1. Spirit Fanfics >
  2. A Guardian angel >
  3. Capítulo Único

História A Guardian angel - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Uma one-shot focada em janstar. Neste universo, ambas as meninas são humanas e estão no último ano do Ensino Médio.

°•"Anjo da guarda" é só um termo brincalhão que a Star usa, porque a Janna só faz besteira e ela é sempre quem tem que ajudá-la a sair.

°•A fanfic se passa no dia 14 de fevereiro, Valentine's day.



Boa leitura 💖

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction A Guardian angel - Capítulo 1 - Capítulo Único

•| ⊱✿⊰ |•


Star não fazia ideia de quando tudo tinha ficado tão selvagem cuidar de alguém.

Tudo bem, Janna nunca tinha sido lá a garota mais calma para manter os dois olhos atentos. Foi divertido no início, pois a alma de Janna parecia tão indomável quanto a sua própria. Estavam sempre em rituais diferentes, em contato com coisas novas e explodindo coisas, três das coisas que Star amava. Mas, as coisas mudaram de um tempo para cá. A loira não fazia ideia se era a maturidade da idade chegando ou os preparos para as provas decisivas que apararam seu espírito livre, mas só deram ainda mais asas a da sua amiga.

A ideia de Janna se arriscando tanto era tão insuportável para ela, então Star se sacrificava pela morena. Estava sempre tentando salvá-la de si mesma, como um anjo da guarda em tempo integral. Star cortava um dobrado quando ela, de repente, decidia atear fogo em algum lugar ou especialmente quando o dia das bruxas chegava e objetos pontiagudos e ilegais ficavam mais fáceis de serem manuseados.

Ela não fazia ideia do por que Janna fazia tantas coisas daquele tipo, principalmente perto dela e estando mais velhas. Parecia uma estratégia para tirá-la do sério ou então deixá-la louca de vez. Seja lá o que fosse, ela se aproximava a passos largos da mesa em um canto do refeitório da escola, onde o casal de amigos estava.

A loira suspirou, jogando a cabeça na mesa, enquanto Marco tomava os últimos goles irritantes da caixinha de suco barulhenta.

—Marco, eu simplesmente não aguento mais—resmungou, afundando o corpo entre os bancos. Tinha esperança que o corpo se diluísse e que ela sumisse completamente até Janna nunca mais encontrá-la. Nem mesmo o pedido de socorro em meio a um grunhido da loira pareceu fazer com que o olhar castanho do amigo se desviasse da caixa de suco. Nem sequer por um instante—Eu sinto que eu vou explodir se a Janna correr mais um perigo mortal.

—O problema é tentar salvar essa desmiolada a todo custo, Star. Conheço essa garota desde sempre e ela nunca aprendeu—Marco disse e suspirou quando seu suco acabou. Mal notou que Star parecia exausta em meio a manta de cabelos loiros—É melhor aceitarmos que a Janna não tem jeito e torcer para ela ter uma lição quando quebrar a cabeça. Ou terminar presa.

Mas...—Star começou, mas o barulho de passos estrondosos pelo chão a tiraram o pensamento. A garota virou os olhos atentos para a figura que caminhava em direção a ambos, um pacote na mão.

Quando percebeu, o olhar divertido de Marco estava sob as bochechas avermelhadas.

—Hoje é dia de São Valentim? —Star perguntou, seu tom denunciava seu pânico completo. De repente, as pessoas de mãos dadas no meio do refeitório escolar foram mais evidenciadas e o pacote em formato de coração nas mãos da amiga parecia uma bomba prestes a explodir.

E Marco riu, como o garoto despreocupado e tranquilo que era, atraindo um olhar ameaçador da loira.

—Sobre o que achava que eram as faixas e os corações e os surtos das garotos e garotas? —O amigo perguntou, enquanto a outra dava de ombros.

—Sei lá, é coisa de adolescente? Eles sempre têm essas coisas—Ela disse e Marco deu o primeiro sorriso do dia, enquanto Star afundava os cabelos volumosos entre os dedos—Acho que estou muito ocupada nas provas e em impedir que a Janna morra para me situar.

—Oh, céus. Isso vai ser divertido—Marco sussurrou, enquanto Star tentava novamente manter tudo sobre controle. Se sentiu extremamente idiota por tentar se esconder em um refeitório aberto. Ou fingir que dormia. Ela nem fazia ideia do que estava tentando. Só estava nervosa.

—Hey, Star—Janna disse e Star quis morrer. Mal olhou para cima, apenas levantou as mãos em um aceno, enquanto a garota recém-chegada observava tudo. Marco estava atento aos detalhes, embora mostrasse a mesma feição entediada de sempre, fazendo com que Janna percebesse na hora que havia algo incomum—Ih, o que tá rolando?

—Ela tá cansada. E esqueceu o dia de São Valentim—Ele respondeu, enquanto a amiga o chutava por debaixo da mesa. Marco mal pareceu ligar, pois abriu um sorrisinho travesso.

—Eu não acredito. Meus chocolates! Você não os trouxe, apenas eu! —Ela gritou e jogou os chocolates por cima da mesa. Marco levantou uma sobrancelha pela procedência suspeita, enquanto Janna abria um sorriso—Mas, de qualquer forma, eu não os comeria.

—Dá um tempo para coitada, Janna—Marco pediu, enquanto afastava os chocolates da mesa—Eu já estou acostumado e realmente não ligo, mas é difícil para Star ter alguém tentando se matar o tempo todo.

Mais um chute. E um olhar curioso por parte da garota. Janna a olhou daquela forma que só ela sabia, sobrancelhas arqueadas e olhar brincalhão, mas de longe expressando preocupação e com uma pergunta silenciosa se tudo estava bem.

Star realmente teve que controlar muito bem as reações adversas que tomaram seu corpo naquele momento. A sorte é que ela já estava muito bem acostumada em esconder sentimentos constrangedores como as malditas borboletas e o rubor constante nas falas da amiga.

—Faz dezessete anos que eu sigo viva, nada vai acontecer—Ela disse e deu uma risada sincera. Star levantou os olhos em meio a manta, apenas para vê-la sorrir. Quase lembrou de porquê topar aquelas coisas—E é divertido. É só saber apreciar.

—Janna, você chama atear fogo "por engano" ao quintal da minha casa em meio a um ritual de DIVERTIDO? —Marco gritou, parecendo finalmente largar a caixa de suco. Star agradeceu aos deuses por aquilo. O barulho não estava facilitando seus pensamentos.

—Foi divertido. Para mim—Ela retrucou e Marco arregalou os olhos.

Estava na hora de tirar os dois de contato, por isso Star apenas suspirou e pegou a mochila do banco, um tanto contrariada. Levantou em um pulo, pegando a caixa de chocolates com uma mão e a amiga com a outra, mesmo que andar de mãos dadas não fosse mais algo tão comum agora.

—Marco, estamos indo. Nos vemos na aula de matemática—Star disse, enquanto o amigo lançava um olhar que a deixou corada e nervosa.

—Tchau, nerd—Janna disse, entrelaçando os dedos nos de Star e dando a língua em um sinal infantil para Marco —E ela não vai para a aula.

—Espera, o quê? —Star perguntou, mas já era um pouco tarde demais. A morena seguiu tagarelando sobre muitas coisas enquanto elas se dirigiam para a fenda por onde costumavam escapar.

Star quis retrucar, mas ela nunca conseguia quando Janna a tocava daquela forma. Ela era um anjo da guarda muito facilmente suscetível, tinha que admitir.

───────•••───────


—Sabe, existem alguns doces aproveitáveis aí. Os do canto esquerdo são deliciosos. Juro que ouvi o moço dizer brigadeiro—Janna disse enquanto as garotas observavam as paisagens da rua se movimentarem rapidamente pelas janelas do ônibus—Isso foi só uma pegadinha para o idiota do Marco, mas para você os doces são bons.


De algum jeito, os dois braços seguiram entrelaçados entre papéis de doces e mochilas jogadas. Soltar o braço de Star era uma das coisas que Janna nunca fazia enquanto estavam juntas. Isso era reconfortante e assustador ao mesmo tempo, já que andar de mãos dadas com uma garota em uma condução pública segurando uma caixa de chocolates no dia de São Valentim era um tanto arriscado. Star se sentiu nervosa ao atrair o olhar de uma garotinha no ônibus, mas quando ela sorriu, Star se sentiu estranhamente aliviada. Não era como se elas namorassem, mas uma parte dela pensava: E se namorassem?

Esperava que Janna não percebesse o seu receio ou seus pensamentos muito barulhentos. Tinha quase certeza que aquilo não tinha sido perceptível e ela não queria mais algo em que pensar ou se preocupar agora, mesmo que isso fosse seus sentimentos pela melhor amiga. Uma melhor amiga extremamente adorável que juntava os dedos delas com todo o amor do mundo e que tinha dado chocolate no dia dos amantes. Era por meio desses rompantes de calmaria em que a loira percebia que havia alguém pelo menos um tanto sensato e calmo dentro daquele caos ambulante que era Janna. Talvez ela até mesmo gostasse de Star, do seu jeito.

—É verdade que esqueceu do dia dos namorados hoje? —Ela perguntou com um sorrisinho travesso nos lábios, enquanto Star se encolhia um pouco. —Ou só não quis gastar dinheiro comigo, hein?

—Isso foi muito engraçado, Janna. Mas eu realmente esqueci, minha cabeça anda...—Star começou, mas notou aos poucos como

—Presa no Marco—ela disse e baixou os olhos. Star franziu as sobrancelhas enquanto a garota recuperava a fala e voltava a encará-la—Pelo vestibular, eu entendo. Espero que esteja tudo correndo bem.

—Está, eu só sinto falta de quem eu era antes—Star confessou, enquanto o aperto das mãos ficava mais forte—Sabe, a Star legal e meio doida com quem você fez amizade.

—Eu ainda consigo ver seu brilho fraco de adolescente rebelde as vezes—ela disse e roubou um bombom da caixa—Tipo quando você está com a boca toda suja de recheio.

—Ah não! O que, Janna?!—Star gritou e as meninas voltaram a sorrir uma para a outra na condução.

Em algum momento da viagem, Star adormeceu, ainda com as mãos juntas nas da amiga. Janna a encarou com um sorrisinho, mas seus olhos se fixaram nos olhos e na expressão cansada da garota. Ela estava preocupada e nervosa e assim que o ponto delas chegou a garota teve que cutucá-la levemente para que se levantassem. Desceram do ônibus vazio e adentrado no quintal da garota às 14h, enquanto Janna dizia em como tinha contrabandeado fogos de artifício vindos da China e em como o alcance deles era maior e em como eram brilhantes entre outras coisas completamente exclamadas por parte da morena.

Star apenas concordava as vezes e suspirava na maior parte delas, porque sua mente ainda estava na sua soneca. Quantas horas ela tinha dormido hoje mesmo? 2h? 4h? Ela não sabia dizer, mas certamente tinha sido muito mais que nos outros dias, onde sua atenção estava voltada a assuntos mais relevantes.

—Eu tive uma ideia muito boa. E envolve balões, pólvora e fogos de artifício—Janna disse e Star suspirou. Ela coçou os olhos e bocejou, completamente esgotada—É um pouco ilegal e vai ser...

Divertido, é o que você sempre diz. E sempre acabamos cheias de fuligem ou queimadas—Star disse e suspirou. Ela não disse com a intenção de soar grosseira ou má, ela só estava cansada e as palavras não eram muito peneiradas quando ela se sentia assim. Ela se sentia morta, de verdade.

As orbes escuras da amiga seguiam a expressão cansada de Star. E Janna sentiu o coração apertar um pouco. Estava esgotando a garota e se sentia horrível por aquilo. Mas ainda existia uma voz interior que praticamente gritava em seu ouvido que ela não a teria mais. Star já estava a milhas de distância e não havia nada que a segurasse mais com ela.

—Isso não é divertido para você? —Ela perguntou, sentindo em como a amiga afastava um pouco o braço do dela. Seus olhos caíram e toda sua pose divertida e brincalhona se fora.

Star notou.

—Eu... eu já me diverti muito, Janna, mas...—Star começou, tentando colocar suas palavras de uma maneira mais suave e tranquila, mas ela estava cansada. Queria apenas se jogar no sofá e descansar. Apenas isso.

—Então podemos soltar balões—ela disse e Star suspirou. Ela estava prestes a realmente perder a paciência.

—Eu não vou soltar balões com você. É ilegal, você não tem os equipamentos necessários e eu estou cansada—Star soltou, enquanto a garota parava de maltratar a caixa de fogos de artifício para encará-la nos olhos—Cansada de ter que manter os olhos em você a cada dois segundos como uma criança, porque eu realmente duvido que eu consiga manter meus olhos abertos durante um tempo maior que dois minutos!

Janna se manteve em silêncio durante tempo demais. Ela torceu as mãos até que sua eventual expressão divertida fosse trocada por uma mais séria e triste.

—Pois é, mas se você não manter os olhos em mim por fogos de artifícios idiotas, você nunca mais vai manter os olhos em mim—A outra quase gritou, atraindo um olhar confuso e arregalado da loira—Quando foi a última vez que nós fizemos algo juntas? Sem ser na companhia do Marco ou na escola? Você acha que eu não sinto sua falta, ou nossa amizade é irrelevante a esse ponto?! Que você é irrelevante para mim a esse ponto?

Janna...—Star tentou começar, mas a amiga não tinha terminado.

—Tudo agora é faculdade e notas boas. O Marco tem sido tudo para você e tudo gira em torno de vocês dois —Ela disse e fincou os fogos no chão com raiva. Ela lançaria aqueles fogos malditos nem que fossem a última coisa na sua vida—Só: Ei, eu existo aqui!

—É claro que você existe. Você é minha melhor amiga—Star disse e suas palavras serviram de estopim não apenas para incendiar os pensamentos e sentimentos de Janna, mas fizeram com que ela riscasse o fósforo para acender os rojões—Eu amo você. Não quero você distante.

—Mas não sou boa em organizar minha vida ou ajudar você nos estudos—Janna acendeu os primeiros rojões, enquanto o palito pegava fogo lentamente—Então eu faço a única coisa que eu sei fazer. Besteira.

Os últimos rojões acenderam, enquanto Star tentava digerir as palavras. Suspirou, se odiando por ter sido tão desatenta com os modos da amiga. Era óbvio, ela estava sendo deixada de lado. As partes dedicadas a diversão e amizade do cérebro da loira estavam sendo ocupados por livros e bolsas de estudo e a necessidade de se manter sendo uma boa aluna. E aí notar que Janna tinha um único objetivo, que era manter a amizade de ambas, seu coração errou algumas batidas. Ter esses gestos era tudo para ela. Star estava tão presa a gostar de Janna que nem ao menos percebia que era algo recíproco.

Deu alguns passos em direção a morena, quando as faíscas dos rojões ficaram um pouco descontroladas. Elas pareciam brilhantes demais e muito numerosas. Não era assim que deveria ser, certo?

—Janna, você colocou os rojões para o lado certo? —Star perguntou e assim que a morena notou o pavio do rojão mais próximo para cima, soube naquele momento que tudo tinha dado errado—Ah não.

—Star, só corre—Ela disse e puxou a amiga pelos braços, enquanto as faíscas ficavam mais altas. Star sentiu o coração bater forte contra o peito ao invadirem a porta traseira da casa, a fechando como podiam. Janna empurrou o corpo de Star contra o tapete da sala, enquanto o barulho ficava praticamente insuportável. Uma explosão de sons e cores tomou o quintal, enquanto as duas garotas seguiam jogadas ao chão, uma ao lado da outra.

Quando um barulho de algo se chocando com a porta de vidro varreu o ambiente, Star não aguentou e começou a rir.

Quais eram as chances de uma adolescente de dezessete anos estar jogada no chão da sala, fugindo de rojões assassinos? Os barulhos ainda eram altos no céu, enquanto a loira praticamente rolava no chão de tanto rir.

Janna levantou o corpo e se sentiu extremamente constrangida. Apenas se sentou no tapete, escondendo o rosto entre mãos, apoiando o corpo nas coxas. Não acreditava no que tinha feito.

—Se me permite dizer, você faz besteira com perfeição—Star provocou, batendo de leve no corpo da outra. Janna suspirou profundamente, se sentindo mais patética que nunca. —Ei, está tudo bem?

—Tudo ótimo, melhor impossível—ela disse, ainda com ironia—Não me importaria se um rojão tivesse me levado junto.

—Não brinca com isso—Star disse, sua voz séria—Como ficaria meu papel de anjo da guarda?

A morena levantou o rosto, observando a cara besta da sua amiga. Star tinha o peito estufado ao se declarar anjo da guarda de alguém, o que atraiu um olhar confuso de Janna.

—Anjo de quê?

—Da guarda. Você sabe, eu vivo salvando você das encrencas em que você nos mete—Ela brincou e permitiu que as orbes azuis se encontrassem com as castanhas por um bom tempo, mesmo que seu estômago revirasse um pouco—Olha, Janna, eu sinto muito.

—Não precisa falar sobre isso. É constrangedor—ela pediu, abraçando ainda mais o corpo—Eu agi feito uma criança. E eu odeio crianças.

Star sorriu. Se aproximou um pouco da garota e deitou sua cabeça próxima aos ombros dela. A morena ficou alguns instantes sem reação, antes de se render à proximidade e suspirar.

—Está tudo bem. A culpa foi parcialmente minha. Não deveria ter me esquecido de me divertir e de... sabe, te dar atenção—ela disse, enquanto tateava a amiga em busca dos fios curtos, escondidos por de baixo do gorro—Mas a outra parte foi culpa sua.

—Em minha defesa, era uma surpresa para você. Eu tive que contrabandear aqueles fogos pelo cartão do Marco. Eles eram cor de rosa—Ela disse, baixando a cabeça para esconder o constrangimento.

Mas Star se levantou. Soltou os dedos do emaranhado castanho escuro e a encarou bem nos olhos.

—Eram cor de rosa? —Star gritou e Janna riu da expressão infantil nos olhos dela. Ela parecia tão criança quanto ela naquele momento e era adorável. Seu rosto estava um tanto marcado pelo tapete e a franja estava fora do lugar. As mãos da morena coçaram para colocá-la no lugar, mas ela se segurou.

—Odeia minhas loucuras agora? —Brincou, tentando tirar o foco das mechas bagunçadas.

—Odeio. Nós quase morremos—Star disse e encarou um ponto sob a cabeça dela. Seus dedos pálidos alcançaram o gorro fumegante e o jogaram para longe, arrancando risadas de Janna. Star pareceu ter a mesma ideia que a garota anteriormente, pois seus dedos novamente se emaranharam junto aos fios dela. Ela nem ao menos se importou, pois, seus olhos estavam fixos das orbes azuis.

Droga, ela gostava daquela garota. E sabia que colocaria fogo em algo novamente se fosse por ela e para ela.

—Vamos só combinar de sermos menos intensas, tá legal? Uma chamada de atenção já está boa para mim. Nada de faíscas voando ou casas pegando fogo, ok? —Star pediu e notou em como a boca da garota a sua frente se abria em uma resposta, que veio baixa e de forma extremamente tímida.

Aquilo ficaria apenas para as duas. Janna parecia muito constrangida.

—Tudo bem—Ela disse, enquanto a loira se jogava sob ela. Sua cabeça tombou ao colo dela, enquanto suas mãos se direcionavam aos olhos, coçando-os como uma criança.

—Eu só estou tão cansada. Queria um dia de São Valentim normal, como declarações e recadinhos—Star confessou, enquanto dava um longo bocejo. Janna aproveitou o momento em que ela parecia distraída, para traçar as linhas do rosto dela com as pontas dos dedos.

Star não se opôs.

—Já te dei os chocolates, o que mais você deseja, princesa? —Janna perguntou, brincalhona, enquanto a garota seguia de olhos fechados, mas com um sorriso preguiçoso nos lábios.

—Uma declaração de amor? — Ela brincou e deu uma piscadela. Janna travou a encarando nos olhos, enquanto a loira bocejava novamente—E uma soneca, eu não me aguento em pé.

—Você pode deitar no meu colo. Quer dizer, comigo. Quer dizer, um ato de namorados e hoje é dia de São Valentim e... —Janna tentou, mas as palavras simplesmente se embolavam.

Star riu. Apenas subiu ao sofá, e se aconchegou ao corpo da amiga, deitando a cabeça sob as almofadas, dispostas sobre as suas coxas. Janna sentou de forma que o corpo dela se aconchegasse melhor e sorriu. Star estava de olhos fechados quando a morena depositou um beijo sob a sua testa, o que fez com que ela mostrasse um sorriso e abrisse os olhos de oceano para ela.

Rapidamente, a loira revidou e se levantou para beijá-la também. Mas dessa vez, um beijo rápido e quente nos lábios. Janna se assustou ao vê-la ali e os lábios dela não foram a única coisa quente. As mãos macias de Star em contato com sua pele e bochechas pareciam entrar em ebulição, enquanto a loira se afastava e sorria como uma boba.

Janna paralisou, apenas observando em como a outra voltava a deitar no seu colo como se aquilo tivesse sido a coisa mais casual que pudesse acontecer entre duas amigas. O problema é que o coração de Janna praticamente havia entrado em uma melodia do quanto gostava dela.

Será que não era perceptível?

—Só para entender que não precisa explodir seu quintal para chamar minha atenção—Star sussurrou, enquanto abraçava as almofadas e as pernas da morena, que seguia em choque.

—Ok...—Janna disse e ouviu a risadinha de Star antes que suas feições relaxassem e ela adormecesse. Janna apenas aproveitou para apenas conciliar tudo e em como tinha sido beijada sua melhor amiga. E feito um papel completamente idiota em frente a ela, obviamente. Mas no fim tinha valido a pena, porque ela tinha descoberto que não era assim tão dispensável.

Nem ao menos percebeu quando se aconchegou demais a amiga e adormeceu, apenas voltou a si quando barulho de chaves e uma exclamação completamente assustada tomou a sala.

—Janna, o que aconteceu no nosso quintal?!—Sua mãe berrou ao chegar do trabalho mais tarde naquele dia, mas nada poderia tirar a sua serenidade.

—Digamos que meu anjo da guarda estava muito cansado nesse São Valentim, mãe. —Brincou, mas a mulher parecia brava.

—Fico surpresa dele não ter te abandonado. E está de castigo, Janna Ordonia. —Ela disse e ignorou o fato das duas garotas estarem abraçadas no sofá.

Seria muito ruim se ela dissesse que não ligava? O amparo da garota que ela gostava era tudo que ela necessitava agora. Cercas e grama poderiam ser reconstruídos, mas aquele momento no dia de São Valentim? Dificilmente.

Apenas afundou o rosto nos cabelos espessos da amiga e sorriu.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...