História A Garota do Uchiha - Capítulo 6


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amizade, Colegial, Romance, Sasusaku
Visualizações 325
Palavras 4.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 6 - Mentiras.


A GAROTA DO UCHIHA

O dia havia amanhecido bonito e quente, o céu estava totalmente da cor azul e sem um único vestígio de nuvens. Resolvi naquele dia deixar o suéter amarelo de mangas compridas em casa e usar um sem mangas por cima da camisa branca de mangas curtas do colégio. Minha pulseira favorita tilintava em meu pulso conforme eu penteava meus cabelos, percebendo através do meu reflexo no espelho que fazia algum tempo que eu não os aparava, estava chegando à altura dos ombros.

Dei uma última checada em minha mochila, conferindo se estava tudo certo ali e saí do quarto.

Minha mãe terminava de preparar o café da manhã quando cheguei à cozinha, ainda estava de camisola, o que eu achei um pouco estranho. Geralmente ela estava arrumada ou com pressa para sair para trabalhar.

— Bom dia, querida. - ela sorriu assim quando me notou entrando no pequeno cômodo.

Sentei-me a mesa, e mamãe colocou uma xícara de café com leite a minha frente.

— Bom dia. - respondi. - Não vai trabalhar hoje não?

— Vou entrar um pouquinho mais tarde. - ela sentou-se na cadeira. - O velho Sarutobi deve ter percebido que eu sou uma boa funcionária.

— Hm.

— Querida - ergui meus olhos para ela. -, você poderia passar no supermercado quando sair da escola? Tá faltando umas coisinhas em casa. Poderia quebrar esse galho para mim, já que você não trabalha hoje?

— Claro. - peguei a fatia de pão de forma e passei requeijão.

— Eu fiz uma pequena lista, nada pesado.

Apenas assenti com a cabeça, levando à fatia de pão a boca.

— Ah, trouxe outro despertador para você, e espero que esse dure dessa vez.

Sorri.

— Obrigada.

Não tivemos tantos diálogos durante o café da manhã, geralmente eu não era uma pessoa sociável e muito menos falante. Mas isso não me impedia de ser uma boa ouvinte e escutar as lamúrias de mamãe sobre seu trabalho e das contas do final de mês que havia chegado.

Terminei meu café da manhã e voltei para o meu quarto só para pegar a mochila. Mamãe entregou a pequena lista de compras e saí de casa em seguida.

Guardei a lista na mochila e liguei o display do meu celular para ver as horas enquanto eu caminhava por aquela rua vazia de minha casa. Não estava atrasada, mas percebi uma notificação de que havia recebido uma mensagem de texto. No começo eu iria ignorar, completamente deveria ser mais uma mensagem propaganda de operadora para ativar pacotes. Mas uma coisa dentro de mim fez com que eu abrisse a mensagem para saber do que se tratava.

Meus olhos arregalaram levemente quando eu descobri que era uma mensagem de Sasuke. Na mesma hora senti a minha respiração ficar presa na garganta enquanto meus pés travaram no chão. Eu estava completamente atônita com as três palavrinhas que ele havia escrito:

Oi, bom dia :)

Visualizei a hora que ele havia mandado: 7:08am. Eu estava no banheiro quando a mensagem havia chegado. Por um segundo eu me perguntei; como ele havia conseguido o meu número? Mas lembrei-me de ontem quando ele havia pedido o celular e anotou seu número nele, e pegado o meu.

Soltei todo o ar pela boca de uma vez.

O que eu faço? Eu deveria respondê-lo? Mas o que eu iria dizer a ele? Meu interior estava completamente confuso e sem saber o que fazer. Céus, como aquelas palavrinhas poderam causar uma situação estranha e extremamente embaraçosa para mim, levando-me para o outro lado da minha linha de conforto?

Isso nunca havia acontecido comigo antes, era a primeira vez que recebia mensagens de alguém que não era a minha mãe. Meu estômago se revirava de um jeito estranho, meu coração nem se fala, totalmente descontrolado nas batidas, deixando-me estupidamente nervosa. Mesmo em mensagem de texto, Sasuke havia me deixado de um jeito estranha e totalmente fora de meu controle.

Fechei meus olhos com força, tentando manter o meu foco.

— Pare com isso, Sakura. - murmurei para mim mesma. - Pare de pensar bobagens. É só uma mensagem boba e sem significância.

Sem significância, uma mensagem sem significância que havia me desconcertado literalmente. Meus olhos focaram nas horas, percebendo que se eu não me apressasse eu iria perder o ônibus e chegar atrasada.

Dei de ombros e resolvi ignorá-la, guardando o celular no bolso da mochila, e voltando a andar, agora com passos mais rápidos.

Completamente aquela mensagem deveria ser algum tipo de engano.

❊ ❊ ❊

Consegui chegar ao colégio no horário certo, sem atrasos. Percebi alguns olhares curiosos focados em mim enquanto eu andava por aqueles corredores infestados de alunos. Apenas abaixei mais a minha cabeça e segui meu rumo, levemente incomodada com os pequenos cochichos em desrespeito a mim.

O que diabos estava acontecendo? Por que todos resolveram notar a garota anônima e insignificante hoje? Geralmente eu não me dava muito bem com atenções voltadas a mim, vivi a minha vida toda na solidão sendo ignorada por todos, para que uma simples pessoa prestasse atenção em mim despertasse o meu lado defensivo.

Não estava gostando nada daquilo.

Antes que eu pudesse chegar a minha linha de desespero, senti uma mão em meu ombro, fazendo-me parar bruscamente e me virar rapidamente meu corpo para trás.

Mas para o meu alívio - em partes - era Sasuke. Como sempre seus cabelos jogados para o lado, meio que bagunçados, os óculos de armação grande e de um vermelho escuro no rosto e aquele maldito entortar de lábios para cima que o deixava excepcionalmente fofo.

Novamente meu interior se afogava em meio ao nervosismo e sensações estranhas, meu estômago dando cambalhotas, minhas mãos trêmulas e soadas não ajudava em nada para acalmar o meu coração idiota que batia mais do que o normal.

Deus, por que eu estou sentindo isso? Por que eu não conseguia ficar normal quando esse garoto está a minha frente? Porque ele é tão bonito ao ponto de me deixar completamente embasbacada, uma tola idiota que não sabia como reagir em sua presença, bancando a bobalhona?

Eu sempre fazia essa mesma pergunta milhares e milhares de vezes, mas a resposta era sempre vazia, não havia respostas. E a confusão em meu interior ficava cada vez maior.

— Oi.

Sua voz chegou em meus ouvidos num tom aveludado, manso e baixo.

— Oi. - respondi, um pouco mais rápido que o normal, dando a impressão do quanto eu estava afobada. Mas em partes não era por sua culpa e sim pela atenção exagerada que eu estava recebendo naquele dia. Um dia que mal havia começado e que eu tinha a sensação de que iria ser longo e desgastante.

— Eu estava te vendo lá atrás, você andando... parecia com pressa. Te chamei umas duas vezes e você não escutou.

Balancei a cabeça para os lados, soltando o ar que eu nem havia percebido que eu prendia.

— Não escutei.

Voltei a andar pelo corredor, agora acompanhada por Sasuke ao meu lado. Meus olhos sempre focados no chão, mas sentia minha pele queimando como uma larva quente com seu olhar em mim, mas eu era covarde o suficiente para olhá-lo. Não conseguia sustentar seu olhar negro e brilhante por muito tempo.

Mesmo depois de ontem no Joker’s, era para ter aberto uma espécie de conforto entre mim e ele, mas não. Eu não conseguia me sentir confortável com a sua presença sem ficar nervosa, sem manter minha linha de raciocínio no lugar e dizer a coisa certa na hora certa. E muito menos, não conseguia deixar de corar toda vez que ele me olhava de um jeito diferente, como se ele quisesse algo, mas hesitava.

Qualquer garota em meu lugar estaria soltando estrelinhas pelos olhos, pelo fato do garoto bonito está dando atenção para si. Iria agarrar qualquer oportunidade e brechas para fisgá-lo, enfiar as garras e decretá-lo como seu. Exibir para todos que ela era A Garota Especial que ele havia escolhido, e ficar num mundinho colorido de contos de fadas imaginário.

Mas eu não era assim. Eu não conseguia ver um garoto bonito me achando especial, e muito menos acreditava que príncipes encantados existiam. Não conseguia olhar nos olhos de um garoto sem me sentir constrangida e intimidada. Minha timidez era mais forte do que eu, minha confiança em mim mesma era zero por cento. Não era uma garota interessante, e muito menos bonita. Eu era estranha que vive num mundo interno insolado que somente eu existia e mais ninguém.

Isso era um fato, e eu estava conformada, até ele aparecer com seu jeito gentil, me tratando como seu eu fosse especial. Uma parte de mim evaporava com um fogo, aquecendo tudo, outra parte ficava em alerta para uma possível rasteira que poderia vir futuramente.

Eu estava excecionalmente dividida.

— Você chegou bem em casa ontem? - sua voz soou mais uma vez, percebi que ele tentava manter um diálogo entre a gente para que o silêncio não reinasse, e que o clima não ficasse estranho.

Mas o que ele ainda não percebeu, era que eu era péssima em manter uma conversa por muito tempo. Acho que muito tempo sem ter um único amigo havia me deixado assim, antissocial.

— Sim. - minha resposta simples e curta.

— Sua mãe te buscou?

Desta vez não teve como eu não erguer meu olhar para fitá-lo, pegando-o com seus olhos em mim. Senti meu rosto ficar quente, e desviei minha atenção para frente, balançando a cabeça para cima e para baixo.

Percebi minha sala se aproximando, dois alunos estavam perto da porta conversando, esperando que o sinal tocasse para entrar.

— Você recebeu a minha mensagem? - sua pergunta repentina, desfocando totalmente a outra fez com que meu coração desse um salto, fazendo com que meu corpo formigasse.

Mordi o canto de minha boca, parando poucos centímetros da porta da minha sala, sentindo-o parar também. Realmente aquela mensagem de texto era para mim.

— A mensagem... eu... - Droga, o que eu digo? Engoli em seco, tentando controlar o nervosismo de está fitando seus olhos por detrás das lentes dos óculos. - Eu... - balancei a cabeça para os lados novamente, negando, de um jeito totalmente idiota.

Eu era um verdadeiro desastre.

Ele assentiu com a cabeça, sem tirar seus olhos de qualquer movimento meu.

— Eu percebi que você deveria não ter visto, já que não me respondeu.

Sua resposta de certa forma me causou um alívio. Para ele, eu não havia visualizado sua mensagem, o que de certa forma era uma grande mentira. Eu que não sabia o que responder. Eu deveria responder? Mas mesmo assim, a sua resposta despertou um interesse curioso em saber se ele queria que eu respondesse.

Mordi o lábio rapidamente, de um jeito nervoso, abaixando meu olhar para sua camisa branca da escola e a gravata vermelha que cobria os botões. Ele não usava o suéter amarelo.

— Você... ahn... você estava... esperando uma... resposta? - eu me senti uma miserável pelo jeito que gaguejava, o rubor em minhas bochechas deveriam está intenso.

Droga!

O silêncio se apresentou ali, o que deixava a situação mais constrangedora possível. Mas não demorou muito para que sua voz soasse de um jeito um pouco que... tímido:

— Eu... - hesitou. - Acho que sim.

Não consegui evitar ficar surpresa, fazendo com que automaticamente meus olhos focassem nos seus mais uma vez.

— Desculpa. - o pedido escapou pela minha boca, sem ao mesmo eu perceber, soando baixinho.

— Por que está pedindo desculpas? - ele quis saber, parecia um pouco confuso.

Balancei a cabeça para os lados, apertando a alça da minha mochila com todas as minhas forças, para aliviar o pequeno tremor de nervosismo que estava por todo o meu corpo.

— Eu... eu não sabia o que responder.

Eu me sentia uma estúpida por confessar aquilo, eu queria sumir dali e me socar em algum buraco e nunca mais sair de lá. Não gostava daquela sensação de descontrole que eu estava sentindo e nem da sensação de está andando por uma corda bamba.

Sasuke demorou uns dois segundos para entender do que eu estava falando, mas em seguida ele soltou uma pequena risada cansada anasalada.

— Tudo bem.

Para a minha sorte o sinal começou a tocar, e aquela era a minha deixa para escapar daquela situação constrangedora.

— Eu tenho que ir.

Não pensei duas vezes em dar as costas para ele e seguir para dentro da sala, mas antes que eu pudesse dar o primeiro passo eu senti sua mão segurando meu pulso, me impedindo.

— Nos vemos no intervalo. - ele decretou, abrindo aquele maldito sorrido de lado, dando uma piscadela para mim em seguida antes de me soltar e caminhar para a sua sala do 3A que era ao lado da minha.

Soltei um suspiro aliviado e entrei na minha sala, ignorando alguns olhares em mim, e sentei-me em minha carteira nos fundos.

As aulas ocorreram normalmente, tive matéria nova de história e um teste marcado de matemática para a semana que vem. Quando o sinal do intervalo tocou, a mesma cena de todos os dias aconteceu mais uma vez: todos os alunos se levantaram e saíram da sala como se suas vidas corressem algum risco.

Eu apenas me mantive sentada em minha carteira, fechando o caderno sem pressa alguma e ajuntando meus lápis e canetas, guardando na mochila. Eu iria me socar na biblioteca mais uma vez, como todos os dias. Lá era um lugar calmo e... seguro para a minha saúde psicológica.

Mas antes que eu terminasse a minha teoria mental de segurança e fechasse o zíper da minha mochila, uma voz pouco conhecia e excepcionalmente alegre soou por toda a sala:

— Oooi!

Ergui meus olhos para cima e assustei-me quando vi Ino Yamanaka com um sorriso Colgate ao lado de Hinata que também sorria para mim.

— Vocês? - não pude evitar meu tom surpreso, pois eu estava realmente surpresa por vê-las ali parando de frente a minha mesa.

Ino Yamanaka, uma das líderes de torcida da escola e uma das garotas mais populares estava me dando bola. Por um momento eu pensei que ela só estava falando comigo ontem por causa de Sasuke, e que hoje iria ser igual aos outros dias. Mas parece que eu estava enganada.

— Olá Sakura. - cumprimentou Hinata de um jeito tão casual como se fossemos amigas de longa data.

— Oi. - levantei-me da cadeira, terminando o meu processo de fechar o zíper da mochila, mas sem tirar os olhos daquelas duas. - Aconteceu alguma coisa?

— Sim, vim chamá-la para passarmos o intervalo juntas. - respondeu Ino, como se fosse à coisa mais óbvia do mundo.

Parei, tentando processar o que estava acontecendo.

— Passar o intervalo com vocês? - elas assentiram juntas. - Ah, não, eu vou para biblioteca.

— Ah não - disse Ino com um desgosto na voz. -, não, não, não e não. Biblioteca não.

Olhei para Hinata por um segundo que ergueu os ombros, para voltar meu foco em Ino.

— Eu não costumo comer nos intervalos. - tentei explicar. - Não gosto da comida da cantina.

Ela crispou os lábios pintados de gloss cor-de-rosa e cruzou os braços.

— Eu também não gosto, mas nem por isso eu vou sacrificar o intervalo para me socar numa biblioteca.

— A biblioteca não e tão ruim assim, Ino. - respondeu Hinata, fitando-a de solaio para depois voltar sua atenção para mim. - Mas mesmo assim, vamos Sakura?

Eu fiquei olhando de uma para outra, tentando entender se era real aquelas duas tentando me encaixar em seu grupo de amizades. Aquilo parecia surreal. Mas não tive tanto tempo para chegar a uma conclusão, pois Ino enganchou seu braço no meu e outro no de Hinata, nos puxando sem mais nem menos em direção a saída.

— Você não vai pensar muito. - ela disse, mandona. - Ino Yamanaka está decretando que você vai passar o intervalo conosco.

Eu não tinha o que falar, não tinha argumentos para debater aquilo. Estava surpresa demais para conseguir tal proeza, e a coisa ficou mais estranha quando colocamos os pés no corredor e demos de cara com Sasuke parado em nossa direção. Suas sobrancelhas estavam levemente franzidas, olhando de Hinata para Ino, e de Ino para mim, depois voltando seu olhar para a loira que estava no meio.

— Ino?

Ino abriu um sorriso vitorioso e sapeca e piscou em seguida para ele.

— Cheguei primeiro, Uchiha. - sua voz era risonha, puxando Hinata e eu pelos corredores cheios de alunos, sem dar a chance para Sasuke debater.

Nesses três anos que estudo na Senju High School, só passei o intervalo no pátio ou no refeitório apenas cinco vezes, e todas as cinco vezes eu estava sozinha. Era até estranho está acompanhada pelas duas garotas que havia me capturado da minha zona de solidão e calmaria para um lugar agitado e barulhento. Precisei de alguns segundos para me acostumar.

Esperamos por Hinata que havia ido para a cantina comprar algo para comer, mas não demorou para que voltasse com um saquinho de mini salgadinhos e refrigerante e uma sacolinha branca com frutas que havia entregado a Ino.

Segui as duas garotas pelo gramado do pátio aberto e sentamos em uma das mesas com bancos de madeira.

— Tem certeza que você não quer um pouco? - perguntou Hinata pela décima vez, oferecendo um de seus salgadinhos para mim.

— Não, obrigada.

— Hinata, eu não sei como você não engorda pela quantidade de gordura que você ingere. - comentou Ino tirando uma maçã de dentro da sacolinha branca.

— A pessoa só é feliz quando come o que gosta. - ela respondeu, dando uma mordida em um dos salgadinhos. - Você não concorda, Sakura?

— Ahn... acho que a pessoa tem que comer o que gosta.

Hinata sorriu para Ino debochadamente com a minha resposta favorecendo a ela. A outra me olhou como se eu estivesse cometido o maior pecado da face da terra.

— Sakura, não diga isso! Não vá na onda da Hinata, se não você vai ficar com os peitos do tamanho dos dela.

— Ino! - Hinata a repreendeu, enquanto suas bochechas tomavam uma coloração avermelhada.

Ino apenas deu de ombros, dando uma mordida em sua maçã.

— Estou falando sério, seus peitos estão crescendo por causa da quantidade de comidas gordurosas que você come. - ela apontou. - Isso é um efeito colateral enorme.

— Isso é um absurdo, não tem nada haver. - ela largou o salgadinho, crispando os lábios. - Vamos mudar de assunto?

— Então vamos falar sobre garotos.

— De novo? - Hinata questionou.

— Claro. Você já se decidiu quando vai se declarar para o Naruto?

— Vamos ir com calma, tá legal? - Hinata pareceu nervosa. - E, aliás, o Naruto nem gosta de mim daquele jeito que você pensa.

Ino arregalou os olhos e deu um tapa na testa, se curvando com o corpo para frente.

— Hinata deixa de ser tonta, ele gosta de você, enfia isso de uma vez por todas na sua cabeça.

— Não gosta nada. - a outra rebateu, curvando seu corpo também, ficando de frente para a Ino.

— Gosta sim.

Ino não media esforços de dizer certas coisas na lata. Eu apenas ficava observando como as duas se tratavam, a intimidade que uma tinha com a outra. Era assim que era ter amigas? Falando sobre tudo, peso, comida e garotos? Será que essa sensação estranha de me sentir um peixe fora d’água era temporário? Será que eu iria me acostumar com os passos daquelas duas, saindo de minha zona de relaxamento?

— Sakura, ei.

Voltei meu foco para Ino que sacudia a mão de frente ao meu rosto.

— Ah, oi.

Ino soltou risadinhas com meu jeito afoito.

— Está no mundo da lua?

— Ah, não, desculpe. - eu me atrapalhei nas palavras.

— Tá legal. - ela mantinha um sorriso no rosto, seus olhos azuis estavam com a atenção em mim, e alguma coisa me dizia que alguma coisa boa não viria dela. - Então, você gosta de algum garoto?

Sabia. Eu podia sentir o calor subir por minhas bochechas ao mesmo tempo quando me lembrei de Sasuke. Mas que droga! Por que eu estava pensando naquele garoto?

— Sakura? - Ino chamou, fazendo-me voltar ao mundo real.

— Ah... eu...

Minha garganta parecia que havia se fechado, as palavras não saiam pela minha boca. Aquela pergunta era de alguma forma constrangedora demais para mim. Eu não gostava de ninguém... bom, acho que não... que droga de pergunta! Eu não tinha resposta para aquilo, ultimamente eu não tinha resposta para nada.

— Ino, deixa de ser intrometida - repreendeu Hinata, para meu alívio que durou só um segundo quando ela terminou sua frase: -, não está vendo que ela e o Sasuke estão juntos?

Meus olhos arregalaram quando senti meu coração dar um pulo pelo susto que tomei com aquela afirmação extremamente absurda.

Não! — minha voz saiu alta e esganiçada, fazendo as duas garotas me olharem assustadas. Eu deveria está parecendo um tomate naquela hora. Eu queria que alguém me enterrasse naquele momento.

— Não? - elas perguntam em uníssonos, no mesmo tom de curiosidade.

Neguei com a cabeça, apertando meus dedos uns nos outros em meu colo, tentando manter algum controle para não gaguejar.

— Eu e o Sasuke não somos um casal.

O rosto de Ino se contorceu em uma careta, mas logo um pequeno sorriso se abria em seu rosto.

— Mas já rolou uns beijinhos entre vocês, não é?

— Ino! - Hinata a repreendeu novamente.

— O que foi? - ela olhou para a amiga. - Qual foi à garota que nunca beijou o Sasuke?

— Eu.

— Ah Hinata, você não conta. - revirou os olhos. - Você só têm olhos para o Naruto.

Hinata apertou os olhos.

— Mas mesmo assim, isso é uma pergunta bem indecente.

Ino bufou revirando os olhos.

— Nós estamos entre amigas, não vamos sair espalhando pelo colégio o que se fala entre a gente. - em seguida ela voltou a me olhar. - Vocês já ficaram?

Não respondi, permaneci calada e com uma vergonha do tamanho do mundo. A lembrança do meu beijo com o Sasuke me veio à cabeça. Bom, não era exatamente um beijo daqueles que eu via nos filme, e sim um pequeno colar de lábios. Mas era o meu primeiro beijo, uma coisa íntima de mais para eu ficar espalhando por aí.

— Pela sua cara o Uchiha não perdeu tempo. - Ino comentou de repente, sorrindo. Meu rosto chegou à coloração nível cem. Como ela sabia disso? Era tão óbvio assim? - Aquele safado beija bem, não é?

Senti meus olhos arregalarem levemente com a declaração de Ino. Ela também o havia o beijado?

— Ino, você fala como se não tivesse um namorado. - Hinata novamente estava a repreendendo.

— O que uma coisa tem haver com... - ela foi devidamente interrompida com o toque de seu celular. - Falando nele. - ela se levantou do banco enquanto o atendeu com um sorriso no rosto. - Oi meu amor...

Ela se afastou um pouco da mesa, conversando animadamente no celular pelo que parecia ser seu namorado.

— Não liga para ela não, Sakura. - começou Hinata, me fazendo olhá-la. - A cabeça de Ino funciona de um modo diferente. Para ela é normal debater os beijos de ficante com outras pessoas - sorriu, balançando a cabeça para os lados. -, vai entender?

Levantei-me do banco de repente, atraindo a sua atenção.

— Eu vou ao banheiro.

— Quer que eu vá com você? - ela perguntou.

— Não precisa, obrigada. - soltei um sorriso forçado e saí de lá o mais rápido possível, sem dar a chance de Hinata questionar.

Eu sentia um nó em minha garganta, minhas mãos estavam trêmulas. Eu era uma estúpida, uma burra completa. Eu sentia que alguma coisa deveria está errada naquele garoto, mas eu resolvi ignorar. Sasuke não havia se aproximado de mim por acaso, por ter me achado interessante. Ele havia se aproximado de mim para brincar comigo, colocar meu nome em sua listinha ridícula de peguete que ele já ficou. E a idiota aqui estava caindo como um patinho. Eu estava me encantado com seu jeito cavalheiro e fofo, e sua preocupação comigo.

Burra.

Era tudo mentira.

Eu estava bancando a trouxa e sendo enganada mais uma vez.



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