História A Garota do Uchiha - Capítulo 7


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amizade, Colegial, Romance, Sasusaku
Visualizações 343
Palavras 4.269
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 7 - Declarações.


A GAROTA DO UCHIHA

A semana havia ido embora e quando menos esperei já estava na metade da outra. Esses dias ocorreram diferentes dos outros, eu não passava mais os intervalos dentro de uma biblioteca fazendo os deveres que eram para serem feitos em casa. Ino e Hinata tiveram o prazer de me desvirtuar de minha rotina sem graça e solitária. Elas haviam me incluído em seu grupo, agora formando um trio.

Era meio que estranho no começo e tive receios em certo momento, eu era nova nesse ramo de fazer amizades, eu era péssima. Achei complicado lidar com o jeito e opiniões diferentes de outras pessoas.

Para Ino, estudar era como está pagando os pecados no inferno. Shopping era a sua segunda casa e a segunda maravilha do universo, só perdendo para o salão de beleza. Seu senso consumista era de alguma forma incômodo, pois enquanto ela gastava dinheiro com coisas fúteis que geralmente não precisava, existiam pessoas com dificuldades financeiras, que qualquer centavo fazia falta para o orçamento mensal.

Já Hinata, compartilhávamos a mesma ideia de que um bom estudo era o grande futuro para uma pessoa brilhar no sucesso do profissionalismo. Mas ao mesmo tempo o seu sensor de pessoa festeira falava mais alto, fazendo-a deixar de lado toda a ideia de estudos e focar numa boa farra com bebidas e músicas altas até amanhecer o dia.

Eu não andava muito em shopping para comprar coisas - mesmo que eu quisesse -, não tinha dinheiro sobrando para tal coisa. Eu havia me conformado com a vida de economizar cada centavo para uma urgência maior. Festas? Eu odiava festas. Não me sentia bem num lugar com música alta que pudesse me causar um problema de surdez no futuro, ou beber até atacar o fígado e causar uma onda de vômito a noite inteira, e uma dor de cabeça infeliz por causa de uma ressaca.

Essas coisas pequenas - não tão pequenas - que fazíamos nós três sermos diferentes. Viver em mundos diferentes, com pensamentos diferentes, e situações diferentes do dia a dia.

Ino era linda com seus cabelos loiros e olhos azuis, alegre e líder de torcida. Hinata também era bonita com o seu jeito de boa moça, mas o charme de uma pessoa engraçada. Essas qualidades poderiam fazê-las pessoas metidas, mas não. Isso não as impediu delas terem gostado de minha presença insignificante e aturar minhas pequenas respostas monossílabas, pois mesmo que eu tentasse fazer o contrário, eu não conseguia agir como uma adolescente normal e despachada.

Eu era nova nesse ramo de ter amigas.

Já vi em filmes adolescentes e já li em livros de romance a cumplicidade que uma amiga tem com a outra. Elas compartilham absolutamente tudo, e eu não conseguia fazer o mesmo. Não sabia o que tinha de errado comigo, mas eu não conseguia falar sobre mim - como se tivesse algo de interessante em minha vida -, e muito menos sobre garotos e... sexo.

Esse último tópico fazia-me travar por inteira. Eu só ficava calada, apenas escutando as conversas pervertidas sobre o órgão genital masculino, pedindo internamente para que o chão me engolisse, pois eu não aguentava mais sentir a minha pele pegando fogo pela vergonha que sentia de compartilhar algo tão... constrangedor.

Mas mesmo assim, elas eram boas pessoas.

Não falei mais com Sasuke, quer dizer, eu fingi ignorar o fato dele ter entrado em minha vida de paraquedas. Eu agora tinha consciência do que ele realmente queria de mim.

Ele não me enganava mais.

Era impossível controlar os meus hormônios descontrolados e aquela sensação estranha de frio no estômago quando o via por algumas vezes passar o intervalo comigo e as meninas junto dos seus amigos. Ele até promoveu uma saída para o Joker’s com todo mundo na semana passada, mas eu não fui. Ele tentou falar comigo quando tinha oportunidades, mas eu fugia, eu evitava ficar sozinha com ele.

No final de semana meu telefone tocava várias e várias vezes - coisa que nunca aconteceu antes -, mas eu não atendi. Ele havia resolvido mandar mensagens, perguntando-me o que estava acontecendo, mas eu não o respondi. Eu estava fazendo a mesma coisa que os outros faziam comigo antes.

Eu estava o ignorando.

E para falar a verdade, eu me sentia o pior ser humano da face da terra por fazer aquilo. Mas era só eu voltar a minha rota de pensamentos para o que me levou a agir como uma cretina, para que eu pudesse retornar a seguir em frente e dar continuação aquele gelo. Ele só estava brincando comigo afinal.

Por algumas vezes eu pensei em chutar o balde e dizer na cara dele que eu já sabia de tudo, de suas intenções diabólicas e canalhas. Mas como uma boa covarde que eu era, eu não fiz. Eu amarelava no último segundo e não dizia nada.

E tudo isso por medo.

Medo por não saber qual seria a reação dele depois disso. Medo por saber que mesmo que eu achasse que ele estava mentindo, eu tinha uma pequena e quase nula esperança de está errada, e descobrir que eu realmente estava certa. Medo por ele rir da minha cara e dizer que eu era uma idiota por cair num truque daqueles dele ser um bom moço. Medo de ele me humilhar e me fazer sentir um lixo, me quebrando de vez.

Eu não iria suportar escutar palavras que pudesse acabar com o meu emocional, pois ele ainda estava se cicatrizando pela perda de meu pai, e pelas situações que vivi na outra escola.

Eu sei perfeitamente que remoer o passado não faz bem a ninguém, que só prejudica você a seguir em frente. Mas aquela cisma sempre vai prevalecer, por que quem bate esquece, mas quem apanha não. A ferida sempre vai permanecer lá, mesmo que se torne uma cicatriz, mas vai ser uma cicatriz que você vai carregar a sua vida inteira.

Já era final de tarde daquela quarta-feira, e só faltavam duas horas para dar por encerrado o meu expediente na loja de doces. Eu estava no balcão, colocando bolinhos caramelados e duas tortilhas de baunilha numa sacola branca com o emblema da loja para uma menina que deveria estar no auge de seus treze anos. Ela me entregou o dinheiro depois que falei o total de sua compra, e entreguei a sacola para ela.

— Obrigada pela sua preferência e volte sempre. - o sorriso forçado estava em meu rosto, ele aparecia automaticamente nessas situações. Eu tinha que ser gentil, ser educada com os clientes, sempre está de bom humor. Essas eram as regras para se trabalhar aqui na loja da dona Chiyo.

A menina sorriu de volta e murmurou um, obrigada, e saiu da loja, deixando a porta aberta para uma mulher com seu filho pequeno ao lado, elétrico por balas, entrarem em seguida.

Só mais duas horas daquilo, eu estaria livre para ir para casa.

— Sakura - a voz de dona Chiyo soou ao meu lado, trazendo minha atenção para si. -, deixe que eu atendo essa cliente, vá ajudar a Tenten a etiquetar as embalagens dos biscoitos para trazer para frente.

Apenas assenti com a cabeça, concordando, e deixei o balcão com aquela velha senhora e entrei numa portinha que dava para uma cozinha. Tenten estava em pé de frente para uma mesa retangular, escrevendo os preços nas pequenas etiquetas adesivas retangulares enquanto cantava baixinho uma música qualquer.

Ela ergueu a cabeça por um momento e sorriu para mim, naquele jeito simpático dela.

— Vim te ajudar. - eu disse pegando uma daquelas embalagens transparentes de biscoitos caseiros nas mãos.

— Ah, tem umas etiquetinhas com preços aqui. - ela colocou um montinho a minha frente.

— Uhum.

Peguei uma daquelas etiquetinhas e comecei o processo de tirar o papelzinho liso da área adesiva, e colar nos pacotes transparentes dos biscoitos. Tenten havia parado de murmurar a música que cantava, deixando o local em completo silêncio.

— Está com sono?

A pergunta repentina me fez olhá-la por um segundo, percebendo que ela mantinha seu olhar em mim.

— Acho que um pouco. - murmurei, voltando minha atenção ao meu trabalho. - Estou com um pouco de dor de cabeça.

— Eu tenho um analgésico para dor de cabeça na minha mochila, se você quiser eu pego.

— Não, obrigada. - sorri, fitando seus olhos castanhos. - Deve ser por que eu não dormi direito essa noite.

— Hm. - ela deu de ombros, voltando a escrever os preços nas etiquetas. - Também fico com dor de cabeça quando não durmo direito, isso é muito ruim.

Balancei minha cabeça para cima e para baixo, afirmando o que ela disse.

— Isso tem haver com algum garoto?

Na mesma hora parei o que estava fazendo, sentindo meu estômago se contrair quando voltei meu foco para a minha colega de trabalho.

— Por que você está me perguntando isso?

— Ah, por que geralmente quando uma garota perde o sono, tem haver com garotos. - ela disse aquilo como se fosse à coisa mais óbvia.

Abaixei minha cabeça, fitando alguma coisa invisível na mesa, sentindo um pequeno calorzinho se formar em meu rosto.

— É claro que não. - neguei, fazendo com que minha voz saísse baixinha e por um segundo, hesitante.

Claro que não. Eu não estava dormindo direito por que... por que... droga! Nem eu sabia o porquê eu não estava mais dormindo bem à noite. E me recuso a acreditar ou ao menos admitir que seja por um garoto. Isso não.

Não mesmo.

— Bom, geralmente eu perco o sono por causa disso. - ela continuou o assunto. - E eu andei perdendo o sono esses dias, sabe?

Ergui meu olhar novamente para ela, só para encontrar um sorriso bobo em seus lábios. Ela continuou, agora olhando para mim:

— Você se lembra daquele garoto de três semanas atrás?

Franzi o cenho e dei de ombros.

— São tantas pessoas que passam por essa loja, como vou me lembrar.

— Um bonitinho de olhos claros e cabelos longos... ahn, você atendeu ele no balcão.

Forcei a minha mente para vê se eu me lembrava desse garoto que ela descrevia, mas nada.

Balancei a cabeça para os lados, negando.

— Sinto muito.

Ela fez uma cara chateada, mas não durou muito, pois o sorriso largo iluminou seu rosto.

— Bom, encontrei ele na estação do metrô quando eu estava vindo da casa da minha tia no domingo. Nós meio que batemos um papo banal e foi divertido, e ele me convidou para ir ao cinema nesse final de semana.

— Nossa, legal.

Sim eu era péssima em compartilhar o animo alheio, mas parece que Tenten não se afetou com isso, já que eu podia ver os coraçõezinhos imaginários saindo de seus olhos.

Ela sorriu mais.

— Eu estou muito nervosa, e já pensei um monte de coisa que pode acontecer nesse encontro. - ela disse afobada. - Eu tenho que procurar uma roupa bonita, mas não encontrei nada no meu guarda-roupa. Às vezes eu penso se eu não agi sem pensar, sabe, o garoto pode achar algum defeito ou alguma coisa errada em mim. Isso é tão difícil.

— Seja só você mesma. - eu disse baixinho.

Ela me olhou novamente, com o rosto confuso.

— Ahn?

— Se o garoto não gostar de você do jeito que é, então não vai valer apena tentar.

Aquelas palavras simplesmente escaparam pela minha boca. Acho que pelo fato de Tenten parecer desesperada com seu futuro encontro, me fez tentar achar uma solução e fazê-la se sentir bem.

Ela ficou alguns segundos me fitando, parecia pensar nas palavras que eu havia dito. Mas não demorou para que ela sorrisse novamente, agora animada.

— Nossa, valeu. Acho que eu estava me precipitando atoa.

Sorri mínimo e coloquei outra etiqueta no pacote transparente do biscoito.

— De nada.

❊ ❊ ❊

Finalmente chegou o fim do meu expediente, meu corpo nunca esteve tão cansado como estava naquele momento. Tudo o que eu mais queria era chegar à minha casa e cair na cama e dormir por pelo menos uns cinco dias para recarregar as minhas energias novamente.

Ajeitei as minhas coisas e saí da loja depois que me despedi de Chiyo. O clima lá fora naquela noite estava frio, me fazendo recolher-me no meu suéter amarelo enquanto andava por aquela calçada pouco movimentada e iluminada pelas luzes dos postes.

Entrei na próxima rua, já podendo ver de longe o ponto que eu esperava o ônibus, mas o que aconteceu no segundo seguinte foi rápido demais para eu poder processar, me pegando totalmente desprevenida.

Uma mão grande havia agarrado o meu braço com força, me puxando para um beco escuro ao lado. Meus olhos arregalaram por um momento antes de sentir o choque com a parede sólida e fria nas minhas costas, me fazendo fechar os olhos com força.

Sentia meu coração disparado pela adrenalina, meu corpo todo tremia, e minha voz que soou a seguir mostrava todo o meu desespero:

— Não, por favor...

Eu sentia as duas mãos do individuo segurando os meus dois braços, firme, me encurralando naquela parede com seu corpo.

— Não vou fazer nada com você, Sakura.

Aquela voz?

Meus olhos se abriram na mesma hora ao som daquela voz conhecida por mim, fazendo por um segundo, um sentimento de alívio acalmar meu coração.

— Você? — minha boca estava completamente seca, minha respiração estava descontrolada, fazendo meu peito subir e descer rapidamente. E mesmo com a pouca iluminação que fazia naquele beco escuro, eu pude distinguir os traços do rosto de Sasuke. - O que v-você... quer?

Seus olhos negros estavam fixos nos meus, sua respiração batia em meu rosto, e o cheiro de seu perfume invadia o meu nariz, deixando-me embriagada e fazendo com que minha linha de sanidade desse uma desviada.

— Esse foi o único jeito que encontrei para falar com você. - sua voz soava baixa, e solene.

Engoli em seco, desesperada para desviar o olhar do dele e correr para bem longe dali. Eu não queria está ali, mas alguma coisa dentro de mim queria, me deixando naquela confusão interna.

— Me solta. - murmurei, sentindo minha boca tremer, minhas mãos estavam geladas e úmidas.

— Não. - ele disse, sem pensar duas vezes. - Não vou te solta até você me explicar do por que está me ignorando.

— Não estou te ignorando.

— Mentirosa. - ele acusou, crispando um pouco os seus lábios.

Contorci-me, tentando escapar de seu aperto, mas percebi que era perca de tempo. Ele era mais forte do que eu.

— Me solta!

— Eu já falei que não. - sua voz aumentou dois graus. - Não até você me explicar o que está acontecendo.

Recolhi-me por um segundo com o seu pequeno surto de ira, mas não durou muito tempo, e me recompus. Minhas sobrancelhas franziram, não havia mais como fugir, eu tinha que ter coragem para enfrentá-lo de uma vez por todas e dar um basta naquela situação.

— Jura que você não sabe? - meu tom saiu totalmente cínico.

Agora foi ele que franziu as sobrancelhas.

— Do que você esta se referindo?

Pela sua expressão parecia que ele não sabia da real situação, mas também podia ser apenas um jogo que ele deveria está fazendo comigo. E aquilo me causou uma raiva enorme dentro de mim.

— Se você não me soltar, eu vou gritar...

Eu fui interrompida quando Sasuke colou nossos lábios, forte. Meu coração havia parado algumas batidas e meu interior se contraiu naquele gesto que havia me pegado de surpresa. Meus olhos continuaram abertos, e tive forças o suficiente para me debater em seus braços, e tentar afastá-lo de mim.

— Você é um idiota! - minha voz saiu estrangulada e histérica quando ele afastou sua boca da minha. Eu já sentia meus olhos úmidos. - Me larga!

— Eu já falei que não! - ele também gritou, na minha cara, demonstrando toda a sua irritação. - Que porra está acontecendo, Sakura? Por que você parou de falar comigo assim do nada?

— Por que eu já sei de tudo! - aquelas palavras haviam saído com um gosto amargo em minha boca.

— Sabe? - seu cenho franziu numa expressão completamente confusa. - Sabe do quê?

Desviei meus olhos para cima, num modo de evitar com que minhas lágrimas caíssem.

— De que você quer me colocar na sua lista ridícula de garotas que você já ficou.

O seu rosto que antes mantinha uma expressão confusa, agora dera o lugar a uma incrédula, partindo logo em seguida para uma irritada.

— O quê? — suas mãos soltaram os meus braços e deu um passo para trás, levando uma de suas mãos em seus cabelos e o puxando. - De onde você tirou esse absurdo? Quem te falou isso?

Embora ele houvesse me soltado, eu continuei lá, parada com as costas na parede o fitando, me sentindo uma estúpida.

— Isso não importa. - comprimi meus lábios por um segundo. - Eu só estou cansada de todos me fazerem bancar a palhaça idiota.

— Então você está bancando a palhaça idiota agora. - ele respondeu sem um pingo de emoção, e meus olhos arregalaram. - Quem você pensa que eu sou? Você está me julgando sem realmente saber o que é verdade ou não. Eu já te disse uma vez e volto a dizer: eu não sou nenhum moleque. Eu não faço esses tipos de brincadeiras, e muito menos tenho uma droga de lista de garotas ficante.

Ele parecia que estava realmente magoado com as minhas acusações.

— Vai me dizer que você não fica com qualquer uma garota que aparece?

Ele se calou. Ele havia se calado! O silêncio que se formou a seguir, fazia com que eu pudesse escutar somente o som da minha respiração pesada saindo pela boca.

— Fico.

A resposta veio como uma rocha caindo sobre mim, era esmagadora. Ele havia confirmado, e pelo tom sério que disse aquilo, era sincero. Eu segurava com todas as forças aquelas lágrimas, malditas lágrimas que queriam escapar naquela hora. Nós não tínhamos nada, mas eu sentia algo doendo dentro de mim, no mesmo lugar onde doía quando eu pensava em meu pai.

Lembrei-me daquele dia quando ele me salvou, ele havia me levado para casa e me beijado. Ele nunca havia tocado naquele assunto, e mesmo que eu quisesse morrer do que tocar naquele assunto com ele, algo em mim esperava que ele dissesse alguma coisa, mas não.

— Por que - hesitei. - me beijou?

Vi em seus olhos um brilho se abrir, eu soube que ele sabia do qual beijo eu me referia.

Ele deu aquele passo para frente, e me encolhi automaticamente naquela parede.

— Por que eu senti vontade. - sua resposta foi direta e firme.

Meus lábios tremeram.

— Eu não sou uma qualquer.

— Eu sei.

Não consegui, simplesmente não consegui mais segurar aquelas lágrimas que começou a cair, uma de cada vez pelo canto dos meus olhos.

— Então por que você insiste em me perseguir? - minha voz saía cortada e falha. - Por que você não me deixou em paz, sozinha como eu sempre estive? Por quê?

Senti sua mão espalmada na parede ao lado da minha cabeça, seu rosto bem próximo ao meu.

— Por que eu gostei de você.

Prendi minha respiração por um momento, extasiada, anestesiada com aquela confissão.

— Go-gosta de... mim? — a pergunta não havia só saído pela minha cabeça, mas também por minha boca.

Ele levou o polegar até o meu rosto e secou as lágrimas que ainda insistiam em cair, acariciando minha bochecha em seguida com sua palma.

— Eu já fiquei sim com um monte de garotas, seria hipocrisia minha se eu negasse isso quando todos estão cansados de saber. Mas quero que saiba que nenhuma delas eu senti a necessidade de está sempre por perto. Nenhuma delas me fez sentir-me estranho e diferente como eu fico quando estou perto de você. Nenhuma delas me chamou tanta atenção, como você me chamou.

Ah meu Deus! Eu sentia que estava em outro mundo, num sonho para falar a verdade. Parecia que eu não tinha mais pernas, pois eu não mais as sentia. Meu estômago rodopiava em borboletas voado, e meu coração batia e batia num ritmo diferenciado a cada milésimos de segundos.

— Eu não sou ninguém. - meu cérebro começava a me mandar mensagens idiotas, eu estava agindo novamente como uma idiota. - Não tenho nada de especial.

— Para mim você tem. - ele agarrou meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhar bem no fundo dos olhos dele. - Eu admito que me precipitei por ter te beijado naquele dia, mas eu não consegui me segurar olhando para você tão tímida, tão frágil e atrapalhada. - sorriu. - Eu não consegui resistir. Eu juro que tentei ir devagar, para não deixá-la assustada, mas acho que não deu muito certo. O fato é que... eu gosto de você, Sakura, e eu quero ficar com você.

— Ficar comigo? - mal pude escutar minha voz de tão baixa que ela havia saído.

Senti como se o mundo estivesse parado naquele momento. A minha respiração havia parado naquele momento. E meu coração falhou com isso.

Sasuke Uchiha gostava de mim. Eu, Sakura Haruno, uma garota apagada e sem importância para humanidade. Ele havia se interessado justo por mim, enquanto o mundo estava cheio de garotas bonitas e interessantes esperando apenas uma oportunidade que ele desse.

Qual era o problema daquele garoto?

Por mais que eu quisesse desesperadamente desviar meu olhar do dele, eu não consegui dessa vez. Nós estávamos numa espécie de bolha particular, se isolando do resto do mundo. Nossos rostos estavam tão próximos que eu sentia seu nariz roçar o meu, seus olhos desviavam vez ou outra a atenção para a minha boca.

— Posso?

Um sussurro pedindo uma permissão soou lentamente de seus lábios. Custou um tempinho para eu processar o que ele se referia e agradeci por estarmos num local escuro para não demonstrar o meu rosto corado. Eu já podia sentir meus lábios formigando.

Eu queria.

Só precisou de um leve e quase nulo balançar de cabeça positivamente de minha parte para que minha boca fosse capturada pela dele. Seus lábios eram quentes e macios, fazendo com que eu sentisse uma onda de sentimentos diferentes. E dessa vez meus olhos se fecharam meio que automaticamente.

Senti sua boca se abrir contra a minha, pedindo passagem, e timidamente eu os abri. Estremeci quando senti sua língua tocando a minha, e seus lábios começando a se mover contra os meus enquanto que automaticamente minhas mãos abraçavam suas costas.

Céus, eu estava tendo o meu primeiro beijo de verdade.

Aquela situação durou pouco, mas foi o suficiente para deixar meu interior de cabeça para baixo. Minha respiração estava ofegante, assim como eu escutava a dele enquanto nossas testas estavam coladas.

Abri meus olhos lentamente encontrando sua negritude que eram os seus, me olhando com aquele maldito e lindo sorriso no canto de sua boca.

Suas mãos ainda permaneciam em meu rosto, e as minhas ainda o abraçava, sentindo o calor de seu corpo ultrapassar o tecido fino de seu casaco.

— Você ainda confia em mim? - ele perguntou depois de alguns minutos em silêncio.

— Confio.

Agora seu sorriso era totalmente aberto antes dele colar nossas bocas novamente, num demorado selinho estalado.

Suas mãos soltaram o meu rosto e agarrou a minha mão, agachando por um momento e pegando a minha mochila jogada no chão - que nem havia percebido que havia caído - e me puxou para fora daquele beco.

— Vou te levar em casa.

— O meu ponto é logo ali. - tentei argumentar, olhando para os lados a pouca movimentação daquela rua.

Ele me olhou de ombro e sorriu novamente daquele jeito que me desconcertava.

— Eu não te dei opções.

Não voltei a discutir, eu estava em modo gelatinada, minhas ações estavam anestesiadas. Deixaria para surtar no outro dia... com toda certeza eu surtaria no outro dia depois de avaliar toda a situação.

Chegamos a sua moto estacionada perto de uma lojinha de roupas, e subimos nela. O fato de odiar andar de motocicletas fazia com que eu me agarrasse a ele como um carrapato com medo de cair.

Não demorou para ele estacionar em frente a minha casa. O barulho acessou e saltei da moto, tirando o capacete e o entregando em seguida.

— Obrigada. - murmurei timidamente, fitando algo que não era ele.

Sasuke ainda estava sentado na moto me fitando com aquele sorriso de lado.

— Nos vemos amanhã?

Balancei a cabeça para cima e para baixo, concordado. Fitei-o por um momento e meu rosto corou. Droga.

— Tchau.

Dei as costas e corri para a porta da minha casa, sem ao menos olhar para trás. Aquilo tinha sido muita coisa para mim.

Entrei dentro de casa, e corri para o meu quarto depois que respondi minha mãe que estava na cozinha.

Joguei minha mochila no chão e me joguei na cama de cara no colchão. Na minha cabeça as cenas do beco se passavam como um filme, parecia que eu estava vivendo um romance de livros.

Meu coração ainda não estava com os batimentos controlados e nem as borboletas haviam parado de baterem as asas em meu estômago.

Meu Deus, que sentimento estrando era esse que eu estava sentindo? Que calor era esse em meu peito? Eu não sabia o que era ainda.

O que eu estava sentindo afinal?



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