História A garota que você deixou para trás - Capítulo 25


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tsunade Senju
Tags Narusaku, Sasusaku
Visualizações 509
Palavras 5.161
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu deveria ter postado ontem, já que essa fic ficou combinada de ser atualizada em quartas-feiras, mas voltei a minha rotina na faculdade e cheguei bem cansada ontem, então estou postando hoje.
Hoje fui atualizar a playlist da fic e percebi que ela tem 30 seguidores. E eu achando que pouca gente usava o spotify, vocês arrasaram!

Capítulo 25 - O caso de Mayumi Mitsuhashi 1 - Início de cartas nunca lidas


Passei tanto tempo fingindo ser outra pessoa que esqueci quem eu costumava ser. Ou melhor... quem eu também fingia ser antes de tudo.

(...)

Kuroda é a pessoa mais insistente que já conheci. Mesmo depois de duas rejeições aos seus pedidos de casamento, ele continua tendo esperanças de que um dia teremos algum envolvimento.

Não se eu puder evitar, claro.

Eu não me importo se ele é o futuro Daimyo do País do Vento. Não estou interessada em ser sua esposa. Não quero seu dinheiro, suas terras, seu status e muito menos o seu pau.

- Dá uma chance pro coitado. - Kominato continuava ironizando os acontecimentos recentes.

- Já falei que não. O cara tem uma década a mais que eu. - respondi me irritando ainda mais. Ele sabia que eu me irritava com facilidade e continuava insistindo no assunto.

- Mas por quê? Olha as terras magníficas que você terá. - ele debochou apontando a vista da janela que nos mostrava o deserto que cercava Sunagakure.

- Feche a boca. Alguém pode te ouvir falando desse jeito. - cochichei nervosa por ele estar debochando. Só porque o País do Fogo era esteticamente bem mais bonito e fresco, não queria dizer que ele podia zombar das terras dos outros.

O ruim de ser conselheira de Kominato é que eu preciso controlar até mesmo as coisas que ele abre a boca pra dizer. E o deboche dele pra tudo sempre me mete nas situações mais constrangedoras possíveis.

Estávamos sentados num escritório no prédio dos kazegakes, em Suna. Já fazia um mês que eu tinha encontrado Sasuke e Naruto. Ou melhor, eles me encontraram quando Naruto invadiu a biblioteca da casa de Kominato e tentou matá-lo. Mas nem eu nem o babaca tocamos nesse assunto desde então. Ficamos numa espécie de acordo silencioso em fingir que nada daquilo aconteceu. Mas de vez em quando, percebia certa tensão entre nós, tanto um como o outro tentando tocar no assunto sem que os dois começassem a se matar.

Isso era estranho pra mim. E tenho certeza que pra ele também. Três anos conversando sobre tudo, desde tipo de refrigerante até suicídio. Nunca tínhamos evitado de falar de um assunto um com o outro. Havia uma clima tenso no ar, e Mahayana e Takano já estavam ficando incomodados com isso. Eles eram os outros conselheiros de Kominato, então foi muito fácil chegarem em mim e falarem em alto e bom som:

- É bom vocês resolverem isso ou nós iremos resolver.

Sinceramente, deixar Mahayana resolver as coisas nunca terminava muito bem. Era impulsiva e não tinha o menor pudor ou consideração para deixar as pessoas confortáveis numa situação como a nossa.

Eu trabalhava sentada no chão organizando vários papéis numa pasta enquanto Kominato lia outros, sentado à uma escrivaninha. O observei discretamente, concentrado no que lia. Ele tinha déficit de atenção, então era raro vê-lo tão dedicado a apenas uma coisa. Nessas horas, eu nunca me atrevia a distraí-lo.

Fiquei pensando na euforia que ficamos no último mês. Viajando, conversando com muitíssimas pessoas, fazendo acordos, indo a festas, lendo e assinando toneladas de papéis. Tudo isso a trabalho. Tudo isso para garantir que o País da Água terá o Daimyo que realmente merece.

Kominato está muito focado em conseguir que a esposa, Tsukuchi, a verdadeira herdeira do País da Água, seja a responsável por governar as terras que por direito são dela, e não dele que as recebeu quando se casou com ela.

Nunca entrou na cabeça dele que por ela ser uma mulher, não poderia governar as próprias terras.

E no momento, estamos caminhando para que Tsukuchi Shinjimi seja a primeira mulher a ser Daimyo.

Se continuarmos nesse ritmo, é possível que até o verão do próximo ano, nossa meta se concretize.

Recorrente a isso, todos nós estamos simplesmente esgotados. Mesmo maquiagem e energéticos não estão mais dando conta. O cansaço é visível a qualquer idiota.

Tudo o que penso no momento é que finalmente conseguimos apoio dos conselheiros tanto de Suna quanto os do País do Vento. Mal posso esperar para voltar para casa e dormir por pelo menos umas dezoito horas.

Resolvo ir esticar um pouco as pernas depois de passar a manhã inteira neste escritório. Saio da sala em silêncio para que Kominato não perca a atenção. Enquanto caminho um pouco pelos corredores do lugar, vou passando por alguns shinobis de Suna que vieram buscar ou entregar relatórios de missões, ou estão aqui apenas para proteger o kazekage deles.

Falando nele, estou enchendo um copo de água no bebedouro numa sala vazia quando ele entra e para ao me ver. Ficamos os dois se encarando por alguns segundos antes de eu voltar minha atenção ao copo em minha mão. Ele caminha pela sala e fica um pouco afastado, encostado numa mesa, talvez esperando sua vez de usar o bebedouro, ou talvez esteja apenas me encarando  mesmo.

- Naruto passou por aqui há um tempo. Estava procurando você. - ele se pronuncia.

- É, eu fiquei sabendo. - respondo sem olhá-lo.

Silêncio.

- Ele não sabia que você trabalhava para o Daimyo do Fogo? - ele indagou com curiosidade.

- Ele viajou pouco antes de eu ir trabalhar com Kominato. - respondi e decidi beber logo a água no copo em minhas mãos.

Mais silêncio.

- Desculpe a intromissão mas... por quê você fingia ser uma das garotas do Kominato quando na verdade era conselheira dele? - ele perguntou.

Finalmente me virei para encará-lo. A primeira vez que interagimos não foi nada agradável. Ele estava tentando matar Sasuke, e eu me lancei na frente dele. Acabei quase sendo esmagada pela areia dele e passei um mês sozinha no hospital, exceto pelas visitas de Naruto e Ino. Nem mesmo meus pais foram me ver, já que eles "avisaram" que a vida de kunoichi só iria acabar comigo.

Depois disso, vi Gaara quando viemos na sua cerimônia de nomeação como kazekage. Ele veio cumprimentar Kominato e eu estava ao seu lado. Kominato me apresentou como sua acompanhante, e no mundo dos Daimyo, isso significava que eu era uma das meninas do harém dele. Gaara me encarou meio surpreso, porque me reconheceu daquela batalha durante a invasão de Konoha, mas ele não disse nada, apenas me cumprimentou educadamente também. Depois disso, sempre nos víamos em cerimônias de nomeação ou em reuniões onde Daimyos e Kages tinham de comparecer. Mas ele nunca dirigiu a palavra a mim, e eu muito menos a ele.

Agora, ele finalmente tinha tomado coragem de vir falar comigo. Talvez porque o amigo dele, o grande Naruto Uzumaki, esteve aqui a minha procura. No entanto, não podia dar uma resposta direta a ele.

- Por que seu tio tentou te matar quando era criança? Fiquei sabendo que vocês eram muito chegados.

Ele me encarou um pouco antes de baixar o olhar. Percebi que tinha tocado numa ferida emocional dele. Mas como eu esperava:

- Isso é assunto confidencial do País do Vento.

Apenas acenei com a cabeça e ele entendeu que a minha resposta era a mesma.

Me endireitei para sair da sala e terminar logo meu trabalho aqui. Mas ele se pronunciou de novo.

- Eu pensava que você e Naruto eram grandes amigos. Pelo menos foi o que pareceu pra mim quando vocês dois vieram salvar o Uchiha naquele dia. - ele comentou e me virei para olhá-lo de novo. - Por que você saiu de lá sem falar pra eles onde estava indo?

Gaara tinha olhos num verde bem cristalino. Ficavam destacados nas olheiras, que parecem menos destacadas hoje em dia se comparadas com antigamente. Seu olhar também costumava ser mais frio antes, hoje parece mais solidário.

- Eu precisava de um tempo longe de todo mundo.

(...)

Quando abri os olhos, tudo o que vi foi mais escuridão. Meu corpo pesava dez toneladas. Parecia que tinha sido atropelada. Eu me sentia molhada e então percebi que estava jogada em algum lugar com chuva. Estava com tanta dor que meu corpo ficou dormente por inteiro. O mais desesperador de tudo era que dentro de mim continuava tudo do mesmo jeito. Um vazio que mesmo sendo infinito, não tinha espaço para emoções positivas.

Notei que acima de mim haviam vários galhos cheios de folhas ainda balançando forte com o vento quando por entre aquelas folhas uma luz branca cortou o céu. Segundos depois, escutei o som abafado de um trovão longe dali. A água caía devagar sobre mim por causa da cortina verde acima que me protegia do impacto certeiro da chuva revoltada de outono.

Minhas pálpebras pareciam pesar o triplo do que normalmente. Tentei respirar fundo e percebi uma dor muito forte no meio das minhas pernas. Minha boca tinha um gosto estranho.

Que droga.

Me forcei a sentar e quando meus olhos se acostumaram com a escuridão, pude ver as silhuetas negras das árvores ao meu redor. Olhei para meu próprio corpo e vi as marcas de mãos e dedos que me pareciam ter me apertado com força. Isso explicava a sensação de ter sido atropelada.

Torci a boca com desgosto. Só me faltava essa mesmo. Enquanto recuperava as forças do meu corpo para me levantar e voltar ao hotel procurar Tsunade-sama para irmos logo para o País do Fogo terminar aquela bendita missão, escutei passos apressados vindo na minha direção.

E quando olhei para o lado, um rapaz chegou correndo mas parou quando a luz de lanterna mirou em mim. Ele soltou um pequeno berro pelo susto e parou de correr, ficou em pé ofegante com a lanterna mirando no meu rosto e machucando meus olhos.

Coloquei a mão um pouco acima dos olhos para tirar um pouco da luz e poder vê-lo melhor. Estava imundo assim como eu. Roupas encharcadas por lama e havia um mancha de coloração diferente na perna esquerda, que eu desconfiei ser sangue já que ele corria de um modo engraçado como se mancasse. Ofegante e com a pior cara de medo que vi em toda a minha vida.

Ele não era nenhum dos caras do hotel, o que já me deixou bem mais aliviada. Mas eu lembrava vagamente de tê-lo visto em algum lugar, provavelmente não naquelas condições.

- V-você pode me ajudar? - ele perguntou nervoso.

- Quem é você? - questionei colocando força nos joelhos e finalmente conseguindo levantar, cerrando os dentes quando a dor no meio das minhas pernas ficou mais irritante.

- Shinjimi. Kominato Shinjimi. - ele respondeu engolindo em seco. Sua lanterna mirou para baixo, em minhas pernas. - Você está bem?

Olhei para baixo e percebi que quando levantei mais sangue desceu por minhas pernas, era visível mesmo por cima de toda aquela lama.

- O que o filho do Daimyo do Fogo está fazendo aqui? - perguntei voltando minha atenção para ele, desviando da conversa sobre mim.

- E-eu vim visitar uma conhecida. Só que… acho que tem um grupo de ANBUs tentando me matar. Estão atrás de mim desde a fronteira com o País da Água.

Olhei confusa para ele.

- Por que ANBUs estariam tentando matar o filho de um Daimyo? - não fazia o mínimo sentido.

- É um assunto complicado.

Continuei encarando ele sem conseguir entender o que estava acontecendo.

- Tudo bem, ajudo você. Do que precisa?

Ele novamente baixou a lanterna para minhas pernas, subindo um pouco para visualizar meu quadril sobre a peça de baixo do pijama ensanguentado.

- Moça, acho que quem precisa de ajuda é você. - ele disse nervoso.

- Do que você precisa? - repeti a pergunta

Nós dois paramos quando escutamos um grito ali perto. Parecia ser um homem. Era um grito de dor. Pelo pânico no rosto de Kominato, eu soube que provavelmente tinha a ver com os tais ANBUs tentando assassiná-lo. Em seguida, escutei sons na mata. Alguém estava vindo correndo muito rápido em nossa direção.

Kominato também percebeu pois correu para trás de mim, branco como papel. Parecia até que eu poderia protegê-lo contra ANBUs. Quando ele segurou meus braços quando ficou atrás de mim, senti que estava ainda mais frio do que a temperatura ao nosso redor. Percebi que  o medo realmente consegue fazer alguém gelar.

E nós dois ficamos esperando alguém surgir ali, o coração dele acelerado. Eu podia escutar as batidas desesperadas atrás de mim.

(...)

- Acho que eu deveria visitar meus amigos. - comentei como quem não quer nada.

Kominato continuou deitado no chão em frente a lareira sem se mover. Parecia não ter escutado.

- Devo algumas explicações, não concorda? Passar três anos longe de todo mundo sem dar nenhuma notícia.

- O engraçado é que só vieram te procurar agora. - ele comentou sem se mover.

Olhei para ele, ali deitado no chão da sala de estar da casa principal encarando o teto. Kominato sabia ser nojento quando queria, o que era quase o tempo todo. Mas hoje eu não queria ficar aturando seus comentários ácidos, ainda mais quando direcionados a mim. Não estava com humor para isso.

Tínhamos chegado em casa no dia anterior da viagem a Suna. Hoje era para ser nosso dia de folga depois de tanto trabalho. Mas talvez eu tenha decidido fazer alguma coisa naquele dia de folga.

Me levantei do sofá e comecei a andar para fora do cômodo.

- Acho que você pode se virar sem mim por algumas horas. - retruquei tentando não demonstrar minha irritação na voz. - Quem sabe ir passar um tempo com sua esposa. É incrível como mesmo todo esse tempo casados e ainda não tenham ficado sozinhos.

Parei e olhei para ele antes de sair. Me olhava com a mesma irritação que provavelmente também estava estampada no meu rosto.

Ele ergueu dois dedos da mão como nosso sinal de rendição. Fiz o mesmo sinal e saí da sala indo me arrumar para ir até Konoha.

Sentada no chão do closet, percebi que não fazia a menor ideia do que vestir enquanto encarava as várias peças de roupa a minha frente. Poderia usar uma das yukatas curtas e  coloridas e ser Chihiro, a garota do harém. Poderia usar um kimono longo e mais conservador para ser Mayumi, a conselheira do País do Fogo. Das duas formas eu estaria sendo formal demais.

A ansiedade começou a se fazer presente no pé da minha barriga, dando um leve formigamento. Fechei os olhos e controlei minha respiração, num exercício ótimo para mandar aquela maldita perseguidora embora. Por sorte, deu certo daquela vez.

E decidi que hoje era um dia de ser só a Sakura mesmo.

(...)

Oi mãe. É a primeira carta que escrevo a você. Não sei exatamente o que dizer. Tsunade-sama me mandou uma carta avisando que você disse que nunca mais queria me ver ou ter qualquer coisa relacionada a mim. Acho que ser uma “oiran” do Daimyo do Fogo não era exatamente o que você queria pra mim, embora você sempre dissesse que queria que eu me envolvesse com um homem rico e religioso. Bom, não casei com Kominato. E ele não é nada religioso. Descobri essa semana que “oiran” é como as moças do harém são chamadas. Cortesãs da alta classe. É um nome bonito, pelo menos eu acho. Chihiro foi o nome que me deram. Todos aqui recebem um novo nome quando começam a trabalhar para a família Shinjimi.

Se serve de consolo, não sou realmente uma “oiran”. Parte do meu trabalho é fingir ser porque a verdade é um pouco complicada de falar. Não posso dar muitos detalhes ainda pois não sei se essa carta vai ser interceptada por alguém. Mas minha verdadeira função é ser amiga de Kominato Shinjimi. A família dele vive numa situação complicada desde que o irmão mais velho dele se matou. Ele tinha depressão, como eu. E desde então, uma psicóloga vem conversar com eles toda semana, e ela havia recomendado que Kominato expandisse um pouco seu ciclo de amizades, já que ele vive meio isolado de todo mundo aqui. Então minha função é ser sua amiga, mas já faz um mês que estou aqui. Sinto que estamos virando amigos de verdade e não porque estou sendo paga para isso.

Adivinha só? A psicóloga dele também começou a me atender quando ela vem fazer as consultas. Sei que isso não deve ser uma boa notícia pra você já que sempre disse que psicólogo era coisa de louco. Mas eu preciso dela, mãe. E de acordo com as coisas que ela tem me falado, acho que você precisa de um também.

Kominato encontrou a Miko-chan. A Madame Shinjimi ficou muito feliz de ter outro gato por aqui, ela não compartilha do seu pensamento de que gatos só servem para sujar e fazer a casa feder, ou que não gostam de seus donos. Kominato pagou alguns homens pra procurar a Miko-chan e a acharam num beco onde jogam lixo procurando restos de comida para matar sua fome. Fiquei muito feliz que ela tenha sobrevivido as semanas em que a senhora a jogou para fora de casa. O veterinário responsável pelo Tora-kun, o gato da Madame Shinjimi, está fazendo um tratamento para cuidar das doenças que ela contraiu no período em que ficou na rua e eu não podia ajudá-la. Ela já foi castrada e toma uns cinco remédios todo dia, está sendo muito bem cuidada e mal posso esperar para que ela vire uma pequena madame. As irmãs de Kominato estão loucas para brincar com ela, mas por enquanto está no isolamento enquanto o tratamento segue. Talvez eu mande uma foto no futuro junto com uma carta para que a senhora veja o quanto ela ficará bonita.

Estou evitando um pouco o assunto, mas creio que Tsunade-sama tenha informado que fui estuprada em Aokigahara. Imagino que a senhora não tenha acreditado muito na história. Se bem a conheço, deve ter dito que eu pedi por isso. Estava de pijama mesmo, certo? Andando de madrugada pelo hotel sabendo que tinha um bando de homens por ali.

Eu fiz o tratamento inteiro. Kominato cuidou disso. Fiz exames, tomei remédios e está tudo fisicamente bem em mim. Sem gravidez, sem doenças e agora já não doí mais no meio das minhas pernas, e as marcas pelo meu corpo já sumiram. A parte psicológica é que me assusta um pouco.

Segunda a psicóloga, eu deveria ter um trauma por causa desse acontecimento. Mas meu estado mental de depressão já é tão agravante que por mim tanto faz já. Inclusive, quando acordei no chão da floresta naquela noite e constatei o que tinha acontecido, não me importei nem um pouco. Simplesmente me levantei e tentei voltar para o hotel para acordar Tsunade-sama e pudéssemos continuar a missão. Cheguei no fundo no poço, certo? Eu não me senti desesperada e muito menos quis chorar. Simplesmente… não fazia diferença pra mim. Minha vida já era horrível, e um estupro ou a falta dele não mudaria isso. Devo te agradecer? Não sei ao certo.

Também não sei ao certo se irei te enviar essa carta. Como você mesma disse, nunca mais teremos relação uma com a outra. Talvez eu só precise colocar esses pensamentos para fora. Desabafar no papel parece fácil, mas talvez esta carta nunca chegue ao destinatário. Talvez eu a guarde numa pasta em meu quarto e tenha que conviver com ela. Ainda não sei o que fazer.

(...)

Quando passei pelos portões da entrada de Konoha, dois jounnins foram me receber, querendo saber o que eu estava fazendo. Mostrei a pulseira vermelha com o kanji do País do Fogo, que significava que eu trabalhava para a família do Daimyo.

- Boa tarde. - eles me deram um pequeno sorriso e pude passar sem preocupações.

Konohagakure estava diferente do que eu lembrava. As mesmas pessoas morando nas mesmas casas recém construídas, mas com alguns detalhes que faziam toda a diferença e podiam mudar completamente o ambiente. Mas fiquei feliz porque o dinheiro que mandamos para reconstruir toda a vila parecia apresentar bons resultados.

Comecei a andar na direção da rua em que lembrava ser a casa de Naruto. E quando aquele prédio surgiu, percebi que o dono quis reconstruir do mesmo jeito de antes. Peguei uma pedrinha do chão e joguei na porta fechada da varanda do apartamento de Naruto, esperando que ele escutasse o barulho se estivesse em casa. Esperei um minuto e nada. Joguei outra.

E aí ele abriu a porta com a cara amassada de sono, usando blusa e calção que deveria servir como roupa de baixo. Olhou na minha direção com os olhos pesando de sono e quando me reconheceu, seus olhos se arregalaram e um sorriso enorme brotou no rosto.

- Sakura-chan! - ele gritou acordando em completa animação.

- Vem aqui! - chamei tirando as mãos do bolso do casaco e acenando para ele.

Demorou poucos minutos mas ele finalmente desceu, já com as devidas calças.

- Não pensei que você viria. - ele praticamente pulava de alegria na minha frente mas percebi que ele não me abraçou, como normalmente fazia.

- Eu disse que Sasuke que iria ver vocês. - expliquei como se fosse óbvio. - Ele não contou?

Ele deu de ombros, desconfortável com alguma coisa.

- Você está muito bonita. - ele elogiou olhando para meu vestido com estampa florida por debaixo do casaco. - Não sabia que gostava de meia calça.

- Você está menos grudento ou é impressão minha? - brinquei e ele me olhou meio confuso. - Não me abraçou ainda.

- Ah, é… o Kakashi-sensei disse que não podia tocar em você. Por causa do seu emprego… - ele disse desconfortável.

Compreendi que Tsunade-sama deve ter contado que eu era oiran do Daimyo. Porque era nisso que ela também acreditava ser verdade.

- Vamos ver o Kakashi-sensei. O prédio dos hokages é aqui perto, se bem me lembro. - comentei e ele concordou animado. Enquanto caminhávamos até lá, abordei discretamente o assunto. - O que o Kakashi-sensei disse mais sobre mim?

- Bom, ele disse que você tinha sido estuprada. - percebi que ele estava muito desconfortável de falar isso. - E que como naquela época o Kominato pretendia deixar de ajudar financeiramente a aldeia, ele e a Tsunade-sama fizeram um acordo. Ele pediu você em troca de continuar ajudando a vila. Foi isso que ela contou a ele, pelo menos.

- Hm.

- E que agora você era oiran do Kominato, e que ninguém podia nem tocar em você. E muito menos você poderia sair de perto dele. E aliás, como está aqui afinal?

- Fiz um bom boquete nele. Ele sempre atende aos meus pedidos depois. - respondi só para ver Naruto corar da cabeça aos pés. Podia ser um pouco malvado, mas era divertido vê-lo com tamanha inocência. E além disso, eu podia difamar Kominato como um tarado de graça.

- Er… eu… - Nauto gaguejava sem-graça e nervoso. - Eu espero que possamos voltar a ser amigos como antigamente, embora você não more mais aqui.

- Claro que podemos. Aliás, poderíamos marcar um encontro com todo mundo.

- Sério? Kominato deixaria? - os olhos de Naruto brilharam de animação.

- Depois de um bom oral, sim.

Segurei o riso o resto do caminho enquanto Naruto se encolhia de vergonha a cada passo.

- E o Sasuke-kun?

Silêncio.

- Naruto?

Silêncio.

- Cadê o Sasuke-kun?

- Preso.

Parei de caminhar e ele também. Finalmente me olhou.

- Ele foi acusado de traição de novo.

- Pra que lado fica a prisão?

- Quê?

- Pra que lado fica a prisão?

- P-pra lá.

Comecei a andar na direção que ele apontou a passos bem decididos, e para bons observadores, furiosos.

Pelo caminho, Hinata Hyuuga cruzou meu caminho enquanto voltava de uma missão com Shino e Kiba. Ela estancou no lugar, pálida como uma vela de uma igreja. Os companheiros dela não entenderam nada. Passei pela floricultura de Ino e pude ver uma movimentação lá dentro, provavelmente ela me vendo e ficando completamente pirada.

Mas não importava naquele momento. Tudo o que queria saber era porque tinham jogado Sasuke na prisão de novo mesmo depois da carta de recomendação que fiz Kominato escrever para ajudar na sua libertação da primeira vez.

(...)

Não sabiam onde me colocar nos primeiros dias. Decidiram que eu ficaria no sótão do harém. Se tornou um lugar grande depois que colocaram as caixas e móveis antigos num canto só e eu fiquei com todo o resto. Meu quarto/sótão ganhou uma cama, um armário e uma mesinha. Esses eram meus móveis primordiais. Instalaram um aquecedor para mim, já que o inverno se aproximava e eu provavelmente morreria de frio lá em cima. As meninas do harém sempre subiam de hora em hora para ver se eu estava bem e precisava de alguma coisa. Eram muito gentis comigo. Na verdade, todos eram. Tanto as meninas, os empregados, os guardas e a família Shinjimi. Os artesãos e alfaiates responsáveis pelas roupas da família Shinjimi tiraram minhas medidas e uns dias depois, minhas roupas estavam prontas, todas cabiam perfeitamente no meu corpo e enchiam os olhos pela beleza. Minha função fora daquele lugar era fingir ser oiran de Kominato, então eu precisava estar a altura.

As oiran de verdade começaram a me ensinar como cuidar do cabelo, da pele e passar maquiagem. Fiquei tão feliz quando vi tanta maquiagem na minha frente, já que minha mãe nunca me deixou chegar perto dessas coisas. Era só o básico e pronto. Mas quando coloquei um batom vermelho e me olhei no espelho, em toda a minha vida, pela primeira vez, consegui me sentir bonita.

(...)

Kominato andava de um lado para o outro pela biblioteca.

- Aqueles filhos da puta… - ele resmungava baixinho. - Sabia que precisava trocá-los quando assumi o poder.

- Não pode fazer mais isso. Não sem dar uma boa explicação. - respondi enquanto colocava o demaquilante num lenço e limpava meu rosto.

Ele virou pra mim.

- Sabe que é uma vingança pessoal contra  o Sasuke, não é?

- Claro que eu sei. Eles só vão parar quando o virem morto ou com uma perpétua sem chance de condicional. - respondi virando para ele.

- Isso é uma vergonha. Eles nem disfarçam que querem foder ele.

- Eu disse que precisávamos tirar Homura e Koharu de lá, mas você não me ouviu. Agora dê um jeito de tirá-lo de lá. - joguei o lenço na lixeira e o encarei.

- Certo, certo. - ele disse nervoso e foi em direção as escadas para o terceiro andar, comigo em seus calcanhares. Mahayana e Takano discutiam concentrados quando nos aproximamos deles na mesa em que avaliavam os papéis e mapas.

- Se eles atacaram por esse estreito, temos mais chance de encurralá-los quando chegarem no… - Mahayana falava apontando uma linha no mapa quando Kominato se pronunciou.

- Homura e Koharu jogaram Sasuke Uchiha na prisão de novo, com possível perpétua ou corredor da morte.

Os dois pararam e nos olharam chocados. Takano numa expressão bem mais neutra se comparado a Mahayana.

- Quê?

- Foi o que escutaram. - Kominato não queria brincar nesse momento.

- Sob qual alegação? - Takano questionou.

- Possível traição futura. E ele matou uma águia mensageira.

Os dois continuaram em silêncio.

- Isso é piada? - Mahayana indagou.

- Tenho humor negro mas nem tanto. - Kominato respondeu.

Ela me olhou e pelo meu nervosismo estampado no rosto, percebeu que não era brincadeira.

- Sakura avisou. Takano avisou. Mas como sempre, você nunca nos escuta. E agora muita gente vai dançar por causa da sua teimosia. - ela começou a ralhar com ele.

- Não é hora pra sermão. Preciso que me digam o que fazer. São meus conselheiros. - Kominato retrucou.

- É óbvio. Calce seus sapatos e vá tirar o garoto de lá. - Mahayana estava indignada. - Precisamos ser mais claros?

- Tudo bem. Takano, pegue suas armas ou seja lá o que for. - ele pediu e Takano já foi recolhendo os papéis da mesa.

- Sabe que não pode tirar ele de lá sem explicações, certo? - Takano questionou sem olhar diretamente para nós. - No mínimo teremos uma reunião com Kakashi e os dois.

- É óbvio que teremos. - Mahayana se intrometeu. - Não se pode tirar um cara da prisão sem dar satisfação a ninguém. Que tipo de Daimyo é esse que faz tudo quando dá na telha? Graças a você, quem está ferrada agora é a Sakura.

- Quê? - fiquei confusa.

- Você é a conselheira responsável por assuntos políticos, esqueceu? É você quem fala numa reunião desse tipo.

Eu tinha esquecido desse detalhe.

- Pelos deuses. - puxei uma cadeira pra sentar enquanto o formigamento no meu estômago voltava. Vá embora, ansiedade!

- Calma, a reunião não vai ser amanhã. Provavelmente só daqui algumas semanas. Terá tempo para se preparar. - Kominato assegurou colocando as mãos em meus ombros. - Mas irei lá anunciar tal acontecimento e fazer o Sasuke responder esse tempo em liberdade.

- Você me fodeu, Kominato. Eu disse para tirar aqueles dois do Conselho, e agora eles vão foder o Sasuke. - eu queria gritar mas mesmo assim continuava apenas no nível do nervosismo tentando ser velado.

- Eu sei. Gente, desculpa. Eu tinha outras coisas na cabeça para me preocupar quando assumi o posto de Daimyo. E eu pensava que eles não continuariam compartilhando dos mesmos pensamentos do Danzou. Mas vou consertar isso, prometo.

- Não, eu vou consertar isso! Você vai ficar sentado lá com seu chapéu de Daimyo enquanto eu me seguro para não vomitar de ansiedade nos pés daqueles dois cretinos. - retruquei indignada.

Todos ficamos em silêncio enquanto a tensão ia acalmando. Minutos depois, Takano foi o primeiro a conseguir se pronunciar.

- Tenho certeza que de você vai conseguir pensar em argumentos muito bem embasados para defender o Uchiha-san, Sakura-san. - ele tentou me passar o máximo de confiança em sua voz. - Mas por enquanto vamos apenas nos concentrar em garantir que o Uchiha-san saia daquele lugar e responda em liberdade. Depois iremos ajudar no que for possível.

- Tudo bem.

Ele e Kominato se moveram para sair da sala e dei meu último aviso.

- Não usem sapatos novos para ir até lá. Aquela prisão é um lixo. E os guardas são piores ainda. Um deles ficou me apalpando dizendo que era pra garantir que eu não estava portando nada não-autorizado.

Kominato parou e me encarou, indignado.

- Bom saber. - e se retirou com passos irritados.

- Você quer que eu vá buscar seu remédio da ansiedade? - Mahayana perguntou prestativa vendo que eu ainda estava muito abalada.

- Não, não precisa. Já consegui ficar seis meses sem ele, e pretendo continuar assim. - respondi.

- Tudo bem. Só não deixe os pensamentos negativos tomarem conta de você.

É mais fácil falar que fazer.

Ansiedade é exatamente isso. 

Nada é mais lamentável e nocivo como antecipar desgraças dentro da própria cabeça. 


Notas Finais


Esse capítulo não existia, então precisei escrevê-lo já que reparti aquele capítulo do Kominato em dois (foi mais por isso que demorei para postar também). E não podia alterar muito a ordem cronológica senão ficaria extremamente confuso, mas calma que a parte 2 virá. Mas acredito que algumas pessoas gostaram já que todo mundo queria um capítulo narrado pela Sakura, embora ela não tenha dito muita coisa sobre seu passado. Pessoalmente prefiro as cartas que ela escreve para a mãe do que as lembranças de fato.
Tava na hora de Lana del Rey entrar na playlist né? Uma fic triste sem uma música da moça com as músicas mais tristes? Demorou foi muito até, kk.
Vejo vocês em breve!
Playlist: https://open.spotify.com/user/uchiha_let%C3%ADcia/playlist/7ez3zJCEBGVIfmtnnJHoBl?si=_VAVGurhT--NUFJwLh0STw


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