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História A Guerra das Três Coroas. - Capítulo 7


Escrita por: RompanteSecreto

Notas do Autor


Boa leitura, meus amores!

Capítulo 7 - O Cervo da Gaiola Dourada.


Assim que a projeção acabou, Hermione acenou para o selecionados na Sala do Rei, indicando para segui-la. Edward e Aurora caminhavam um ao lado do outro, nervosos.  E esse sentimento logo foi legitimado com Zacarias Smith passando por eles, esbarrando propositalmente em Aurora e a fazendo tropeçar. Ela se segurou em Edward e viu Zacarias sorrir de lado e sair da sala de nariz em pé.

Inicialmente, esperaram que esse tipo de atitude se reservaria naquele rapaz em especifico, que não havia tido grande participação no episódio que assistiram, mas não demorou muito mais para se espalhar pelos outros candidatos. Quando a garota de olhos azuis teve que se sentar longe de seu amigo, ela sentiu os olhares dos outros serem dirigidos a ela como flechas ameaçadoras e hostis, além de ouvir comentários dizendo que ela havia sido gentil com as pessoas no aeroporto de forma proposital, como se ela realmente quisesse o favoritismo. Aurora engoliu seco, se servindo de alguma coisa que não sabia o que era e enfiando na boca, tentando se alimentar e ignorar tudo a sua volta.

E a noite seguiu daquela forma, Teddy até conseguiu em algum momento puxar conversa com as pessoas que estavam mais próximas dele, mas claramente seus ombros estavam tensos. Enquanto isso, Aurora, tentava se focar em engolir a comida deliciosa exposta sob o seu prato de prata, olhando brevemente para cima para observar Neville, que ria e conversava tranquilamente com os outros. Então, ela se perguntou, por quê? Por que Edward e ela estavam recebendo olhares ameaçadores ao mesmo tempo que Neville continuava conseguindo interagir com os outros?

Logo, ela foi respondida pelo próprio:

-Eles não gostam de mim. -Neville sussurrou, quando conseguiu um intervalo entre as conversas, enquanto cortava um pedaço de seu bife e colocava na boca com toda elegância do mundo. O garoto provavelmente notara a postura para baixo e assustada de Aurora, além de seus olhares que pediam socorro e respostas.
-Hum? -Perguntou Aurora surpresa.
-Eles, os outros candidatos, não gostam de mim. Mas sabem que cresci aqui, recebendo atenção e a amizade do príncipe. Seria idiota me tratarem mal, apesar de ser um candidato ameaçador tanto quanto vocês. A diferença é essa, vocês não são nada além disso, uma ameaça, então, vale a pena tratá-los mal para que desistam de competir. -Explicou o garoto de cabelos loiros escuros.
-Eu duvido que o príncipe nos veja com qualquer interesse, sinceramente. Não deveriam se sentir assim. -Aurora disse garfando o bife. Neville riu fraco.
-Não se desmereça, Black, muito menos seja inocente. - Neville disse deslizando a ponta de seus dedos pela taça na mesa. -Você foi selecionada e não faz parte de nenhuma família nobre, pelo que sabemos, ou seja, o príncipe tem algum interesse maior por você do que por nós.
-Como assim?-Aurora se encostou na cadeira. Seu coração estava batendo rápido.
-Muitos de nós que estamos aqui por sermos herdeiros de membros Assembleia ou por termos grandes influência no mercado ou fora de Agartha, ou seja,  damos vantagens ao príncipe se ele casar conosco. Mas alguém de fora? Sem nome ou influência? -Neville pegou a taça na mesa e bebeu o vinho, branco, de uma vez só. -Ele está interessado sem ver o resto além dos perfis e rosto de vocês. Interessado de verdade, pelo que conheço do Harry.  -Aurora arregalou os olhos, assustada. -Digo a mesma coisa em relação aos outros que vieram de fora de Agartha, eles oferecem influência externa, então não foram escolhidos somente porque são bonitos ou escreveram um bom perfil.
-Mas antes eles não me olhavam desse jeito. -Aurora disse baixo.
-Porque suas desvantagens continuavam acima das vantagens de ser uma cidadã comum. Agora, para eles, você mostra a mesma imagem que James mostrou: gentileza, educação, beleza e caridade. Isso, provavelmente o príncipe vai valorizar mais do que poder. Pelo menos, é o que eu acho ao observar as seleções anteriores e pelo que eu conheço dele. -Neville sorriu. -O Harry é...Sonhador e acima de tudo, sonhador. Por isso, eu entrei na Seleção...Eu não gostaria que ele escolhesse, como Petúnia escolheu, alguém que não o quer de verdade.
-Como assim? -Perguntou Aurora.

Michael Corner, ao lado deles, se levantou para pegar a sobremesa e Neville riu, forçado, fingindo estar conversando sobre qualquer outra coisa. Quando finalmente o outro rapaz voltou a se sentar, Neville se aproximou de Aurora e sussurrou:
-Meus pais acham que Petúnia foi enganada.-Neville disse.
-Enganada? -Questionou a garota.
-Ela era a herdeira do trono e de repente, após a seleção mais rápida da história do nosso reino, ela renunciou para se mudar para a casa de seu marido em outro continente. -Disse Neville.
-Mas o que o marido dela ganharia com ela renunciando? -Aurora questionou confusa.
-Ah, isso, minha querida, talvez só o futuro rei ou rainha saberá. -Neville disse e se levantou para pegar a sobremesa.

E Aurora ficou. Ela amava doces, assim como Teddy e seus irmãos, mas ela estava paralisada diante as informações que o outro selecionado havia lhe passado. A gentileza antes que era marcante dentre os participantes, havia sido substituída por essa hostilidade que ela não realmente sabia se merecia. Ainda mais porquê ela não sabia se merecia estar ali como selecionada.
Ela era uma "Vernon Dursley"? Estava ali por puro interesse - sua família precisava do dinheiro que a Seleção dava aos participantes. Só que se o príncipe havia gostado deles...Talvez Molly tivesse razão e Aurora estivesse sendo egoísta.

Com o coração apertado, olhou para Edward, que já estava a observando, preocupado. Ela notou os lábios dele se movimento em uma pergunta muda: "Está tudo bem?" Aurora não sabia o que responder. Estava? Porque ainda acreditava no que ela havia dito a ele, era fácil para Molly dizer aquilo a eles tendo comida na mesa e vendo seus filhos saudáveis. A mãe de Teddy estava desnutrida, enquanto Sirius e Remus estavam passando também por dificuldades para conseguir pagar as contas, refeições e outras coisas. Aquilo não era viver.

Olhou para a sobremesa, torta de morango, a favorita de seu irmão Apollo. Quantos ali podiam ter quando quisessem um pedaço dela? Quantos poderiam acordar e dormir até tarde? Quantos ali nunca haviam trabalhado na vida? 

Ela estava certa? Ou estava muito cega com o que acreditava e com seus próprios problemas?

Então, com o coração ainda apertado, com medo de estar enganando a si mesma, sorriu. 
"Está, não se preocupe", respondeu silenciosamente

-Todos já terminaram? -Hermione questionou e logo, os candidatos assentiram. -Ótimo. Sigam para seus aposentos, precisam descansar. Afinal, amanhã conhecerão o príncipe do qual, um vocês estará casado no fim desse processo.

Ansiosos, se levantaram. O som dos saltos e sapatos dos candidatos ecoaram pelo carpete dos corredores. Imediatamente, Edward foi até a sua amiga.

-Você ficou tão quieta...Está pálida. -O dos cabelos azuis disse preocupado.
-Estou bem, Teddy. -Ela pegou a mão dele, fazendo carinho. -Só comecei a pensar demais...E os olhares me assustaram.
-Eu também não gostei. Mas alguns deles, como a Willow, Martha, Este e Camilla, que estavam sentadas perto de mim, são bem legais. Elas disseram para ignorar os outros. -Teddy suspirou e a abraçou. -Você vai ficar bem mesmo em outro quarto?
-Não é tão longe assim. -Aurora sorriu, sentindo-se melhor ao abraçá-lo. 

Quando desfizeram o abraço, seguiram os outros candidatos para o corredor dos quartos deles:
-Consegue acreditar que vamos conhecer o príncipe? -Perguntou Teddy. Ele deu um leve saltinho, ele havia sido conquistado pela ansiedade dos outros. Aurora riu e negou.

Mas ela sentiu algo estranho, que fez com que ajeitasse a postura. 
-O que foi? -Teddy questionou, parando de andar. Aurora olhou para trás.
-Senti como se alguém estivesse nos observando...Nos seguindo...-Ela disse.
-Estamos em um castelo com trinta e três outros jovens, milhares de funcionários e guardas, mais a família. Estamos sendo observados. -Teddy deu de ombros.
Aurora não achava que era isso, mas assentiu, virando-se novamente para o caminho do corredor.
-Sobre o príncipe...Estou pensando mais sobre o fato de ser filho do famoso Prongs. Nossos pais devem estar bem nervosos com isso. -Disse ela e Teddy assentiu.
-Acha que o Rei James vai...Nos reconhecer? -Perguntou Teddy nervoso.
-Talvez pelo sobrenome. -Aurora deu de ombros.  -Não acho que ele vá falar alguma coisa.
-Poderia. -Teddy disse.
-Sinceramente? Muita coisa poderia ter acontecido e não aconteceu, Teddy. É difícil esquecer alguns acontecimentos. Não tenho vontade nem de estar na presença dele. -Aurora disse fria, tirando os saltos e os segurando com uma mão, enquanto andava descalças. -Eu fico com raiva só de lembrar dos homens da Ordem do Lírio levando o meu pai embora.
-É...Eu lembro disso também...E deles nos tirando da casa e nos levando pro orfanato. -Teddy abaixou a cabeça. -Mas talvez ele só não soubesse onde estavam o meu pai e o seu?
-Ele é o rei. Por que ele não saberia? -Aurora questionou ao parar na porta do quarto. Ela suspirou. -Existem muitos fatos desconhecidos sobre ele, quem ele é e como a realeza funciona. É possível que ele somente tenha nos desencontrado, mas também é possível que ele tenha esquecido deles. Eu...Não sei.
-Vamos tentar positivo e aproveitar tudo isso. -Teddy sorriu fraco e beijou a bochecha dela. -Somos algum tipo de favoritos?
-Pelo jeito...-Aurora disse.
-Então, possamos comer mais do que o planejado. -Isso fez ela rir. -Estarei ali do lado...Tente dormir, Luz.
-Você também, Colorido. -Aurora pegou na maçaneta e assistiu ele se afastando. Ela olhou mais uma vez para o corredor iluminado pelas pequenas luzes na parede, procurando alguém. Ainda sentia que estava sendo seguida...Observada. Negou com a cabeça. Estava sendo boba, Teddy tinha razão. Além disso, estava cansada e incomodada com tudo que estava em sua cabeça, não estava bem para fazer julgamentos raciocinais.

Então, abriu a porta do quarto, encontrou as damas de companhia. Gina estava com um enorme sorriso no rosto, ansiosa. Kate parecia orgulhosa, enquanto Luna sorria de forma tranquila e boba.

-Favorita! Você é favorita! -Gina disse animada. Aurora tentou sorrir. -Oh, você parece cansada.
Aurora assentiu. 
-Vamos te arrumar para que descanse. -Kate se aproximou dela e ajudou a tirar o vestido. Logo, as três garotas começaram a conversar, tentando puxar conversa.

Contudo, Aurora não estava com a cabeça no lugar. Ela se sentia afogando naquele sentimento de não pertencimento, sufocando lentamente sem saber o que fazer ou dizer para que a ajudassem. Queria ter dito ao Teddy, mas não queria passar essa sensação para ele. Seu amigo realmente poderia ser uma excelente escolha. Ele era bom, um rapaz educado, atencioso e bonito. Enquanto Aurora se via como áspera e estranha.

Como poderia viver ali? Questionou ao sentir as mãos gentis de Luna lavando seus cabelos. Era errada, tão errada quanto Vernon. Interesseira, estranha e inadequada. Não deveria estar ali. Não queria enganar o príncipe. 

Então, saiu da banheira e foi vestida com uma camisola verde clara, delicada. Ela olhou para a loira, encontrando seus olhos azuis claros e distantes. A Lovegood cuidou para secá-la com cuidado, enquanto Gina e Kate questionavam perguntas e mais perguntas sobre como tudo havia sido, mas Aurora respondia tudo por cima, sentindo a garganta fechando com incômodo.

-Quer ficar sozinha? -Luna questionou, de forma educada e baixa. Aurora confirmou com a cabeça, sentindo os olhos enchendo.
-Não quer que a ajudemos? Terminamos de arrumar as suas roupas, mas podemos te ajudar a dormir, talvez trazendo uma bebida quente para você. -Kate disse ainda animada.
-Está tudo bem, Rora? -Gina chamou e Aurora forçou-se a sorrir, assentindo.
-Só estou muito cansada. Fiquei rodeada de pessoas o dia inteiro...Acho que só quero por a cabeça no travesseiro. -Disse de forma doce. Luna pegou a mão de Gina e o braço de Kate.
-Estaremos em um quarto próximo daqui. Basta tocar a campainha e nós estaremos aqui. -Luna informou.

Assim que saíram, Aurora deixou as lágrimas caírem pelo rosto. Ela não sabia o que fazer. Olhou em volta e respirou aliviada ao encontrar porta retratos com as fotos que ela enviou depois de ser selecionada. Agarrou a foto de seu pai e abraçou com força. Como queria ele ali para dizer que estava tudo bem. Queria sentir as suas mãos ásperas de tanto trabalhar traçando seus cabelos e seus lábios beijando-a na testa. Provavelmente Sirius Black diria que ela estava sendo boba e que estava tudo bem, afinal, quem disse que ali não encontraria amor? Bom, Aurora não achava isso possível. E pensar em seu pai começou a lhe trazer dor, então, deixou o retrato na mesa. Seguiu andando pelo quarto, encontrando uma estante enorme cheia de livros e ao lado, uma janela fechada que dava visão para um belo jardim. Pequenos vagalumes vagavam por ali, flutuando sobre as flores que ainda não haviam brotado e a grama úmida pelo clima. Também tinham bancos de madeira distribuídos pelos chão de pedra, bem perto da enorme varanda que ia em direção ao mar, que ela conseguia ouvir batendo contra o monte que o castelo ficava.

Olhou para trás, vendo aquela gigantesca cama...Tão fria. Como poderia parecer tão fria e solitária tendo tantos cobertores confortáveis e travesseiros? Talvez fosse a falta que sentia de seu irmão, Apollo, que às vezes ficava lendo enquanto esperava que ela fosse dormir. Ou fosse falta de Peggy, que fugia para o colchão de Aurora quando tinha um pesadelo e não queria acordar nem Teddy nem os pais. 

Sentia falta também de Teddy, que estava tão perto, mas tanto distante dela. Quartos distantes, cadeiras distantes, selecionados diferentes. Ali eles não eram os melhores amigos que cresceram juntos, pelo menos não para quem os observava com expectativa, como competidores.

Não. Ela não queria ser uma competidora, ou o que fosse. Queria continuar sendo quem ela era. O medo estava perto da pele, brotando pelos olhos e a sufocando aos poucos. Não queria que tivessem raiva dela, não havia feito nada para ninguém ali. Então, pensou sobre a sensação de estar sendo seguida no corredor. 

As mãos dela estava tremendo. Respirar havia começado a ficar difícil, ainda mais com a sensação de aprisionamento que sentia, tanto em seu peito quanto do lado de fora. Olhou para a janela, trancada. E entrou em pânico, não estava conseguindo respirar ali dentro. Precisava sair.

Sem mais saber o que fazer, correu para a porta do quarto e saiu dali o mais rápido possível. Sua mente apontava para onde deveria ir, embora ela mesma não soubesse. Admiravelmente, não demorou a alcançar o andar de baixo e as porta de vidro que levava para os jardins. Nelas haviam diversos guardas, dos quais se aproximou para pedir ajuda.

-Aurora? -O guarda questionou e ela o reconheceu. Fred, era seu primo.
-Me deixe sair. -Pediu em pânico.
-Aurora, eu não posso. -Ele soltou o seu bastão e se aproximou dela. -O que aconteceu? Alguém te fez algo?
-Respirar...Eu não consigo respirar. -Aurora disse tentando puxar o ar e começando a segurar-se em Fred, então, suas pernas falharam. O ruivo a segurou, assustado. -Por favor. -Ela sentia-se tonta.

-Deixe-a sair. -Ela ouviu uma voz. Autoritária, jovial e forte. Aurora virou o rosto e se surpreendeu, era o príncipe.
-Tem certeza, senhor? -Fred questionou. Claramente mais preocupado com Aurora do que com ele. Os selecionados não podiam sair do palácio sem autorização dos responsáveis do processo e ele temia que a sua prima se machucasse por aquilo.
-Abram as portas. -Harry disse em direção aos outros guardas, que correram para obedecer. 

As portas abriram de forma leve assim que o tilintar das chaves passaram pela tranca. Assim que o ar fresco alcançou seu rosto, Aurora soltou os braços de Fred e correu para os jardins. Descalça, tocou a grama aos tropeços e respirou fundo com os braços abertos, aliviada. Pouco se importava em parecer graciosa ou bonita. Ela só sentou sob a grama, deixando a saia comprida da camisola caída a sua volta. 

-Você está bem, minha querida? -Questionou o príncipe. Aurora o olhou, ainda com as lágrimas caindo pelo seu rosto.
-Não sou sua querida. -Aurora o olhou com raiva.

Harry arregalou seus olhos verdes em surpresa. Não demorou a começar a andar de forma elegante até ela. Diferente de Aurora, que estava praticamente seminua, ele usava roupas formais. Seus cabelos eram a única coisa desalinhada, mas isso parecia também ter seu charme. Aurora riria, ele parecia ter saído de um conto de fadas.

-Desculpe-me...Você está bem? -Ele questionou e Aurora abaixou os ombros, se arrependendo de ter sido tão grossa com o rapaz.
-Agora me sinto melhor. Só não estou acostumada a estar em gaiolas. -Respondeu.
-Gaiola? Está se referindo ao palácio? -Perguntou Harry, confuso.
-Sim. Uma gaiola com trinta e cinco pessoas das quais você vê nenhuma diferença. Nenhuma querida. -Disse Aurora. Harry riu, sem parecer ofendido, pelo contrário, parecia interessado e curioso.
-Talvez tenha razão. Não as conheço, mas um de vocês há de ser um dia o meu querido. -Disse Harry.
-Você realmente disse "há de ser"? -Perguntou Aurora, rindo fraco e Harry riu envergonhado.
-Eu tive mais aulas de etiqueta nessa semana do que tive na minha vida, acredite. Hermione disse que eu tinha que parecer realmente um príncipe para vocês. -E ele se sentou, na grama, ao lado dela.
-A coroa não basta? -Aurora secou as lágrimas.
-Oh não...Tem todo um estilo. Nem sorrir pode ser perfeito demais, ou natural demais...Tem que ser...Real. -Ele jogou com as palavras. -Mas, por que estava chorando?
-O concurso. -Aurora revirou os olhos. -E a gaiola.
-Explique. -Pediu ele.
-É...Tão estranho! Trinta e cinco pessoas escolhidas em um padrão aleatório ficam em um tempo indeterminado em um palácio até que você se apaixone por uma delas. Isso...É estranho. E parece impossível. -Disse Aurora.
-Mas você está aqui. -Disse Harry sorrindo para ela.
-Oh sim, eu estou. Sou tão louca quanto todos aqui. -Aurora disse, fazendo Harry rir. A risada dele era bonita. 
-Qual é o seu nome? Ainda não memorizei todos os rostos. -Perguntou ele.
-Aurora. -Respondeu ela.
-Bem, Aurora, nem todos tem a chance de escolher a forma que vão se apaixonar. Ainda mais um príncipe. Não é tão fácil para nós sairmos pelo mundo e esperarmos que nos apaixonemos pela pessoa certa para o reino. Veja, para o reino, não para mim. Para o Reino eu preciso encontrar alguém que esteja disposto a entender tudo que nós temos, estar ao meu lado e ainda seja um bom governante. Vai muito além do amor.

Não havia sarcasmo, nem brincadeira na voz de Harry, fazendo com que Aurora entendesse. Aquela era a única chance que Harry Evans tinha de ser feliz e proteger o seu reino. Ele não poderia pedir uma segunda chance ou renunciar. O Reino de Agartha contava com ele e, talvez, para proteger o reino, ele teria que sacrificar a sua felicidade no processo.

Aquilo era triste.

-Realmente vê esse lugar como uma jaula? -Questionou o príncipe.
-Sim...Vossa majestade. -Disse Aurora e ele riu.
-Harry, só Harry basta. -Harry olhou para trás. -Quando eu era menor via do mesmo jeito, às vezes ainda vejo...Mas, admita, é uma gaiola bonita.
-Gaiolas douradas ainda são gaiolas. -Aurora deu de ombros. -Mas deverá ser divertido para você ter trinta e cinco pessoas brigando por você lá dentro, não é?
Harry levantou uma sobrancelha.
-Já? Minha mãe disse que isso acontecia, mas eu não sabia que seria tão rápido. E eu nem estava presente, não sabem que sou eu que tomo a decisão final? -Perguntou ele.
-Oh, mas a questão não é você. É a coroa. -Aurora disse e Harry revirou os olhos, mas assentiu a cabeça. -Você viu o programa de hoje?
-Eu e a minha mãe vimos. Você foi muito bem, achei fofo o que você fez lá no aeroporto. -Harry disse e Aurora sentiu as bochechas esquentarem, agradecendo pela noite esconder a sua timidez. -Bom, isso quer dizer que tem muitos que desejam só a coroa, não o...Ser? -Harry disse, olhando para a grama. Ele pareceu incomodado com aquilo.

-Isso você terá que descobrir. Eu só falei com alguns deles. -Aurora disse.
-Mas te incomodaram? -Perguntou Harry.
-Eles só parecem estar com...Ciúmes ou inveja. Eles querem muito vencer, seja você ou a coroa. Então, se eu pareço uma ameaça, irão me tratar como se fosse. -Aurora deu de ombros, tentando deixar aquilo para lá.
-E você? Pelo que vai lutar, pela coroa ou pelo homem? -Harry perguntou.
-Ahn...-Aurora enrolou uma mecha de seu cabelo no dedo. -Então, você pode...Levar isso na boa?
-Na boa? -Perguntou ele.
-Eu não quero que você...Ache que esteja sendo interesseira ou egoísta. -Aurora abaixou a cabeça. -Eu só estou aqui pelo dinheiro da seleção. Minha família precisava, por isso, me inscrevi sem esperança alguma que você me selecionasse.
-Eu não vejo isso como ser interesseira, nem egoísta. -Harry disse e ela levantou o rosto. -Você sacrificou a sua vida lá fora para ajudar a sua família entrando em um processo que você não sabia o que ia acontecer. Eu...Eu acho isso muito bonito, Aurora.

Aurora sentiu um peso sendo retirado de seus ombros.

 -Mas...Agora, eu estou aqui. -Ela disse.
-Você está aqui. -Harry disse. -Se interessa em virar rainha?
-Olha, meu plano inicial era só aproveitar a comida até você me chutasse. -Aurora disse sincera e Harry arregalou os olhos antes de gargalhar. -No entanto...-Aurora fez uma pausa. -Se quiser, podemos nos conhecer.
-Você quer me conhecer? -Perguntou Harry, leve e feliz.
-Sim. Mas não quero que seja no padrão "seleção", eu quero saber quem é você, mesmo se for só para ser só a sua amiga. -Disse Aurora.

Harry sorriu.

-Eu adoraria ser seu amigo. -Ele disse sincero, então, Aurora retribuiu o sorriso. -Só não conte aos outros sobre o nosso encontro aqui...Nós só deveríamos nos conhecer amanhã.
-Será nosso segredo. -Aurora disse.
-Que emoção,  nosso primeiro segredo de amigos. -Harry disse e Aurora riu. 

Harry não era forçado como pensava, ele era...Besta. Tentava fazer graça e estar no mesmo nível que ela. Ele estava sentado na grama ao lado dela, pelo amor.

Então, antes que ela respondesse, sentiu um arrepio passando pelo seu corpo e ela olhou para trás.

-O que foi? -Perguntou Harry.
-Sinto que alguém está nos observando. -Disse ela, nervosa.
Harry olhou para trás e ajeitou seus óculos, procurando ver o que a incomodava. De repente, ele sorriu e fez um barulho com a boca, como se estivesse chamando um animal. Surpreendentemente, no meio da escuridão Aurora vira duas bolinhas brilhantes os observando, então, um gato laranja e bem peludo veio correndo sob a grama até eles. Harry levantou a mão e o gato passou a cabeça em baixo, fazendo carinho.

-Um gato?!-Aurora perguntou surpresa ao sentir que não estava mais sendo observada.
-Esse é o Bichento. É o gato do meu pai. -Harry pegou o gato no colo e continuou a fazer carinho.- Ele vive seguindo os funcionários, inclusive, o Ronald, meu amigo, vive reclamando disso.
Aurora sorriu.
-Ronald é o meu primo. -Disse e Harry a olhou surpreso.
-Jura?!-Harry sorriu animado. -Por que esse idiota não me disse?
Aurora riu e fez carinho nos pelos do gato.

-Vossa alteza? -Fred se aproximara deles. -Desculpe os atrapalhar, mas vamos trocar a guarda e acho melhor vocês entrarem. Está muito tarde.

Harry olhara para Aurora.
-Eu estou me sentindo melhor. -Ela disse. E ele assentiu para Fred, que logo se foi. 
-Quer companhia para voltar para os seus aposentos? -Questionou Harry, deixando Bichento pular para a grama.
-Melhor não. Alguém pode nos ver. -Disse Aurora se levantando.
-Tem razão. -Harry disse e Aurora ofereceu a mão. Harry pegou e se levantou. -Te vejo amanhã?
-Para onde eu iria? -Perguntou ela.
Harry riu, assentindo com a cabeça.
-Boa noite, Rora. -Ele disse.
-Boa noite...Haz. -Aurora sorriu e se virou, observando Bichento andando ao lado.

Sem virar para trás, ela não percebeu Harry sorrindo bobo enquanto olhava para o céu.


Notas Finais


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