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História A Hashira do Gelo - Capítulo 15


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Notas do Autor


Bom, pessoal. Não sei se vocês chegaram a ler o jornal que postei ontem (está aqui no perfil, só passar lá), mas devido as últimas informações que a Gotoge liberou sobre a história essa semana, minha linha do tempo (feita no chute mesmo) ficou um ano adiantada. Então tenham em mente que agora os personagens são um ano mais jovens: Yukiko tem 16 anos e Uzui 19. Eu corrigi aqui, mas não precisam ler de novo se não quiserem. Só alterei os números.

Sim, eu poderia ignorar. Mas escrever dentro do tempo da história é uma demanda que fiz a mim mesma, então meu esforço perderia o sentido. Por conta disso, o capítulo de hoje foi adiantado. Na verdade era um dos que viriam mais pro futuro e eu nem tinha escrito ainda! Então foi tudo em cima da hora, e estou já 24h sem dormir, então peço perdão por qualquer erro.

Espero que gostem! ♥

Capítulo 15 - A realidade é confusa


Yukiko passou mais um dia na casa de Uzui, terminando de revigorar suas energias. Eles curtiram uma noite se divertindo com conversas e brincadeiras, estreitando seus laços. Uzui e as esposas bebiam descontraídos, enquanto a hashira aproveitava para apenas comer, recusando qualquer oferta de se unir a eles. Por fim, aproveitou mais uma boa noite de sono tranquilo.

Bem cedo, na manhã do dia seguinte, ela se arrumava para retornar. 

- Yukiko-chan, lavei suas roupas! - Makio trazia nas mãos a vestimenta da moça, dobrada.

- Meu haori! Ele rasgou? - Ela reagiu em quase desespero. Ela era muito apegada a vestimenta dada de presente pelo pai. 

- Não, não! Está inteirinho e limpo! 

- Ah! Que bom! - Ela suspirou aliviada. 

Por fim, após se aprontar, se despediu de seus anfitriões e deixou a casa. 

- Yukiko-chan, venha nos visitar de novo! - Suma gritou, já a certa distância. A hashira acenou positivamente. 

Yukiko partiu, viajando a pé por poucas horas, enquanto comia o café preparado pelas novas amigas e admirava as folhas caindo das árvores no outono, até chegar ao distrito mais próximo da base. Se aproveitando do caminho, passou por algumas lojas e comprou mantimentos para levar consigo. 

Ela cantarolava contente enquanto caminhava, pensando no que faria ao chegar em casa. Começou a subir a montanha, e primeiramente reportou o seu retorno na área Ubuyashiki. Teve uma breve conversa a respeito da última missão com Amane, a esposa de seu Oyakata, a qual ela transmitiria ao marido mais tarde.

Após a longa escalada, a hashira finalmente havia chegado ao lar. Permitiu-se um dia para colocar a rotina nos eixos novamente, começando pela arrumação que tanto prezava em seu local de moradia. 

A casa da moça, dada por seu mestre, era espaçosa. Yukiko não se importava com luxos, mas gostava de decorar o ambiente de maneira simples com enfeites combinando. Uma bancada tinha várias pequenas esculturas de madeira, feitas a mão pela própria, enquanto cristais,  que ela mesma coletava em suas saídas, ornamentavam prateleiras na sala principal. 

Ela seguiu diretamente para a dispensa, onde depositou os mantimentos comprados, e tirou um tempo para tirar o pó e verificar se tudo mais estava alinhado.

Após o trabalho feito, ela suspirou, e seguiu para a fonte atrás da casa, procurando um relaxante banho gelado. Ela se acomodou até que a água chegasse ao seu pescoço, mas não conseguiu relaxar. Sua atenção se voltou completamente aos recentes acontecimentos. 

"Eu fui um fracasso nessa última missão… Não importa se o resultado foi alcançado, eu não cumpri meu dever. Não dei o devido suporte ao meu líder, e não fui capaz de protegê-lo. Não quero nem pensar no desastre que teria sido com mais pessoas por perto. Tenho que ficar mais forte! Tenho que ser capaz de proteger àqueles ao meu redor." 

Ela abraçava os joelhos com força, sentada na fonte, angustiada e frustrada. Ficou vários minutos a divagar sobre seu dever.

Finalmente, após sentir ter posto a cabeça no lugar, ela deixou o banho e vestiu-se com o próprio haori como um yukata, preso com um obi. Yukiko não tinha muitas roupas, e até mesmo esquecia de comprar. Mas como cuidava bem de seus pertences, elas duravam muito tempo.

Ela andou até a sala, e viu sua coruja entrar voando pela porta, pousando ao chão perto dela. Ela se abaixou e notou que havia uma carta dentro do compartimento que o animal carregava preso ao corpo.

A moça retirou-a, abriu a correspondência entregue, e leu o conteúdo:

“No início desta manhã, Kocho Kanae enfrentou a Lua Superior 2 e foi fatalmente ferida. Ela não resistiu.”

Yukiko sentiu-se dormente. Era como se corpo e mente se apagassem completamente, fazendo-a mal enxergar ao redor. Ela sentou-se sobre um acolchoado, encostando-se na parede, e tentou processar a informação que se somava às preocupações que já lhe assolavam. Ela leu a carta novamente, com as informações do funeral. De forma sincera, ela não tinha ideia de como proceder numa situação dessas, mas acabou agindo automaticamente. Só queria fazer tudo certo. Precisava de ajuda. 

~~~~

No dia seguinte, ela compareceu ao local indicado. Um bonito jardim ornamentado no típico estilo do Japão, e o memorial ao centro, cercado por diversas flores brancas. A hashira passou perto, deixando rapidamente uma flor esculpida em madeira branca, e logo se afastou do local.

Uzui e Tomioka já estavam presentes, trajando kimonos brancos. A moça passou pelo amigo sem dizer uma palavra sequer. Ele a agarrou por um dos braços, fazendo-a parar.

- Yukiko?! Você está bem?

- Ah… Tengen… Não vi você, desculpe… - Ela o encarou com um olhar vazio, como se nem pudesse enxergar.

Ele levou uma das mãos às costas dela, empurrando-a para perto de uma árvore mais afastada, e começou a cochichar.

- Não me viu?! Como se você precisasse mesmo enxergar pra me notar. - Ele se referia ao sentido térmico da amiga. - E que roupa extravagante é essa? - Uzui estranhou as vestes fúnebres que a colega escolhera.

Ela usava um conjunto de peças brancas, em estilo Chinês, composto por uma calça larga presa às canelas, um longo robe que cobria os braços, e descia até metade das coxas, delineado com uma bela costura azul clara que ia da gola à parte inferior, e, por fim, sapatilhas de algodão e solado de couro.

- Eu não tinha roupas para um funeral, então pedi ajuda a Amane-sama ontem à noite. Ela pediu que me costurassem algo, e se preocupou com o que minha família provavelmente deveria usar, sendo de fora do Japão. Só é um pouco quente. - Ela puxava a gola, num tentativa inútil de se refrescar.

Ao passar dos minutos, os demais começaram a chegar à cerimônia. Himejima, o Hashira da Pedra, apareceu com uma moça desconhecida, com os cabelos vermelhos. Ambos traziam Shinobu e as meninas da Área Borboleta. Os mais fortes tentavam dar amparo e consolo aos mais afetados pela perda, como uma grande família. Mas não havia realmente o que dizer. Se mantiveram em silêncio. 

Com todos presentes, Ubuyashiki deixou algumas palavras de lamento e consolo. E uma frase que todos os Exterminadores levavam consigo:

“A única maneira de manter vivos os que se foram é carregar conosco suas vontades.”

As horas passavam, e Uzui via na face de Yukiko a mesma expressão apática de quando a conheceu, de alguém que parecia não sentir nada. Mas com o tempo ele entendeu que era exatamente o contrário. Ela olhava Shinobu chorar pela irmã, sem quase piscar os olhos.

- Você nunca viu nenhum de nós morrer, não é?

Ela acenou negativamente com a cabeça, confirmando a suposição do amigo, e respondeu:

- As únicas mortes que tive por perto foram da minha própria família. E nunca precisei dizer nada a ninguém sobre isso. Por anos. Muito menos confortar uma pessoa.

Uzui entendeu que sua cabeça deveria estar um caos. Ela não sabia o que dizer à mais nova das irmãs para fazê-la se sentir melhor. Não sabia o que dizer aos outros sobre um dentre eles ter sido morto por um oni. Não sabia sequer se deveria realmente dizer algo.

- Sei que vocês talvez não se dessem muito bem, mas você não precisa dizer nada. Só de ter vindo é algo bom. Todos sabem disso.

Depois de algum silêncio, Yukiko instintivamente externalizou um pensamento que veio a cabeça:

- É a coisa mais confusa do mundo ver que a realidade não é o que a gente espera. Sempre pensei que a única pessoa que poderia morrer seria eu…  

Uzui observou ao redor, enquanto os primeiros começavam a deixar o local. Ele deu um sorriso amargo de canto de boca, e se dirigiu à amiga novamente:

- Você me surpreende mesmo. As pessoas geralmente pensam o contrário…


Notas Finais


Deu pra mostrar alguns hobbies da Yuki nesse capítulo: Ela costuma esculpir madeira a qualquer hora, até mesmo enquanto anda pela base. Também guarda qualquer pedra que acha bonita, mas tem um amor especial pelos cristais.

Embora não tenha tido uma boa impressão pelas Kocho, ela não odiava nenhuma. Muito menos desejava que alguma morresse.

Shinobu tem apenas 14 anos nesse momento da história. Ela já tomará a obrigação de ficar no lugar da Kanae na Área Borboleta.

Branco é a cor da morte no Japão. As flores e trajes dos enterros tradicionais da época demandavam essa cor.

A flor que Yukiko esculpiu era feita de Carvalho Branco Japonês. É a madeira geralmente utilizada em armas, como espadas de madeira. Com o tratamento certo, sua cor fica perto do branco.


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