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História A Hashira do Magma - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá pessoal, como vocês estão? Vou postar aqui o segundo capítulo da história, e vou tentar manter uma periodicidade de mais ou menos uma semana pra cada capítulo.
Neste eu vou explicar um pouquinho do passado dela, então boa leitura. ❀

Capítulo 2 - Pesadelo


-Yasu-chan! - A mulher chamava a ruiva que corria pelo quintal, brincando com a pequena bola que havia ganhado. - Vamos, entre! Já está na hora do jantar!  

A criança saiu sorridente, levando consigo a bola amarela junto ao peito, agarrando-a com força por ter sido a último presente que havia ganhado do irmão. Yasu estava feliz e mais animada que o costume, pois há a uma semana um corvo havia deixado uma carta dizendo que seu precioso Kotaro voltaria para casa. 

A mulher estava feliz, sorrindo enquanto apoiava o rosto bronzeado sobre a mão direita, observando a criança saltitante subindo as escadas. Harumi não estava diferente de sua filha pequena, pois estava radiante com a notícia do filho voltando para casa, e ansiosa para escutar mais histórias do jovem caçador de demônios. 

-Mamãe, que horas o Kotaro vai chegar? Quero brincar com ele! 

-Acalme-se Yasu! - A mulher riu. - Se continuar tão energética assim, o pobre Kotaro-chan irá fugir de você, quando chegar aqui. 

A criança cruzou os braços emburrada ao escutar a risada alta da mãe. Harumi apenas afagou os cabelos ruivos e bagunçados da criança e sentou-se ao lado dela, entregando uma tigela de arroz e peixe frito para a mais nova, que sorriu abertamente e começou a comer de maneira faminta. A mulher riu e a imitou, pondo-se a comer, mas de maneira mais calma e contida, lembrando-se ainda de alguns ensinamentos de quando mais jovem. 

A pequena ruiva acabou mais cedo, colocando a tigela sobre a pequena mesa e juntando as mãos em uma breve oração, em agradecimento. Harumi apenas sorriu, terminando logo em seguida e imitando o gesto da mais nova, logo puxando o corpo esguio da filha para cima de si e a abraçando de maneira forte. 

-Você é o meu pequeno raio de sol, sabia Yasu-chan? - A mulher juntou a bochecha na dela, e a abraçou mais forte, dando um beijo em seguida. -Você me lembra seu pai... Os olhos, cor do cabelo, esse seu jeitinho meigo e explosivo. - Ela riu. -Você iria adorar ele, e foi ele quem treinou seu irmão. 

A criança arregalou os olhos e sorriu de maneira aberta, surpresa com o que lhe era dito. Yasu sempre acompanhava os treinos do irmão quando o mesmo ainda morava na pequena casa, e depois que virou um caçador, o rapaz tentava treiná-la, ensinando alguns golpes básicos quando ia visitá-las. 

Harumi soltou a criança, que se levantou esticando o corpo. Yasu deu alguns pulinhos e pegou as duas tigelas, levando-as para a cozinha, logo ao lado de onde estavam. Ao atravessar a porta, a criança escutou as batidas incertas na porta, soltando um grito eufórica para a mãe que já sorria e seguia em direção ao local. 

A mulher se levantou rapidamente, arrumando o tecido da yukata sobre as pernas. Harumi se pós diante da porta e arrumou o cabelo escuro sobre o ombro antes de abrir a porta e ver seu amado filho. 

-Kotaro-chan! - A mulher abriu um enorme sorriso, até notar o semblante estranho do rapaz à sua frente. 

Ela encarou o jovem cabisbaixo. O corpo de Kotaro parecia estar mole, meio curvado para frente e com o cabelo negro cobrindo os olhos. Ele está estranho, pensou Harumi que pôs a mão sobre o ombro do jovem. 

Um grunhido alto foi escutado logo antes do rapaz jogar a mãe para trás em um forte empurrão. O baque no chão foi forte, e Harumi ficou tonta ao sentir a cabeça bater com força no piso de madeira, ela encostou a mão sobre a testa e sentiu algo quente escorrer entre seus olhos, já notando o sangue entre os dedos. 

Harumi estava confusa, nunca que o filho teve comportamento tão violento, principalmente com ela ou com a irmã. A mulher voltou a atenção para o jovem e arregalou os olhos, finalmente se dando conta do que havia acontecido. Kotaro rosnava alto, os olhos estavam com cores diferentes e os dentes mais pontiagudos, enquanto que as veias de sua testa saltavam, marcando ainda mais a feição violenta e animalesca que ele tinha.

-Yasu! - Gritou Harumi. -Fuja, agora! 

Após o aviso desesperado, o oni pulou sobre a mulher ainda caída ao chão. Os gritos foram altos, ecoando pela pequena casa enquanto que a criatura rasgava a carne da pobre mulher, que antes era sua mãe. Harumi não demonstrou muita resistência, a mulher era fraca e não tinha habilidade nenhuma com espadas ou qualquer tipo de arma, apesar de possuir uma em casa. Tudo o que lhe foi ensinado foi como se portar e como sobreviver no distrito da Luz vermelha, antes de ser salva por Hiroki, seu falecido marido, um caçador de demônios. 

Yasu permanecia parada, escondida atrás da parede enquanto observava o oni, seu irmão, devorando o corpo de sua mãe. O coração da criança rufava de maneira absurda sob os ouvidos pequenos, ecoando em sua cabeça; já as mãos seguravam a adaga com lâmina nirichin, a única arma que possuía naquela casa, deixada por seu pai para caso de alguma emergência.

Mas Yasu ainda assim não tinha reação. Sempre escutou as histórias que sua mãe e irmão lhe contavam sobre esses demônios, mas no fundo, ela apenas achava que era algum tipo de conto de fadas, nunca imaginando que o próprio irmão poderia virar um. Os olhos se encheram de lágrimas, e tentando controlar o tremor de suas pernas, ela apertou mais forte o cabo da lâmina entre seus dedos. 

-NIISAN! Pare por favor! - A ruiva se pós por detrás dele. - Solte a mamãe! Ela não fez nada! 

O oni soltou o braço da mulher, que caiu no chão fazendo um som molhado. Yasu olhava para a mãe detrás do oni e sentia as lágrimas enchendo ainda mais os olhos, ao mesmo tempo em que a garganta parecia querer se fechar em uma crise de ansiedade pura. A ruiva viu o oni se virar de maneira lenta, e ergueu a lâmina perto dos olhos dele, sentindo um imenso tremor lhe cobrindo o corpo. 

-Por favor, Kotaro-kun! É a mamãe! Esse não é você! Por favor pare! 

Yasu gritou fechando os olhos, já imaginando que teria um fim parecido com o de sua mãe, mas ela notou que a dor não veio. Os olhos marejados se abriram de maneira incerta, e logo a criança notou que o oni permanecia parado. O corpo dele permanecia estático, quase que segurado por alguma força invisível, notando somente um forte tremor que assolava o oni.  

Kotaro encarou a menina nos olhos, e ela viu um leve brilho voltar aos olhos do irmão. A ruiva, em um breve lapso de memória, apenas lembrou-se do ponto fraco dos onis, e avançou para cima do irmão. Não se sabe o porquê, mas o oni permaneceu parado, quase que esperando pelo golpe, encarando o olhar triste e amedrontado da ruiva. E então, ele chorou. 

-Yasu... - A lâmina da adaga cortou o pescoço do irmão, caindo e rolando para perto do corpo desfalecido da mãe. - Perdão... 

 

Os olhos da ruiva se arregalaram, e então o grito alto foi escutado.

 

O corpo feminino se ergueu de maneira rápida. A criança que dormia junto dela a encarava de maneira assustada, enquanto que a outra - mais velha - já permanecia em pé perto da porta, ao lado do monge. Yasu os encarou no quarto escuro e fechou os olhos com força, sentindo as lágrimas voltarem de maneira violenta; ela levou a mão ao rosto, escondendo-o e começou a chorar. Novamente aquele pesadelo a assolava; todas as noites aquela mesma maldita imagem que fazia questão de lhe lembrar o que aconteceu tempos atrás.

A ruiva se encolheu, curvando o peito para perto das pernas levemente dobradas. Seu maior desejo era se esconder, fugir daquela realidade e daquele lugar. Yasu sentiu uma mão se por sobre o próprio ombro e encolheu o corpo de maneira rápida, quebrando o contato. O monge estava ajoelhado ao lado dela, encarando o rosto choroso e assustado da menor. Ele afagou os cabelos dela carinhosamente, sorrindo de maneira terna. Nenhuma palavra foi dita enquanto o mais velho consolava a ruiva, que apenas encarava-o atônita. 

Yasu piscou algumas vezes, sentindo os olhos marejarem novamente. Um fungado alto foi escutado logo antes da ruiva pular para frente, abraçando o mais velho que apenas se surpreendeu. O choro foi alto e desesperado, enquanto que  ela afundava o rosto no peito masculino, sentindo apenas o afago nos cabelos e nas costas curvadas e tremulas, numa tentativa singela de consolar a pobre criança. 

A ruiva apertou a yukata do monge e levantou o rosto - já avermelhado pelo choro - e encarou o homem, que apenas permanecia em silêncio. Himejima tinha um leve e quase imperceptível sorriso no rosto, ao mesmo tempo em que chorava silenciosamente; ela arregalou os olhos e se afastou, surpresa com as lágrimas do monge. O hashira apenas afagou uma última vez o cabelo ruivo, levantando-se. 

-Volte a dormir. - Ele falou com a voz mansa - Amanhã começa o seu treino.


Notas Finais


Vou falar aqui um pouco mais das características da Yasu, e hoje será sobre a família dela.

Pai: Ito Hiroki - É um caçador de demônios, só que o paradeiro/ fim dele é desconhecido.
Mãe: Inoue Harumi - Foi uma dançarina do distrito vermelho que conseguiu fugir de lá, após encontrar o pai de Yasu.
Irmão: Ito Kotaro - Era o irmão mais velho, que por infelicidade virou demônio e foi morto.

Até o próximo capítulo pessoal! :D


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