História A governanta - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Capitulo 16


Fora do cômodo, a elegante mulher adornada por caras joias subia as escadas.

Arrastava a fúria em seus passos, maltratando a madeira da escadaria com o salto tão fino quanto a língua.

Sem receio, invadia aquele domicílio que conhecia tão bem.

Mantendo o telefone ao ouvido, tirava apenas por rápidos momentos para novamente discar o número que há alguns dias já não lhe atendia e nem respondia suas mensagens.  

Inaceitável.

Como alguém poderia ignorar uma criatura tão perfeita e cheia de encantos como aquela jovem sedutora de compridos cabelos levemente ondulados, rosto expressivo e uma personalidade tão... Inesquecível?   

Não cumprimentava a velha cozinheira, afinal não precisava falar com pessoas inferiores ao seu status social hereditário.

Aliás, não precisava fazer nada que não desejasse, assim como tinha a determinação necessária para realizar os menores anseios egoístas que lhe atingiam o devaneio.

Exceto um, por enquanto.

No entanto, as frutas não ficam mais saborosas quando amadurecidas e a fome lateja dentro do nosso ser?” Acreditando neste pensamento, tinha certeza que quando concretizasse aquele amor, explodiria de felicidade, ainda que todas as suas “felicidades” desaparecessem rapidamente. Quase um palito de fósforo arremessado contra o universo de palha.

Refletindo, valeria a pena pelo instante de calor.

De qualquer forma, somente motivada pelo ódio, insistia.

Ninguém jamais teve a audácia de contrariá-la e Eduardo não seria o primeiro.

Chegando ao terceiro andar da mansão, foi direto ao quarto onde o GPS indicava na tela do aparelho em sua mão.

Abrindo a porta ferozmente, percebeu que o celular tocando arremessado sobre a cama. Solitário como seu coração naquele momento.

Aproximando-se, recolheu o dispositivo e percebeu quantas chamadas já haviam sido realizadas. O número quase chegava ao terceiro dígito.  Grunhindo de raiva, detestava ser ignorada.

Ele a desafiava, certamente.

Arremessando o objeto pela janela, sentou-se na cama, cruzando os braços.

Retirando os sapatos desconfortáveis, pensava em como atingir aquele arrogante.

Eduardo não lhe escaparia.  

Observava todo o quarto, procurando uma brecha.

O bonito porta-retratos com a velha senhora nada valia.

Dois cigarros recentemente apagados no negro cinzeiro sobre o criado mudo, ele não poderia estar tão distante. Poderia ter ido almoçar ou ao banheiro. Conferindo a última opção, nada.

Saindo do quarto, avistou o astuto jardineiro do outro lado do corredor, parado na porta, visivelmente aborrecido.

Aproximando-se com o grande sorriso inerente ao expressivo rosto, estreitou os olhos para provocá-lo:

- Assim como as plantas, você criou raiz nesta mansão...

- Sou regado com amor todos os dias. Solo fértil e água saudável, o que mais uma planta poderia desejar? – Ironizou. Retribuindo o gesto, respondia ao mesmo nível.

- Não gosto de você, pirralho.

- Eu não tenho nada contra você. Meu coração só se ocupa em pensar em uma pessoa, não deixando espaço para qualquer sentimento aos demais mortais.

- E infelizmente todos sabemos disto. Você vive bordando nas paredes este amor impossível. – Comentou, revirando os olhos, visivelmente entediada com aquele assunto. Mesmo assim, achava importante frisar, - Todavia nosso pai ainda tem esperança que você assuma os negócios da família... Nem que para isto tenha que expirar esta suposta “fonte de água e solo fértil”.

- Adalberto já recebe ameaças. Inclusive, veio morar na mansão... – Suspirou, vencido. Abaixando o rosto, triste. - Eu não queria ter vínculos com esta família de criminosos... – Erguendo seus olhos para a intrusa, continuou. – Você poderia me ajudar...

- Já tenho meus assassinatos para planejar.

- Não acho que nosso pai o mataria. – Arriscou, sem conseguir se convencer.

Quando tinha sorte de acariciar o peito do motorista, relembrava as marcas de bala que quase lhe atingiram o coração e como ele havia sofrido abandonado no matagal.

Quase sempre, relembrava a péssima ideia que era insistir naquela relação. Todavia, como o orgulho percorria as veias sanguíneas daquela família, não conseguia desistir. Até porque era sua felicidade que estava em jogo?

- E onde está meu amado Dudu?

- Com a nova governanta.

- Não entendi! Contrataram outra governanta? – Assustou-se, estreitando os olhos desacreditados. – Onde está o Eduardo?

- Nesta sala. – Apontou para a porta atrás de si, afastando-se um passo, enquanto a mulher avançava tentando abrir a maçaneta. Dando de ombros, saboreava a vingança. – Inclusive, está trancada.

- Cadê a chave?

- Já tenho meu próprio amado para cuidar. – Retrucou em falsas condolências. Abandonando-a com um ultimo sorriso, seguia para a escadaria, objetivando retornar aos próprios afazeres.

Irritada, ela começou a chutar, visando derrubar a pesada madeira antiga que não cedia. Possessa de raiva esmurrava e chutava desesperada até que a maçaneta girou e a porta abriu.

O desprezo, estampado no rosto do rapaz, foi o único que lhe recepcionou.

Ignorando o pequeno detalhe, ela recobrava a fina compostura, explorando o cômodo com um minucioso olhar.

Para sua infelicidade, realmente, existia uma jovem naquele lugar.

Nada atraente, todavia não era feia.

A pessoa comum e sem atrativos permanecia bem próxima à janela, e embora distante, fitava-lhe com bastante apreço. Estranho, parecia lhe conhecer de algum lugar.

Aqueles receosos olhos certeiros...

Afastando o moreno com a mão esquerda, desconfiada, ela adentrava o cômodo elegantemente.

- Então... Você superou meu casamento e esta atrás desta perdida?

- Eu não lhe entreguei dinheiro o suficiente da última vez? – Questionou o rapaz, visivelmente esgotado.

- Esta não é a questão, Eduardo. – Continuou a transtornada mulher parando em frente da suposta rival. A loucura consumia sua expressão, a boca era uma careta horrenda e os olhos selvagens prontos para agredir. Em sarcasmo, - Você acha que ele gosta de você? Você realmente acha pode conquistá-lo com este jeito de garota humilde do sertão? - Descrente, curvou o corpo num arco, soltando uma risada estridente como se divertisse com a situação. Ainda assim, a hipotética menina não parecia amedrontada, somente perplexa demais para falar algo, enquanto a outra retornou com aqueles grandes olhos lunáticos para lhe elucidar. – Jamais...

- Não permito que fale assim com nossa governanta. – Apesar de irritado, permanecia parado na porta, mantendo o tom de voz.

- “Nossa governanta”? – Retrucou de imediato. Fazendo birra como a criança mimada que era, pois nunca havia levado nãos os suficientes que lhe motivasse a crescer. - Demita esta mulher ou... Ou eu o matarei.

- Oríntia... – A governanta tentou falar, e realmente sua voz ressoava conhecida, todavia só acarretou mais amargura da recém-chegada sobre si.

 – Então você já sabe o meu nome? – Não pode deixar de nutrir certo orgulho, aproximando-se mais da rival. - Suponho que ele já falou sobre mim. Como destruir sua vida quando me casei com seu querido adorado? Pois Eduardo sempre só amou uma pessoa. Alguém que nunca mereceu seu amor. Ele não me amou, acredita? Logo, eu. – As mãos unidas contra o próprio peito, indignada. - Alguém perfeita demais para qualquer pessoa. – Assentindo positivamente desnorteada, parecia ter encontrado a solução perfeita para seus problemas. – Sim... Eu o matarei. Apenas por ódio, pois o amor de Eduardo deveria ser para mim e não para o inútil asmático de família falida. Tão lamentável que até o pai cometeu suicídio. –Decidida, continuou. - Jorge só merece a morte, e era para ter morrido no último incêndio... No entanto...

  Desconcertada, a simples empregada cambaleou sem reação.

Não deveria ter bebido tanto, agora tinha uma enorme vontade de mergulhar profundamente no oceano até perder a respiração.

Limpando as involuntárias gotículas que percorriam seu rosto, prontificou-se em sair do cômodo, após pedir licença com extrema educação.



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