História A Herança - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Palavras 1.834
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 7 - Apenas essa noite.


               
                   Reino da Babilônia

O rei Nabucodonosor havia mandado construír um grande Zigurate na cidade de Nipur, cidade ao Sul, próxima ao palácio real. Assim que a construção ficou pronta, o rei reuniu nobres do palácio, e convidou nobres de reinos vizinhos para  a inauguração do Zigurate, pois para os caldeus essas construções eram muito importantes, era a morada dos deuses.

A princesa Kassaia havia concordando ainda no palácio, acompanhar o irmão Evil e Joaquim até Tel Abibe, colônia dos judeus que ficava as margens do rio Cobar, perto da cidade de Nipur, onde a comitiva real havia acampado.

Ao se aproximar, Kassaia viu que somente príncipe judeu aprontava seu cavalo. Estranhou, não sabia onde Evil Merodaque estava.

— Princesa, eu já estou indo. Creio que não vai quer ir à Tel Abibe mais... — começou Joaquim, ao vê-la.

— E por quê, não? A gente já não tinha combinado... — lhe respondeu a princesa, se aproximando mais dele.

— Sim, porém Evil, seu irmão, não irá mais. Acabei de conversar com ele. Ele não está se sentindo bem...

— Evil!? E o que ele tem? — questionou, com preocupação.

— Me disse que é mal estar passageiro.

—  Eu irei ver como está Evil, e então vamos. Faço questão de conhecer a colônia dos judeus e o profeta. — falou a príncesa, e resolveu acrescentar: — Mas se não quiser que eu o acompanhe tudo bem, irei entender.

— Claro que não, pode me acompanhar, sim. Será bom ter sua companhia, princesa.

Joaquim tinha vontade de dizer que amava a companhia dela, que nunca recusaria estar com ela, mas se conteve.

Kassaia, então foi até a tenda onde o irmão se encontrava.

— Evil, o que você tem?— perguntou ao ver ele tão pálido, deitado.

— Só uma indisposição. Ficarei bem.

— Uma pena. Você estava tão animado... — suspirou Kassaia. — Para conhecer Ezequiel.

— Infelizmente não irei. Pois então vá por mim. Certamente será uma experiência inesquecível conhecer um profeta, e também Cobar. Dissem que é um belo lugar!

— Eu disse à ele que vou, mas não sei, pensando bem... Eu e Joaquim, sozinhos!? — indagou a princesa, e balançou a cabeça. — Não sei se é uma boa ideia.... Você sabe, é difícil para mim... Estou noiva de outro, tentando esquecê-lo. — desabafou Kassaia.

—  Você sabe que eu aprovo vocês. Para mim não vejo problema no fato dele ser um cativo, um prisioneiro. Até esqueço, para mim, ele é um amigo, quase um irmão.

— Quem dera que todos pensassem com nós. — a princesa lamentou e suspirou. — Mas quer saber, eu irei, está na hora de superarmos esse sentimento. Senão, como vamos fazer daqui para frente?

—É assim que se fala, minha irmã. Bom passeio. — desejou Evil a Kassaia. — Me conte depois como foi.

Quando a princesa voltou, Joaquim já estava em cima de belo cavalo branco, estendeu a mão para que ela pudesse subir. A paisagem era bela, e a proximidade entre eles, inevitável. Ao chegarem a colônia, Kassaia ficou impressionada com a beleza do lugar. Joaquim também estava. Nunca esteve ali antes.

— Shalom, Príncipe Joaquim! — exclamou Ezequiel.

— Shalom, profeta.

— Como cresceu, a última vez que o vi era um menino, agora já é um homem feito. E como está sua mãe? A rainha Neusta?

— Ela não veio, mas está bem. Se adaptou a Babilônia, mais rápido que eu.

— Entendo...

— Esta é a princesa Kassaia. — o príncipe os apresentou. — E este é o profeta Ezequiel.

— Um prazer conhecê-la, princesa. Seja bem vinda a nossa colônia.

— Ouvir coisas maravilhosas à respeito do senhor. O prazer é meu.

— Não sabia que havia se casado, príncipe Joaquim. — comentou o profeta.

— Mas eu não me casei... Kassaia é filha do rei da Babilônia. — explicou Joaquim.

— Desculpem, eu entendi errado. Pensei que, enfim... Desculpem mesmo!

— Está tudo bem, Ezequiel, não teria como você saber mesmo.

Por sua vez, Kassaia mostrou não ter se importado com o engano. Bom seria se fosse real.

— Sem problemas, profeta. — disse ela.

Kassaia começou a conversar com algumas crianças, que estavam fascinadas com a beleza e sutlieza da princesa.

Ezequiel caminhava ao lado de Joaquim, conversando com o príncipe, comentou:

— Muito gentil, a princesa da Babilônia.

Joaquim olhou para a princesa, apaixonado, e a elogiou:

— Kassaia é  muito bondosa, e generosa.

— Eu sinto uma coisa diferente nesse lugar. Uma paz, vemos um povo exilado, porém feliz, em paz. — comentou Kassaia, que havia se juntado à eles.

— Essa paz vem da entrega, confiança total em Deus. Os exilados daqui da colônia  permanecem fiéis a Deus. — Ezequiel explicou. — Confiando que Ele, o Senhor, irá cumprir a sua promessa de restauração, de conduzir a nação novamente para a terra de Judá,  trazendo tempos de glória para o Templo e Jerusalém, após o fim do julgamento divino a qual estamos sendo submetidos.

Kassaia achou lindo como Ezequiel falou sobre a sua divindade. Achava uma fé linda aos do judeus. Poucas vezes tinha visto alguém falar sobre religião assim antes, com tanta confiança, Daniel também a tocava dessa forma. 

— A conversa está tão maravilhosa... — falou Joaquim. — Que nem vimos a hora passar, temos que ir, princesa.

— Já está tarde mesmo, não demora, e escurece. Não querem pernoitar aqui? — perguntou o profeta, à eles.

Joaquim e Kassaia trocaram um olhar.

— Não podemos ficar. Ela é a filha do rei. Mandariam uma escolta para encontrá-la.

— Compreendo, príncipe Joaquim. Vá com cautela. E venha mais vezes. Será muito bem recebido sempre.

— Eu voltarei sim. — garantiu Joaquim ao profeta.

— Que Deus os acompanhe. — Ezequiel disse à eles. — Shalom.

Enquanto calvagavam de volta, começou a chover. Joaquim resolveu parar, e disse a Kassaia:

— Com essa chuva, não vai dar para continuar. 

— Mas a essa hora, já deram por nossa falta. Meu pai ficará furioso, saímos sem avisar. — Kassaia disse, preocupada. 

— Sinceramente, eu não acho seguro voltar para o acampamento a essa hora. — o príncipe falou. — Já escureceu, pode ser perigoso. E essa chuva vai aumentar. Amanhã explicaremos tudo o que aconteceu.

— E o que vamos fazer!?

— Voltar para Tel Abibe, ou encontrar um lugar para passar à noite.

Joaquim tinha toda razão, Kassaia sabia, mas ficar sozinha com o príncipe a deixava nervosa, ela se sentia aquela mesma adolescente, descobrindo o amor, há anos atrás. Caminharam por um tempo, até que os nobres avistaram um lugar.

— Olha, tem um lugar ali. — percebeu a princesa.

— Parece que era um acampamento de nômades. Partiram e deixaram algumas tendas montadas. — Joaquim deduziu. — Vamos até lá. — ele a chamou.

Kassaia concordou, ao chegarem notaram que o lugar, claro, não era dos mais luxuosos, contudo nenhum deles dois se importava muito com isso. Era mesmo um acampamento desmontado recentemente. Entraram em uma das poucas tendas que sobraram. Lá fora, a chuva aumentou. 

Ao ver que Kassaia abraçava o próprio corpo, com frio, Joaquim pensou que poderia fazer o frio passar com mais um abraço seu. Como isto não poderia passar de um pensamento, encontrou outra maneira de aquecer o lugar:

— Eu vou acender a fogueira.

— Ótimo, está muito frio aqui.

— Pois não deixarei que sinta frio, princesa. — ele disse, a olhando nos olhos.

Existia algo em Joaquim, uma vontade de proteger ela de tudo, ser seu protetor.

Ele pagava um preço alto por desejar aquilo que pertenceria a outro homem, em breve. Sofria em silêncio, por não tê-la em seus braços.

Após, acender a fogueira, Joaquim ficou um tanto afastado, queria muito se aproximar, mas não ousaria. Ela estava sentada na cama.

A princesa o olhava intrigada, queria tanto saber o que ele pensava em seu silêncio, ela por sua vez, pensava que havia perdido um amigo, e isso era péssimo, por hora, ela queria diminuir aquela distância.

— Sente-se aqui, perto de mim.

O convite da princesa, o surpreendeu.

— Tem certeza? — Joaquim perguntou, a voz vacilante.

Ela o respondeu prontamente:

— Sim, afinal sei que não fará nenhum mal à mim.

— Entretanto tem se afastado de mim.

— Por sua atitude naquele dia. — respondeu. Ela se referia ao beijo dos dois. — Somente por isso. Porém, sei de seu caráter.

Joaquim se sentou, ao lado de Kassaia.

— E com Evil, estará tudo bem? — questionou Kassaia, ao lembrar ao irmão.

— Certamente, está sendo bem cuidado.

— Isso sem dúvidas. — falou mais calma ao perceber que Joaquim tinha razão.

De repente, faltaram as palavras, e não era preciso, seus olhares estavam fixos um outro, até que Joaquim quebrou o silêncio, com as seguintes palavras:

— Eu pensei que nunca mais em minha vida teria um momento assim... Sozinho com você.

Kassaia não soube o que dizer, nunca sabia, quando estava perto de Joaquim, ficava nervosa, o que sentia por ele era tão especial.

— Eu amo tanto você, Kassaia.

Ela fechou os olhos, agora tinha certeza, Joaquim também ainda a amava.

Ainda se lembrava de quando ele se declarou, anos atrás, ainda na adolescência dos dois. Depois tentaram se esquecer disso, e tentaram continuar apenas amigos. Em vão. Nada mudou.

Ela desviou o olhar do dele.

— Joaquim, não faça isso... Não diga essas coisas. Por favor. — Seu pedido era quase uma súplica.

Mais uma vez, Kassaia se sentiu fraca, queria dizer tantas coisas, que o amava, mas ao contrário disso, estava o impedindo de falar.

— Shii, não fala nada. Me deixa falar o que sinto...— Joaquim falou, mas mudou de ideia em seguida. Precisava saber o que Kassaia sentia, se ainda tinha algum sentimento por ele, se ainda o amava. — Ou melhor, fale Kassaia. Eu quero que fale.

— E o que quer que eu diga? — ela perguntou.

— Apenas a verdade.

Sem entender, Kassaia não disse nada, mais uma vez. Joaquim se aproximou dela, e a olhou nos olhos. Ao contrário dela, ele queria o contato visual.

— Você o ama? Ama seu noivo?

A resposta era tão simples, pensou ela,  quem ela amava estava bem na sua frente. Quanto a isso não havia dúvidas. Nunca houve.

Kassaia decidiu que abriria uma exceção naquela noite, iria falar com o coração.

— Não, você sabe que eu amo você. Sempre vou amar. Estou cansada de sufocar o que sinto, Joaquim.

Tudo o que Joaquim precisava ouvir, isso o incorajou, para continuar falando...

— Quando o profeta Ezequiel pensou que fosse minha esposa, pareceu ainda mais certo... Queria que fosse verdade.

— Eu também queria. — ela murmurou.

— Quero que esteja em meus braços, ainda que seja uma única vez na vida.

Kassaia fechou os olhos, estava entre a razão, e a emoção. Sua única chance de estar com Joaquim, o homem que amava. Ou seria ali, ou nunca mais.  Deixou a emoção vencer, o coração vencer. Seu coração não achava errado.

— Eu não posso lhe prometer nada, além dessa noite. — avisou a ele.

— E eu posso viver com isso. Seja minha essa noite, se entrega para mim... Apenas essa noite.

Sua resposta não veio com palavras dessa vez, Kassaia se aproximou de Joaquim afastando qualquer distância, entre eles, e o beijou. Joaquim a envolveu em seus braços,  aprofundando o beijo.

O casal apaixonado esperava guardar cada segundo do momento que estava prestes a acontecer entre eles. Momento que ficaria apenas entre eles.


Notas Finais


Sozinhos eles não conseguiram resistir um ao outro, ao amor que sentem ❤ 


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