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História A Gata dos Canais (Arya Stark) - Capítulo 7


Escrita por: Flavia_100

Capítulo 7 - A Garota Bonita


Fanfic / Fanfiction A Gata dos Canais (Arya Stark) - Capítulo 7 - A Garota Bonita

MERCY

Na manhã seguinte à segunda apresentação de A Mão Sangrenta, uma mensagem foi entregue no Portão: Mercy estava sendo convocada para a Casa do Preto e Branco. Por sorte (ou não), os ensaios nos próximos dia seriam apenas à noite, não havendo apresentação marcada para aquela semana, o que deu a Mercy, e a todos os pantomimeiros, praticamente cinco dias de folga. Ao chegar no templo do Deus de Muitas Faces, ela foi saudada pelo Homem Bondoso.

— Valar Moghulis — ele a saudou.

— Valar Dohaeris — ela respondeu.

— Um homem veio para Bravos — ele disse a ela. — E ele precisa ser presenteado com o Presente do Deus de Muitas Faces.

Ela acenou com a cabeça, quase já acostumada com o fato dos Homens Sem Rostos se referirem a um assassinato por encomenda como presente.

— Como o homem gordo? — ela perguntou.

— Não, desta vez é bom que pareça que foi um acidente — o Homem Bondoso explicou.

Provavelmente, o presenteado da vez era alguém que levantaria suspeitas demais caso fosse encontrado morto à facadas. Quando um escravagista, como o homem gordo, era encontrado morto em Braavos, quas ninguém lamentava.

O Homem Bondoso continuou descrevendo seu alvo para ela. Depois de repetir tudo o que o Homem Bondoso lhe dissera, ela foi conduzida pela Criança Abandonada até a sala das Faces e passou pelo procedimento mais uma vez, para que a garota estranha lhe pusesse um novo rosto. Foi tão desagradável quanto nas vezes anteriores.

Quando a Criança Abandonada terminou, Mercy teve uma sensação momentânea de como se estivesse se afogando, como se alguém estivesse segurando sua cabeça debaixo d'água. Ela respirou fundo e violentamente, e as sombras recuaram e a memória de seu novo rosto desapareceu.

Assim que se recuperou, ela olhou para seu novo rosto no espelho enquanto a Criança Abandonada trançava seu cabelo para ela. Ela o deixou crescer de novo e agora estava na altura dos ombros. Quando a criança estranha terminou de arrumar seu cabelo, ela estudou seu novo rosto mais uma vez.

Era um rosto bonito, com maçãs do rosto salientes e lábios carnudos e macios. Por um momento, ela se lembrou de uma garota que ela conhecera ao que parecia mil anos atrás, com feições semelhantes, olhos azuis vívidos e cabelos ruivos grossos, e que adorava bolos de limão. Pelo canto do olho, Mercy viu a Criança Abandonada olhando para ela e afastou a memória daquela garota.

— Eu não sou ninguém — ela repetiu para sua imagem, e a Criança Abandonada apenas balançou a cabeça e a levou de volta para cima.

 

A GAROTA BONITA

Seguindo as instrução do Homem Bondoso, a Garota Bonita procurou por seu alvo pelos cais da cidade, o encontrando próximo ao porto de Ragman. Ele era um westerosi, um homem de meia-idade, alto e magro, com olhos castanhos claros, careca, com um queixo pequeno e macio, e possuía uma pequena barba branca sobre o queixo. O westerosi estava vestidos com um casaco de peles marrons e calças azuis desbotadas, e botas escuras que pareciam ter sido consertadas muitas vezes.

Ele parecia um nobre ou talvez um comerciante. No entanto, um que passou por tempos difíceis, carregando um velho cinto de couro e uma bainha bem usada com uma espada curta de aparência simples. A Garota Bonita tinha a impressão de conhecê-lo de algum lugar, porém não sabia exatamente de onde.

Ela o tinha seguido por dois dias quase ininterruptamente, parando apenas à noite para retornar ao Portão, para os ensaiara com a trupe e dormir, o que era um grande incômodo, pois todas as noites ela tinha que remover o rosto antes de retornar para o edifício de Izembaro, e passar pelo procedimento outra vez na manhã seguinte. Alternar entre Mercy e a Garota Bonita em intervalos de tempo tão curto estava a exaurindo.

Depois do segundo dia, ela esperou até ter certeza de que o homem estava dormindo em uma das hospedarias do porto. Apressando-se para fazer seu encontro noturno com o curandeiro. Depois ela voltou para a Casa do Preto e Branco, onde o Homem Bondoso perguntou a ela sobre seu alvo.

— O que mais a garota descobriu sobre ele?

— Ele é um estrangeiro — ela disse a ele. — Um westerosi, embora eu não tenha certeza de qual dos nove reinos.

— Não importa de onde ele é — o Homem Bondoso afirmou. — Tudo o que importa é que ele deve receber o Presente.

— Parecia que ele estava procurando por algo. Ele conversou com muitas pessoas.

O Homem Bondoso assentiu.

— Ele está realmente procurando por algo.

— O que ele está procurando? — a Garota Bonita perguntou antes que pudesse conter sua curiosidade.

— Não se preocupe com isso. A garota deve se concentrar apenas em como dar o Presente a ele.

Ela concordou com um meneio e voltou para a sala das faces, onde a Criança Abandonada removeu o rosto, e em seguida ela retornou para seu quarto no Portão para dormir um pouco. Mercy se levantou antes do nascer do sol no segundo dia para chegar à pousada onde seu alvo estava antes que ele se levantasse, é claro, passando primeiro pela Casa do Preto e do Branco para sentir mais uma vez a sensação de afogamento ao pôr o rosto da Garota Bonita.

Ela seguiu seu alvo desde as docas até os mercados movimentados e tavernas lotadas. Do porto de Ragman ao Porto Roxo, e até mesmo à Ilha dos Deuses. Ela o viu falar com muitas pessoas, de mercadores para vender espadas a estivadores, e até peixeiros. No entanto, a garota sempre manteve distância, uma vez que não havia interesse para ela o que ele estava conversando com os outros. Ela apenas precisava de uma oportunidade para lhe dar o Presente.

Uma vez, entretanto, ela estava perto o suficiente para ouvi-lo falar. Ele estava brigando com um peixeiro sobre o preço de seu almoço, visivelmente alterado.  Ele falava a língua comum da mesma forma que falavam em Porto Real, mas de uma maneira que o marcou como alguém que recebeu uma educação, o que praticamente excluía a possibilidade dele ser um plebeu.

— Isso é um absurdo! — ele esbravejou. — Você está me cobrando uma fortuna por uma comida que nem é tão boa.

— Err... eu sinto muito, Lorde Swyft — disse o peixeiro coagido. — Eu abaixarei o preço para o senhor.

Harys Swyft! Então, a garota lembrou de onde o conhecia. Ela o tinha visto no Portão na companhia de outros guardas Lannisters, incluindo o falecido Raff, o Querido. Entretanto, o próprio Harys dissera que não era um lorde, portanto a garota não entendia porque o peixeiro o estava chamando de Lorde Sywft. Talvez fosse apenas uma confusão de plebeu que não conhecia nada sobre os títulos de nobreza.

— Eu acho bom mesmo — disse Harys. — Pois eu sou o Lorde Tesoureiro dos Sete Reinos, entendo de finanças, portanto não tente me passar a perna.

A Garota Bonita nunca tinha ouvido falar daquele título, Lorde Tesoureiro, nem Arya Stark o conhecia, mas ela supôs que devia ser uma nova denominação para o posto de Mestre da Moeda. Ela olhou para o mar, em direção ao oeste, se perguntando como estava sua terra natal. Aparentemente muitas coisas haviam mudado desde que ela, em outra vida, tinha deixado Westeros.

Ela olhou de volta para o peixeiro quando percebeu que a gritaria tinha cessado, apenas para constatar homem se fora. A garota se xingou raivosamente. Ela se permitiu ser distraída por seus pensamentos. Agora ela havia perdido seu alvo. Ela rapidamente se levantou e olhou em volta, e viu a figura alta e magra se afastando do porto e rapidamente começou a segui-lo.

A forma de caminhar de Harys Sywft estava muito menos equilibrada do que durante o dia em que ela notou. Ele está bêbado, ela percebeu, talvez sendo esta a explicação para ele estar alterado enquanto falava com o peixeiro no porto, contudo era algo bom. Ninguém pensaria nada sobre um bêbado caindo nos canais e se afogando. O único problema agora era como.

Ele era alto demais para ela acertá-lo na cabeça e depois jogá-lo no canal. E ela não trouxera nenhum veneno paralisante, e não podia usar suas lâminas nele também, pois os golpes de lâminas tendiam a excluir um acidente. Ela ainda estava pensando em suas possibilidades quando ouviu vozes vindo de um beco à esquerda. Então viu duas figuras pisando na luz das lamparinas da rua, vestindo roupas coloridas com as finas espadas de Bravos nos quadris. Instantaneamente a Garota Bonita sorriu.

O estrangeiro não conhecia os costumes de Braavos. Ele estava carregando sua espada para todos verem, à noite. Para piorar, ele continuava xingando o peixeiro na língua comum, mesmo o homem estando centenas de metros de distância. Os braavosis se entreolharam, com feições confusas, embora estivessem levemente certos de que as palavras do westerosi não eram nada amigáveis. Sorte para eles e azar para o estrangeiro que alguém que falava a língua comum passou e “traduziu” seus insultos para eles.

— Ele está se gabando de suas habilidades como cavaleiro de Westeros — a Garota Bonita disse em um braavosi quase perfeito. — E disse que suas espadas são brinquedos para crianças e meninas, e que enfiaria sua lança no traseiro de vocês e os foderia até sangrar.

Ela não estava sendo sincera, já que o bêbado Sor Harys Swyft havia apenas acabado de falar o quanto as pessoas das Cidades Livres eram desonestas. A Garota Bonita deveria se sentir mal por aquilo, porém este era o seu trabalho. O que aconteceu a seguir não foi bonito de se ver e o Lorde Tesoureiro dos Sete Reinos foi posto em pedaços. Em seguida, eles se livraram do corpo em um dos canais, exatamente como a garota queria fazer.

Quando ela voltou para a Casa do Preto e Branco, o Homem Bondoso perguntou como foi.

— Trágico — foi a primeira coisa que ela disse antes de explicar todo o ocorrido.

— Portanto, não foi um terrível acidente desta vez — ele afirmou. — Mas tudo bem, garota — ele acrescentou quando ela olhou para o chão como se estivesse sendo repreendida. — Você cumpriu o seu dever com rapidez e competência.

A Garota Bonita se animou com o elogio e voltou a encará-lo.

— Por que ele tinha que morrer? — ela se atreveu a perguntar.

— Não importa — respondeu o Homem Bondoso. — Nós não nos preocupamos com essas coisas. Aqueles que vêm até nós em busca do Presente têm seus motivos e geralmente acreditam que não precisam compartilhar esses motivos conosco.

Com isso, ele a dispensou e a Criança Abandonada a levou de volta para a sala dos rostos e quando ela voltou, ela não era mais a Garota Bonita. Havia voltado a ser Mercy, embora não soubesse por mais quanto tempo ainda tivesse que usar esta identidade.


Notas Finais


Sinceramente, eu quase senti pena por matar o Harys, porque acho que ele não é culpado de nada kkkkkkkkk mas foi necessário, tem gente que queria a morte dele.


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