História A Gente Continua - Capítulo 2


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Categorias Malhação
Tags Lica, Limantha, Malhação, Samantha, Vad
Visualizações 1.062
Palavras 3.390
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Vale a pena ler ouvindo o álbum...
American Dream - LCD Soundsytem

Capítulo 2 - E aí você ria das minhas inibições


    Carlos deixou a máscara cair por alguns segundos e seu sorriso cínico também deu lugar a um certo espanto.
    Apostava toda minha grana que ele tinha sido o aluno pego com drogas. O causador de problemas.
    - Como é!? - Uma loira, mais ao fundo, perguntou confusa.
    - Como assim as drogas te deram a melhor sensação da sua vida? - Um rapaz do grupo dos que estavam com sono perguntou, mais confuso ainda. - Você devia dizer que as drogas são ruins.
    Sorri nervosa e olhei para trás. Samantha acenou, bastando aquilo para me dar forças para entrar de vez no submundo do meu hipocampo.
    - Então… Já que me deram toda a liberdade pra falar o que eu quiser, resolvi ser bem sincera com vocês. Usar drogas é maravilhoso!
    - Tá. Não entendi. - Uma jovem de cabelos roxos desistiu e afundou a cabeça entre os braços cruzados em cima da mesa.
    - Quer dizer que eu posso continuar fumando maconha a vontade? - Um rapaz falou no fundo da sala e Clara olhou torto pra ele, que sorriu sem graça. - Hipoteticamente?
    - Não foi o que eu quis dizer. - Me levantei e caminhei mais em direção aos alunos. - Pensem no sexo. Acredito que alguns aqui não sejam mais virgens. Por favor, não precisam levantar o braço, não é uma informação que os outros precisam saber. - Sorri e continuei. - Então… Todo mundo sabe que o ato sexual pode trazer consequências ruins que vão te acompanhar pro resto da vida, tipo uma gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS e a Sífilis por exemplo. - Eles concordaram. - Os seus pais, a escola, a TV, enfim… Antes de você perder a virgindade, alguém falou pra vocês que sexo é maravilhoso, mas que você precisa se cuidar porque existem consequências. Aí você finalmente transou e viu que era bom pra caralho mesmo e então vai levar ainda mais a sério o lance de se cuidar.
    Foi simples prender a atenção desses garotos. Basta falar de sexo com um bando de adolescentes na puberdade e você tem atenção total no recinto.
    - Com as drogas é quase a mesma coisa! Claro que não existe preservativo que te impeça de viciar, mas o efeito das drogas é tão prazeroso quanto um orgasmo. Porra… A heroína te dá orgasmos! Mas enfim… As pessoas não dizem isso pra você. As pessoas só dizem que drogas fazem mal e você nunca deve usá-las e ponto! - Respirei fundo e cocei a nuca. - Mas ninguém diz o por que… Eu fui adolescente como vocês e sei bem que a função de um adolescente na Terra é contestar tudo o que te falam e enfrentar caminhos desconhecidos para provar que o mundo está errado.
    Alguns alunos fizeram careta e, antes que pudessem retrucar, levantei as mãos.
    - Como agora. Vocês querem provar que eu estou errada em dizer isso. Mas acreditem, depois que vocês ficarem mais velhos vão entender bem o que eu tô falando.
    - Que clichê. - Carlos resmungou, com seu sorriso convencido de volta.
    - Meu caro, os clichês são clichês porque são bem verdade. - Ele se remexeu desconfortável novamente. - Mas então… Enquanto eu crescia, todo mundo me dizia que eu não devia encher a cara, não devia fumar um baseado, nem cheirar pó, ou injetar heroína, porque aquilo era ruim e eu ia acabar me matando. Mas aí as oportunidades surgiram e eu usei todas essas drogas. E a cada droga nova que eu provava eu só conseguia pensar “mas que porra é essa!? Como isso pode me fazer mal se me faz tão bem? foda-se, vou continuar usando.”
    Balancei a cabeça, essas mentiras ainda me davam muita raiva.
    - Teria sido muito mais fácil se tivessem me dito a verdade. Se tivessem me falado “Lica, essa merda vai fazer você se sentir tão bem que nunca mais vai querer parar. Mas essa mesma merda vai te trazer consequências devastadoras das quais você vai querer parar, mas não vai conseguir”. Esse discurso sim me faria ter medo, porque no meu primeiro baseado eu falaria “caralho, era verdade, é bom pra caramba. Acho que a parte em que eu me vicio é verdade também.” Então, resumindo, eu estou sendo sincera com vocês e tô falando agora o que acho que deveriam ter me dito anos atrás: As drogas alteram sua química cerebral e te levam pro céu sem você precisar sair do lugar, mas o seu cérebro vai acabar virando escravo dessas químicas e aí meu… É o inferno mesmo. E garanto que a onda não vale o tormento que vem depois.
    Silêncio. Olhei para cada um deles. As reações eram diversas: medo, sono, curiosidade, raiva…
    O mesmo rapaz de antes quebrou o silêncio.
    - Até a maconha?
    - Olha… No meu caso, ela foi a porta de entrada para eu usar cocaína, por exemplo. Mas também a cocaína foi minha ponte pra heroína, e o alcóol e o cigarro, que são legalizados, foram minhas pontes pras drogas ilícitas, então eu diria que se até um cigarro de palha pode te levar pro inferno do vício, a maconha pode também.
    Uma garota que acompanhava a discussão interessada, perguntou.
    - Os psicólogos dizem que as pessoas que usam drogas se apoiam nelas como muleta para fugirem de um problema. - Assenti, acompanhando o seu raciocínio. - Você tava fugindo de alguma coisa quando começou a usar drogas?
    - Claro! Primeiro, da minha situação de privilégio e completa falta de perspectiva e visão de futuro. Eu já nasci herdeira dessa escola, minha mãe era uma modelo famosa e meu pai um empresário bem sucedido… Eu sempre tive dinheiro, prestígio e um mundo que faria o que eu quisesse num estalar de dedos. Nunca precisei me esforçar pra nada.
    A menina me interrompeu, direcionando um olhar rancoroso para Carlos, que apenas revirou os olhos.
    - Igual a um monte de playboy mimado dessa escola.
    - Não torra bolsista. Vai vender bala no sinal que tu ganha mais.
    Clara interviu novamente.
    - Carlos! - E também se dirigiu à garota - Camila, vamos manter o foco no assunto principal, combinado?
    - Desculpa, diretora. - A menina repousou mais tranquila na cadeira.
    - Bom… - Retomei. - Como eu ia dizendo… Nessa época, o tédio e a falta de perspectiva da minha vida me levaram, de um jeito ou de outro, a buscar algo que me fizesse sentir alguma coisa. Alguma coisa que me tirasse da minha zona de conforto e que, de certa forma, me trouxesse algum problema pra eu sentir alguma dificuldade. Então eu e meus amigos queríamos desafiar, burlar o sistema. Usar identidade falsa pra entrar nas baladas, dirigir sem carta, beber qualquer porcaria, fumar, transar com completos desconhecidos… Mas aí nesse meu momento de rebeldia minha família resolver se bagunçar todinha e aí eu só queria usar drogas pra esquecer todos os problemas.
    Sorri para mim mesma lembrando que eu era uma rebelde sem causa, procurando sempre uma treta, e no fim Edgar me deu mais motivos pra ser rebelde do que muita gente.
    Olhei para a mulher atrás de mim. Ela sorria balançando a cabeça, provavelmnete se perdendo nas lembranças.

Março de 2017

    No apartamento de Higienópolis, Clara e Lica se arrumavam para uma festa. MB havia descolado um espaço na área VIP para a galera e todos combinaram de se encontrar na porta da boate. Com a exceção de Guto, que tinha preferido ir sozinho a um clube de Jazz. Apesar de ter grande carinho por seus amigos, o rapaz não via graça nas confusões que eles arrumavam pela noite paulistana.
    O grupo de amigos se formou ainda no ensino fundamental, quando fizeram o primeiro trabalho em grupo das suas vidas acadêmicas. Desde então Lica, Clara, Guto, Samantha, MB e Felipe eram amigos inseparáveis e até banda de rock formaram, os Lagostins, com exceção de Lica e Clara, que mal tocavam apito, quiçá algum instrumento musical.
    Clara e Lica tinham uma amizade especial. Mesmo diferentes, as duas eram melhores amigas desde sempre. Isso porque os pais de Lica, Marta e Edgar, eram amigos dos pais de Clara, Luiz e Malu, desde antes as meninas nascerem. As famílias faziam tudo juntas, desde jantares, até viagens para a casa de praia. Assim, Clara e Lica cresceram como praticamente irmãs e eram famosas na escola por serem inseparáveis.
    Naquela noite, Lica já estava pronta, jogada na sua cama, repousando a cabeça nos braços e as pernas cruzadas, olhando para o teto. Se Leide, a empregada, a visse com as botas na cama com certeza surtaria, mas Lica estava mais preocupada com a indecisão da amiga em escolher o que ia vestir do que manchas nos lençóis.
    A loira saiu do closet pela milésima vez. Lica olhava para o teto enquanto a outra garota se desesperava, sem camisa e segurando um vestido preto em uma mão e uma das camisetas de banda de Lica na outra.
    - Lica…
    - Tá ótima. Bora?
    - Eu tô sem camisa, percebeu?
    Lica virou o rosto para a amiga.
    - Clara! Você não entrou no closet falando que ia usar a blusa azul da minha mãe?
    - Era muito chique! - A mais nova resmungou. - Vai, me ajuda… Vestido ou camiseta?
    - Minha camiseta do LCD Soundsystem? Eu uso essa camiseta pra dormir, sabia?
    - Mas se eu colocar essa camiseta com uma saia preta, meia calça e coturno…
    Lica sorriu e a interrompeu.
    - Vai ficar um clone meu.
    A decepção era perceptível na voz da loira e no bico que fez.
    - É mesmo… Mas tudo nesse closet é seu. O que mais eu posso fazer?
    - Pois é loira… Você não vai achar as coisas da Gisele Bunchen no meu closet não. Vai ter que se contentar com as roupas da Heloísa aqui.
    Clara se sentou na beirada da cama, desolada.
    - Tô fudida.
    - Valeu pela parte que me toca. Melhor amiga.
    - Ah para de drama vai. Você sabe que eu não quis dizer isso… É que esse estilo seu não combina comigo.
    - Eu sei, barbie. - Clara arremessou as peças de roupas na cara da amiga. - Por que não vai com aquele vestido com que você veio pra cá? Tava bonito.
    - Será?
    - Será! - Lica pulou da cama e puxou a amiga para o closet novamente. - Agora anda logo antes que o MB apareça aqui fazendo escândalo e minha mãe encha o saco.
    Pegou o vestido azul em cima da cadeira e arremessou para a loira, que estendeu o braço para fora da porta e o agarrou no ar.
    Lica pegou o celular em cima do criado mudo. Dez mensagem não lidas. As nove primeiras eram de MB.
    “Chegamos no oasis, Liquinha!”
    “Chegamos no oasis há 15 minutos!”
    “Licaaaaaaaaaa”
    “Até a Samantha chegou primeiro que você”
    “A Clara tá aí né? Só pode!”
    “Vou ter que ir aí jogar vocês duas no ombro e carregar pro Oasis?”
    “Caralho Licaaaaaa”
    “Tô locao jah! CADÊ VOCÊS PORRA!”
    “Foda-se. Tô chapadão. A fila tá do caralho! Cheia de mina gata… Vou contar umas piadinhas. Mulher gosta de piadinha né?”
    “Quando chegar me avisa, ou acha a Samantha, o Felipe já entrou. Tá de bode.”

    Lica gritou.
    - Clara! Vamos logo! Até o Ru Paul se arruma mais rápido que você! - Silêncio - Sai logo desse closet!
    - Calma! Ninguém sai do armário tão fácil quanto você!
    Lica revirou os olhos.
    - Essa piada já tá velha. Vamos!?
    Clara finalmente saiu vestida, olhando para o look meio desconfiada.
    - Sei não… Vou sair com primeiro vestido que experimentei?
    - Me conta a novidade, né Clara. - Lica a pegou pelo braço e saíram pela casa.
    Na sala, sua mãe e o pai de Clara conversavam animadamente. Os dois eram muito unidos, como suas filhas. Até mesmo para preencherem o vazio que sentiam com a ausência de seus cônjuges. Edgar era diretor do Colégio Grupo e acionista de outras empresas, então sempre estava em viagens e reuniões de negócio que duravam horas e horas a fio. Já Malu sempre tinha um encontro de dondocas ou inventava viagens para spas e tratamentos estéticos pelo mundo.
    - Tamo indo! - Lica gritou, puxando a amiga pelo braço como se caminhassem na velocidade da luz.
    - Juízo! - Foi o que deu tempo de Marta gritar. Luiz apenas sorriu e balançou a cabeça.
    - Esses jovens…
    - Só espero que se comportem.
    No elevador, Lica olhou a décima mensagem. Era de Samantha.
    “Lica, essa balada não é a mesma sem você e sua rabugisse. O louco do MB veio tomando conhaque e já tá bebaço. Vem logo antes que ele conte a piada do elefante caiu na lama pra mais uma mina.”
    Sem perceber, Lica sorria com um brilho nos olhos e estava tão perdida na mensagem de Samantha que nem percebeu que o elevador já tinha chegado ao térreo e Clara era quem a apressava dessa vez.
    - Quem é que tá com pressa agora, hein? - Puxou a amiga pela mão. - Vamos que o uber tá esperando. Quanto mais cedo a gente chegar, mais rápido você vai poder trocar sua Samantha do zap pela Samantha mulher.
    - Qual é Clara!
    - Tô mentindo? - Clara entrou no Uber e Lica a seguiu. Indicou o melhor caminho para o motorista e se virou para amiga com um sorriso malicioso. - Vai dizer que não era ela te mandando mensagem?
    - Era ué. - Clara gargalhou. - Mas não quer dizer que a gente tenha alguma coisa. Ou que eu queira ter alguma coisa com ela.
    - Mas devia. Você é lésbica, ela é bi. Não vejo impedimentos.
    - Clara, minha amiga loira preferida… Quantas vezes vou ter que te falar que a comunidade LGBT não tem que se pegar todinha? Puta preconceito isso aí.
    - Puta preconceito é você julgar minha inteligência pela cor do meu cabelo. - Lica deu de ombros. - E eu não disse que a comunidade LGBT toda deveria se pegar. Eu disse que você e a Samantha deveriam se pegar. Vocês formam um casal tão bonito!
    Clara começou a apertar a amiga e a imitar barulinhos de bebê, irritando a amiga.
    - Não brisa, vai! A Samantha é nossa amiga. Ela pega geral e…
    - E o quê!? Já pensou que ela pode pegar geral porque se fosse pra se apegar ela se apegaria só a você? -     Lica encarou a amiga. - O quê? Tem alguma coisa no meu dente?
    - Você tá doida né? Bebeu e não me deu um gole?
    - Ah Lica! Me respeita! Eu lá sou mulher de beber antes do open bar?
    Lica sorriu e tirou uma garrafinha de uísque da bolsa.
    - Que pena…
    Bebeu um gole e Clara chiou.
    - Você é uma alcoolatra, sabia?
    Lica apenas sorriu e continuou bebendo até o carro parar na frente da boate. MB, bêbado, levantou os braços e gritou uma oração qualquer. Samantha logo cumprimentou Lica com um abraço apertado.
    Lica jurava que via estrelas todas as vezes que Samantha fazia isso. E pra ser bem sincera, se dependesse dela, Samantha nunca tiraria os braços daquela posição.
    - Minha heroína! - E toda vez que ela dizia coisas assim as pernas da mais alta bambeavam - Que bom que vocês chegaram. MB tá queimando meu filme com a fila toda…
    Okay… Se dependesse só dela mesmo. Porque, na cabeça de Lica, se dependesse de Samantha ela teria que esperar a morena beijar todas as bocas daquela fila, depois todas as bocas de São Paulo para lhe dar o prazer de  sentir o gosto da sua boca. Isso se não resolvesse beijar as bocas do Brasil inteiro também.
    - Eu estava tentando te ajudar, Samantcheeenha.
    - Então nem pensa em me ajudar. - Lica logo se manifestou, sorrindo marota para o amigo, que fez um beiço triste.
    - Cadê o Felipe? - Clara perguntou, pondo fim ao assunto da pegação.
    - Seu namoradinho tá puto que você preferiu vir acompanhada da Lica ao invés dele. - MB cantarolou.
    - É sério? - Clara perguntou incrédula.
    - Nah! O MB tá exagerando. - Samantha brincou. - Um cara deu em cima dele e ele ficou meio puto.
    - Vacilão. - MB tentou falar sério. - Eu já fui cantado por uns três caras e tô mó felizão. Significa que tô fazendo sucesso! Que pena que não sou gay.
    As três garotas gargalharam do loiro e, enfim, entraram na boate apresentando suas identidades falsas com idade adulterada.
    Naquela noite, como de costume, os jovens dançaram, beberam e se divertiram. Tudo como sempre. Clara e Felipe se desentenderam e depois foram vistos aos beijos num canto da boate. MB bebeu todas, beijou outras meninas ainda mais bêbadas e terminou dormindo deitado no colo de Felipe, que discutia novamente com Clara, sentados num sofá da boate.
    Samantha não precisava beber para se divertir. Ela bebia porque gostava do gosto do que tomava, e só. Ela tinha a cara de pau suficiente para pedir um beijo a uma garota que a interessava ou secar um carinha que lhe chamasse atenção. Ela dançava provocante sem precisar de tequila pra soltar os quadris e liberar sua sensualidade.
    - Vem. Dança essa comigo. - Sussurrou no ouvido de Lica e a puxou pela mão.
    Lica virou a dose que tomava e deixou o copo no balcão, se deixando conduzir pela morena.
    Aquela foi a terceira dose de coragem que Lica tomou para se juntar à amiga e dançar com ela, isso porque nem era uma dança provocante, mas a proximidade de corpos e as feições de prazer de Samantha dançando a uma música que ela gostava exigiam mais duas doses para que Lica não morresse de paixão, e para segurar sua cintura enquanto Samantha rebolava de encontro com a sua virilha eram quantas doses estivessem ao seu alcance. Mas nem a bebida era capaz de lhe dar coragem para fazer o que realmente queria…
    Beijar Samantha.
    Os dois copos de cerveja apenas lhe davam coragem para chegar em uma mina qualquer, beijá-la e depois ter a cara de pau de dar um telefone falso para a pobre garota.
    Mais duas doses de tequila eram necessárias para fazê-la aguentar ver outras mãos abraçando Samantha enquanto outras bocas a beijavam.
    E mais três doses de uísque cowboy para aceitar que Samantha nunca seria sua. E que era melhor não tê-la pra si do que perder sua amizade. Porque se perdesse Samantha, talvez fosse necessária uma garrafa inteira da cachaça mais pura para compensar a dor da sua ausência.
    Lica usava o alcool para aceitar a maioria dos seus problemas. Mas não sabia que Samantha também tinha sua própria forma de lidar com seus medos.
    Samantha tinha pavor de relacionamento. Graças ao desastre que foi o casamento dos seus pais, aprendeu que o compromisso era o primeiro passo para a ruína. E, mesmo que fosse secreta e perdidamente apaixonada por Heloísa Gutierrez, não se atreveria a cometer o mesmo erro de seus pais e tantos outros casais, que se curtem, daí formalizam um compromisso, perdem o brilho e o tesão, e se separam brigando.
    Era melhor beijar outras bocas e não se apegar a elas, do que se entregar para a única boca que queria e correr o risco de que a rotina a fizesse se desentender e se afastar de Lica.
    Como sempre, as duas dançaram e se divertiram e Lica bebia além da conta, terminando a noite com a cara no vaso da suíte de Samantha, vomitando todo o conteúdo do estômago enquanto a outra segurava seu cabelo.
    - Você me ama, Sammy? Eu te amo! - Ela sempre dizia quando Samantha a a ajudava a se deitar em sua cama Queen Size.
    Mas ela nunca levava aquelas palavras a sério. Ela acreditava que Lica as dizia da boca pra fora, como papo de bêbado, ou como agradecimento por sempre cobrir suas bebedeiras para Marta e cuidar dela no fim da noite.
    Então ela sempre brincava em resposta.
    - Eu seguro seu cabelo enquanto você vomita. Eu te amo pra caralho, Gutiérrez!
    Lica sempre fazia uma careta de nojo, virava para o lado e dormia. E Samantha a observava até cair no próprio sono.

 



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