História A Garota Isolada - Capítulo 1


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Categorias Blackpink
Personagens Jennie, Jisoo, Lisa, Personagens Originais, Rosé
Tags Bicicleta, Black_unit, Blackpink, Bruxa, Escola, Halloween, Jennie, Jensoo, Jisoo, Lisa, Oneshot, Poderes, Rose, Terror, Violencia
Visualizações 30
Palavras 5.319
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Mundo injusto


Sexta-feira, 25 de Outubro, 1990

 

— Gente, é sério! Eu não vejo o porquê dessa brincadeira de mau gosto! — Jisoo se debatia nos braços dos seus “colegas”, que a empurravam em direção a uma certa pessoa. Ela não queria fazer isso, ela não queria participar de uma coisa tão idiota como aquela. Park Roseanne, ou só Rosé, segurou seu braço com força e a fez olhar para seu rosto, ela tinha uma expressão séria, mas ao mesmo tempo, sustentava um sorriso maldoso no canto dos lábios.  

 

— Você sabe que isso apenas prova que você é uma fraca, né? Qual é?! Ela não vai te morder ou algo do tipo, ou talvez sim, vai que ela é uma doida que se esconde por debaixo daquele moletom preto? — Rosé riu, e as outras três pessoas do grupinho a acompanharam. Jisoo sentia vontade de revirar os olhos, ela não estava ali por vontade própria, e sim porque ela tinha sido a “escolhida” para zoar com a garota isolada do colégio. Como Jisoo faria algo do tipo, se ela mesma sofria com o bullying diário por causa da sua aparência, e seus óculos enormes, no estilo fundo de garrafa? 

 

— Esse pedaço de merda não vai fazer nada Rosé. — Lalisa Manoban, a patricinha de cabelos loiros, e dona de um corpo que fazia inveja a todos, se colocou no meio da conversa. Ela vestia a roupa das líderes de torcida, parecia que tinha acabado de sair do treino. O olhar de nojo que ela lançou para Jisoo fez a morena abaixar a cabeça de forma submissa, não era bom ficar encarando a “rainha” do colégio por muito tempo, ela poderia levar uma “advertência” por causa disso. 

 

Neste momento era a hora do intervalo, Jisoo estava comendo em paz, até que vieram lhe perturbar sem mais nem menos. Vieram com uma conversa estranha, segundo Rosé e seu “bandinho”, ela teria que zoar a garota isolada e em troca, eles iriam parar de praticar bullying consigo. Foi uma proposta muito tentadora, óbvio que foi! Jisoo sofria com essas brincadeirinhas desde que entrou ali, aquelas pessoas grudaram em seu pé igual carrapato, só que com a função de encherem o saco e infernizarem a sua vida de uma maneira horrível. E agora ela estava ali, no meio de uma roda, sendo dois garotos e três garotas. Duas delas, Rosé e Lisa, e uma outra que a morena não sabia o nome. Se sentia constrangida, todos do refeitório olhavam para si, mas não era para menos, era realmente estranho, uma pessoa da sua laia, andar com os populares. Mesmo que fosse contra a sua vontade. 

 

— Mas, e aí? Você vai ou não fazer o que te mandamos? — Jisoo que até então estava de cabeça baixa, teve sua atenção voltada para Rosé. O suor do nervosismo brilhava no canto da sua testa, sua mão apertava seu braço de forma nervosa, era muita pressão para cima de si. Jisoo teria que fazer uma coisa simples, apenas teria que irritar a menina e jogar uma gororoba em cima dela logo depois ou algo do tipo. A Kim sabia que aquilo não era certo, e se xingou mentalmente por apenas estar considerando aceitar a proposta idiota. Claro, aquela simples brincadeira de mal gosto poderia limpar a sua barra, e ela iria finalmente se ver livre daqueles idiotas e de suas brincadeiras maldosas. 

 

Olhou para a última mesa do local, ela estava lá, sozinha, isolada. Ela lia um livro, provavelmente escutava alguma música pelo fone de ouvido, seus cabelos negros são grandes, mas boa parte estava coberta pelo capuz do seu moletom preto. Ela não merece toda essa merda, assim como Jisoo também não merecia. O mundo parecia ser injusto com elas, por que elas tinham que sofrer nas mãos dos outros, apenas por serem diferentes? 

 

— Ei, garota?! Você é surda ou o quê? — Jisoo levou um tapa na testa de Lisa, reclamou baixinho e levou a mão até o local atingido, ali provavelmente ficaria vermelho, por causa da força usada. Seus olhos foram para a loira, ela tinha uma cara irritada, possivelmente cansada de esperar a sua resposta. Mas a verdade é que a morena não podia fazer isso, ela não podia simplesmente humilhar alguém, apenas para salvar a própria pele, aquela garota não tinha culpa de nada, assim como Jisoo também não tinha.

 

— E-eu não posso fazer isso, isso não é certo. — Disse com a voz baixa, contida e com medo, provavelmente sofreria com sua decisão, mas era melhor do que ficar com peso na consciência por ter humilhado uma pessoa. Escutou uma risada, aquilo não era um bom sinal.

 

— Essa é a sua decisão final? — Era Rosé quem perguntava, ela parecia se divertir com tudo aquilo, ou talvez, apenas já suspeitasse que Jisoo não fosse fazer nada, e que preferiria sofrer ou invés de outra pessoa. A morena, como resposta final, apenas assentiu com a cabeça, confirmando de uma vez a sua decisão. — Certo, então… garotos! deem uma lição na nossa querida Jisoo, pelos os seus lindos e tão bondosos atos. — Rosé tinha a voz carregada de sarcasmo, ela realmente parecia se divertir com o desespero no olhar da morena. Debochada, era isso que ela era.  E com um estalar de dedos de Lisa, os garotos levaram Jisoo do refeitório, mesmo com a Kim se debatendo e implorando para que eles parassem, eles não paravam, não até chegarem ao banheiro da escola, e dessem um banho nada legal na garota. 

 

Não tinha ninguém para defender Jisoo, ninguém para salvá-la, o colégio parecia ter ficado vazio, todos faziam vista grossa para aquela cena, afinal absolutamente ninguém queria passar por aquilo que a morena passava agora. Só que eles mal sabiam era, que cada passo deles era observado, e que eles sofreriam as consequências. 

 

[...]

 

Sábado, 26 de Outubro, 1990

 

A manhã de hoje é um sábado, mas isso não muda muito o alto-astral de Jisoo. A garota estava em seu quarto, usando seus fones de ouvido, enquanto escutava um rock qualquer e aproveitava para tentar limpar sua mente. Ela não conseguia apagar o que tinha acontecido ontem no colégio, não conseguia acreditar em tudo o que tinha experienciado, em como ela teve a chance de acabar com o bullying que sofria, tendo que causar sofrimento em uma outra pessoa. E aquela pessoa, nunca tinha feito nenhum mal para si, seria injusto machucar ela para seu bem próprio. Mas afinal, quem era ela?

 

Jennie Kim, a garota que todos denominavam de  garota estranha do colégio. Era muito branca, seus cabelos pretos e longos, tinha um corpo magro e suas roupas eram, na maioria das vezes, pretas. Ela tinha se mudado faziam apenas três meses para a cidade; dizem que ela vem de uma família estranha, que seus pais eram loucos de pedra e que a garota era igual, ou até mesmo pior. E o melhor de tudo, é que elas são vizinhas, o quarto de Jisoo fica do mesmo lado que o de Jennie, suas casas são uma do lado da outra. Elas já trocaram poucas palavras, coisas como alguns “bons dias” ou  simples “olás”, mas nunca uma conversa muito prolongada, não conheciam muito uma sobre a outra, tirando o fato de todas as fofocas em relação à garota. 

 

Jennie veio para a cidade somente com o pai, pelos boatos, sua mãe tinha morrido, tinha a encontrado enforcada no banheiro de sua antiga casa. O pai não conseguia mais viver ali, então venderam tudo e se mudaram, estavam tentando reconstruir as suas vidas novamente. Claro, Jisoo só sabia de tudo isso, por causa dos cochichos que eram espalhados pela cidade, afinal, ela vivia num interior considerado extremamente pequeno, boatos como aquele se espalhavam de forma rápida. Podia ser tudo mentira, apenas conversa de boca de gente que não tem mais nada para fazer. Jisoo já ouviu também que a mãe da garota era na verdade, uma bruxa, e que ela tinha se matado porque a tinham descoberto. E se aquilo fosse verdade, Jisoo tinha que se manter longe da garota? A garota era um perigo para si? A Kim não sabia, e tudo aquilo só a deixava mais curiosa para saber quem realmente era Jennie Kim.

 

Cansada de se afundar em seus pensamentos, Jisoo se levantou da cama onde estava deitada, e decidiu andar um pouco, talvez até mesmo dar uma volta de bicicleta pelo parque. Calçou seus tênis em seus pés já cobertos por meias branquinhas e saiu de seu quarto, tinha decidido deixar seus fones em casa mesmo, música não era o suficiente para limpar sua mente. Enquanto descia as escadas, percebeu que sua mãe não estava e seu pai ainda não tinha voltado do trabalho, e como não tinha irmãos, ela se encontrava sozinha em casa. Andou até a cozinha para ter certeza de que sua mãe não estava no local, e concluiu que não, ela estava mesmo sozinha em casa. Sua atenção foi para um papel preso na porta da geladeira, andou até lá e percebeu que se tratava de um recado de sua mãe.

 

“Querida, mamãe foi ao mercado fazer algumas compras. 

Irei demorar e provavelmente ainda passarei na casa de

uma de minhas amigas, o filho dela está doente, e ela pediu a

minha ajuda para fazer um rémedio que apenas eu sei a receita.

Prometo não demorar, e trazer aquela torta de morango da 

padaria, que é a sua preferida. Se for sair, não se esqueça 

de deixar um recado. 

 

Com amor, mamãe.”

 

Jisoo pegou o papel e atrás escreveu que iria sair para dar uma volta de bicicleta, depois colocou na geladeira novamente, prendendo com um íman de uma florzinha. Andou até o quintal e encontrou a sua bike, ela estava escorada no muro de cerquinha do local. Assim que Jisoo chegou perto do muro, sua atenção foi para o quintal vizinho, justo onde estava Jennie. A garota estava distraída, ajoelhada em frente a um pequeno jardim onde algumas flores estavam plantadas. A morena não sabia o que fazer, ela poderia dizer um simples “oi”, e depois tentar puxar assunto, mas bom, ela não tinha coragem para isso. Jisoo sentiu seu rosto ficar vermelho, ela empurrou os seus óculos que escorregaram do seu nariz, para cima. Estava nervosa, e se achava uma boba por causa disso. 

 

— Hm, oi? — Jisoo deu um leve pulo para trás, não tinha notado que a garota tinha percebido a sua presença, e que muito menos tinha se aproximado de si. Seu coração acelerou de leve. — Desculpa se eu te assustei, mas você estava olhando para o nada, parecia até estar dormindo acordada. — Jennie riu, e a morena sentiu suas bochechas queimarem. 

 

— Ah, e-eu eu… — Se embolou toda nas suas palavras, e escutou a risada da garota novamente. Seria muita loucura sua dizer que, gostava daquele som? Que gostava da forma de como ela conseguiu fazer a outra rir?

 

— Vai andar de bike? — Jennie se apoiou na cerca, e aguardou a resposta. A morena parou um pouco para reparar nas roupas da outra, uns shorts jeans pretos e uma camisa estilo regata igualmente preta. Jisoo não podia deixar de reparar que a sua vizinha era muito bonita, isso ela não podia negar. 

 

— Sim, sim. Eu vou dar uma volta, 'pra sabe, limpar um pouco a cabeça. Sexta foi um dia um pouco corrido. — A morena percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, estava tendo a sua primeira conversa com sua vizinha. Certo, primeira conversa não, mas a mais longa sim.  

 

— Ah, eu sei sobre sexta. Você não deveria deixar eles fazerem isso com você. — Jisoo a olhou meio espantada, então ela sabia da proposta que tinham feito para ela? Ela se sentiu envergonhada, não queria que a outra pensasse coisas erradas sobre si, não queria que ela pensasse que ela era como eles, como as pessoas que zoavam delas. Uma verdade é que Jisoo as vezes queria ser que nem Jennie, certo que as duas eram zoadas no colégio, mas só que ninguém jamais colocou um dedo na outra Kim, ela nunca passou pelo o que a morena passava. Todos pareciam ter um certo medo dela, mas Jisoo não, ela não sentia esse medo. A morena já ouviu alguns dos meninos comentarem que tinham medo da sua vizinha, haviam boatos que ela era mais forte do que o menino mais popular do colégio, que ela já tinha enfrentado o grupinho de Lalisa e Rosé. Só que Jisoo não sabia se tudo aquilo era de fato real. 

 

— É difícil sabe. — Coçou a nuca sem jeito. 

 

— Ei, não fica assim. — Deu um leve soco no ombro da morena, e riu quando ela levou um susto de leve. — Agora que eu fui reparar, nós não somos muito de conversa, né? 

 

— Hm, não.  — Riu de leve, a morena tinha adquirido a mania de sempre rir quando estava nervosa, e por algum motivo, ela ficava nervosa na frente de sua vizinha. 

 

— Eu estava terminando de regar essas flores, mas eu vi que vai andar de bicicleta, e bom, será que eu podia ir junto? Aí a gente pode até se conhecer melhor. O que você acha? — Jisoo podia estar vendo coisas, mas ela jurava que viu um brilho nos olhos da outra, como se ela estivesse torcendo para poder andar de bike junto com ela. Certo, Jennie tinha praticamente se auto convidado para andar de bicicleta consigo, mas não tinha nenhum mal nisso, né? E como a garota tinha dito, essa seria uma ótima maneira das duas se conhecerem melhor, talvez elas podiam ter coisas em comum, podiam gostar das mesmas coisas, fazer as mesmas coisas quando tinham um tempo livre ou ter o mesmo gosto musical. 

 

— Claro! Seria ótimo! Que-ro dizer… Apenas se você quiser! — E mais uma vez, coçou a nuca sem jeito e sentiu suas bochechas esquentarem. A de cabelos pretos riu, ela parecia estar adorando a vergonha e timidez da menina na sua frente. Jennie não era tonta, Jisoo não era nada parecida com os babacas com quem elas estudavam. 

 

— Me deixa pegar apenas a minha bike. Só um minuto! — E em um piscar de olhos, Jennie saiu de sua visão. A morena soltou a respiração, mesmo nem notando que a tinha prendido. Ela não sabia por que seu coração acelerava, seu estômago revirava e suas mão soavam sempre que ela estava perto ou conversando com a sua vizinha. Tentou relaxar e espantar aquele nervosismo que não sabia de onde tinha surgido. Olhou para seu relógio de pulso, 16:36, ainda iria demorar um pouco para anoitecer, elas poderiam andar por um bom tempo, e conversar também. 

 

Jisoo não sabia o que pensar de Jennie, pelas poucas vezes que conversaram, ela viu o quão simpática ela parecia ser, e também como ela demonstrava ser uma boa pessoa. Não sabia ao certo de onde surgiram os boatos sobre a família da menina, tudo podia ser uma grande mentira, cidades pequenas na maioria das vezes são assim, uma pequena fofoca se transforma em uma grande bola de neve. Sem perceber, Jennie já tinha voltado, e precisou de um estalo de dedos para Jisoo reparar que a garota estava ali. Riu envergonhada, e logo as duas andavam em direção à frente das suas casas, assim saindo do quintal e indo para a rua, de fato. Jennie agora usava um boné preto, ele estava de trás para a frente, e assim deixava ela com um ar desleixado para uma menina. Por um momento, Jisoo quis também se vestir assim, queria tirar essa camisa rosa florida que usava, e trocar por uma preta com alguma foto de uma banda de rock, que ela escutava sem seus pais saberem. Mas bom, ela não podia, seus pais nunca a deixariam fazer isso. 

 

— Bom Jisoo, você é mais velha do que eu certo? Então daqui para frente, eu irei chamar você de unnie. — Aquilo não foi uma pergunta, mas sim uma afirmação. Contudo, Jisoo não negou, e sim sorriu para a outra enquanto subia em sua bike e começava a pedalar, tendo Jennie ao seu lado. As duas começaram a conversar, enquanto pedalavam uma do lado da outra. 

 

Jisoo, estranhamente, se sentia segura ao lado de sua vizinha, mas ao mesmo tempo, tinha a sensação de estar sendo vigiada, ou até mesmo, sendo perseguida. 

 

Ela não deu muita bola para isso e continuou a conversar com Jennie. E assim elas ficaram, até o Sol do fim da tarde começar a darem o seu adeus. 

 

[...]

 

Agora já eram 18:30 e as meninas se encontravam sentadas na calçada da praça já sem nenhum movimento. Em uma cidade como aquela, as pessoas costumavam ir para as suas casas cedo, era por isso que quase ninguém passava por ali. As duas tomavam um sorvete de casquinha e continuavam a conversar, elas tinham conhecido um pouco mais sobre a outra, e também descobriram que gostavam de uma mesma banda de rock. Elas tinham coisas em comum, e estavam se dando bem, ali provavelmente surgiria uma grande amizade, haviam chances de tudo dar certo entre as duas. Jisoo agora usava o boné da outra, segundo Jennie, combinava mais com ela. As bicicletas estava no chão ao lado delas, as Kim's tinham andado até sentirem seus pés reclamarem, por isso pararam ali, e naquele momento, tomavam um sorvete.

 

Jisoo não teve coragem de perguntar se tudo o que falavam sobre a Kim era verdade, e também não achou que seria uma coisa agradável de se perguntar, não queria quebrar o clima legal que tinha se formado entre as duas, aquela era a primeira vez em muito tempo em que Jisoo sentia que tinha uma amiga. Mas, infelizmente, algo tinha que acabar com a felicidade das duas.

 

— Ora, ora, ora. Se não é a bruxinha e a esquisita do colégio. — Rosé apareceu junto a dois meninos. Ela sustentava um olhar debochado no rosto, seus braços estavam cruzados em cima do peito, parecia se sentir superior a todos ali. 

 

— O que você quer aqui, cabelo de tomate? — Jisoo se surpreendeu pela resposta afiada de Jennie, ela não esperava por aquilo.

 

— Vejamos! A garota isolada sabe falar! — A Park riu e os dois garotos acompanharam. Jisoo viu a hora em que Jennie apertou uma mão em punho, e jogou o sorvete que tomava no chão. Logo a Kim mais nova estava de pé na frente da ruiva, e a encarava com sangue nos olhos. 

 

— Repete o que você falou, sua vaca! —  Grunhiu irritada, e Jisoo também se levantou de onde estava sentada, ficando de trás da sua vizinha. 

 

— Você por acaso é surda, garota?! 

 

— Jennie, acho que é melhor irmos embora. — Jisoo sussurrou, mas não foi baixo o suficiente, fazendo com que os dois meninos escutassem, e a ruiva também. 

 

— Hora, mas já vão embora? A diversão ainda nem começou. — E em um piscar de olhos, Jisoo sentiu seus braços sendo apertados e segurados por de trás de seu corpo e um murro sendo transferido em seu abdômen. Um dos meninos segurava seus braços, e o outro tinha o trabalho de bater em seu corpo. — Calma, calma, Jennie. — A morena com dificuldade, viu que Jennie também tinha sido presa. Um dos braços de Rosé estava passado pelo seu pescoço, a enforcando. A Kim tentava se soltar, mais falhava. Jisoo também tentou se soltar, mas em resposta levou um murro nos lábios, fazendo ela morder a parte de dentro de sua bochecha e a cortar, e assim, o gosto ruim de sangue chegar em seu paladar.  

 

Jisoo ficou tonta, e sem perceber, acabou desmaiando por segundos. Jennie vendo aquilo, não podia ficar sem fazer nada. Fechou os olhos e sussurrou poucas palavras em latim, logo abriu seus olhos e murmurou uma última palavra: os dedos dos meninos que seguravam Jisoo se quebraram ao meio, fazendo eles gritarem e soltarem o corpo da outra, Rosé também teve seus dedos quebrados e um grito fino saiu de seus lábios. Jennie teve seu corpo solto, e olhou para as três pessoas gritando enquanto olhavam para as suas mãos com os dedos todos tortos e quebrados, o pavor reinava nas expressões delas. 

 

— Sua doida! O que você fez com a gente?! — Jennie apenas revirou os olhos. Andou em direção aos meninos que gritavam de dor, e tocou na testa de cada um, fazendo eles desmaiarem no mesmo momento. Rosé viu aquilo e arregalou os olhos em choque. — O que você fez?! Você matou eles?! — A Kim ignorou as perguntas da garota e andou em sua direção. — Não, não, não! Saia de perto de mim! — Jennie a pegou pelos cabelos e também tocou sua testa, e a Park desmaiou no mesmo momento. 

 

Jennie não tinha matado eles, apenas tinha apagado as suas memórias, ela tinha apagado tudo o que eles tinham visto naquele momento. Mas ela não curou os dedos quebrados deles, aquilo seria como uma pequena punição para eles. Olhou para Jisoo, e viu que a garota começava a se mexer, acordando aos poucos. A Kim mais nova a ajudou a se levantar, Jisoo parecia ainda estar processando tudo o que tinha acontecido, ela olhou para os três deitados no chão, e em seguida para a garota à sua frente. Ela tinha enfrentado os três sozinha? Como aquilo era possível?

 

— Está tudo bem com você? — Jennie perguntou enquanto apoiava o corpo da outra no seu, fazendo ela passar um braço por seus ombros, e passando um braço seu pela a cintura dela. 

 

— Hm, a-acho que sim. Só fiquei com um pouco de dor e gosto de sangue na boca.  — Sussurrou com a voz fraca. — Você deu um jeito neles sozinha? — perguntou se referindo aos corpos desmaiados no chão.

 

— É, sabe como é. Fiz alguma aulas de luta por um bom tempo. Mas isso não importa agora, vamos para casa limpar essa sua boca sangrada e tomar alguns remédios para a dor. — Jennie tentou finalizar a conversa o mais rápido possível, e Jisoo percebeu isso, mas preferiu não comentar nada a respeito, e deixou que a outra a carregasse até sua casa.

 

E assim elas foram andando devagar em direção às suas casas, deixando as bicicletas ali mesmo. Jisoo ainda não tinha engolido aquelas desculpas das aulas de luta, aquilo tudo era muito estranho. Mas ela preferiu não comentar nada, e deixou que Jennie cuidasse dela. 

 

[...]

 

Domingo, 27 de Outubro, 1990

 

Uma festa estava acontecendo em uma casa perto de onde Jisoo morava, e por incrível que pareça, ela tinha sido convidada, assim como Jennie também. A festa tinha a temática de Halloween e as duas Kim's acabaram por ter de se fantasiar, mesmo que não gostassem muito da idéia. Jisoo se vestiu de anjinho; ela usava um vestido branco, junto com uma sapatilha simples da mesma cor, em sua cabeça tinha uma tiara dourada, e ela usava uma leve maquiagem. Já Jennie, tinha decidido ir de bruxa; ela usava um vestido preto em conjunto com umas botas e um longo chapéu pontudo, ela também usava uma maquiagem preta bem forte, a deixando com um ar meio macabro. Jisoo já estava um pouco melhor, então se permitiu sair um pouco.

 

As duas garotas já estavam dentro da festa, bebiam o que parecia ser cerveja, o bom é que as duas já tinham idade suficiente para ingerir aquilo, afinal ambas tinham 18 anos. Elas conversavam e riam muito, estavam se divertiam e aquilo era ótimo para Jisoo, ela não é muito de sair de casa, e muito menos de ir para festas. Mas ela estava se divertindo, arriscando até uns passos de dança meio desengonçados. Ela estava feliz, feliz como não ficava há muito tempo.

 

Jennie Kim também estava feliz, o que era difícil de acontecer para uma pessoa como ela. Jennie guarda um grande segredo, e ontem ela quase colocou tudo a perder, e sim, ela é uma bruxa. Não uma normal como as outras, sua mãe foi uma humana e seu pai um bruxo muito poderoso, e disso, ela acabou tendo poderes como o pai, mas também sendo meio humana como a mãe. Ela era uma garota mestiça, mas não por opção dela.

 

A mais nova não pretendia contar para ninguém desse seu segredo, era mais seguro assim.

 

A noite estava ótima, até alguém a estragar. As garotas decidiram sair um pouco de dentro da casa e ir fora, para onde ficava a piscina. Lá, encontraram alguém que não gostava nem um pouco delas, Lalisa Manoban.

 

— Ora o que temos aqui, estão andando juntas agora? Era bem provável que fosse surgir uma amizade de vocês duas, afinal, duas doidas juntas dão certo, né? — E riu, ela riu como se fosse a melhor piada do mundo. Jennie apertou suas mãos em punho e Jisoo sentiu o seu estômago gelar.

 

— Tem como você deixar a gente em paz? — Jennie disse, e tentou deixar sua voz o mais tranquila possível. Ela tinha herdado a raiva excessiva de seu pai, então ficava fora se si caso a perturbassem muito. Lisa mais uma vez, riu.

 

— Se enxerga, garota! Quem você pensa que é para mandar em mim?! — A loira estava visivelmente bêbada, tanto que até cambaleando ela estava. — Eu sou a filha do prefeito, logo você deve respeito a mim! Eu sou superior a você!

 

E sim, aquilo irritou profundamente Jennie, suas mãos se apertaram mais uma vez, seu peito se encheu de ar e seus olhos em segundos, ficaram levemente vermelhos. Ela não gostava de ser comparada com nada, e principalmente ser rebaixada daquele jeito. Ela não iria conseguir aguentar aquilo calada, não mesmo. Principalmente por Lisa ter dito ser superior a ela. 

 

— Escuta aqui, sua loira oxigenada. Você não é nada, 'tá me ouvindo?! Você é só uma menina mimada que tem tudo na mão na hora que bem entender, que não sabe fazer merda nenhuma sozinha, e que é uma fracassada! — Jisoo arregalou seus olhos de leve, ela não esperava por aquilo. — Então, faça o favor de calar essa sua boca de merda, e parar de me perturbar! De perturbar nós duas! — Lalisa tinha seu rosto vermelho de raiva. Não tinha mais ninguém a não ser elas as três ali.

 

— O que você disse, sua vaca?! — A loira partiu para cima de Jennie e a Kim também fez o mesmo.

 

— Jennie, por favor! Não comecem a brigar! — Jisoo gritou e correu para a frente das duas meninas. Mas ela não chegou a tempo de impedir que Jennie levasse um tapa bem estalado no rosto.

 

Bom, foi tarde demais para Jisoo conseguir impedir. Jennie deu um soco na Manoban, a fazendo cair no chão. A loira gemeu de dor, e sentiu gosto de sangue na sua boca. Jisoo congelou no seu lugar, não conseguia raciocinar direito. Nunca lhe passou pela cabeça que Jennie poderia agredir uma pessoa daquela forma. Lisa tinha sim exagerado, mas aquilo não era motivo para Jennie agredir a Manoban.

 

— Je-nnie… O que você está fazendo? — Jisoo não era nem um pouco fã de agressões, então somente aquele soco, a deixou com as mãos tremendo e a testa suando um pouco. — Olha, não precisa disso tudo… Po-odemos deixar isso de lado, e voltar para casa. 

 

— E você quer que eu deixe ela zombar de mim, e não fazer nada a respeito?! — Sem perceber, Jennie acabou gritando com a morena. Ela poderia estar fazendo um escândalo em um copo de água, mas ela não iria deixar que a outra lhe dissesse ser superior a ela. — Ela se acha superior a mim, mas ela não é superior a mim! — Naquele momento, Jennie estaria um pouco fora de si, seu lado bruxa gritava mais alto dentro de si mesma, o seu lado mau estava despertando. 

 

— Mas Jen! Isso não é certo! — gritou Jisoo.

 

E antes de Jennie conseguir responder, Lisa levantou do chão e empurrou Jisoo para dentro da piscina. As Kim's levaram um susto, e Jisoo começou a se afogar ao engolir a água, ela não sabia nadar e aquela piscina era muito funda. Jennie arregalou os olhos, e no momento em que pensou em pular para salvar a outra, ela levou um murro em seu estômago, fazendo-a cair no chão. 

 

Uma risada foi escutada vindo de Lisa, e Jennie logo percebeu que ela se encontrava em cima de si, dando vários socos em seu rosto, a deixando desnorteada. Sua cabeça foi dominada por uma imagem em branco, que reinou por um tempo, a fazendo ficar sem saber o que fazer. A loira estava descontrolada, arranhava seu rosto com suas unhas grandes e também dava socos. Jennie sem querer, deixou que sua cabeça se perdesse por um momento, e ao abrir seus olhos que nem havia notado fecharem, ela se sentiu transformada. Levou seu punho até o pescoço de Lisa e fechou sua mão na garganta da loira, fazendo o ar faltar e ela começar se sufocando. 

 

Lalisa arregalou os olhos e levou suas mãos para o seu pescoço, e tentou tirar a mão da bruxa de lá. Jennie começou a sussurrar palavras, e no mesmo momento as luzes do local começaram a piscar e o vento forte começou a percorrer entre as árvores. A Kim levou sua outra mão até o rosto da Manoban, e a unha de seu indicador cresceu de tamanho, virando uma enorme garra. E em um piscar de olhos, a sua unha tinha sido cravada em um lado do pescoço de Lisa, fazendo o sangue esguichar e a loira começar a morrer aos poucos. 

 

Ainda fora de si, Jennie jogou o corpo de Lisa para o seu lado, e sem pensar duas vezes, pulou dentro da piscina. Seus olhos logo enxergaram Jisoo no fundo da piscina. Nadou até ela e a pegou em seus braços, e logo nadou para a superfície trazendo o corpo da garota consigo. Colocou o corpo de Jisoo na borda da piscina, e levou sua mão até o nariz da outra, e sentiu que sua respiração estava bem fraca, quase parando. Então Jennie levou suas mãos até o peito da outra, e começou a colocar força, tentando a reanimar. Vendo que somente aquilo não iria ajudar, ela levou sua mão para a bochecha pálida da Kim mais velha, e a apertou de leve, o suficiente para se forma um bico nos lábios carnudos da morena.

 

Jennie desceu seu rosto até seus lábios estarem rente aos da outra, e mais uma vez, sussurrou pequenas palavras mágicas. A bruxa fechou seus olhos e soltou o ar para dentro da boca da morena, uma pequena fumacinha meio dourada apareceu, e entrou dentro da boca da outra. E em um piscar de olhos, Jisoo começou a tossir e cuspir toda a água que tinha entrado dentro de seu corpo. Jennie sorriu e suspirou aliviada, e Jisoo abriu seus olhos devagar. 

 

— Jen… — diz com dificuldade. 

 

— Tudo bem, unnie. Eu estou aqui com você. — Jisoo assentiu e sorriu de leve.


Jennie Kim sabia que tinha que se afastar, uma pessoa morta estava ali do lado das duas, tudo por culpa sua, tudo por ela não conseguir se controlar. Uma lágrima escorreu por sua bochecha, ela estava fazendo tudo errado, ela estava errando de novo. Fechou seus olhos com força, e se permitiu chorar de novo. Ela tinha errado, novamente, outra vez. Ela deixou seu lado mau, seu lado de bruxa, a dominar, e agora ela tinha feito merda de novo. Teria sido melhor ela ter continuado sendo apenas a garota isolada do colégio, e nada daquilo teria acontecido.







 


Notas Finais


Shout out to our girls: @Miss_MinSwaag, mais uma writer mara e pela capa, @plasticjeon <3

Blackpink_Unit is only working for Blinks, no space for haters.


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