentasse sempre negar, eu era transparente demais.

Eu havia conseguido me esquivar de algumas de suas perguntas curiosas quando ela chegou do supermercado naquele sábado à noite. Inventei uma desculpa qualquer de que estava com dor de cabeça e fui para cama mais cedo, mas não consegui escapar de seu interrogatório no domingo. Ela até que tentou respeitar o meu silêncio de que "nada havia acontecido" e que era "super normal um garoto lindo me chamar para sair". Eu podia ver a sua curiosidade brilhando em seus olhos verdes, principalmente quando ela tentava puxar um assunto qualquer para colocar o que ela queria ao meio e extrair de mim o que ela queria saber. Claro que me fiz de desentendida diante de tudo isso, me fingi de idiota de propósito. Mas o fato era que eu estava morrendo de vergonha de conversar um assunto tão íntimo com ela. Eu tinha confiança em mamãe, sabia que ela iria apoiar qualquer decisão que eu tomasse, contanto que fosse a coisa certa, mas a maldita vergonha me fazia travar.

Era mais forte do que eu.

Mas mesmo assim, ela conseguiu com um jeitinho arrancar a verdade de mim, e me pegou quando eu estava assistindo um filme de comédia que passava na televisão naquele começo de tarde. Ela estava passando o espanador nos móveis da sala, tirando o pó.

- A senhorita não tem nada para me contar não? - ela começou, a voz soando descontraída, mantinha a atenção no que fazia, mas eu sabia que ela estava com a butuca ligada em mim.

- Contar o quê? - me fiz novamente de desentendida, tentando agarrar numa chance de escapar da onda de perguntas que estava começando a surgir.

Mamãe ergueu os olhos para mim, mas eu não tirei a atenção da televisão enquanto mordia a unha do meu mindinho, tentando ocultar o nervosismo que começava a dar as caras.

- Do seu encontro com aquele rapaz. - agora ela havia sido direta, e um frio circulou o meu estômago. - Não vai me contar como foi?

- Ah, foi legal. - a minha voz saiu estranha devido eu estar roendo a unha, fazia o possível para que o meu rosto não ficasse vermelho.

- Legal? Só isso? - ela virou o corpo todo em minha direção, o cenho levemente franzido, e se aproximou do sofá e sentou-se ao meu lado. Desviei meus olhos da TV para ela. Alerta Vermelho. - Querida, não precisa ficar com vergonha de me contar as coisas, eu sou a sua mãe, sabe que pode confiar em mim, não sabe?

Suspirei, soltando todo o ar pela boca, balançando a cabeça para cima e para baixo, concordando. Não tinha mais como escapar, mamãe havia me cercado e o jeito era superar a vergonha e enfrentar aquilo de uma vez por todas, por que uma hora ou outra ela iria ficar sabendo.

- O Sasuke... ele... ele me... me pediu em namoro. - eu gaguejei, e aquilo havia soado estranho. Eu e namoro numa mesma frase soava diferente, eu não havia me acostumado com aquilo.

Eu estava namorando!

- E qual foi a sua resposta?

A paciência de mamãe era invejável, e mesmo que as suas expressões denunciassem o quanto ela estava afobada, e que a sua imaginação fértil estivesse trabalhando num futuro perfeito para mim, digno de um comercial de margarina, ela manteve a cautela o máximo em especular as coisas, pois ela sabia lidar comigo muito bem.

Ela sabia a filha estranha que tinha.

Desviei meus olhos para o lado, e me ajeitei desconfortavelmente no sofá, sentindo meu rosto ficar quente, odiava quando isso acontecia.

- Eu disse que sim. - a minha voz soou mais baixa que um sussurro e meu rosto ficou mais quente ainda, esperei pacientemente os três segundos para ela processar a notícia e ter seu ataque de histerisse.

O sorriso se abria lentamente em seu rosto, seus olhos brilhavam cintilantes e não demorou para que seus braços me rodeassem, agarrando-me naquele abraço de urso acolhedor, enquanto meus ouvidos doíam por causa dos gritinhos histéricos sonhadores dela.

Own, a minha menininha está namorando! Eu estou tão feliz por você minha filha, que bom. - ela afastou o seu corpo um pouco de mim e fitou o meu rosto, ainda mantinha o sorriso aberto na boca. - Só agora que a minha ficha cai e eu percebo que você não é mais aquela menininha medrosa, está se tornando uma mulher.

- Mãe, também não é para tanto. - me desvencilhei de seus braços, o constrangimento chegando em nível cem.

- Você gosta dele? - ela quis saber, a atenção em cada movimento que eu fazia.

- É. - murmurei, colocando os pés no sofá, e voltando os olhos para o filme, ignorando ela me observando, afoita.

- E como foi que ele te pediu em namoro?

- Ah mãe, pedindo. - não estava afim de dar os detalhes, sentia que meu rosto deveria estar como um tomate de tão vermelho. Eu queria sair correndo e me esconder em algum buraco naquele momento.

- Pedindo como? - ela insistiu, segurando o meu ombro e fazendo-me olhar para ela. - Aonde ele te levou? Me conta, filha.

Suspirei e bufei ao mesmo tempo, totalmente impaciente enquanto coçava o pescoço com certa força. Havia esquecido daquele detalhe de que minha mãe era tão insistente que chegava a irritar.

- Ele me levou ao cinema e depois ao parque Shinjuku, ele fez o pedido lá. Satisfeita? - minha voz saiu um pouco rude, mas eu não conseguia me controlar quando me colocava sob pressão e fazia ultrapassar a minha linha de limite.

Mamãe precisou de alguns minutos para processar, e seus olhos arregalaram levemente.

- Ele te levou ao parque Shinjuku? - não respondi, e voltei olhar a televisão. - Sakura aquele lugar é lindo, eu me lembro daquela vez que a gente foi com seu pai, era na primavera. Lá está bonito? - assenti com a cabeça, e ouvi ela soltar uma risada nasal. - Esse rapaz pelo jeito faz o tipo romântico, eu gostei dele, é muito bonito.

Ela me abraçou de repente, me pegando de surpresa e me fazendo olhá-la um pouco assustada.

- Mãe...

- Ai filha, você tem um ótimo gosto para homens, esse... - ela inclinou a cabeça para trás, para me olhar. - É Sasuke, não é?

- É.

- Esse Sasuke é lindo, filha. - ela sorriu mais, e me abraçou de novo. - Amei ele, me faz ter lembranças minha com seu pai. Ai filha, seu pai era um cavalheiro, tão romântico...

- Mãe!

Ela afastou-se de mim de repente, o dedo indicador apontado para cima, me olhando surpresa.

- Temos que marcar um almoço formal para ele, para nos conhecermos... Ah, e os pais dele também, agora vamos fazer parte da mesma família e teremos que nos manter...

- MÃE! - segurei seus ombros com as minhas duas mãos. - Chega!

Seus olhos arregalaram, minha respiração estava acelerada.

- Sakura?!

- Mãe, vamos com calma tá? - minha voz saiu mais calma agora, mas eu estava agitada por dentro.

- Mas...

- Deixa eu digerir essa situação primeiro antes de fazer planos.

Aquilo pareceu fazê-la entender que ela havia passado dos limites. Eu estava assustada com isso, não estava acostumada a situações fora do meu padrão de controle.

Ela suspirou, agora mais calma, os ombros relaxando depois daquele ataque de euforia.

- Me desculpe, filha, é que eu fiquei muito feliz por você.

Eu apenas concordei com a cabeça, sabia que a minha mãe era exagerada em demonstrações de afeto. Ela era uma verdadeira caçadora de romances alheios, e o fato de ter a sua única filha namorando, soava como novela ao vivo a seus olhos capturadores.

Sorri comigo mesma, balançando a cabeça para os lados enquanto terminava de colocar o suéter amarelo da escola. Aquelas lembranças de mamãe afobada daquele jeito era problemático. Ela estava mais feliz do que eu.

Terminei de me arrumar e saí do quarto, assim quando entrei na cozinha pude ver ela terminando de preparar as torradas, a mesa estava posta e o cheiro estava bom.

- Bom dia, querida. - ela sorriu, assim quando notou a minha presença.

Puxei a cadeira e me sentei a mesa.

- Bom dia. - murmurei, me servindo com um copo de suco de uva.

Dei uma espiada no relógio de parede que havia na cozinha e percebi que faltava menos de dez minutos para que Sasuke chegasse para me pegar e irmos a escola juntos.

Nós havíamos conversado pelo telefone no começo da noite de domingo e trocado algumas mensagens bobas e engraçadas antes de eu dormir. Eu estava gostando daquilo, me sentia ansiosa por vê-lo novamente e abraçá-lo com força, e sentir os seus lábios macios tocando os meus. Meus pensamentos estavam todos bagunçados na minha cabeça, as minhas ideias escapando e ele ocupando todo o espaço da minha memória.

- Você dormiu bem? - a voz de mamãe me tirou dos devaneios e a fitei, ela já estava sentada na cadeira a minha frente, colocando o café em sua xícara.

- Dormi, por quê? - peguei a torrada no prato e dei uma mordida generosa nela.

- Você está cheia de olheiras.

Olheiras, sim eu estava com olheiras, e era por consequência de ter dormido a madrugada por estar no telefone com Sasuke. Ele havia decretado de que estaria aqui hoje de manhã para me levar a escola. Ou seja, estaria novamente arriscando a minha segurança naquela motocicleta gigante que ele pilotava.

- Eu sei.

Dei mais outra olhada disfarçada no relógio e o friozinho no estômago se intensificou. Faltava pouquíssimos minutos para ele chegar, e a onda de nervosismo começava a surgir, fazendo o meu pé esquerdo tremer no chão. Ao mesmo tempo que eu queria que aqueles minutos passassem rápido, eu queria que demorassem mais. Seria a primeira vez que nós nos encontraríamos depois de termos assumido um relacionamento, e várias hipóteses e teorias surgiam para me deixar tensa. E as principais teorias eram; como eu iria chegar nele quando estivéssemos frente a frente? Eu deveria tomar a iniciativa e beijá-lo primeiro, ou esperar que ele me beijasse? Como eu deveria me comportar na escola com ele ao meu lado? Será que ele me beijaria na frente de todo mundo? Essa última teoria era que mais estava me consumindo, não iria conseguir lidar com demonstrações íntimas de afeto em público, onde todos estivessem nos olhando.

Aquilo era constrangedor demais.

- Sakura! - a voz alta e grave de minha mãe me fez dar um pulo da cadeira, e olhá-la assustada, como se a casa estivesse pegando fogo.

- O que foi?

- Eu estou te chamando a um tempão e você no mundo da lua. - seu cenho estava franzido e a boca crispada.

Eu havia ficado novamente fora do mundo real.

- Desculpa. - dei um gole do meu suco de uva, tentando acalmar o meu coração batendo forte pelo susto. - O que a senhora estava dizendo mesmo?

- Eu perguntei se você não está atrasada para pegar o ônibus?!

- Ah... - desviei os olhos para a mesa. - Não, o Sasuke combinou de passar aqui para irmos juntos.

Só foi mencionar o nome Sasuke para que a minha mãe se desmanchasse em risinhos.

- Esse menino é realmente um cavalheiro, é raro ver isso hoje em dia, filha. - ela olhou para um ponto qualquer na parede atrás de mim, com olhos sonhadores. - Ele parece ser um rapaz bem responsável.

- Ele é. - confirmei, mesmo não tendo a certeza daquela afirmação, eu não o conhecia direito, ainda estava o conhecendo, e pelo jeito Sasuke parecia ser sim responsável.

- Você vai trabalhar hoje? - agradeci internamente por mamãe ter mudado de assunto.

- Sim, por quê?

- É que hoje não vou poder te esperar para virmos para casa juntas, sairei mais cedo do trabalho. - ela deu um gole no seu café. - Vou passar no banco para sacar o dinheiro da pensão do seu pai e pagar algumas contas de casa que estão vencendo hoje.

- Tudo bem, não se preocupe com isso...

O som de moto soou lá fora em seguida da buzina. Sasuke havia chegado. Levantei-me da cadeira rapidamente, atraindo a atenção de mamãe.

- Eu já vou indo. - tomei o último gole do suco e coloquei o copo na pia. - Tchau.

- Tenha uma boa aula.

Sorri mínimo para ela antes de deixar a cozinha. Entrei no banheiro e escovei os dentes rapidinho, aproveitei para dar uma última olhada no espelho. As olheiras estavam ali, mas pelo menos não havia marcas de dobra de lençol pelo rosto, menos mal. Peguei a minha mochila do quarto e já estava atravessando a sala, tentando ignorar aquelas borboletas no estômago, o meu coração começando a disparar nas batidas e as minhas mãos soando. Saí de casa, fechando a porta atrás de mim e sentindo aquele vento enjoado e frio bater em meu rosto e minhas pernas, consequência do inverno que se aproximava.

Não demorou para que meus olhos focassem em Sasuke. Ele estava lá, me esperando, vestido com o seu uniforme da escola daquele seu jeito de príncipe rebelde descontraído ao lado de sua motocicleta reluzente. Ele mexia no celular, fazendo com que a sua franja cobrisse boa parte de seu rosto, mas logo ela havia voltado ao seu padrão quando seus olhos se ergueram para mim quando notou a minha presença. Lentamente o canto de sua boca ergueu-se para cima, naquele perfeito sorriso de lado, ultrapassando a linha de perfeição humana e fazendo com que meu coração batesse mais.

- Bom dia, namorada. - sua voz soou humorada e melodiosa, e isso contribuiu para que minha onda de tensão aumentasse e o calor se acumular em minhas bochechas.

- Bom dia. - sorri, extremamente tímida, segurava as alças da mochila enquanto parava a sua frente.

Agora começava o meu martírio, eu o beijava primeiro ou ele me beijava...

Não consegui terminar a minha linha indecisa de raciocínio desesperador, pois Sasuke havia sido rápido o bastante de se aproximar mais de mim, suas mãos em cada lado do meu rosto. Apenas fechei os meus olhos e esperei para que as nossas bocas se tocassem, e assim aconteceu. O pressionar de lábios começou a se movimentar, entreabrindo lentamente a minha boca e começar aquele beijo lento e calmo, mas o suficiente para me deixar fora de órbita. Minhas mãos ainda continuavam segurando as alças da mochila, agora com mais força enquanto eu me sentia nervosa e amada ao mesmo tempo. O vento gelado que batia em minha pele, só deixava aquele momento mais perfeitamente romântico.

- Eu senti saudades. - Sasuke murmurou baixinho, os lábios roçando os meus e terminando em selinhos.

Suas mãos deixou o meu rosto e parou em meus ombros, desceu por minhas costas e enlaçou a minha cintura, colando nossos corpos. Apertei meus olhos com mais força, sentindo a minha respiração falhar.

- Vamos chegar atrasados se continuarmos assim. - disse entre os beijos, e sem gaguejar.

Sasuke sorriu com as nossas bocas coladas e afastou-se de mim, dando um passo para trás. Abri os olhos e enxerguei seu rosto, ele passava a língua nos lábios pouco vermelho. Fiz o possível para que as minhas pernas bambas não vacilassem e eu caísse. Ele era... lindo.

- Está bonita. - ele me elogiou, virando seu corpo para trás e pegando o capacete reserva e estendeu para mim.

- Acho que você deveria usar mais vezes os seus óculos. - respondi, pegando o capacete de suas mãos e o coloquei na cabeça, tentando ocultar um pouco o vermelho do meu rosto. Ergui meus olhos e Sasuke estava parado, me olhando com as sobrancelhas erguidas. - O que foi?

Ele apenas soltou uma risada nasal, balançando a cabeça para os lados, pegou o seu capacete e o colocou na cabeça. Esperei que ele subisse na motocicleta, e usei seus ombros como apoio e subi na garupa. Sasuke não disse mais nada, apenas girou o guidão e deu a partida, saindo da minha rua vazia com casas de arquiteturas simples.

Não demorou para que chegássemos na escola. Sasuke entrou na área aberta do estacionamento, e estacionou a motocicleta numa vaga mais afastada da saída. Desci primeiro da moto, tomando cuidado com a minha saia, e tirei o capacete, passando automaticamente a mão no cabelo, colocando alguns fios no lugar. Passei os olhos ao redor daquela área e vi algumas pessoas ali, e todas elas estavam com a atenção focada na gente, especialmente em mim. Desviei os olhos para frente, sentindo um pouco incomodada, e observei Sasuke já de pé, terminando de tirar o capacete e arrumando a mochila nas costas. Seus olhos focaram em mim e o maldito sorriso de lado apareceu em sua boca, seu rosto aproximou-se do meu, fazendo-me automaticamente inclinar o meu corpo para trás. Seu cenho franziu.

- O que foi? - ele perguntou, parado em minha frente.

Balancei a cabeça para os lados e estiquei o capacete para ele com as duas mãos.

- Ah, nada... é que... aqui não.

- Por que não? - ele quis saber, pegando o capacete de minhas mãos.

Pisquei meus olhos algumas vezes e os desviei para o chão, sentindo-me estúpida.

- Estão todos nos olhando. - minha voz saiu baixinha.

Sasuke agora pareceu alheio a situação e observou a sua volta, para depois sua atenção focar em mim.

- Nós não estamos fazendo nada de errado, você é minha namorada, certo?

Ergui meus olhos para ele, e senti que minhas bochechas coravam novamente, balancei a cabeça para os lados.

- Eu não gosto... eu não...

- Tudo bem - ele me interrompeu. -, não vou forçar a barra. - em seguida agarrou a minha mão. - Vamos.

Agradeci internamente por Sasuke respeitar a minha limitação de constrangimento. Ele me guiou para fora daquela área, passando por aquelas pessoas que cochichavam baixinho entre si, sobre a minha existência.

Eu havia sido notada.

Entramos na escola, o movimento era maior ali dentro do que lá fora. Andamos pelos corredores cheios e de mãos dadas, e não era preciso dizer que fomos o centro das atenções. Eu mantive a minha cabeça baixa o tempo todo, incomodada o suficiente com aquela atenção redobrada em mim.

Passei a minha vida toda sendo ignorada por todos, a minha presença era como se fosse um fantasma, e agora, a camada de invisibilidade havia sido quebrada. Todos agora me enxergavam, todos agora se perguntavam quem eu era, e tudo isso por que eu estava ao lado de Sasuke Uchiha.

Quando cheguei a porta da minha sala eu não fiz cerimônias em ficar ali com ele, eu queria desesperadamente voltar a ser a insignificante que eu era antes, só para sair da mira hostis daquelas pessoas.

Assim quando entrei na sala, fui direto para a minha carteira, lá nos fundos, e mantive a cabeça baixa até o professor chegar. E mesmo com o falatório alto daquela sala, eu pude escutar algumas piadinhas maldosas contra a minha pessoa.

E o dia só estava começando.

❊ ❊ ❊

- Eu soube que o Uchiha está namorando.

- Também fiquei sabendo, e ouvi dizer que a garota não é essas coisas.

- Você já viu ela?

- Não, mas falaram que ela é aluna nova, pois era a primeira vez que a viram no colégio.

Eram esses os murmúrios que eu escutava quando eu passava por aquele corredor cheio de alunos. O sinal do intervalo havia tocado fazia uns cinco minutos, e eu havia saído da sala para ir ao banheiro uns três minutos antes do sinal tocar. Não estava mais suportado as pessoas cochichando sobre mim e soltando risadinhas debochada sobre a minha aparência. Eu estava odiando aquilo.

Virei outro corredor, esse dava para a biblioteca e seria ali que eu iria me refugiar até o intervalo acabar. O corredor até que estava vazio a não ser por um grupinho de garotas que estavam paradas ali conversando, e uma delas me notou. Eu apenas abaixei a cabeça e tentei passar despercebida, mas isso não havia dado certo.

- É aquela lá!

- Aquela de cabelo esquisito?

- Ela mesma.

- Não acredito que ela seja a garota do Uchiha.

- Também não estou acreditando que o Uchiha achou alguma coisa de interessante nela.

- Ela é tão sem sal, tão cretina, tão Awr...

- Ela deve estar o chantageado, só pode.

- Ou ele deve estar fazendo uma aposta com os amigos de que pegava a baranga.

Os comentários eram maldosos, e doía muito ouvi-los. E doía mais por que eu sabia que elas tinham razão no que diziam. Eu era simplesmente insignificante, não adiantava tentar ser algo que eu não era, pois, a sociedade iria me fazer lembrar de que eu não era ninguém. Namorar Sasuke havia causado um distúrbio social na escola, eles viam o nosso relacionamento como um apocalipse zumbir.

- Sakura!

Parei os meus passos e olhei para trás, vi Ino e Hinata correndo em minha direção e automaticamente meus olhos foram até o grupinho de garotas que olhavam debochadas para mim, como se fossem superiores. E ela eram.

Dei as costas e voltei a caminhar, agora com os passos lentos, sentindo meu nariz queimar e a visão começando a ficar embaçada. Logo as meninas me alcançaram.

- Ei, estávamos te procurando, você não estava na sala. - disse Ino ficando ao meu lado direito.

- Eu fui ao banheiro. - minha voz soou baixinha, eu estava tentando controlar o máximo as minhas emoções para não chorar ali, e dar mais motivos para aquelas garotas me acharem uma piada.

- Mas o banheiro é para o outro lado, aqui é o corredor que dá para a biblioteca. - respondeu Hinata, segurando o meu braço esquerdo e me fazendo parar.

Fitei seus olhos cinzas que parecia preocupados.

- Eu estava indo para lá.

- O que vocês estão olhando, em? - a voz escandalosa de Ino pegou tanto eu quanto Hinata desprevenida, encarava aquele grupo de garotas que falavam mal de mim. - Sim - ela segurou o meu braço e me puxou para frente, me exibindo, meus olhos arregalaram e eu quis morrer ali. -, essa é Sakura Haruno, a oficial única de Sasuke Uchiha. Então meu amor, parem de recalque e deixe ela em paz, suas carniceiras!

- Ino! - murmurou Hinata, eu estava em estado de choque, não conseguia reagir.

As garotas apenas reviraram os olhos e empinaram o nariz antes de sair daquele corredor.

- Vão embora mesmo, suas idiotas, e o meu cabelo é loiro original!

- O Ino, tudo bem você querer defender a Sakura, mas o que o seu cabelo tem a ver com isso? - questionou Hinata, franzindo o cenho.

- É só um toque para sairmos por cima. - em seguida virou meu corpo para sua frente e me fitou. - Você está bem? Olha, não liga para essas idiotas não, é tudo recalque.

Fechei meus olhos com força, tentando controlar aquela onda de negatividade depressiva que eu sentia, e voltei a abri-los novamente.

- Obrigada... por me defender. - eu já sentia os meus olhos lacrimejando, o que Ino e Hinata fizeram, nenhuma pessoa havia feito por mim, tirando minha mãe e Sasuke. Elas me defenderam.

Hinata segurou os meus ombros, sorrindo.

- Amigas são para essas coisas.

- Vocês são as melhores.

- Sabemos disso. - respondeu Ino, piscando para mim. - A amizade verdadeira dura na alegria e na tristeza, na fofoca e no recalque, sem deixar que a intriga nos separe.

Não pude deixar de rir com aquela filosofia de vida de Ino, ela era engraçada.

- Olha só, tiramos um sorriso dela! - disse Hinata, apertando as minhas bochechas.

- Agora que você está melhor, vamos para o banheiro.

- Mas eu acabei de sair de lá. - eu disse, enquanto eu era arrastada por aquelas duas.

- É, mas lá que acontece o confessionário, e a senhorita tem muito o que dizer sobre o seu encontro com o Sasuke.

- Mas...

- Sem, mas, Sakura. - ela me interrompeu. - Temos que ser rápidas, por que o Sasuke também está te procurando.

- Escuta a Ino, Sakura, ela tem razão. - terminou Hinata, puxando o meu braço esquerdo para frente, enquanto Ino puxava o direito.

Não tinha como contestar quando aquelas duas resolviam se unir contra mim. Elas me puxaram, voltando todo caminho que percorri de volta para o banheiro. Quando entramos lá dentro, Hinata me soltou e foi verificar todas as cabines para ver se não havia ninguém, enquanto Ino trancava a porta do banheiro. Em seguida fui encurralada por aquelas duas, que me olhavam curiosas.

- Agora conta como foi que o Sasuke te pediu em namoro?! - começou Ino, os olhos azuis brilhando. - Ele estava comentando algo assim com o Sai, e eu pude escutar...

- E ela acabou gritando para a sala toda, e assim a fofoca se espalhou. - terminou Hinata, interrompendo Ino, que a fitou.

- Ei, também não é assim, eu não gritei.

Hinata ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços.

- Se aquilo não foi gritar, então foi o quê?

- Ah, eu só me precipitei um pouquinho... - Hinata apertou os olhos e Ino abaixou os ombros. - Tá, eu gritei um pouquinho... qual é Hinata, eu fiquei surpresa, Sasuke disse que estava namorando com a Sakura, você queria que eu fizesse o quê?

- Que agisse pacificamente.

Aff, você também ficou surpresa. - acusou Ino, apontando o dedo para ela.

- Você devia ver era a cara maligna que o Sasuke fez para você.

- Ele ficou bravo? - o rosto de Ino se contorceu numa careta, elas estavam falando de mim como se eu não estivesse presente ali.

- Acho que se você fosse um garoto ele teria quebrado a sua cara.

- Ah, também não é para tanto, isso poderia ter sido evitado se a Sakura atendesse as minhas ligações no domingo.

- Você me ligou ontem? - a minha voz pareceu fazer aquelas duas voltarem a me notar.

Ino me fitou.

- Sim, três vezes à noite, e só dava ocupado.

- Ah, eu não vi. - deveria ter sido na hora em que eu estava falando com o Sasuke.

- Bom, mas conta, como foi o encontro? Onde ele te levou? Como ele te pediu em namoro? - Ino me metralhou de perguntas, ela se parecia com a minha mãe quando o assunto era especular a minha vida, mas a única diferença entre elas, era que com Ino era menos constrangedor de falar as coisas do que com a minha mãe.

- Conta Sakura, também estou curiosa.

Hinata também estava no mesmo patamar que Ino quando o assunto era fofoca. Suspirei, tomando coragem para começar a responder, elas não iriam me deixar escapar.

- O Sasuke me levou ao cinema...

- Que filme vocês viram? - Ino me interrompeu.

- Ai Ino, sério mesmo que você quer saber? - questionou Hinata para a outra.

- Claro, o filme marca a qualidade de um encontro, quanto mais romântico for, melhor. - explicou e Hinata revirou os olhos, e Ino me fitou. - Que filme vocês viram?

Eu não sabia que um filme marcava a qualidade de um encontro, Sasuke e eu não havíamos visto um filme de romance, e sim um de ação, e eu gostei bastante dele e pelo jeito animado que Sasuke estava, ele também havia gostado. Então o encontro foi bom, certo?

- Velozes e Furiosos 8.

- Eca. - as duas disseram em uníssonos, o rosto se contorcendo numa careta.

- O Sasuke fez você ver aquele filme horroroso? - questionou Ino, incrédula. - Poderia ter escolhido um filme legal, poxa, era o primeiro encontro de vocês!

- Pior filme, Sasuke mandou mal. - disse Hinata, ainda com os braços cruzados e assentindo com a cabeça, concordando com Ino.

- Fui eu que escolhi o filme. - confirmei, e as duas me olharam surpresa. - Eu gosto da saga.

- Isso é sério? - perguntou Ino, a expressão ainda numa careta, ela não se conformava de termos visto um filme de ação.

- Ai, deixa ela Ino. - Hinata deu um basta. - Conta, Sakura e depois?

- Nós comemos no MC Donald's e depois ele me levou ao parque Shinjuku.

- Ao parque Shinjuku? - novamente as duas disseram em uníssonos, o rosto agora surpreso.

Apenas assenti com a cabeça, e fiquei surpresa comigo mesma por estar a vontade em me abrir com elas, dizer as coisas que eu havia feito no sábado. Eu estava gostando de contar e ver as reações engraçadas delas.

- Uau! - Hinata deu um passo para trás, a boca aberta. - Aquele parque é o lugar mais lindo de Tóquio. Eu vi o parque na televisão na semana passada, o lugar está lindo com aquelas árvores amareladas e alaranjadas.

- Não imaginava que o Sasuke pudesse ser tão romântico. - murmurou Ino, fitando algo no chão, mas logo o seus olhos azuis focaram em mim. - Como ele te pediu em namoro? Em que lugar do parque especificamente ele fez isso? Sabe, isso conta muito para decretar um lugar especial.

Novamente Ino havia me enchido de perguntas e agora não estava tão animada em contar aqueles detalhes, eu sentia que meu rosto começava a corar quando as cenas daquele dia invadiam a minha memória.

- Foi de frente para o lago. - minha voz soou baixinha, minhas bochechas queimavam, e as duas estavam quietinhas com os olhos presos com toda atenção em mim. - Ele disse que gostava de mim... e... e disse que queria namorar comigo.

Hinata arregalou mais os olhos e começou a dar pulinhos, o sorriso se abrindo na boca e as mãos em cada lado de seu rosto.

Kawaii, isso é tão romântico!

- O Sai poderia ter feito o mesmo quando me pediu em namoro. - Ino fez biquinho enquanto cruzava os braços.

- Só para você ficar ciente, dona Ino - Hinata havia parado com o seu Ataque de Fofurisse Aguda e pontou o dedo para ela. -, foi você que pediu o Sai em namoro.

- Mas eu não aguentei aquela ansiedade de saber que ele gostava de mim e eu gostava dele, alguém tinha que dar o primeiro passo. - ela se defendeu.

- Então não reclama.

Ino bufou contrariada, e seus olhos foram até mim e pararam na minha mão, o cenho franziu.

- E esse anel? - ela havia notado, admirava que a minha mãe não havia notado também.

- Ah, o Sasuke me deu no sábado...

- Um anel de compromisso? - ela puxou a minha mão e observou o anel mais perto. - É de plástico.

- Isso não importa. - puxei a minha mão de volta, e ela me olhou erguendo os ombros para cima.

- A Sakura tem razão, o que importa é o significado que esse anel representa. - disse Hinata em minha defesa. - E isso consta que o Sasuke está realmente apaixonado por ela.

- Será que ele é daquele tipo de namorado que usa camiseta iguais? - questionou Ino, aleatoriamente.

- Se ele deu um anel para ela, acho que sim. - Hinata confirmou, sábia.

- Agora parando para pensar, o Sasuke estava usando um anel igual a esse hoje.

Kawaii! - novamente Hinata deu aqueles gritinhos histéricos, as mãos em cada lado do rosto e os olhos saindo estrelinhas.

Eu apenas observava as teorias e ataques apaixonados delas diante da minha vida amorosa. Eu não sabia nada sobre relacionamento, só o básico que eu havia aprendido lendo os meus livros de romance, mas eu tinha consciência de que a vida real não era um livro, as coisas não eram tão simples.

Ino aproximou-se de mim, colocou o seu braço em volta dos meus ombros e me puxou para um canto afastado de Hinata, que ainda estava tendo as crises de Fofurisse Sonhadora.

- Agora só entre a gente, Sakura, o Sasuke beija bem, né?

- Ino! - afastei-me dela, dando vários passos para trás, os olhos arregalados.

Não consegui evitar que minhas bochechas tomasse uma coloração absurda de vermelho, meu coração acelerou mais e já sentia os efeitos do meu nervosismo. Ino não tinha vergonha em falar de seus assuntos íntimos, ela detalhava cada parte que ela fazia com Sai com tanta naturalidade que eu ficava abismada. Ela não havia se acostumado de que eu não era igual a ela, eu não conseguia ser tão aberta e despojada.

- O que foi? Foi só uma pergunta, e a resposta é simples; sim ou não?

Ela realmente não havia se acostumado com a minha personalidade fechada.

Mas para a minha sorte, começaram a bater na porta e vozes soavam lá fora. Não pensei duas vezes e corri até ela e a destranquei e a abri, dando de cara com duas garotas que estavam com o cenho franzido e resmungavam irritadas algo que não entendi. Elas passaram por mim, ignoraram Ino e Hinata e entraram nas cabines.

- Acho que o nosso tempo aqui acabou. - disse Hinata, vindo em minha direção. - Vamos descer, porque a minha barriga está pedindo um sanduiche bem grande e suculento.

- Você só sabe pensar em comida, Hinata. - reclamou Ino aproximando-se da gente, e saímos do banheiro.

- Não penso só em comida. Também penso em dormir, escutar BTS, jogar no celular, festas no final de semana que vou ir, e a sobremesa que tem na minha geladeira. - ela sorriu, e Ino revirou os olhos.

Acabei esquecendo de me refugiar na biblioteca e desci para intervalo com as meninas, mas claro que me arrependi de não ter ficado com a primeira opção quando sentia os olhares queimando as minhas costas. Eu só queria que aquelas ondas de fofocas acabassem logo.

Acabamos encontrando Sasuke, ele estava sentado com os meninos no mesmo lugar onde passamos os intervalos, estava com a cara fechada, mas logo amenizou quando chegamos. Sentei-me com as meninas e fiquei de frente para ele. Sorri tímida e recebi seu meio sorriso charmoso e uma piscada de olho como resposta.

O assunto da mesa foi o novo casal da escola e o rebuliço que aquilo estava causando. Escutei várias piadas idiotas de Naruto zoando o Sasuke, e ri da maioria delas, ganhando um olhar mortal dele. Ali no meio dos meus novos amigos me fez bem, ajudou para afastar aquela onda de negatividade que sentia a alguns minutos atrás, eu pude esquecer um pouco os problemas que começavam a surgir.

Não demorou para que o sinal do término do intervalo soasse, e juntos fomos para a sala de aula, e Sasuke segurou a minha mão o tempo todo e respeitou a minha decisão de sem demonstração em público.

Os últimos tempos de aula até que passou rápido, diante daquele pequeno e irritante detalhe de que eu havia sido notada, e que agora era conhecida como A Garota do Uchiha. Claro que qualquer garota no meu lugar ficaria honrada e pularia de alegria diante daquele título, e confesso que me sentia especial em ser a única para Sasuke, mas às consequências disso tudo não eram nada legais. As pessoas eram cruéis, e eu estava sendo pisoteada por cada uma delas, principalmente as meninas que deveriam ter alguma paixão secreta pelo meu namorado.

Quando o sinal do término das aulas tocou, foi o momento mais feliz daquele dia e agradeci internamente por me ver livre daquela escola. O dia havia sido cansativo.

Arrumei as minhas coisas na mochila e saí da sala. Sasuke me esperava lá fora, conversava com Neji e Naruto, mas logo se despediu dos amigos e veio até mim, trazendo os dois capacetes na mão.

- Você trabalha hoje, né? - ele perguntou, enquanto andávamos com passos rápidos por aquele corredor cheio.

- Sim.

O assunto morreu ali, e o silêncio percorreu entre a gente até o estacionamento, mas eu não liguei, a minha mente estava longe, em tudo que havia acontecido hoje. Questionei-me se o meu namoro com Sasuke valia mesmo a pena. Eu sabia que uma hora eu não iria mais suportar todos apontando o dedo para mim, eu sabia que eu iria surtar. A situação estava começando a se repetir, como aconteceu na outra escola, mas de um jeito diferente, pois Sasuke não tinha culpa de nada, e sim eu, por ser essa pessoa estranha que estava no mesmo nível de uma bactéria.

Aquilo me machucava muito.

- Ei, aconteceu alguma coisa? - a voz de Sasuke me tirou dos meus devaneios, nós estávamos de frente a sua moto.

- Não - balancei a cabeça para os lados, ele não precisava saber do que se passava ao redor de mim. -, não aconteceu nada... por quê?

- Por que você está quieta. - seus olhos negros estavam atentos a cada movimento meu. Minhas sobrancelhas ergueram-se para cima, e arranquei um sorriso dele. - Está mais quieta que o normal.

Suspirei, cansada, tentando afastar aqueles pensamentos da minha cabeça. Peguei o capacete de sua mão.

- Não aconteceu nada. - sorri forçado, colocando o capacete na cabeça. - Não se preocupe.

Ele apenas assentiu com a cabeça e não questionou mais, colocou seu capacete e subiu na moto. E novamente eu me pegava em devaneios o caminho todo até o meu trabalho. Questionei-me novamente se valia a pena passar por constrangimentos e humilhações das pessoas para ficar com Sasuke. Se valia a pena desprender de vez do meu mundinho de invisibilidade e insignificância para seguir numa história romântica, típico de clichê adolescente. Sasuke havia demonstrado em vários momentos que gostava de mim de verdade, mas eu não sabia até quando o seu gostar iria durar. Até quando ele iria aguentar ter seu nome rolando na boca do povo e suportar os cochichos sobre ter me escolhido como namorada. Uma hora ele iria se cansar de tudo isso, e eu iria ser descartada.

Voltei ao mundo real quando a moto parou um pouco antes da porta de entrada da loja da dona Chiyo. Usei seus ombros para descer dela, percebendo a calçada movimentada daquela rua.

- Obrigada por me trazer. - disse, entregando o capacete, ele tirou o dele para me olhar melhor.

- Tem certeza que você está legal? - ele perguntou, desconfiado.

Dei um passo para trás, e sorri nervosa, abaixando as sobrancelhas.

- Tenho. - segurei a alça da mochila, e ele agarrou a minha outra mão e me puxou para perto.

- Ei! - questionei, jogando meu corpo para trás quando ele aproximava seu rosto do meu.

- Sakura. - ele resmungou, me puxando novamente, agora com mais força e conseguiu capturar os meus lábios.

Eu não fechei os olhos, e vi quando ele tampava o nosso beijo com o capacete para que ninguém visse, e não consegui evitar que o sorriso se abrisse contra sua boca, me afastei novamente.

- Você é um idiota! - me fingi de brava, mas eu estava radiante por dentro, por sua atitude fofa de deixar o nosso beijo mais privado.

Ele sorriu, mostrava todos os dentes, fazendo a covinha se destacar em sua bochecha.

- Não resisti. - levantou o capacete para eu poder ver. - Olha, usei o capacete para ninguém ver.

Virei o rosto para o lado, sentindo as minhas bochechas quentes.

Ele suspirou.

- Você sai às sete da noite, não é? - assenti. - Então às sete eu passo para te buscar.

Virei o meu rosto e o fitei.

- Não precisa você vir me buscar, não quero que isso se torne uma obrigação. - mesmo que eu fingisse ainda está irritada, a minha voz havia denunciado tudo.

- E quem disse que buscar a minha namorada é uma obrigação? - Sasuke conseguiu novamente me desestabilizar. Sorriu de canto e colocou o capacete. - Mais tarde nos vemos.

Ele piscou para mim antes de girar o guidão, dando partida e indo embora.

Ele havia decretado novamente a palavra final.

❊ ❊ ❊

O movimento na loja de doces até que estava tranquilo diante das semanas anteriores, mas em compensação, a senhora Chiyo estava bem ranzinza e tudo por que os fornecedores atrasaram na entrega de alguns ingredientes que estavam faltando para o preparo de alguns doces. E eram os mais populares da loja, os que mais saía.

Tenten parecia que estava no mundo da lua, suspirava sorridente pelos cantos, estava mais distraída e recebia broncas da senhora Chiyo a cada vinte minutos. E tudo isso por que seu encontro com o garoto do metrô havia sido perfeito, como ela disse. Ela contou, quando estávamos arrumando o estoque, que eles haviam ido a um restaurante almoçar, passearam numa praça pública e tomaram sorvete. Ela também disse que ele ficou de ligar para ela e marcar outro encontro.

No final daquela tarde, eu fiquei no caixa e atendendo os clientes ao mesmo tempo, Tenten estava na cozinha ajudando a senhora Chiyo com os bolos. Havia dado um pouco mais de movimento, mas não havia sido nada de estressante, mas mesmo assim me ajudou a esquecer os problemas de hoje mais cedo.

Quando terminei de atender o último cliente no caixa, suspirei cansada, e meus olhos focaram no garoto de cabelos ruivos que andava pelos corredores, olhando as prateleiras de vidro, procurando algo entre os doces empacotados que haviam ali.

Saí detrás do balcão e caminhei até ele, arrancando toda a simpatia que eu possuía e fui atendê-lo.

- Eu posso ajudar? - perguntei, assim quando parei ao seu lado.

O garoto ergueu os olhos verdes contornados de lápis preto para mim, ele não tinha sobrancelhas.

- Eu estou procurando aquele doce monaka, eu não estou encontrando.

- Ah... - cocei o meu pulso direito. - Sinto muito, mas esse doce está em falta.

- Mas não tem nenhum no estoque de vocês não? - ele insistiu, parecia impaciente.

Apenas balancei a cabeça para os lados, negando.

- Não... ahn, os fornecedores atrasaram nas encomendas de mochi, e a senhora Chiyo não produziu nenhum doce monaka essa semana. Sinto muito.

O garoto ruivo bufou, extremamente insatisfeito. Eu reparei em suas roupas, usava uma camiseta preta com uma estampa de uma banda de Heavy Metal, braceletes de couro nos pulsos, jeans escuro e rasgado, e converse de xadrez nos pés. Um rockeiro de verdade.

Ele deu as costas e seguiu com passos pesados em direção a saída, mas o meu instinto de vendedora falou mais alto.

- Temos outros tipos de doces...

- Eu não quero. - sua voz soou extremamente grosseira, cortando a minha, mas logo em seguida ele parou no meio do caminho, seus ombros relaxaram e virou o seu corpo para trás e me olhou. - Olha, me desculpa, tá!? - ele deu um passo para frente, gesticulando com a mão. - É que o doce não para mim, é para a minha irmã... ela sofreu um acidente semana passa e eu vou visitá-la hoje e queria levar o doce preferido dela como pedido de desculpas por eu ter sido um babaca.

- Entendo. - mordi o lábio e fitei algo invisível no chão, mas logo uma ideia me veio a cabeça. - Mas se você quiser temos o doce da casa, Ichigo Daifuku, significa boa sorte. Acho que seria uma boa você presenteá-la com ele, pois além de se desculpar com ela, você estaria desejando boa sorte para ela sair logo do hospital.

Observei atentamente, e vi que ele ficou pensativo diante da minha ideia.

- Ichigo Daifuku? Esse doce é bom mesmo?

- Sim, um dos melhores daqui. - sorri, colocando para fora toda a minha simpatia e a minha lábia de vendedora.

Ele ficou me olhando por alguns segundos, e aquilo me deixou pouco incomodada, desviei meus olhos para o lado, para disfarçar.

- Tudo bem. - ele sorriu. - Você me convenceu.

Não pude deixar de me sentir animada, e o guiei até o balcão de vidro e o apresentei as especiarias.

- Nós temos só três sabores, o branco é só de arroz, o verde é com essência de chá verde, e o rosa-claro é com essência de morango.

- E qual você me sugere? - ele perguntou, os olhos nos doces da vitrine do balcão desviaram para mim.

- Ah, todos os três são muito bons.

O canto de sua boca ergueu-se minimamente para cima, e desviou os olhos para a vitrine de doces e depois para mim novamente.

- Então eu quero o que tem a cor de seus cabelos.

Não consegui ocultar o rubor em minhas bochechas do quanto fiquei surpresa com o seu comentário, e isso contribuiu para que eu perdesse um pouco da minha coordenação motora e me atrapalhasse na hora de pegar o doce e embrulhá-lo na sacola de papel personalizado da loja.

- Aqui. - coloquei seu pedido em cima do balcão, e não consegui olhar para sua cara.

Ele me pagou e pegou o embrulho.

- Obrigado, você foi muito gentil.

- E-eu que agradeço por preferir a nossa loja - eu odiei ter gaguejado. -, e volte sempre.

- Eu voltarei, garota de cabelos cor-de-rosa. - ele piscou para mim, antes de dar as costas e sair da loja, me deixando sem reação.

O que havia sido aquilo?

- "Eu voltarei, garota de cabelos cor-de-rosa". Uau que cantada, em. - a voz de Tenten soando ao meu lado me fez dar um pulo para trás, de susto.

- Que susto Tenten. - olhei para ela, que sorria marota.

- O que foi? Muito gato aquele garoto, e parece que ele ficou afim de você.

Saí de perto dela, sentindo meu coração batendo forte pelo susto e pelo nervoso daquela situação constrangedora.

- Para de falar bobagens, Tenten, isso não tem graça. - me defendi, mas minha voz alterada denunciava o quanto eu estava tensa. - Ele só estava agradecido por ter encontrado um doce para levar para irmã que está no hospital.

- Uhum. - ela prendia uma risada e se aproximou de mim. - Sabia que você fica fofa quando está coradinha?

Meus olhos arregalaram e me afastei dela novamente, indo em direção a cozinha.

- Vou ver se a dona Chiyo precisa de ajuda.

Deixei Tenten sozinha, mas eu escutei suas risadas ecoando por toda a loja. Por que essas coisas só acontecem comigo?

❊ ❊ ❊

Depois de uma manhã estressante na escola, e uma tarde cheia no trabalho, finalmente chegou a hora de ir embora. Eu queria simplesmente chegar em casa e me jogar na minha cama e dormir por pelo menos seis meses.

- Ai, eu não via a hora de chegar o fim do expediente. Eu estou morta e ainda tenho um trabalho de matemática para entregar amanhã. - resmungou Tenten, tirando o avental e o colocando dentro de seu armário.

- Pense que amanhã é a nossa folga. - tentei animá-la, enquanto colocava o meu suéter e pegava a minha mochila, colocando-a nas costas.

- Sim eu penso, mas bem que a dona Chiyo poderia colocar mais alguém para nos ajudar, para pelo menos arrumar os estoques. Aquelas caixas são pesadas.

- Talvez se falarmos com ela, quem sabe.

Saímos daquela salinha de funcionários e passamos pela cozinha onde a senhora Chiyo terminava de guardar algumas vasilhas.

- Até quarta-feira, senhora Chiyo. - despediu Tenten, saindo a minha frente da cozinha.

- Tenha um boa noite, senhora Chiyo.

- Tchau, meninas, e obrigada pelo dia de hoje.

Saímos da loja, e a friagem daquela noite fez encolher-me dentro do suéter da escola.

- Nossa, que frio. - tremeu Tenten.

- Esfriou bastante mesmo.

Virei meu rosto para o lado e vi Sasuke encostado com as costas na parede e de braços cruzados, fitando algo invisível no chão.

- Aquele não é o seu amigo que pilota aquela moto irada? - a voz de Tenten soou alta suficiente para atrair a atenção de Sasuke para nós.

- Eu tenho que ir. - murmurei, observando-o desencostar suas costas da parede, me esperando se aproximar.

- Até quarta então. - ela se despediu, dando as costas e seguindo o caminho oposto do meu.

- Até.

Aproximei-me de Sasuke, sentindo a ansiedade tomar conta de mim, fazendo as borboletas ficarem mais agitadas no estômago.

- Oi.

- Oi. - ele respondeu, estendendo o capacete para mim.

- Estava muito tempo me esperando?

- Não, cheguei quase agora.

- Ah.

Não deixei de reparar que os seus cabelos estavam úmidos e bagunçados, estava com um casaco de moletom fechado todo preto e sem estampas, jeans claro e justo, e tênis converse nos pés.

- Quer ir a algum lugar?

- Não. - balancei minha cabeça para os lados. - Eu estou muito cansada.

- Tudo bem. - ele colocou o capacete, e me senti mal quando vi a sua expressão mudar com a minha resposta negativa.

- Mas amanhã eu estou livre.

Ele me fitou, e um sorriso abriu no canto de sua boca, me senti melhor por animá-lo novamente.

Subimos na motocicleta e logo ele deu a partida, passando por aquelas ruas movimentadas e iluminadas de Konoha. Minhas mãos agarravam forte a sua cintura, sentindo um pouco do calor de seu corpo que ultrapassava o casaco, enquanto ao mesmo tempo minhas mãos congelavam com a friagem daquela noite por causa da velocidade em que estávamos.

A viagem não demorou muito e a moto entrou na minha rua iluminada pelos postes, mas estava deserta por causa do frio. A motocicleta parou de frente a minha casa que estava com as luzes acesas, minha mãe já havia chegado.

Desci da moto e Sasuke desceu em seguida, retirando o capacete e eu fiz o mesmo.

- Obrigada de novo.

- Você não precisa agradecer. - segurou a minha mão, me puxando para perto de si, seus olhos negros me fitavam intensos. Prendi a respiração. - Eu não imaginei que seria tão difícil passar mais tempo com você. Se não é a Ino e a Hinata te roubando de mim, é o seu trabalho tomando o seu tempo. Você está sempre me escapando.

- Me desculpe. - sussurrei, sentindo seus lábios roçando os meus, mas não perdemos o contato visual, eu me sentia hipnotizada por seus olhos negros.

Ele sorriu contra a minha boca, e fechei os meus olhos quando ele me beijou lento, mas durou pouco.

- Não precisa se desculpar, só que... eu quero passar mais tempo com você.

Abri meus olhos lentamente, sentindo a minha respiração descompassada, minhas mãos espalmadas em seu peito.

- Mas amanhã não tenho nada para fazer.... - pausei no meio da frase, a voz soando baixinha, mordi o lábio rapidamente. - Podemos... err... tomar um sorvete.

Sasuke soltou uma risada nasal, colou a sua testa na minha, suas mãos em minha cintura e meu coração bateu mais rápido com isso.

- Acho que isso não cairia muito bem nesse tempo frio.

Meus olhos arregalaram de leve e tentei afastar-me dele, dando um passo para trás, balançando a cabeça para os lados, totalmente destrambelhada.

- Você... você tem razão. Me desculpe, eu disse besteiras.

- Ei. - ele me puxou novamente pela mão e colou os nossos corpos. - Não precisa ficar nervosa. - ele sorria descontraído, a sobrancelha meio que unidas. - Mas irei pensar num lugar mais aconchegante para irmos amanhã, tá legal?

Assenti positivamente com a cabeça, agradecendo por ele sempre dar um jeito de me fazer parecer menos tola. E novamente senti o gosto de sua boca e desta vez, ele havia me beijado de verdade e com muito mais fervor. Seus lábios se movimentavam rápidos, sugando os meus, e fiz o possível para dar o meu melhor, e acho que estava ficando boa nesse lance de beijar.

Suas mãos subiram por minhas costas, passaram por meus ombros e pousaram em cada lado do meu rosto, enquanto finalizamos aquele beijo com alguns selinhos demorados até nos separarmos.

Minha respiração estava descompassada, meu coração parecia que iria explodir e minhas mãos agarravam com força o seu casaco. Abri os meus olhos encontrando os seus me fitando, e sua mão começou a se mover em meu rosto, acariciando-me.

- Eu soube o que andam dizendo da gente pela escola. - ele começou, me pegando de surpresa. - E eu só queria pedir para que você não desse bola para esses imbecis. Ninguém sabe nada da minha vida, ninguém sabe o que eu sinto.

Minha respiração ficou presa na garganta, enquanto aquele sentimento se rejeição voltava a me deixar mais insegura de que não iria conseguir ignorar todos me apontando.

- Eu sinto muito por você passar por tudo isso...

- Eu não quero que você sinta. - ele me interrompeu, assustando-me com seu tom rude. Sua mão que acariciava meu rosto agora o segurava firme, e me olhou no fundo dos meus olhos. - Sakura, escuta bem o que eu vou te dizer, eu não quero que você se sinta culpada de alguma coisa, por que você não tem culpa de nada. Eu não gosto quando você se põe inferior as outras pessoas. Eu não gosto de vê-la triste pelos cantos por causa desses abutres. Eu só quero você Sakura, só você, e o resto não me importa. E muito menos preciso usar os meus óculos mais vezes para enxergar a garota incrível que você é.

Eu sentia os meus lábios tremendo e a minha visão estava completamente embaçada, e foi num ato impulsivo que o abracei forte pela cintura, afundando o meu rosto em seu peito, deixando escapar as primeiras lágrimas que prendi o dia inteiro, e me confortando com o seu cheiro único amadeirado que eu adorava. As palavras de Sasuke havia me tocado profundamente, ele me fazia sentir protegida contra tudo. Ele me fazia ver as coisas de modo diferente e parecer tudo mais fácil. Eu não sabia se o nosso namoro iria dar mesmo certo, mas eu iria tentar fazer dar certo. Pois eu me sentia pela primeira vez naquele dia, confortável.

- Eu... gosto de... você.

A minha voz saiu estranha e abafada devido ao choro e meu rosto está escondido em seu peito, mas eu consegui expressar um pouco do que eu sentia naquele momento.

Os braços de Sasuke me rodearam, me apertando naquele abraço, seu rosto se afundou em meu pescoço.

- Eu também gosto de você, Sakura, eu gosto muito. - ele confessou mais uma vez. - E odeio vê-la se rebaixar assim, como se não fosse nada.

- Eu sou uma idiota.

Ele pôs as mãos em meus ombros e me afastou um pouco e me fitou, seus polegares secaram as minhas lágrimas.

- Tem razão, você é uma idiota. - meus olhos arregalaram, sua expressão era neutra. - É uma idiota por não perceber o quanto é linda. - sua mão agora acariciava o meu rosto. - Seus olhos verdes me deixam fascinado, seus cabelos rosados me chama atenção, seu jeito tímido e desastrado me deixa louco...

Não deixei ele terminar, tomei a iniciativa e o beijei, e precisei ficar na apontas dos pés para alcançar sua boca. Meus lábios se movimentavam lento contra os seus, e ele deixava eu o conduzi-lo, minhas mãos em volta de seu pescoço o puxava para mim. Mas diante daquele momento só nosso, como se tivéssemos dentro de uma bolha invisível, eu não consegui ignorar aquela sensação incômoda de estar sendo espionada. Parei o beijo bruscamente e virei rapidamente o meu rosto para trás. Foi tudo muito rápido, mas consegui ver a cortina da sala se mexer e uma sombra passar por ela rapidamente, se escondendo.

- O que foi? - Sasuke perguntou, voltei minha atenção para ele e me desprendi de seus braços.

- Eu tenho que entrar. - dei dois passos para trás, e seu cenho franziu, confuso. Mordi o lábio rapidamente. - Nós estamos sendo monitorados pela minha mãe.

- Monitorados? - agora ele olhava para a minha casa, as sobrancelhas franzindo mais, e me fitou. - Acho que deve ser sua impressão.

- Acredite, ela é muito boa em camuflagem.

Ele olhou novamente para a casa e depois suspirou, voltando a me olhar.

- Tudo bem, eu já vou indo. - ele deu os dois passos para frente, acabando com o pequeno espaço que havia entre a gente e me beijou rápido. - Nos vemos amanhã.

- Tá.

Ele se afastou, colocando o capacete e subiu na moto. Comecei a me afastar, dando alguns passos para trás e virei meu corpo, caminhando até a porta de casa, mas a voz de Sasuke soou, me chamando:

- Sakura.

Parei, e virei-me para trás.

- Hm?

- Pense naquilo que eu te disse, tá?

Eu só assenti com a cabeça, concordando, mais calma agora. Sasuke sorriu comprimido e acelerou o motor da moto e foi embora.

Abri a porta e entrei em casa sendo recebida com o aconchego quentinho do meu lar. Minha mãe fingia ir até a cozinha, mas parou no meio do caminho e me fitou, sorrido forçado e fingindo surpresa quando me viu.

- Chegou cedo, filha.

- Sabia que é feio ficar me espionando por detrás das cortinas? - disse caminhando em direção ao corredor, tirando a minha mochila das costas.

- Eu te espionando? - parei no meio do caminho e apertei os olhos. Ela jogou as mãos para cima. - Tudo bem, eu me rendo. - suspirei e ela se aproximou. - Ai filha eu não resisti, não aguentei de curiosidade e tive que ver vocês dois namorando. - colocou as mãos nas bochechas. - Vocês são tão bonitinhos.

- Mãe! - a repreendi, incrédula com sua cara de pau. - Isso é invasão de privacidade!

- Ah, mas só foi uma olhadinha de nada filha, só para constar se vocês estavam mesmo bem. - Bufei e comecei a caminhar até o meu quarto. - Você vai jantar?

- Vou, só vou tomar um banho primeiro. - respondi antes de entrar no meu quarto e fechar a porta.

Deixei a minha mochila no chão e me joguei na cama, de cara no colchão. Eu estava cansada, mas mesmo assim eu estava feliz. Sasuke sempre conseguia me impressionar quando eu menos espero. Quando eu penso que tudo está dando errado e penso em desistir, ele aparecia com uma luz, confortando-me com suas certezas e me deixando calma por tê-lo ao meu lado para me proteger contra todos.

Sorri, virando meu corpo, ficando de barriga para cima e escutei meu celular tocar.

Saí da cama e peguei a minha mochila no chão e abri o bolso da frente, pegando o celular, era uma mensagem.

-

E aí, o Sasuke beija bem?

-

Eu fiquei olhando aquela mensagem por alguns segundos, não acreditando que ela iria mesmo insistir naquele assunto.

Ino era realmente inacreditável.


Notas Finais


Bom, pessoal, esse é o último capítulo pronto, e como disse nas notas das outras fanfic, eu só voltarei atualizar capítulos inéditos no segundo semestre, ou seja, só voltarei em julho. Preciso de tempo para organizar tanto esse site, como os outros sites onde possuo conta.
Irei responder os comentários assim quando jogar todas as fanfic para o site, mas não se preoculpem, eu li cada comentário de vcs :)
Qualquer dúvida por me chamar por MP.
Bjs.


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