História A Gente Continua - Capítulo 1


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Categorias Malhação
Tags Lica, Limantha, Malhação, Samantha, Vad
Visualizações 217
Palavras 2.009
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey! Primeira fic!!!
Fic pra quem tem coração forte!!
A ideia surgiu tem tempo. Quando a Lica foi pra França... Fiz uns trabalhos voluntários com dependentes químicos uma vez e achei legal passar um pouco do que um dependente químico passa (claro que nunca ia passar numa novela das 17 e poucas né...). Aí fiquei imaginando no que teria acontecido pra Lica se ela não tivesse viajado.
Então, até pra conscientizar a galera, indico a leitura.
Avisados que muitas emoções vem por aí... Prepare o saco de pancada pra dar umas porradas quando tiver raiva, uns lencinhos pro chororô e cuidado pra não engasgar quando for rir, hein?? (tô falando tudo isso e nem sei se a fic tá boa kkk)
Ah! Se eu tiver maltratando muito as personagens, deem toque, viu? De vez em quando posso ser bem má com eles.
Pra quem fica. Sejam bem-vindos!

Capítulo 1 - Prólogo



    Não sei como descrever a emoção que tomou conta de mim no exato momento em que cruzei aqueles portões pretos e pisei no piso daquele estabelecimento.
    Treze anos se passaram desde o dia em que ali pisei pela última vez. Tantas coisas eu vivi ali… Quantas vezes essas paredes me ouviram gritar, brigar, chorar, beijar, sorrir… Se essas paredes de tijolos pudessem falar, com certeza contariam as mais variadas histórias dos Gutierrez. Desde meu avô, fundador dessa escola, passando por Edgar, que deturpou toda a missão do Colégio Grupo, ou das herdeiras Gutierrez. Uma resolveu retomar as rédeas da situação, assumindo a direção dessa escola e retomando as velhas filosofias - a começar por aquelas catracas, que, graças ao bom Deus, não estavam mais lá. -  Clara se mostrou muito boa em tudo o que fazia, principalmente no seu trabalho à frente do colégio. E tenho muito orgulho da mulher que minha irmã se tornou.
    A outra Guitierrez, vulgo eu, Heloísa, ironicamente, quis distância de tudo isso. Reunião de pais, projetos pedagógicos, filhos mimados de pais ricos que precisam ser podados de vez em quando, impostos, relatórios… Não. Não era pra mim.
    Uma coisa era ser a revolucionária do colégio e fazer apitassos e protestos. Cuidar de toda burocracia ultrapassava o limite das minhas capacidades. Desenhar HQs na editora me fazia plena profissionalmente.
    E admito que se não fosse pelo pedido encarecido da minha irmazinha insistente e chantagista, eu jamais poria os pés aqui novamente. Essas paredes me traziam boas lembranças sim… Mas me lembravam, principalmente, da culpa, da dor, do choro e ranger de dentes. Sentimentos com os quais aprendi a conviver ao decorrer dos anos porque infelizmente faziam parte da minha história, mas que estavam ali, guardadinhos no fundo das minhas memórias. E eu pretendia não revivê-los jamais.
    Clara sabia que aquele lugar assanhava meus demônios. Mas ela era profissional o suficiente para colocar o bem estar dos seus alunos na frente da sanidade mental da própria irmã. E eu deveria concordar… Ela estava certa.
    O Colégio Grupo passava pelos mesmos problemas de sempre. Sabe como é… A juventude se renova, mas os problemas da humanidade persistem. E, como Clara me disse para me convencer a contribuir com aquela ideia medonha, talvez seria gratificante eu finalmente entrar por aqueles portões para construir algo produtivo e não desconstruir.
    Era uma tarefa simples. Palestrar. Aliás, conversar, com os alunos sobre as minhas experiências. Afinal, melhor do que um policial, um médico ou psicólogo apresentando slides e amendrontando a todos com os mesmos discursos prontos de sempre, era eu, uma mulher relativamente jovem, que trabalha como ilustradora de HQs para os jovens e que, quando jovem, viveu exatamente o que eles vivem agora.
    E então era isso. Eu estava entrando no Colégio Grupo, treze anos depois de me formar, para conversar com todos esses adolescentes sobre minhas experiencias e torcer para que eu possa ajudá-los de alguma forma.
    Clara me achou perdida em pensamentos no meio do pátio e me cumprimentou com um grande sorriso cúmplice.
    - Lica! - Me deu um beijo no rosto. - Como diria aquela frase do vovô, o bom filho a casa torna!
    - Na verdade, isso é um ditado popular. E a gente nem conhceu o vovô direito pra lembrar dos ditados que ele usava.
    Ela me olhou divertida.
    - Tá nervosa, né?
    - Tá na cara?
    - Você fica muito mais rabugenta quando tá ansiosa com alguma coisa. - Sorriu. - E você ainda não tirou as mãos dos bolsos desde a hora que chegou.
    Suspirei sorrindo e balançando a cabeça. Ela tinha razão. Eu estava em pânico.
    - Relaxa. Eles são bem tranquilos…
    - E se eles não quiserem me ouvir?
    - Eles vão querer te ouvir sim. No momento em que você começar a falar que nem uma trombadinha e eles perceberem que não é só uma palestra qualquer eles vão prestar cem por cento de atenção em você.
    E esse era outro ponto que me preocupava. Clara me chamou aqui porque um aluno foi pego com drogas pesadas nas dependências da escola. E como forma de conscientizar esses adolescentes, minha irmã me autorizou a contar a minha própria relação de amor e ódio com as substâncias químicas.
    Não era uma história leve.
    E eu ainda achava que não devia ser contada para adolescentes.
    - Tem certeza que nenhum pai vai te processar?
    - Os filhos deles foram expostos a uma situação de risco, Lica. Convença os filhos deles a não se drogarem e eles vão me mandar te dar uma medalha por cada palavrão que você falar. - Sorri ainda tímida. Clara então botou uma mão em meu ombro e me fez olhar em seus olhos. - Eu quero que você conte tudo, Lica. Não poupe os detalhes sórdidos. Todos os que estarão naquela sala foram autorizados pelos pais a estarem lá e ouvirem tudo o que você tem a dizer, sem sensura. - Reforçou o final. - Pensa que você pode literalmente salvar alguns desses garotos e que se a gente tivesse uma Heloísa naquela época, talvez você não tivesse passado pelo que passou.
    Suspirei pesado. Ela tinha razão. Se na minha época de colégio Edgar se preocupasse mais com os alunos do que com dinheiro e reputação, eu não teria me aventurado naquele caminho escuro.
    Era minha chance de fazer algo de bom.
    - Bom dia meu amor!
    Uma mão tapou meus olhos. Sua voz de veludo no meu ouvido me acalmou instantaneamente e o seu cheiro de perfume francês me fez abrir um sorriso de orelha a orelha. Achava que ela tinha ido trabalhar mais cedo quando acordei sozinha na cama e encontrei a mesa do café posta sem ela na cozinha.
    Me virei e a agarrei pela cintura para dar um beijo terno, enquanto ela envolvia seus braços no meu pescoço.
    - Ai pronto! - Clara resmungou do lado de fora da nossa bolha. - Samantha, eu te deixei vir pra acalmar sua mulher, não dar uma aula de educação sexual no meio do pátio!
    Nos separamos e, ainda abraçadas, sorrimos.
    - E é isso mesmo que tô fazendo! - Apontou para os meus braços ao seu redor. - Viu! A Lica já até tirou as mãos dos bolsos. Você devia me agradecer, cunhadinha.
    Clara revirou os olhos e eu sorri para minha esposa.
    - Você sabe bem como me deixar calminha, não é Sammy?
    - E como te deixar agitada também. - Piscou pra mim e mordeu a língua.
    Clara fez uma careta.
    - Eca, Samantha! Eca! É minha irmã! - Caminhou na nossa frente. - Treze anos juntas e vocês não diminuem esse fogo na periquita não?
    - Jamais. - Sorri e roubei outro selinho de Samantha. - É o que os casais felizes tem: Fogo no rabo. Se você e o Juca perderam o tesão, vocês é que tem um problema.
    - Não é falta de tesão, Heloísa. Os problemas são dois, e tem nomes: Amanda e Tereza! - Abriu a porta da sala de aula, ainda vazia. - Vocês vão ver quando tiverem filhos! Adeus vida sexual.
    Samantha me olhou com os olhos arregalados, fingindo preocupação. Estávamos doidas para ter uma criança em casa. Tanto que começamos o procedimento de fertilização numa clínica.
    - Vamos suspender o tratamento imediatamente!
    Gargalhamos e Clara apenas balançou a cabeça.
    Podíamos já ter passado dos trinta anos, mas a implicância nunca saía de moda. Não era culpa minha se Clara ficava tão engraçada quando implicávamos com ela.
    - Tudo bem, suas sapatões taradas. Vou lá buscar os alunos. - Meu sorriso morreu e, inconscientemente, minhas mãos voltaram para os bolsos. Clara percebeu e me olhou com compaixão - Preparada?
    Respirei fundo. Samantha acariciava meu braço.
    - Sim.
    Clara assentiu e saiu da sala, me deixando a sós com Samantha.
    - Eu tô orgulhosa de você, Lica. - Ela sorriu para mim. Escondendo uma mexa de cabelo atrás da minha orelha e me dando um selinho. - Imagino como deve ser difícil reviver tudo aquilo, mas é por uma boa causa. E eu vou estar aqui, logo atrás de você, pra te apoiar no que for preciso.
    - Como sempre… - Acariciei seu rosto. - Sabe que as vezes ainda me pego pensando em como você pôde ficar comigo? Mesmo depois de tudo o que te fiz passar…
    Ela me calou com seu dedo indicador sobre meus lábios.
    - Eu nunca vou cansar de repetir isso Lica. Eu me apaixonei por você desde o primeiro dia em que pus os pés nesse colégio e te vi arrumando confusão com o dono da cantina por causa de cinco centavos de troco. - Sorrimos. - E superar todas as dificuldades ao seu lado só serviram pra eu ter certeza que te amava e vou te amar pra sempre. - Pegou minha mão esquerda e alisou minha aliança. - Lembra? Na alegria e na tristeza…
    - Na saúde e na doença. - Completei.
    - Exatamente.
    As portas se abriram e os primeiros alunos começaram a entrar e a ocupar seus lugares. Samantha sussurou uma última vez em meu ouvido.
    - Arrasa, amor. Lembra que pra cada adolescente que você salvar é um orgasmo que vou te dar.
    Meus pelos se eriçaram e engoli em seco.
    Com um incentivo desse, eu persigo todos os produtores de metanfetamina do mundo! Walter White que se prepare.
    Os alunos me olhavam. Todos vestidos com o mesmo uniforme que usávamos anos atrás, me dando até uma certa nostalgia. Alguns tinham cara de sono e provavelmente se perguntavam o que estavam fazendo ali. Outros pareciam realmente interessados. Mas a maioria estavam jogados nas cadeiras, me olhando desafiadores, tentando passar a mensagem intimidadora de que nada que eu falasse ali mudaria sua opinião.
    Eu me vi ali. Jogada na cadeira, me apossando daquela pose ridícula de falsa superioridade para esconder que, por dentro, eu era só uma menina assustada e perdida.
    E eu aceitei o desafio.
    Clara me anunciou como sua irmã, ex-aluna do Colégio Grupo, ilustradora de uma editora de revista em quadrinhos, casada com a produtora musical Samantha Lambertini, que estava logo atrás de mim.
    -… Se alguém em algum momento se sentir desconfortável, fique a vontade para levantar e se retirar. Heloísa não vai esconder nada e nem vou censurá-la. Mas aconselho que fiquem e escutem o que ela tem a dizer. - Se virou para mim. -… Que tal comerçarmos?
    Olhei para um rapaz de uns dezessete anos, praticamente deitado na cadeira, com um pé no assento e outro esticado, me olhando fixo, na defensiva, pronto para rebater cada argumento meu.
    Esse garoto pode fazer a marra que quiser. O choque de realidade que vou dar nele vai fazê-lo baixar a guarda. Aproveitando que Clara me deu a liberdade de falar o que me viesse à cabeça e não me preocupar em dourar a pílula, eu comecei.
    - Bom dia. - Eles acenaram. - Meu nome é Heloísa, os mais íntimos me chamam de Lica. - Tirei minhas mãos dos bolsos e cruzei os braços. - Eu sou uma dependente química em recuperação. - Olhei para Samantha e Clara. Elas sorriam para mim. - E eu vou falar um pouco sobre como cheguei até aqui.
    - É sério, Clara!? - O garoto debochou da sua cadeira. - Outra palestrinha de como as drogas fodem sua vida?
    - Por que você não escuta antes de falar, Carlos?
    Então o filhote chamava Carlos? Então Carlos… Você vai aprender a primeira lição sobre a Lica…
    - Pois então Carlos… Antes de você me interromper, eu dizia que eu comecei a me drogar com dezesseis anos, e que cada tragada, linha ou pico me deram a melhor sensação da minha vida.
    Todos me olharam espantados e confusos. Menos minha irmã e minha esposa.
    Elas sabiam que aquela não seria uma palestra normal. Afinal, eu não fazia nada do jeito convencional.
    E elas sabiam o que todos os nossos amigos já sabiam. Mas Carlos ainda não sabia…
    …Lica não é pra amadores.
    E minha história pode provar isso.

 


Notas Finais


Recadinho final... Não usem drogas!!


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