História A História de Amor de Sunset Hill - Capítulo 1


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Alma Coin, Cato, Clove, Coriolanus Snow, Finnick Odair, Johanna Mason, Katniss Everdeen, Maysilee Donner, Peeta Mellark, Personagens Originais
Tags Katniss, Peeta, Peetniss, Romance, Romance Proibido
Visualizações 161
Palavras 10.057
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiee, gente!
Aqui estou eu mais uma vez com uma história novinha para vocês!
Eu tive essa ideia de repente enquanto ouvia Terrible Things do Mayday Parade em minha viagem e decidi colocá-la em prática rapidamente!
Dedico esta one-shot a uma amiga incrível chamada Débora Duarte, a autora maravilhosa de The Last Christmas e Efeito Borboleta, que sempre me incentiva e me ajuda com as minhas próprias histórias, e que, aliás, fez essa capa maravilhosa pra mim ❤
Então, espero que gostem dessa história
Boa leitura!!!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction A História de Amor de Sunset Hill - Capítulo 1 - Capítulo Único

Atualmente

O homem mais velho observava minuciosamente o pequeno espaço vazio. O cômodo que antes era preenchido por uma terrível desorganização abraçava-o bruscamente envolvendo-o com o silêncio vazio e o gélido tremor que acometia o seu corpo, dançando em seus lábios finos incessantemente, para evitar os soluços que cortavam sua garganta seca e impediam que o choro se instalasse junto à dor em seu coração.

Ele não poderia partir sem se despedir. Não havia ninguém. Nem mesmo os móveis ocupavam mais o pequeno quarto escurecido. Aquele espaço não obtinha mais o calor fumegante e o brilho alaranjado do sol matutino, ou sequer vespertino. Não havia mais luz. Essa tinha sido engolida pelo preto, que o consumia e que o faria para sempre.

A vida que antes habitava o local fora roubada pelo destino, deixando o ambiente fúnebre. Ainda assim, o homem passeava pelo assoalho de madeira, que rangia abaixo de seus sapatos velhos, fazendo-o se lembrar de como ele mesmo sempre detestou esse barulho. No entanto, com o quarto silencioso e vazio ao lado do buraco em seu coração, aquele barulho era o seu melhor amigo. 

— Talvez eu tenha razão, Peeta. – murmurou o homem, os passos pesados se intensificaram até encontrarem a gasta e desbotada porta marrom. — São as coisas que mais amamos que nos destroem. 

Então a porta do quarto se fechou em um ruído baixo. 

O homem, em seu grosso casaco negro, abandonou os demais cômodos, encontrando-se com a loira esbelta que esperava impacientemente na entrada do jardim de sua casa. Essa que, por muitos anos, ela compartilhou com o seu marido e único filho, mas que agora, após finalizar a papelada que anunciava o término de seu casamento, possuía uma enorme e bela placa presa sobre o gramado, pontuando a sua disponibilidade para abrigar outra família.

Maysilee sabia que ninguém realmente viveria naquela casa depois do ocorrido, mesmo que o preço fosse acessível e a casa — apesar de simples e pequena — possuísse certa beleza e um jardim muito bem cuidado.

A cidade não era muito grande e os habitantes que nela residiam confabulavam sobre qualquer acontecimento e quaisquer pessoas, esse era um dos maiores motivos para a loira não gostar da cidade. Seu nome manchado por negligência e ignorância de duas pessoas com seus passados não resolvidos não estava em seus planos de casamento. Nem mesmo o casamento estava em seus planos para àquela primeira viagem, mas algumas coisas simplesmente não aconteciam conforme o planejado, e ao invés de uma rápida viagem pelos Distritos, Maysilee havia ganhado um marido empobrecido e uma obrigação a mais como desculpa para um casamento.

A loira sentia-se radiante por estar livre desses problemas agora e finalmente poder partir para a Capital, sua verdadeira casa.

Em controvérsia, seu ex-marido, Coriolanus Snow Mellark — muito embora não estivesse feliz em seu casamento — apreciava a sua antiga vida, principalmente a vida que a casa ganhava quando o seu filho estava por perto, mostrando o seu talento, não apenas em seu estabelecimento — a padaria que administrava —, como nos grandes eventos de arte da cidade. Ele sempre fora gentil e espontâneo, não se deixando levar pelo comportamento elevado de sua mãe, a falta de apoio em suas escolhas pessoais ou todas as brigas desnecessárias.

Peeta vivia para arte e para o amor. Para ele, eram as únicas coisas que realmente importavam.

Maysilee empurrou bruscamente a tela manchada por inúmeras cores diferentes sobre o peito do homem, moldando o desenho de uma pessoa que o mesmo conhecia por nome, mas que nunca obteve oportunidade de conversar — e também não teria mais, dada às circunstâncias.

Snow observou os detalhes da pintura perfeitamente delicada, comprimindo os lábios e imaginando se deveria ou não permanecer com o objeto para si como uma lembrança, mas não via motivo para guardar a tela de uma desconhecida em sua casa.

Então, com um suspiro pesado, decidiu o que realmente deveria fazer e para quem deveria entregar essa maravilhosa tela.

— Você esqueceu isso em seu quarto, imaginei que fosse querer. – a loira pronunciou a frase de maneira áspera, revirando os seus olhos azuis para o casal que acabara de atravessar para a calçada em que estavam, entre cochichos. — Apesar de ser apenas uma pintura daquela garota ridícula, ainda assim, foi feita pelo seu filho.

— Nosso filho. – corrigiu o homem.

— Isso não faz diferença nesse momento. – a mulher encolheu os ombros, deixando um suspiro impaciente escapar por entre os seus lábios. — Eu não tenho tempo para discutir sobre coisas do passado. 

— Faz apenas uma semana, Maysilee. E, sinceramente, eu ainda não entendo o motivo de sua presença quando esclarecemos tudo o que precisávamos. – ergueu o braço em que estava segurando a tela usada. — Você deveria ir, suas obrigações acabaram por aqui. – murmurou o mais velho, sarcástico. 

A loira revirou os olhos novamente, dando as costas ao homem, batendo os seus sapatos de salto em direção a Bentley preta estacionada do outro lado da rua. 

Maysilee colocou os óculos escuros sobre os olhos, oferecendo um último olhar para o ex-marido, e então, adentrou o automóvel, sumindo pelas ruas vazias em questão de segundos.

Com a tela abaixo do braço, Snow abandonou sua antiga casa, decidido a encarar a mansão onde residia a destroçada família Everdeen.

O caminho até a residência dos Everdeen fora preenchido por um enorme vazio em seu peito dolorido, adicionando olhares entristecidos ou enraivecidos e comentários e cochichos daqueles por quem passava.

Foi preciso ignorar as enormes pinturas estampadas na praça central da cidade, escolhidas especialmente para o festival de arte que aconteceria naquela tarde. As rosas avermelhadas e solitárias representavam o grande evento e o envelhecido Mellark não fora poupado de recebê-las antes de finalmente chegar ao seu destino. 

Alma Everdeen se surpreendeu ao abrir a porta e se deparar com o homem em sua frente. Não havia mais a mesma familiaridade entre ambos, mas o reconhecimento e o entendimento com a dor era algo que ambos compartilhavam.

Por esse motivo, a entrada de Coriolanus Snow Mellark em sua casa não causou impacto algum para os outros integrantes da família, pelo contrário, o homem fora aceito gentil e cordialmente. Dessa maneira, não se sentiu tão solitário como as rosas vermelhas que antes carregava em sua mão livre.

O homem chegara na hora do almoço. A família Odair estava presente. Por sempre ter sido muito próxima da família Everdeen desde sua chegada a pequena cidade, não era uma grande surpresa que eles estivessem na mansão durante a última semana. 

Entretanto, a anfitriã da casa deixou o posto com o seu marido e as demais pessoas reunidas à mesa apenas para conduzir sua visita ao jardim localizado na parte externa da casa, onde sua filha costumava ficar para cuidar das flores ali plantadas especialmente pela garota.

Katniss sempre admirou as flores, mas Alma nunca se importou com esse detalhe mínimo. Não como se importava agora, sentada sobre o gramado recém cortado com a cabeça apoiada sobre o ombro do homem do qual jurou repudiar para sempre. Algo que não valia mais a pena naquele momento, afinal, tanto Alma Everdeen quanto Coriolanus Snow Mellark sabiam que o destino das vidas de seus filhos obscureceu por suas decisões e escolhas erradas.

 

Antes

— Ei, cara! – Peeta desviou rapidamente os olhos azuis de suas mãos enlameadas, que antes moldavam a sua escultura, encolhendo o corpo imediatamente ao sentir uma bolinha de papel ir de encontro a sua orelha. — Desliga essa porcaria e larga esse monte de lama agora! 

Peeta revirou os olhos, mas não deixou de sorrir de canto, girando o corpo sobre o pequeno banco em que estava sentado apenas para pescar um pano qualquer pousado sobre algumas revistas na mesa próxima, para limpar as suas mãos sujas. Em seguida, abaixou os seus headphones, pausando a música que retumbava em bom som de seu walkman para finalmente direcionar os seus olhos para o garoto loiro em sua frente, que carregava um olhar apaixonado e uma euforia descomunal para o momento em que se encontravam.

Um fim de tarde simples e calmo de inverno em Sunset Hill, onde o único trabalho de Peeta era transformar sua argila molhada em alguma escultura para exibir no Festival das Rosas.

Esse era um evento que acontecia todos os anos e desde que Peeta se entendia por gente, seu lugar sempre foi em meio a esse mundo da arte. Ele estava e participava de todos os eventos importantes da cidade, e conforme crescia e devolvia o seu talento, passou a ajudar a organizá-los, podendo assim contribuir com o seu talento e exibir suas pinturas e esculturas para os demais residentes da cidade e ainda ganhar clientes para a padaria de seus pais, com as massas e os doces que preparava. 

Peeta observou o melhor amigo atentamente, esperando que o mesmo prosseguisse com a sua intromissão, ao mesmo tempo, tentando desvendar o motivo para um dos garotos mais mulherengos da cidade se encontrar daquela maneira.

Seus lábios finos se contorceram em um sorriso sacana. 

— Quem foi a garota inteligente que lhe deu um chute na bunda? – soltou a pergunta, muito bem humorado, exibindo o seu sorriso.

— Eu não levei um chute na bunda! – exclamou o amigo com irritação, revirando os seus olhos claros. — E o que você está dizendo, Peeta? Você nem se quer arrumou alguma namorada! 

— Talvez não. Mas eu não fui rejeitado por garota alguma. – provocou Peeta novamente, reprimindo a risada. — Acho que Cato Hadley ter sido rejeitado deveria ficar marcado na história de Sunset Hill, não acha?

— Cala a boca! – resmungou Cato, oferecendo um tapa na nuca do mais novo, que apenas riu em resposta. — Eu não levei um pé na bunda, ela é a filha da prefeita. Você sabe como aquela mulher é ranzinza e que não gosta de qualquer um em cima das suas filhas, por isso mesmo que Aiden fica de olho nas duas. – comentou, aborrecido.

— Deus! Você e uma das Everdeen? – perguntou Peeta, demonstrando surpresa e incredulidade. — Não que você não esteja totalmente fodido nessa, mas, eu pensava que a família Everdeen se importasse apenas com dinheiro. Sua família é rica, por que é que está preocupado? 

— Eu não estaria se ela não estivesse prometida a outro cara! – exclamou o mais velho, raivoso, embrenhando a mão por seus cabelos loiros e curtos. — Ele vem de outro Distrito, você sabe, provavelmente deve ser alguém importante e com tanto dinheiro quanto eles.

Peeta franziu o cenho. 

— Outro Distrito? Ela está bem com isso? – o loiro dos cabelos cacheados coçou o queixo, parecendo se lembrar de algo. — Qual das duas você disse que era mesmo?

— Clove. – cantarolou o loiro mais velho, esboçando um sorriso apaixonado. — Nós estávamos namorando em segredo, faz alguns meses. Então hoje ela me chega com a notícia de que sua mãe está preparando um baile em sua mansão essa noite, em homenagem ao noivado dela e o de Katniss, que provavelmente ocorrerá depois dessa palhaçada.

— Então vocês... Terminaram? – perguntou Peeta, duvidoso.

— Nada disso. – retrucou Cato, andando de um lado para o outro, bagunçando os cabelos com as mãos, tentando pensar em alguma coisa. — Eu não posso perder essa garota para um mauricinho qualquer. Nós temos que resolver isso. 

Peeta quase caiu do banco ao ouvir a sentença de seu melhor amigo, derrubando o seu walkman no chão.

— Nós? Você não espera que eu me envolva com isso, não é mesmo? – perguntou o mais novo, um tanto amedrontado. — Você sabe que o meu pai não gosta dos Everdeen.

— Seu pai não é especial, Peeta. As únicas pessoas que realmente gostam dos Everdeen são os próprios e aquela família estúpida do Finnick. – retrucou o mais velho, soltando um suspiro de irritação em seguida. — Talvez a desmiolada da sua mãe faça parte dessas “únicas pessoas” também.

— Não a chame assim. – pediu o mais novo, calmamente. — Ela não é a melhor mãe do mundo, mas é a única que eu tenho. 

— Certo, me desculpe. 

Peeta balançou a mão no ar, como se dissesse “não se preocupe”.

Cato suspirou uma última vez, levando a sua mão ao queixo para coçá-lo ao se aproximar do loiro mais novo e se desculpar com o amigo novamente, apertando o seu ombro gentilmente. 

Cato sabia que Maysilee Mellark era uma mulher horrorosa e mal-agradecida, que não suportava o marido e o próprio filho, se comportando muitas vezes com pretensão, como se os demais fossem mínimas formigas aos seus pés. Ela sempre fora uma péssima mãe para Peeta e desde que o conheceu — justamente em um dos festivais de arte da cidade quando começaram a andar juntos na escola quando pequenos, sendo Cato dois anos mais velho — ele simplesmente não conseguia desenvolver algum tipo de afeto pela progenitora de Peeta e não sabia como o amigo permanecia tão firme diante do comportamento da mãe. Ele mesmo acreditava que se estivesse no lugar de Peeta não suportaria tal atitude. Porém, o mais velho fazia o possível para não magoá-lo com o assunto e tentava segurar a língua.

— Então... Baile? – o mais novo voltou a falar, levantando-se do banco em que estava sentado para recolher o walkman e os headphones do chão e colocá-los sobre a mesa, junto com as revistas. — O que está planejando fazer? – questionou, curioso. 

— Nós vamos ir. – afirmou Cato. 

— Não podemos ir, não nos deixariam entrar. – Peeta o lembrou, mas o seu rosto esquentou rapidamente ao se deparar com o óbvio e o mesmo pigarreou baixinho antes de dizer: — Não me deixariam entrar. O meu nível de classe social não se enquadra ao deles e eu também não tenho vestimenta adequada para a ocasião. Você deveria chamar Finnick. Ele vai ter permissão para entrar.

— Não se preocupe, cara. – assegurou o mais velho, oferecendo-lhe um sorriso de canto. — É um baile de máscaras, você só precisará se misturar e vai estar tudo bem.

 

                                                  …|•|…

 

Peeta cantarolava a música juntamente da caixinha de som que reverberava pelo seu quarto desorganizado enquanto tentava arrumar a gravata corretamente em um nó perfeito. O loiro não entendia como um simples pedaço de tecido poderia ser tão complicado de manusear, mas também nunca fora uma preocupação constante, afinal, nunca precisara usar uma dessas antes.

Peeta não gostava do plano do amigo, tampouco estar em um local onde não era bem-vindo. Ele não estava interessado em ir ao baile dos Everdeen e também não queria ir contra os argumentos do pai. Ele não sabia o porquê de seu pai não gostar dos Everdeen, nunca lhe ocorreu perguntar sobre o assunto, pois nunca o achou importante. Era comum. Ninguém realmente gostava dos Everdeen e o loiro preferia deixar dessa maneira, muito embora, nunca tivesse conversado com nenhum deles.

Sua mãe bateu bruscamente na porta de seu quarto algumas vezes, tirando-o de seus devaneios e o fazendo desviar os seus olhos azuis para a porta. 

Maysilee adentrou o quarto e acabou tropeçando em um pincel azul, precisando se apoiar na parede para não cair sobre o chão.

— Desliga essa porcaria, Peeta! – rosna a loira ao se levantar, só então observando minuciosamente o traje elegante de seu filho. — O que é isso? Onde arrumou esse terno?

Peeta diminuiu o volume da caixinha de som rapidamente, caminhando inseguro em direção a sua progenitora. Essa que mantinha o semblante fechado e a sobrancelha levantada, esperando por uma resposta.

— Ahh, eu... Finnick me emprestou. Eu tenho um encontro – hesitou por uns segundos, antes de acrescentar rapidamente. — Você poderia me ajudar com isso? –  perguntou esperançoso, estendendo a gravata escura para a mulher.

Maysilee lançou um último olhar para o quarto, afastando-se do primogênito apenas para caminhar até a porta rapidamente. Ainda de costas, seu timbre ríspido reverberou as paredes do quarto, fazendo Peeta suspirar com um leve incômodo ao ouvir perfeitamente a sentença final de sua mãe:

— Arrume essa bagunça, garoto. Esse quarto é um lixo!

Peeta aumentou o volume da caixinha de som e deixou o quarto minutos depois, ignorando completamente o pedido de sua mãe e a gravata mal ajustada sobre a camisa antes de deixar a casa, abandonando sua mãe e seus insultos intermináveis. 

— O que é isso? – perguntou Cato, ao encontrar o loiro mais novo com os cabelos desorganizados e a gravata embolada, na praça principal da cidade. — Pensei que estivesse pronto! Deixa-meeu arrumar isso aqui. 

— Foi mal, eu nunca fui a uma festa dessas antes e não sei dar um nó nessa porra! – reclamou o mais novo, observando o mais velho manusear perfeitamente o tecido com irritação. — Espero que isso valha à pena, seu idiota.

— Pronto. Não posso fazer nada com esse seu ninho de passarinhos na cabeça, mas ao menos com essa máscara você não passará tanta vergonha.

Cato entregou ao amigo uma máscara escura em tons diferentes de vinho com detalhes em preto e amarelo e Peeta agarrou o objeto a contragosto. 

— Essa é a coisa mais ridícula que eu já fiz em toda a minha vida. – resmungou o loiro, colocando a máscara sobre os olhos e seguindo o amigo, que caminhava com confiança pela entrada enfeitada da mansão e adentrava o local inundado de pessoas elegantes e mascaradas. — Nossa, eu não... 

— Ei, você.

Peeta sobressaltou-se ao ouvir alguém chamá-lo.

O loiro observou ao redor e não encontrou Cato. Amaldiçoou-se mentalmente por aceitar a ideia maluca do amigo de entrar de penetra em um lugar onde não era bem-vindo.

— Eu conheço você? – perguntou a morena, finalmente surgindo em sua frente.

— Provavelmente não. – respondeu Peeta prontamente, escondendo o seu rosto da morena sorridente, mas não sem antes perceber que ela era a única no recinto que não estava usando uma máscara. — Eu preciso ir agora, se me der licença... 

— Não sem antes aproveitarmos dessa música para dançarmos. – a morena ofereceu uma piscadela para Peeta, que se encontrava constrangido ao ser conduzido até o salão, onde algumas pessoas dançavam ao som da música suave que tocava. — Um cara tão bonito como você deve conhecer alguns passos diferentes, não?

A morena observou atentamente os olhos azuis do loiro, procurando identificar a figura desconhecida em sua frente, mas sem sucesso. Outra pessoa se materializou ao lado da morena, puxando-a pelo braço antes que ele pudesse responder o flerte da mesma. 

— Johanna, você deveria estar ajudando Katniss com o vestido. – avisa a garota, lançando um aceno de cabeça para Peeta, que percebeu minutos depois, ao observar os olhos verdes e os cabelos claros arrumados perfeitamente, que a pessoa em questão, era Finnick.

— Por que eu faria isso? – questionou Johanna, lançando a Finnick um sorriso sacana, que o garoto respondeu com um revirar de olhos. — Você irá tirá-lo mais tarde, garanhão. Não posso arrumar alguém para tirar o meu? 

Peeta, que havia acabado de bebericar um pouco do champanhe que lhe fora oferecido momentos antes, engasgou-se, adquirindo uma coloração avermelhada em seu rosto.

Ele era tímido e não estava acostumado com a atenção das garotas sobre si, por isso, em grande maioria das vezes, não sabia como agir.

— Cedo demais, Joh. E Katniss e eu não vamos ficar juntos, somos apenas bons amigos. – a morena revirou os olhos, entediada. Finnick desferiu sua atenção para Peeta, que se recuperava do seu acesso de tosse. — Você está bem? 

— Estou sim, eu vou...

O loiro gesticulou com as mãos rapidamente, deixando a taça quase cheia contendo o líquido espumante na mão de Johanna e começou a andar em passos largos até a escadaria, onde os seus olhos azuis capturaram a figura deslumbrante que se aproximava lentamente de seu corpo, observando o salão principal com um sorriso brilhante, que, sem o seu consentimento, fez o coração do loiro dar um salto em seu peito.

— Caralho... – deixou escapar por entre os seus lábios, levando a mão até os seus cachos desorganizados, sem saber exatamente o que fazer.

Peeta observou minuciosamente a garota. O vestido mesclava entre o vermelho e o laranja, com detalhes dourados e brilhantes, deixando a impressão de que o seu vestido estava em chamas. O cabelo castanho estava preso em um penteado cauteloso envolvendo belas tranças no topo da cabeça, deixando alguns fios caírem sobre a delicada máscara branca coberta por pequenas pérolas.

O loiro não conseguia ver o rosto da morena com clareza, mas pelas batidas frenéticas de seu coração, ele sabia que aquela garota era a mais bonita do salão.

Quando os olhos cinza da morena encontraram com os azuis de Peeta, ela vacilou nos últimos degraus, sentindo suas bochechas queimarem ao sentir o contato das mãos macias do loiro contra sua cintura com firmeza, impedindo-a de ir de encontro ao chão.

— Obrigada... 

— Peeta. – o loiro apressou-se em dizer, com o rosto próximo ao da morena, que exibia um sorriso tímido por ainda sentir o corpo aquecido por ter as mãos firmes do garoto presas em sua cintura. — Posso saber o nome da dona dos olhos mais lindos desse salão?

A morena deixou escapar uma risada baixa, desviando rapidamente o olhar para o chão, apenas para voltar a encarar fixamente os olhos azuis oceânicos do loiro, admirada com o brilho e o sorriso dispostos neles.

— Que galanteador. Surpreende-me encontrar alguém nesse salão que não saiba o meu nome. – comentou a garota, ainda sorrindo. — Não me entenda errado, Peeta. Estive tentando fugir desse dia desde que a minha mãe o anunciou para mim.

— Você fugiria agora? – questionou Peeta, em um sussurro, oferecendo um sorriso de canto para a morena. — De mim?

— Eu deveria? – a garota devolveu a pergunta, atrevendo-se a aproximar o seu rosto do rosto do loiro. — Não estou procurando por problemas essa noite. 

— Então eu ainda tenho uma chance de lhe conceder uma dança, garota em chamas. – Peeta afastou-se lentamente da garota, soltando suas mãos da cintura da mesma apenas para capturar a mão pequena da bela morena e com os olhos espertos, indicar o salão. — Me permite?

— Dançaria comigo mesmo eu sendo um desastre sobre esses sapatos? – provocou a garota, mas não se incomodou em ser conduzida pelo garoto dos olhos azuis, pelo contrário, desejava tê-lo próximo novamente, trazendo aquele calor diferente que aqueceu o seu corpo tão rapidamente ao se encontrar nos braços do garoto. 

— Seria um prazer.

A morena sorriu largamente. 

— Não me deixe cair, olhos azuis.

E pelo que pareceram horas, os dois dançaram ao som da suave e lenta música que tocava embalados em um novo sentimento que crescia gradualmente em meio ao momento repentino em que seus rostos se aproximaram lentamente. Seus narizes se aconchegaram um no outro, experimentando a maciez daquele movimento, até que seus lábios tímidos se juntaram em um beijo casto, para em seguida, explorarem cada pequeno espaço de suas bocas e a suavidade de suas línguas, entregando-se ao momento.

Era como se a música e as pessoas ao redor não existissem e os seus corações acelerados e os corpos aquecidos pelo beijo apaixonante misturando-se com suas respirações descompassadas, fossem as únicas coisas notórias.

— Deixe-me ver o seu rosto, garota em chamas. – pediu Peeta, em um sussurro. Sua testa ainda colada a da morena e os seus olhos azuis fixos nos lábios avolumados da garota, desejando-os juntos aos seus novamente.

Então uma mão firme apertou o ombro de Peeta fortemente, empurrando o loiro bruscamente para trás. Sua máscara foi arrancada antes mesmo que o garoto pudesse impedir ou retrucar e os olhares foram voltados para ele, deixando-o em uma mistura de confusão e constrangimento.

Os olhos de Peeta procuraram pelos olhos da bela morena com quem dançara e que beijara apaixonadamente minutos atrás, ao invés disso, seu olhar se encontrou com o frio e tempestuoso de Aiden Everdeen. O irmão mais velho das Everdeen, que mais cedo, Cato avisara estar vigiando as irmãs para que nenhum garoto se aproximasse. 

De repente, as coisas ficaram claras para Peeta. 

— Acredito que você não tenha sido convidado para este evento, Mellark. Ou você realmente acredita que o filho do padeiro pertence a um evento como esse? – provocou o mais velho, maldosamente, exibindo um sorriso de escárnio para o loiro. 

— Aiden. – a morena interviu, exibindo, enfim, seu rosto para Peeta. — Deixe-o em paz, por favor.

— Fique quieta, Katniss. – rosnou Aiden, empurrando a garota para trás. — Terminarei com isso antes que nossos pais apareçam. Por isso, vá procurar Finnick. Era com ele que você deveria estar agora.

Katniss lançou um último olhar para Peeta, que retribuiu prontamente, e então, a morena deixou o salão, sumindo pela escadaria.

Sob os olhares e cochichos por onde passava, o loiro abandonou o local, porém, seus passos foram seguidos apressadamente por Aiden Everdeen. 

— Eu espero que não volte a aparecer aqui, Peeta Mellark. – resmungou Aiden, apontando o seu indicador no rosto do loiro. — Se eu souber que esteve aqui novamente ou que em algum momento você esteve se envolvendo com a minha irmã, eu irei garantir um novo evento para os residentes dessa cidade. – ameaçou, sombriamente. — Guarde as minhas palavras, Mellark. Será um bom conselho pra você.

 

                                                  …|•|…

 

Os dias corriam como as horas passavam, e durante aquele mês, Katniss revivia em sua mente o seu primeiro e único momento com Peeta, esperando encontrá-lo novamente ao procurá-lo pela cidade, perguntando aos conhecidos e desconhecidos, se por um acaso alguém o tinha visto. Porém, sem sucesso.

Peeta dedicava todo o seu tempo para fazer algumas esculturas e pinturas para o Festival das Rosas que se aproximava mais a cada dia, buscando ocupar a mente com algo que não fosse o seu encontro com Katniss Everdeen.

O loiro não imaginava ou sequer cogitava se envolver com alguém daquela família esnobe, mas ao conhecer a bela morena na noite de seu baile especial, se encontrou encantado. E desde então, a morena não saía de sua mente. 

A ameaça de Aiden Everdeen reverberava em sua mente, trazendo-lhe alguma sanidade ao cogitar a ideia maluca de se encontrar com a jovem Everdeen novamente, além do mais, não só Peeta sabia que não era o suficiente para uma garota como Katniss, como os convidados do baile, e isso deixava o loiro frustrado.

O único e último beijo trocado com a morena balançara o seu coração de uma maneira surreal, algo do qual nunca sentira antes e que apenas Katniss conseguiu lhe proporcionar. 

Peeta queria sentir novamente.

Ele não sabia como conseguira conversar com a morena tão facilmente, quando costumava não saber como agir perto das garotas. Com Katniss, tudo se encaixou perfeita e naturalmente. Como se as peças de seu pequeno quebra-cabeça finalmente estivessem corretas e o loiro entendesse exatamente o que os tordos tanto cantavam em sua janela. 

Poderia ele desistir de tudo por sua maldita insegurança? 

Peeta observou a tela em sua frente. A pintura perfeita de sua morena sob o seu olhar apaixonado lhe dera uma ideia, e pelos dias que se estenderam, o loiro refugiou-se em seu porão, disposto a manchar algumas de suas telas sem vida.

 

                                                  …|•|…

 

— Não acredito que desistiu de encontrá-lo, Katniss! – exclamou Clove Everdeen, a irmã mais velha de Katniss, que acabara de acertar um dos travesseiros cautelosamente bordados na morena mais nova. — Você realmente quer se casar com Finnick? 

Katniss revirou os olhos com um sorriso. 

— Eu nunca quis absolutamente nada além da amizade com Finnick. Você sabe disso e eu tentei avisar a mamãe que nós dois juntos nunca iria acontecer, mas como sempre, ela não me dá ouvidos. – resmungou a morena mais nova, cruzando os braços com um belo bico desenhado em seus lábios carnudos. — Olha, Clove, Peeta não quer ser encontrado. Você sabe, depois que ele descobriu quem eu sou, ele simplesmente desapareceu. Provavelmente se arrependeu do nosso momento e... 

— Quantas desculpas esfarrapadas, Katniss. Aposto que você nem procurou o garoto direito, caso contrário, saberia que ele é amigo de Cato. – a mais velha sorriu, esperta, chamando a atenção da mais nova. — Aliás, pelo que eu saiba, Peeta ajuda a organizar os eventos. Adivinha só! Festival das Rosas... Essa tarde... Você e Peeta se reencontrando e... 

— Terei que te interromper agora, porque você está fantasiando muito algo que não existe. – zombou Katniss, seu rosto se contorcendo em uma careta engraçada. — Nós nem nos conhecemos direito, Clove. 

— Mas a sua língua conheceu muita coisa, não? – provocou Clove, em tom de malícia, fazendo com que a irmã mais nova adquirisse uma coloração avermelhada em suas bochechas sardentas. 

— Não deixe as coisas parecerem feias com essa sua mente suja. – retrucou Katniss, encabulada. — Ele soou galanteador naquela noite e quando dançamos, eu não sei, parecia certo. 

— E Aiden estragou tudo. – murmurou Clove, irritada. — Eu odeio como ele se acha no direito de escolher quem realmente deveríamos amar. Essa coisa toda de baile foi completamente desnecessária! Ele vive colocando ideias na cabeça da mamãe e papai nunca faz nada para pará-los.

— Então você realmente não irá se casar com Henry? – questionou Katniss, surpresa. 

— Já comuniquei a mamãe e papai que eu irei me casar com Cato em breve e nos mudaremos para outro Distrito. – afirmou a mais velha, sonhadora. — Acho que deveria procurar por Peeta no Festival das Rosas e seguir o seu coração. 

— Você viu como Aiden tratou Peeta na frente de todas aquelas pessoas apenas por ele ser filho do padeiro! – exclamou Katniss, indignada. — Sei que mamãe provavelmente não aceitaria isso, mas, particularmente, não acredito que seja apenas por minha causa. Ele nunca fez isso antes. 

— Deixe isso, Katniss. Se você quiser mesmo encontrar Peeta, acho melhor se vestir adequadamente e esquecer mamãe e Aiden. – Clove se apressou ao encaminhar-se até o guarda-roupa da irmã mais nova, decidida a ajudá-la a encontrar o garoto dos cabelos cacheados e olhos azuis oceânicos. — E pode deixar que de Aiden cuido eu.

 

                                                  …|•|…

 

Katniss não costumava ir aos Festivais das Rosas da cidade, tampouco nos demais. No entanto, naquela tarde, seu único motivo para marcar presença naquele evento possuía nome e sobrenome e belos olhos azuis.

Seu coração enlouquecia dentro de sua caixa torácica ao imaginar a possibilidade de vê-lo novamente. A cada passo dado, sua esperança expandia. Seus olhos, fixados nas diversas barracas, nas pessoas que ali dançavam ao som da animada música que tocava, nos enfeites e detalhes em vermelho e corações espalhados por todos os lugares, simbolizando o amor marcado pelo dia dos namorados.

A morena sobressaltou-se ao cravar os seus olhos atentos em uma barraca diferente, próxima de onde a mesma estava, onde vira, de relance, algo que lhe chamara a atenção e que a fez se aproximar rapidamente.

Algumas pessoas rodeavam a barraca, que não estava ocupada por ninguém. Ao invés disso, diversas telas coloridas ocupavam o espaço vazio da barraca enfeitada por detalhes mesclados entre o laranja e o vermelho. Mas não fora por essa razão que Katniss se aproximara. As pinturas exibidas para as pessoas nas mais diversas cores possuíam a sua fisionomia. Feitas cautelosamente por algum artista, acreditava a morena dos olhos cinzentos.

As pessoas ali presentes abriram espaço para que Katniss se aproximasse da barraca.

Em um mesclar de surpresa e encantamento com tamanha beleza e talento do artista, Katniss passou a admirar cada pintura moldando a sua figura minuciosamente. Apenas para depois finalmente apreciar o nome disposto a visão de todos. Cada letra pintada com a mesma delicadeza que as pinturas. 

GAROTA EM CHAMAS 

A morena deixou um sorriso desenhar seus lábios, ao mesmo tempo em que suas bochechas adquiriram uma coloração rosada e o seu olhar se concentrou em suas sandálias douradas. 

— Peeta. – sussurrou ela, encantada.

— Garota em chamas. – cantarolou o loiro, próximo ao ouvido da morena, fazendo com que a mesma se sobressaltasse levemente. — Ouvi por aí que você estava me procurando. 

— Pensei que estivesse fugindo de mim! – exclamou Katniss, envolvendo o corpo do garoto em um abraço, para em seguida, aproximar os seus rostos e selar os seus lábios desesperadamente em um longo beijo apaixonado. — Não fuja de mim novamente, conquistador. – sussurrou a morena, com os lábios ainda próximos aos lábios do loiro.

— Eu não vou a lugar nenhum. – afirmou ele, tomando os lábios da morena novamente, esquecendo-se das demais pessoas que se encontravam ali, observando-os.

 

                                                  …|•|…

 

— Esse aqui é o meu lugar favorito. – informou Katniss, sentando-se próximo a lareira do pequeno chalé. — Eu nunca trouxe ninguém aqui até hoje. 

— O que me torna tão especial para que você me mostre esse lugar? – questionou Peeta, curiosamente, aproveitando-se da oportunidade e a ventania da noite, para aconchegá-la em seus braços.

A morena sentiu o seu rosto esquentar com o gesto carinhoso, mas sentiu-se também protegida dentro do abraço do amado. 

— Eu gosto de você. – diz Katniss, sem cerimônias, sendo direta e sincera. — Eu não deixei de pensar em você desde o meu baile. Tentei te encontrar de todas as maneiras que achei possível. Eu até fui à padaria de seu pai algumas vezes, mas sua mãe não me pareceu tão confortável com a minha presença e então eu deixei de ir. O que importa é que você é a coisa mais real em toda a minha vida e eu não posso perdê-lo.

— Meu pensamento nunca deixou você, Katniss. – admitiu o loiro, puxando-a levemente para si, fazendo com que a morena o olhasse nos olhos. — Eu apenas... Você é a filha da prefeita e eu sou só o filho do padeiro que trabalha em eventos simples em troca de pouco. Não sabia se eu seria o suficiente pra você. 

Katniss exibiu um largo sorriso, balançando a cabeça em um breve aceno antes de se afastar minimamente do corpo de Peeta. Ela se virou para ele, afastando os seus cabelos castanhos, que caíam sobre o fecho de seu vestido verde musgo, para colocá-los sobre o seu ombro desnudo.

O loiro observou atentamente as costas desnudas da morena, tocando-as suavemente até que seus dedos encontrassem o zíper dourado preso ao fecho. 

— Deslize para baixo, olhos azuis. – murmurou Katniss, suavemente, referindo-se ao zíper de seu vestido. 

— Tem certeza disso? – questionou Peeta, cautelosamente.

Porém, suas mãos ansiavam pelo momento em que essa bela peça de roupa estivesse sobre o chão, para que assim, ele pudesse apreciar a beleza da morena minuciosa e cautelosamente.

Esses pensamentos nunca lhe correram pela mente antes, mas naquele momento, seu coração se encontrava inquieto e o seu desejo por aquela garota crescia mais a cada segundo, deixando-o ansioso para tocá-la, beijá-la e tê-la para si.

Mas um maneio de cabeça fez com que o loiro empurrasse esses pensamentos para longe.

— Eu não quero pressioná-la a fazer coisa... 

A risada de Katniss reverberou o local escurecido, esse que estava iluminado apenas pela luz cinzenta da grande lua cheia e o fogo ardente que emanava da lareira acesa, do qual, tanto ela quanto o loiro estavam próximos.

— Vamos lá, conquistador. – provocou a morena, suas costas ainda de frente para Peeta. — Não quero que duvide de si mesmo por questões financeiras, eu estava lhe procurando por uma razão. Não me diga que não sentiu nada quando nos beijamos naquele baile. Diga que vai ficar comigo. 

O loiro umedeceu os lábios, deixando um sorriso desenhar os seus lábios finos. Então, em questão de segundos, esses se encontravam no pescoço da garota, deixando alguns selinhos e algumas marcas que proporcionaram os roucos gemidos na morena, mas que no ponto de vista de loiro, soavam como música para os seus ouvidos. 

Katniss sorriu ao sentir o zíper deslizar lentamente por suas costas, e, segundos depois, a peça de roupa deslizar pelo seu corpo suavemente e fazer o caminho para o chão. Ela finalmente se virou, deixando-se ser tocada e beijada pelo loiro, que pouco tempo depois se encontrava nu — exatamente como a morena —, enquanto a mesma deliciava-se com as reações e os toques suaves do garoto em seu corpo, ele sendo cauteloso em suas ações, mas dispondo de beijos que faziam Katniss viajar para as estrelas.

A sensação de ser tocada e beijada pelo loiro lhe trazia borboletas no estômago e uma maravilhosa sensação de liberdade que apenas ele poderia lhe proporcionar. Sentiam-se completos conforme os seus corpos se movimentavam, dançando harmoniosamente junto a um coro de gemidos, que se misturavam aos seus nomes, vez ou outra a um selinho. Até encontrarem o ápice e se entregarem aos beijos, desfrutando de seus corpos e almas apaixonadas conforme a noite caía languidamente diante daquele momento especial.

— Eu gostaria de poder congelar esse momento aqui e agora e vivê-lo para sempre. – admitiu Peeta, depois de um longo período de silêncio entre ele e Katniss, onde ambos aproveitavam o aconchego de seus corpos encaixados um no outro e o calor emanando da lareira e aquecendo ainda mais os seus corpos. — Quão maravilhoso seria isso? 

— Eu permitiria, mas eu gostaria de ter mais de um momento com você. – soltou a morena, perdendo-se em seu movimento com o indicador sobre o peito desnudo do loiro, que tinha um sincero sorriso desenhado em seus lábios. — Para guardar em minha mente para sempre e me fazer sorrir exatamente como estou fazendo agora.

— Perdoe-me por minha ausência, eu... 

— Não me importo com isso agora, Peeta. – afirmou Katniss, em um sussurro. — Apenas prometa que ficará comigo. 

— Sempre. – confirmou o loiro, selando seus lábios aos da morena rapidamente em um beijo casto. — Diga-me, garota em chamas, você e Finnick... 

— Nem pensar, olhos azuis... – zombou Katniss, deixando um risinho escapar por entre os seus lábios. — Eu não perguntei nada sobre as suas namoradas... Além do mais, é assim que você as conquista? E então espalha pinturas dela nos festivais que trabalha?

— Você está brincando? Com esses olhos azuis o trabalho já está feito, Everdeen. – soltou o loiro, divertidamente, fazendo com que Katniss deixasse escapar uma gargalhada. — Você sabe que é a única, não é? – perguntou ele, de forma séria, olhando-a nos olhos. 

— Agora eu sei. 

 

                                                 …|•|…

 

— São todas minhas? – perguntou Katniss, observando as pinturas feitas pelo namorado em sua homenagem, de volta a barraca em que se encontraram, no dia seguinte. — Eu não sabia que você era um artista, tudo isso é tão lindo. Nem acredito que se deu o trabalho de pintar todas essas telas.

— Parece que você é minha inspiração, garota em chamas. Quer que eu te leve até a mansão? – perguntou Peeta, desfazendo dos enfeites de sua barraca e os colocando dentro de uma sacola. 

— Eu prefiro que fique aqui. – o loiro deixou os enfeites de lado, apenas para encontrar os olhos tempestuosos da namorada. — Depois do baile, prefiro que fique longe do meu irmão. Mas não se preocupa, nos encontramos mais tarde. Podemos ficar no chalé? 

Peeta deixou que um suspiro ultrapassasse os seus lábios, mas um pequeno sorriso desenhou-os segundos depois. 

— Podemos sim. Esperarei por você no fim da tarde, tudo bem?

— Estarei lá, olhos azuis.

Katniss juntou seus lábios aos de Peeta em um último beijo longo e cheio de paixão, e então, deixou a barraca com um sorriso no rosto em seguida. 

Sozinho, Peeta terminou de desmontar a barraca, recolhendo a sacola com os enfeites e a carregando até o seu carro velho. Ao voltar à barraca novamente para recolher as telas de Katniss, se assustou ao encontrá-las destruídas e acabou sendo surpreendido com um soco na mandíbula segundos depois. Mesmo com a dor acometendo o local atingido, o loiro se levantou rapidamente, deparando-se com os furiosos olhos de Aiden Everdeen ao se virar.

— Qual é o seu problema comigo? – questionou o loiro, demonstrando toda a sua irritação, serrando os punhos ao se aproximar do mais velho. — Por que você não aceita que Katniss e eu nos gostamos e que vamos ficar juntos?

— Vocês nunca irão ficar juntos, Mellark. – Aiden proferiu as palavras entre dentes, de forma lenta. — Minha mãe não permitirá e eu muito menos. Seu pai com certeza não gostará disso e o quê? Vai me dizer que todos contra um não funciona nesse esquema?

— Eu não me importo com o que você ou qualquer outro pensam sobre isso. – o loiro cuspiu as palavras, decidido.

Seu corpo se virou e ele deu as costas ao moreno, que rapidamente o puxou pelo braço e desferiu um soco em seu rosto.

— Acabe comigo, eu não mudarei de ideia. – avisou o mais novo, cuspindo o sangue que caíra sobre sua boca.

Aiden segurou o mais novo por seus cabelos, atingindo-o no rosto mais algumas vezes antes de soltá-lo sobre o chão. Peeta tentou se levantar, mas rapidamente acabou sendo atingido nas costelas e desistiu em um urro doloroso, que escapou por entre os seus lábios sem aviso.

Seus olhos se fecharam por um momento, a imagem de Katniss dançando por trás de suas pálpebras, deixando um sorriso pequeno em seu rosto dolorido. Ele não deixaria que nada e nem ninguém o impedisse de ficar com sua garota. Ultrapassaria as obstruções, se necessário. Não importava. Ele ficaria com ela, como havia prometido.

— Você nunca mais verá Katniss novamente. – avisou o mais velho. — Caso contrário, estará morto. 

 

                                                   …|•|…

 

Em passos lentos, Peeta adentrou sua casa, encostando-se sobre a porta após fechá-la. A dor acometia seu corpo, dificultando sua respiração.

O sangue era a última coisa com a qual se importava e parecia ser o mesmo pensamento de Maysilee Mellark, que ao ver o filho machucado retirou-se do recinto rapidamente, deixando que o marido ocupasse o posto da situação.

Esse se encontrava preocupado com o sumiço e regresso do filho a casa, por isso, apressou-se em ir ao encontro do mesmo e abraçá-lo fortemente, desculpando-se ao ouvir os gemidos de dor que escaparam por entre os lábios do garoto.

— Vá tomar um banho, Peeta. Depois conversamos. – pediu o mais velho, recebendo o aceno positivo do mais novo em seguida. 

Deitado sobre a cama, minutos depois da difícil tarefa de tomar banho, Peeta encontrava-se pensativo, recusando-se a dar atenção aos machucados e dores espalhadas pelo seu corpo.

Esperava pelo seu pai, que certamente sabia sobre sua nova namorada, já que a morena lhe contara que havia ido à padaria algumas vezes e encontrado com sua mãe.

Peeta sabia que ela contaria ao seu pai, ela não deixaria algo tão grande assim passar diante de seus olhos e ele sabia disso. Conhecia muito bem a mulher pela qual chamou de mãe durante toda a sua vida, mesmo que o não houvesse reciprocidade. 

O garoto não conseguia reprimir o seu lado observador, principalmente quando o assunto era a sua mãe em questão. 

— Filho. – os olhos azuis de Peeta desviam-se rapidamente para a porta de seu quarto, por onde o seu pai entrou e encostou a porta atrás de si, após dar algumas batidas levemente. — Nós podemos... 

— Eu sei que você sabe. – o garoto sentou-se em sua cama, deixando espaço o suficiente para que o pai se aproximasse e se sentasse ao seu lado. — Katniss foi à padaria e mamãe estava lá... 

O semblante do homem mais velho se fechou em questão de segundos, e então, Peeta percebeu que esse acontecimento era uma grande novidade para o seu pai e se interrompeu imediatamente, amaldiçoando-se mentalmente por abrir sua boca.

— Katniss Everdeen? Em nossa padaria? – questionou o mais velho, em um misto de incredulidade e irritação. — Por que raios ela estava lá? E por que me parece que a sua mãe me escondeu esse detalhe?

— Olha, o senhor quer mesmo saber? Eu estou apaixonado por Katniss. – admitiu o loiro, sem cerimônias. — Eu a conheci há um mês, no baile em comemoração ao seu noivado. Foi imediato, ela ganhou o meu coração e eu me apaixonei. Passamos a noite juntos, ela sente o mesmo que eu. As coisas aconteceram rapidamente, eu nem mesmo sei como explicar isso ao senhor, mas sei exatamente o que eu sinto por ela e é real. Não queria que o senhor soubesse dessa maneira, mas tive um pequeno atrito com Aiden. Ele quer nos separar, mas isso não vai acontecer.

— Por tantos anos eu desejei que as coisas fossem diferentes para você. – murmurou o mais velho, balançando a cabeça negativamente em devaneios, ganhando a atenção de Peeta, que tinha o cenho franzido. — Mas Aiden estava certo em lhe dar esse aviso. Você não pode voltar a ver essa garota novamente. 

— O quê? – indagou o mais novo, incrédulo. — Ele simplesmente me espancou sem um motivo aparente e você acha isso certo? Eu não acredito nisso! – suas mãos trêmulas bagunçaram os seus cachos impacientemente. — Eu poderia esperar que minha mãe agisse dessa maneira, mas não o senhor. Como pode não aceitar que eu estou apaixonado?

— Você não conhece aquela família, Peeta. – avisou o mais velho, entre dentes. 

— Não, mas o senhor parece conhecer muito bem, baseado no ódio irracional que tem por eles. – retrucou o mais novo, irritado. — Vamos, pai, conte-me essa história. Ou você, assim como todos os residentes dessa cidade, acha considerável odiar alguém apenas pelo seu dinheiro?

— Abaixe o seu tom de voz comigo. – ordenou o mais velho, fazendo com que o filho se silenciasse. E então o homem prosseguiu com pesar: — Talvez você não acredite que isso possa ser possível, mas eu me apaixonei por uma mulher em meus tempos de jovem. Não é a sua mãe, mas isso não deve ser surpresa alguma para você. Esperto como é, mas ingênuo, eu deveria acrescentar. Aiden Everdeen não tem um problema com você, Peeta. Ele tem um problema comigoEu matei o seu pai

— O quê? – perguntou o loiro, incrédulo, levantando-se em um rompante ao sentir o tremor acometer suas mãos e o seu corpo. — O se-senhor matou uma pessoa? Como isso aconteceu e por quê?

— Não pense que eu me orgulho disso, filho. – admitiu o mais velho, com sinceridade. 

No entanto, Peeta não estava conseguindo acreditar. Sua visão nublara por alguns minutos e o mesmo precisou sentar-se novamente.

— Hayden era o meu melhor amigo desde que eu me entendia por gente, costumávamos viajar juntos quando mais novos. – Snow voltara a falar, tentando recuperar a atenção do loiro. — Viemos para cá, Sunset Hill. Na época eram ainda menos residentes do que hoje em dia, mas foi aqui que eu conheci Alma e nos apaixonamos. Hayden e eu passamos a morar na cidade. Ele estava aqui para me acompanhar, mas sem o meu consentimento, ele passou a encontrá-la escondido e os dois passaram a se envolver secretamente. Quando Alma ficou grávida de Hayden, ela decidiu me contar toda a verdade. Eu estava cego pela raiva, devastado pela falta de lealdade e desonestidade de ambos comigo, que eu apenas fui até Hayden e lhe tirei a vida. Alma e eu brigamos uma última vez antes que ela roubasse todas as minhas coisas e me deixasse sozinho com a dor, para logo mais tarde se casar com outro homem rico e poderoso e ganhar a confiança das pessoas para tomar a prefeitura da cidade.

Peeta abriu a boca algumas vezes, mas palavra alguma saiu por entre os seus lábios.

O loiro encontrava-se em choque com a história que acabara de ouvir. Não acreditara que o seu pai, o homem que esteve sempre presente em sua vida e que cuidara de si enquanto sua mãe mal se importava, havia, em algum momento, tirado a vida de alguém inocente, por ter se deixado levar pelo ódio do momento e ainda assim, carregar o mesmo até o presente, deixando pessoas como Aiden Everdeen em ruínas e ansiando por alguma vingança. 

— Eu vou embora daqui. – o loiro soltou sua sentença final. — Não quero permanecer em uma família de mentirosos e egoístas, cujo valor maior é odiar o próximo. Não me interessa o que você sente a respeito de Alma Everdeen ou vice-versa, eu não quero fazer parte disso.

Os passos de Peeta se apressaram até encontrarem a porta gasta de seu quarto, mas antes que o mesmo pudesse sair, Snow o confrontou, colocando-se em sua frente e fechando a porta em um estalo.

— Eu não irei deixar que você fale comigo desse jeito, muito menos que saia dessa casa para se encontrar com aquela garota novamente. – o tom de voz alterado de seu pai o assustou, mas Peeta permaneceu firme em sua frente. — Se essa palhaçada não acabar agora, eu mesmo darei um jeito nisso. Até lá, você não irá sair desse quarto.

Peeta o encarou, incrédulo. 

— Não pode me prender aqui. 

— Eu posso e eu vou. – finalizou o mais velho, tirando de seu bolso um molho de chaves. — Use o seu tempo para pintar alguma coisa. – e saiu do quarto, trancando a porta em seguida.

 

                                                  …|•|…

 

A noite caiu tão rapidamente enquanto Katniss esperava pelo amado no chalé, seu ponto de encontro para aquela tarde. No entanto, a lua estava no céu e a morena permanecia sozinha no local, pensando no motivo da ausência de Peeta. Surgiu em sua mente a ideia de ele ter desistido novamente, mas ele havia prometido a ela, ele seria capaz de fugir novamente?

Essas perguntas deixavam Katniss frustrada, muito embora, a tristeza lhe acometesse ao se encontrar sozinha diante de suas memórias da noite anterior, quando se entregou de corpo e alma ao garoto dos olhos azuis pelo qual se apaixonara.

A porta se abriu em um estampido, assustando Katniss. Então, ao identificar o loiro, seu sorriso apareceu, apenas para sumir novamente ao observar os machucados espalhados pelo rosto do amado.

— O que houve? – questionou ela, alarmada. 

— Perdoe-me pelo atraso, eu precisei arrumar um jeito de sair do meu quarto sem que os meus pais soubessem. – respondeu Peeta rapidamente, sendo surpreendido pelos braços da morena em volta de seu pescoço e um longo selinho em seguida. — Não sabia que tinha sentido tanto a minha falta assim. – brincou ele, sorrindo para a morena. 

— Não brinque comigo, o que houve com o seu rosto? – perguntou a morena, com seriedade, cruzando os braços rente aos seios. 

— Olha só, Katniss. – começou Peeta, deixando um suspiro ultrapassar os seus lábios trêmulos. — Nossos pais têm uma história conflituosa no passado, eu nem... Eu nem mesmo suporto a ideia de conversar com você sobre isso, mas eu preciso dizer. Eu estou completamente apaixonado por você e não gosto da ideia de esconder coisas entre nós. 

— Diga-me então, Peeta. – instigou a morena, preocupada.

Peeta narrou os acontecimentos com Aiden Everdeen e em seguida com o seu pai, apontando sua decisão sobre sair de casa e a autoridade de Coriolanus Snow Mellark sobre suas decisões e destino com a amada. 

Katniss permaneceu estarrecida com as informações, nunca imaginara que sua mãe pudesse ser tão vingativa e desonesta, tampouco que escondera um relacionamento do passado, que refletia tanto sobre a família e explicava perfeitamente a corrente de ódio entre seu irmão mais velho e a família Mellark, mas que, definitivamente colocava seu relacionamento com Peeta em perigo. 

— Eu não quero te prender a mim, Katniss. Mas não quero ouvir nenhum deles. – começou o loiro, capturando a mão da amada e afagando o dorso. — Sei que se continuarmos juntos nessa cidade, nosso destino não será muito longo e eu não quero mais ficar sem você.

— Eu não posso ficar sem você, olhos azuis. – sussurrou Katniss, com os seus lábios próximos aos do amado. 

— Podemos ir para outro lugar, apenas nós dois juntos. O que acha, garota em chamas? – o loiro devolveu o sussurro, aconchegando o seu nariz ao da morena com um sorriso. 

— Acho que nós podemos fazer uma coisinha aqui e agora, não acha? – provocou a morena, mordendo seu lábio inferior. 

— Eu tive um dia difícil, acho que mereço toda a sua atenção.

 

                                                  …|•|…

 

— Diga-me a sua cor favorita. – pediu Peeta, em um sussurro, admirando a vista para estrelas desenhadas no céu daquela bela noite, enquanto tinha Katniss em seus braços. — Essa é uma coisa que eu deveria saber, não é mesmo?

— Já que você se importa tanto, eu não me importo em lhe contar. – brincou ela, arrancando uma rápida risada de seu namorado. — Eu gosto de verde e você, grande artista?

— Eu poderia dizer que gosto de laranja, mas acho que prefiro essas duas estrelas brilhantes me fitando agora mesmo. 

Katniss corou imediatamente e Peeta sorriu.

— Deveria existir um limite para você me fazer corar, mas isso parece impossível, você sempre consegue. – diz Katniss, demonstrando sua falsa indignação. — Eu te amo, olhos azuis. 

— Eu te amo, garota em chamas. – repetiu o loiro, deixando um beijo no topo da cabeça da amada enquanto afagava os seus cabelos castanhos. — Prometo protegê-la de todas as coisas ruins nesse mundo e amá-la por todos os segundos da minha vida. Para sempre. 

— Para sempre, olhos azuis. – sussurrou Katniss, apertando sua mão contra a grande e macia do amado, imaginando suas vidas longe daquela cidade, onde poderiam viver juntos sem que empecilhos os incomodassem. 

 

                                                  …|•|…

 

Algumas semanas se passaram enquanto Peeta e Katniss escondiam seu romance de seus pais e demais residentes da cidade, encontrando-se no chalé ou em alguma parte da floresta, acreditando estarem enganando os seus pais quanto a suas decisões e escolhas.

Alma Everdeen proibira Katniss de se encontrar com o jovem Mellark, colocando Aiden para vigiá-la caso a mesma decidisse desobedecê-la. No entanto, Clove, sua irmã mais velha, prometeu acobertá-la até que ela pudesse encontrar uma maneira de fugir com Peeta para outro Distrito, como tinham combinado no mês de fevereiro.

Peeta encontrava-se ansioso, preso em seu quarto solitário ao lado da tela feita por si — que moldava mais um belo desenho de Katniss —, arrumando as coisas mais necessárias para levar consigo em seu carro velho e pensando em um jeito de deixar a casa sem que os seus pais descobrissem.

O garoto possuía uma boa quantia de dinheiro guardado graças aos festivais em que trabalhava e a sua parte retirada da padaria. Com isso, ele acreditava que poderia estabelecer algo provisório para ele e Katniss e quando se instalassem melhor, poderiam arrumar outra maneira de se sustentarem.

Seu último encontro com Katniss na cidade seria no chalé, naquela tarde, onde o loiro planejara pedir sua amada em casamento.

O sol vespertino atravessava a pequena fresta disposta de sua pequena janela, refletindo sobre a pequena pedra brilhante presa ao anel de prata em suas mãos. 

Peeta mal poderia esperar para colocar esse anel no dedo da amada e contava os segundos para sair de sua prisão temporária e encontrá-la novamente, mas precisava esperar mais algumas horas, quando sua mãe sairia para ir à lavanderia. Seu pai costumava ficar na padaria e deixava o trabalho de vigiar o filho para a mãe, que apenas aceitava o trabalho para não confrontar os Everdeen.

De volta à mansão da família Everdeen, Katniss terminara de arrumar os seus pertences em uma pequena mochila, que carregaria até o chalé no fim da tarde.

A morena cantarolava uma música qualquer, quando seu irmão entrou em um rompante pela porta de seu quarto e a assustou bruscamente.

— O que é isso? – perguntou o mais velho, apontando para a pequena mochila escura sobre a cama da irmã, que não conseguiu escondê-la a tempo de o irmão percebê-la.

— Irei dormir na casa de Finnick. – respondeu a morena, prontamente, engolindo em seco sob o olhar penetrante do irmão mais velho. — Ele me convidou. Eu não poderia rejeitar o convite do meu noivo, não é mesmo?

— Muito bem. Gostaria de uma carona? – perguntou Aiden, cordial. — Sua amiga Johanna me informou que estava indo também, então ofereci a ela uma carona. 

— Não se preocupe, Aiden. – a morena exibiu um sorriso para o irmão. — Clove irá comigo. 

— Tudo bem. Divirta-se. – o moreno sorriu, aproximando-se da irmã mais nova para oferecer um beijo em sua testa. — Diga a família Odair que estou mandando um abraço. Tome cuidado. 

— Tudo bem.

Katniss escondeu a mochila em seu guarda-roupa após escolher um vestido simples para o seu encontro com Peeta, que aconteceria em algumas horas. Então, se entregou a um delicioso banho quente, onde lavou os seus longos cabelos castanhos, secando-os após vestir-se em seu belo vestido amarelo, para em seguida arrumá-los perfeitamente em cachos suaves, que caíam por suas costas.

Depois de pronta, a morena buscou a mochila em seu guarda-roupa, deixando seu quarto cautelosamente.

Para a sua surpresa, Aiden não se encontrava em canto algum, deixando o seu caminho livre para escapar da mansão e rumar para o chalé, onde Peeta já deveria estar esperando por ela. 

Katniss pensava em todas as coisas na cidade que deixaria para trás, não se incomodando por tal pensamento. Não queria uma vida infeliz ao lado de riquezas e sim a certeza de que alguém nesse mundo a amava e que compartilharia desse sentimento com ela para o resto de sua vida, encontrando assim, a felicidade que sempre almejou. 

Chegando ao chalé, Katniss o encontrou silencioso.

Por um momento, a garota permaneceu imóvel, esperando por uma surpresa do namorado, como ele costumava fazer sempre que se encontravam naquele local. No entanto, ao chamá-lo incontáveis vezes, não obteve respostas.

Caminhando até a sala, seu corpo se sobressaltou diante da lareira acesa, emanando o calor e o brilho diante do corpo caído sobre o assoalho de madeira.

— Diga-me que está dormindo, por favor. – sussurrou a morena, a voz falha ao se abaixar diante do corpo imóvel do loiro. — Peeta, meu amor. – chamou ela, chacoalhando o corpo do amado algumas vezes, para segundos depois perceber a enorme mancha avermelhada em sua camisa cinzenta. — Não, não, não. Peeta! Acorda, por favor! – barulhos ininteligíveis escapavam por entre os lábios da morena, conforme as lágrimas trilhavam o caminho para o seu queixo por suas bochechas rosadas enquanto ela tentava inutilmente acordar o amado.

Mas era tarde demais. O coração de Peeta não estava mais batendo, o silêncio ocupava esse lugar agora.

Katniss permitiu-se observar o rosto de Peeta mais uma vez enquanto acariciava os cabelos cacheados do amado, que se encontravam naquela mesma bagunça encantadora da qual a morena se apaixonara a primeira vista.

A pele pálida brilhando diante da claridade da lareira, os belos olhos azuis escondidos por trás de suas pálpebras fechadas, seus lábios selados em uma fina linha reta.

— Eu sinto muito. – sussurrou a morena contra o peito do amado, deixando o choro tomar conta do cômodo. 

Em passos apressados, Katniss fez uma pequena viagem até a cozinha do chalé, voltando até o corpo de Peeta que jazia na sala.

— Eu vou te encontrar, olhos azuis, eu prometo. – afirmou a morena, deixando um último beijo casto sobre a testa do loiro, pressionando a faca afiada contra a sua barriga em seguida.

Katniss deitou-se ao lado do loiro, fechando os seus olhos em seguida. Seu choro cessava aos poucos e o silêncio ocupava o espaço gradativamente enquanto as chamas brilhantes da lareira aqueciam o cômodo gélido pelo manto da morte.

E ali, diante da noite estrelada, a história de amor de Peeta Mellark e Katniss Everdeen recebeu o seu ponto final naquela cidade. 

 

Atualmente

A morte de Katniss Everdeen e Peeta Mellark deixou os residentes da cidade estarrecidos. Alguns inconformados, outros surpresos. Porém, os mais devastados pela notícia foram as famílias e os mais próximos. A união de ambos fora imediata e o passado tornou-se poeira e sumiu diante de suas vistas, e no lugar, encontrou-se a empatia e a dor que a realidade os proporcionara, e que com um tempo, aprenderiam o verdadeiro significado.

Então, diante de seus arrependimentos e a culpa em seus corações quebrados, Coriolanus Snow Mellark e Alma Everdeen trocaram um último beijo.

Aquele era o ponto final de suas histórias, onde seus caminhos divergiriam e suas mágoas desapareceriam para sempre. Deixando suas histórias e passados para trás, para viver apenas o presente doloroso que Sunset Hill os trouxera uma semana atrás.

 

                                                 …|•|…

 

As pinturas de Katniss e Peeta preenchiam o local especial onde o evento em homenagem a história de amor de ambos acontecia tristemente.

Aiden Everdeen segurava uma rosa vermelha em uma de suas mãos, um pouco mais distante da multidão, pronto para se despedir da cidade que destruíra grande parte de sua vida e cair na estrada, deixando sua culpa e passado para trás.

Uma última olhada na pintura estampando o rosto delicado de Katniss fora o suficiente para que um suspiro escapasse por entre os lábios do moreno e o mesmo adentrasse o seu carro aquecido.

Sua mão voou para o banco do carona, onde se encontrava uma arma. Aiden a pegou, trazendo-a para perto de si, observando-a com outro suspiro preso entre os seus lábios.

— Eu sinto muito, Katniss. Mas eu avisei. 

Aiden colocou sua arma dentro do porta-luvas e o fechou, ligando o carro em seguida. 

Seu destino era incerto, mas ele sabia que teria que ir embora daquela cidade antes que alguém se desse conta. O moreno sabia que a cidade seria lembrada por meses, talvez até mesmo anos. Não suportaria mais viver ali. 

Essa era uma história entre duas pessoas apaixonadas, que tiveram o seu ponto final por uma tragédia, mas que fora capaz de unir duas famílias destruídas pelo próprio passado.

Não era uma simples conversa correndo pela cidade. Essa era a história de amor de Sunset Hill.

“Agora filho, eu só estou te dizendo isso porque a vida pode fazer coisas terríveis.”

 


Notas Finais


E aí, gostaram da história?
Aqui está o link da música: https://youtu.be/NnPKBwO4-P8
Para quem se interessar, deixarei os links das fics da Debyy aqui também!
TLC: https://www.spiritfanfiction.com/historia/the-last-christmas-11945534
EB: https://www.spiritfanfiction.com/historia/efeito-borboleta-10387546
A gente se vê!
Beijos no coração 💜


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