História A história de Andromeda Black e Teddy Tonks - Capítulo 78


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiie meus amores, sei que ando sumida mas estou de volta.
kk gente não é de hoje que eu falei que meu computador fez o favor de apagar a história kk mas não deixei isso abalar e fiz um cap gigante kkk mas decidi partir em dois para ficar melhor para vocês.
Desculpa ter sumido em um momento tão tenso assim, mas dei o meu melhor e espero que gostem.
Boa leitura

Capítulo 78 - Traidora do sangue


Fanfic / Fanfiction A história de Andromeda Black e Teddy Tonks - Capítulo 78 - Traidora do sangue

Tudo estava branco... não sabia o que estava. Se eu estava morta ou viva... Não sentia meu corpo... quando pensava em me mover estava exausta de mais para isso. Tentei falar, mas nada saía. Também não sabia se estava surda, pois não tinha nada para ouvir

Só me vinham alguma imagens... 

Lembrei de quando brincava de esconde-esconde com minhas irmãs, quando corríamos pela casa importunando a todos... a primeira vez que peguei Sirius no colo e o sorrisinho lindo que ele soltou... Quando vi estava no lago dos Black, jogando vôlei com todos da minha família. Os primeiros passos de Régulos... Mamãe me contando historinhas para dormir e papai me dando fortes abraços depois de longos dias no ministério.

Ele me chamava de raio de Sol e punha um dos seus belos discos... me colocava em cima de seus pé e saímos dançando pela sala.

Quando eu e minha irmãs passávamos noites em claro conversando sobre nossos sonhos... minha primeira ida a Hogwarts. Quando o chapéu me selecionou para a Sonserina...

Meus melhores momentos em Hogwarts... a biblioteca, o lago, Hogsmeade... minha primeira vez comprando doces. Meu primeiro beijo com o meu amiguinho italiano, atrás da cozinha no restaurante do pai dele.  

Meu pai presenteando minhas irmãs com jóias e kk todo o seus esforços para me comprar Livros... minha mãe sempre ajeitando o meu cabelo nas conferencias de meu pai.

Os natais que sempre passamos em casa e vinham familiares de todos os lugares com seus elfos e o enorme banquete...

A vez que Narcisa caiu daquele barranco e achamos que ela estivesse morta... e quando acordou choramos e nos abraçamos como se nada fosse mais importante do que o amor que sentimos umas pelas outras.

Bella me explicando tudo sobre a escola... me ajudando em feitiços e poções quando comecei e kkk depois quando trocamos os papéis e eu fazendo seus trabalhos para que não ficasse presa no outro semestre. A sua “ajuda” indesejada com garotos...

Nossas brigas de travesseiro...

...

Me lembrei da noite que conheci Lucius... quando ele caiu em cima de mim e desde aquela noite virei seu alvo... Merlin, lembro como se fosse ontem todas as flores que ele me mandava nos primeiros meses de “noivado”. Tudo sempre tão superficial...

Aquelas mãos frias e crueis na biblioteca na festa de Ano Novo...

Os momentos em que ele falava do futuro nos imaginando com uma boa vida em sua bela mansão , como nosso filho...

Draco... nunca me esquecerei dos sonhos que tive com esse ele.

Nosso primeiro encontro que aconteceu por sacrifico para que Sirius pudesse sair com Rox...

Rox... minha tão boa amiga que sempre esteve comigo mesmo depois de saber que eu era diferente...

  ...

A primeira vez que conheci Remus e Thiago. Dois molequinhos que hoje fazem tanta diferença na minha e amo como amo a primo... As noites que passei com eles rindo e brincando. Comendo muito.

Em fim Teddy...

Era como se eu tivesse voltado no dia em que nos esbarramos só que em uma perspectiva diferente. A primeira vez que vi o seu lindo sorriso... quando me ajudou com os livros e esticou sua mão tão descontraído como se fazer amigos fosse a coisa mais fácil do mundo...

Kk A festa em que nos encontramos e eu desabafei tudo com ele... viramos amigos, eu já gostava dele, mas não queria admitir. Todos os nossos encontros... nossos beijos... a cozinha com os elfos.

Kkk Quando aquela vaca daquela garota do Time dele o beijou e fiquei com ciúmes pela primeira vez e não tinha mais como negar os meus sentimentos... minhas tolas tentativas de me afastar...

Teddy... seus pais, Lia, Ammus...

Aqueles lindos cabelos ao vento quando ele jogava quadribol e o jeito que sorria quando rebatia os balaços nas pessoas certas... era incrível.

Vi toda a nossa evolução... tínhamos crescido tanto a pouco mais de um ano...

Tudo o que passamos ... sendo destruído em questão de segundos.

...

- Andie...- pude ouvir alguém me chamar, como um sussurro. – Andie...

Aquilo me assustou... todas as lembranças foram passando, mais rápido e mais rápidas até que ficassem irreconhecíveis. Mas elas não pararam...

De repente eu estava nos corredores de Hogwarts. Parkison estava bem na minha frente, eu estava jogada no chão e sem varinha enquanto ela apontava a dela para mim.... Ela dizia muitas e muitas coisas patéticas, não tinha medo dela, mas estava apavorada...

O raio roxo foi lançado... era o meu fim.

Então Teddy, surgiu na minha frente para me proteger... e antes que eu pudesse ajuda-lo ou agradece-lo a imagem sumiu e eu vi meu pai... lançando um raio roxo para mim.

- ANDIE... – a voz ficou mais alta e parecia vir de todos os lados. Novamente tudo ficou branco e comecei a sentir alguma coisa. – Andie...

- Mamãe... – tentei falar, mas não sabia se tinha saído algum som... – Mam...

Antes que eu terminasse de falar pude sentir meu corpo de novo... até mais do que queria. Tudo parecia doer...

- Mamãe, ela está querendo falar mamãe...

Pude ouvir sua voz com mais nitidez... sentir suas mãos me envolvendo com carinho, como se eu fosse um bebê. Quis dizer a ela para que não fizesse aquilo, já que seu toque me causava grande agonia... como se suas delicadas mãos de madame fossem, uma lixa esfregando minha pele.

- Se afaste dela Druella! – dessa vez era a voz firme do meu pai – Druella...

- Não venha me dizer uma palavra Cygnus, você não tem mais esse direito.

Aos poucos a visão foi voltanto... eu não estava morta e naquela altura já não sabia se isso era bom ou ruim .  Acho que naquele ponto nada poderia ficar bom...

Eu estava largada no corredor, meu vestido estava rasgado e quem o vestia estava destruída... a força ia voltando aos poucos e ar enchia novamente os meus pulmões e a cada segundo a dor ia se tornando suportável, os movimentos já eram possíveis.

Minha cabeça estava no peito de minha mãe, que me abraçava como uma ursa protegendo os seus filhotes... ela fazia carinho no meu cabelo com zelo. Meu pai a minha frente... nervoso.

- Como pode amaldiçoar a sua própria filha, Cygnus. -  o pouco que abri os olhos pude ver meu tio Alfard passando algum pano em Sirius.

- Não me acuse assim Alphard!!! Não era minha intenção. – meu pai tremia de raiva – Ela que se jogou na frente daquele... daquele...

- Mamãe... – falei com mais convicção .

Já tinha aberto os olhos totalmente, mas ainda estava fraca. Não tinha forças para me levantar, mas pelo menos falar era fácil.

- Meu bebê... mamãe está aqui.

- Andrômeda... – ele me tirou dos braços de minha mãe e me abraçou... pensei que aquilo fosse outra alucinação... – Me diga minha estrela, o que aquele maldito usou em você... o que sente?

Estava desesperado por uma resposta. Até me comoveu o fato dele não querer acreditar em tudo aquilo...

- Ele não usou nada papai...

- Não minha flor, não... não pode ser. – Ele apertou os meus braços... queria gritar... mas me contive – O... o que sente? Qualquer coisinha diferente pode ser o indicio de um... de um encantamento... poção... controle da mente... qualquer coisa...

- Papai... – uma gota de suor escorreu pelo meu rosto... – Não estou sob o efeito de nenhum encanto... Eu o amo, simplesmente por... ama-lo.

Algo que eu nunca tinha presenciado aconteceu... Lágrimas caíram do rosto do meu pai... nunca o tinha visto chorar.

- ISSO É IMPOSSIVEL, VOCÊ NÃO PODE AMA-LO!!! ELE É UM SANGUE RUIM!!! – meus braços estavam sendo esmagados pela raiva dele.

- EU NÃO LIGO PARA ESSA MERDA DE PUREZA DE SANGUE! – Meu pai recuou... todos soltaram longas exclamações... pronto. – Eu nunca liguei para isso... Eu o amo papai, independente de ser sangue ruim.

O seu desespero que tanto sentia o consumiu de tal forma que os seus olhos ficaram vazios. Ele então abaixou a cabeça e deixou escorrer mais e mais lágrimas... quentes que caíam sobre meu vestido. Fungou como uma criança e limpou o rosto...

Me soltou e se levantou.

-Você é a desgraça dessa família – Ele me olhava de cima para baixo, como se eu fosse a coisa mais horrenda que já enfrentara. Falava calmo e frio... cada palavra carregava seu ódio – Saia agora dessa casa e nunca mais volte!

- Pap...

- Eu NUNCA mais quero vê-la. – então como um verdadeiro Lord, se virou para as escadas

- Cygnus... por favor... não. Não podemos deixa-la... – ela correu até ele e segurou sua mão – Ela é nossa filha...

Meu pai então me deu uma última olhada com todo o seu desprezo... apagando todas as suas lembranças de mim.

- Não é mais... – e de mim, ele foi subindo as escadas...

Minha mãe olhou aflita na direção dele, sem saber o que fazer. Ela veio até mim, se abaixou ainda perdida, tentando ir além de tudo o que ela acreditava para tentar me defender.

Abriu a boca para falar uma ou duas vezes...

“ Fique tranqüila meu amor, eu vou... vou dar um jeito nisso”  - ela sussurrou no meu ouvido, me deu um beijo na testa e saiu

Aquela foi a última vez que vi meus pais...

...

Eu queria chorar... desabar ali mesmo naquele tapete.

Eu nunca mais teria o abraço apertado do meu pai, seus beijos de boa noite ou seus conselhos sábios... às vezes em que eu sentava no seu colo com medo de trovões... as partidas de quadribol que ele me levava... os doces que comprávamos escondidos de mamãe e as outras para não levarmos bronca...

Tudo tinha isso tinha acabado...

Ele me odiava... me tornei sua maior decepção. Eu sabia que isso era inevitável... mas ouvir da boca dele... aquele olhar sobre mim... doeu mais do que qualquer maldição existente...

A dor do meu corpo ainda era forte, mas meu coração estava despedaçado.

...

Meu Tio Orion e minha tia Walburga não perderam tempo e assim que minha mãe saiu se colocaram a minha frente. Foi dali que tirei forças para me levantar... nunca iria deixar aqueles dois me olharem de cima para baixo.

- Mas que decepção... uma menina de tão boa criação escolher um sangue ruim... – Meu tio cuspiu no chão bem perto de mim e minha tia o imitou. – Quer dizer, nós sabíamos que você acabaria fazendo alguma merda, mas não imaginávamos que seria algo tão baixo.

- Meu namorado pode até ser um sangue ruim, mas é muito mais humano do que vocês. Dois monstros incapazes de amar o próprio filho, um menino incrível e doce como Sirius! Podem viver no luxo, mas não valem nada mais do que as roupas que usam ... – Tia Walburga deu um tapa na minha cara que me fez cambalear...

- Cale a boca sua criancinha ridícula. – Ela balançava a mão também agonizando a dor na mão. - Você tem de nos agradecer por deixarmos viva... 

Minha pele queimava no lugar

- Vocês não merecem o filho que tem...

Sem dizer mais nada os dois jogaram suas capas em meu rosto e sumiram... como eu os odiava, deles eu nunca sentiria falta.

Por Merlin, agradeci por nunca mais vê-los.

Tentei me levantar, mas o tapa tinha abalado minha evolução. Régulos passou por mim e foi me estender a mão... mas sua mãe voltou para busca-lo e eu puxei minha mão para que eles não vissem... eu não podia estragar a vida de mais um primo meu.

...

Enfim fiquei só com minhas irmãs e delas eu não queria mais nada. Dei meu jeito para tentar levantar enquanto Bellatrix ria de mim...

- Parece que já se acostumou com o chão , não é mesmo? – eu via o momento em que ela me bateria... – Papai ainda foi muito bonzinho com você, se eu tivesse lançado o Crucio, te faria delirar com a dor até perder o nexo das coisas, talvez nem mesmo conseguisse andar mais...

- Bella... – Narcisa tentou aliviar a barra, mas nada que ela falasse ajudaria.

Bella e eu olhamos bravas para ela... pois tentando agradar as todas ela conseguiu o que mais temia. O desprezo das duas. Mas Bella ainda iria perdoa-la, só queria castiga-la mais um pouco.

- Achou mesmo que eu iria deixar você trazer um gambá para dentro de casa, sem sentir o cheiro? – ela chegou mais perto, estava a menos de um palmo de mim – Achou mesmo que iria se safar assim?

- Não... foi burrice minha achar que daria certo, já que você jamais deixaria uma de nós ser feliz – Eu me aproximei mais – Já que a sua missão é ver todos infelizes como você é

Foi ai que senti um espeto na minha costela... a varinha de Bella sendo pressionada contra minha pele.

- Eu devia mata-la por traição... – eu já podia sentir sua varinha se metalizando para formar uma adaga.

- Bella... não faça isso. Andie é nossa irmã – Ciça continuava nos observando de longe, ainda sem escolher um lado...

- Não mais, você não ouviu o papai, Ciça? – ela me olhava com demônios nos olhos. – ... não passa de uma decepção... se tornou a escória que lutamos para exterminar.

- Ser chamada de escória por você é praticamente um elogio

- Co... como pode ser tão insolente assim? Depois de tudo o que fiz por você, depois de tudo o que já passamos? Eu tentei... tentei entender o seu casinho nojento e te dei mais de uma chance para recomeçar e você jogou fora. Você sua ingrata não sabe respeitar a irmandade que tínhamos... aquele Sangue ruim te cegou... e olhe aonde ele te levou. Chama isso de felicidade?

- Podem me xingar do que quiserem, mas eu nunca vi as coisas tão claras, Bellatrix – peguei minha varinha e apontei para sua barriga como uma ameaça. – Nós nunca fomos irmãs.... eu não passava de uma marionete que você gostava de mexer as cordinhas. Então sim, eu prefiro ser chamada de escória do que ser novamente escrava das suas vontades ou de qualquer outro dessa família. Podem ter cortado nossas asas, mas diferente de você eu aprendi a voar.

Ela se afastou assim que percebeu minha varinha... pensou em falar alguma coisa, mas não o fez. Assim como meu pai, ela foi para escadaria e antes de acabar de subir se virou para mim.

- Eu sei porque papai não te matou. Não se sinta especial... não foi por sensibilidade, mas porque te deixar ir sabendo que sempre será odiada por quem te amou é o maior castigo. Fuja como o rato que é... como a covarde que sempre foi, e reze para não nos encontrarmos de novo. Lá fora estamos em guerra e não seremos tão bonzinhos como fomos hoje... – ela se virou para subir as escadas, mas voltou. – Espero que se lembre bem de suas escolhas quando for colher as conseqüências delas, Andrômeda.

- Isso é uma ameaça? – me coloquei em minha melhor posição.

- Não... – ela me olhou por uma última vez antes de seguir seu caminho – Uma promessa.

Logo a porta do quarto se fechou...

...

Narcisa ainda estava de pé, tremendo e chorando, ainda se controlando para não desabar.

- Andie... eu... eu não queria... não queria contar ... mas... mas Bella... – ela se jogou aos meus pés...

Eu só a olhei de cima a baixo com o maior desprezo que pude.

- Bella disse que me perdeu depois que papai me negou, mas o engraçado é que eu já havia perdido minhas irmãs a muito tempo - ela soltou um grito de tristeza entre seu escândalo – Mas agora que ficamos sós Narcisa,  de traidora para traidora. Espero que esteja satisfeita com suas escolhas assim como eu.

Então eu me desvenciliei dela e fui até a porta da frente! Eu iria sair daquela casa... a porta já estava bem ali, só bastava que eu estendesse o braço para abrir... não conseguia me mover. Mas quando tomei coragem fui puxada...

...

Aquela sensação era de aparatar pela primeira vez, me senti esmagada de todos os lados, cheguei a achar que sufocaria... sentia como se tivesse tomado um soco o estomago. Tudo de uma só vez.

Logo aquela sensação aterradora passou. Estava tudo na mais vasta escuridão, senti alguém ao meu lado e já passei a mão na minha varinha

- Lummos – meu tio Alphard ascendeu todas as luzes da casa.

Eu não precisava saber onde estava... não tinha cabeça para isso. Meu tio me olhou com toda sua compaixão e sem dizer uma palavra abriu os braços para me receber. Sem aquilo eu teria caído de tanta dor que eu estava suportando.

Desabei dentro daquele abraço. Aquilo era o fim do mundo para mim... eu não conseguia falar uma palavra se quer... eu queria dizer algo, mas ele sempre me apertava mais ao peito dele para que eu soubesse que não precisava falar nada naquele momento.

Eu não tinha mais chão ... tudo o que um dia eu fui, não existia mais.

Meu tio pacientemente me deixava encharcar o seu terno... me ver soluçar e tossir. Achei que eu fosse perder o ar... era pior que aparatar. O sentimento de ser esmagada era insuportável. Quanto mais eu tentava parar de chorar, mais lágrimas vinham.

Ele acariciava meu cabelo com toda a sua gentileza . Era estranho ver meu tio assim, como um verdadeiro pai. Mais pai do que meu já foi com três filhas...

Depois do que pareceram horas, meu tio me soltou aos poucos e segurou meu rosto com cuidado.

- Vamos minha pequena, respire comigo... agora inspire. – no começo foi difícil conseguir um ritmo entre tosses, soluços e lágrimas. – Calma, vamos no seu tempo. Estou aqui com você... vamos tentar de novo. Está certo?

- S... si... si... s... – eu tentei falar, mas ele me silenciou.

- Respira... inspira – aos poucos tudo foi ficando mais fácil.

- Tio...

- Respira... inspira...

Enquanto eu ia me acalmando ele limpava as minhas lágrimas restantes. Até o momento que eu me senti melhor... isso se era possível. Então quando senti que podia falar, tive medo... medo da resposta...

- Ele... ele... ele está..

- Vivo.. conseguiu escapar. – ele sorriu para mim.

- Eu... eu pre... preciso ir, Tio. – eu dei um passo para trás.

- Posso saber onde vai?

- Eu vou atrás do Teddy... ele... ele está ferido  – o choro quis voltar , mas meu tio novamente se aproximou – Está ferido... por... por minha causa e eu... eu preciso...

- Você não vai atrás dele.

- Co... como? Não, eu... eu vou sim... Ele precisa de mim... eu o machuquei... eu...

- Shhhhh – ele novamente foi me mostrando os exercícios de respiração. – Você não vai atrás dele...

- Mas tio...

- Eu irei levar Sirius ao St. Mungus e irei procura-lo.

- O que aconteceu com Sirius... – meu coração apertou...

- Não parece nada grave... mas ele bateu as costas muito forte na parede e... está sentindo um grande formigamento nas pernas. Não dá para brincar com algo assim – meu tio tentou parecer calmo – Sem tirar que é melhor para ele ficar fora de casa por um tempo.

Embora parecesse bem, meu coração continuava minúsculo. Bater a coluna do jeito que Sirius foi arremessado... eu não queria mais pensar em tragédias... Ele precisava ir.

- Então vai Tio, de toda a atenção para Sirius e me deixe procurar Teddy....

- Não!

- Como assim não? Eu sei onde ele está...

- Não, não sabe! – ele já estava me dando raiva.

- Mas é claro que sei, ele...

- Na casa dos pais? – meu tio me olhou como se eu fosse a garotinha mais burra do mundo – Eu tomei minhas previsões para todas as hipóteses... e nós dois combinamos que caso as coisas dessem errado e ele fugisse iria para um esconderijo meu... onde eu tenho certeza que nem mesmo a magia mais antiga conseguiria rastrea-lo.

- Então me diga onde ele está!!!

- Não!

- Merlin, pare de me dizer não!!! Eu quero saber onde está! – eu o afrontei.

- Uma coisinha sobre o mundo real minha querida, nós ouvimos muitos nãos. – ele disse com cuidado... olhei para mim com medo. Eu estava na pose de menininha mimada que me ensinaram a ser... – Olha eu sei que você está mal

- Mal? Não... Ele foi torturado por minha culpa! Minha culpa, você tem noção disso?

- Sim... – ele me olhou triste

A raiva que eu estava sentindo foi a tona... me arrependi no mesmo instante. Quis engolir o que tinha falado. A carinha de triste do meu tio fez eu me sentir um monstro.

- Tio, me... me perdoe, não quis...

- Não se preocupe... – ele sorriu de canto, igual Sirius. – Andie... nós sabiamos que tinha uma grande chance de tudo ocorrer desse jeito. Podia dar certo... talvez sim ou talvez não, mas agora já foi. Temos que saber lidar com essa situação. E como eu sabia que nesse estado vocês não teriam como lidar com as coisas eu já formulei tudo, meu amor. Deixe comigo... mas escute! Ele não foi torturado por sua causa...

- Ta bom...

- Ei!! Deixe me terminar! – ele odiava ser interrompido – As escolhas dele o fizeram escolher você e o que aconteceu foi uma conseqüência. Se quer levar o mérito de alguma coisa, seja pelo fato de ter dado a ele a chance de escapar. Porque se você não tivesse se jogado na frente dele, seu namorado estaria morto.

- Obrigada... – eu disse tentando não me descontrolar de novo...

- Então... agora que chegamos a esse ponto, posso te falar o resto do plano?

- Sim.

- A sua parte vai ser... difícil. Talvez não goste muito, mas... – ele escolhia as palavras com cuidado – Você está preparada?

- Sim... – senti uma pontada no estomago... mas agora eu iria até o fim.

- Assim.. é um pouco mais do que complicada...

- Fale logo, está me deixando ansiosa.

- Você terá que voltar na casa.

- O QUE? – recuei até chegar a parede – Você quer que... que eu volte naquela casa? O SENHOR ESTÁ LOUCO?

- Andie, calma....

- Não me peça calma. Primeiro Teddy e agora isso... Não...

- Andie...

- Eu nunca mais quero voltar a pisar os pés lá...  NUNCA . É melhor o senhor ir pensando em outro plano.

- ANDRÔMEDA !!! – tomei um susto e tudo ficou em silêncio. – Eu sei que é difícil, mas você precisa voltar lá para pegar as suas coisas e...

- Eu não quero nada deles... – ele novamente me olhou bravo por ter sido interrompido, mas a minha inconformação estava incontrolável.

- Quer me interromper de novo, vá em frente, mas o tempo está passando e mais tempo ele estará sozinho sem os devidos socorros. Ai sim ele poderá morrer de hemorragia.

- Eu não vou voltar lá... não quero pegar nada que tenha vindo de qualquer um deles.

- Não é deles, é seu! – com a minha cara de raiva ele mudou o jogo – Olha eu não sei que tipo de historinhas você leu nesses seus livrinhos, mas recomeçar do zero não é começar um conto de fadas. É muito mais difícil do que se pensa e realmente só dá certo na ficção... Nesse momento você não tem nada, Andrômeda... Quer começar uma vida nova, okay, mas você precisa de pelo menos uma base e no mínimo uma muda de roupa, mesmo que seja para queimar depois... apenas para ter um inicio. Então trate de engolir esse orgulho.

- Eu serei morta.

- Não vai...  farei uma capa da invisibilidade que irá durar algumas horas e claro, você irá as três da madrugada, quando todos estiverem dormindo. Pegue as coisas que achar necessário e saia.

- Como um rato...

- Como uma sobrevivente – ele retrucou. – Pronta para uma nova vida... só que agora batalhada. Agora eu tenho que ir... Vá no quarto de hóspedes e se apronte.

Ele se virou para a porta.

- Tio... – eu pulei nele antes que abrisse a porta – Muito obrigada... por tudo.

Sem dizer uma palavra me abraçou e beijou a minha testa.

- Seja forte garotinha. Não se esqueça, seja discreta e... não deixe suas emoções te dominarem. – então saiu noite a dentro.

...

Estar naquela casa sozinha era a pior parte... a solidão me abraçou, mas eu não tinha mais tempo para mais lamentações. Subi as escadas sem nem perceber até chegar ao quarto de hóspedes. Passei no espelho de relance e olhei bem para o meu vestido. Tinham grandes manchas que escureciam o carmim dele... tirei a roupa e o sangue seco de Teddy parecia estar em todo lugar. Eu havia me jogado em sua possa de sangue... até meu cabelo estava sujo.

Entrei no banheiro e deixei a água cair sobre meu corpo. Queria lavar todo aquele sentimento, deixar a água levar toda a dor que eu estava sentindo. Ali eu chorei sozinha sem me conter. Queria sair dali limpa, sem nenhum remorso... sem nenhum sentimento que me fizesse fraquejar quando eu voltasse para casa. Pensei até em usar um obliviate para apagar todas as lembranças, mas não valia a pena. Eu precisaria superar a minha família. Eles eram uma parte da minha vida que já havia passado.

Depois de um longo banho me enrolei na toalha, abri a porta e em toda a cortina de fumaça, me sentei na cama e deitei. Olhei para o teto ...relembrando cada minuto daquele jantar. Parecia irreal e embora tivesse acontecido em poucos horas atrás era como se tivesse sido em outra vida.

Olhei para o lado e vi as roupas de Teddy jogadas em um canto. Tive até medo de pega-las... não queria contamina-las com tudo aquilo que tinha se passado, mas por enquanto aquelas roupas eram tudo o que eu tinha dele. Eu as abracei como se ele ainda estivesse vestindo elas.

Vários pensamentos me tomaram... eu queria acreditar que ele estava bem. Que ele deu um jeito de se manter vivo até meu tio chegar lá e ajuda-lo a ficar forte e alegre como sempre foi. Que o esconderijo que ele estava era extremamente bom e nem mesmo meu pai poderia acha-lo. Tentei me apegar a cada pensamento positivo, afinal era tudo o que me restava... torcer para dar tudo certo.

Só poderia dar tudo certo já que tudo o que tinha de dar errado já passou.

Ao pé da cama tinha uma muda de roupa bem simples, uma blusa de manga comprida e uma leg preta bem quentinhas e confortável. Não pude deixar de rir pela ironia. Eu já tinha a muda de roupa para recomeçar a minha vida, não achava que precisava de mais nada.

Coloquei a roupa e coloquei meu cabelo em um grande coque. Ao olhar no espelho parecia que eu estava em um eterno luto. Desci as escadas e vi em cima da mesa de jantar um café de princesa. Em cima de uma bela bandeja de prata estava uma maçã, um brioche, manteiga, geléia e um chá ainda bem quentinho de... camomila. Acompanhados de uma bela prataria.

E para acompanhar dois bilhetes escritos

“Coma-me “ e “ Beba-me”

Sorri de canto com a lembrança em que meu tio Alphard me deu de natal um livro trouxa chamado “Alice no país das maravilhas”. Mesmo não estado com fome, obedeci os bilhetinhos... eram mais que uma ordem.

Dei uma volta pela casa, prestando atenção em tudo. Era uma casa simples, mas muito bonita. Embora tivesse apenas os móveis necessários, eram de ótima qualidade... tudo bem preservado e bem decorado. Tinha um ar antigo e ao mesmo tempo contemporâneo. Cores vivas... bem espaçosa. Uma cozinha, uma sala de estar ao lado de uma sala de jantar para quatro pessoas. Dois quartos mobilhados e uma suíte linda... além de um banheiro em cada andar e a parede que segurava a escada era perfeita para encher de fotos... O jardim da frente era pequeno, mas muito bem cuidado. Embora não tivesse flores daria para plantar e florescer certinho.

 O terreno atrás era bonitinho, também não era muito grande, mas era uma varandinha com gramado com uma mesinha e algumas cadeiras para tomar sol e ainda um lugar para um canteiro.  O bairro também era bom... não estava muito afastado do centro, mas parecia proporcionar uma boa vida pacata.

Kk quando será que teríamos uma vida pacata?

Então o relógio soou as badaladas. Já eram três horas... estava na hora de ir.

Desci e na porta percebi uma energia diferente vinda do cabidiero. Quando estiquei a mão senti o tecido de uma capa... Era a capa de meu tio, enfeitiçada para me esconder de todos e ao lado, uma vassoura.

Demorei para abrir a porta... respirei fundo, como meu tio havia feito comigo mais cedo e fui. Subi na vassoura e tomei meu rumo. Deixei que o ar gelado da noite batesse em meu rosto.

Esse plano daria certo...

Por nós


Notas Finais


Oiiie pessoal, espero que tenham gostado desse desfecho.
A saída de Andie da casa creio ser um choque para todos, até mesmo para ela que independente de tudo os amava... infelizmente ou felizmente teve que fazer uma grande escolha kk fazer loucuras.
Amo muito o tio Alphard !!! S2

Um grande beijo,
até o próximo cap


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