História A Herdeira - The Royals I (JIN) - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Seokjin (Jin), Personagens Originais
Tags Bts, Jin, Seokjin
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Palavras 7.054
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, pessoinhas!!
Bom, devido aos acontecimentos da semana anterior com o Tae e em respeito a sua família, não tivemos capítulo na quarta, que foi o dia que eu estabeleci para postar, então aqui está um capítulo triplo, basicamente!
Os capítulos serão postados todos os fins de semana (Sexta, sábado ou domingo), mais provávelmente na parte da tarde ou noite, mas de vocês tiverem uma preferência de horário, só me avisar que eu vou me esforçar para atender a todos.

Enjoy XD

Capítulo 3 - Mourning


Castelo de Edimburgo, Edimburgo, Escócia. 24.06.2062 Quinta-feira•

O dia havia começado claro, sem nuvens carregadas de chuva e neve pelo chão. O sol estava em seu esplendor enquanto os funcionários do castelo corriam de um lado para o outro para recepcionar todos os convidados que chegavam para o velório do falecido rei no dia seguinte e da coroação na próxima semana.

Depois do início de semana fria e congelante, o calor excruciante europeu havia retornado com força total para lembrar a todos que o verão ainda estava ali, e faltava muito tempo para ir embora.

Na capital, os comerciantes haviam aberto as portas, as crianças e adolescentes vestiam seus uniformes e esperavam pelos ônibus que os levariam até suas respectivas escolas. Muitos carros passam para lá e para cá, hora ou outra uma ambulância percorria as ruas com suas sirenes ligadas e em alta velocidade.

Os jardins do castelo estavam verdes novamente, crianças corriam brincando pela propriedade e se jogavam nas fontes para se refrescar do calor enquanto suas babás quase arrancavam os cabelos.

As crianças não pareciam notar o clima triste que circulava pelo lugar, os lamurios de seus pais pela morte precoce do rei, a falta das bandeiras içadas nos mastros em frente a Castle Rock.

A princesa Aurora passara a manhã em seu quarto, recusando qualquer visita ou cumprimentos de convidados com uma desculpa de que se encontrava com um resfriado e passaria a maior parte do tempo de cama.

Bom, não era inteiramente mentira. Seu nariz estava bem vermelho devido ao lenço que passava de minuto em minuto para conter a secreção nasal, sua voz estava fanha e sua garganta parecia que grãos de areia haviam tomado conta.

A súbita mudança de temperatura -o calor de Páris, para o repentino frio de Edimburgo para depois um calor escaldante em solo escocês-, havia enfraquecido seu sistema imunológico e dava seus primeiros sinais logo de noite, depois de seu encontro com o rei coreano.

Um rei que, mesmo depois de tantos anos, ainda abalava seu coração e lhe tirava o sono.

Se olhando no espelho da penteadeira, depois de um longe e quente banho de banheira, Aurora encarava seu reflexo miserável no espelho com uma expressão de desprezo completo em seu rosto.

Os olhos estavam fundos e com bolsas roxas, o nariz e as bochechas pareciam que haviam sido estapeados repetidas vezes, a bocha, mais inchada que o normal e ressecada. Estava pálida, algumas veias de seu rosto se mostravam visíveis.

Uma batida leve em sua porta lhe chamou a atenção; fechou seu roupão vermelho em volta do corpo apenas com uma lingerie preta e se levantou calçando os chinelos fofinhos.

-Sim?- Aurora abriu apenas uma fresta da porta, sua voz era baixa e rouca.

Uma das empregadas do castelo, vestindo um roupa toda preta com sua identificação num bordado dourado do lado esquerdo do perto, fez uma referência e ajeitou a postura.

-Vossa Majestade solicita sua presença em seu escritório, Vossa Alteza- Aurora faz um leve aceno com a cabeça, dispensando a criada e fecha a porta.

-Ah, pronto...-Resmunga, retirando o roupão e se dirigindo até seu closet, sem a mínima ideia do que deveria vestir.

Tanto tempo longe da corte a fez esquecer quem era, o título que carregava e o peso que isso tinha no mundo.

As vezes era melhor ser apenas Aurora, violinista e estudante de música do que ser Aurora, princesa da Escócia e futura Rainha.

A morena colocou uma calça social preta e uma blusa de botões de seda branca mangas curtas por dentro da calça. Arrumou os cabelos pretos e longos divididos ao meio e apertou as pontas para que formassem ondulações. Deu jeito no rosto com um corretivo embaixo dos olhos, arrumou as sobrancelhas e passou bastante máscara de cílios, um hidratante labial e calçou seus saltos, pronta para começar o dia.

Mas ao se olhar no espelho, fez uma careta. Sua mãe não se vestia assim, simples. Sempre havia um toque de cor em seus trajes, mas vivendo tanto tempo longe de casa lhe fez esquecer os costumes que foram impostos na monarquia.

Voltou ao seu closet, digitou sua senha em um painel e três gavetas e duas portas do armário foram destrancadas.

Atrás das portas estavam duas tiaras. Várias. Quatro prateleiras com diversas tiaras, de vários tamanhos e cores, essa sempre fora sua parte preferida do closet, o sonho de todas as meninas, a importância de usar uma dessas no topo da cabeça.

Segurou uma prateada nas mãos. Era simples, pequena, com pérolas e flores brancas espalhadas por sua extensão.

Na primeira gaveta estavam suas pulseiras e relógios, pegou um relógio também prata e colocou no pulso direito, posicionando a tiara sobre os cabelos negros logo em seguida.

Era isso. Não se enfeitaria. Não tinha razões para isso. Seu irmão e rei havia falecido, estava de luto e não parecia certo ostentar suas jóias em um momento como este.

Fechou a porta do quarto e cumprimentou três criadas que estavam paradas ao lado de seu quarto esperando que saísse para que começassem a arrumar.

A decoração do lugar continuava a mesma. Os ambientes eram claros e limpos, com algumas pinturas e fotografias de paisagens do mundo inteiro e da família real. Prateleiras com plantas pequenas e delicadas, o chão frio de madeira trocado recentemente.

O escritório de sua mãe era na ala leste, perto do quarto da mesma, uma curta distância do quarto da princesa.

Ao entrar no corredor, deu de cara com o motivo de sua falta de sono e de seu coração palpitante.

Estava sentado em uma das elegantes cadeiras ao lado da porta, vestindo apenas uma calça preta e uma blusa branca com dois botões abertos, seus sapatos pretos brilhavam à luz que entrava das janelas.

Um suspiro pesado saiu dos lábios da mais nova, a medida que caminhava para seu encontro com, o que parecia em sua visão, a própria morte.

-Bom dia.- Disse com a voz firme e fria conforme se aproximava.

O mais velho se assustou e logo se prontificou de levantar e fazer uma reverência, sendo retribuído em seguida.

-Imagino que a rainha também a tenha chamado?- a voz do rei era suave, tranquila, mas havia um quê de nervosismo ali.

-De fato. E para ter convocado vossa majestade já imagino que assunto possa ser.- Uma de suas sobrancelhas grossas se levantou, o rei franziu a testa e olhou para os próprios pés, constrangido.

"Patético", pensou Aurora ao ver um rei com a cabeça abaixada e envergonhado.

Ela jamais abaixaria a cabeça.

A morena revirou os olhos e seguiu em frente, parando na frente das grandes portas do escritório e bateu duas vezes, antes de virar a maçaneta e abrir a porta pesada.

-Mãe?- A princesa entrou na sala seguida do rei, sua mãe estava sentada na mesa olhando para alguns papéis com uma caneta na mesa.

Sua expressão era séria, preocupada, e não mudou quando se levantou e cumprimentou os dois jovens com um aceno de cabeça.

-Sentem, temos assuntos urgentes para tratar.

•••••••

A doce rainha em luto que havia recepcionado o jovem rei e seus companheiros na noite anterior não estava presente naquela manhã. Seu rosto era duro e frio, uma mulher que havia perdido o marido e o filho cedo demais, e agora se preparava para entregar seu reino nas mãos da filha.

O asiático se sentou ao lado da princesa, encostou as costas na cadeira e cruzou uma perna em cima da outra. Sua pele branca e lisa refletia a luz do sol que entrava pela janela atrás da rainha, seus lábios pequenos estavam avermelhados é um perfume amadeirado exalava do rei para todo o ambiente.

A mais nova o olhou por um breve segundo, depois pigarreou e ajeitou a postura.

-Qual é o problema?- Sua voz estava nasalada e rouca, Jin olhou para a princesa e pode notar sua aparência abatida por baixo do disfarce da maquiagem e das roupas.

-Bom, problemas- corrigiu a rainha, apoiando as duas mãos na mesa e alternando seu olhar entre os dois.- Com o... velório de James amanhã,- seus olhos se fecharam enquanto dizia essas palavras, para logo as Íris acinzentadas retornarem- a coroação de Aurora deverá ser imediata. Eu sou a rainha regente, mas não é minha obrigação governar este país enquanto existe um herdeiro apto para o cargo.

-Esta bem, era só isso?- disse a princesa

-Não- a rainha se levantou, foi até um arquivo e puxou uma pasta com o brasão escocês. -Aqui está o acordo que eu e seu pai fizemos com os reis da Coréia do Sul- A garganta dos dois pareceu se fechar enquanto a rainha abria a pasta- Aqui especifica que vocês já deveriam estar casados há anos, mas como a princesa não havia concluído os estudos, foi adiado para daqui dos anos.

-E...-Aurora realmente tinha medo da resposta

-E que não podemos esperar. Você será coroada rainha e não faltará pretendentes, mas nenhum como Kim Seokin-Os olhos frios da rainha caíram sobre o rei, um arrepio lhe percorreu a espinha- em troca de uma união com o príncipe herdeiro, a Escócia prometeu reforço militar e médico nos anos seguintes. A Escócia ganha muito com a união de vocês, os dois países ganham, por isso eu proponho que o casamento aconteça o mais rapidamente possível.

O coração de Jin pareceu falhar uma batida. Suas mãos se tornaram úmidas e sua garganta seca.

-Cedo, quanto? -A pergunta veio da princesa

-Com a sua coroação na próxima semana, eu proponho que seja daqui três meses, no máximo. Assim teríamos tempo de fazer todos os ajustes necessários para a união de vocês. É uma união que já foi adiada demais, e eu pretendo ir embora assim que você subir no altar. -Seu olhar a abaixou e seus ombros caíram.

-Como assim ir embora?- A princesa se levantou, caminhou até o lado da mãe e se abaixou ficando em sua altura.

-Eu não posso mais ficar aqui. Moro nesse castelo desde meus 15 anos. Me casei, tive meus dois filhos e governei ao lado do homem que amei, mas os dois se foram, e você também se foi no momento em que decidiu sair do país.- A mais velha passou as mãos pelos cabelos da filha- Eu preciso de paz, e só vou conseguir sabendo que você não estará sozinha.

-Eu não preciso de um homem na minha vida para garantir que eu vou fica bem- disse a morena com raiva, logo olhando para o rei- sem ofensa.

-Não ofendeu.- Disse, com um aceno de cabeça.

-Ah, Aurora, você nunca precisou, por isso é a mais forte- Um beijo foi depositado na testa da menina enquanto lágrimas escorriam pelo rosto da mulher- Mas de um jeito ou de outro vocês precisam se casar, fizemos um acordo e ele está sendo cobrado agora.- As lágrimas cessaram e a rainha se levantou, ajeitando o vestido- Eu não espero que vocês se apaixonem em um prazo de três meses, mas eu espero que se conheçam e se tornem amigos, porque viver na monarquia sem um ombro amigo para chorar todas as noites, é uma sentença de morte.

•••••••

Os dois saíram do escrito e soltaram suspiros de alívio ao mesmo tempo. Aurora estava atordoada demais com toda aquela conversa.

Casamentos por alianças políticas não eram tão incomuns, mesmo na monarquia moderna, mas ela não achou que sentiria um aperto no peito tão grande como o que sentia agora.

Seus pais, por exemplo, se casaram porque na época a corte Escocesa devia uma grande quantia de dinheiro ao seu exército e os cofres estavam falidos. O pai de sua mãe, um duque poderoso é muito rico com uma quantia vinda e passada pela família antes mesmo da guerra, ofereceu mais do que o dinheiro necessário para os pagamentos em troca de sua filha de casar com o futuro rei.

Sua mãe tinha 15 anos na época em que se mudou para o castelo e 19 na época em que se casou com seu pai, de 24 anos. A união de menores de idade não é reconhecida pelo Estado e em certos casos poderia ser considerada até mesmo crime, então seu pai, Octavian, e sua mãe, Mary, criaram um laço e uma amizade muito forte, e aceitaram sua união de corações abertos.

Eles se apaixonaram um pelo outro anos mais tarde, quando finalmente conceberam seu herdeiro e a princesa.

Os olhos de sua mãe brilhavam toda vez que estava perto do rei, e seu pai sempre aparecia sorridente na companhia de sua rainha.

A história deles era como um conto de fadas. O amor que os dois compartilhavam era capaz de mover montanhas e unir nações, como provaram tantas vezes durante seu tempo juntos.

Infelizmente seu pai falecera um pouco antes de seu 18° aniversário, e aquela luz nos olhos cinzas de sua mãe nunca mais voltaram a brilhar.

A história do rei e da rainha da Escócia era um conto de fadas, mas a de Seokjin e Aurora certamente não era.

A princesa colocou uma mão não testa e se virou de costas para o rei. Seu rosto estava quente e seus olhos marejados.

Descobrir que sua mãe iria embora para sabe-se lá Deus onde desestabilizara todas as suas estruturas. A mais velha estava nesse ramo há tempo demais, e certamente a nova rainha necessitaria de uma guia, por muito tempo.

Seokjin apertou os lábios e tocou o ombro esquerdo da princesa com sua mão.

-Aurora...

-Com licença, eu preciso respirar um pouco enquanto ainda posso.- A morena desvencilhou-se de seu toque, havia rispidez frieza em suas palavras.

O coração do mais velho falhou uma batida enquanto a observava indo embora.

Seu telefone celular vibrou em seu bolso, e logo suas mãos suaram e tremeram. Ao pegar o aparelho em mãos, havia uma esperança cega em seu coração de que fosse Sun, seu grande amor que havia ficado para trás na Coréia.

Sun não tinha dado um sinal de vida desde que partira para a Escócia, e aquilo fazia com que sua angústia crescesse cada vez mais em seu coração.

Flashes de sua última noite juntos lhe passou pela cabeça. O perfume de lavanda da mais nova, sua boca avermelhada e pequena que lhe beijava o corpo pequeno e pálido demais debaixo do seu corpo grande e quente demais.

Mas não era ela.

"Nos encontre no jardim, Seokjin-hyung"

A mensagem vinha de Park Jimin, um de seus amigos mais próximos e que vieram embarcar nessa jornada com o rei. Balançou a cabeça e guardou o aparelho em seu bolso novamente seguindo pelo corredor enquanto seus pensamentos rodopiavam sua cabeça.

O que a rainha regente havia dito sobre ser um monarca solitário, era a mais pura verdade. Desde que foi coroado, desabafava tudo o que podia durante as noites que passava com Sun, e quando esta não estava no palácio, sua cabeça parecia cheia demais e o peito apertado. Começou a fazer terapia para aliviar toda essa tensão, mas desistiu depois que a terapeuta começou a insistir em questões como seu relacionamento com Sun e seu futuro casamento com Aurora, que era o que ele menos queria na vida.

Bom, Aurora também não precisa nem um pouco animada para este casamento, então estavam quites.

Só havia uma pessoa com ele queria se casar: Sun. A coreana que conhecia a mais de uma década e a quem seu coração sempre pertencera e pertencerá.

A família de Sun servira no palácio durante anos. Sua mãe trabalhava cuidando das crianças -ele e os mais 6 duques quando estes o visitavam- e seu pai pertencia à guarda real. Depois de se aposentar, este conquistou o título de lord e comprou uma propriedade no campo, longe da realeza.

Como Sun era muito amiga dos meninos, o rei e a rainha permitiam que a menina visitasse a residência da família real em todos os fins de semana e feriados que quisesse. E com o tempo, os dois acabaram por se aproximar, e no final se apaixonaram.

E era assim há anos: Todo fim de semana Sun pegava dois ônibus para chegar até o palácio e passava os dias na companhia do rei e de seus amigos e familiares.

Todos sabiam do romance, os dois não faziam questão nenhuma de esconder, mesmo que já estivesse prometido a outra mulher. Lembra de uma vez sua mãe lhe alertar sobre isso, não fazer besteira levando esse relacionamento para um beco sem saída, porque em algum momento os dois precisariam se separar.

Um dia, Jin cometeu o erro de perguntar a Sun se não estaria disposta a ser sua amante. A mulher se sentira tão ofendida que permaneceu longe do rei por mais de um mês, sem responder mensagens ou ligações, exatamente como fazia agora.

Ao chegar ao jardim do castelo, o sol e calor escaldantes penetraram sua pele fazendo um arrepio se espalhar pelo seu corpo. O dia estava realmente abafado e as pedras com que o castelo fora construído séculos atrás pareciam estar em chamas de tão quentes.

Andou alguns metros até encontrar seus dongsaeng sentados em cima de uma toalha na grama verde e recém aparada.

Todos os seis estavam de bermuda e camiseta, riam e conversavam enquanto desfrutavam das frutas e sucos dispostos na toalha. Crianças corriam pelo gramado e em volta dos rapazes. Jim observou quando uma adolescente que brincava com as crianças colocou uma música animada e chamou Yoongi para dançar com ela e com as crianças.

O homem de cabelos brancos descoloridos relutou, mas com a insistência das crianças e até de seus amigos, este se levantou e segurou a mão da jovem e das crianças, dançando em uma rodinha animada.

Jin se aproximou dos rapazes e estes se levantaram e fizeram uma reverência breve- menos Yoongi, que fora impossibilitado de deixar a rodinha de crianças e adolescentes e gritando um “boa tarde majestade” por cima da música-, Jin retirou os sapatos sociais e as meias e se sentou na mesa, pegando um pote com uvas e pegando algumas.

-Então é isso que vocês ficam fazendo enquanto eu decido o futuro na nossa nação?- Disse debochado

-Ei, hyung, não nos entenda mal. Estamos muito tristes pela morte do rei e pelo seu casamento forçado, mas não se pode chorar pelo leite derramado, certo?- Jimin respondeu, dando de ombros e passando a mão pelo fios castanhos de seu cabelo, uma leve camada de suor brilhava perto da raiz de seu cabelo.

-E eu acho que as crianças não ligam muito se um rei morreu e o outro está praticamente sentenciado a isso desde pequeno- Jungkook, o mais novo, usava uma marcara cirúrgica preta em seu rosto e apontou para as crianças que brincavam e corriam com seu amigo Yoongi.

Todos riram em uníssono observando a cena.

-Talvez não seja de um todo mal ser rei de uma nação como a Escócia, as pessoas são bem mais animadas aqui do quem casa- Jimin abaixou os ombros e estendeu uma mão para o copo com chá e gelo em seu frente, bebendo um gole

-Deve ser porque eles não tiveram tanto dano com uma guerra que acabou antes mesmo dos nossos nascimentos. -Namjoon disse frio, olhando para a toalha.

Todos ficaram em silêncio, ouvindo o som da brisa que ia e vinha, os pássaros que cantavam e as crianças que riam alto ali perto.

Jim estalou os dedos, olhou para o horizonte, além de Castle Rock, conseguindo ver os prédios altos e monumentos históricos.

-A Ásia inteira fora bombardeada de uma vez só, e foram os escoceses que acolheram nosso povo enquanto os militares lutavam nas linhas de frente- Sua voz era ríspida e direcionada ao que havia recentemente falado- e depois do fim da guerra, eles ajudaram a reconstruir o país, enquanto cuidavam de seu próprio, e garantiram que todas as famílias voltassem para casa com uma condição confortável até que tudo se ajeitasse.

-E sem falar que na época, o primeiro ministro do país havia liberado 2/5 de suas forças armadas para defender a Ásia enquanto os Estados Unidos e a Coréia do Norte se dilaceravam. -Taehyng comentou – E a Escócia foi o único país que se importou com a Coreia do Sul, levando médicos, comida e água para o nosso país para aqueles que não conseguiram fugir. Mas isso não significa que não tiveram perdas.

Jin assentiu, se servindo de chá gelado e tomando um gole, sentindo o líquido escorrer por sua garganta e lhe trazer uma refrescância momentânea.

- Bem, aparentemente teremos mais uma guerra- Jin declarou, calmo- Aurora não está nem um pouco interessada em se casar comigo.

-É sério isso? Eu lembro dela criança e toda caidinha por você!- Disse Hoseok

-Bom, ela até poderia ser “caidinha por mim” naquela época, mas hoje em dia ela eu só vejo desprezo no rosto dela.

Yoongi finalmente retornara para a companhia de seus amigos, sentando- ao lado de Jungkook

-Não pude evitar de ouvir a última parte, hyung- Yoongi pegou um morango e começou a tirar as folhas no topo da fruta- mas, e quanto a Sun?

Uma brisa percorreu o jardim enquanto Jin pensava no que falar, se é que havia algo a ser dito.

-Bom, eu acredito que terminamos para valer.- Eu coração palpitou e sua respiração ficou desregular enquanto sua cabeça pendia para trás e observava o céu limpo e sem nuvens.

Sem saber, os sete homens eram observados por uma janela dois andares acima do chão no castelo por uma princesa que se sentia tão deslocada em sua própria casa como os estrangeiros.

•••••••••••

Castelo de Edimburgo, Edimburgo, Escócia. 25.06.2062. sexta-feira, 02:15 am•

Um silêncio absoluto reinava pelo castelo e sede oficial do governo da Escócia. Os Guardas da Rainha faziam suas rondas pelo castelo e pela propriedade que o cercava; muitos estavam sonolentos por conta do dia corrido para os preparativos do velório e a chegada de novos convidados ao castelo.

Durante o dia, Aurora tivera uma breve conversa com sua mãe sobre o falecimento de James que fora confirmado por uma morte súbita, em seu sono mais tranquilo. A ideia de que o irmão não sofrera com dores em seus últimos momentos lhe reconfortou o coração angustiado.

No restante, fez provas de vestidos para o dia seguinte, para a próxima semana em sua coroação e conversara com o estilista e sua equipe sobre o futuro vestido de casamento, que agora parecia mais real que nunca.

Agora, na madrugada, se remexia na cama sem um sinal do sono tão necessário para se manter em pé durante o velório. Seu resfriado não deu qualquer sinal de melhora, mas sua garganta já estava bem melhor após tomar os chás que as cozinheiras lhe preparavam.

Seus olhos castanhos encontraram a luz do luar do lado de fora da janela que fora esquecida de ser fechada por uma cortina, seus cabelos pretos e ondulados se misturavam no travesseiro em uma confusão de nós e cachos.

Se sentou na cama, encostando os pés no chão de madeira e se levantando. Caminhou até as portas duplas que davam para sua varanda cercada por um muro de pedra que lhe batia na cintura e algumas plantas espalhadas pelo balcão.

O vento frio da noite se chocou com o corpo quente coberto por uma fina camisola de seda perolada, fazendo seus pelos por todo corpo se eriçarem. Apoiou suas mãos na mármore fria do balcão esticando o corpo até ficar com a postura ereta e deixar o vento frio bater em seu corpo enquanto fechava os olhos.

No dia seguinte enterraria seu irmão mais velho.

James era muito mais parecido com a mãe do que Aurora. Os olhos cinzas eram os mesmos, os cabelos enrolados e escuros, a pele levemente mais escura, até mesmo as pintinhas no rosto.

Já Aurora era a cópia perfeita do pai: sobrancelhas perfeitas e grossas, olhos escuros assim como o cabelo preto e liso, a altura vinha de sua mãe -que no caso era 5 centímetros mais baixa que o marido-, a pele branca demais é que ficava avermelhada quando tomava muito sol.

Seu irmão sempre fora referência em sua vida. Era educado, inteligente, presava pelo bem-estar de seu povo e família. Quando eram mais novos a mais nova se recusava a dormir num quarto sozinha alegando sentir muito medo dos monstros embaixo da cama e dentro do armário que as babás lhe diziam ficar escondidos e sair quando ela não se comportava.

Sua mãe demitiu as babás após colocarem tanto medo desnecessário numa criança de 3 anos e pediu que a cama da pequena fosse movida para o quarto do irmão, e foi assim até James começar com as graças de adolescente e expulsar a mais nova para seu antigo quarto.

James fora introduzido aos afazes de um rei já criança, crescendo ouvindo que teria uma nação para governar e pessoas para cuidar. Este lia muito sobre história e gostaria de fazer faculdade sobre se não tivesse sido coroado aos 23 anos após a morte do pai.

Agora, duas das suas três maiores referências na vida já haviam partido, e sua mãe em breve deixaria Edimburgo para viver longe da vida e dos escândalos da Corte.

Um espirro lhe chamou a atenção para o gramado abaixo de seu quarto.

Só podia ser brincadeira.

Uma brincadeira de muito mau gosto do universo que não estava nem um pouco a seu favor.

Seus olhos encontraram primeiro a toalha vermelha de mais cedo, então o corpo enrolado em uma manta e seu cabelo liso e brilhante.

Ele estava de costas, então ela não conseguia ver seu rosto mas imaginava que estaria com os lábios comprimidos, a testa franzida e o olhar distante.

Seus coração palpitou por míseros segundos antes de entrar novamente no quarto, vestir um hobby preto e calçar suas pantufas antes de sair pelas portas do aposento em direção ao corredor.

Os corredores até o salão de entrada eram iluminados por luzes no teto, os guardas estavam em posição perto das passagens e todos inclinavam a cabeça em sua presença.

Dois guardas a acompanharam até a enorme cozinha no térreo, abriram uma porta nos fundos e aguardaram sua saída.

Parecia que estava muito mais frio agora do que minutos antes.

Seguiu pelo jardim até o lugar onde o tinha visto, ele continuava lá, no mesmo lugar.

Um suspiro lhe saiu da boca quando se aproximou do mais velho, seus passos quase inaudíveis na grama úmida pelo sereno.

Porém ele sentiu sua presença. Sentiu sua onipotência. Sua cabeça se virou em sua direção, encontrando-a a alguns passos de distância de onde estava sentado.

Seus passos haviam cessado quando seus olhares se cruzaram, a boca vermelha abriu mas logo se fechou sem nada para dizer.

-P-posso?- sua voz rouca pelo resfriado tremeu, mais pelo frio do que pelo nervosismo.

Jin levou alguns segundos para entender seu pedido, mas logo balançou a cabeça e abriu espaço na toalha.

Aurora sentou-se ao seu lado, sentiu a mesma fragrância amadeirada de mais cedo. Inspirou fundo absorvendo as notas de seu perfume e assustou-se quando sentiu o tecido pesado da manta em volta de seus ombros.

A manta estava quente e com o perfume dele.

Droga.

Mil vezes droga.

Ela era aquela garota de 15 anos novamente, apaixonada pelo rei da Coréia e seu noivo.

A mesma garota que não aguentava olhar em seus olhos profundos sem enrubescer e gaguejar.

- Também não consegue dormir?- sua voz firme lhe despertou do transe.

Se enrolou bem em seu pedaço da manda tentando se proteger da noite fria que cobria a Escócia.

- Ainda não acredito que ele se foi...-Sua voz estava tão fraca, nem parecia que pertencia a futura rainha de uma nação.

Os dois ficaram em silêncio, encarando as luzes da grande cidade de Edimburgo.

-Eu acho que sua mãe tem razão.- diz virando o rosto, encontrando o perfil perfeitamente desenhado da princesa.

-Sobre o que?- Seus olhos se encontraram e uma galáxia cheia de estrelas parecia ocupar o lugar onde seus olhos castanhos e frios estavam mais cedo.

Jin balança a cabeça, desvia o olhar para suas mãos

-Sobre nós sermos amigos. Não adianta ficarmos contra uma situação que nos foi imposta ainda crianças pelo bem do nosso povo. Não podemos simplesmente quebrar um acordo que afetaria tanto os dois países.- Jin eleva um pouco a voz, o suficiente para que os dois guardas que acompanhavam a rainha dessem dois passos para mais perto do casal.

Aurora balança a cabeça olhando os guardas, eles recuam mas não relaxam a postura.

-Eu sei que a Escócia não depende da Coréia, mas nós dependemos de vocês- Ele volta a encara-la, agora com a expressão mais suave- Mesmo depois de tantos anos depois do fim da guerra, muitos dos nossos campos ainda se recuperam das bombas, tornando o plantio quase impossível. Eu tenho tentado recuperar cada parte do país desde que coloquei aquela maldita coroa na cabeça, mas não é nem um pouco fácil. E a Escócia tem ajudado com a exportação de alimentos e remédios, além das forças armadas e médicos.

-Na última vez em que estive lá, grande parte de Seul e algumas cidades vizinhas já estavam recuperadas.

-Sim, de fato. Nossas indústrias e fábricas foram reabertas, assim como colégios e universidades. Mas ainda tem muita coisa a ser feita, principalmente em hospitais e pacientes expostos a radiação das áreas mais afetadas.

Essa última parte trouxe uma lembrança no fundo da memória de Aurora de quando ela era mais nova e vira no jornal local a quantidade de pessoas que viviam com doenças após a guerra, assim como o número de mortes causadas por elas eram enormes.

-Aos poucos, a Coréia tem crescido, um passo de cada vez caminhando para deixar a guerra e suas sequelas para trás.

O patriotismo de Seokjin era palpável. Sua postura havia mudado enquanto falava do país, se tornando mais ereta e o olhar mais firme.

Aurora não sabia o que falar. Só havia estado na Coréia duas vezes na vida, e raramente via o nome do país nos noticiários internacionais. A última noticia envolvendo o país fora sobre sua economia que estava crescendo mais do que o esperado.

-Eu tenho...-pigarreia- tinha, alguém em Seul.- Revela Jin, focando seu olhar no horizonte mais uma vez – Se vamos ser amigos, eu acredito que seja melhor você saber de tudo.

Aurora já esperava aquilo. E na verdade já sabia por conta do acontecimento na coroação do mais velho a sua frente.

-Entendo.

-Ela sabe sobre nós, sempre soube. E mesmo assim continuou comigo por anos, me apoiou durante todas as etapas até minha coração e permaneceu ao meu lado até o comunicado do falecimento de seu irmão chegar, e não ter mais nenhuma desculpa para adiar nosso casamento. -Ele pausa por um momento e olha para a morena, sua expressão é serena e compreensiva enquanto o encara- Foi graças a ela e aos meninos que eu não enlouqueci até agora. Mas ela partiu quando eu vim pra cá, e não ouço mais nenhuma palavra dela desde então.

Aurora engole em seco, respira fundo e assente.

-Eu também tive uma pessoa em Páris. – Seus olhos se iluminam ainda mais – A conheci na faculdade, era minha colega de quarto – um choque momentâneo passa pelo rosto de Jin e um sorriso luminoso abre no rosto de Aurora – Ela sabia quem eu era, e mesmo assim ficou comigo. Nosso romance não era de conhecimento público, nem mesmo nossos amigos mais próximos tinham consciência disso. Éramos vistas como melhores amigas, praticamente irmãs. E sempre que saíamos juntas, ninguém nunca desconfiava de nada. – Seu olhar se voltou para o céu – Ela era a minha pessoa.

-Então... você...? – Jin não terminou a frase porque Aurora interrompeu

-Não. Eu sou bissexual. Tive parceiros homens e mulheres antes dela, mas durante muitos anos nós fomos as únicas na vida uma da outra. – O jeito como a princesa falava de sua amante era puro e cativante.

Jin observou a noiva durante o silêncio que se prosseguiu, observou deusa feições delicadas e fortes. Percebeu como ela havia mudado desde seus 15 anos. Ela não era mais uma princesinha mimada e apaixonada pelo príncipe. Agora era uma mulher. Uma Rainha. Sua Rainha.

-Minha cor favorita é verde. – Disse Aurora, o sereno da noite piorando sua voz que já não estava em boas condições. – Eu sempre quis ter um cachorro, mas meus pais nunca deixaram porque “um castelo não é lugar para um cão” – fez as aspas com os dedos enquanto engrossava a voz e fazia uma careta arrancando uma risada de Jin – mas sempre que eu vejo um cachorro na rua, eu faço carinho. Agora já virou um hábito, não consigo mais evitar – Deu de ombros

Jin pigarreou quando percebeu que era sua vez de falar

-Eu gosto da cor rosa, e da azul também. Tive um cãozinho na infância e dois Sugar Gliders*, que já faleceram – Jin sorriu – Diferente da senhora, eu não sei tocar instrumento nenhum, mas canto um pouco.

-Hmm... será que posso ouvir um pouco? – Aurora levanta a cabeça e o empurra com o ombro de brincadeira

-Olha, talvez, um dia, eu lhe mostre minhas habilidades de canto. Tenho medo que ouça minha voz radiante e entre em um choque tão profundo por conta de minha beleza e minha voz que não consiga se tornar rainha – Jin se gabou, mexendo os ombros e fazendo uma cara sexy.

Os dois caíram na gargalhada logo em seguida.

O clima entre os dois estava muito melhor do que o esperado, principalmente da parte de Aurora que sempre vira seu casamento arranjado com Seokjin um tipo de prisão pelo resto de sua vida. Mas ali, rindo com ele, conhecendo sobre sua rotina, seus gostos, medos e alegrias, via que dali poderia sair muito mais coisas boas do que ruins.

••••••••

• Castelo de Edimburgo, Edimburgo, Escócia. 25.06.2062. 8:27 a.m •

-J-HOOOOOOOOOOOOOOPE- Um grito alto demais ecoava pelo corredor do quarto de Seokjin.

A porta de seu quarto abriu e fechou abruptamente e logo um corpo magro se chocou ao seu na cama enorme do quarto de hóspedes.

-Mas que porra...?- Jin levantou a cabeça e encontrou Hoseok rindo enquanto se encolhia ao seu lado. O rei estava com o rosto inchado e o cabelo bagunçado. Além de um bafo nada agradável

-Hyung....me proteja- Hoseok falava com dificuldade por conta das gargalhadas que saia de sua boca.

De novo sua porta foi aberta e agora Min Yoongi passou por ela. Seu semblante era de ouro ódio direcionado ao rapaz de cabelos vermelhos encolhido ao lado do rei.

-Deus me proteja- disse ainda gargalhando

-Jung Hoseok, eu vou TE MATAR! – Yoongi correu na direção de J – Hope enquanto este continuava a rir feito uma hiena.

-Mas que merda, alguém pode me explicar o que tá acontecendo?- Jin se levantou já irritado e afastou Yoongi de Hoseok com muita dificuldade

-Esse paspalho cabeça-de-fosforo trocou todas as minhas meias pretas e brancas...por ISTO! – Yoongi levantou no ar um par de meias compridas estampadas de hot dogs e listras vermelhas onde os ficavam os dedos dos pés e na boca da meia.

Jin não aguentou quando viu as meias e também caiu na gargalhada junto com J-Hope que ainda estava deitado na cama. Yoongi logo voltou ao trabalho de espancar a bunda de Hoseok com o par de meias.

Logo os outros quatro – Jungkook, Namjoon e Jimin- apareceram na porta do quarto ainda de pijamas e ficaram observando a cena perplexos.

Até começarem a cair na gargalhada junto com o cabeça-de-fosforo e o rei.

-AISH!- Yoongi bateu com mais força -Eu odeio você, Hoseok! – Yoongi se afastou do mais novo, e quando percebeu que todos os outros também riam, bateu em suas pernas e braços com as meias antes de se retirar do quarto puto da vida.

-Esse foi genial, J-Hope! – Namjoon se aproximou do menino e os dois fizeram um high-five ainda rindo.

Catedral de Santo Egídio, Edimburgo, Escócia. 25.06.2062. 11:03 a.m •

Todos os membros que estavam hospedados no Castelo pelos últimos dias agora ocupavam todos os lugares na igreja. A luz do sol entrava pelos vitrais e estes traziam um toque de cor à Catedral iluminada.

No primeiro banco da fileira da esquerda estava a família do falecido, ou seja, Aurora e sua mãe, Mary. Atrás delas estavam alguns membros do parlamento Escocês, 36 no total 10 representantes do parlamento europeu.

Na fileira da direita, não havia exatamente uma ordem, mas a rainha fora bem clara em quem devia se sentar nas 5 primeiras fileiras: a primeira estava Seokjin e seus amigos, por serem próximos de James, e atrás destes nas 4 filas restantes estavam as cortes francesas, inglesas, holandesas e irlandesas. E no restante estavam as demais delegações de outros países como África do Sul, Brasil, Alemanha, Itália, Austrália, e os nobres escoceses.

Diversos países não puderam mandar seus governantes, então resolveram mandar seus representantes. Países como Portugal, Espanha e (choquem) Estados Unidos nem mesmo responderam aos e-mails sobre a morte de James ou se pronunciaram publicamente.

Para a Rainha, tanto faz como fez.

Se ela pudesse, a cerimônia seria somente ela e Aurora, mas as “etiquetas” mandam que seus aliados e não aliados sejam convidados, haja um velório e enterro apropriado.

Em cima do altar, estava o caixão de madeira preto com dourado de James. A bandeira escocesa jazia dobrada em cima do caixão.

Atrás estava o pastor, John, que liderava o culto em homenagem ao falecido rei.

Aurora abaixou a cabeça por um momento. Diferente de sua mãe, a mais nova não tinha chorado ainda, nem sabia se conseguiria, mas sua aparência era cansada e abatida, seus ombros estavam baixos e as mãos cobertas por luvas pretas.

Seu vestido era preto com detalhes dourados na frente e longo, escarpan preto nos pés e uma tiara fina e delicada em sua cabeça.

Só havia retornado para seu quarto as 5 da manhã, quando os primeiros raios de sol começavam a aparecer no horizonte.

Passara a madrugada no jardim ao lado de Jin, conversando sobre suas vidas e coisas aleatórias.

Eles ainda precisavam conversar sobre muitas outras coisas, mas isso já era um começo.

Aurora olhou para o lado, tentando ver seu noivo, mas este se encontrava na outra ponta do banco, escondido por seus companheiros. Seus olhos analisavam o rapaz mais baixinho, o qual não se recordava o nome, de cabelos descoloridos e, surpreendente, meias de hot dogs que estavam bem aparentes por sua posição sentada no banco.

Todos se levantaram ao final do culto. Aurora se surpreendeu ao ver Seokjin e seus amigos indo em direção ao caixão, e o erguendo até a saída da Catedral.

Os seguranças abriram as portas e se colocaram na frente dos sete rapazes com o pesado caixão em cima das cabeças.

O lado de fora estava um verdadeiro caos: uma multidão de pessoas que vieram para se despedir, fotógrafos e jornalistas que tentavam se aproximar da família real e seus convidados.

O caixão foi colocado no carro funerário e os nobres e políticos seguiram para seus carros a caminho do castelo de Edimburgo.

Apenas a família real escocesa e os membros da corte coreana seguiriam para o cemitério.

•••••••••

O caixão foi posto no jazigo da família, enrolado na bandeira do país e com rosas espalhadas por sua extensão. Aurora tocou o ombro da mãe, que estava parada em frente ao caixão do filho mais velho segurando um lencinho branco com o qual enxugava as lágrimas.

-Mamãe, precisamos ir- o tom de voz da princesa era calmo e baixo, fazendo apenas que a rainha escutasse.

-Eu não posso deixá-lo ainda...-mais uma lágrima escorreu dos olhos de Sua Majestade enquanto esta se aproximava e tocava o caixão com a mão coberta pela luva preta.

A princesa olhou para trás, encontrando os sete rapazes que já haviam feito suas despedidas e precisavam voltar para o castelo para arrumar suas bagagens

-Eu posso ficar com ela.- Um deles deu um passo a frente e reverenciou. Os cabelos castanhos e seu mullet estavam perfeitamente penteados naquele dia -Kim Taehyung, Majestade.

Com os saltos do escarpan, Aurora estava ligeiramente mais alta que Taehyung, mas descalços deviam ter a mesma altura.

A morena sorriu de canto, fez um aceno com a cabeça e se aproximou de Taehyung, estendendo a mão.

-É muita gentileza sua, senhor. – Taehyung depositou um leve beijo nas costas de sua mão, surpreendendo a princesa.

Ninguém, ninguém, jamais havia lhe beijado a mão. Os homens faziam reverências e acenavam com a cabeça, mas diferente do que acontecia com sua mãe, que era a rainha, ninguém nunca lhe beijou a mão.

Nem mesmo seu noivo.

Aurora sorriu, quase mostrando seus dentes brancos, e puxou a mão delicadamente, juntando com a outra.

-Eu sei bem como é difícil se despedir de alguém que amamos, eu posso fazer companhia a rainha para que ela não se sinta sozinha. – O jovem tinha a voz grave e semblante sério, mas seus olhos eram tão gentis quanto as palavras que saiam de sua boca.

Aurora checou os seguranças do lado de fora, retornou seu olhar para Taehyung e balançou a cabeça.

-Muito obrigada, Sua Graça. Seu gesto não será esquecido. – Aurora tocou o ombro do rapaz ao passar por ele e sair do jazigo. Ao encontrar seu noivo, lembrou do beijo de Taehyung e sua mão formigou, recolocou as luvas pretas e juntou as mãos na frente do corpo.

-O duque Kim Taehyung se ofereceu para fazer companhia à minha mãe enquanto retorno ao Castelo com os senhores. – Aurora levantou o queixo, e a luz do sol da tarde bateu em seu corpo, realçando suas maçãs exalando um brilho poderoso da futura rainha que capturou a atenção de Seokjin.

- Espero que ele não se atrase para arrumar as malas, partimos amanhã de manhã. – Um dos meninos disse, o mais baixinho e de meias engraçadas.

- Podem ficar tranquilos. Tomarei medidas para que tudo seja resolvido em seu tempo. Vamos? – Aurora gesticulou para o carro preto.

No dia seguinte, a corte da Coréia do Sul e os demais países voltariam para casa, assim como as delegações. Porém estes retornariam para a coroação da princesa na próxima semana.

O estômago de Seokjin se embrulhou com a expectativa de chegar em casa e, por um milagre, encontrar seu amor por lá, o esperando.


Notas Finais




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