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História A Guardiã dos Deuses - Livro 3 - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


HEY, Batatinhas Ambulantes o/

Como vocês estão? Preparados para mais um capítulo? hihi

No capítulo de hoje - a festa de Chad parte 2 hehe

Tenham uma boa leitura o/

Capítulo 12 - Esse é o significado de maluca (28 dias antes)


Fanfic / Fanfiction A Guardiã dos Deuses - Livro 3 - Capítulo 12 - Esse é o significado de maluca (28 dias antes)

28 DIAS ANTES

NATÁLIA

Eu me arrependi no instante em que pisamos na casa de Chad Miller. Após sermos liberados para entrar, o jardim em si já possuía pessoas se divertindo e conversando. Dali eu conseguia ouvir claramente a música eletrônica agitada do lado de dentro. Henrique seguiu na frente, animado para se divertir um pouco e John quase foi atrás, mas o segurei pelo braço para dizer:

— Sem bebida.

— Por favor — pediu. — Só um pouco.

— John... — digo em tom de aviso.

— Não vou exagerar.

Um suspiro de derrota me escapou.

— Vou lá dentro trazer alguma coisa pra você — garantiu, me dando um beijo na bochecha. — Já volto.

E os dois acabaram carregando Robb consigo.

— Homens — me vi murmurando.

Havia sobrado apenas eu e Isabela ali do lado de fora e acabamos decidindo nos sentar no deque da piscina. Algumas pessoas tinham se aventurado em dar uma nadada naquela noite, porém não tinha a menor vontade por enquanto. Todavia, felizmente nem tudo do deque estava molhado, então tinha sido um bom lugar para esperar os meninos voltarem.

— Eu devia ter ido com eles. Duvido que vão me trazer alguma bebida — repreendeu-se Bela ao se lembrar.

— Não diga isso, vão se lembrar sim. O Henrique principalmente, tenho certeza.

Os olhos da garota se voltaram para mim com uma sobrancelha arqueada diante das minhas palavras. Não era de hoje que eu e John tentávamos dar uma de “cupidos” na tentativa de juntar os dois, afinal, tiveram um envolvimento durante o jogo do Gilbert. Por isso, sempre buscávamos manter ambos juntos na esperança de que acontecesse alguma coisa, porém até então nada havia acontecido. Isabela era o mais próximo que eu possuía de uma melhor amiga, devido ao tempo que passávamos juntas com os garotos. E eu gostava dela, era uma boa companhia, apesar de um pouco bruta.

Seus cabelos castanho-claros possuíam um tom alourado interessante, apesar de estarem curtos, pouco abaixo do queixo. As ondulações dos fios moldavam seu rosto quadrado a qual abrigavam olhos pretos como a noite. A garota escolhera uma calça jeans e uma regata, cobrindo a pele branca, assim como uma bota.

— Tenho minhas dúvidas — é o que ela diz por fim.

— Ah, qual é, não tenha. Eu acho que ele está a fim de você, não te deixaria sem bebida.

Não sei qual das minhas palavras ela achou engraçado, mas sua risada seguinte me deixou tão sem graça quanto confusa. Repassei elas mentalmente e constatei que não tinha tido a intenção de ser engraçada em nenhum momento.

— A fim de mim, Natália? De mim? Eu não te contei que a gente já tentou?

Se eu estivesse bebendo algo, com toda certeza teria engasgado naquele instante.

— O quê? — mal consegui disfarçar a surpresa em minha voz ao ouvir aquela declaração.

— Eu e o Henrique já ficamos algumas vezes. — Deu de ombros, embora eu ainda estivesse ostentando minha expressão surpresa. — Você sabe, a gente teve uma coisa legal dentro do jogo, mas não foi do mesmo jeito aqui fora. — Suspirou. — Foi quando eu percebi que não estava dando certo porque ele não tinha mais interesse em mim.

Então esse tempo todo eu e o John estamos tentando empurrar os dois atoa?, o pensamento me ocorre naquele instante. Será que o John suspeita de alguma coisa?, eu mesma neguei mentalmente. Ele teria me contado. Ele sabe que eu tinha um desejo de juntar os dois por causa do que acontecera entre Malek e Benigna. Todavia, parece que o romance crescera no jogo e morrera com ele.

— E você descobriu por quem ele tem interesse? — questionei a encarando.

Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. Ela novamente parecia achar graça das minhas palavras, mas eu não conseguia entender onde estava a graça. Pisquei, ainda esperando a sua resposta. Houve um breve silêncio entre nós duas. E, apesar de estar demorando a responder minha pergunta, o ar de diversão sequer ousou deixar o seu rosto.

— O Henrique está afim de...

— Não se desesperem, gatinhas. Voltamos. — Pela primeira vez, fiquei irritada ao ouvir a voz do John, anunciando a sua aproximação de nós duas. Pelos céus, ele acabara de me atrapalhar a ouvir uma coisa extremamente importante.

Meu namorado não desconfia do teor da nossa conversa, muito menos os demais meninos.

— E quem disse que estávamos desesperadas? — digo, cruzando os braços, disposta a implicar um pouco.

— Meus instintos, é claro — disse, estendendo na minha direção um copo de papel, semelhante ao seu. Eu fico hesitante e ele estende de novo, querendo que eu o pegasse. No fim das contas, acabo o pegando, mas ao levar ele ao nariz, sinto o cheiro de álcool instantaneamente. — Você trouxe bebida pra mim?

— Só um pouquinho, amor.

— Você sabe que eu não bebo.

O meu tom de voz repreensivo faz com que meus amigos murmurem algo e nos deem certo espaço. E, quando eu vou dizer que não tinha problema ficarem, eles já haviam se afastado para conversar algo aleatório. Cheguei a notar Henrique estendendo uma bebida para Bela. No fim, acho que ela estava exagerando quando disse que ele estava afim de outra pessoa.

— Eu sei — disse. Ele estava tranquilo. Eu não estava brava de verdade, porém mesmo assim não queria beber. — Mas um pouquinho não mata ninguém. — Quando percebeu minha expressão inalterada, completou: — Não tinha suco lá, só bebida. Quer dizer, tinha, mas pra fazer drink só. Tentei explicar que você não bebia, mas ele falou um monte de besteira. — Fez um gesto de desdém, porém seu maxilar travado evidenciava que havia discutido feio lá dentro.

Comovida pelo trabalho que tivera para arranjar alguma coisa para eu beber, suspiro derrotada. Levo o copo de papel aos lábios, bebericando um pouco da bebida alcóolica. Faço uma careta. O gosto era péssimo.

— É ruim no começo — disse, percebendo minha expressão. — Mas depois você se acostuma. Vamos, não é assim tão ruim.

Reviro os olhos e, tomada pelo seu discurso barato, acabo bebericando um pouco mais. Não era a coisa mais saborosa do mundo, todavia tinha um gosto suportável. Quase tinha bebido metade do copo com essas duas experimentadas.

— E então? — Expectativa brilhava no seu olhar.

— Não pense que vou virar bebum só porque estou bebendo hoje, ouviu? — declarei primeiramente e uma breve risada lhe escapa. — Mas é. Dá pra sobreviver por uma noite.

A expectativa e a graça de seu rosto passaram para algo convencido. Ele bebeu do próprio copo, entornado o líquido para a garganta como se fosse água. Bom, ele devia àquilo aos seus anos de experiência, pelo jeito. Mesmo assim, eu conseguia ficar surpresa com sua familiaridade ao álcool.

— Eu sabia que você iria gostar — comentou por fim.

— Para de fazer essa cara de convencido! — Empurro seu ombro enquanto ele achava graça.

Logo seus olhos azuis estavam vasculhando o redor e rapidamente me dei conta de que ele estava procurando os nossos amigos. Tinha me distraído tanto com a nossa conversa que mal me dei conta que eles não estavam mais ali por perto. Pelos céus, eles acharam mesmo que íamos discutir por causa de um copo de bebida?, o questionamento me ocorreu. Porém, parte de mim compreendia. Não era confortável para ninguém ficar no meio de uma DR — discussão de relação —, por isso fugiram ao princípio daquilo que poderia vir a ser uma briga.

— Eles devem estar lá dentro — disse ao perceber que eu também procurava por eles. — Vamos entrar?

Concordei e nossos dedos se entrelaçaram em seguida, após eu levantar do deque de madeira onde eu estava sentada. Caminhamos juntos por entre as pessoas, vendo que mais chegavam e outras permaneciam no jardim, conversando. Era difícil ver alguém que já não estivesse desfrutando de uma bebida em mãos. E, não demorou muito para adentrarmos a magnífica casa de Chad. Lá, sem sombra de dúvidas, estava bem mais lotado que do lado de fora. Pessoas se misturavam na pista de dança, curtindo a música eletrônica alta do ambiente. Enquanto passávamos por essas pessoas dançando, esbarrando em nós sem querer, ele não soltou minha mão e eu agradeci por isso. Afinal, se ele me soltasse, com certeza me perderia naquele mar de gente.

Chegamos diante do bar, onde também estavam os barris de cerveja ao lado. John se serve primeiro antes de pegar o meu copo e completar novamente, embora eu só tenha bebido metade. Faço uma careta para ele diante disso e ganho um selinho, quase como uma implicância da sua parte.

— Vamos dançar, gatinha. Tira essa carranca do rosto — disse, voltando a segurar minha mão. Ele me girou brevemente e senti o mundo girar junto.

— Para, John. Vou acabar derramando a bebida.

Ele apenas riu e continuou segurando minha mão. Pisquei algumas vezes para me recuperar do giro e acabei me deixando levar por ele. Logo estávamos na pista de dança, nos misturando com todas aquelas pessoas, mas ainda assim nos mantendo juntos. Então entreguei meu corpo para a música, bebericando o álcool que tinha disponível em mãos, me divertindo. Apesar de não ser um ambiente costumeiramente frequentado por mim, John sempre dava um jeito de me fazer sorrir e aquilo era o que eu mais admirava no meu namorado.

Perdi a conta de quanto tempo ficamos dançando juntos, aproveitando o momento. No fim das contas, acabei de fato me divertindo ali e, quando nos demos conta que havíamos ficado bastante tempo, nossos copos já estavam vazios e minhas pernas reclamavam. Decidimos então abandonar a pista para subir para o segundo andar, onde havia menos pessoas. Ao chegarmos, ele me girou e, apesar do mundo ter girado ao meu redor novamente, dessa vez uma risada me escapou. Me sentia alegre. Tão alegre.

De repente, estava com as minhas costas prensadas na parede e simplesmente fechei os olhos quando o rosto de John veio de encontro ao meu pescoço. Os beijos logo começaram na região. Por um momento me deixei levar por aquela sensação maravilhosa. Toquei seus cabelos escuros no mesmo instante que ganhei uma mordidinha e, quando abro os olhos para segurar-lhe o rosto com a intensão de que ele beijasse meus lábios, é que a vejo.

Guardiã, as palavras dela voltaram à minha mente. Bem-vinda à família dos Guardiões. Alexia estava bem ali, vestindo um lindo vestido preto com brilhantes que chamavam atenção para o seu corpo perfeito. Os olhos arroxeados eram inconfundíveis, mesmo ali. Não tinha como não sentir a sua presença. Não reconhecer a sua pessoa. Trocamos olhares pelo que pareceu uma eternidade. Quando saí do transe, toquei o rosto do John para lhe chamar a atenção e isso me fez abaixar o olhar para encará-lo.

— John, John — não consegui esconder a urgência na minha voz. — John ela está aqui.

Seu rosto se ergueu e sua expressão se tornou confusa ao me encarar.

— Alexia, meu amor — digo. — Alexia está aqui. Eu a vi.

Ele franziu o cenho, sem parecer compreender muito e eu suspirei, virando seu rosto na direção onde ela se encontrava, apontando discretamente. Porém, ela se apressa para entrar em um dos cômodos e não sei exatamente se John conseguiu vê-la. Mesmo assim, meu coração estava acelerado no peito. Soltei seu rosto e toquei uma de suas mãos, o puxando comigo para um dos corredores. Pisquei algumas vezes. Estaria eu louca? Seria o álcool me causando alucinações?

— Amor, calma. Ei. O que houve? Quer me explicar direito? — disse ainda confuso, fazendo com que eu parasse de puxá-lo.

— Alexia, eu a vi. Ela está aqui — repeti as palavras com o mesmo grau de medo e agitação.

— Que Alexia? Quem é Alexia, Nath? — ele continuava confuso a respeito disso e eu me vejo passando as mãos em meu próprio rosto. Com certeza ele devia estar achando ou que eu havia enlouquecido ou que estava completamente tomada pela bebida.

Porém nada mais parecia ter graça naquele instante.

— Do jogo do Gilbert, John. A deusa. Eu acabei de vê-la. Quando virei seu rosto, ela fugiu.

Meu namorado piscou, ficando um momento em silêncio.

— Estou falando sério. Tem que acreditar em mim — insisti, quase choramingando por ele estar duvidando, mas eu não brincaria com tal coisa. Era real. Podia jurar que a havia visto bem ali.

— Por que nós não vamos lá fora tomar um ar?

Tomar um ar? Tomar um ar?, meus pensamentos se mostram inquietos, porém acabo concordando com ele, deixando-o que segurasse minha mão e me levasse lá para fora para tomar um ar. Descemos as escadas e passamos pela multidão na pista antes de alcançarmos o jardim. Voltei a me sentar no deque, mas ele se manteve de pé ao dizer:

— Vou te trazer um pouco de água, não saia daqui.

Apenas afirmei com a cabeça, quase desolada. Ele não tinha acreditado em mim. Não conseguia parar de pensar naquilo. Eu sei que pode parecer loucura querer que meu namorado acredite que uma deusa de um videogame seja real, todavia não havia outra forma de explica-lo. Era por isso que tinha tanto receio de falar sobre meus poderes. E se ele ficasse assustado o suficiente para terminar comigo? Pensar sobre isso faz algo se apertar em meu peito. Sabia que não estava vendo coisas ao flagrar Alexia. Não estava louca. Nem tendo alucinações.

Meus dedos correm pelo deque, sentindo um pouco de água devido à piscina próxima. Então eu deixo o gelo deslizar das minhas veias para as pontas dos meus dedos. Eles congelam a pouca água existente em um gelo transparente. Ninguém percebe, distraídos demais com as próprias conversas. Todavia, meu coração volta a acelerar no peito quando ouço algumas pessoas da piscina dizendo que a água ficara fria de repente. Ou, nas palavras literais deles, ficara congelante.

Imediatamente retiro a mão do deque.

Os comentários param depois de um tempo e fico mais aliviada. Sabia que precisava tomar cuidado, mas liberar o poder dentro de mim era bom. Era uma sensação inexplicável. Era como se a minha essência deslizasse de mim e se transformasse em algo sólido. São reais. Meus poderes são reais. E, se eles são reais, então Alexia também é, o pensamento me ocorreu e pouco depois avisto meu namorado vindo na minha direção, carregando outro copo de papel. Contudo, ao pegá-lo, não havia qualquer cheiro de álcool no líquido transparente. Era de fato água.

Bebi o líquido com calma e entre goles, permanecemos em silêncio. Enquanto isso, o rapaz se aproximou mais do deque, com intensão de se sentar ao meu lado, porém um xingamento lhe escapa antes que diga:

— Que diabos é isso? Gelo?

Fingi que não estava surpresa com as suas palavras.

— Hm, acho que sim — digo, olhando na direção que ele apontara. — O que tem? Devem ter derrubado um cubo aí.

— Isso não é um cubo.

— Ah, por favor, John. Agora vai encucar com um pedaço de gelo? — Revirei os olhos, tentando fazer da indiferença algo natural, embora estivesse completamente nervosa por dentro. — Sente aqui do outro lado então. Estou ansiosa para ouvir você me chamar de maluca.

— Eu não vou te chamar de maluca — disse, esquecendo a história do gelo ao se sentar do outro lado, longe da pequena água congelada. Incrivelmente o gelo não se desfizera ainda. — Só achei que ficar sufocada lá dentro não estivesse te fazendo bem.

— Ficar lá dentro estava afetando minha distinção entre o real e o imaginário, é isto que quer dizer? — Arqueei uma sobrancelha quase em um gesto de intimidação. — Talvez esse seja o significado de “maluca”? — a pergunta retórica acabou se tornando uma alfinetada.

Ele passa uma mão sobre o rosto.

— Não ponha palavras na minha boca, Nath.

— Então o que quis dizer?

— Que estou preocupado com você, oras. Percebeu o que você disse lá dentro? Que a deusa de um jogo estava aqui, no mundo real. — Dei um gole na água, o ouvindo. — Está mesmo achando que a minha preocupação é desnecessária?

Ficamos um momento em silêncio. Não queria responde-lo, então continuei bebendo a água até o copo estar vazio e eu não ter nada para fazer com as mãos. Viro o rosto de lado, ainda silenciosa, voltando a encarar o gelo ainda intacto. Como quem não quer nada, toco-o novamente e ele se desfaz, virando a pura e simples água, como se nada tivesse acontecido. Mas John sequer percebe isso, pois toca meu queixo, os olhos focados em mim à medida que vira o meu rosto na sua direção.

Quando ele abre a boca para dizer algo, as luzes ao nosso redor apagam e a música para em um silêncio ensurdecedor. Ele deixa de me tocar, ficando tão atônito quanto eu. Os pelos do meu braço se arrepiam, não pelo medo, mas como se tivesse uma estática no ar. Eletricidade.

Pessoas saíram assustadas da casa com a falta de energia repentina. Várias falavam de uma vez, preenchendo o silêncio deixado pelo som desligado. Aos poucos fui compreendendo o que os cochichos queriam dizer. “Acidente. Chamem uma ambulância.”


Notas Finais


É o que temos por hoje Batatinhas hihi <3 agora o que será que aconteceu lá dentro enquanto os dois estavam lá fora hein? Pelo jeito, se tem eletricidade, com toda certeza Alexia deve ter aprontado alguma...

No próximo capítulo - o acidente o.o

Não esqueçam da perguntinha da semana no insta! <3

Até o próximo capítulo o/


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