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História A Guerra dos Signos - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oi pessoal,

Mais um capítulo pra vocês! Eu nunca canso de olhar para o Kalel, que homem senhoras e senhores (é ele na imagem).

Boa leitura ;)

Capítulo 4 - Perseguição


Fanfic / Fanfiction A Guerra dos Signos - Capítulo 4 - Perseguição

CAPÍTULO 3

Estava necessitada de ar puro. Atravesso a floresta pelo caminho que já conhecia e sinto o vento tocar minha pele, aliviando o calor que sentia. O colorido da mata preenche minha visão e aumenta meus sentidos. Meu vestido arrasta pelo chão e leva as folhas secas por onde vou. Avisto minha árvore favorita e corro até ela. Lana já estava apoiada em seu tronco e remendava minha camiseta de treinamento. 

— Onde você estava? — Pergunta assim que me vê. Mostro a tigela que contém o delicioso bolo e Lana arregala seus olhos azuis. 

— Estava fazendo uma negociação importante com madame Maeve. — Me sento ao seu lado. Não posso contar para Lana sobre tudo que acontece no castelo, alguns fatores necessitam serem deixados em segredo. 

Apoio meus livros em minhas pernas e começo meus cálculos. Lana não interrompe meus pensamentos. Destino os grãos que contém maior fator energético para a parte do reino com maior população, assim, serão necessários uma quantidade menor de alimento para suprir a capacidade desejada. A parte Leste, menos habitada, recebe os alimentos com baixa quantidade calórica, por outro lado são a que possuímos com mais abundância, recebendo mais alimentos que as outras partes. 

A medida que os cálculos iam se encaixando, percebo que o sol já estava quase se pondo, e a dificuldade de ler as minhas palavras escritas me convence de que está na hora de parar. Ao levantar a cabeça dos papeis percebo que estou sozinha, Lana havia se retirado e eu nem havia notado, tamanha minha concentração. Estou quase finalizando e decido esperar mais alguns minutos antes de voltar. Forço meus olhos no papel a medida que termino de calcular a última taxa de importação de alimentos. 

Está feito, aposto que arrancarei um sorriso de meu pai pelo trabalho bem feito. Pego meu estojo de canetas e começo a guardar meus materiais. À noite a floresta deveria ser considerada assustadora, mas já estou acostumada. Sempre passei muito tempo debaixo da figueira, e meu pai estava ocupado demais para se preocupar com a segurança da sua própria filha. Ainda bem que sempre tive Kalel ao meu lado para me proteger, mas agora tenho dezoito anos, e, arrisco dizer, muito mais conhecimento militar do que meu próprio professor. 

Guardo os documentos dentro de uma pasta e me levanto para limpar meu vestido da sujeira da figueira. Percebo que não estou mais sozinha quando ouço um estalo no chão: alguém pisa em um graveto. A escuridão da noite impede que minha visão funcione, a única luz próxima é a que vem das janelas do castelo, distante, porém não ausente. Paro de limpar o vestido. Por muito tempo, o único som que escuto é o de minha respiração. “Talvez seja apenas meu cérebro cansado pregando peças comigo mesma. ” Penso. 

A lembrança das palavras de Hans invade meus pensamentos — um espião. Meu sangue congela, e fico paralisada. Não darei ao invasor o luxo de capturar a princesa de Leão.  Atenta, começo a andar pela floresta, por sorte, conheço o caminho tão bem que evito de me perder. A medida que os sons dos meus passos ressoam pelas árvores, ouço também os que não me pertencem. Sei disso muito bem, pois fez parte do meu treinamento. Kalel vendava meus olhos em alguns momentos, para que eu treinasse outros sentidos do meu corpo. Vou agradece-lo por isso, se tiver a chance. Não tenho com o que me defender se for atacada, até mesmo a luz foi tirada de mim. Dizem que os felinos podem ver no escuro, e que os Leões geralmente caçam quando a lua está em seu auge. Quem dera eu carregar mais que a mera representação desse animal, sua habilidade me cairia muito bem agora. Ao invés de esperar um milagre, eu faço o meu próprio e procuro discretamente com meus pés uma pedra no chão.

A ponta do meu salto bate em algo duro, e me abaixo rapidamente para pegar o objeto. No fundo do coração a angustia e o medo chegam a doer. “E se estiver armado? ”, “E se me capturar? ”, “Para qual reino Dourado ele trabalha? ”. A adrenalina faz um nó em minha garganta, nunca senti tanto medo em toda minha vida. Não percebemos como a luz é importante até ficarmos sem ela. O caminho para o castelo parece não ter fim. De repente, os passos do meu seguidor começam a ficar mais próximos e mais rápidos. A medida que aumentam o seu ritmo, começo a correr, com uma mão me protejo dos galhos que voam em meu rosto, e com a outra, seguro minha única arma: uma mera pedra. 

Dou de cara com o tronco de uma árvore e o impacto me joga para traz, sinto a dor latejante em minha testa. “Não era para essa árvore estar ali. ”, penso, “Eu me perdi! ”. Lentamente os passos atrás de mim voltam a terem um ritmo regular, mas estremeço ao perceber que não é apenas um, mas duas pessoas me seguindo. “O que eu faço agora? ” 

Eu não posso vê-los, então eles não podem me ver também. Pela primeira vez naquela noite, consigo raciocinar e uso o escuro como uma vantagem. A manta negra da noite me protege, e utilizo minha única arma como minha salvação. Atiro a pedra longe, muito longe de onde estou escondida. Finalmente os passos correm atrás de minha isca. Quando se afastam, eu corro. Nunca corri tanto, uso as luzes de minha casa como meu farol, e chego a porta da área dos criados. Corro para dentro sem olhar para trás. 

— Hans! Kalel! Pai! — Grito até que minha voz começa a falhar. Era hora do jantar, e a cozinha estava lotada de pessoas trabalhando que, aos poucos, notam minha presença e correm ao meu socorro. Me apoio em uma das bancadas e tento recuperar o ar que havia perdido há muito tempo atrás. Os trabalhadores me cercam e fazem o possível para me acalmarem: trazem água, me pedem para sentar e abanam as mãos para que recebo algum vento no rosto.

Não me dou ao luxo de chorar, a única forma de desespero que os espiões receberão, são minhas mãos trêmulas. Os criados correm para chamarem os soldados e em questões de segundos, reconheço a capa amarela que vem em minha direção com um olhar fulminante.  

— Princesa? O que aconteceu? — Sua voz sai rouca e grossa. Atrás dele, uma dúzia de soldados de Leão aguardam instruções, e ao me verem arregalam seus olhos assustados. 

— Na floresta — Encontro forças dentro de mim para ficar em pé, e aponto, com as mãos tremendo, para a porta por onde entrei. — Dois homens me seguiram, vão até lá e os encontrem. Tragam eles até mim. — Desabo, novamente, na cadeira. Sem esperar aprovação de seu líder, os soldados correm até a saída. O barulho de suas armaduras e passos pesados tem efeito anestesiante sobre meu medo, me fazendo sentir aliviada e segura.

— Kiara, você sabia que existiam espiões entre nós! O que estava fazendo na floresta sozinha a essa hora? Você tem noção do perigo? — O general me analisa de cima a baixo. Meu estado deve ser o pior. Meu vestido estava sujo, cabelos bagunçados e o rosto coberto de terra, tudo isso sem contar minha testa vermelha do impacto com a árvore.

— Se você não se importa general, eu prefiro receber bronca apenas de pessoas em uma posição superior à minha. Não passei pelo recente sufoco para ser criticada. Estava fazendo o meu trabalho em minha própria casa, não fiz nada de errado, e senhor não tem o direto de contestar minhas decisões. — Não passei pelo trauma de hoje para ser criticada por um mero soldado que não fez o seu trabalho de proteger a monarquia. Levanto da cadeira e bato no vestido, atirando o resto de sujeira na bota do general. — Acho que o senhor deveria estar liderando seus homens pela floresta, ou desejas que eu chame outra pessoa para fazer o seu trabalho? — O homem me lança um olhar assustado e corre para alcançar seus homens. Os criados trocam olhares assustados com o pequeno espetáculo diante deles.

— Madame Maeve? — A mulher se assusta e arregala os olhos em minha direção. 

— Não precisa terminar de cozinhar o jantar. Meu pai e eu comeremos cada um em seu quarto. Peçam para uma criada levarem um prato de comida para nós dois, por favor. — Com dificuldade, começo a caminhar em direção a saída. — Ah! Madame. — A senhora, novamente, me olha assustada. — Perdão, mas perdi sua tigela no meio da floresta. 

Subo as escadas curtas e íngremes e sinto o piso rangendo sob meu sapato barrento. Empurro a porta que separa a área de serviço do castelo, dou três passos e desabo ao chão. Não sabia o que estava acontecendo, apenas que ainda tremia de medo das duas pessoas que me seguiam na floresta. É oficial, odeio adrenalina. Levanto e vejo dois rostos familiares me encarando.  

— O que fizeram com você? — Meu pai pergunta e depois se abaixa para me ajudar a levantar. Ver meu pai e Kalel me acalma um pouco, e posso abraçar o rei se tremer. 

— Haviam dois homens me seguindo na floresta. Hans e seus soldados estão à procura deles. — Me lembro do motivo pelo qual fui até a mata. — Ah, pai, trabalhei com os problemas econômicos que você me pediu. — O rei me olha torto. 

— Você acha que me importo com os problemas econômicos agora? Está ferida? — Ele começa a analisar meu corpo em busca de cortes. Sua mão para em minha testa. — Isso vai criar um galo! — Apesar das circunstâncias, meu pai consegue tirar um sorriso do meu rosto. 

— Bati em uma árvore enquanto tentava fugir. Estava completamente escuro, não enxergava um palmo a minha frente. — Como fui idiota o suficiente para deixar chegar a este ponto? General Hans estava certo, o que estava pesando? 

— Kiara, porque não me avisou que estava na floresta? Teria ido com você! — Kalel começa a se culpar pelo ocorrido. Seu olhar grita arrependimento e preocupação. 

— Não importa agora. Aconteceu, mas estou bem. — Como um tapa, afasto o medo de mim. Agora quem deve estar assustado, são os homens que fizeram aquilo comigo. 

— Kiara tem razão, não adianta remoer o passado. — Percebo que meu pai não se refere apenas a essa noite. — Kalel, acompanhe a princesa até seu quarto, conversarei com Hans sobre suas medidas, fracas, de segurança.    

O rei empurra a porta dos criados com força. Sorrio ao imaginar a cara de surpresa dos trabalhadores ao verem meu pai descendo as simples escadas de madeira. 

— Você não parece nada bem. — Ele analisa meu rosto e faz piada dos meus cabelos bagunçados. Não estava acreditando. Havia acabado de passar por uma situação de vida ou morte, e Kalel estava fazendo piadas! Inacreditável!

— Vou trocar de guarda-costas. A pedra que me salvou hoje é mais útil que você! — Kalel leva na brincadeira minhas palavras. — Onde esteve o dia todo? — Pergunto, imaginando o que mantinha meu amigo ocupado demais para fazer o seu trabalho. 

— Planejando a sua segurança para a viagem de amanhã. — Ele responde como se fosse óbvio. Começamos a subir as escadas de mármore que nos levariam até meu quarto. Os castiçais pendurados nas paredes do corredor fizeram falta na floresta. Novamente tento não me abalar demais com o ocorrido, mas será que conseguiria? Ainda estava arrepiada do medo.

— Viagem? — Faço cara de confusa.

— Você é uma péssima amiga. Thomas ficará desapontado quando eu o contar que você esqueceu da coroação dele. — O dia havia sido tão agitado que esqueço completamente da coroação de Thomas Statera, o príncipe de Libra.  

— Ah! — Escondo meu rosto dentre as mãos. — Parece que o mundo ainda gira, mesmo quando tentam te capturar, não é? — Solto uma risada triste. Precisava fazer muita força para me concentrar em outra coisa que não seja o incidente anterior. 

— Quem disse que a vida na realeza é fácil, princesa? — Kalel estava certo, precisava continuar com minhas obrigações, mas precisava ser tão cedo? Meu amigo apenas queria descontrair o momento, ele não foi feito para situações sérias como esta. — Quantas espadas vai levar nesta viagem, majestade? — Kalel ri da sua piada sem graça. Por algum motivo, ela me deixa triste. 

— Depois de hoje, todas. — Estávamos quase chegando no quarto, precisava segurar as lágrimas por pouco tempo, mas o comentário de Kalel me desarmou por algum motivo.

O choro cai descontroladamente, rolando pelo meu rosto, como chuva. Kalel para de andar e me segura pelos ombros, trazendo-me para si. Como pude ser tão burra? Não estava bem, obviamente. Tentar me manter forte o tempo todo, vai me quebrar um dia. 

— Desculpe, Ki. — O apelido carinhoso de Kalel me reconforta. — Queria ajudar, mas você sabe que não sou bom com palavras sérias... — Sorrio enquanto Kalel continua a abraçar. 

— Verdade, você é péssimo nisso. — Murmuro, já mais calma. — Obrigada por me trazer até aqui. Sei o caminho até meu quarto, ajude os outros a procurarem pelos espiões. — Ele assente e corre até a escada. — Kalel! — Grito, antes que ele se vá. — Deixei minha pasta com informações importantes sobre o abastecimento de inverno, debaixo da figueira. Pode trazê-la para mim? 

— Claro, e você descanse um pouco, ok? — Apenas balanço a cabeça, e o observo desaparecer de minha visão.    

Caminho tonta pelo castelo, por conta da quantidade de pensamento que invadem meu cérebro. Estava tentando pensar em qualquer coisa, menos nas lembranças escuras da floresta. Suspiro ao pensar no problema que meu país enfrentava. Apesar de ter resolvido a separação dos alimentos corretamente, ainda havíamos produzido muito menos grão do que necessitávamos. Odiava a ideia de fracassar e fazer meu povo passar fome no inverno. Talvez pudesse aproveitar a cerimônia da coroação de Thomas e fazer algumas perguntas para os outros herdeiros Brancos. Poderia falar com a princesa de Câncer, Nina Kanker, para perguntar sobre as plantações de seu reino.

Geralmente, cancerianos produzem mais do que precisam, e quando isso acontece, vendem o que sobrava para os seus aliados. Todos os invernos são muito rigorosos para a maioria dos signos Brancos, por isso, trabalhamos em conjunto para assegurar que nenhum cidadão sinta fome.

Não sei como funciona para os reinos Dourados. Pouco sei sobre eles. Aprendi apenas sobre sua economia e características gerais de cada signo, porém seus líderes e herdeiros, desconheço. Não sei seus nomes, idades nem parentescos, e acredito que eles não devem me conhecer também. Uma das coisas essenciais sobre sua maneira de governar é que se baseiam na crença de Carter Feuer, que prega a superioridade de uma raça, apoiada na ideia da seleção natural, e governam evitando ajudarem uns aos outros. Meu pai diz que para eles são cada um por si, o que torna as coisas mais muito mais difíceis.

Acredito que pouco sabem de nós, por isso mandam espiões para descobrirem, e se tiverem sorte, matarem uma das princesas. Não importa o que faço, minha mente sempre volta para a floresta. Abro a porta do meu quarto devagar e toco em um dos sinos que chamam os criados até meu quarto. Aproveito meus últimos momentos sozinhas para refletir, mas antes, corro e pula na cama. Com minha cabeça voltada para o teto deixo meus próprios pensamentos me acalmarem. 

A única coisa que me mantinha calma era a boa iluminação do meu quarto. Eles poderiam ter me matado hoje, mas isso não aconteceu. Não darei aos Dourados a satisfação de morrer por sua causa. Imagino qual das monarquias enviaram homens para esse serviço. Áries, talvez? Estava apostando mais em Escorpião, na verdade. Os vencemos recentemente em uma batalha que os custou a parte leste do reino, e esta pode ser sua maneira de se vingar. 

Se implantar no coração do inimigo é ousado, parabéns para eles, quase me impressionaram, uma pena que não treinaram seus homens tão bem quanto Kalel treinou a princesa de Leão. Espertos, porém nem tanto. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!

Até o próximo capítulo! :)


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