História A Garota do Uchiha - Capítulo 8


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Amizade, Colegial, Romance, Sasusaku
Visualizações 367
Palavras 10.985
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 8 - Casal?


A GAROTA DO UCHIHA

Você ainda confia em mim?

Aquela frase ficou vagando em minha cabeça a noite inteira, me fazendo perder completamente o sono, e as consequências daquela noite mal dormida era a dor de cabeça infeliz que eu sentia e as olheiras embaixo dos meus olhos. A minha imagem refletida no espelho era péssima.

Joguei um pouco de água em meu rosto e olhei novamente o meu reflexo. Eu era uma garota totalmente sem graça, meus cabelos bagunçados tinha uma cor estranha e ridícula, meu rosto havia dobras de lençol, e meus olhos transmitiam cansaço.

Eu tentava procurar naquela imagem refletida no espelho algo de especial, algo em mim que tenha despertado o interesse de Sasuke Uchiha. Mas não, o que eu via era uma garota com o perfil baixo e de ombros caídos, totalmente sem sal e insignificante. Eu não era atraente e muito menos bonita.

Então, o que diabos aquele garoto viu em mim?

Suspirei. As minhas duas mãos apoiadas no lavabo, levantei minha cabeça para cima e fitei o teto branco do banheiro, fechando os olhos por um breve segundo.

Confiar.

Mas que droga, por que eu fui dizer que confiava nele assim tão na lata? A minha resposta havia saído como desesperador, eu parecia uma idiota, quer dizer, eu era uma idiota por ter bancado a boba na frente dele e o acusado de coisas sem antes saber se era verdade ou não.

Mordi o meu lábio com força, abrindo os olhos e abaixando a cabeça. Se eu pudesse voltar no tempo e fazer tudo diferente... como se eu fosse fazer diferente, sabia perfeitamente que iria cometer os mesmos erros.

Eu me sentia tão confusa, ainda podia sentir os meus lábios sendo beijados pelos de Sasuke, havia sido bom, e aquela sensação reconfortante fazia com que um calor invadisse o meu peito. Eu me sentia segura com Sasuke, mesmo ele me fazendo ficar nervosa, sentindo coisas estranhas.

Meus olhos arregalaram e me fitei novamente no espelho. Como é que eu iria o encarar hoje? Só de imaginar ficando de frente para ele, a minha coragem escorria pelo ralo.

Levei minhas mãos a minha cabeça, e agarrei os fios de cabelo.

— Minha nossa, o que eu faço?

Acho que ficar em casa não pareceu tão tentador como nesse momento. Nunca em toda minha vida perdi um dia de aula, nem mesmo quando eu estava doente, mas dessa vez era diferente. Eu estava tentando precaver a meu possível surto psicológico.

Meu Deus, isso era demais para mim!

Eu precisava de um tempo para me preparar, e fugir da situação era o primeiro tópico de minha lista. Sabia que aquilo era uma atitude covarde, mas o fato era que eu era uma covarde. E a ideia de me desagarrar de vez do meu casulo interno e tentar coisas novas, me deixava assustada. Vivi sozinha sem nenhum amigo por tanto tempo que me deixou meio que travada para ser uma pessoa social.

— Droga. - murmurei baixinho, meu rosto se contorcendo em uma careta. - Você é realmente patética, Sakura Haruno.

— Sakura, ande logo, se não você vai acabar se atrasando para a escola. - a voz de minha mãe soou alta, do outro lado da porta.

Acho que a possibilidade de ficar em casa hoje estava totalmente descartada, até por que, minha mãe completamente iria ficar implicando com o meu emprego mais uma vez. Agora eu teria que arrumar outro jeito de fugir de Sasuke, bom, pelos menos só até hoje, até eu colocar as minhas ideias no lugar.

Terminei de fazer a minha higiene matinal e fui para o quarto, vesti meu uniforme e penteei meus cabelos. Dei uma ajeitada nos meus materiais na mochila e a deixei em cima da minha cama e fui para a cozinha.

Mamãe estava arrumada para o trabalho e terminava de preparar um suco na jarra, a mesa já estava posta.

— Bom dia, querida.

— Bom dia, mãe. - respondi, sentando-me na cadeira e agarrando uma das torradas que estava no prato.

O sorriso animado do rosto de mamãe murchou aos poucos e as suas sobrancelhas franziu quando seus olhos pousaram em mim.

— Que olheiras são essas? Não dormiu direito não?

— Eu meio que perdi o sono ontem.

— Espero que a senhorita não esteja madrugando estudando a noite, coisa que poderia fazer no dia.

— Mãe, nada haver. - disse, tentando mudar de assunto. Ela sentou-se na cadeira e colocou o suco no copo. - Eu só perdi o sono, nada de mais.

Ela ergueu os olhos verdes para mim.

— Então antes de dormir tome um chá de camomila, vai te ajudar não ter insônia.

Apenas balancei minha cabeça para cima e para baixo, concordado. Peguei o copo de suco que ela oferecia para mim e tomei um gole generoso, sentindo o gosto da laranja aguçando o meu paladar.

— Hoje vou chegar um pouquinho mais tarde. - ela comentou de repente, fazendo-me voltar minha atenção para ela. - Você se importaria em fazer o jantar?

— Claro que não.

Mamãe sorriu, pegando uma torrada e passando um pouco de geléia. Sua boa abriu para falar alguma coisa, mas foi interrompida pelo som da campainha.

— Quem será a essa hora? - ela perguntou, franzindo levemente o seu cenho e deixando a torrada no prato.

— Eu não sei.

Não tinha a mínima ideia de quem poderia ser, geralmente não costumávamos receber visitas, principalmente as sete e pouco da manhã. Mamãe deu de ombros e se levantou da cadeira, caminhando para fora da cozinha.

— Vou lá atender.

Eu continuei sentada na cadeira remoendo a torrada quentinha, e tomando o suco, escutando os passos de minha mãe. Como a casa era pequena, podia se escutar tudo o que se fazia ou falava, dependendo de cada cômodo onde se encontrava, e a cozinha era depois da sala.

Fitei um ponto qualquer na mesa enquanto mastigava a torrada lentamente até um pedaço grande descer, me fazendo engasgar quando escutei uma voz muito, mais muito familiar soar na sala.

Senti meus olhos arregalando enquanto eu tossia para que aquele pedaço de torrada descesse de uma vez, rasgando a minha garganta. Meu coração só faltava pular para fora de meu peito, e minhas mãos tremiam.

Aquela voz rouca com aquele timbre agudo e suave, não poderia ser quem eu estava pensando quem era. Não mesmo.

Demorei dois segundos, totalmente paralisada, pedindo internamente para que aquela voz familiar seja somente a minha mente me pregando uma peça. Mas conforme os segundos se passavam e o diálogo da minha mãe com a pessoa, fez com que meu sistema psicológico entrasse em desespero.

Saltei da cadeira num rompante, de um jeito totalmente destrambelhado, largando o restante da torrada no prato e corri para a sala. Travei no meio do caminho, comprovando o que eu temia.

Sasuke estava ali, no portal da sala com o seu uniforme da escola e a mochila nas costas, falando com a minha mãe que parecia surpresa e simpática demais para o meu gosto.

Fechei meus olhos por um segundo e depois voltei a abri-los, comprovando o que eu via não era um sonho e sim o meu realpesadelo.

Ah meu Deus, o que esse garoto estava fazendo na minha casa afinal?

Eu sentia os meus pés travados no chão, completamente sem reação. O meu possível plano de fuga - que ainda iria arquitetar - foi novamente arruinado por Sasuke. Parecia que aquele garoto tinha uma espécie de sensor que apitava quando eu pretendia fugir. Eu não me sentia preparada para encará-lo depois do nosso beijo de ontem à noite, pois o fato era que... eu estava morrendo de vergonha dele. E vê-lo ali na minha casa, todo lindo falando com a minha mãe, me deixava mais nervosa ainda.

Preparei meus calcanhares para voltar para a cozinha e sumir dali, mas como eu não era muito amiga da sorte, os olhos de negros de Sasuke me enxergaram, não me deixando mais escapatória a não ser encarar de uma vez aquela situação.

Vi a sombra de um pequeno sorriso no canto de sua boca, ele parecia meio que constrangido... sei lá como interpretá-lo naquele momento, o meu nervosismo estava em um nível máximo, a tempo de eu ter um treco.

— Oi. - sua voz soou baixa, num tom meio que tímido, e aquilo não deixava de ser totalmente fofo.

— O que você está fazendo aqui? - não pude evitar com que meu tom soasse rude, e com um toque assustado.

Eu estava totalmente fora da minha linha de conforto, e aquilo só piorou quando a atenção de minha mãe focou-se em mim.

— Sakura - sua voz saiu confusa, lançando um olhar questionador para mim, pedindo uma explicação. -, esse rapaz disse que era seu amigo.

Voltei a minha atenção para Sasuke que esperava uma afirmação de minha parte, mas não consegui pronunciar nada, a cena do nosso beijo naquele beco na minha mente fez com que as minhas bochechas ficassem quentes.

— Eu vim aqui te buscar para irmos ao colégio. - Sasuke se apressou em explicar.

Irmos para o colégio juntos? Foi isso mesmo que escutei?

Minha mãe continuava me fitando, assim como Sasuke, e naquele momento eu pedia internamente para que o chão me engolisse. Uma coisa era o Sasuke começar a me seguir e me salvar de possíveis perseguidores, outra era ele dentro da minha casa, de frente para a minha mãe e dizendo que éramos amigos e que iriamos juntos para escola.

Céus, isso estava completamente errado. Nunca em toda a minha vida uma pessoa que dizia ser meu amigo havia vindo a minha casa para irmos junto à escola, até por que, eu nunca tive amigos. E Sasuke ainda por cima era um garoto. Um garoto! Conhecia muito bem como era a mente de minha mãe, ela estava pensando coisas, formulando coisas, e o sorriso que ela tentava reprimir só comprovava a minha teoria.

Meu Deus, minha mãe está pensando que Sasuke e eu temos algo!

— Sakura, você está bem? - a voz de minha mãe soava longe, parecia preocupada.

Meus olhos estavam arregalados, minha respiração pesada. Eu estava começando a surtar.

— Sakura!

Minha mãe estava agora de frente para mim, suas duas mãos em meus ombros, me sacolejando levemente. E funcionou, pois consegui voltar o meu foco para o seu rosto, e depois para Sasuke que estava ao seu lado, também me fitando preocupado.

— Você está bem, Sakura? - ele perguntou, seu cenho levemente franzido.

— Ah, e-eu t-to sim. - fechei meus olhos e balancei minha cabeça para os lados, voltando a abri-los e fitei minha mãe. - Eu estou bem.

Ela tirou suas mãos dos meus ombros, seu rosto ainda era preocupado.

— Querida você me assustou. Estava ficando verde, está passando mal?

Desviei meu olhar por um segundo para Sasuke, que ainda me olhava. Balancei minha cabeça em negativa, me sentindo uma estúpida por agir como uma alienígena. Dei um passo para trás, tentando me afastar deles dois, principalmente do cheiro amadeirado de Sasuke que me deixava mais tensa.

— Eu estou bem. - repeti a frase, tentando parecer um pouco mais normal.

Sasuke coçou a nuca, meio que constrangido e disse:

— Err... desculpe chegar assim, mas é que eu te ligue umas duas vezes e você não atendeu.

— Você me ligou? - perguntei, ignorando o fato de minha mãe ser uma telespectadora. Ele assentiu. - Eu não vi... quer dizer, acho que eu coloquei o celular na vibração sem querer ontem.

— Entendo.

— Sakura, você é muito desatenta, minha filha - começou minha mãe. -, precisa prestar mais atenção nas coisas.

— Desculpa. - murmurei, abaixando a minha cabeça, sentindo meu rosto ficando novamente quente. Era uma péssima hora de receber um sermão de minha mãe.

Mamãe soltou um suspiro cansado.

— Sasuke, não é? - ela perguntou para ele que concordou com a cabeça. - Bom Sasuke, a Sakura ainda não terminou de tomar o café. Você poderia esperar um pouquinho?

— Claro, senhora Haruno, eu espero sim.

Meus olhos se abriram mais e me apressei em dizer:

— Mãe, não precisa fazê-lo esperar, eu já terminei, só vou pegar as minhas...

— Terminou nada. - ela me interrompeu, seus lábios levemente franzidos, me fitando. - Pode voltar para a cozinha e terminar seu café.

— Mas...

Ela me interrompeu novamente.

— Sem, mas, Sakura. Você não come nos intervalos da escola, daqui a pouco vai voltar a perder peso novamente como da última vez.

— Sakura, pode ir que eu te espero sem problemas. - disse Sasuke sorrindo, comprimindo os lábios.

— Ah - mamãe levantou um dedo para cima e se virou para Sasuke. -, aceita tomar um café?

— Obrigado senhora Haruno, mas eu já comi. - ele respondeu totalmente educado.

Minha mãe sorriu.

— Me desculpe Sasuke, mas estou meio sem jeito. - ela confessou. - É a primeira vez que um amigo da Sakura aparece aqui, e eu estou toda atrapalhada. A minha filha costuma ser muito reservada, sabe.

Sasuke assentiu.

— Tudo bem, senhora Haruno. - ele desviou seu olhar para mim por um segundo. - Eu sei o quanto a Sakura é reservada.

Novamente sentia pela terceira vez meu rosto tomando uma coloração avermelhada. Aqueles dois estavam falando de mim como se e não estivesse ali.

— Sente-se aqui então. - mamãe o guiou até o sofá e Sasuke se sentou. - Fique a vontade, querido.

— Obrigado.

Minha mãe virou-se para mim e suas sobrancelhas franziram-se.

— Sakura, o que ainda está fazendo aí parada? Se apresse, se não vai chegar atrasada na escola.

Não tinha mais o que discutir, e Sasuke pelo jeito estava disposto a me esperar. Apenas virei meus calcanhares e voltei à cozinha, tentando ignorar o fato de que o garoto mais lindo da escola estava na minha sala, conversando com minha mãe.

Sakura, tenha calma, não entre em desespero. Eu dizia para mim mesmo enquanto me sentava na cadeira. Meu apetite já havia ido para o espaço, e meu estômago dava cambalhotas, contribuindo com o meu coração estúpido que não havia desacelerado nas batidas.

Suspirei pesadamente, sentindo que o dia só estava começando, e temia o que poderia vir depois.

Tomei um gole do suco de laranja, e dei uma mordida na torrada, percebendo que ela não estava mais gostosa como antes.

Realmente não achei que Sasuke estivesse falando tão sério ontem, quando disse que gostava de mim. Admito que no momento eu me senti por um segundo amada, mas depois de uma noite inteira em claro, colocando as ideias no lugar, eu havia chegado numa conclusão. Aquilo poderia ser um engano, Sasuke poderia ter sim um certo interesse em mim, mas poderia ser passageiro.

Minha mãe entrou na cozinha com um sorriso suspeito no rosto, seus olhos brilhavam quando focaram em mim. Alerta vermelho, aquilo não era nada bom.

— O que foi? - perguntei na defensiva, subindo a minha armadura invisível de defesa.

— Seu amigo é simpático, não é? - ela disse baixinho, sentando de frente para mim. Não respondi e ela continuou: - Ele é bem bonito, gostei dele.

Ela pegou a sua torrada e terminou de passar a geléia, mas sua atenção ainda estava em mim.

— Vocês dois estão saindo? - sua voz soou totalmente cautelosa.

Ergui meu olhar para cima, ignorando minhas bochechas vermelhas.

— Mãe... não pense bobagens. - sussurrei irritada, e automaticamente olhei para trás, me certificando de que Sasuke não estava escutando. Voltei a fitá-la. - Ele é só um garoto da minha escola, só isso.

Mesmo nós termos nos beijamos algumas vezes, e ele ter me tirado de uma encrenca, mas minha mãe não precisava ficar sabendo disso.

— Ele é bem gentil para falar a verdade, e cavalheiro também. - ela havia ignorado o meu tom irritado, estava completamente derretida pelo Sasuke. - Achei linda a atitude dele vir aqui te buscar para irem a escola. - sorriu. - Gostei de saber que você conhece pessoas que se preocupam com você de verdade.

Abaixei meu olhar, processando as palavras de mamãe. Ela não sabia que Sasuke foi a primeira pessoa que mostrou interesse de ter a minha amizade - tirando o fato dele querer algo a mais -, mas ele foi uma espécie de ponte para possíveis amizades que fiz no decorrer desses últimos dias. Eu era grata a ele por isso. Eu adorava a companhia de Hinata e Ino, mesmo nós sendo tão diferentes, mas elas eram divertidas e me sentia bem com elas.

Levantei-me da cadeira quanto terminei de tomar o resto do suco, deixando minha mãe em alerta.

— E já vou indo.

— Você só comeu uma torrada, vai sentir fome depois. - ela questionou.

— Se eu sentir fome eu compro algo na cantina.

— Você odeia a comida da cantina.

— Eu faço um esforço.

Tentei sorri, mas o que saiu estava mais para uma careta. Dei as costas e saí da cozinha com passos rápidos, entrando na sala e encontrando Sasuke sentado no sofá, mexendo no celular.

— Eu só vou pegar a minha mochila. - eu agradeci quando minha voz saiu natural.

Sasuke ergueu a cabeça e sorriu de lado, assentido positivamente.

Voltei a minha atenção para frente, virei o pequeno corredor e entrei no meu quarto. Permiti soltar todo o ar de uma vez, fechando os olhos. Eu teria que ser forte e agir naturalmente, não poderia sempre agir como uma tola.

Abri meus olhos e caminhei até minha cama, peguei minha mochila e meu celular e o guardei no bolso ao lado e saí do quarto.

Sasuke já estava de pé e minha mãe com aquela simpatia que estava me irritando, o bajulando.

— Pode deixar senhora Haruno, eu vou cuidar bem dela. - disse Sasuke, e minha mãe pareceu mais animada.

Os dois perceberam minha presença e desviram a rota da conversa anterior. Tentei ignorar que eu era o assunto deles, e senti uma pontinha de curiosidade do que Sasuke prometeu a minha mãe.

— Tchau, mãe. - disse, me aproximando da porta de saída.

— Tchau, querida, tenha uma boa aula hoje. - ela disse. - E boa aula para você também, Sasuke.

— Obrigado, senhora Haruno.

Abri a porta e saí com Sasuke ao meu lado. Nos aproximamos da motocicleta preta estacionada no meio fio, novamente eu iria andar naquela coisa.

— Você não precisava ter se incomodado em ter vindo até a minha casa, eu poderia ter pegado um ônibus, como sempre eu faço. - comecei, quebrando o silêncio, fitando suas mãos pegando o capacete reserva e estender para mim.

— Não é incomodo algum. - o canto de sua boca ergueu-se para cima. - Se acostume, pois eu virei todos os dias te buscar e trazer de volta.

Senti meus olhos arregalando e minha boca se abriu. Só de imaginar a possibilidade de arriscar a minha vida naquela motocicleta enorme e totalmente fora dos meus padrões de segurança todo o santo dia, já me deixava tensa.

— Não precisa. - dei um passo para trás, mordendo lábio rapidamente. - Meu Deus, não precisa você fazer isso.

Ele deu um passo para frente, ultrapassando o meu espaço pessoal.

— Sakura, eu quero fazer isso. Quero ir e voltar do colégio com você.

Seus olhos ficaram mais negros, e umedecia os lábios com a ponta da língua. Meu coração falhou uma batida, ele se aproximou mais, e automaticamente prendi a respiração. Perto demais.

Diante de toda aquela atenção eu sentia as minhas costas queimando, com aquela sensação de está sendo observada. Fechei meus olhos por puro reflexo, e levei minhas mãos fechadas até o seu peito e o empurrei levemente.

— Vamos embora, por favor. - minha voz saiu como um miado.

— Está nervosa? - ele perguntou baixinho, senti sua respiração em meu rosto.

Abri meus olhos, encontrando os seus, negros e com um brilho diferente. O calor subia em meu rosto e soltei todo o ar de uma vez.

— Pelo amor de Deus, a minha mãe está nos olhando.

A minha declaração pareceu despertá-lo, ele deu dois passos para trás e olhou a minha casa por cima do meu ombro. Não era preciso virar o meu corpo para trás e comprovar que minha mãe estava me espionando pela fresta da cortina da janela da sala, e parece que Sasuke percebeu isso.

Ele não disse mais nada, apenas ergueu novamente o capacete para mim e eu o agarrei, colocando na minha cabeça, sentindo o clima estranho que havia ficado entre nós. Sasuke subiu na motocicleta, ajeitando sua mochila na sua frente e depois fez um movimento com a cabeça para que eu subisse.

Como todas às vezes, usei seus ombros como apoio e subi na garupa, tomando todo o cuidado com a minha saia peguilhada. Rodeei sua cintura com meus braços, sentindo o tecido grosso do seu suéter amarelo transpassar um pouco dos relevos de sua barriga em minhas mãos.

Não demorou para que a moto percorresse a minha rua sem árvores, passasse por outras ruas pequenas até chegar na avenida principal. Conforme ele acelerava, desviando de alguns carros, eu me agarrava nele com todas as minhas forças, como se minha vida dependesse daquilo, fazendo meu corpo ficar colado em suas costas. E aquilo era tão... constrangedor.

Depois de alguns minutos naquela tortura, Sasuke entrou no estacionamento do colégio e logo descemos da motocicleta. Sentia meu coração batendo forte no meu peito, e a respiração acelerada, mas o que estava realmente me deixando inquieta era o fato de que vários alunos ali naquele estacionamento estavam com as atenções voltadas para nós, quer dizer, voltada para mim.

Apenas fiz o que fazia de melhor, abaixar a minha cabeça e fitar o chão, sentindo-me a pessoa mais estúpida da face da terra.

Comecei a caminhar para fora do estacionamento, deixando Sasuke para trás. Eu só queria sair daquela atenção alheia que eu recebia, e que me deixava estranha. Mas logo senti a presença de Sasuke ao meu lado, e sua mão agarrou a minha, entrelaçando os nossos dedos. Fui covarde o suficiente em manter o meu olhar no chão, com as bochechas vermelhas de vergonha, escutando os murmúrios baixos, iniciando as ondas de fofocas pelos alunos do colégio.

Sasuke apertou mais a minha mão soada e úmida, e eu contribui o aperto, tentando me manter forte, mas o fato era que eu estava novamente fora de minha zona de conforto.

— Ei, relaxa, ok? - ele disse baixinho enquanto entravamos no pátio aberto ladeado de gramas, e as atenções alheias ficaram redobradas em nós.

— Eu não sei o que eu estou fazendo. - aquele murmúrio saiu como um desabafo, pois eu realmente não sabia o que eu estava fazendo. A situação estava totalmente fora de meu controle.

Sasuke chegou mais perto, fazendo com que nossos braços se tocassem, e sua mão entrelaçada a minha ficou mais forte.

— Você está comigo. - não pude evitar em não erguer meu olhar para cima e o fitar. Seu cabelo partido de lado, com uma parte dele cobrindo o lado esquerdo de seu rosto saiu um pouco do padrão quando sua cabeça tombou para o lado, para me olhar. - Ignore o resto.

Voltei a olhar para frente, e mordi o lábio por puro nervosismo.

— Falar é fácil.

— Não é tão difícil quando se pratica.

Voltei minha atenção para ele novamente, que agora estava com aquele meio sorriso de lado, de um jeito desafiador.

Não tivemos mais diálogo depois daquilo, e seguimos em silêncio até os corredores das salas de aula. Paramos em frente à porta do 3B, eu queria desesperadamente entrar na sala, mas Sasuke mantinha sua mão segurando a minha, firme.

— Eu tenho que entrar.

— Nos vemos no intervalo? - ele perguntou, com seus olhos negros intensos em mim.

Apenas assenti com a cabeça, escutando o sinal tocar.

Ele abriu um pequeno sorriso satisfatório antes de abandonar a minha mão e caminhar até a sua sala do 3A que ficava ao lado da minha. Não pensei duas vezes em entrar na minha sala e ir direto para a minha carteira nos fundos. Os alunos entravam conversando, e não demorou para que o professor entrasse na sala e logo começar a dar a sua aula.

As horas se passaram lentas, e depois de mais três matérias - que haviam sido produtivas - e alguns trabalhos e testes marcados, o sinal do intervalo tocou, fazendo com que os alunos saíssem desesperados da sala, todos de uma vez.

Ajuntei as minhas coisas e as joguei na mochila, quando senti uma presença se aproximando. Ergui minha cabeça para frente encontrando Ino e Hinata se aproximando com os braços enganchados uma na outra.

— Oi, meninas. - as cumprimentei, com aquela minha animação de um zumbi.

— Oi. - elas responderam em uníssonos, e Ino logo continuou:

— Menina, é serio que você e o Sasuke chegaram juntos e de mãos dadas? É que eu ouvi o povo comentado e eu meio que fiquei Ahn?, boiando, sabe? E eu precisava vir diretamente saber da fonte.

— Ino, seja mais delicada. - repreendeu Hinata, soltando-se do braço de Ino, e me fitou em seguida. - Você e o Sasuke estão juntos?

Precisei de dois segundos para processar as perguntas jogadas todas de uma vez. Desviei meus olhos delas e voltei a ajeitar minha mochila, não acreditando que eu já estava na boca do povo.

— Ei Sakura, não nos ignore. - disse Ino.

— Não estou ignorando. - respondi de imediato, fechando a mochila.

— Então responde; sim ou não?

Parei, e suspirei pesadamente, voltando meu corpo para aquelas duas que esperavam uma resposta minha. Agradecia internamente por aquela sala está vazia.

— Eu não sei. - fui sincera, nem eu mesmo sabia o que Sasuke e eu tínhamos.

Ino franziu o cenho.

— Como você não sabe... - ela se interrompeu de repente, agarrou o meu pulso e me puxou para fora da sala. - Vamos ao banheiro.

— Banheiro?

Ela virou sua cabeça para trás, e sorriu com seus lábios pintados de rosa pink.

— Sim, fofoca boa só acontece no banheiro.

— Mas...

— Vamos, Sakura, e não quero escutar um “mas”. - respondeu Hinata, que estava atrás de mim, com suas duas mãos em meus ombros, formando um mini trenzinho.

Não tive como negar ou simplesmente escapar daquelas duas que me arrastava por aquele corredor cheio de alunos até o banheiro mais próximo.

Ino soltou o meu pulso e foi conferir em todas as cabines se não havia ninguém naquele banheiro, enquanto Hinata fechava a porta atrás de si.

Ino voltou-se para mim, com seus olhos azuis brilhando de curiosidade.

— Agora conta tudo.

— Estou curiosa também, Sakura. - disse Hinata totalmente animada, ficando ao meu lado.

Naquele momento eu me senti num tribunal judiciário, e sabia que não tinha como eu escapar. Apenas suspirei e encostei meu quadril na pia.

— Eu não tenho nada para contar.

— Ah, para Sakura - disse Ino apontando o dedo para mim. -, eu sei que você tem, e está escondendo o jogo. E não se faça de burra e ignorar o que está acontecendo, pois eu já percebi o interesse de Sasuke em você. - os olhos dela arregalaram - Sakura ele está tão na sua.

— Eu concordo com a Ino, Sakura. - disse Hinata, balançando a cabeça positivamente. - Nunca vi o Sasuke tão interessado numa garota como eu vi ele com você na hora dos intervalos.

Fitei meus dedos brincando uns com os outros.

— Ele...

— Ele? - as duas disseram em coro, e o tom dava para perceber que estavam muito ansiosas.

Elas eram minhas amigas, certo? É comum amigas dividirem as coisas, mas é tão difícil me abrir para alguém. Eu me sentia completamente travada nessas horas.

Mordi o lábio, e meu rosto ficou mais quente.

— Ele é gentil... - comecei, minha voz saindo baixinha. - Ele me salvou uma vez quando um cara estava me seguindo quando saí do trabalho... nós nos beijamos algumas vezes... ele foi na minha casa me buscar para irmos a escola, e falou com a minha mãe...

— O quê? — o grito de Ino ecoou por todo o banheiro, seus olhos estavam arregalados. - Sasuke foi na sua casa e falou com a sua mãe? Ele pediu permissão a sua mãe para namorar você?

Meus olhos arregalaram e meu coração disparou.

— Não! Claro que não... quer dizer ele só se apresentou a minha... eu estava tomando café, e ele apareceu dizendo que ia me levar para escola...

— Calma, Sakura. - Hinata pós suas duas mãos em meus ombros. - Você já está ficando pálida. - em seguida ela olhou para Ino. - E você Ino, pare de distorcer a conversa, você não ver que deixa a Sakura constrangida desse jeito?

— Desculpa, Sakura. - pediu Ino. - Mas é que eu estou muito surpresa por saber que o Sasuke é gentil. Geralmente o ele é frio... eu gostei dele no primeiro ano que ele entrou no colégio - ela sorriu, erguendo as palmas das mãos para cima. -, quem não gostava dele? Ele é lindo de morrer, parece aqueles modelos de capa de revista. As meninas caiam em cima dele como se ele fosse um pote de mel.

— Você era uma delas, Ino. - retrucou Hinata ao meu lado

— Claro né, eu não sou de ferro, mas tudo que eu consegui dele foi só uns beijinhos. Mas estou feliz por eu ter encontrado o meu amor.

Hinata revirou os olhos e me fitou.

— Traduzindo, Sakura; Ino é uma pessoa totalmente carente de amor e Sasuke foi como uma bela decepção. Pois ela imaginou um mundo totalmente colorido e pensou que só por que eles se beijaram ele a pediria em namoro, mas aconteceu o contrário, pois ele declarou na cara dura que não namora. Ai a senhorita ali - apontou para Ino - ficou depressiva e se entupindo de chocolates até que conheceu o Sai, que por uma obra do destino é um pouquinho parecido com o Sasuke.

— Hinata!

— O quê? Eu só estou dizendo a verdade. - ela deu de ombros.

Não pude deixar de me sentir desconfortável com o fato de Ino ter sido apaixonada pelo Sasuke, ou ter ficado com ele e dizer isso tão na cara dura, sem um pingo de vergonha. E está com seu namorado Sai só por que ele se parece com o Sasuke. Será que ela ainda gostava dele?

— Verdade - começou Ino com um tom dissimulado, me fazendo voltar à realidade. -, então por que você não toma vergonha na cara e corre atrás do Naruto? Você sabe que ele é um pouco lerdo para perceber que você gosta dele.

Hinata apertou os olhos e crispou os lábios.

— Ino, enfia isso de uma vez por todas na sua cabeça, o Naruto não gosta de mim como você pensa.

— É claro que ele gosta de você. - retrucou Ino. - Eu vi semana passada ele com os olhos em seus peitos enormes.

O rosto de Hinata tomou uma coloração avermelhada, e automaticamente ela levou seus braços em seus peitos e os tampou.

— Isso não é verdade. - ela murmurou. - Todo mundo olha para os meus peitos e ficam zoando.

Ino revirou os olhos, e bufou.

— Zoando os cambal, os meninos ficam tendo pensamentos pervertidos com você e seus peitos.

— Você fala como se soubesse o que os garotos pensam.

— O não sei o que os garotos pensam, pois eu não sou um deles. - rebateu Ino. - Mas o idiota do meu namorado comentou uma vez que queria que eu tivesse os peitos do tamanho dos seus.

— O quê? - os olhos de Hinata arregalaram.

Ino deu de ombros.

— E não me pergunte o restante da conversa, por que eu não quero nem comentar os absurdos que ele disse sobre a população masculina do colégio pensa de você. - ela levantou o dedo para cima. - E uma coisa eu digo, a maioria quer te levar para cama.

Tanto eu quanto Hinata estávamos com os olhos esbugalhados, fitando Ino, totalmente incrédulas em como ela dizia aquelas coisas na cara dura, e doa quem doer e sem um pingo de vergonha ou constrangimento.

— Ino, como é que a gente foi entrar nessa conversa? - perguntou Hinata lentamente, e cautelosamente.

Ino subiu os ombros e ergueu as palmas para cima.

— Eu não sei, uma conversa sempre puxa a outra. Mas voltando ao foco, eu quero um encontro em trio. Eu e o Sai, a Sakura com o Sasuke, e você com o Naruto. - ela sorriu. - Não seria um máximo?

— O Sasuke e eu não somos um casal. - disse rapidamente, sentindo meu estômago se revirar com aquela pronuncia.

— Como não, ou você é cega ou se faz de burra... ai, vocês duas são tão lerdas. - ela bufou. - Por que vocês não admitem isso logo? Comigo foi tão fácil quando eu conheci o Sai. Eu cheguei nele e disse “Sai, eu gosto de você" e ele respondeu "Eu também gosto de você Ino" em seguida nós nos beijamos e estamos até hoje juntos.

— Mas acontece dona Ino, é que ninguém é igual a você. - repreendeu Hinata com o cenho franzido. - A Sakura por exemplo é tímida e pelo jeito nunca namorou, e eu nunca iria chegar num garoto sem saber se ele gosta realmente de mim. Não quero pagar mico.

— Vocês são duas toupeiras.

Em seguida a porta foi aberta num rompante, fazendo tanto eu quanto as meninas darmos um pulo para trás, pelo susto. Principalmente quando vimos que era Sasuke que havia entrado sem nenhuma vergonha de está dentro de um banheiro feminino.

— Sasuke...

— Sasuke! — Ino e Hinata deram gritinhos zangados por ele ter entrado ali sem mais nem menos.

Ele olhou para elas por um segundo e depois para mim, deu mais alguns passos para frente e agarrou a minha mão.

— Só vim pegar o que vocês me roubaram. - em seguida me puxou para fora daquele banheiro.

— Sasuke volta aqui e nos devolve a Sakura, ela é nossa! Deixa de ser guloso. - gritou Ino no portal do banheiro, com Hinata ao seu lado.

— Vai procurar seu namorado, Ino, e deixe a minha garota em paz. - Sasuke respondeu sem olhar para trás, seus passos apressados pelo corredor.

— Você é mau, Sasuke! - declarou Hinata com a voz alta o suficiente para nós podemos escutar.

Sasuke me guiou por aqueles corredores, alguns alunos que estavam ali nos olhavam, curiosos, completamente se perguntando quem deveria ser a garota estranha que estava com ele.

— Aconteceu alguma coisa? - minha voz saiu levemente assustada, meu rosto corado pelas atenções alheias.

Ele virou seu rosto para mim, estava usando aqueles óculos de grau, sorriu daquele jeito que fazia um frio subir pelo meu estômago.

— Se eu der mole, aquelas duas somem com você.

— Ah...

Ele me guiou até os corredores e descemos as escadas ainda de mãos dadas, e não demorou para que andássemos pelos gramados do colégio. Caminhando para uma área mais afastada, detrás do colégio, havia algumas árvores e moitas de plantas em alguns pontos.

— Para onde você está me levando? - perguntei, percebendo que não via mais sinal de algum aluno naquela parte do colégio.

— Curiosa. - ele murmurou, sem me olhar. - Pronto, chegamos.

Prestei atenção à frente e vi que estávamos no final do terreno gramado do colégio, e uma toalha quadrada de xadrez, branco com vermelho, estava estendido no gramado e vários alimentos ali em cima, quer dizer, bobeiras para entreter o estômago.

— O que é isso tudo? - perguntei, surpresa o suficiente com aquele piquenique a minha frente.

— Para nós comermos. - ele respondeu como se fosse óbvio. Desviei minha atenção do piquenique e o fitei, ele reprimia um sorriso. - Vamos nos sentar, pois o intervalo é curto.

Ele soltou a minha mão e andou mais para frente e sentou-se na ponta da toalha xadrez, começando a mexer nos lanches que estavam ali. Pegou uma latinha de refrigerante e em seguida ergueu a cabeça e me fitou ali parada como uma boba.

Sua sobrancelha negra ergueu-se para cima.

— Você não vem?

Desviei meu olhar para o lado e lentamente me aproximei, ignorando as borboletas no meu estômago. Com cuidado, sentei-me na outra ponta da toalha, ajeitando a minha saia. Ele ergueu o refrigerante para mim.

Peguei a latinha, ainda me sentindo atônita com tudo aquilo que ele havia preparado. Um piquenique na escola e era para nós dois. Não podia deixar de achar aquilo totalmente romântico.

— Obrigada. - murmurei, desviando meu olhar dele para as batatinhas, bolinhos doce e alguns biscoitos salgado.

— Pode pegar o que você quiser.

Voltei a fitá-lo.

— Ahn, eu não estou com tanta fome... err... realmente não precisava você ter tido todo esse trabalho em arrumar isso tudo... eu não costumo comer nos intervalos... quer dizer...

— Ei, Sakura - ele me interrompeu, me fitando por detrás daqueles óculos. -, não precisa ficar se explicando assim. Fique tranquila, relaxa. E não é incômodo algum ter feito isso. - ele riu. - Para falar a verdade, foi o zelador que aprontou tudo isso. - ele colocou uma mão no pescoço. - Ele estava me devendo uma... vamos aproveitar, sim?

Mordi o lábio e assenti com a cabeça, e abri minha a latinha de refrigerante.

Ergui meus olhos e o fitei, ele abria um saco de batatinha, mas o saco se rasgou pela metade, derramando as batatinhas em cima da toalha. Comprimi meus lábios e levei a latinha de refrigerante até a minha boca, tentando disfarçar o sorriso que queria escapar, escutando ele praguejar baixinho. O óculos de grau o deixava de um jeito fofo, contrastando com seu cabelo caído de lado, o brinco no lóbulo direito e o suéter amarelo escolar. Ele parecia um príncipe.

— Ahn...

Ele ergueu o olhar e me fitou, o V entre suas sobrancelhas se suavizaram.

— O que foi?

Umedeci os lábios e balancei minha cabeça para os lados, e para disfarçar o constrangimento peguei um daqueles bolinhos doce e o levei a boca.

— Conta. - ele pediu, ajuntando as batatinhas num canto.

Terminei de engolir o bolinho, percebendo que ele não era tão ruim assim.

— É que, às vezes eu o vejo de óculos e às vezes não. - comentei a primeira coisa que me veio à mente. Eu queria desesperadamente começar um diálogo. Eu queria tentar mostrar que eu podia tomar as rédeas da situação e ficar por dentro do controle.

— Ah. - ele sorriu e tirou o óculos de grau, e o deixou na toalha xadrez onde estávamos sentados. - Eles são de leitura, só o uso quando estou na sala de aula, ou mexendo em algum aparelho eletrônico. Minha visão é cansada e às vezes me esqueço de tirá-lo quando saio para o intervalo.

— Entendi. - abaixei meu olhar, incapacitada de manter seu olhar intenso em mim. - Você fica bem com eles.

Minha voz saiu tão baixa que eu mal consegui escutar, sem contar que novamente eu sentia meu rosto quente. Odiava o fato de sempre ficar constrangida e corar atoa, eu me sentia uma estupida. Não adiantava eu tentar manter o controle, pois eu acabava falhando no final.

— Sério? - a voz de Sasuke soou animada, um sorriso aparecia em seus lábios. - Geralmente eu me sinto um nerd quando o uso.

Mordi o canto da minha boca e balancei minha cabeça para os lados.

— Nada haver. - disse ainda baixinho. - Você parece estudioso com eles.

Ele soltou uma risada anasalada, seus olhos ficaram mais negros e brilhantes.

— Obrigado. - ele tentava reprimir o sorriso, mas isso só contribuía para que a covinha em sua bochecha ficasse mais visível. - Me conte sobre você?

— Eu não tenho nada de interessante para contar.

Suas sobrancelhas ergueram-se para cima.

— Então me conte as coisas não interessantes sobre você então?

Mordi o lábio, reprimindo um sorriso, desviando meus olhos para o lado.

— Eu moro com a minha mãe naquela casa que você já sabe onde é, desde a minha infância. - o fitei através dos cílios e ele prestava atenção em mim. - Meu pai morreu há dois anos num assalto no centro de Tóquio, a minha mãe se viu na obrigação de trabalhar fora para poder sustentar a casa.

— Sinto muito pelo seu pai. - seu olhar era tênue, e sincero.

— Obrigada. - a lembrança de papai fez com que eu sentisse um vazio no peito. Havia sido um momento difícil para mim e minha mãe. Meu pai era uma pessoa boa, e me perguntava às vezes quando estava sozinha, do por que dele ter tido aquele fim trágico. Ele não merecia.

— Ei. - a voz de Sasuke me chamando, me despertou. - Você está bem?

Assenti com a cabeça e abri um sorriso forçado.

— Sim. - respondi rápido. - Ahn, ano passado eu consegui um emprego de meio período numa loja de doces no centro de Konoha para ajudar em casa, mas minha mãe não aceitou o dinheiro e disse para eu guardar para a faculdade.

— É uma atitude nobre de sua parte, trabalhar para ajudar a sua mãe. - ele disse, e deu um gole de seu refrigerante. - Você vai fazer faculdade de quê?

— Medicina.

Sua expressão ficou surpresa.

— Sério? Eu também.

— Você... também. - perguntei, agora me sentindo surpresa também.

— Uhum. - ele assentiu com a cabeça, mais animado. - Vou me especificar em neurocirurgia, e você?

— Pediatria.

— Você tem cara de quem gosta de crianças. - sorriu. - Temos algo em comum.

— Eu acho que sim.

Dei mais uma mordida no bolinho, sentindo algo dentro de mim ficar diferente, um sentimento novo, quente e acolhedor. E de alguma forma eu estava gostando.

— E você? - comecei, me sentindo um pouco mais a vontade. - Não me falou nada a seu respeito.

Percebi que aquela pergunta o deixou meio que animado.

— Bom, a minha vida toda foi mudança em cima de mudança.

— Eu não entendi. - tombei minha cabeça para o lado.

Ele soltou um sorriso aberto e depois suspirou cansado.

— Meus pais são Paleontólogos, eles viajam muito atrás de fosseis pré-históricos. E isso meio que atrapalhavam nossa estadia num canto só, nunca passamos mais de dois anos no mesmo lugar, às vezes até menos.

— Isso deve ser ruim, não é?

— Você não sabe o quanto. - sorriu cansado e fitou o chão. - O trabalho deles sempre vinha em primeiro lugar, e eu e meu irmão mais velho em segundo. Foi assim a minha infância toda, e devido às mudanças, meus pais concluíram que era melhor meu irmão e eu estudarmos em casa com um professor particular. Conheci o que era uma escola quando estava na sexta série. Nessa época passamos três anos em Okinawa até eu completar o fundamental e meu irmão o ensino médio.

— Caramba, e como você veio parar em Tóquio?

— Bom, isso foi por causa do meu irmão, ele veio cursar engenharia robótica em Tóquio e eu vim junto com ele. Meus pais saíram numa expedição de um fóssil na Argentina e como eu já sabia me cuidar, eles permitiram eu morar com meu irmão.

— Ah. - apoiei minhas mãos na toalha. - Sua vida foi bem agitada então.

Ele soltou uma risada nasal.

— Sim, contribuindo para a minha fase de rebeldia.

Ergui as sobrancelhas, meus olhos mais abertos.

— Rebelde do tipo, quebrar as regras e pinchar muros?

As gargalhadas de Sasuke ecoavam no ar, tombando a cabeça para trás. Demorou dois segundos até ele voltar a si e me fitar com seus olhos risonhos.

— Já dei muito trabalho para meus pais, mas nunca pinchei muros, Sakura.

— Hm. - fitei minhas mãos, querendo me bater por ter dito coisas idiotas novamente. - Desculpa.

— Não precisasse desculpar. - ele disse. - Você já fez algum ato de rebeldia alguma vez?

Tirei minhas mãos do chão e coloquei no meu colo, erguendo minha cabeça para cima.

— Se contar o fato que briguei com a minha mãe para me deixar trabalhar, eu acho que sim.

— Isso não é rebeldia, Sakura, isso se chama ter responsabilidades.

— Então eu nunca fui rebelde.

— Você não tem cara de quem apronta. - sorriu.

— Ahn, você deixou amigos em Okinawa? - perguntei, tentando mudar a rota daquela conversa, e sair um pouco de seu olhar que estava ficando intenso, e me deixando tensa.

— Sim. - ele relaxou os ombros e abriu outro pacote de batatinhas e me ofereceu, mas apenas neguei. Ele levou algumas à boca. - Não tive tantas amizades devido às mudanças, mas fiz três amizades nesse tempo que passei em Okinawa.

— Então deve ter sido difícil você ter deixado seus amigos para trás.

Ele assentiu.

— Foi uma situação irritante, mas a amizade ainda continua, mesmo estando longe. Mas com o tempo fiz novas amizades aqui em Tóquio - seus olhos ficaram mais negros. -, e você é uma delas.

Senti meu rosto ficando quente e sabia que estava corando novamente. Ele havia declarado que me considerava sua amiga e apesar de está extremamente nervosa, conversar com Sasuke era fácil e leve. O assunto fluía naturalmente, mesmo eu tendo dificuldade de me socializar, as coisas aconteciam. E quanto mais nós conversávamos, mais eu percebia que ele era muito legal.

— Você tem algo para fazer no sábado? - ele perguntou de repente, mudando o foco do assunto anterior.

— Sábado? Não, por quê?

— Você quer sair comigo?

Aquela pergunta havia me pegado totalmente desprevenida, ele estava me chamado para um encontro?

— S-sair com... você? - não consegui evitar em não gaguejar, minha expressão deveria está completamente surpresa. - Para onde?

O canto de sua boca ergueu-se para cima, naquele sorriso de lado que fazia as borboletas voarem rápido no meu estômago e meu coração disparar.

Seu corpo curvou-se para a minha frente.

— Isso é segredo. - as palavras saíram lentamente, cada silaba cantada por seus lábios, de um jeito provocante. - Você aceita?

Soltei todo o ar que nem havia percebido que prendia de uma vez pela boca, meu corpo formigando com a súbita onda de calor que me invadia de repente.

— Nossa - tombei meu corpo para trás, afastando um pouco daquela tensão -, você me pegou de surpresa... eu realmente não esperava por isso.

Sua cabeça tombou para o lado, fazendo com que a franja saísse de sincronia e revelar o seu olho esquerdo, deixando-o de um jeito meio que fofo.

— Você não quer ir?

— Não, quer dizer sim... que dizer não... quer dizer...

— Ei, Sakura, calma, não precisa ficar tão nervosa.

Falar é fácil, ele estava me convidando para sair. Aquilo era um encontro. Um encontro! Eu nunca tive um encontro com um garoto em toda a minha vida medíocre, e ser convidada assim sem mais e nem menos, me deixava nervosa. Eu não sabia o que iria responder. Encontros são para que um casal se conhecerem bem, o que gosta e o que não gosta, para depois vir algo mais sério...

Céus isso era tão embaraçoso. Sasuke sempre me pegava desprevenida, e eu ficava nervosa e acabava dizendo um monte de abobrinhas e bancando a idiota. Agradecia de alguma forma dele não ter tocado no assunto de ontem, mas ao mesmo tempo sentia uma angustia por ele ter ignorado, e ainda por cima ter mencionado que eu era uma amiga... Hinata havia mencionado no banheiro que Sasuke havia declarado que não namora... será que ele...

Mas que droga, o que diabos eu estava pensando?

Não era só por que ele ter me beijado e meio que se declarado para mim, que ele teria que vir no outro dia com uma aliança de compromisso. Mas de alguma forma ele estava agindo mais íntimo de mim, estávamos andando de mãos dadas e isso era de alguma forma uma coisa não é?

O encontro também já dizia alguma coisa também... Droga, como eu estava confusa. Às vezes eu queria ter o poder de saber o futuro, só para poder está preparada para o que poderia vir.

O som agudo do sinal do término do intervalo soou, me tirando daquele tormento interno que eu estava vivendo. Pela primeira vez, eu estava tendo uma crise cerebral adolescente.

Sasuke se levantou e estendeu a mão para mim, não pensei duas vezes e aceitei, logo ficando de pé.

— Obrigada.

— Vou te dar um tempinho para pensar sobre o meu pedido. - ele disse, parecendo compreender o quanto eu estava aflita. - Vamos.

Ele me puxou pela mão, em direção ao prédio do colégio enquanto colocava o óculos no rosto.

— Vamos deixar a bagunça ali? - perguntei, virando meu copo um pouco para trás e apontando para o piquenique.

Ele virou seu rosto e me fitou com aquela paciência invejável.

— O zelador limpa aquilo depois, não se preocupe com isso.

Não tive mais o que contestar, apenas deixei ser guiada por ele, e não demorou para estarmos dentro do colégio e sendo alvo dos olhares curiosos e incrédulos de todos. Sasuke parecia não está nem aí para aquela atenção redobrada em nós, ao contrário de mim que estava em tempo de ter um treco. Mas para a minha felicidade psicológica paramos em frente a minha sala.

— Não vá fugir na hora da saída, está me ouvindo? - alertou ele, com as sobrancelhas erguidas, como se estivesse falando com uma criança levada.

— Tá.

Ele ficou uns segundos me fitando os olhos, seu corpo próximo que me permitia sentir o seu cheiro. Aos poucos, a sua mão foi deslizando lentamente pela minha até chegar às pontas dos meus dedos e se afastarem de vez. Dei as costas e entrei na minha sala, indo direto para a minha carteira, sem olhar nenhuma vez para trás, ignorando os olhares em mim.

Abri a minha mochila que estava em cima da mesa e tirei meu caderno e livro para fora. Vi Naruto Uzumaki lá na frente, sentado em sua carteira, com o corpo virado para trás conversando com Neji. Por um segundo seus olhos azuis desviram para mim e ele sorriu, assentindo com a cabeça. Apenas sorri forçado, e desviei minha atenção para minha mochila, colocando ela pendurada na cadeira.

— Oi.

Olhei rapidamente para o lado encontrando uma cabeleira loira sentando na cadeira vazia ao meu lado.

— Ino? O que faz aqui?

Ela apenas sorriu e inclinou seu corpo para mais perto de mim.

— Vim assistir a aula de história pela segunda vez hoje, e tudo em nome da nossa amizade.

Franzi o cenho.

— Não entendi.

— Eu estou curiosa para saber o que o Sasuke queria com você para ter entrado no banheiro feminino e ter te arrastado como se fosse um homem das cavernas. - ela colocou as mãos na boca e arregalou os olhos. - Meu Deus Sakura, eu nunca tinha o visto agir daquela forma. Eu preciso desesperadamente saber os detalhes e acabar com a minha curiosidade. Me conta.

— Ino, eu acho que você não deveria está aqui. - disse lentamente, pensando duas vezes se aquela garota batia muito bem das ideias.

— Relaxa, se eu ficar quietinha o professor nem vai me notar. - sorriu abaixando seu corpo para baixo, tentando se ocultar atrás de um garoto que estava sentado a sua frente.

— Acho que isso não é uma boa ideia.

— Não é boa ideia você me matar aos poucos, sem dizer uma única palavrinha para acabar com a minha curiosidade.

Suspirei pesadamente, percebendo que Ino não iria me deixar em paz depois de saber o que ela queria saber. O professor de história entrou na sala, cumprimentando os alunos e fechando a porta atrás de si, indo até a sua mesa.

— Ele me convidou para sair. - disse baixinho, mantendo minha atenção em abrir o caderno.

— O quê? O Sasuke te convidou para um encontro? - Ino soltou um gritinho sussurrado, agarrando o meu braço.

— Ino, fale mais baixo. - pedi, abaixando minha cabeça e a fitando, ela estava com um sorriso na cara. Desviei meus olhos para o professor que estava em pé, de frente para o quadro e agora olhando para nós duas.

Droga.

— Senhorita Yamanaka, caso a senhorita tenha se esquecido, está na sala errada.

Ino ergueu sua cabeça para cima e o fitou com uma cara de inocente, totalmente fingida

— Oi professor, sabe, é que eu adorei a sua aula e estou aqui para assistir novamente.

— Fico feliz que goste da minha aula, mas sinto muito lhe decepcionar, mas a senhorita vai ter que esperar até a manhã para ter outra aula. - ele abriu a porta. - Então faça o favor de se retirar e ir para sua sala.

Ino se levantou da cadeira e me fitou por um segundo.

— Eu te ligo depois. - ela sussurrou e depois caminhou até a frente, em direção à porta aberta, e fitou o professor. - Estou magoada com o senhor.

Em seguida saiu da sala.

O professor voltou sua atenção para turma e seu olhar focou em mim por um segundo, mas para o meu alívio, voltou a fitar o quadro e começar a escrever.

As aulas se passaram lentamente, depois da aula de história, tive mais quatro aulas e agradeci internamente quando o sinal do término das aulas soou.

Arrumei as minhas coisas e coloquei a minha mochila nas costas e saí da sala, dando de cara com Sasuke com as costas apoiadas na parede, me esperando.

— Oi.

— Oi. Ahn... eu vou ter que passar na biblioteca pegar um livro para um trabalho - segurei a alça da minha mochila com força. -, se você quiser ir embora pode ir, eu volto de ônibus.

— Eu vou com você. - ele disse, desencostando da parede e ficando ao meu lado.

Dei um passo para o lado.

— Eu não quero fazer você perder qualquer compromisso...

— Sakura, o único compromisso que eu tenho quando chegar em casa é com a minha cama.

— Ah.

Olhei para o lado, me sentindo uma idiota, novamente eu havia dito um monte de abobrinhas.

Começamos a caminhar em direção a biblioteca, o silêncio começou a reinar entre nós, mas Sasuke fez questão de quebrá-lo.

— Você não tem que trabalhar?

— Não. - ergui meu olhar para ele. - Só trabalho três dias na semana, hoje é minha folga.

— Hm.

Quando chegamos na biblioteca, eu fui procurar o livro que precisaria para fazer o trabalho de biologia que era para ser entregue amanhã. Sasuke aproveitou o embalo e entrou em outro corredor de prateleira de livros. Quando nos encontramos novamente ele estava com dois livros na mão, e fomos até a mesa de Shizune, a bibliotecária, registrar os livros que iriamos levar. E depois daquela burocracia de registro e ter guardado os livros nas mochilas, saímos da biblioteca.

Os corredores estavam vazios, caminhamos para fora do prédio e logo estávamos no estacionamento. Ajeitei minha mochila nas costas, percebendo ela mais pesada. Sasuke me entregou o capacete e ajeitou sua mochila na sua frente, subindo na motocicleta e fazendo um movimento com a cabeça para eu poder subir.

Não demorou muito para chegarmos na minha casa, o caminho até lá havia ocorrido bem e já estava começando a me acostumar com aquela máquina mortífera assustadoramente grande. Mas mesmo assim, eu ainda preferia a segurança de um meio de transporte que contenha portas.

Sasuke estacionou a moto em frente a minha casa e eu saltei dela, dando uma leve tropeçada nos meus próprios pés, mas consegui meu equilíbrio novamente. Tirei o capacete, e observei o céu nublado e pouco escuro, o que indicava que não demoraria para cair um temporal.

— Está entregue. - voltei a minha atenção para Sasuke que estava em pé a minha frente.

— Obrigada pela carona. - entreguei o capacete.

Ele assentiu com a cabeça pegando o capacete de minhas mãos e colocando pendurado no guidão da moto. Em seguida me fitou, seu rosto estava sério.

— Sakura sobre ontem, eu meio que me descontrolei. Fiquei com raiva de você ter pensado o pior de mim. - ele umedeceu os lábios com a ponta da língua e deu um passo para mais perto. - Mesmo que você tenha achado estranho o fato de eu ter chegado de repente assim na sua vida, é que eu realmente gostei de você. - ele pôs suas duas mãos nos meus ombros, chegando mais perto. - Nada do que eu disse ontem foi da boca para fora, aquilo foi sério.

Eu havia prendido a respiração, Sasuke estava tocando no assunto e afirmando tudo o que ele disse para mim ontem, e aquilo acabou com qualquer dúvida que eu ainda sentia naquele momento. Eu só estava bancando a boba por pensar sempre o pior das pessoas. Não que as pessoas pudessem não ser cruéis, mas Sasuke estava comprovando a cada gesto, a cada palavra, e cada atitude, que ele era uma exceção.

— Me desculpe por confundir as coisas, eu sou uma idiota.

Suas mãos seguraram meu rosto, seus olhos negros me fitando profundamente.

— Você não é uma idiota. Comentários sempre vão existir, eu só peço que fale comigo primeiro antes de tirar conclusões erradas, tudo bem?

Assenti com a cabeça, hipnotizada por aqueles olhos que pareciam pedras ônix. O canto de sua boca se curvou lentamente para cima, seu polegar acariciando a minha bochecha direita. Mordi o canto da minha boca, sentindo meu coração bater forte demais, fazendo meu peito doer.

— Você é tão linda... tão delicada e única.

— Não sou isso tudo que você está falando - murmurei num modo robótico -, não tenho nada de especial.

Suas sobrancelhas franziram.

— Por que você não percebe que é linda?

Fechei meus olhos e comprimi meus lábios, fitando um canto qualquer que não seja seus olhos.

— Por que eu não sou.

— Então você precisa de óculos, por que não está enxergando direito.

Não tive coragem de encará-lo, um bolo subia em minha garganta. Sasuke só estava tentando ser gentil, mas eu sabia que nada daquilo era real, eu não tinha um rosto bonito, meus cabelos eram estranhos, não tinha altura o suficiente, e meu corpo não eram essas coisas. Eu sabia muito bem quem eu era, sabia que beleza não constava em meu dicionário.

— Sakura - ele ergue meu queixo para cima, me fazendo fitar seus olhos. -, não se coloque para baixo, você é muito melhor que isso. É linda, delicada, meiga - seu rosto se aproximou mais, nossos lábios roçando um no outro, mas não perdemos o contato visual. -, e eu estou completamente caído por você.

Ele murmurou a última frase antes de capturar meus lábios com os seus. O frio no estômago se intensificou contribuindo com as batidas desenfreadas do meu coração. Minhas mãos seguravam seus ombros, enquanto sentia seu corpo colado no meu, causando-me uma sensação aconchegante.

Sasuke aprofundou o beijo, sua língua ágil travava uma dança com a minha, fazendo com que um calor subisse por meu corpo e meu sangue correr mais rápido. Aquele momento era bom, era único. E mesmo depois de tudo que eu sentia a meu respeito, sabendo que eu não era a garota mais bonita do mundo, eu tinha que admitir que eu estava gostando de tê-lo por perto, de saber que alguém gostava de mim.

Nos separamos quando o ar acabou, senti a testa de Sasuke encostada na minha, sua respiração pesada batendo em meu rosto. Abri meus olhos lentamente, encontrando um mar de trevas que eram seus olhos que me banhava com aquela escuridão. E naquele momento, ali, nos braços do garoto mais lindo do colégio, eu me permiti dar uma chance, dar um passo para fora de minha bolha de segurança. Eu queria arriscar pelo menos uma vez na vida e tentar algo diferente, sentir aquele sentimento quente de acolhimento e segurança que sentia agora.

Eu queria ficar com Sasuke.

Ele me beijou mais uma vez, forte e estalado, inspirando ao mesmo tempo o ar pelo nariz, descendo suas mãos por minhas costas e me apertando forte contra o seu corpo. Seus olhos abriram, quando ele me abraçou forte, me fazendo afundar meu rosto em seu peito, me fazendo sentir o seu cheiro gostoso de perfume impregnado no seu suéter amarelo da escola. Meus braços o rodearam, e minhas mãos ficaram espalmadas em suas costas, enquanto seu queixo estava apoiado em minha cabeça.

Ficamos assim, daquele jeito por alguns minutos, sem falar nada, apenas desfrutando aquele momento de silêncio. Eu escutava o coração de Sasuke batendo mais rápido, uma melodia boa e reconfortante. E gostei de saber que seu coração batia no mesmo nível que o meu.

— Eu tento ir devagar, mas acho que você percebeu que não tenho tanta paciência para esperar. - ele começou, quebrando o silêncio.

Afastei o meu corpo para trás, mas sem sair dos seus braços e ergui minha cabeça para cima, ele estava com a sua atenção em mim.

— O que você está querendo dizer?

— Sobre o meu convite para sair comigo no sábado.

— Ah. - mordi o lábio por pura mania quando eu me sentia nervosa. - Eu... não pensei ainda.

— Hm.

Desviei meus olhos por um segundo para a sua gravata vermelha, e depois voltei a fitá-lo.

— Eu aceito.

Observei quando seus olhos ficaram mais brilhantes e um sorriso torto se abrir no canto esquerdo de sua boca.

— As dez da manhã está tudo bem para você?

Assenti com a cabeça.

— Sim.

Sasuke estava mais animado agora, seu sorriso era mais aberto, fazendo com que a covinha na sua bochecha direita ficasse mais visível.

Ele aproximou seu rosto do meu, e automaticamente fechei meus olhos antes de sentir nossos lábios se tocando, em mais outro beijo. E aquele era diferente do primeiro daquele dia, era mais lento, mais suave...

Eu podia me acostumar a ficar assim com ele, e agradecia mentalmente que minha rua não era tão movimentada, e que minha mãe esteja no trabalho. Caso contrário, eu seria abordada de várias formas por ela, como se eu não iria ser abordada quando ela chegasse em casa hoje mais tarde.

Minhas mãos afrouxaram em torno dele e pararam em seu peito, me afastando para trás mais uma vez, dando fim aquele beijo.

— Eu tenho que entrar. - minha voz soou arrastada, minhas bochechas estavam quentes e minhas pernas bambas. - Tenho um trabalho de biologia para fazer.

Sasuke afrouxou o aperto de seus braços em tono de mim, mas ainda não havia me liberado por completo.

— Tudo bem - ele me soltou -, também tenho trabalho escolar para fazer.

Dei dois passos para trás, o observando, e levei minhas duas mãos até as alças da mochila, sem jeito de como deveria me despedir dele depois do nosso momento íntimo.

— Então tá. - disse qualquer coisa que me veio à mente, pronta para dar as costas e entrar em casa.

— Sakura.

Sua voz me fez ficar parada onde eu estava, e o observar acabar com aquele espaço que dei entre nós, parando a minha frente e capturando os meus lábios mais uma vez em um beijo de despedida. Sua língua adentrou a minha boca, começando uma batalha contra a minha. Continuei com as mãos segurando forte as alças da mochila, enquanto era beijada por Sasuke mais uma vez. Suas mãos estavam em cada lado do meu rosto, seu corpo curvado para baixo por causa de nossas diferenças de altura.

— Até a manhã. - ele sorriu abertamente, me dando mais um beijo demorado antes de se afastar, dando passos para trás, sem tirar seus olhos de mim.

— Até amanhã. - respondi lentamente, totalmente alienada.

Observei ele colocar o seu capacete, ajeitando o reserva no seu braço direito antes de girar o guidão com o pé no acelerador para ligar a motocicleta. Ele piscou para mim antes de fazer a curva e voltar o caminho por aonde veio, e sair do meu campo de visão na curva da esquina mais próxima.

Fiquei ali parada como uma idiota, fitando a rua deserta, o vento gelado batia em meu rosto, mas não me importei. Levei minha mão aos meus lábios, sentindo-os formigarem por causa do beijo.

Eu já estava conformada que nada de especial pudesse acontecer em minha vida, nada com que fizesse quebrar aquela rotina sem graça que eu lavava. Eu sentia que meu reinado de pessoa anônima estava sendo derrubado aos poucos. Hoje pela primeira vez na vida eu percebi que as pessoas a minha volta me notaram, a minha camada invisível havia sido quebrada e tudo por causa de Sasuke.

De um jeito banal, ou uma obra do destino, ele havia atravessado o meu caminho e estava entrando aos poucos em minha vida. E mesmo que eu esteja assustada com essa mudança radical que estava tendo, eu estava gostando de tê-lo por perto. E da mesma forma que ele havia declarado ter sentimentos por mim, eu estava nutrindo sentimentos por ele, e estava crescendo a cada segundo que ele ficava por perto.

E pela primeira vez, eu iria ter um encontro.



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