História A Herdeira - Capítulo 15


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Categorias Saga Crepúsculo
Personagens Bella Swan, Edward Cullen
Tags Bella, Crepusculo, Edward, Herdeira
Visualizações 19
Palavras 5.549
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Playlist: La Isla Bonita - Madonna;

Todos os personagens pertencem à Stephanie Meyer.

P. S.: Essa fanfic também estará sendo postada, paralelamente, no site Spirit Fanfics, onde eu tenho uma conta com o mesmo pseudônimo e mesmo e-mail de contato. Por isso, se a virem por nesse outro site, não se preocupem porque não é uma cópia. Eu apenas a estou publicando ao mesmo tempo em dois lugares diferentes.

Capítulo 15 - Capítulo 14 - La Isla Bonita


A Herdeira

Capítulo 14 – La Isla Bonita

A ilha era absolutamente magnífica.

Na verdade, era como estar em uma pintura. A areia branca cercada por um mar cristalino emoldurando a linda casa de praia mais ao longe, bem no centro da ilha, mas completamente visível já que o terreno era quase que perfeitamente plano. Atrás da imensa construção branca, havia uma vegetação rasteira e verdejante, com altas palmeiras que protegiam a casa do sol que estava raiando.

Era maravilhoso. E Bella estava absolutamente deslumbrada.

- Você gostou, Bella? – Esme lhe perguntou com uma voz esperançosa.

- É claro! – Bella exclamou, sem fôlego. – É absolutamente lindo!

- Sim... – Carlisle murmurou e colocou os braços ao redor de Esme, beijando-a apaixonadamente – E parece que o tempo nunca passou.

- Parece que foi ontem que eu vim aqui pela última vez com você. – ela uniu a testa com a do noivo – Sonhei tantas vezes em voltar para este lugar com você... E aqui estamos nós. – ela suspirou de contentamento.

- E logo vamos poder fazer as coisas que fazíamos quando jovens... - ele a abraçou mais forte – Só que agora como marido e mulher. Será como se nunca tivéssemos ido embora. – ele sussurrou no ouvido dela – Eu te amo.

- Eu também te amo. – Esme murmurou, emocionada.

Eles começaram a se beijar intensa e apaixonadamente e Bella se viu forçada a desviar os olhos, acabando por pará-los no lugar onde Edward colocava a última mala para dentro. Ela ainda estava se perguntando o que fora aquilo no avião. Aquele não era o comportamento do Edward que ela conhecera e que a deixava absolutamente enfurecida. Contudo, ela só o vira agir assim até agora por menos de um dia e, em contrapartida, passara meses sendo mal-tratada nas mãos do velho Masen.

Definitivamente, ela não estava convencida. E não era dividindo macarrão que ela seria.

- Hmmm... Queridos... – ela ouviu Esme dizer, ofegante, e a viu se aconchegar nos braços de Carlisle depois do beijo. – O que acham de tomarmos um banho e irmos dormir? Mal são seis da manhã. Podemos começar nosso passeio à tarde.

- Eu acho uma ótima ideia. – Bella concordou, adivinhando para quê os dois queriam ir "descansar" – Podem me mostrar onde é o meu quarto e o banheiro?

- Eu posso, se quiser. – Edward ofereceu, novamente surpreendendo-a.

- Ótima ideia! – Esme sorriu, satisfeita. – Vamos, amor? – ela puxou a mão e o guiou para fora sala antes que Bella tivesse a chance de protestar.

- Me acompanhe, por favor. – ele pediu e começou a puxar as malas dela, levando-as com ele.

Bella o acompanhou pela casa, que era mobiliada e decorada de um jeito rústico e acolhedor, repleto de móveis e utensílios de madeira e pedra e decoração de artesanato de palha e barro. Era realmente um lugar aconchegante e muito bonito. Ele a guiou por um corredor espaçoso até que eles pararam em uma porta de madeira escura.

- Esse quarto é uma suíte. – ele a avisou – Sua família ficará no restante dos quartos desse corredor. Eu, Carlisle, Esme, e os demais convidados que não vão ficar em um hotel, ficaremos nos quartos do corredor de trás.

- Certo. Obrigado. – ela abriu a porta do quarto, empurrando suas malas para dentro, e estava pronta para se trancar lá, quando ele a chamou.

- Stra. Swan... – o rosto sério dele parecia quase nervoso – Será que eu poderia conversar com você por um momento?

Ela o avaliou de cima a baixo por um momento, tentando imaginar o que ele teria a dizer a ela e se seria algo como nos velhos tempos. Verdade seja dita, ela também queria confrontá-lo sobre aquele novo comportamento e perguntar o que ele estava fazendo. E, principalmente, ela queria saber se aquilo era verdade, o que ela duvidava muito.

Ela sinceramente não conseguia imaginá-lo se arrependendo.

Contudo, ao sentir seus olhos pesarem mesmo depois de ter dormido tanto no avião, ela tomou sua decisão.

- Eu estou cansada da viagem agora. – ela tentou ser o mais formal possível – Será que essa conversa poderia esperar?

- É claro. – ele suspirou, afastando-se da porta – Tenha um bom descanso.

Ela fechou a porta rapidamente atrás de si e também suspirou. Aparentemente ele não estava disposto a ignorá-la, o que complicada seu plano de como manter aquele mês tranquilo. Contudo, ela não desistiria de fazer aquele casamento ser o melhor dia da vida de seus pais.

Independente do que estava passando na mente de Edward Masen.

(***)

A tarde ensolarada estava ainda mais bela que o dia.

E Bella pulou da cama e tomou um bom banho para poder conhecer um pouco mais daquele paraíso. Contudo, ao sair do corredor de seu quarto, ela trombou diretamente com Edward.

Ótimo.

- Bom dia. – ele a cumprimentou educadamente.

- Bom dia... – ela retrucou de maneira desconfiada, passando rapidamente por ele e indo até a sala de estar, tentando evitar que ele sugerisse novamente que eles conversaram.

Contudo ao chegar até a sala, ela viu um jovem sorridente que não podia ser mais do que um ano mais velho do que ela. Ao vê-los ali perto, ele sorriu mais, parecendo muito simpático, e se aproximou deles com a mão estendida.

- Vocês devem ser os noivos. - ele os cumprimentou alegremente – Sr. e Sra. Cullen, muito prazer, meu nome é Seth. Ah, e meus parabéns pelo casamento.

- Ah, não... – Bella negou, desconsertada pelo garoto achar que os dois eram um casal – Nós não somos os noivos. Só estamos aqui para o casamento...

- Oh, Seth! – a voz de Esme interrompeu sua explicação e ela a viu se aproximar, vinda do outro corredor – É você mesmo? Você cresceu tanto...

- Oh, prazer em revê-la, Sra. Cullen. – Seth riu de seu engano – Eu deveria saber. Você parece exatamente como minha mãe descreveu. Me desculpe, mas faz tanto tempo que não nos vemos, que me esqueci como a senhora se parecia.

- Não se preocupe com isso. E eu ainda sou a futura Sra. Cullen, na verdade. – ela riu, abraçando-o – E como está a Sue? Eu não a vejo há tanto tempo...

- Ela e meu pai estão se dedicando ao restaurante na cidade agora. Então me pediram para vir aqui e preparar a casa para você e conseguir o que vão precisar para o casório.

- Isso é ótimo. – ela comemorou e então fez um gesto em direção a Edward e Bella – Seth, esses são meus filhos, Isabella e Edward. Queridos, esse é Seth Clearwater, filho dos nossos caseiros, Sue e Harry, que moram na cidade mais próxima.

- Não sabia que você tinha uma filha. – Seth estranhou.

- É uma longa história. – Esme fez um gesto displicente com a mão, sinalizando que ele deveria deixar aquilo para lá.

- É um prazer conhecê-los. Desculpem o mal entendido. – o menino coçou a nuca, envergonhado.

- Tudo bem, Seth. – Bella sorriu – Prazer em conhecer você também.

- Bem, Seth, será que poderia conferir nossos mantimentos? – Esme perguntou – Eu e Bella vamos dar um passeio pela ilha agora e eu gostaria de saber se temos o suficiente para o jantar, antes de sair.

- É claro, senhora. – o jovem sorriu e saiu da sala.

- Eu vou apenas colocar uma roupa mais apropriada antes de nós irmos, está bem, Bella? – Esme sinalizou para o vestido leve que usava – Só vai levar um instante.

- É claro, mãe. – Bella sorriu enquanto ela desaparecia pelo corredor. Olhando ao redor, perguntou-se o que deveria fazer para evitar a figura de Edward, que pairava sobre ela.

- Stra. Swan... – ele começou, antes que ela pudesse ter uma ideia - Será que podemos conversar agora?

Ela o encarou e resolveu desconversar – Esme vai descer logo. Provavelmente não haverá tempo...

- Prometo ser breve. – ele se aproximou dela – É sobre algo importante. – ele parou bem diante dela, o peito largo tampando sua visão das coisas ao redor, mas ela se recusou a dar um passo para trás ou ser intimidada pelo tamanho dele.

Contudo, antes que ela finalmente pudesse descobrir sobre o que se tratava aquela conversa que ele tanto queria ter, uma batida soou na porta de vidro, ganhando a atenção dos dois. E lá estava a última pessoa que ela esperava ver.

Jasper Whitlock.

- Jazz? – Edward murmurou perplexo e foi abrir a porta para o amigo.

- Desculpe, acabei chegando mais cedo do que o previsto. – ele falou, na mesma voz inexpressiva que ela se lembrava. Ao notá-la ali, ele também a cumprimentou – Prazer em revê-la, Stra. Swan.

- Sr. Whitlock. – ela falou, sem saber se deveria ficar decepcionada ou agradecida com ele por ter interrompido sua conversa com Edward.

- Pronta, filha? – Esme perguntou, aparecendo novamente na sala.

- Claro. – Bella concordou apressadamente.

- Oh, Jasper, querido, você chegou mais cedo. – sua mãe abraçou Jasper, que começou a parabenizá-la pelo casamento, enquanto Edward tocava o braço de Bella, parecendo ansioso.

- Será que pode esperar alguns minutos antes de ir? – ele sussurrou – Realmente preciso falar com você.

- Eu prometi acompanhar Esme e você tem que fazer companhia ao seu amigo. – ela balançou a cabeça negativamente. – Podemos conversar sobre o que quer que seja mais tarde, Sr. Masen - ela soltou seu braço do toque suave dele e, ao ver que Esme havia terminado a conversa com Jasper, ela a chamou – Vamos, mãe.

- Sim, claro. – Esme sorriu, parecendo alheia à tensão entre os dois – Até mais tarde, rapazes.

Durante o resto da tarde, Bella passeou pela ilha com a mãe, apreciando as belas paisagens e ouvindo-a contar sobre como amava visitar a ilha quando era criança, especialmente por sua mãe ter apelidado a ilha em homenagem a ela. A ilha não era muito grande: em 50 minutos, elas já tinham dado a volta na ilha e estavam se aproximando da casa novamente, enquanto Esme lhe contava sobre como a cidade costeira mais próxima ficava há apenas 20 minutos e que lá eles compravam comida e podiam ir a hospitais, spa's e restaurantes. Contudo, Bella duvidava que iria querer ir até lá. A ilha era linda e pacífica demais para ela pensar em ir para qualquer outro lugar enquanto tivesse a oportunidade de repousar ali.

- Você gostou da ilha, querida? – Esme questionou quando elas já estavam quase na casa novamente.

- Eu amei. – Bella suspirou sinceramente, olhando ao redor para o imenso mar cristalino – Sinto que poderia ficar aqui para sempre.

- Eu fico tão feliz. – sua mãe abraçou-a pelos ombros, exalando felicidade. Dando-lhe um sorriso um pouco triste, ela continuou – Sabe, eu evitei vir aqui depois que achei que você tinha morrido. Pisar aqui era como rever tudo aquilo eu perdi: meu bebê, o amor da minha vida... Senti falta desse lugar. Mas, sabe? Agora ele parece ainda mais especial. Porque você, Carlisle e Edward estão aqui. Depois de tantos anos, eu tenho a família que sempre sonhei e vou me casar com o homem que amo.

- E certamente não há lugar melhor no mundo para fazer esse casamento. – Bella a abraçou de volta – Já pensou melhor em como vai querer tudo?

- Eu quero algo pequeno e íntimo. – Esme afirmou, decidida – Só quero nossa família e amigos aqui. Não quero que a festa seja o mais importante, mas sim o amor.

- É claro. – Bella concordou – Hoje à noite podemos sentar de novo para olhar aquelas amostras e começar a pensar na decoração e no buffet. Tenho certeza que vamos conseguir planejar algo que você goste e que deixe tudo ainda mais especial.

- Obrigado, filha. – ela beijou sua têmpora quando elas passaram pela porta – Eu vou tomar um banho e encontrar Carlisle. Me sinto uma adolescente de novo. – ela deu uma risadinha envergonhada – Saio por um minuto e já fico morta de saudades dele.

Bella riu docemente ao vê-la desaparecer pelo corredor, ansiosa para ver o noivo. Andando até o sofá, Bella se deixou cair no sofá e ficou surpresa quando seu ofegar demorou muito para passar, ao mesmo tempo em que seu coração não batia tão forte no peito. Esme e ela tinham andando tão devagar... Por que ela estava daquele jeito?

Será que...?

Não, não. Ela balançou a cabeça, afastando o pensamento. Eu não vou pensar nisso. Já faz anos que eu não passo mal e não vai ser agora que vou voltar. Eu não sou exatamente uma pessoa atlética e fiquei andando sem parar por mais de uma hora. Sim, foi só isso. Nada para se preocupar.

Ela se concentrou em controlar sua respiração até que tudo estava normalizado e ela pode relaxar um pouco. Muito bem, sem mais drama para Isabella Swan naquele ano, ela já tivera o suficiente para uma vida inteira.

- Stra. Swan... – a voz grave de Edward atrás dela a fez pular.

Ótimo, parece que ela ia ganhar mais drama, afinal.

Levantando-se, Bella o viu parado com o rosto e os ombros tensos, mas ainda sim parecendo determinado. Com um suspiro, ele deu a volta no sofá e parou ao lado dela.

- Eu gostaria que tivéssemos aquela conversa agora, se não se importar.

Suspirando, Bella levantou-se do sofá para encará-lo. Era óbvio que ele não iria desistir daquilo, então era melhor ela acabar com aquilo de vez. Seja lá o que aquilo fosse.

- Muito bem. – ela ergueu o rosto para olhá-lo nos olhos, a sensação de desconfiança permeando-a mais fortemente do que nunca – Vamos conversar então.

Ela viu Edward tomar uma respiração profunda antes de começar.

- Primeiramente, eu gostaria de me desculpar com você.

Tudo bem, por aquilo Bella não esperava. Pelo menos não tão diretamente, apesar da nova atitude que ele havia apresentado desde o dia anterior. Incerta de para onde aquilo estava indo, Bella apenas o deixou continuar.

- Eu sei que tem todos os motivos do mundo para não querer me perdoar, nem querer que eu dirija a palavra a você novamente. Mas, eu gostaria que você soubesse que eu me arrependo de tudo o que fiz. Percebi que estava errado ao julgar você e sua família sem nem ao menos conhecê-los e estive sendo um perfeito idiota pela maneira tão rude como a tratei desde que a conheci. E também sinto muito por ter feito tudo o que fiz com você, com Esme e com Carlisle. Enfim, eu gostaria que você soubesse que eu me arrependo.

O choque de Bella durou por um segundo, até que ela parou para realmente olhar para Edward. Ele ainda era o mesmo. O mesmo cabelo, os mesmos olhos... Ainda seria o mesmo homem? Ela ter provado que ele estava errado sobre Aro havia realmente mudado alguma coisa nele? Porque ela duvidava que tinha conseguido provar algo sobre si mesma para ele. Tendo que suportá-lo durante mais de seis meses sendo um perfeito carrasco, seria necessário muito mais do que palavras para convencê-la. Por isso, ela perguntou.

- O que você quer com isso? – ela estreitou os olhos, tentando ao máximo lê-lo.

- Perdão? – ele parecia sinceramente chocado. Contudo, sobre o que ela sabia? Aro havia sido uma pessoa terrível e ainda sim ela mesma não desconfiara que ele seria capaz de roubar, mesmo quando era óbvio que ele não aceitaria mudar seu padrão de vida. E Masen era ardiloso, sem dúvida. Ela precisava tomar cuidado e analisar bem a situação antes de sequer aceitar que as palavras dele poderiam ser verdade.

- O que você quer pedindo desculpas para mim? Nós dois sabemos que a minha opinião não importa para você.

- Eu estou verdadeiramente arrependido e gostaria que soubesse. – ele fez uma expressão que era quase sofrida.

- Sim. E porque motivo você quer que eu saiba disso? - ela o pressionou.

- Porque você foi a minha maior vítima. – ele exalou, com se estivesse confessando um crime grave – Felizmente, Carlisle e Esme acabaram saindo ilesos das minhas bobagens, mas você foi quem mais sofreu. Eu queria lhe dizer que não penso mais em você daquela maneira... Que eu sei agora que você estava certa sobre tudo e que gostaria de acertar as coisas com você... Na verdade, acho que o que eu quero verdadeiramente é o seu perdão.

- Quer meu perdão porque se sente culpado? – ela questionou, incrédula.

- Em parte sim. – ele murmurou – Acho que nunca vou deixar de ser egoísta sobre isso... Será... Que pode em perdoar? – se Bella não soubesse melhor, ela diria que ele parecia estar quase... Implorando.

Encarando-o firmemente por um momento, ela decidiu falar a verdade.

- Se é verdade que você está arrependido, eu fico feliz. Mas meu perdão é algo que você não vai conseguir apenas com palavras. Lembra de tudo o que fez? Lembra das coisas que me disse? Sente muito? Ótimo. Porque você realmente foi terrível. Mas arrependimento não vai mudar essas coisas que você fez. Já parou para pensar o que poderia ter acontecido comigo graças a você se eu não tivesse conseguido aquele lucro? Porque eu já e ainda penso nisso. Já pensou como se sentiria se tivesse ouvido todas que você mesmo me disse? Se tivesse sido diminuído e ofendido o tempo todo? Porque eu sei como é, porque eu passei por isso. Você entende porque é difícil perdoar você? – ela questionou-o, exasperada.

- Sim. – ele abaixou os olhos, parecendo derrotado – Sim, eu entendo.

- Você entende que a pessoa que você me mostrou ontem e hoje ainda não é suficiente para me fazer superar aquele homem horrível que eu conheci? Que garantia eu tenho que você não está mentindo agora? Que não é mais um plano seu, como aquelas cláusulas ou o bloqueador de celular? Que você realmente superou o seu julgamento errado de mim? Como posso confiar que você não está planejando impedir o casamento da sua própria mãe bem agora?

- Eu não faria isso! – ele exclamou, parecendo ferido.

- Como disse à Esme que não tinha sido você que escondeu o número de Carlisle? – ela perguntou baixinho, sinceramente não querendo atacá-lo, apenas perguntando.

O pescoço dele voou para trás, como se ela tivesse lhe dado um tapa. Então seu rosto caiu novamente e ele parecia miserável. – Eu estava com medo dela me odiar.

- Esme nunca faria isso. – ela balançou a cabeça – Mas ela é sua mãe, talvez não pelo sangue, mas pelo coração, o que é o mais importante. Ela nunca odiaria você. Mas eu não te conhecia. E de repente você estava fazendo da minha vida um inferno. Edward... Você não apenas desconfiava de mim. Você quis me prejudicar diversas vezes simplesmente porque decidiu que eu era uma pessoa ruim e nada que eu fizesse poderia mudar sua opinião, incluindo o fato que eu nunca fiz nada para mostrar a você que eu queria me aproveitar de Esme. Como você acha que eu me sinto sobre isso?

Ele teve a decência de ficar calado, permanecendo onde estava, com os olhos longe dela e os ombros encolhidos.

- Se seu arrependimento é verdadeiro, eu acho isso ótimo. – ela suspirou – Esme merece um filho melhor do que aquele ela tinha seis meses atrás. Mas, quanto a mim... Dois dias sendo uma pessoa normal não vão me fazer esquecer o que você já fez. Diferente do que aconteceu entre nós antes, agora eu tenho provas o suficiente para desconfiar de você. Se quer realmente ser uma pessoa diferente a partir de agora, isso é maravilhoso. Mas não vou mentir para você e dizer que se você fizer isso eu vou perdoar você ou deixar de me sentir desconfortável perto de você. Se você realmente se arrependeu, eu posso até tentar perdoar você se eu achar que é de verdade, mas... Por agora... Eu sei que não sou capaz. – ela suspirou, exausta não apenas pela situação, mas também porque o ar que saiu dela parecia não estar voltando. Ela realmente precisava descansar.

Edward a olhou por um momento, as orbes verdes e... Ainda sim repletas de outro sentimento que ela não soube identificar, mas ainda parecia... Sedento. Então sua expressão se suavizou e ele voltou a falar, em tom respeitoso.

- Eu entendo perfeitamente. Na verdade, eu já esperava por isso. – ele assentiu – Agradeço por ter sido sincera comigo. Eu realmente mudei, tanto minha mente quanto minhas atitudes, e pretendo fazer o possível para mostrar isso a você... E, talvez, com o tempo, conseguir que me perdoe. – ele a encarou intensamente por um rápido segundo antes de desviar novamente o olhar – Vou parar de incomodá-la agora, tenho certeza de que precisa descansar. – ele a olhou de soslaio antes de se virar e ir embora – Obrigado por conversar comigo.

Enquanto o observava desaparecer pelo corredor, Bella se deixou afundar no sofá novamente. Realmente, as reações dele não foram nada como ela esperava. Tendo em mente o Edward que ela conhecera, ela esperava que ele explodisse e ofendesse até a trigésima geração dos Swan depois dela ter sido tão sincera com ele. Contudo, sua atitude calma a deixara quase pasma. Na verdade, ela quase o notara triste por saber como ela se sentia, mas aquilo era algo que ela podia ter apenas imaginado, já que o que ele parecia verdadeiramente era perturbado. Será que a perturbação vinha do fato dele saber o quão péssimo ele havia sido e estava se sentindo mal por isso?

Ela ainda não tinha completa certeza se ele estava verdadeiramente arrependido, mas ela poderia aceitar aquilo com o tempo. Mas seria capaz de perdoá-lo? Ela seria capaz de superar tudo aquilo que ele lhe fizera? Nunca tinha se questionado aquilo porque tinha dado como certo que ele sempre a odiaria e que jamais mudaria seu comportamento com ela. Bella decidira apenas que se esforçaria para ignorá-lo. Mas, se ele realmente tinha mudado, aquele futuro que ela imaginara mudou radicalmente. Ele se tornaria para sempre aquela pessoa que se sentara ao lado dela no vôo? Ou era apenas uma fase? Independente disso, naquele momento presente, a verdade é que ele parecia realmente determinado a conseguir o perdão dela. E aquilo a deixava profundamente perturbada, especialmente porque ela não podia deixar de se fazer uma pergunta.

Porque seu perdão era importante para ele?

(***)

Ficar deslumbrado com a Ilha Esme parecia estar no sangue dos Swan.

Os olhos de sua família brilharam desde o momento em que eles desembarcaram no Caribe e encontraram com ela e permaneceram do mesmo modo quando desceram do barco e colocaram seus pés nas areias claras da bela ilha. As crianças e Panqueca estavam em um frenesi de querer ver tudo ao mesmo tempo, enquanto que Rosalie e Alice pareciam mal ver a hora de colocar seus biquínis e aproveitar o sol, o mar e brisa da praia.

Após todos terem descansado, eles decidiram almoçar antes que Bella e Esme pudessem lhes mostrar a ilha. Porém, assim que Carlisle voltou de uma caminhada com um buquê de flores para a noiva, Bella viu em seus olhares, quando pediram desculpas para deixar a mesa, que ela teria que tomar as vestes de guia turística sozinha, o que ela não se importava nem um pouco. Naqueles quase quarto dias em que ela estivera "sozinha" na ilha, já que os noivos estavam ocupados um com o outro e Jasper e Edward passavam grande parte do tempo na cidade, – e, sendo sincera, a verdade é que ela estava evitando ele a todo custo desde aquela conversa que a deixara confusa e incomodada sobre as intenções de Edward – ela teve muito tempo para perambular pela ilha, nadar, descansar sua mente – ou pelo menos tentar - e aproveitar aquele paraíso na terra. Ela tinha muito a mostrar para sua família, certamente.

Quando o almoço tinha terminado e todos foram colocar suas roupas de banho, Alice discretamente a puxou para detrás da ilha da cozinha, no ponto mais distante dos quartos e dos ouvidos dos outros.

- Lembra quando dei para a minha mãe o meu antigo número de quando éramos adolescentes? – ela perguntou baixinho.

- Hã... Sim, eu lembro. – Bella confirmou, sem entender porque ela estava perguntando aquilo – Por quê?

- Não vai acreditar quem ligou para ela, pensando que estava falando comigo, e perguntando por você. – sua amiga parecia quase revoltada.

- Não, Alice. – Bella a encarou, preocupada – Quem foi?

- Jacob Black.

- O quê?! – ela engasgou, incrédula – O que ele queria?

- Eu não sei. – Alice deu de ombros, irritada – Ele percebeu logo que era minha mãe e tentou tirar o seu número dela, mas ela obviamente achou estranho e não disse nada, não se preocupe.

- Por que Jacob ligaria para mim? – ela perguntou tanto para Alice quanto para si mesma – Não nos falamos há literalmente mais de cinco anos. Ele não está em turnê ou qualquer coisa assim?

- Será que ele finalmente quer se desculpar? – Alice desdenhou.

Bella realmente teve que rir daquilo. – Por qual das muitas razões? Não... Certamente não foi isso. – ela refletiu – Minhas mães o vêem na televisão de vez em quando e, pelo que elas contam, ele não mudou nada desde que era adolescente.

- Pode ter certeza que sim. – sua amiga revirou os olhos – Ele deu uma entrevista para uma das revistas de moda e entretenimento que eu assino. Ele continua um idiota.

- Quer saber? Não importa. – Bella a acalmou – Se eu conheço Jacob, ele vai se distrair com algum carro caro e vai esquecer o motivo pelo qual queria falar comigo. E, sinceramente, a última coisa que eu preciso agora é falar com ele. – ela não pode evitar de bufar – Ainda não perdoei ele por aquela audição. Por nenhuma das coisas que ele fez.

- E é melhor ele não dar as caras quando voltarmos dessas férias ou eu vou finalmente quebrar a cara daquele egoísta mulherengo imprestável. – Alice rosnou.

- Alice... – Bella riu, colocando a mão no ombro da melhor amiga – Jacob é um astro agora. Ele não se importou de me procurar quando éramos adolescentes e não vai ser agora. – ela a acalmou – Então relaxe. Temos uma praia para aproveitar.

- Eu queria ter o poder de superar um relacionamento ruim tanto quanto você. – ela riu enquanto as duas finalmente saiam da cozinha.

- Eu já tinha terminado com ele quando ele começou a se tornar um babaca, e você sabe disso. – Bella relembrou, tranquila – Quando ele foi embora, foi como confirmar o que eu já sabia: que ele não era o mesmo Jacob que eu conhecia.

- Por falar em não ser mais o mesmo... – Alice olhou ao redor – Onde está o Grinch? Ainda em busca de redenção como você me contou por mensagens?

- Ele ainda está sendo bem agradável, na verdade. – Bella suspirou – Mas sempre que ele faz ou diz algo legal, eu me lembro de uma das várias vezes em que ele foi um demônio e parece que a lembrança eclipsa tudo. E, sejamos francas, talvez ele só esteja parecendo agradável porque estou comparando com como ele era antes. Talvez ele esteja sendo só uma pessoa normal agora. – ela deu de ombros – Tenho sorte que o amigo dele chegou aqui ao mesmo tempo que nós e eles matam tempo juntos. Assim não tenho que encará-lo o tempo todo.

- Amigo? – Alice exclamou, mas logo emendou – Quer dizer... O Grinch tem amigos?

- É um advogado que estava naquela festa de karaokê de Esme. Você estava ocupada com o cara misterioso, então duvido que tenha prestado atenção nele – Bella riu – Ele se chama Jasper Whitlock. Aliás, como vai o inominável? Estou prestes a ouvir um nome?

- Nós nos encontramos semana passada... – Alice parecia decepcionada – Eu conversei com ele sobre o quanto éramos diferentes e perguntei o que ele achava. Ele me disse que queria muito ter algo sério, mas... Quanto mais eu perguntava sobre a vida dele, mais parecia que nós não tínhamos como nos encaixarmos. – Alice deu de ombros.

- Como assim? – ela a questionou, preocupada.

- Ele é rico, sério, sóbrio, tem um emprego fixo... E eu sou alguém tentando empreender, que gosta de festas, roupas, fala alto e adora dizer o que pensa. Eu não me encaixo no mundo dele. – ela deu de ombros – Em algum momento ele vai achar que foi um erro ter um relacionamento comigo.

- É claro que não, Allie. – Bella engasgou – Você é incrível! Luta pelo que quer, é animada e se impõe! Se ele não pode lidar com isso, então ele não merece você!

- Ele me disse que não se importava, mas... – Alice suspirou e olhou para a amiga com os olhos cheios de lágrimas – Eu me apaixonei por ele, Bella. E não quero vê-lo ir embora dizendo que eu não sirvo para ele, como meu pai fez com a minha mãe. Eles também eram diferentes e queriam coisas diferentes... E olhe como eles acabaram.

- Seu pai era um idiota, Alice. – Bella balançou a cabeça – Ele deixou que as coisas materiais que ele queria importassem mais do que a família. Você acha que é o que aconteceria com vocês?

- Eu não sei. – sua amiga soluçou – Mas quem pode adivinhar essas coisas? Eu não quero começar um relacionamento com medo de como ele vai acabar.

Bella suspirou e a abraçou – Você sempre sabe o que é melhor para você, Allie. Mas acho que precisa pensar melhor sobre isso. Nem todos os homens são o seu pai. E Carlisle e Esme ficaram separados por muito tempo por acharem que era verdade que um não suportaria as diferenças do outro. E só perceberam que isso não era verdade duas décadas depois. – ela encarou a amiga docemente – A Alice que eu conheço sempre fica irritada quando escuta um não. E tenho certeza que uma parte sua deve ter ficado com raiva por achar que não pode ficar com esse cara. Eu nunca ouvi você dizer que estava apaixonada, então ele deve ser alguma coisa!

- Ele é... – Alice suspirou – Ele é incrível. Nunca ninguém me tratou daquele jeito. Ele sempre diz e faz sentir como se estar comigo fosse a melhor parte do dia dele.

- Então eu acho que vocês não devem se separar só por conta de algo que pode ser que aconteça no futuro. – Bella afirmou, mas então suavizou o tom – Mas isso é você que tem que decidir. O que acha de curtir aquela praia agora? – ela lhe perguntou, tentando animá-la.

Alice conseguiu se animar consideravelmente enquanto todos os Swan exploravam a Ilha e Bella lhes contava o que havia aprendido com Esme e visto por si mesma. Contudo, conforme as crianças queriam ir mais longe e brincar e eles retornavam para vários lugares diversas vezes para tomar sol e mergulhar, Bella começou a se sentir cansada e sem fôlego, além de um pouco zonza. Várias vezes, quando ninguém estava olhando, ela tirou seus óculos e esfregou os olhos, tentando se recompor, mas sem muito sucesso. Com sorte, o lugar incrível ao seu redor permitiu que ninguém de sua família percebesse como ela estava andando cada vez mais devagar e respirando cada vez mais pesado.

Ela agradeceu aos céus quando eles voltaram para casa para o jantar, mesmo que todos os adultos não parassem de falar em colocar as crianças para dormir e ir até a praia ver como o luar se refletia naquela água maravilhosa. Contudo, o que Bella realmente queria fazer era descansar sua cabeça dolorida no travesseiro, fechar seus olhos turvos e tentar controlar sua respiração, que agora estava ficando rasa, como se seu pulmão não estivesse enchendo o suficiente.

Ela conhecia perfeitamente aquela sensação, mas se recusou a deixar que aquilo estragasse a chegada de sua família. Por isso, quando todos finalmente chegaram, ela lhes disse que iria até o banheiro e os deixou ir até a cozinha. Contudo, ao invés de ir até o banheiro, ela foi obrigada a parar ainda na sala de estar, quando sua visão ficou excessivamente turva por um minuto e a obrigou a se apoiar no sofá para não cair.

Tudo bem, Bella..., ela tentou se acalmar enquanto tentava fazer com que o ar entrasse novamente em seus pulmões, mas sem sucesso, Tenha calma. Basta se acalmar e tentar respirar. Você consegue...

- Stra. Swan? – a voz de Edward atrás dela a fez pular – Está tudo bem? – ele ficou ao seu lado, parecendo preocupado.

- Sim, sim, eu estou. - ela tentou sem sucesso disfarçar sua voz fraca por conta da respiração rasa. – Eu só estou... Cansada...

- Você não parece cansada... Parece mal. – ele ergueu uma sobrancelha – O que você está sentindo?

- Nada... Eu estou... Bem... – Bella se irritou, se afastando dele, mas ainda se apoiando no sofá, enquanto sua cabeça parecia estar sendo apertada por um torniquete.

- Está pálida demais para quem está bem. – ele a seguiu rapidamente, fechando a distância entre os dois – É óbvio que precisa de ajuda.

- Não preciso... Da sua ajuda... – ela usou o pouco ar que ainda sentia que tinha para rosnar fragilmente para ele – Porque você só... Não me deixa... Em paz?

- Não vou deixar você em paz quando você mal consegue falar! – ele exclamou, parecendo desesperado agora – Sei que não gosta de mim, Bella, mas deixe que eu te ajude, por favor!

- Não... Preciso... De ajuda... – o mundo tornou-se um borrão diante dela e ar parecia não existir, já que não queria entrar em seus pulmões quando ela o sugava – Só... Preciso... Respirar...

E então tudo ficou escuro.



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