História A Garota Que Eu Quero - Capítulo 6


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Tags Alexvause, Oitnb, Piperchapman
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Palavras 1.347
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite!
O pedido de vocês é uma ordem!
Boa leitura.

P.s: mais dois.
😉

Capítulo 6 - Seis


Garotas No Beco

Deve haver milhares de becos aqui, nesta cidade da minha mente.

Becos escuros por toda parte.

Em cada um deles, há pessoas brigando, retalhando-se mutuamente e desferindo socos e pontapés em corpos já caídos.

Passamos por cada um deles, observando e descobrindo que algumas pessoas são derrubadas para sempre, enquanto outras se levantam e continuam a lutar…

Por fim, chegamos a um beco deserto. É solitário e indiferente, e uma brisa leve percorre o chão. Sussurra para os detritos, depois os ergue e move.

Exatamente como eu.

Neste instante.

Por este cachorro.

Ele sai de fininho quando um grupo de garotas entra no beco.

Apenas suas passadas falam quando elas se aproximam de mim e no mesmo instante me jogam no chão. Acertam os punhos e os pés no meu rosto e no meu corpo.

Minhas costelas se esfacelam.

Meu coração luta para permanecer dentro do peito.

Olho para o cão, implorando por ajuda, mas nada chega.

A ajuda está aqui.

Está nas mãos, nos pés, nas vozes cobertas pelo hálito das minhas agressoras; e, quando vão embora, elas passam por cima de mim e saem do beco como se nada houvesse acontecido.

Meu sangue corre.

A rua é fria.

O cachorro aparece acima de mim, olhando para baixo. Faz com que eu pense em todas as outras pessoas espancadas nos becos. Todos os vencedores. Todos os lutadores. Todos os perdedores. E todos os que se recusam a ficar caídos.

Ele espera.

Ele me observa.

Demora um pouco, mas me ponho de pé.

Olho para ele — é preciso tomar uma decisão.

O desejo me percorre.

E me inunda.

Transborda.

Incendeia-se em meus olhos, e eu contemplo o beco. Começo a andar, através da dor, sempre decidindo. Escolhendo. Sabendo.

Dizendo ao cachorro que vou lutar.

Com o desejo escrito nos olhos.




6.

Três palavras.

Desgraçado do Miffy.

Eu não estava nem um pouco disposta a levá-lo para passear, especialmente tendo que esperar um tempão pelo Larry.

Primeiro, fiquei sentada na cozinha com a Alex.

Ela não parecia muito impressionada, considerando-se que era para ela e Larry terem saído naquela tarde. Devia ter escapado a meu irmão.

Pelo menos, foi o que falei para a Alex. Mas e eu? Eu sabia. Larry tinha sumido de propósito. Eu já o vira fazer isso.

Chegar atrasado.

Discutir.

Dizer a elas que não precisava dessas porcarias.

Era uma técnica muito boa para o Larry. Ele não se importava em ser o violão.

Havia umas sobras de comida, porém Alex não aceitou a oferta. Saí com ela e sentamos um pouco na varanda, conversando e até conseguindo rir, de vez em quando.

Tirei minha jaqueta e ofereci. Ela aceitou e, pouco depois, disse:

— Está quente, Pipes. — Olhou através de mim. — Fazia um bom tempo que eu não sentia nada tão quente…

De certo modo, torci para que ela não estivesse falando apenas da jaqueta, mas era melhor não pensar assim. Quando se pensa desse jeito, acaba-se parada em frente à casa das pessoas, à espera de algo que nunca vem.

Fosse como fosse, Alex me devolveu a jaqueta quando fomos até o portão e eu o abri para ela.

— Fique com você. — Eu disse, me referindo a jaqueta. — Está frio. E, de qualquer forma, ficou melhor em você do que em mim.

Ela sorriu.

E conseguir aquele sorriso talvez tenha sido minha maior vitória até aqui.

A lua estava grudada no céu e Alex disse:

— Não adianta voltar, não é mesmo?

— Por quê? — retruquei.

— Não me venha com porquês, Piper. — Desviou o rosto, depois voltou a me olhar.

— Está tudo bem.

Mesmo quando se apoiou no portão com as duas mãos e sua voz vacilou, Alex estava linda, e eu não digo isso num sentido sexual. Quero dizer apenas que eu gostava dela. Tinha pena dela e lamentava pelo o que Larry estava fazendo com ela. Seus olhos me sorriram, apenas por um instante. Um dos sorrisos mais magoados que a pessoa nos dá para nos dizer que está bem, apesar de estar longe disso.

Em seguida, ela foi embora.

Mal acabara de cruzar o portão, e eu lhe perguntei:

— Alex?

Ela se virou.

— Você vai voltar?

— Talvez. — Ela sorriu. — Um dia. Se eu o fizer, lhe devolvo a jaqueta.

Ela piscou um olho antes de sair andando pela nossa rua, e deu mesmo a impressão de estar atravessando uma alma, e de ser forte e encantadora e legal. Por alguns segundos, odiei meu irmão pelo o que estava fazendo com ela.

Além disso, ao vê-la subir lentamente a nossa rua, lembrei-me do que o Larry dissera sobre os dois me haverem seguidos, um dia, quando eu tinha ido a Glebe e parado diante da casa da Polly. Visualizei claramente Alex e Larry me observando. Os dois me observando. Ela devia ter me achado patética. Uma garota meio solitária, como disse Larry. Talvez naquele momento, andando pela rua, ela soubesse o que eu sentia.

Mas, de algum modo, compreendi que eram pensamentos sobre Larry que a enchiam. Não sobre mim. Talvez ela estivesse pensando nas mãos dele em seu corpo, tocando-a, segurando-a. Possuindo-a. Talvez fosse do riso que ela se lembrasse, ou das palavras de uma conversa. Eu jamais saberia.

Larry chegou atrasado para o jantar e o papai lhe deu uma boa bronca por isso, assim como por ele ter deixado Alex na mão. Tratei de ficar fora da briga. Tudo que fiz foi sair pela porta quando meu irmão acabou de comer, para buscar o Miffy.

Fazia frio lá fora e eu não estava tão a fim.

Não depois daquilo.

O ar estava tão frio que poderíamos usar o capuz para sempre e ver o vapor jorrar dela nossa boca ao respirarmos.

Da boca do Miffy, também saiu vapor, especialmente quando ele teve um pequeno acesso de tosse. Foi nessa hora que apertamos o passo e voltamos para a casa.

Mais tarde, assistimos à televisão.

Dei uma olhadela para meu irmão. Ele percebeu.

— O que foi? — perguntou.

Eu estava no sofá, e Larry, na poltrona surrada.

— A Alex já era?

Ele olhou.

Primeiro para longe. Depois para mim.

Sim.

Era essa sua resposta, e Larry sabia que não precisava dizê-la. Eu sabia que ele não precisava dizê-la.

— Tem outra garota?

Mais uma vez, ele não precisava responder.

— Como é o nome dela?

Larry esperou um pouco, depois disse:

— Júlia… mas relaxe, Pipes, eu ainda não fiz nada.

Assenti.

Assenti e engoli em seco, e desejei muito que não tivesse que ser assim com a Alex. Eu não poderia me importar menos com o Larry naquele momento. Só pensava na pobre garota, e me lembrei de uma ocasião, anos antes, em que Sarah havia levado um fora de certo sujeito. Pensei em quanto ela ficara destroçada, especialmente ao descobrir que havia outra garota.

Larry e eu tínhamos odiado o sujeito.

Queríamos matá-lo.

Principalmente o Larry.

E agora, o Larry era aquele cara.

Por um momento, quase mencionei o assunto, mas tudo que fiz foi ficar lá, sentada, estupidamente, olhando de esguelha para o rosto do meu irmão. Não havia nenhum remorso nele. Quase nenhum vestígio de reflexão sobre o que estava fazendo.

Julia.

Eu só podia imaginar como ela seria.

O único problema, para Larry, foi que Alex quis ter certeza, e por isso voltou durante a semana.

Os dois foram até o quintal e, passados alguns minutos, ela saiu sozinha. Ao me ver, entregou a jaqueta e disse, “Até outro dia, Pipes”, e me deu aquele sorriso corajoso de novo — aquele que eu vira na outra noite. Só que dessa vez, seus olhos verdes estavam mais marejados, as lágrimas subindo mais, mal se contendo para não cair. Alex se recompôs e ficamos paradas no corredor, e ela disse, pela última vez.

— Vejo você por aí.

— Não, não vai ver — retruquei, retribuindo o sorriso.

Nós dois sabíamos que as pessoas não viam Piper Chapman; pelo menos, não sem andar muito pelas ruas da cidade.

Dessa vez, ao partir, ela me disse para não levá-la lá fora, mas, em segredo, postei-me na varanda da frente e a vi desaparecer.

— Sinto muito — murmurei.

Imaginei que era a última vez que veria Alex, namorada do Larry.

Estava enganada. 


Notas Finais


Vocês também querem matar o Larry, meninas? Hahahah
Obrigada pelo carinho ❤.
Até logo.


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